28/10/12 16:28
Atualizado em 17/5/16 às 14:38

Sucesso internacional

Investimentos do GDF na rede de coleta e distribuição de leite materno e solidariedade das brasilienses tornam a capital federal referência nacional e internacional na área


. Foto: Mary Leal

O GDF foi reconhecido, mais uma vez, pelo trabalho da Coordenação de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do DF. O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)   e coordenador da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, João Aprígio, destacou, em recente entrevista, a autossuficiência do banco de leite local no atendimento aos recém-nascidos   internados nos Hospitais Regionais da Secretaria de Saúde (SES-DF).

O destaque do especialista ao trabalho realizado no DF se soma ao reconhecimento do Ministério da Saúde, que   elegeu o Banco de Leite do Hospital Regional de Taguatinga entre os 28 melhores do Brasil.  Por mês, são coletados, em média, 1,5 mil litros de leite nos 19 bancos de leite humano do DF: 10 deles e dois postos de coleta pertencem à Secretaria de Saúde (SES-DF); dois são federais – do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e do Hospital das Forças Armadas (HFA) ; e outros cinco são da rede privada. As 10 unidades da SES-DF são responsáveis por 90% dessa coleta mensal. De 1º de janeiro a 30 de setembro deste ano, 4.295 mulheres doaram leite para 9.482 receptores. Nesse período, foram coletados 13.374 litros de leite. 

Em entrevista à AGÊNCIA BRASÍLIA, a coordenadora-geral de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano da Secretaria de Saúde de DF, Miriam Oliveira dos Santos, atribui ao Governo do Distrito Federal  o sucesso do trabalho realizado nessa área. Segundo ela, o governo de Agnelo Queiroz  substituiu equipamentos antigos por outros novos e mais modernos nos 10 bancos de leite da SES-DF e já adequou 70% das áreas físicas às exigências do Ministério da Saúde.

Unidades como a do Paranoá, inaugurada no ano passado, e o novo Banco de Leite de Sobradinho, entregue na sexta-feira (26), no bloco materno-infantil do Hospital Regional de Sobradinho (HRS), são outras ações que ajudaram Brasília a se tornar referência para outros países na área. A capital federal já recebeu delegações do Uruguai e do Panamá. Este ano, especialistas cubanos desembarcam na capital federal para conhecer os bem-sucedidos procedimentos de coleta e distribuição de leite materno.

A compra de vidros e copos adequados à coleta e distribuição do leite também está entre as iniciativas de apoio da atual gestão. Os bancos de leite do Paranoá, Sobradinho, Taguatinga e Ceilândia já foram reformados, e,  ainda este ano,  serão realizadas obras nas unidades de Planaltina, Brazlândia e da Asa Norte. A parceria com o Corpo de Bombeiros Militar também foi destacada. 

Quais políticas públicas levaram Brasília a alcançar autossuficiência na coleta de leite humano. Qual o papel do governo de Agnelo Queiroz nessa conquista?

Desde julho, toda a nossa rede está recebendo novos equipamentos. Estamos entregando novos espaços, a exemplo do Banco de Leite de Sobradinho, inaugurado na sexta-feira (26). É um banco de leite que trabalha desde a década de 80 e agora ganhou uma área nova, adequada à legislação atual. A última legislação referente a banco de leite é de 2006. A portaria nº 2.193, publicada   no Diário Oficial da União em 15/09/2006, definiu a estrutura e as normas de atuação e funcionamento dos Bancos de Leite Humano no Brasil. Nela é dito que os estados devem se adequar à nova   legislação. Os bancos de leite do Paranoá, Sobradinho, Taguatinga e Ceilândia já foram reformados,  e as próximas obras serão realizadas nas unidades de Planaltina, Brazlândia e da Asa   Norte. Taguatinga, que tem o banco mais antigo,  com 34 anos,  recebeu este ano espaço novo adequado à legislação. 

A que outros fatores a senhora atribui todo esse sucesso do aleitamento materno no DF?

Eu acho que é uma soma de ações. Brasília, desde sua fundação, tem essa vocação para a doação de leite. O primeiro alojamento conjunto oficial de que se tem notícia no país foi feito em Brasília, na década de 1960, no Hospital de Base, que já foi maternidade. No alojamento conjunto, incentiva-se a amamentação, porque o bebê está junto com a mãe. Sempre tivemos  a parceria do governo. Mas o governo de Agnelo Queiroz está investindo muito. Posso citar a compra de 20 mil vidros, que já foi licitada, e de copos adequados para fazer a distribuição. Além disso, temos as campanhas e as propagandas. 

Quando a senhora diz que os bancos de leite estão sendo reequipados, quais são esses equipamentos? 

Os bancos de leite estão recebendo geladeiras, freezers, pasteurizadores e resfriadores. Estamos recebendo equipamentos mais modernos, o que nos possibilita aumentar a capacidade de produção. É importante lembrar também do apoio dos clubes de serviços, como o Rotary e o Lions. Então, toda essa soma de participações faz com que o DF tenha esse diferencial. O Ministério da Saúde nos cita como exemplo para outros estados.

A atenção das brasilienses a esse assunto também é grande, não?

As mulheres brasilienses são muito solidárias. Um dos hospitais que mais recebe doações atualmente é o HMIB (Hospital Materno-Infantil de Brasília), mas também é a unidade que tem o maior número de leitos neonatais, são 42. Taguatinga é a referência técnica do DF, pois todos os treinamentos são feitos lá. As mulheres que mais doam o leite materno estão na região do Recanto das Emas, Ceilândia e Riacho Fundo. Em Brazlândia a população também é muito solidária. O consumo deles é pequeno porque a unidade neonatal é menor, mas o que sobra é fornecido a o outro banco que esteja precisando. O brasiliense é solidário, e, quando se tem uma estrutura do governo para apoiar, alcançamos esse sucesso de coleta. Mas isso também só é possível graças aos 23 anos de parceria com o Corpo de Bombeiros.

Qual a importância da cooperação dos bombeiros na coleta de leite? Já existe um telefone próprio para as doações?

Sim, também nesta sexta-feira (26), lançamos o Disk Doação, que atende pelo telefone 160, opção 4. Temos servidores que foram treinados para fazer esse atendimento. As mães que querem doar poderão ligar, fazer o cadastro e agendar a coleta na residência. A Secretaria de Planejamento e Orçamento (Seplan) é quem oferece os carros para coleta. Hoje temos oito carros que fazem essa coleta. Não posso deixar de falar sobre a parceria fundamental com o Corpo de Bombeiros Militar. Nós temos 22 militares que fazem a coleta em todo Distrito Federal e no Entorno. De janeiro a setembro deste ano, essa equipe já fez mais de 23 mil visitas domiciliares em busca de leite.

A rede pública oferece quantas Salas de Apoio à Amamentação? Há expectativas de criação de novas salas?

Temos uma dentro do Palácio do Buriti, por iniciativa da primeira-dama, Ilza Queiroz, outra no Tribunal de Justiça do DF, além das que existem dentro dos próprios bancos de leite. Nessas salas, a  servidora pode retirar o leite e levá-lo a seu filho.  A nossa expectativa é que seja criada uma também na Câmara Legislativa do DF.

Como é feito o trabalho em rede?

O banco de leite que tem um estoque maior que os demais, transfere leite para a unidade que precisa. O melhor é o reconhecimento da nossa população. Conseguimos atingir um número muito grande de doadoras. Atendemos,  nas nossas unidades neonatais,  só com leite materno. Quase 100% das crianças que estão internadas nas  unidades neonatais se alimentam de leite materno. Isso é um diferencial muito grande. Em muitos estados, esse número não chega a 60%, e alcançamos isso no DF.

Qual a importância de ter o trabalho reconhecido pelo governo federal?

O Ministério da Saúde sempre aponta o trabalho desenvolvimento no DF como exemplo a ser seguido pelos outros estados. Representantes de várias unidades da Federação se queixam da falta de equipamento e de espaços inadequados. Neste momento, não temos esse problema no DF. Estamos inaugurando novos espaços de coleta, armazenamento e/ou distribuição de leite e possuímos uma ampla cobertura: em todas as nossas unidades de saúde em que há uma maternidade, há também banco de leite ou posto de coleta. Na Casa de Parto de São Sebastião, há um posto de coleta que recolhe cerca 60 litros por mês. Se compararmos, é o equivalente ao que os bancos de leite de uma cidade do interior colhe. O nosso governo é sempre elogiado. O centro de referência nacional da área é o Hospital Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, que tem Brasília como parceira de treinamento. Já recebemos missões do Uruguai e do Panamá e, este ano, vamos receber uma missão de Cuba. A delegação cubana será treinada e vai conhecer nossos procedimentos.