08/03/2014 às 16:59, atualizado em 12/05/2016 às 17:53

Força e independência definem mulher brasiliense

Ex-ajudante de obras enxerga futuro profissional em ramo antes dominado por homens

Por Kelly Ikuma, da Agência Brasília


. Foto: Brito

 BRASÍLIA (8/3/14) – Fragilidade e submissão não se encaixam mais na gama de características que definem uma mulher. Hoje, conhecidas pela força e independência, elas pedem apenas por direitos iguais. Reivindicação centenária que, aos poucos, toma forma real, como revela a história de uma brasiliense que iniciou sua carreira profissional como ajudante de obras na construção do Estádio Nacional Mané Garrincha.

 

Atualmente no cargo de apontadora – conferente de peças – nas obras do Aeroporto Juscelino Kubstchek, Maythe Melo de Souza, de 27 anos, confessa que nem sabia da existência de mulheres nesse ramo, antes dominado exclusivamente por homens. “Consegui esse emprego por meio de um amigo que me falou sobre a vaga. Meu primeiro pensamento foi: será que terei que pegar peso ou fazer muito esforço?”, contou.

 

Em relação ao preconceito, ela diz que nunca sofreu desse mal em nenhum de seus empregos ou mesmo na vida pessoal. De acordo com ela, os colegas de trabalho a respeitam muito e nunca passou por nenhuma situação de assédio. “Meus amigos até me perguntam se os homens ficam de gracinhas comigo, mas até hoje isso não aconteceu e espero que nunca tenha que passar por isso”.

 

Quando questionada sobre as características que tornam as mulheres mais aptas a esse tipo de trabalho, Maythe não se envergonhou em dizer que “elas são mais organizadas, têm mais paciência em lidar com os outros funcionários e ainda por cima são mais ágeis. Os homens pecam por ser muito mais estressados e não gostar muito de organização”, declarou com um riso maroto no rosto.

 

Com muito entusiasmo, a aprendiz no mundo das obras, revelou que seu objetivo é fazer o curso técnico em edificações e continuar no ramo, pois, segundo ela, além de gostar do que faz, a remuneração chega a ser três vezes maior que em outros empregos da cidade. “Fiz alguns bicos antes, mas todos eram sem carteira assinada. Não gostaria de voltar a fazer essas atividades femininas que pagam pior”.

 

Todo esse otimismo da nova profissional esconde um passado cheio de tristezas que ela tenta superar. Filha adotada, Maythe foi abandonada pelo pai de criação aos dois anos de idade e viveu com sua mãe adotiva até os 18 anos, idade em que saiu de casa e teve que se virar sozinha. “Foi muito difícil. Só não passei fome porque conhecidos me davam o que comer. Mas agora consigo enxergar um futuro de conquistas”, disse emocionada.

 

COMEMORAÇÃO – A ideia da existência do dia Internacional da Mulher surge na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, quando ocorreu a incorporação da mão de obra feminina, em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores.

 

(K.I./M.D.*)