9/12/15 19:10
Atualizado em 9/12/15 às 19:10

Ações para enfrentar o mosquito da dengue no DF priorizam mobilização social

Plano de combate ao Aedes aegypti começa a ser colocado em prática na segunda-feira (14), em Sobradinho II


O chefe do Núcleo de Endemias, da Secretaria de Saúde, Dalcy Albuquerque Filho, e o secretário de Saúde, Fábio Gondim.
O chefe do Núcleo de Endemias, da Secretaria de Saúde, Dalcy Albuquerque Filho, e o secretário de Saúde, Fábio Gondim.. Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília

Uma série de atividades em Sobradinho II a partir de segunda-feira (14) começa a pôr em prática o Plano de Ação para o Enfrentamento às Doenças Transmitidas pelo Aedes aegypti, conjunto de medidas divulgado em entrevista coletiva, nesta quarta-feira (9), na Secretaria de Saúde. O documento traz um panorama das diretrizes que o Executivo adotará para garantir o controle epidemiológico de três doenças transmitidas pelo mosquito: dengue, chikungunya e zika. O inseto também é vetor da febre amarela, mas a enfermidade — única das quatro que tem vacina — não ocorre em áreas urbanas do Brasil.

O secretário de Saúde, Fábio Gondim, esclareceu que o plano foi elaborado com base em estatísticas sobre a dengue, a mais estudada entre as doenças transmitidas pelo mosquito. “Vamos trabalhar em total envolvimento com o ministério [da Saúde], para que as ações sejam tomadas de forma efetiva”, adiantou Gondim. “Há um grupo grande que participará da nossa luta, que é prioridade absoluta do governo”, afirmou.

Eixos
De acordo com o plano, o trabalho será dividido em quatro eixos: mobilização social (participação da população para o controle); vigilância epidemiológica (acompanhamento contínuo dos órgãos governamentais e controle dos focos do inseto); assistência especializada (trabalhos de agentes do governo em locais com maiores incidências); educação e prevenção (campanhas informativas e publicidade).

“Temos de compreender a gravidade da situação e vamos avaliar os casos um a um para evitar a incidência das doenças no DF”, reforçou o titular da Saúde, em referência aos vírus da chikungunya e ao zika vírus, ainda não confirmados como originários em Brasília.

Participação
“Esse é um trabalho árduo, que precisará da participação ativa das administrações regionais e da sociedade”, afirmou o subsecretário de Vigilância à Saúde, da Secretaria de Saúde, Thiago Coelho, à frente da apresentação. Segundo ele, o cidadão se conscientizar do papel como agente de fiscalização diário é essencial para a eficácia do combate. “Se as pessoas não souberem da responsabilidade de cuidar de seus próprios perímetros, serão responsáveis pela proliferação das epidemias”, reforçou.

Entre as ações do plano está a realização de mobilizações sociais; reimplantação do cartão de controle de visitas às casas; e palestras para estudantes, garis e militares. O trabalho de conscientização ainda prevê o treinamento de profissionais da saúde para a classificação de risco e a articulação com hipermercados, empresas e instituições sociais.

A força-tarefa de enfrentamento ao inseto em âmbito local contará com o apoio das Forças Armadas e do governo federal, por meio dos Ministérios da Saúde e da Integração Nacional.

Decreto
Ao mesmo tempo em que mobiliza a sociedade sobre a importância da participação de cada um no combate ao mosquito, o governo de Brasília pretende deixar mais claras as infrações para aqueles que não fazem o que devem e, assim, ajudam na proliferação do Aedes aegypti.

“A Lei nº 6.437, que trata de infrações à legislação sanitária, já permite sanções, mas trabalhamos em um decreto que, até o fim do ano, criará um marco legal, facilitando a explicação e o entendimento dos procedimentos ao cidadão”, explicou o diretor da Diretoria de Vigilância Sanitária, da Subsecretaria de Vigilância à Saúde, da Secretaria de Saúde, Manoel Silva Neto.

“O agente percebe focos, avisa ao proprietário e o notifica. Caso o problema não seja resolvido, há um auto de infração”, disse o diretor. Desde junho, 30 pessoas físicas foram autuadas, mas nenhuma recebeu multa porque todas recorreram. A penalidade pode variar de R$ 2 mil a R$ 2 milhões.

A pasta também articula com o Ministério da Saúde um pedido à Advocacia-Geral da União para facilitar o acesso dos cerca de 970 agentes de vigilância ambiental a imóveis fechados que possam ser foco de reprodução do mosquito. De acordo com Silva Neto, há um documento em vigor que permite essa entrada, mas a validade acaba em 31 de dezembro.

Também compôs a mesa de apresentação do estudo o chefe do Núcleo de Endemias, da Secretaria de Saúde, Dalcy Albuquerque Filho.

Campanha
De segunda a sexta-feira (14 a 18), Sobradinho II receberá efetivo de 125 agentes do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), da Secretaria de Saúde e da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap). Eles darão início à primeira etapa da campanha intensiva de combate à proliferação do mosquito Aedes aegypti.

A ideia da primeira atividade, que servirá de modelo para as próximas, é recolher materiais que dão margem à proliferação do inseto e ensinar os moradores a evitar a epidemia. O mesmo procedimento deve se repetir no Gama e em Planaltina a partir de fevereiro.

Durante a semana, haverá inspeção de imóveis e retirada de lixo de área verde. A Novacap vai contribuir com pelo menos oito caminhões e uma caçamba para o recolher os resíduos. Está prevista também apresentação teatral em escolas da região administrativa.

Trinta e sete servidores da Agefis vão fiscalizar o acúmulo de água nas borracharias e floriculturas de Sobradinho. A Diretoria de Vigilância Ambiental, da Secretaria de Saúde, atuará nas inspeções do interior das casas. A pasta também fornecerá a equipe de teatro e o ultra baixo volume — veículo com inseticida.

Acesse a íntegra do Plano de Ação para o Enfrentamento às Doenças Transmitidas pelo Aedes aegypti no Distrito Federal 2015-2016

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