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Atualizado em 24/5/17 às 10:05

Temática indígena marca a noite de sábado do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

O longa amazonense Antes o Tempo Não Passava trouxe o assunto de volta para a tela do Cine Brasília, no encerramento do quarto dia de mostra competitiva. O dia foi marcado também pelo início da Mostra Brasília

A questão indígena voltou a ser o centro das atenções no 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Depois de o documentário Martírio, de Vincent Carelli, ter comovido o público na noite de quinta-feira (22), a ficção Antes o tempo não acabava trouxe de volta a temática com a história de um jovem indígena que entra em conflito com os líderes de sua comunidade e abandona o grupo para viver sozinho no centro de Manaus. O longa-metragem de produção amazonense, dirigido por Sérgio Andrade e Fábio Baldo, encerrou a sessão dupla do quarto dia da mostra competitiva.

“Buscamos ressaltar questões atuais vividas pelas comunidades indígenas, deixando que eles contem suas histórias”, explicou Fábio. “Não podemos deixar de destacar também a descentralização alcançada pela cultura nos últimos anos”, lembrou Sérgio Andrade. “Quem imaginaria que uma produção do Amazonas estaria aqui hoje?”, comemorou.

Não podemos deixar de destacar também a descentralização alcançada pela cultura nos últimos anosSérgio Andrade, codiretor do longa amazonense Antes o tempo não acabava

Antes, foi exibido na sala do Cine Brasília o curta documentário Abigail, de Isabel Penoni e Valentina Homem, uma coprodução entre Rio de Janeiro e Pernambuco. O filme, que demorou nove anos para ser concluído, levou ao público pontos de conexão entre o indigenismo e o candomblé brasileiros.

Assim como na sexta-feira (23), a mostra competitiva teve duas sessões nesse sábado, uma às 19 horas e outras às 21h30. Representante de Minas Gerais, Elon não acredita na morte, de Ricardo Alves Jr., fechou a primeira sequência da noite com um longa sobre um homem que procura a esposa desaparecida. “Esse filme, de alguma maneira, fala do pesadelo de um homem em uma grande cidade que tenta de todo modo manter a sua sanidade”, explicou o diretor.

No elenco do filme está o brasiliense radicado em Belo Horizonte Rômulo Braga. “Eu nasci aqui e nunca havia estado no festival. Hoje, chego como ator com objetivo de mostrar o próprio trabalho em um contexto politicamente adverso”, destacou.

Exibição do média-metragem pernambucano O delírio é a redenção dos aflitos, de Fellipe Fernandes.
Exibição do média-metragem pernambucano O delírio é a redenção dos aflitos, de Fellipe Fernandes. Foto: Pedro Ventura

Abriram a noite da mostra competitiva os médias-metragens pernambucano O delírio é a redenção dos aflitos, de Fellipe Fernandes, e mineiro Estado itinerante, de Ana Carolina Soares. A produção nordestina levou à telona a história da única moradora de um prédio condenado por risco de desabamento. “Fazer arte é uma forma de mostrar resistência, e é exatamente o que o filme retrata, a historia de uma mulher que resiste à sua própria realidade”, comentou Fellipe.

O filme de Minas Gerais mostrou o cotidiano de uma mulher que trabalha como cobradora de ônibus e suas reflexões sobre um enorme desejo de fuga.

Mostra Brasília

O sábado também foi marcado pelo início da mostra exclusiva para filmes do Distrito Federal. Em dois dias de programação gratuita, a 21ª edição da Mostra Brasília reúne 12 títulos brasilienses — seis longas e seis curtas-metragens. As obras concorrem a R$ 200 mil em prêmios e ao 21º Troféu Câmara Legislativa.

6Número de filmes exibidos no primeiro dia da Mostra Brasília

A competição local foi iniciada às 11 horas, com o documentário de curta-metragem Das raízes às pontas, de Flora Egécia, seguido pelo longa A repartição do tempo, de Santiago Dellape. Na corrida pelo prêmio de melhor filme, às 14 horas, foram exibidos o curta Juraçu, do Coletivo Broa de Milho, e o documentário de longa-metragem Estrutural, de Webson Dias. A última sessão do dia pela Mostra Brasília teve Vesti la giubba, de Johil Carvalho, e Cícero Dias – o compadre de Picasso, de Vladimir Carvalho.

Outras atividades do quarto dia de Festival

No Kubitschek Plaza Hotel (Setor Hoteleiro Norte, Quadra 2, Bloco A), as equipes dos filmes Solon, O último trago, Constelações e A cidade onde envelheço, exibidos na mostra competitiva de sexta-feira (23), participaram de um debate. Em seguida, o espaço recebeu o encontro Produção audiovisual, identidade e diversidade – um olhar dos realizadores afro-brasileiros e indígenas sobre o cenário brasileiro do audiovisual. O debate foi divido em duas mesas, uma sobre as oportunidades do cinema negro e outra sobre o protagonista indígena no setor. Na mesma tarde, cineastas participaram de uma conversa sobre A curadoria de curtas e médias no tempo do digital.

O hotel também foi o espaço escolhido para o lançamento do DVD Zirig Dum Brasília – a arte e o sonho de Renato Matos, de André Luiz Oliveira, e dos livros Glauber Rocha: cinema, estética e revolução, de Humberto Pereira da Silva; A aventura do Baile Perfumado: 20 anos depois, organizado por Amanda Mansur e Paulo Cunha; 100 melhores filmes brasileiros, da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine); O coringa do cinema e Dossiê Boca: personagens e histórias do cinema paulista, de Matheus Trunk; Corisco e Dadá – apontamentos sobre o filme, organizado por Sylvie Debs e Rosemberg Cariry; e Verdes Anos: Memórias de um Filme e de uma Geração, de Alice Dubina Trusz

Pelo projeto Cinema Voador, o público do Sol Nascente, em Ceilândia, assistiu ao curta-metragem Couro de gato (1960) e ao longa-metragem Canta Maria (2006), de Francisco Ramalho Jr.

Programação do 49º Festival de Brasília

Até segunda-feira (26), serão exibidas diariamente no Cine Brasília obras concorrentes de curtas, médias e longas-metragens. Os ingressos custam R$ 12 (inteira). No dia seguinte à exibição, haverá reprise gratuita dessas produções, às 15 horas, na Sala 4 do Cine Cultura Liberty Mall (SCN, Quadra 2, Bloco D).

Edição: Gustavo Marcondes

 

Programação do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

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