23/2/17 8:34
Atualizado em 23/2/17 às 10:43

Escolas de samba e bloquinhos misturam tradições e ritmos

Agremiações não desfilam há três anos. Em 2017, as seis que formam o grupo especial tocarão em blocos carnavalescos

Foram três anos sem desfilar no carnaval de Brasília. No retorno, em 2017, as seis escolas de samba que formam o grupo especial no DF vão se apresentar, pela primeira vez na história, com bloquinhos. Agremiação com mais títulos conquistados, a Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc) será a primeira a ter essa sensação no sábado (25), a partir das 15 horas, no estacionamento da Caixa Cultural, no Setor Bancário Sul.

Ao centro, o presidente da Aruc, Moacyr Oliveira, e o presidente e um dos fundadores do Galinho de Brasília, Franklin Maciel Torres.
Ao centro, o presidente da Aruc, Moacyr Oliveira, e o presidente e um dos fundadores do Galinho de Brasília, Franklin Maciel Torres. Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília

“Ainda não é um desfile, mas um show, que significa um avanço, um reconhecimento de que ainda estamos vivos”, observa Moacyr Oliveira, presidente da Aruc. Segundo ele, a escolha para abrir a folia do Galinho de Brasília foi feita pela própria escola, em acordo com o governo. “Encontro de duas tradições de Brasília, é o gavião e o galo, o samba e o frevo.”

Moa, como é conhecido o presidente, lembra que os artistas do frevo já tiveram uma ala durante um dos desfiles da Aruc no carnaval. “Toda a diretoria está muito contente com isso. A gente abre espaço para o samba da Aruc com muita felicidade”, resume o presidente e um dos fundadores do Galinho, Franklin Maciel Torres.

"Encontro de duas tradições de Brasília, é o gavião e o galo, o samba e o frevo"Moacyr Oliveira, o Moa, presidente da Aruc

A Aruc se apresentará com 30 ritmistas, dois intérpretes, dez passistas, três baianas e dois casais de porta-bandeira. A escola, que já foi 31 vezes campeã e tem atividades o ano inteiro, estará com o grupo show e tocará, entre outras coisas, sambas-enredos próprios e do Rio de Janeiro. “Mas queremos arriscar encerrar tocando o frevo”, adianta Moa.

A Aruc tem 55 anos e foi criada por um grupo de moradores do Cruzeiro, onde fica sua sede. Em 2009, a agremiação recebeu do governo de Brasília o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal.

A Acadêmicos da Asa Norte, campeã três vezes consecutivas e atual vencedora do grupo especial, trará surpresas em sua apresentação, com uma ala especialmente para a comunidade. “Teremos a Ala Paixão, mostrando que a comunidade não abandona a escola”, detalha o presidente do grupo, Robson Farias.

A apresentação da atual campeã será no bloco Concentra mas Não Sai, às 20 horas, na EQN 404/405, na Asa Norte.

Felizes por poder voltar

Atuais campeões do grupo de acesso, a Império do Guará também se apresentará no sábado. O grupo participará da folia em casa, no bloco Pipoka Azul, que se concentrará na Praça da Moda, no Guará II. “Estamos bem felizes de voltar ao carnaval. Todos nos reunimos para fazer as fantasias”, conta o presidente da agremiação, Mário Santos.

Segundo ele, mais de 100 passistas da escola participarão da folia, mas a apresentação reunirá pelo menos 30 ritmistas, duas baianas, um casal de mestre-sala e porta-bandeira, quatro intérpretes e um mestre-bandeira.

Para o grupo do Guará, o sentimento é de retorno. “Na reunião que tivemos com o governador Rodrigo Rollemberg, ele já nos pediu para pensarmos em um projeto para o carnaval de 2018”, disse Mário.

O presidente da Águia Imperial de Ceilândia, Geomar Leite, o Pará, também enxerga o momento como um recomeço. O grupo terá uma hora de apresentação com muito samba. No repertório, canções que marcaram a trajetória da agremiação e de escolas como Portela e Beija-Flor e sucessos de nomes como Jorge Ben Jor.

"Nós entendemos o momento pelo qual o DF passa, mas esperamos que os desfiles voltem gradativamente e que esse seja o primeiro passo"Geomar Leite, o Pará, presidente da Águia Imperial de Ceilândia

Para dar conta da festa, serão 30 ritmistas, um casal de mestre-sala e porta-bandeira, seis passistas, três intérpretes e músicas com instrumento, como cavaco e violão.

A Águia Imperial se apresentará no bloco Mamãe Taguá, no Taguaparque, às 19h30 do sábado (25). Apesar de feliz em voltar a animar os foliões de Brasília, Pará conta que espera o momento em que possa novamente desfilar na avenida. “Nós entendemos o momento pelo qual o DF passa, mas esperamos que os desfiles voltem gradativamente e que esse seja o primeiro passo.” A escola de samba coleciona sete títulos desde a criação, em 1984, ainda como Grêmio Recreativo Carnavalesco Bloco Imperial do Setor O.

Criada, em 1974, por um grupo de militares transferido do Rio de Janeiro para Brasília, a Bola Preta de Sobradinho ajudará na animação de quem for ao carnaval de Brazlândia, na Rua do Lago, no domingo (26). Como nos outros casos, a agremiação terá uma hora de apresentação.

A União da Vila Planalto e Lago Sul, formada por moradores das duas regiões administrativas, também está na programação de domingo. Ela sairá com o bloco Baratona, às 18 horas, no Eixo Rodoviário (Eixão) Sul, na altura da 108/208. O grupo, que nasceu em 1986, se transformou em escola de samba 11 anos depois.

Roteiro das apresentações das escolas de samba

No sábado (25)

Acadêmicos da Asa Norte

Bloco Concentra mas Não Sai

Das 20 às 21 horas

EQN 404/405 – Asa Norte

Águia Imperial

Bloco Mamãe Taguá

Das 19h30 às 20h30

Taguaparque

Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro

Bloco Galinho de Brasília

Das 15 às 16 horas

Setor Bancário Sul — Quadra 4 – Estacionamento do Edifício Caixa Cultural

Império do Guará

Bloco Pipoka Azul

Das 21 às 22 horas

Praça da Moda – Guará II

 

No domingo (26)

Bola Preta de Sobradinho

Carnaval de Brazlândia

Das 23 horas à meia-noite

Rua do Lago

União da Vila Planalto e Lago Sul

Bloco Baratona

Das 18 às 19 horas

Eixo Rodoviário (Eixão) Sul, altura da 108/208

Edição: Vannildo Mendes

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