04/03/2019 às 11:04, atualizado em 21/10/2019 às 16:08

MARCO AURÉLIO VIEIRA DE SOUZA / União e foco na gestão democrática

Ex-policial militar, o novo coordenador da Regional de Ensino de Sobradinho aposta nas parcerias com a comunidade escolar para melhorar a oferta da educação pública

Por Renata Moura, da Agência Brasília

Salvar vidas e ajudar as pessoas sempre foi a missão de Marco Aurélio Vieira de Souza. Reconduzido à Coordenação da Regional de Ensino de Sobradinho – posto que já ocupou em 2015 –, ele vai auxiliar na formação da vida estudantil de mais de 20 mil jovens. Antes de assumir a função de professor na rede pública do DF, em 1999, Marco Aurélio foi policial militar, trabalhou no Corpo de Bombeiros e também atuou como servidor concursado no Ministério da Educação. Por mais de 16 anos, esteve na regência de classes, ministrando aulas de matemática e ciências.  Foi coordenador pedagógico do ensino médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Regional de Ensino do Paranoá, onde também assumiu o cargo de chefe da Unidade de Planejamento. Por duas vezes, foi eleito pela comunidade para assumir a direção do Centro Educacional da Fercal. Em entrevista à Agência Brasília, ele enumera algumas dificuldades da Regional de Sobradinho e apresenta propostas de solução.

Quais os grandes desafios da regional?

São grandes os desafios à frente de qualquer uma das 14 regionais de ensino, mas gostaria de ressaltar que dentre os vários desafios que temos na Regional de Sobradinho, os prioritários vêm a ser: necessidade de melhoria nos índices do IDEB, principalmente nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, e construção de creches na região da Fercal, do Lago Oeste e da Nova Colina, além de Centros de Educação Infantil em Sobradinho II, Fercal e Lago Oeste; de um Centro de Ensino Fundamental no Nova Colina, e de um Centro de Ensino Médio, na Fercal. Esse último é ainda mais urgente, porque hoje a Secretaria de Educação não oferece naquela região o ensino médio regular diurno, todos os alunos da Fercal precisam se deslocar para Sobradinho ou Sobradinho II. Estamos também pleiteando a construção de um Centro Interescolar de Línguas em Sobradinho II.

E como está o atendimento nas creches?

Sobradinho universalizou o atendimento para crianças a partir de 4 anos de idade. Hoje, o que temos são situações pontuais em que a família deseja um turno ou escola específica e, diante dessa escolha individual da família, nem sempre conseguimos atender. Mas, atualmente, nossa rede tem uma demanda  aproximada de 2 mil vagas para creche.

Quantas escolas públicas estão sob a responsabilidade da regional?

A coordenação Regional de Sobradinho atende às regiões administrativas de Sobradinho, Sobradinho II e Fercal, com 47 escolas públicas (35 urbanas e 12 rurais) e cinco creches.

Qual o desempenho dessas escolas?

A nossa gestão está focada em melhorar as notas do Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica] e nós já começamos a trabalhar para que isso aconteça desde o início do ano. Na última avaliação, fomos bem. Nos anos iniciais, ficamos acima da média nacional – a média foi 5.9. Nos anos finais, o resultado foi um pouco abaixo da média nacional. Registramos 4.2, enquanto a média nacional foi 4.4. No ensino médio, em virtude da falta de quórum de alunos no dia da aplicação, infelizmente não registramos nota. Para melhorar esse quadro, faremos um acompanhamento sistemático com a meta de alcançar a participação efetiva de todas das escolas aptas à prova, para que todas apresentem resultados e possamos trabalhar em cima deles pelos próximos anos.

 

Como é feito o monitoramento dos trabalhos de coordenação pedagógica?

Uma das nossas ações já nessa perspectiva de melhorar os índices do Ideb foi a de repassar a prerrogativa da escolha do chefe da Unieb, que é a nossa unidade de educação básica que cuida do pedagógico, para os diretores. No início do ano, fizemos uma assembleia, quando os diretores indicaram de forma democrática o nome para o próximo chefe da Unieb. Isso fortalece o pedagógico da regional, uma vez que esse chefe tem legitimidade junto ao grupo de diretores. Essa parceria fortalece o pedagógico, encurta caminhos para que tenhamos uma ação mais forte, mais centrada no pedagógico.

Quais as particularidades da regional que o senhor gostaria de destacar?

Temos o nosso teatro – o único teatro da região de Sobradinho, Sobradinho II e Fercal. É um espaço público, anexo a uma das nossas escolas, o Centro Educacional 2. É um orgulho para nossa regional, porque é muito bem-cuidado. Quem administra é uma professora aposentada, que mantivemos aqui na regional, executando essa rotina de cuidar, promover e fazer agendas. Ela acompanha toda a questão da manutenção. Eu diria que nosso teatro hoje é um exemplo para o Distrito Federal. Outro destaque da nossa regional é a biblioteca setorial, que é um modelo de biblioteca também cuidada com o maior zelo e estrutura de iluminação, acústica, conforto térmico. Lá, atendemos estudantes não só da rede pública, mas também particular e comunidade de forma geral. O terceiro destaque que eu colocaria seria o da nossa própria regional, que, até o ano passado, estava em um prédio que custava certa de R$ 70,5 mil de aluguel por mês aos cofres públicos. Para economizar, pegamos dois galpões que estavam abandonados, fizemos uma manutenção, corrigimos defeitos, arrumamos parte elétrica, hidráulica, fizemos divisórias de drywall, iluminação… Hoje, temos uma regional em prédio próprio que nos oferece conforto e economicidade.