31/7/19 17:14
Atualizado em 31/7/19 às 17:14

Slow Filme chega ao Cine Brasília em defesa de alimentação boa, limpa e de custo honesto

Mostra reúne 23 títulos entre longas, médias e curtas-metragens produzidos no Brasil e no mundo

Foto: Divulgação

No seu tempo, o Slow Filme chega à capital federal nesta quinta-feira (1º) depois de nove edições em Pirenópolis (GO) e faz do Cine Brasília, em cooperação com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), o palco principal onde pretende compartilhar os frutos do encontro entre cinema e gastronomia. Isso a partir do conceito de sustentabilidade ambiental na produção de alimentos de boa qualidade, sem agrotóxicos e com preço justo.

O festival, com entrada franca, reúne exibições de filmes, conversas, passeios, degustações e palestras até 4 de agosto. Há atividades também programadas para o Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul).

Na abertura, o público poderá assistir ao documentário “Slow Food Story” (Stefano Sardo, 2013, 74 min, 12 anos), sobre as origens do movimento que revolucionou a gastronomia no mundo. Ao longo do evento soa o alerta para o que ingerimos e suas consequências para corpo e espírito.

Na sessão do horário nobre (20h) do dia de abertura do festival, está programada a exibição do primeiro episódio da série inédita “Alma D’Chef”, do diretor Ronaldo Duque, cuja ideia é homenagear pessoas que se tornaram chefs depois de uma carreira exitosa em outra área. “São pessoas sem qualquer formação acadêmica em gastronomia”, revela o realizador de longas como “Araguaya, Conspiração do Silêncio”.

O cozinheiro Juan Pratginestós, ex-fotógrafo profissional e restauranter em “Peri” é a primeira personalidade enquadrada pela lente de Duque. A série filmará 13 personalidades em programas de 24 minutos para internet e TV fechada, com estreia nacional prevista em abril de 2020. “O cinema e a gastronomia têm como ingredientes comuns a afetividade, a delicadeza”, compara o cineasta.

O Slow Filme tem curadoria do professor, cineasta e crítico Sérgio Moriconi. No material de divulgação do evento, ele afirma que os filmes escolhidos “se contrapõem ao frenesi estético, diluído e insípido dos modelos hegemônicos do cinema”. No cardápio, 23 títulos entre longas, médias e curtas-metragens, produzidos no Brasil e em outros países, inéditos nas telas brasileiras e muitos dos quais premiados em festivais internacionais.

No Espaço Cultural Renato Russo haverá exibições seguidas de debates, workshops e um passeio para reconhecimento de plantas alimentícias não-convencionais, quando os espectadores serão convidados a caminhar a pé pelas quadras da Asa Sul para descobrir “matos” que são plantas comestíveis.

O 10º Slow Filme tem patrocínio do BRB e apoio, além da Secec, das embaixadas da Itália, Austrália, República da Geórgia, Áustria, França, Espanha e Peru, Instituto Francês, Instituto Cervantes, Slow Food Cerrado, Instituto Ecozinha e Instituto Federal de Educação (confira abaixo programação e sinopses).

 

PROGRAMAÇÃO

 

Quinta, 1º/8

 

17h30 – Apresentação do Slow Food Cerrado pelos facilitadores Thaíssa Aragão (líder do Convivium Slow Food Cerrado) e Jean Marconi (ativista, Slow Food – Região Centro-Oeste)

18h00 – Slow Food Story (74’)

20h00 – Sessão Especial de abertura com lançamento da série Alma D’Chef – do cineasta Ronaldo Duque. Homenagem ao cozinheiro Juan Pratginestós

20h30 – Histórias da Comida Cubana (82’)

 

Sexta, 2/8

 

16h00 – Meridiano do Vinho (60’)

(Após a sessão, a sommelier Patrícia Amada estará no foyer do cinema, para conversar sobre vinhos georgianos. Também serão disponibilizados para a compra os rótulos Tbilisi Tinto 2017 e Saperavi Tinto 2016)

17h30 – Na Trilha de Gastón (75’)

19h00 – O Império do Ouro Vermelho (54’)

20h30 – Homenagem a Liana Sabo (responsável pela coluna Favas Contadas do Correio Braziliense)

20h45 – Senhor Maionese (95’)

Sábado, 3/8

11h00 – Dois tomates e dois destinos + Comer o quê? (75’)

15h00 – Jaén – Virgen & Extra (90’)

17h00 – Faça Homus, não faça Guerra (77’)

18h30 – I Villani (83’)

20h30 – O chef errante (85’)

Domingo, 4/8

 

10h30 – O Sabor do Desperdício (88’)

(Após a sessão, conversa com Paulo Mello, chef, permacultor, empresário e fundador do Instituto Ecozinha)

15h30 – Quando a Itália comia em preto e branco (20’) + O Retorno (12’)

16h30 – Retrato de um Jardim (93’)

18h30 – Lançamento do registro audiovisual, com a presença dos chefs, do projeto Cerrado no Prato – Expedição Kalungas – Vão das Almas/GO (3’) + História da Alimentação no Brasil (100’)

(Após a exibição, degustação da tradicional paçoca de gergelim, produzida pela comunidade)

21h00 – A Mentira Verde (97’)

SINOPSES

“A mentira verde” (The Green Lie)
De Werner Boote (2018, documentário, Áustria, 97min)
Carros elétricos ecologicamente corretos, produtos alimentícios produzidos de forma sustentável, processos de produção justos. Neste documentário, o diretor Werner Boote apresenta, junto com a ambientalista Kathrin Hartmann, as imagens de marketing sustentável (greenwashing) que grandes atores globais fizeram nos últimos anos com o intuito de recuperar a confiança da crescente multidão de clientes céticos.

“Alma D’Chef ”
De Ronaldo Duque (2019, documentário, Brasil, 24min)
Primeiro episódio da série documental que vai explorar experiências de chefs que assumiram o comando de cozinhas tardiamente, após terem construído carreiras de sucesso em diferentes profissões. O primeiro dos 13 episódios do projeto é dedicado ao chef Juan Pratginestós, que antes de se dedicar à gastronomia, construiu uma consagrada trajetória como fotógrafo.

“Cerrado no prato – Expedição Kalungas – Vão das Almas”
De Ana Paula Jacques (2019m documentário, Brasil, 3 min)
O projeto Cerrado no Prato, com curadoria da chef Ana Paula Jacques, é uma plataforma colaborativa e integrada que reúne pesquisadores e chefs de cozinha e tem como objetivo promover o uso sustentável da sociobiodiversidade do Cerrado na gastronomia e no turismo, como estratégia para valorização e conservação do segundo maior bioma brasileiro.

“Comer o quê?”
De Leonardo Brant (2015, documentário, Brasil, 60 min)
A comida define nossa identidade? Quais os benefícios dos alimentos orgânicos? Será que nossos hábitos alimentares influenciam a distribuição de renda ou as condições ambientais do nosso planeta? Essas e outras perguntas são exploradas em ‘Comer o quê?’. Personagens como Alex Atala, Bela Gil, Helena Rizzo, Josimar Melo, Neka Menna Barreto, Marcos Palmeira, Márcio Atalla, Roberto Smeraldi, Fabiolla Duarte, Cláudia Visoni e outros convidam o espectador para um mergulho na gastronomia e nos hábitos alimentares dos brasileiros.

“Dois tomates e dois destinos” (Dos tomates y dos destinos)
De VSF – Veterinários sin Fronteras (2012, ficção, Espanha, 9 min)
Dois tomates, o transgênico K-44 e o orgânico Maurício se conheceram através de um chat da internet e marcam encontro em um bar. A princípio, K-44 parece mais atraente, mas Maurício tem uma coisa que deixará K-44 louco. No entanto, Maurício sabe muito bem o que quer e o que não quer.

“Faça homus, não faça guerra” (Make Hummus Not War)
De Trevor Graham (2012, documentário, Austrália, 77 min)
Pode o amor pelo homus ser a receita para a paz no Oriente Médio? A partir desse questionamento, o diretor Trevor Graham (ele mesmo um apaixonado pelo homus) parte numa jornada por países que, apesar de viverem em guerra uns contra os outros, têm em comum a paixão pelo alimento preparado com grão-de-bico. O diretor passeia por bares e cozinhas de Beirute, Tel Aviv, Jerusalém e Nova York, encontrando colonos, ativistas políticos, fazendeiros, cozinheiros e sheiks para quem o amor pelo homus beira a obsessão. De forma bem-humorada, Trevor Graham apresenta a guerra sob uma perspectiva curiosa: quem detém a herança da receita original do homus?

“Histórias da comida cubana”. (Cuban Food Stories)
De Asori Soto (2018, documentário, EUA, 82 min)
Depois de viver dez anos como expatriado nos Estados Unidos, Asori Soto decide retornar à sua terra natal, Cuba, para procurar os sabores que faltam em sua infância. Cuban Food Stories é um filme sobre comida, sociedade e cultura na ilha de Cuba. Uma aventura pessoal por toda a ilha para descobrir os mais autênticos sabores e histórias por trás da culinária cubana. Um filme com acesso sem precedentes a regiões tão remotas que só se pode chegar de jangada, a cavalo ou nadando.

“Os vilões”. (I villani)
De Daniele De Michele (2018, documentário, Itália, 83 min)
“I Villani” é uma expressão que indica a simplicidade e autenticidade dos camponeses e trabalhadores humildes, que produzem seus alimentos segundo práticas tradicionais. O filme acompanha a rotina de quatro trabalhadores, do nascer ao por do sol, do início ao fim de sua jornada de trabalho. Da hora em que acordam até o momento em que vão dormir, seus ofícios, suas famílias, prazeres e tristezas são analisados enquanto eles explicam a sensação de viver e falam sobre pesca e agricultura.

“Jaén – virgen & extra”
De José Luis Lopez-Linares (2018, documentário, Espanha, 90 min)
O azeite é o componente essencial da dieta mediterrânica. No início do século 21, uma revolução começou em Jaén, município espanhol da Andaluzia: la Picual, a mais emblemática das azeitonas locais, historicamente subvalorizada, poderia dar o melhor azeite de oliva extra virgem do mundo. Este documentário apresenta os desafios colocados por esta mudança através dos olhos das pessoas do olival de Jaén, dos chefs que viram nesta mudança uma revolução gastronômica, dos olivicultores e consumidores, e a beleza escondida de uma das províncias mais desconhecidas da Espanha.

“Meridiano do vinho” (Ghvinis Nulovani Meridiani)
De Nana Jorjadze (2016, documentário, Geórgia, 60 min)
Na década de 1960, uma das maiores descobertas no mundo vínico foi o reconhecimento da Geórgia (Europa/Ásia) como o berço do vinho. No filme, um jovem que sonha em emigrar e que quer descobrir um lugar no mundo e na vida, começa a percorrer a rota do vinho. As descobertas durante sua aventura o levam de volta ao local de nascimento do vinho, seu próprio local de nascimento: a Geórgia. Um filme divertido e agradável, que explica o processo de produção de vinho no país (hoje e intercalado com incríveis imagens históricas de arquivo) e detalha a grande variedade de uvas e tipos de videiras encontradas nas várias regiões da Geórgia.

“Na trilha de Gastón”. (Buscando a Gastón)
De Patricia Perez (2014, documentário, Peru, 75 min)
Há muitos grandes chefs no mundo, mas apenas um é considerado herói nacional. Este é Gastón Acurio, um dos chefs mais consagrados internacionalmente, que, através da gastronomia, recuperou a autoestima e até mesmo a identidade do povo peruano. O filme apresenta as histórias, os sonhos e as inspirações por trás desse homem que transcendeu a gastronomia em uma missão para mudar seu país por meio da comida. Na tela está o mundo da culinária peruana e todo o poder dos alimentos no Peru.

“O chef errante”. (The Wandering Chef)
De Hye-Ryoung Park (2018, documentário, Coreia do Sul, 85 min)
JihoIm, conhecido como o “Chef Errante”, é um chef de renome mundial, conhecido por viajar de um extremo a outro da península coreana, buscando ingredientes exclusivos conhecidos por suas propriedades medicinais e preparando deliciosas refeições para os moradores locais. Para ele, a natureza está no centro de sua vida e de seu trabalho criativo. Um dia, ele conhece alguém muito especial na estrada que o leva ao desafio mais incrível da sua vida: conceber e cozinhar 108 pratos em 24 horas – significante das 108 agonias da vida no budismo – para homenagear sua mãe adotiva.

“O império do ouro vermelho” (L’empire de l’or rouge)
De Jean-Baptiste Mallet e Xavier Deleu (2017, documentário, França, 54 min)
A fruta mais consumida do mundo tem uma história não contada. A industrialização do humilde tomate precedeu a economia globalizada que se seguiria. Agora é uma commodity como trigo, arroz ou gasolina. A capacidade do tomate de criar produtos fortemente identificáveis, como ketchup, molho de pizza, sopas, bebidas ou pratos congelados, é imbatível. Já em 1897, dez anos antes de Ford começar a produzir carros em massa, a Heinz convertia tomates em latas padronizadas de purê.

“O roundup face aos seus juízes” (Le Roundup face à ses juges)
De Marie-Monique Robin (2017, documentário, França/Suíça/Bélgica, 96min)
Dez anos depois de “O Mundo Segundo a Monsanto” (2008), a diretora Marie-Monique Robin volta a carga num devastador documentário-enquete sobre o produto fetiche da gigante multinacional de biotecnologia dos EUA. Baseando-se em pesquisas cientificas e nas observações efetuadas a partir de inúmeras viagens através do mundo, a diretora promove um implacável ato acusatório baseado em um perturbador e desconcertante dossiê de documentos e de depoimentos inéditos. O filme se posiciona contra as agressões ao meio ambiente, proporcionadas pelo uso do herbicida roundup, o mais vendido no mundo, cuja fórmula inclui o glifossato, molécula altamente tóxica. Seu uso provoca má formação nas crianças, cânceres, além de moléstias respiratórias e renais. No filme, cientistas e especialistas, evidenciam o escândalo sanitário em curso em países de todos os continentes incluindo o Brasil.

“O retorno” (Il Ritorno)
De Roberto Rabitti (2011, documentário, Itália,12 min)
Curta-metragem que descreve os princípios gastronômicos nos quais se baseia a culinária de Massimo Bottura, patrono chef da cozinha da Osteria Francescana, de Módena, Itália, restaurante que tem três estrelas no prestigiado Guia Michellin e está listado no top cinco dos melhores restaurantes do mundo. O chef é conhecido por buscar referências e inspiração para seus pratos na arte na paisagem e na tradição.

“O sabor do desperdício” (Taste the waste)
De Valentin Thurn (2011, documentário, Alemanda, 88 min)
Porque jogamos nossa comida no lixo? Domicílios alemães estão jogando fora alimentos no valor de 20 bilhões de euros por ano, o mesmo valor do faturamento anual do grupo Aldi, uma das maiores empresas do ramo de supermercado da Alemanha. A comida desperdiçada na Europa daria para alimentar duas vezes todas as pessoas que estão passando fome no mundo. Taste the Waste mostra que está começando uma mudança de pensamento mundial e que já existem pessoas que contrariam esse absurdo com muito engajamento e ideias valiosas.

“Quando a Itália comia em branco e preto”. (Quando L’italia mangiava in bianco e nero)
De Andrea Gropplero di Troppenburg (2015, documentário, Itália, 20 min)
Uma viagem divertida sobre as receitas tradicionais e regionais da cozinha italiana, através de imagens em branco e preto, recuperada do Archivio Cinetografico do Instituto Luce Cinecittá, de Roma, Itália. Um delicioso percurso por alimentos, cozinhas, depoimentos e casos divertidos de personalidades da indústria do entretenimento e da cultura.

“Retrato de um jardim” (Portrait of a Garden)
De Rosie Stapel (2019, documentário, Holanda, 98 min)
Em uma histórica horta de uma propriedade holandesa, um mestre podador de 85 anos e um jardineiro cuidam dos arranjos de galhos em um muro. Enquanto trabalham, conversam sobre comida, o clima e uma infinidade de outros assuntos do mundo. Durante todo esse tempo, compartilham seus conhecimentos sobre horticultura. Rodeados por plantas, árvores cítricas, um laranjal histórico, pomares e uma exuberante vinha, dividem sua paixão e seus conhecimentos sobre quais seriam os ingredientes básicos para o sucesso de uma grande horta.

“Senhor Maionese” (Monsieur Mayonnaise)
De Trevor Graham (2016, documentário, Austrália, 95 min)
Uma aventura épica estrelada por artistas, heróis, nazistas, quadrinhos etc. Inspirado na história de família do próprio realizador Philippe Mora, autor de mais de 40 filmes. Sua mãe, Mirka, era artista visual nascida na França e de origem judia; seu pai, Georges, era judeu alemão, membro da Resistência Francesa. Junto com o mímico Marcel Marceau, os dois enfrentaram o III Reich, usando um recurso bastante criativo: eles passavam papéis da resistência e passaportes dentro de baguetes cheias de maionese garlic. Com suas luvas brancas, os soldados alemães se negavam a abrir o pão. Assim, salvaram a vida de milhares de judeus.

Sessão especial: série “História da alimentação no Brasil”
De Eugenio Puppo (2017, documentário, Brasil, 112 min)
Série que tem como fio condutor o livro homônimo do folclorista brasileiro Luís da Câmara Cascudo. Entre 1943 e 1962, ele viajou pelo Brasil, entrevistando ex-escravos, especialistas, donas de casa, pessoas nas feiras, estudou a cultura indígena, foi à África e estudou extensa bibliografia. O resultado foi o livro “A História da Alimentação no Brasil”, o maior registro histórico e sociológico já produzido sobre a culinária brasileira. O cineasta Eugenio Puppo seguiu os passos do mestre e concebeu uma série de 13 capítulos, com 30 minutos cada um. Slow Filme exibirá quatro episódios: “A rainha do Brasil”, “Ementa portuguesa”, “Verde milho, doce milho” e “O caso das bananas”.

“Slow Food Story”
De Stefano Sardo (2013, documentário, Itália, 74 min)
História de Carlo Petrini, criador do “Slow Food”, do movimento e de um grupo de amigos que cresceu na comuna italiana de Bra da região do Piemonte, unidos pelo gosto por boas piadas, comidas extraordinárias e paixão pela política. Será que isso anda junto?

SERVIÇO:

Slow Filme, 1º a 4 de agosto

Cine Brasília

Entrada Franca

Entrequadra 106/107 Sul, telefone: (61) 3244-1660

 

* Com informações da Secretaria de Cultura.