30/9/19 10:05
Atualizado em 30/9/19 às 10:05

Setembro verde acabou, mas lembre: doar órgãos faz a diferença 

Ato de solidariedade salva, sim, vidas como a de Tiago – que ganha pâncreas e rim. Deixe clara para seus familiares a vontade de ser um doador

 A história do jornalista Tiago Damásio, 32 anos, encerra a programação do Setembro Verde. Neste último dia do mês, dedicado ao incentivo à doação de órgãos, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal chama atenção para a importância deste ato de solidariedade, capaz de salvar inúmeras vidas.

Foi uma doação que salvou a vida de Tiago (foto). Após anos de sofrimento, ele conseguiu realizar um grande sonho, mas somente depois de um evento transformador. Em outubro de 2018, o rapaz passou por um transplante duplo, de pâncreas e rim, que lhe trouxe novas perspectiva de uma existência com maior qualidade, movimento e independência.

Tiago: salvo por um transplante duplo – Foto: Mariana Raphael/Saúde-DF

Diabético desde os oito anos de idade, o jornalista tornou-se dependente da hemodiálise aos 29 anos, após a paralisação total dos dois rins. Ele entrou na fila do transplante e enquanto esperava a doação levava uma vida de muitas privações.

Podia sair da cidade por até três dias, tempo máximo que poderia ficar sem fazer hemodiálise. Com isso, não conseguia fazer viagens demoradas. A hemodiálise ainda provocava anemia e fraqueza, impossibilitando-o de participar de festas, realizar atividades físicas e passeios que exigissem caminhadas mais longas. Tomar banho em uma cachoeira, então, estava bem longe das possibilidades de Tiago. 

Ao se tornar receptor de órgãos, em outubro de 2018, e ganhar autonomia e qualidade vida, o primeiro sonho da lista do jornalista era mergulhar no poço de uma queda d’água. E foi o que ele fez.

Em dezembro de 2018, Tiago viajou com a família para a Chapada dos Veadeiros (Alto Paraíso, em Goiás), fez trilhas e deu o tão sonhado mergulho em uma cachoeira. Ele tem muitos outros planos e sonhos a realizar, o próximo é fazer uma viagem internacional.

Seja um doador
No Brasil, a doação de órgãos só é feita com autorização da família. Daí a importância deixar clara a vontade de ser um doador. 

“É preciso que as pessoas reflitam, proponham o diálogo e conversem com a família sobre seu desejo. É uma atitude capaz de trazer vida nova a muita gente, como aconteceu comigo”, reforça Tiago Damásio.

Neste Setembro Verde, mês destinado à conscientização sobre a doação de órgãos, a Secretaria de Saúde do DF, por meio da Central Estadual de Transplantes (CET), realizou atividades culturais e palestras para trazer à comunidade a discussão sobre a relevância deste ato. 

“A campanha alertou e lembrou à população sobre a importância da doação e da mudança de vida proporcionada aos transplantado”, destaca o enfermeiro e gestor do Núcleo de Distribuição de Órgãos e Tecidos da CET, Anderson Galante.

A programação do Setembro Verde terminou na sexta-feira (27), Dia Nacional de Doação de Órgãos. Nessa data, além da mostra fotográfica, em curso na galeria de artes do Pátio Brasil Shopping, desde o dia 23, aconteceu, na praça central do Pátio, um talk show com Tiago Damásio, além de um show musical com Davi Ramiro, encerrando as atividades do Setembro Verde.

 

Os órgãos doados
Informações da Central Estadual de Transplante mostram que, do início deste ano até o dia 25 de setembro, já foram realizados 448 transplantes.

49%crescimento no número de doação de córneas no DF

Foram 24 de coração, 68 de fígado, 290 de córnea, sete de pele e 59 de rim, sendo dez destes de doadores vivos. Comparado ao mesmo período do ano passado, a doação de córnea teve um aumento de 49%, saindo de 194, em 2018, para 290 transplantes em 2019.

Os doadores
Existem dois tipos de doador, o vivo e o falecido. Qualquer pessoa que concorde com o ato pode ser um doador vivo, desde que a atitude não prejudique sua própria saúde, podendo doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte do pulmão.

Neste caso, pela lei, é possível doar apenas para parentes até o quarto grau e cônjuges (não parentes, só com autorização judicial). O segundo tipo é o doador falecido. São os pacientes com morte encefálica e a doação só acontece com autorização da família.

* Com informações da Secretaria de Saúde