9/3/20 14:11
Atualizado em 9/3/20 às 14:11

Concerto da Sinfônica: sonoridades sutis e evocação de sentimentos

Programa desta terça (10) no Cine Brasília apresenta obras inéditas e consagradas, que, segundo maestro, são capazes de levar o público a viagem musical inesquecível

 

Ventos fortes, pequenos sinos, sonoridades sutis, economia de gestos, evocação de paz e serenidade são impressões que vão marcar o concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Cláudio Santoro (OSTNCS) na terça-feira, 10, no Cine Brasília.

O programa trará uma peça inédita do timpanista da OSTNCS Carlos Tort, que foi aluno de mestrado, concluído em 2015, do regente convidado para a apresentação da próxima semana, o gaúcho Antônio Carlos Borges-Cunha. Este, por sinal, comparece com duas composições próprias, sendo uma delas um noturno com solo da premiada pianista brasiliense Lígia Moreno.

 O público ainda terá oportunidade de tomar contato com peça contemporânea do erudito estoniano Arvo Pärt (1935), cuja música no programa lembra pequenos sinos – “um dos compositores mais ouvidos da segunda metade do século 20”, segundo Borges-Cunha. Também vai revisitar o russo Igor Stravinsky (1882-1971), tido como um dos músicos de influência notória do século passado.

Borges-Cunha, professor do Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tem como um das marcas de sua obra a integração de valores estéticos aparentemente antagônicos. 

Seu trabalho autoral é caracterizado, segundo ele mesmo, “por sonoridades terrosas, primitivas e jogos de tensões”. Coleciona prêmios por suas composições e por sua atuação como regente e pesquisador. Sua música é objeto de trabalhos acadêmicos.

Carlos Tort está feliz com a estreia de Vento Norte no concerto de terça. Ele explica que compôs a peça no ano passado, embalado pelas memórias dos tempos de bacharelado na Universidade Federal de Santa Maria (RS). Inspirou-se num fenômeno atmosférico típico da região. A cidade, localizada entre terras altas e baixas (os pampas), é açoitada por ventos quentes do norte que, ao se encontrarem com as temperaturas amenas da Sul, produzem tempestades com bruscas variações térmicas.

“A música reflete as minhas lembranças dos tempos em que morei e estudei lá. Dos ventos que podiam durar dias e se desfazer em raios e relâmpagos. Essas experiências que se imprimiam nas almas das pessoas dão o fio narrativo que usei para compor”, testemunha Tort.

Ainda na primeira parte da apresentação, Noturno para Piano e Orquestra, de 2018, revela, segundo o regente convidado, “as características de minha música atual, demarcadas por sonoridades sutis e economia de gestos, expressando meu desejo de paz, serenidade, foco, beleza, sublimação”.

Lígia Moreno, amparada em carreira prodígio, tendo estreado aos 10 anos diante da própria OSTNCS, e por currículo com premiações em cascata, se assentará ao piano movida pelo desafio de evocar – em suas palavras – “o perfume dos sons” a partir de toques cuidadosos nas teclas. Ela destaca a sensibilidade da peça do maestro do Rio Grande do Sul.

“O público ficará envolvido pela música, um noturno que traz citações a Chopin tanto na orquestra como no movimento da mão esquerda ao piano”, convida. Lígia destaca no trabalho de Borges-Cunha a atmosfera camerística, que funde o piano ao corpo sinfônico, explorando os efeitos sonoros no acorde de notas que se insinuam na pauta.

Contingências foi composta em 1981 a partir de uma peça para cinco clarinetes. O maestro diz que recebeu estímulos para realizar ensaios composicionais a partir de sonoridades rústicas que fazem parte de seu imaginário sonoro. 

A música resulta de incertezas e de surpresas, de memórias e afetos dos primeiros anos de vida rural na propriedade da família no Sul do país. “Somente após cerca de 35 anos, percebo que esta música contém a semente que germinou a essência de minha expressão como compositor”, revela.

Na segunda parte o público terá a oportunidade de ouvir Fratres, uma das mais conhecidas peças do compositor estoniano Pärt, numa versão para orquestra de cordas e percussão. Segundo Borges-Cunha, “provavelmente está será a primeira audição da música em Brasília”.

Também integra essa parte do recital a suíte O Pássaro de Fogo de Stravinsky, numa versão de 1919. A música é baseada em contos populares russos sobre certo pássaro mágico e brilhante que pode precipitar tanto a fortuna como a perdição de seu captor.

“A preparação deste concerto está sendo muito especial. Estou muito contente com a musicalidade e o comprometimento da pianista Lígia Moreno e dos músicos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro. Tenho recebido mensagens de alguns solicitando informações de minhas composições, sinal de profissionalismo e de comprometimento artístico”, anota  o regente.


Programa

 Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro

10 de março de 2020

Cine Brasília

Carlos Tort, Vento Norte (estreia);

Antônio Borges-Cunha, Contingências 1981 e Noturno para Piano e Orquestra, com solo de Lígia Moreno ao piano

Intervalo

Arvo Pärt, “Fratres”;

Igor Stravinsky, L’Oiseau de feu (Pássaro de fogo),

Regente: Antônio Borges-Cunha 

 Entrada franca

Acesso por ordem de chegada até lotação do espaço. Os portões são abertos às 19:15 para
idosos e pessoas com deficiência e às 19:30 para o público em geral.

Cine Brasília, Entrequadra Sul 106/107

Dúvidas e informações: 2017-4030


* Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec)