16/6/20 20:58
Atualizado em 17/6/20 às 12:32

Pontos de encontro interditados são utilizados indevidamente

Gestores e moradores lamentam a falta de urbanidade com que alguns brasilienses reagem a um trabalho que zela pela saúde de todos

Plano Piloto tem 69 pontos de encontro comunitários | Foto: Emanuelle Sena / AR Plano Piloto

A Administração Regional do Plano Piloto tem mantido a força-tarefa iniciada no último dia 9 e retomada na segunda-feira (15) para interditar pontos de encontro comunitários (PECs). Mas, infelizmente, a equipe já presenciou locais com os lacres retirados.

O serviço é executado para proteger a população da transmissão da Covid-19, em resposta ao Decreto nº 40.853, publicado em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF).

“Tiraram os lacres que a gente colocou. Isso não é bom, porque atrapalha o andamento dos trabalhos”, relata o gerente de Obras da administração regional, Sebastião Pinheiro.

Ele conta que foram lacrados PECs na segunda e na terça-feira, mas a equipe precisou refazer o trabalho. “Estamos trabalhando pelo bem da população e pela saúde de todos”, ressalta.

Para a administradora do Plano Piloto, Ilka Teodoro, “é lamentável que existam pessoas ignorando medidas importantes para saúde coletiva”. “Em tempos de pandemia, precisamos do cuidado com o próximo, com a coletividade e com a coisa pública”, destaca.

Vice-prefeita da 113 Sul, Rosemary Lacerda informa que no bloco onde ela mora duas pessoas já faleceram vítimas da Covid-19. Ela acrescenta que, no mesmo dia em que a administração fez o serviço de interdição, um rapaz retirou todos os lacres dos PECs para utilizar os equipamentos.

“É triste de ver porque, na nossa quadra, a gente tem moradores que são centenários. Acho que é uma falta de consciência cidadã das pessoas de fazer esse tipo de coisa”, lamenta.

Servidores têm que refazer todo o trabalho de vedação depois da ação de violadores da lei | Foto: Emanuelle Sena / AR Plano Piloto

“Desrespeito grave”

A Região Administrativa I possui 69 pontos de encontro comunitários, 39 kits de academia, 113 quadras de esporte e mais de 250 parquinhos.

“É com tristeza e preocupação que escuto o relato de nossa equipe externa de que muitos desses espaços – que já tinham sido alvo de interdição, com lacre e emissão de documento oficial dando publicidade ao mérito da medida e suas implicações penais – estão sendo indevidamente utilizados pela população”, diz a assessora de Planejamento da Administração do Plano Piloto, Jeanine Woycicki, que coordena as equipes de interdição.

Para o presidente do Conselho Comunitário da Asa Sul (CCAS), José Daldegan, a retirada dos lacres “é um desrespeito muito grave, não só com as normas de saúde, mas principalmente com as pessoas em geral, pois pode contribuir para o aumento do contágio”.

O Decreto nº 40.853 diz que quem desobedecer o previsto na norma “por deixar de executar, dificultar ou opor-se à execução de medidas que visem à prevenção das doenças transmissíveis e sua disseminação, à preservação e à manutenção da saúde” poderá pagar multa e ser responsabilizado pelo crime de infração de medida sanitária preventiva, de que trata o artigo 268 do Código Penal. A pena prevista é de detenção de até um ano.

 

* Com informações da Administração Regional do Plano Piloto