7/8/20 9:50
Atualizado em 7/8/20 às 10:36

Pais temporários, amor eterno: participe do Família Acolhedora

Interessados têm até o dia 20 de agosto para se candidatar a cuidar, temporariamente, de crianças que foram afastadas dos lares por medida judicial

Estão abertas até o dia 20 de agosto as inscrições para os interessados em participar do Família Acolhedora. O serviço foi criado para evitar que crianças, que tiveram direitos violados quando estavam com suas famílias de origem, sejam encaminhadas para abrigos e percam, assim, o convívio familiar. A ação é uma parceria da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) com a Promotoria de Justiça do DIstrito Federal, a Vara de Proteção da Infância e da Juventude e o Grupo Aconchego, organização da sociedade civil responsável pela execução do serviço no DF.

Foto: Agência Brasília/Arquivo

Os interessados devem realizar as inscrições por este e-mail. Os futuros pais acolhedores terão que proporcionar um lar temporário a crianças de zero a seis anos de idade em situação de vulnerabilidade, onde elas possam ser cuidadas com afeto e segurança até terem condições de voltar a morar com a sua família de origem.

Vice-presidente do Grupo Aconchego e coordenadora técnica do Família Acolhedora no DF, Julia Salvani explica que todas as configurações familiares são aceitas: podem participar, por exemplo, casais héteros e homoafetivos, com ou sem filhos e até mesmo pessoas solteiras.

“É uma família que tenha disponibilidade afetiva e uma rede de apoio. Nós trabalhamos com a perspectiva de que não é possível cuidar sozinho de uma criança. Temos família acolhedora, por exemplo, que é constituída por uma pessoa, mas ela tem uma rede de apoio, como mãe, irmã”, destaca. A coordenadora lembra, porém, que quem faz parte do programa de acolhimento familiar não pode estar inscrito para a adoção. 

Após a inscrição, as famílias entregam as documentações, passam por entrevista e por um curso de capacitação, previsto para iniciar no próximo dia 25 de agosto. Depois são realizadas visitas domiciliares e é feito um acompanhamento periódico com as famílias.

Julia Salvani reitera que o serviço não pode ser usado como facilitador para uma futura adoção. “A prioridade é viabilizar o retorno da criança ao convívio com a sua família de origem. Ou, se não for possível, o encaminhamento para a adoção para uma família substituta”, diz ela.

 Afinal, ressalta a vice-presidente do Grupo Aconchego, são crianças que estão em medida protetiva de afastamento familiar, foram afastadas da sua família por estarem vivendo uma situação de violação de direitos.

As famílias acolhedoras são selecionadas, capacitadas e acompanhadas pela equipe técnica do Serviço de Acolhimento, que vão assegurar a integridade da criança. O serviço garante uma ajuda de custo aos pais acolhedores, pago pelo Governo do Distrito Federal, para arcar com as despesas do acolhido. 

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Atualmente, 17 famílias estão habilitadas a dar a meninos e meninas na primeira infância a oportunidade de se manterem em um núcleo familiar até a reintegração à família de origem.

Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Mayara Noronha Rocha, no Distrito Federal, o Família Acolhedora é importante para evitar o abrigamento institucional. “É fato que a institucionalização, principalmente na primeira infância, gera prejuízos no desenvolvimento dessas crianças, que já passaram por uma situação de violação de direito ou violência. Então, esses pais acolhedores ficam responsáveis por proporcionar um ambiente seguro e aconchegante, que estimule as potencialidades dessas crianças“, enfatiza.


Requisitos para a inscrição

Para se cadastrar no serviço, as famílias voluntárias precisam atender alguns pré-requisitos como:

residir no DF;

ter disponibilidade afetiva e emocional;

haver concordância de todos os membros do núcleo familiar;

não estar cadastrado no Cadastro Nacional de Adoção;

não ter antecedentes criminais;

comprovação de renda

habilidade em ser cuidador


Curso de capacitação

As famílias voluntárias inscritas no serviço têm que passar por uma capacitação de seis semanas com encontros de duas horas, uma vez por semana. O curso está previsto para iniciar no próximo dia 25 de agosto. Também é realizado um estudo psicossocial feito pelo Grupo Aconchego.

As etapas vão avaliar as motivações, disposição, desejo e habilidades do núcleo familiar para acolher. Durante o período em que durar a medida, a família biológica do acolhido vai ser acompanhada por especialistas que darão o aval para o retorno da criança ao lar de origem.

* Com informações da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes)