4/9/20 19:34
Atualizado em 4/9/20 às 19:47

Um resgate da origem da construção de Brasília

Integração do GDF revitalizará Conjunto Fazendinha, na Vila Planalto, que ainda abriga edificações erguidas antes da inauguração da capital

Evidente potencial turístico do conjunto de residências será explorado após a revitalização | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

No coração da Vila Planalto, cinco casarões guardam a memória da criação de Brasília. Elas formam o Conjunto Fazendinha, que serviu para moradia de engenheiros que trabalharam para erguer a capital e abrigou equipamentos públicos. As estruturas de piso único, chão avermelhado e com janelas e suporte da caixa d’água de madeira sofreram com as ações do tempo e do esquecimento. Agora, o Governo do Distrito Federal vai trabalhar por resgate, revitalização e restauração daquele espaço.

Nesta sexta-feira (4), o local recebeu uma visita técnica intersetorial do governo, com o objetivo de definir ações. Na visita ficou determinada a criação de grupo de trabalho para elaborar um plano de medidas de revitalização do espaço, além de providenciar a transferência da gestão do conjunto da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) para a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).

“Houve pedido da comunidade para inclusão no projeto de requalificação, que já está em condições de avançar, e então será estendido para atender a essa região em uma segunda etapa de prolongamento”Mateus Oliveira, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação

Também será celebrado um convênio com a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e com a Administração Regional do Plano Piloto com o objetivo de desenvolver estudos necessários à futura contratação de projeto de restauração e demais ações para devolver o equipamento à comunidade. As medidas foram definidas após reivindicações da população.

O projeto da Rota Cultural e Turística da Vila Planalto foi retomado e está em pleno andamento. Nesta semana, durante audiência pública, a necessidade de olhar pelo espaço foi apontado pelos próprios moradores. É o que conta o titular da Seduh, Mateus Oliveira: “Houve pedido da comunidade para inclusão no projeto de requalificação, que já está em condições de avançar, e então será estendido para atender a essa região em uma segunda etapa de prolongamento”.

“Nós estamos nos 60 anos de Brasília. A comemoração ainda não acabou. Ela foi impedida, de certa forma, pelo coronavírus, mas não paramos de pensar nos aspectos culturais, de resgate da história de Brasília”Bartolomeu Rodrigues, secretário de Cultura e Economia Criativa

Administradora regional, Ilka Teodoro revela que o Conjunto Fazendinha é o único ponto de convergência de todas as reivindicações e grupos da Vila Planalto. “Essa reunião de todos os setores do governo demonstra o compromisso da gestão com a preservação da cidade, conservação da história de Brasília e espaços que operam além do afetivo, mas também no simbólico”, destaca a gestora, para quem os esforços são preocupação com a preservação histórica e cultural da cidade.

A secretária de Turismo, Vanessa Mendonça, destaca o potencial turístico da cidade como polos gastronômico e cultural. “A valorização do patrimônio material é imaterial. É da maior importância. No momento em que se investe na recuperação, proporcionamos à comunidade possibilidades de ressignificação da área, que tem tanto a colaborar com desenvolvimento de emprego e renda, com criação de novos negócios e investimentos”, acrescenta.

União de forças

Para evitar acidentes e incidentes no Conjunto Fazendinha foi desligado o fornecimento interno de água e a energia. Do lado de fora foi feita roçagem da grama alta, limpeza do espaço e esgotamento de água da piscina abandonada. A conservação é feita regularmente, mas, agora, com a união das forças governamentais e sociais, o plano é revitalizar e restaurar com mais apuro a localidade simbólica para a construção da capital.

“Nós estamos nos 60 anos de Brasília. A comemoração ainda não acabou. Ela foi impedida, de certa forma, pelo coronavírus, mas não paramos de pensar nos aspectos culturais, de resgate da história de Brasília”, valoriza o titular da Secec, Bartolomeu Rodrigues.

Necessidade de restauração e manutenção do local foi apontada pelos próprios moradores | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

Com a criação do grupo de trabalho, os integrantes poderão definir o plano de ação. “Tudo o que for estabelecido vamos trabalhar para executar em parceria com os outros órgãos”, avisa o presidente da Novacap, Fernando Leite.

A revitalização do Conjunto Fazendinha vai ao encontro dos princípios da atual gestão. “A principal missão dada pelo governador [Ibaneis Rocha] é recuperar os espaços públicos e a nossa cidade. Estamos fazendo isso com, eu diria, relativa competência e com o fator importantíssimo que é a integração dos órgãos”, define o secretário de Governo, José Humberto Pires.

“Nossa cidade fez 60 anos, mas não é uma senhora de idade. É uma jovem que precisa de cuidado, trato, zelo para que se apresente da forma que ela é para o Brasil e para o mundo. Além de ser ponto cultural, tem aspecto que pode ser relevante na área de turismo”, arremata.

Ação do tempo não tirou dos casarões sua importância histórica e cultural | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília

Projeto turístico-cultural

O projeto da Rota Cultural e Turística da Vila Planalto envolve diversos órgãos. Ela terá início e fim nos arredores da tradicional Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, um marco cultural e arquitetônico da Vila Planalto fundado em 2 de abril de 1959.

O trajeto engloba ruas compartilhadas, com mais espaço e vez para pedestres, sinalização dos pontos turísticos, drenagem, preservação do conjunto tombado pelo patrimônio histórico, adequação de obras desconformes e edificações irregulares, qualificação dos espaços urbanos e desenvolvimento social e turístico.

Histórico

A Vila Planalto foi criada em 1957 para abrigar os acampamentos de operários que trabalhavam na construção da capital. O tombamento como Patrimônio Histórico do DF veio em 1988. O plano inicial era remover os trabalhadores após a inauguração de Brasília e transferi-los para as chamadas cidades-satélites – na nomenclatura atual, as denominadas regiões administrativas do Entorno.

Entretanto, seis acampamentos permaneceram no local, privilegiado pela proximidade com o centro do poder político e à beira do Lago Paranoá – fica a cerca de 500 metros do Palácio do Planalto, por exemplo. A cidade preserva características da época da construção, com reconhecido valor histórico no processo de ocupação do DF.

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