6/11/20 15:35
Atualizado em 6/11/20 às 16:02

Orla do Lago Sul passa por vistoria

Numa segunda etapa, operações semelhantes serão estendidas ao Lago Norte. Objetivo é recuperar as áreas degradadas

Foco da operação, que faz parte do Projeto Orla, são as áreas de preservação permanente (APPs) | Foto: Divulgação/Sema

Com o início do período chuvoso no DF, foram retomadas as ações do Projeto Orla que abrangem a recuperação de danos nas áreas de preservação permanente (APPs) a redor do Lago Paranoá. A orla tem um contorno total de 102,31 km, sendo 50,31 km no Lago Sul e 52 km no Lago Norte. O programa busca promover o equilíbrio ambiental e a preservação de mananciais que abastecem o DF, contribuindo para a segurança hídrica de Brasília.

O secretário do Meio Ambiente, Sarney Filho, vistoriou de barco pontos da área do Lago Sul que foram selecionados para o trabalho nesta primeira etapa. Participaram da operação técnicos da secretaria e a superintendente de Unidades de Conservação, Biodiversidade e Água do Brasília Ambiental, Rejane Pieratti, além de gestores da Rede Terra – organização de direito privado e abrangência nacional formada por profissionais multidisciplinares, com escritórios no DF, em Goiás e no Pará.

Áreas contempladas

“Trata-se de uma resposta do Governo do Distrito Federal ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) no sentido de recuperar áreas de preservação permanente ocupadas ilegalmente ao longo da orla sul e que foram desobstruídas com a retirada de cercas e muros”, explicou o secretário.

O projeto prevê a recuperação de 65 hectares ao longo das APPs, desde a barragem do Paranoá ao Lago Sul, incluindo o braço do Riacho Fundo, nos 30 metros às margens do espelho d’água de toda a área na qual serão empreendidas as ações.

R$ 2 milhões foram investidos na ação. Recursos são Fundo Único do Meio Ambiente

O investimento, de aproximadamente R$ 2 milhões, é proveniente do Fundo Único do Meio Ambiente (Funam). Os recursos são de pagamentos de acórdãos judiciais e termos de ajustamento de conduta dos moradores responsáveis pelas ocupações irregulares envolvidos em uma ação civil pública.

Etapas da operação

Empreendido pelo Instituto Rede Terra, o trabalho inclui contenção de processos erosivos, revegetação e revitalização de corredores ecológicos, além de tratamento contra formigas e correção de solo antes do plantio, uso de contentores para limitar o acesso de veículos, cercamento e tutoria de mudas.

Na QL 10, Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) do Bosque, foram plantadas cerca de 1,7 mil mudas de espécies nativas do Cerrado em uma extensão de 4,5 hectares. Nas QLs 6 e 8, o trabalho de preparação do solo está em andamento.

“Ao todo, serão 20 áreas na região do Lago Sul, e vamos ver como se comportaram as áreas que já estão sendo trabalhadas e as que já foram selecionadas, para avaliar como está o andamento da preparação do solo”, explicou a subsecretária Assuntos Estratégicos da Sema, Márcia Fernandes Coura.

Trechos em destaque

“Precisamos garantir que o Lago Paranoá possa cumprir suas múltiplas funções ecossistêmicas, como estabilidade das margens, corredores ecológicos, biodiversidade, amenização do clima, navegação, lazer e o embelezamento do Distrito Federal”, destacou Márcia Coura.

O diagnóstico ambiental que subsidia o projeto identificou 321,83 hectares passíveis de recuperação na orla, incluindo APPs, unidades de conservação e áreas públicas.

Outros destaques são as encostas do Paranoá; Arie Riacho Fundo (trechos no Park Way, Aeroporto e QL 1); parques ecológicos Ermida Dom Bosco, Península Sul, das Copaíbas e Garça Branca; Ponte das Garças e Mosteiro da Ermida Dom Bosco, além das QLs 6 – que já conta com um plantio –, 8, 16, 18, 22, 26 e 28.

Lago Norte

Uma nova fase de recuperação de áreas degradadas vai incluir o Lago Norte. A Fundação Banco do Brasil (FBB), a Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e o Brasília Ambiental publicaram edital de seleção pública para o recebimento de proposta de ações de conservação e recomposição florestal nas áreas de proteção permanente dessa região.

Essa ação faz parte do Programa Recupera Cerrado e terá investimentos de R$ 1,42 milhões. O objetivo do edital é selecionar um projeto voltado para reflorestamento com espécies vegetais (arbóreas, arbustivas e/ou herbáceas) nativas do Cerrado.

Até o dia 12 deste mês, estão previstos julgamento, classificação e seleção das propostas. O resultado tem previsão de ser divulgado no dia 24.

* Com informações da Sema