13/11/20 16:07
Atualizado em 13/11/20 às 16:39

Saúde cuida de cerca de 3 mil diabéticos regularmente

Campanha Novembro Diabetes Azul promoverá ações ao longo do mês

Neste sábado (14) é o Dia Mundial de Prevenção ao Diabetes. Atualmente, cerca de 3 mil pacientes diabéticos são atendidos nas unidades da Atenção Secundária do Distrito Federal regularmente. A data integra a campanha internacional Novembro Diabetes Azul que, neste ano, terá como tema a enfermagem, para destacar a diferença que esses profissionais exercem na vida das pessoas acometidas pela doença.

Somente no DF, enfermeiros e técnicos de enfermagem são responsáveis por fazer, em média, aproximadamente 200 atendimentos mensais em cada um dos oito ambulatórios multidisciplinares da rede pública voltados a pacientes diabéticos, em diferentes abordagens.

“Em 2020, o objetivo da campanha é atrair a atenção para a importância da educação em diabetes e sobre o trabalho em equipe, em especial para o papel do enfermeiro nos cuidados do diabetes. A Enfermagem faz a diferença com ciência e acolhimento, tendo como foco o usuário do sistema”, afirma a Referência Técnica Distrital (RTD) em Endocrinologia da Secretaria de Saúde, Eliziane Leite.

Ações

De acordo com a diretora de Atenção Secundária e Integral de Serviços, Fernanda Martins, ao longo do mês estão programadas algumas ações na atenção ambulatorial secundária. Entre elas, a divulgação de vídeos educativos sobre o diabetes para os usuários e servidores de saúde.

“Vamos elaborar, em cada serviço de saúde, pequenos vídeos com os enfermeiros que atuam no manejo do Diabetes na Atenção Secundária, informando como ocorre o manejo da doença, ressaltando a importância do trabalho dos enfermeiros no cuidado do diabetes”, explica a diretora de Atenção Secundária.

Também é previsto promover a avaliação do pé diabético nas unidades especializadas, para todos os usuários que compareçam aos locais, independente de agendamento, conforme a capacidade instalada e seguindo todas as recomendações relacionadas aos cuidados com a Covid-19. Também será aplicado um questionário nas unidades para todos os usuários que comparecerem neste mês.

Ambulatórios

No DF, há ambulatórios multidisciplinares para tratar diabetes na Atenção Secundária de toda as regiões de saúde do DF. Eles estão localizados nos hospitais públicos de Taguatinga, Ceilândia, Gama, Guará (Cedhic), Sobradinho, Paranoá, Santa Maria e Base, além do Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão (Cedoh) na Asa Norte.

O Cedoh e o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) contam, em cada unidade, com mais de 800 pacientes cadastrados, entre diabéticos dos tipos I e II, e em média 200 crianças com diabetes I.

“O Cedoh atende a Região de Saúde Central e é um dos serviços de excelência do DF. Contamos com uma equipe completa, formada por endocrinologistas para pacientes adultos e pediátricos, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogos, enfermeiros e assistente social”, informa a gerente do Centro Especializado em Diabetes, Alexandra Rubim.

Nos ambulatórios, o paciente tem acesso a recursos para auxiliar o controle do diabetes. São disponibilizadas, a depender do caso, desde seringas para aplicação de insulina, até lancetadores, para controle de glicemias capilares (coleta de sangue na ponta do dedo). É feita, ainda, a distribuição de medicações orais, insulinas especiais (os análogos de insulina), sistema de infusão contínua de insulina, exames de pé diabético, entre outros serviços.

Porta de entrada

Para ter acesso aos serviços, a porta de entrada são as unidades básicas de saúde (UBS), que referenciam o atendimento aos ambulatórios de cada região de saúde por meio do Sistema de Regulação. A depender da situação, o acompanhamento de pacientes com diabetes também é feito na própria UBS, que oferece desde medicamentos até canetas aplicadoras de insulina humana para pacientes com diabetes do tipo I e II.

“Lembrando que a diabetes tipo II tem a maior prevalência e corresponde a 90% dos casos, relacionada a sobrepeso e obesidade e podendo ser prevenida com mudanças de hábitos. Já o tipo I é uma doença autoimune. O paciente convive com ela pelo resto da vida, sendo possível cuidar dela”, explica a gerente do Cedoh.

Segundo Alexandra Rubim, a prevenção precisa ser feita antes do diagnóstico, para evitar complicações. Por isso é importante pessoas com histórico familiar ou suspeita da doença procurarem as UBSs antes de apresentarem sintomas.

“É uma doença que merece toda a atenção e cuidado, com tratamento que deve ser contínuo, porque não há cura. Ela pode causar desde insuficiência renal a perda da visão, se não for tratada. Mas com acompanhamento e bons hábitos de vida, como controle do estresse, atividades físicas e sono de qualidade podem impactar positivamente no controle da doença”, explica Rubim.

Pé diabético

Estima-se que uma em cada quatro pessoas com diabetes pode ter problemas nos pés ao longo da vida | Foto: Breno Esaki / Agência Brasília
Nos ambulatórios da Secretaria de Saúde, no Cedoh e no Cedhic, também é oferecido atendimento a pacientes com pé diabético – uma consequência grave da diabetes mellitus – que ocorre quando uma área machucada ou infeccionada nos pés desenvolve uma lesão (ferida).

O aparecimento da doença ocorre quando a circulação sanguínea é deficiente e os níveis de glicemia (açúcar) são mal controlados. Estima-se que uma em cada quatro pessoas com diabetes pode ter problemas nos pés ao longo da vida.

Além disso, o pé diabético é responsável pela principal causa de internação do portador de diabetes. Se não for tratado, ele pode levar à amputação e, em casos mais graves, à morte. O tratamento do pé diabético geralmente é feito com o uso de antibióticos, doppler e curativos.

Nos dois maiores ambulatórios para diabetes da rede pública, localizados no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e no Cedoh, há ainda cuidados para feridas mais complexas ocasionadas pela doença. No HRT ainda são desenvolvidas diversas pesquisas clínicas.

Dia Mundial

Desde 1991, o 14 de novembro é celebrado pela Federação Internacional de Diabetes (International Diabetes Federation) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o Dia Mundial do Diabetes. A data foi escolhida por ser o aniversário de Frederick Banting, o médico canadense que, com o seu colega Charles Best, conduziu as experiências que levaram à descoberta da insulina, em 1921.