15/11/20 9:45
Atualizado em 15/11/20 às 9:45

Revista Traços abre 100 vagas para “porta-vozes”

Inscrições para responsáveis pelas vendas podem ser feitas até janeiro do próximo ano. Projeto, que completa cinco anos, tem apoio do GDF

Reconhecida no Distrito Federal por ser um dos principais veículos de comunicação que difundem e divulgam a cultura e a economia criativa local, a Revista Traços celebra cinco anos este mês. Para festejar a trajetória do projeto, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) e a Associação Traços de Comunicação e Cultura abriram 100 vagas de trabalho para vendedores da revista.

As inscrições podem ser feitas até janeiro de 2021, pelo telefone (61) 3033-4541. A iniciativa, que já beneficiou cerca de 300 pessoas que viviam em situação de rua, agora se estenderá para quem perdeu o emprego durante a pandemia do novo coronavírus.

100 vagas para novos porta-vozes da Revista Traços

A publicação mensal, que conta com o fomento da Secec, desenvolve trabalho que vai além da exaltação de produções culturais da cidade. A Traços é responsável por um amplo trabalho social – devolvendo a dignidade a pessoas em situação de vulnerabilidade e gerando emprego e renda mediante a venda das revistas. Este mês, a revista prepara uma edição especial, que chega às ruas na segunda quinzena de novembro, em novo formato inédito. A publicação resgata a trajetória da Traços e faz menção aos 60 anos de Brasília.

De imediato, o projeto disponibilizará 25 vagas. As outras 75 serão preenchidas nos próximos três meses. Todos os selecionados passarão por período de treinamento, com oficinas para vendas, respeitando os protocolos de segurança sanitária durante a pandemia da Covid-19. Os vendedores ficarão com 70% do valor de cada exemplar vendido (R$ 7,00), podendo garantir um valor líquido mensal de até R$ 3 mil.

Sinceramente, não tenho nem palavras para tudo isso que está acontecendo. É muita luta e é gratificante quando você luta pra ter uma vida digna.Edimundo Rocha, 56 anos

Chamados de “porta-vozes”, os trabalhadores vendem a revista no comércio local. Além disso, os cidadãos atendidos pelo projeto contam com atendimento psicossocial, encontros regulares, cursos e oficinas, planejamento financeiro, entre outras capacitações. De todos os beneficiados desde o início do projeto, 170 porta-vozes da cultura entraram para o mercado de trabalho formal e informal e mais de 150 conquistaram moradias fixas e saíram das ruas por intermédio do auxílio.

Oportunidade

Para Edimundo Rocha, 56 anos, trabalhar como porta-voz da cultura não é apenas um ganho financeiro, mas, sim, uma ‘corrente de amor e amizade’ com seus clientes. Na Traços, após receber orientações sobre planejamento financeiro, ele conseguiu comprar um lote e construir sua própria casa em Planaltina-GO.

A obra segue em andamento. “Sinceramente, não tenho nem palavras para tudo isso que está acontecendo. É muita luta e é gratificante quando você luta pra ter uma vida digna. Não tem valor que pague, principalmente as amizades que eu tenho hoje, gente que quer ver você crescer”, disse, emocionado.

Acredito que muitas pessoas possam ser resgatadas pela cultura e pelo trabalho social realizado pela revista.Miryan de Assis, 29 anos

Na luta contra a depressão, Miryan de Assis, 29 anos, relata o apoio psicossocial fundamental na retomada de uma vida saudável. Ela explicou que, durante a doença, a revista proporcionou mito mais do que trabalho e dignidade, ‘o amor de uma família’.

“Eu estava em uma depressão fortíssima e não aguentava mais tanta angústia, tanta opressão no meu peito. A Traços me acolheu em um dos piores momentos da minha vida. Acredito que muitas pessoas possam ser resgatadas pela cultura e pelo trabalho social realizado pela revista”, enfatizou.

Priscila do Carmo Limoeiro, 31 anos, iniciou seu trabalho como porta-voz há quatro anos. Ela conta que, com a oportunidade, reconstruiu sua história de vida, correndo atrás de sonhos por meio da venda da revista. “A partir deste trabalho, consegui prestar vestibular e iniciar o curso de Direito. Os leitores me incentivam, me impulsionam, me fazendo tornar parte da sociedade, uma cidadã”, conta a vendedora.

Ajuda

Apreciador do projeto, o secretário-executivo da Secec, Carlos Alberto Júnior, acredita que a parceria entre a pasta e a Traços, seja por meio da Lei de Incentivo à Cultura (LIC) ou com recursos de Termo de Fomento, amplia as chances de socorrer a população da capital no atual momento.

“A Revista Traços vai além do conteúdo de suas ótimas matérias. O trabalho social desempenhado, por meio do resgate de pessoas em situação de vulnerabilidade, tornando-os seus porta-vozes, é uma política abraçada pela Secec há alguns anos. A contratação de mais pessoas para integrar os trabalhos dessa edição especial fará com que pelo menos elas possam ter um fim de ano e um início de 2021 com novos horizontes”, destacou.

O diretor da Traços, André Noblat, considera que ela já faz parte do cotidiano de Brasília. “A Traços desenvolveu uma relação muito próxima com a vida cultural da cidade. Desde o início, nosso objetivo é contribuir com a construção de uma Brasília que seja mais justa e que enxergue as pessoas que vivem com dificuldade. Então, queremos colaborar para que pessoas afetadas pela crise  não fiquem ainda mais vulneráveis”, afirmou.

Ele ressalta, ainda, a transversalidade do projeto no combate ao desemprego e à vulnerabilidade durante a pandemia. “Para ajudar a minimizar essa situação, a Traços se organizou para abrir novas vagas voltadas às pessoas que perderam seus empregos. Eles ficarão na revista enquanto não forem realocados no mercado de trabalho. Quando isso acontecer, a vaga será preenchida por outra pessoa nas mesmas condições”, adiantou o diretor.

Serviço:

Revista Traços
– 100 vagas para novos vendedores
– Inscrições abertas: até janeiro de 2021
– Contatos para cadastro: (61) 3033-4541
– Por telefone, terças e quintas-feiras, das 10h às 12h
– Pelo WhatsApp, terças e quintas-feiras, das 10h às 17h

* Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa