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6/1/22 às 16:26, Atualizado em 6/1/22 às 17:15

Centro de Juventude muda a vida de uma família migrante

Em busca de realidade mais promissora, os Barretos vieram de Salvador para Brasília e encontraram um apoio para vencer nos cursos do CJ da Estrutural

Agência Brasília* | Edição: Rosualdo Rodrigues

Marcos Barreto e o irmão começaram a fazer os cursos do CJ por causa da alimentação: “Até lanche escondido para minha mãe a gente levava”, conta | Fotos: Ascom/Sejuv-DF

Com esperança e expectativa de alcançar uma vida mais confortável e promissora, a família Barreto decidiu sair de Salvador e vir para Brasília. Paulo, Fabiana, Júnior, Marcos e as duas cachorrinhas de estimação desembarcaram na capital do país acreditando em seus sonhos e nas novas oportunidades que estavam prestes a viver.

No entanto, logo após a chegada, a família enfrentou inúmeras dificuldades. A casa que haviam alugado já estava ocupada, a proposta de negócio promissor também não deu certo e o sonho de promover uma vida melhor parecia longe de se realizar.

Os Barretos, incansavelmente, todos os dias saíam em busca de oportunidades, mas as portas permaneciam fechadas. As caixas de ovos vazias eram seus cobertores na temporada de frio, e a loja que conseguiram alugar com o pouco dinheiro que restava foi a moradia da família por meses.

Durante uma aula do curso de Empregabilidade, Marcos soube de uma oportunidade de emprego e foi contratado

Mesmo diante de toda a dificuldade enfrentada, Fabiana manteve firme a fé. Ela conta que, durante uma caminhada, se deparou com o Centro de Juventude (CJ) da Cidade Estrutural e naquele momento percebeu que seus filhos poderiam ter uma chance de viver uma realidade diferente.

Após uma conversa, o casal decidiu matricular os filhos nos cursos disponíveis. “A gente veio para cá acreditando em melhores oportunidades para nossos filhos, para eles terem estudo, e o CJ era o primeiro degrau para eles”, afirma Fabiana.

O que ela não imaginava era que um de seus filhos resistiria à ideia de participar dos cursos ofertados no CJ. Marcos desacreditava em um futuro com dignidade para a sua vida e de sua família “Àquela altura, eu tinha muita revolta dentro de mim e achava que seria desperdício de tempo fazer os cursos porque não tinha nenhuma perspectiva, tanto que só aceitei de fato fazer quando descobri que davam lanche depois das aulas”, conta.

Marcos, ao lado da secretária da Juventude, Luana Machado (de verde), e da equipe do Centro de Juventude da Estrutural: de aluno a atual coordenador substituto da unidade | Fotos: Ascom/Sejuv-DF

O lanche mencionado por Marcos é ofertado ao término de cada aula a todos os alunos dos CJs, projeto promovido pela Secretaria de Juventude (Sejuv), motivo pelo qual o jovem decidiu se matricular em todos os cursos.

“A gente almoçava e jantava a comida do restaurante comunitário, porque era isso que a gente tinha condições de ter naquele momento. Por muitas vezes, a gente deixava para comer mais tarde para não ficar com fome durante o dia ou de madrugada. Quando eu e meu irmão começamos a fazer os cursos, até lanche escondido para minha mãe a gente levava”, revela o jovem.

“O testemunho desse jovem nos impulsiona a trabalhar ainda mais e garantir que essa iniciativa tenha um alcance cada vez maior” Luana Machado, secretária de Juventude

Foi durante uma aula do curso de Empregabilidade que Marcos soube de uma oportunidade de emprego, e acabou sendo contratado. “Eu ia e voltava andando da Estrutural para Águas Claras, onde era realizado o treinamento, porque não tinha dinheiro para passagem, e, mesmo chegando cansado, fazia os cursos do CJ à noite”, relembra.

A história de êxito na vida de Marcos não parou por aí. Ele foi destaque durante o período do contrato e, após o término, com experiência e recomendação profissional, teve a oportunidade de ser contratado como auxiliar administrativo do CJ.

E, mais uma vez, ele se dedicou em tudo o que foi proposto a fazer. Novamente se destacou e, para a sua surpresa, foi convidado a ser coordenador substituto do CJ da Estrutural. Na nova oportunidade, o membro da família Barreto amadureceu, adquiriu conhecimento e, em 2021, foi efetivado como coordenador da unidade que o recebeu como aluno.

Agora, como coordenador, cursando duas graduações, o jovem tem planos maiores e acredita que tudo que passou foi para fortalecer a sua fé e prepará-lo para acolher outros jovens, como ele foi acolhido. Se antes a família dependia do restaurante comunitário, os irmãos dividiam as poucas roupas que tinham e tudo parecia impossível, hoje os Barretos estão prestes a inaugurar seu terceiro negócio na Cidade Estrutural.

Emocionada ao conhecer Marcos e a sua história, a secretária de Juventude, Luana Machado, afirma a importância do projeto e o poder que ele tem de transformar a vida de cada jovem alcançado. “Quando conheci o Marcos e toda a sua trajetória, não pude conter a minha emoção, porque trabalhamos perseverantemente para que vários marcos sejam alcançados, para que famílias possam ver seus filhos recebendo qualificação profissional, acolhimento e dignidade”, conta.

“O testemunho desse jovem nos impulsiona a trabalhar ainda mais e garantir que essa iniciativa tenha um alcance cada vez maior. E na data em que comemoramos o Dia da Gratidão [6 de janeiro], o meu coração não poderia estar mais grato e feliz em conhecer e, junto a toda a minha equipe, poder compartilhar mais essa história de sucesso”, comemora a secretária.

*Com informações da Secretaria de Juventude do DF

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