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18/2/22 às 11:15, Atualizado em 18/2/22 às 15:44

‘Temos 20% de abstenções nas cirurgias de castração’

Secretário-executivo do Brasília Ambiental conta que está em estudos a mudança no sistema de marcação para potencializar os atendimentos

Hédio Ferreira Júnior, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto

O Serviço Veterinário Público vem se preparando para, em 2022, dar um salto no atendimento, tanto em números quanto na prestação de serviços. Uma das metas é acabar com a evasão na procura por cirurgias. Atualmente, 20% das pessoas que marcam a castração gratuita para cães e gatos não comparecem e acabam tirando a oportunidade de outros interessados. O Governo do Distrito Federal (GDF) faz os últimos ajustes para tornar o serviço constante, sendo incluído no Agenda DF, sistema de marcação do governo, que pode ser acessado neste link.

O propósito de cada vez mais expandir as ações em prol do bem-estar animal tem como porta-voz o secretário-executivo do Instituto Brasília Ambiental, Thúlio Moraes. Em entrevista à Agência Brasília, ele explica o que será aperfeiçoado nos serviços prestados, destaca os riscos que cães e gatos abandonados oferecem à fauna silvestre das reservas ambientais e anuncia as novas especialidades a serem oferecidas pela unidade de saúde de animais domésticos.

Em 2019, o Hospital Veterinário Público (Hvep), em Taguatinga, atendia 50 animais por dia. Esse número saltou para 100 em março de 2021, e, este ano, a meta é ultrapassar as 150 senhas de consultas diárias. Com um corpo clínico de 73 profissionais, dos quais 41 são médicos-veterinários, o espaço vai ser ampliado para outras cirurgias com profissionais especializados em oftalmologia e oncologia.

Confira, abaixo, mais detalhes nos principais trechos da entrevista.

Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília

Qual a atuação do Hospital Veterinário e quais serviços são oferecidos?

O Hospital Veterinário funciona por meio de uma parceria, um termo de colaboração, e realiza 50 atendimentos por dia. São atendimentos de clínica médica, cirurgias de pequena complexidade e exames laboratoriais. Em 2019, o Governo do Distrito Federal entendeu que essa era uma política pública importante e que deveria ser ampliada. Em março de 2021, conseguimos dobrar a quantidade de atendimentos para 100. Em dezembro do mesmo ano, aumentamos a previsão para 150 senhas diárias, passando a fazer também cirurgias ortopédicas. E esse atendimento se reflete em boas avaliações. Uma das metas com as quais trabalhamos é o índice de satisfação do público. Hoje, temos uma aprovação de mais de 95% da população que faz uso do hospital. Isso, inclusive, é uma das condições para que o parceiro continue prestando o serviço.

O que está sendo planejado para este ano?

“Às vezes o tutor tem uma medicação em casa e não sabe bem como aplicar. É para prestar esse suporte e colher informações da demanda de atendimento naquela região administrativa que funcionam as unidades”

Planejamos um novo hospital com mais atendimentos, ou seja, além dos 150 atuais, pretendemos oferecer de 200 a 220 atendimentos diários. Isso não está fechado ainda, porque depende de uma ampliação da estrutura física do hospital, da construção de um novo edifício que vai abrigar novas salas de atendimento, novos centros cirúrgicos, para justamente dar conta do aumento dessa capacidade. Uma outra novidade são as novas especialidades que hoje a gente entende serem necessárias. A nossa atuação é mais voltada para clínica médica, atendimentos de baixa complexidade. O que pretendemos fazer é expandir o rol dessas especialidades, como oftalmologia e oncologia para tratar animais com câncer. Esse novo termo de colaboração prevê essa implantação ao longo de cinco anos a partir de 1º de dezembro de 2021.

Quando começa essa ampliação física?

A obra começa em breve, com prazo de seis meses, em média, para ser concluída. Então, a gente estima que no segundo semestre, a gente já tenha a capacidade de ampliação estabelecida.

Como funcionam as unidades móveis que começaram a rodar este ano?

Essa é a outra novidade desse novo termo de colaboração. Ela serve para descentralizar o atendimento do hospital e atende casos de baixíssima complexidade. São orientações, consultas de retorno, aplicação de medicamentos. Às vezes o tutor tem uma medicação em casa e não sabe bem como aplicar. É para prestar esse suporte e colher informações da demanda de atendimento naquela região administrativa que funcionam as unidades. Estabelecemos um cronograma mínimo de três meses em cada região administrativa. Iniciamos este mês em Samambaia, e a ação deve ficar por lá até maio testando esses atendimentos. São dez por dia, e não atendemos emergência nem urgência, já que a unidade móvel não está paramentada para isso. Além de prestar esse atendimento, ela vai colhendo essas informações para planejarmos futuramente qual RA terá a uma segunda unidade do Hospital Veterinário.

Como a população faz para ser atendida na unidade móvel?

Fazemos o atendimento espontâneo, que é quando o tutor busca a unidade móvel, e ali o animal passa por uma triagem para saber se aquele procedimento é coberto pela unidade móvel. A triagem começa às 8 horas da manhã, e ali mesmo o cidadão é informado se há vaga disponível para o que ele precisa. É um atendimento eletivo. Se for um caso simples, resolve-se ali mesmo. Se for complexo, já se faz o encaminhamento para a unidade física do Hospital Veterinário, em Taguatinga.

O atendimento no hospital é só por agendamento? Como funciona?

“O programa de castração surgiu a partir da constatação de que a invasão da fauna doméstica nas unidades de conservação representa a terceira maior causa de extinção da fauna silvestre”

Tem duas formas: a primeira é a que a gente inaugurou, também em 2021, a por agendamento pelo Agenda DF. Fazemos uma disponibilização das vagas no sistema que corresponde a 50% dos 150 atendimentos diários. No momento da marcação, há as opções de clínica médica, que é qualquer problema de saúde do animal, ou cirurgia ortopédica, que é quando o animal se acidentou e ficou machucado. A segunda é o atendimento espontâneo que entra a urgência e emergência. O cão que foi submetido a maus-tratos precisa de atendimento imediato – e aí o próprio hospital veterinário faz, porque tem leito de semi-internação. E ali o animal passa por uma triagem para saber se a unidade atende aquele caso ou não. O hospital veterinário funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Ainda não temos internação, e isso é algo que a ampliação vai prover. Temos a semi-internação, em que o animal chega pela manhã e até as 16h precisa deixar o hospital. Dependendo da gravidade, o tutor é orientado a encaminhá-lo a um serviço particular.

Como funciona o programa de castração de animais?

O programa de castração surgiu a partir da constatação de que a invasão da fauna doméstica nas unidades de conservação representa a terceira maior causa de extinção da fauna silvestre. É uma forma de reduzir o número de animais abandonados, de crias indesejadas, de controle de doenças – essa com a função de equilíbrio ecológico. Já houve casos, por exemplo, de lobo- guará ser diagnosticado com toxoplasmose, que é uma doença de cães e gatos. Esse controle de vetores fez com que adotássemos essa política de castração. De janeiro de 2019 a 31 de dezembro de 2021, foram realizadas 22.863 castrações gratuitas de cães e gatos no Distrito Federal – 10.330, só no último ano.

Como é feita a distribuição das vagas para castração?

“A gente sabe que a demanda é muito grande, mas esta gestão tem se esforçado e já provou que é possível fazer investimentos. Eu acho que isso é transformar o Distrito Federal em uma capital de referência de saúde animal”

As vagas acabam muito rápido porque há alta procura. Este ano, especificamente, eu atribuo isso o a dois fatores. O primeiro é que há uma crescente conscientização da população. Há cinco anos, pouco se falava de castração. Nessa política pública de forma permanente, evidenciando os benefícios da castração para o animal de estimação e para o meio ambiente, a gente nota, inclusive por meio das redes sociais, o quanto cresceu a procura por esse assunto. E o segundo: a gente teve uma demanda reprimida em 2020 por causa da pandemia. Em 2021, percebe-se que a procura bateu o recorde de todos os anos; e em 2022, na primeira campanha, a gente lançou 3,2 mil vagas, e em sete minutos cada formulário desses foi preenchido.

Não há custos?

O custo da castração, em si, o tutor não vai ter que arcar. Muitas vezes ele já precisa levar um exame laboratorial – que é o que a gente chama de risco cirúrgico – e exames de sangue. A idade e o gênero influenciam também no valor pago pelo GDF. Determinadas raças de cães não suportam a anestesia intravenosa, então precisa ser uma anestesia especial, que é a inalatória – e o tutor quem custeia. Até 2020 tínhamos só uma clínica contratada para fazer esse serviço. Em 2021, ampliamos para quatro contratos, o que aumentou muito a capacidade operacional. Então, hoje nós temos clínicas em Samambaia, no Gama, em Ceilândia e no Paranoá. Estamos geograficamente bem-distribuídos no Distrito Federal. Temos na nossa página o passo a passo do rito do procedimento de cada uma dessas clínica: quais os exames necessários, o tipo de anestesia, entre outras coisas. A gente sabe que a demanda é muito grande, mas esta gestão tem se esforçado e já provou que é possível fazer investimentos. Eu acho que isso é transformar o Distrito Federal em uma capital de referência de saúde animal. Na campanha de castração, já aumentamos os números de contratos, diversificando as áreas do Distrito Federal e do Hospital Veterinário também. Um problema que enfrentamos é um número muito alto de abstenções de quem faz o cadastro para a cirurgia, mas não comparece na data marcada: 20%. São vagas perdidas que poderiam ser aproveitadas por outras pessoas que não conseguiram.

Algo já foi pensado para mudar essa dinâmica de distribuição das vagas?

Foi pensada uma dinâmica de sorteio semelhante à do CIL [Centro Interescolar de Línguas] em que se abre um prazo maior para o cadastro e se evita o acesso simultâneo de várias pessoas, fazendo com que a plataforma caia. A primeira ideia seria investir em uma ferramenta de sorteio, abrir um prazo maior de cadastro. Por exemplo: abriu um prazo para o cadastro e gerou 100 mil cadastros para 3 mil vagas. Depois o sistema faz esse sorteio automático. Essa seria uma alternativa. Mas aí avaliamos os custos, e estamos pensando para o segundo semestre em não mais lançar campanhas de castração e deixar como um serviço contínuo, mas dentro do Agenda DF. Daí, em vez de em uma mesma campanha a gente lançar 3 mil vagas, a gente vai soltando aos poucos na agenda semanal. Eu vejo que a campanha estimula essa corrida [para conseguir a vaga], e muitas vezes o tutor que a consegue não faz uso dela.

 

‘Temos 20% de abstenções nas cirurgias de castração’

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