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Energia limpa: DF quer suprir demandas futuras sem comprometer recursos naturais

Diversificar a matriz energética do Distrito Federal é fundamental para garantir a qualidade de vida dos brasilienses. Por isso, consolidar a matriz de energia limpa como base do futuro do DF é uma das batalhas elencadas no Plano Estratégico 2019-2060 e é um objetivo que deve ser buscado pelo Executivo até o centenário de Brasília. O Plano Estratégico, elaborado sob a coordenação da Secretaria de Fazenda, Orçamento e Gestão (SEF), aponta que, nas últimas décadas, houve intensificação das pautas relacionadas ao Meio Ambiente, motivadas principalmente pela conscientização da população sobre a importância da preservação ambiental e pela estruturação das políticas públicas para garanti-la. Assim, o Estado deve ser capaz de suprir as demandas da geração atual sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. “Isso pode ser feito por meio da garantia do uso sustentável, da conservação, da proteção e da recuperação dos recursos disponíveis. É necessária a implantação de novos modelos que priorizem o desenvolvimento sustentável e o uso adequado da energia produzida”, ressalta a secretária-adjunta de Planejamento da SEF, Adriana Lorentino. Hoje, praticamente toda a eletricidade consumida em Brasília não é gerada no Distrito Federal.  A matriz energética do DF é amplamente representada pela energia de origem hidrelétrica, sendo que cerca de 80% é proveniente de Furnas e 20% de Itaipu, o que representa uma dependência do Sistema Interligado Nacional (SIN). “No contexto em que tendências apontam para o aumento do consumo de energia, configuram-se enquanto desafios para o Distrito Federal a diversificação da matriz energética, com aumento da participação de energias renováveis como biomassa e energia fotovoltaica (solar), juntamente com o aumento da eficiência e a redução de perdas dos sistemas”, pontua. “Também é preciso reduzir a pressão pelo aumento da oferta de energia de origem hidrelétrica”, ressalta. A partir de 2014 observa-se redução do consumo per capita de energia elétrica, acentuada nos anos da crise hídrica (2016 e 2017) (veja gráficos abaixo). Além da redução no consumo, houve redução na produção de energia elétrica, saindo de uma geração de 81 GWh, em 2016, para 60 GWh, em 2017. Enquanto a energia gerada por hidroelétricas caiu, no entanto, a geração de energia solar cresceu, apesar de ainda representar um percentual pequeno do total. Arte: Édipo Torres/Agência Brasília Arte: Édipo Torres/Agência Brasília   Segundo um estudo da WWF Brasil feito em 2016 sobre o potencial da energia solar fotovoltaica de Brasília, a capital federal possui diversas razões para ser a impulsionadora da energia solar no país. Brasília está no coração do Brasil, tem um período seco que dura quase seis meses do ano e é beneficiada quanto aos índices de irradiação solar – o recurso solar do Centro-Oeste é equivalente ao encontrado na região Nordeste e uma das melhores irradiações da região se encontra no Distrito Federal. Assim, segundo o estudo, basta instalar placas fotovoltaicas em 0,41% da área do DF para gerar, com energia solar, toda a eletricidade consumida na região. Os primeiros passos são dados aos poucos. Desde 2017, a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) usa energia solar durante o dia e só liga a energia fornecida pela Companhia Energética de Brasília (CEB) à noite. A unidade de Brasília é a 1ª AABB do Brasil e o 1º clube da cidade a implementar uma usina solar fotovoltaica. Instalados no telhado da sede social do clube, 1.468 painéis formam o sistema de captação de energia solar com a função de transformar a energia do sol em energia elétrica limpa, gerando uma corrente contínua proporcional à irradiação solar recebida. Prédio da UnB: atenção à energia limpa – Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília A Universidade de Brasília (UnB) também tem um projeto para ampliar a matriz energética da instituição. Os campi de Planaltina e de Ceilândia já têm usinas de energia fotovoltaica em funcionamento, as placas solares estão sendo instaladas no campus do Gama e uma usina também será feita no campus Darcy Ribeiro (na Asa Norte) até o fim do ano. Na Ceilândia, o sistema de geração de energia solar é composto por 134 placas, tem cerca de 300 m² e capacidade de gerar 44 KWp (quilowatts-pico) por mês. Isso corresponde a uma economia mensal média de R$ 4,7 mil, aproximadamente 6% da conta de energia do local. Em Planaltina, a usina solar fotovoltaica, com capacidade de gerar a mesma quantidade de energia, representa uma economia de cerca de 12% da fatura de energia, em média. [Olho texto=”É uma solução onde todo mundo ganha. O Brasil precisa de energia para crescer” assinatura=”Rafael Amaral Shayani, professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UnB” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Com uma conta de luz de cerca de R$ 1 milhão por mês, a usina do campus Darcy Ribeiro será três vezes maior, com capacidade de gerar 150 kWp por mês. As placas serão instaladas na Faculdade de Tecnologia. “Estudos do Ministério de Minas e Energia preveem que, até 2050, o Brasil precisa triplicar a oferta de energia para receber novas indústrias, gerar mais empregos e ter crescimento econômico”, diz o professor Rafael Amaral Shayani, do Departamento de Engenharia Elétrica da UnB. “Os países desenvolvidos queimam carvão, o que emite muitos gases de efeito estufa e é uma solução ambientalmente indesejável.  O Brasil cresceu com hidroelétricas, que é uma fonte de energia limpa, mas alaga florestas. Para triplicar a oferta de energia a gente não pode alagar a Amazônia. A energia solar surge como uma ótima opção. É um processo eletrônico. O painel solar gera eletricidade sem emitir fumaça, nenhum gás do efeito estufa e sem fazer barulho”, ressalta. Gera DF O DF é o quarto produtor de energia solar no Brasil, perde para Uberlândia e Várzea de Palma, ambas em Minas Gerais, e o Rio de Janeiro. Segundo a CEB, a excelente irradiação solar aliada ao alto poder aquisitivo da população contribui para o grande potencial para a energia solar no DF, que tem 1.134 unidades consumidoras conectadas à rede de energia do DF, a maioria delas (cerca de 950) unidades residenciais, que geram energia para consumo próprio. A potência instalada nessas unidades é de 20.686 kWp, o suficiente para abastecer toda a população de Brazlândia no período da tarde. O DF tem cinco grandes usinas de energia fotovoltaica instaladas e duas cuja fonte de geração de energia é o biogás. A maior de energia solar está instalada em Ceilândia e alimentará a subestação da CEB na região. Usina da Ceilândia, em PPP – Foto: Renato Alves/Agência Brasília O empreendimento é uma parceria público privada (PPP) do Executivo com a RZK Energia e a Claro. A energia gerada no local e usada na subestação será descontada do que for consumido pela companhia telefônica. Na área, estão instalados 18 mil módulos fotovoltaicos. Segundo o presidente da CEB, Edison Garcia, outros 13 projetos para a instalação de usinas desse tipo estão em análise pela companhia que também estuda a criação de um programa para incentivar a geração de energia fotovoltaica no DF, que será chamado de Gera DF. “Estamos estudando e vamos definir áreas no DF perto das nossas redes de transmissão e das subestações que poderão ser oferecidas a projetos empresariais. Cada usina de geração distribuída precisa de cinco ou seis hectares para ter uma quantidade de placas suficiente para gerar até cinco mega”, explica. Segundo ele, cinco mega é o quantitativo máximo para uma usina ser uma geração distribuída, um sistema onde não é preciso vender a energia. “Todo mundo que gerar acima de cinco mega precisa vender a energia em leilão”, enfatiza. Edison Garcia, presidente da CEB: energia vinda do lixo – Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília A CEB tem outros programas para incentivar a diversificação da matriz energética do DF. “Estamos apoiando tecnicamente a Secretaria do Meio Ambiente, temos estudos para a geração de energia através do lixo e com podas de árvores feitas pela Novacap. Já fizemos um levantamento para usar toda a sobra das podas feitas em Brasília, galhos e pedaços da árvore, na geração de energia, com a queima que se faz numa termoelétrica. Já fizemos uma análise de que com todo o estoque anual da Novacap conseguimos gerar cinco megas, o suficiente para abastecer Samambaia toda”, afirma o presidente Edison. Óleo de cozinha Segundo o Plano Estratégico, a meta até 2060 é aumentar em 25% a geração de fontes de energia renovável. Para isso, prevê, entre outras ações, o fomento ao programa de coleta e transformação do óleo de cozinha em biodiesel, o Projeto Biguá da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb). [Numeralha titulo_grande=”25%” texto=”é a meta de aumento de geração de fontes de energia renovável até 2060″ esquerda_direita_centro=”esquerda”] Desde 2018, a companhia em parceria com a Embrapa Agroenergia, convida a população a realizar a Coleta Seletiva de Esgoto, separando e armazenando o óleo de cozinha usado em sua casa ou estabelecimento e mantém 31 pontos de coleta de resíduos de fritura (veja a localização dos Pontos de Entrega Voluntária aqui.) Jogados na natureza ou na rede de esgoto, os rejeitos do óleo de cozinha usado em residências e no comércio são uma ameaça ao meio ambiente, à saúde pública e à infraestrutura urbana. O Projeto Biguá coleta de óleo de fritura que, futuramente, será reutilizado na usina de biodiesel do DF, que já está construída. A ideia é transformar o material em biodiesel que vai abastecer a frota de veículos da Caesb e de suas parceiras. Poderá também ser usado nos geradores responsáveis pelo tratamento de esgoto da capital. Projeto Biguá, com óleo de fritura – Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília O descarte inapropriado do resíduo pode representar danos ambientais significativos, com potencial poluidor elevado relacionado aos ambientes hídricos. Um litro de óleo é capaz de poluir 200 litros de água. O descarte do óleo sobre o solo é igualmente danoso, em especial pela impermeabilização do solo e pela contaminação do lençol freático. Energia renovável O GDF também deve elaborar projetos para exploração e geração de energia renovável (fotovoltaica, biogás e biomassa) em parceria com a iniciativa privada e o governo federal, construir uma usina geradora de energia fotovoltaica com capacidade instalada de 5 MW no Complexo Administrativo Operacional (CAO) do Metrô. Também deve criar a Central Geradora Hidrelétrica de 367 KW nas ETE Samambaia e Melchior, implantar o aproveitamento energético do biogás nas ETE Brasília Sul, Brasília Norte, Gama, Melchior e Samambaia e pontos de energia fotovoltaica no Zoológico, bem como a implementação de programa de incentivo ao uso de energias renováveis no espaço rural. “As tendências de aumento do consumo, juntamente com a mudanças no fluxo das chuvas, têm reduzido o nível dos reservatórios, reforçando a necessidade de diversificação da matriz energética”, destaca Adriana Lorentino, secretária-adjunta de Planejamento da SEF. [Olho texto=”É preciso criar estruturas que possibilitem o uso da vocação natural da região para a geração de energias renováveis” assinatura=”Adriana Laurentino, secretária-adjunta de Planejamento da Secretaria de Fazenda” esquerda_direita_centro=”direita”] Também serão implantados novos empreendimentos no sistema de distribuição de energia, de modo a reduzir em 25% as perdas totais do sistema elétrico do Distrito Federal. O Plano Estratégico também está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). A Agenda 2030 estabeleceu o ODS 7, salientando a necessidade de assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todas e todos. Sob esse contexto, pontuou como meta a expansão da infraestrutura e a modernização da tecnologia para o fornecimento de serviços de energia modernos e sustentáveis para todos, bem como o aumento da participação de energias renováveis na matriz energética global.

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Instituto de Saúde Mental receberá melhorias

“Viemos para identificar as necessidades e definir o que podemos fazer de imediato para melhorar as condições de atendimento desses pacientes”, destacou o secretário de Saúde, Osnei Okumoto | Foto: Divulgação / Saúde-DF Um lugar amplo e arborizado abriga o Instituto de Saúde Mental (ISM), onde se encontram o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do Riacho Fundo, um ambulatório e a Casa de Passagem. Este local foi visitado pelo secretário de Saúde, Osnei Okumoto, nesta sexta-feira (16), ao lado da secretária-adjunta de Assistência à Saúde, Renata Rainha, e representantes da área de infraestrutura da pasta. Na ocasião foram discutidas as reformas e revitalizações de que o espaço necessita. Os gestores locais apresentaram ao secretário os trabalhos realizados pelos pacientes da oficina do Caco Terapêutico, que ficam expostos no ISM. Também foi visitado o borboletário de papel, onde Okumoto deixou a sua mensagem representando o seu sentimento do dia. Outro lugar visitado foi a Querência dos Maragatos, que, em formato de galpão, abriga atividades em grupo como yoga e outras práticas integrativas.  “Viemos para identificar as necessidades e definir o que podemos fazer de imediato para melhorar as condições de atendimento desses pacientes. Estas obras serão realizadas no conjunto de ações que a pasta está fazendo neste segundo semestre para melhor a infraestrutura dos prédios da saúde, que encontramos sucateados no início do ano”, frisou Okumoto. Cerca de 1,8 mil atendimentos são realizados por mês pelos diferentes serviços oferecidos no ISM. Os pacientes são oriundos das regiões administrativas do Riacho Fundo I e II, Núcleo Bandeirante, Guará e Candangolândia, Estrutural, Park Way e Sia. Nas dependências do instituto também está a Casa de Passagem, que abriga pacientes com distúrbios mentais durante o tratamento. Atualmente são 36 homens e mulheres divididos em duas casas, de acordo com o gênero. “Essas construções carecem de revitalização e adequação de alguns ambientes para proporcionarmos maior conforto aos nossos pacientes”, frisou a superintendente da Região de Saúde Centro Sul, Moema Campos. O Instituto de Saúde Mental faz parte da Rede de Atenção Psicossocial do DF e tem atendimento feito por equipes multiprofissionais desde sua fundação, em 1987. A área foi doada pelo então presidente da República à Secretaria de Saúde do Distrito Federal. O local foi uma das primeiras unidades brasileiras a atender usuários no novo modelo de atenção à saúde mental, preconizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).   * Da Agência Saúde.

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