Setembro é um mês especial para quem vive no Cerrado. Além de a data de 11 de setembro ser o dia dedicado a este bioma, também é nesse período que, mesmo depois de meses de seca, começam a surgir sinais de transformação. Entre flores, frutos e novas cores na paisagem, a vegetação mostra a capacidade de adaptação e dessa forma, vem reforçar a importância de preservar um dos biomas mais biodiversos do planeta.
Em Brasília, um dos lugares onde essa diversidade é observada de perto é no Jardim Botânico de Brasília (JBB). Localizado no Lago Sul, o JBB reúne áreas destinadas à visitação pública e à conservação da biodiversidade, além de desenvolver atividades de pesquisa científica e educação ambiental.
A área de visitação permite ao público conhecer diferentes fitofisionomias do bioma, percorrer trilhas e visitar espaços que não apenas trazem beleza mas também contam histórias. Entre os locais que fazem parte do roteiro de visitação estão o Jardim Sensorial, Jardim Japonês, Jardim Evolutivo, Jardim de Contemplação, Alameda das Nações, Espaço Ciência e as diferentes trilhas interpretativas. A escolha do roteiro pode variar de acordo com o objetivo e o perfil de cada grupo.
Um Cerrado que muda ao longo do ano
Quem visita o JBB em setembro pode encontrar espécies características do Cerrado em diferentes fases de floração e frutificação. É nesse período que árvores e plantas nativas ganham ainda mais destaque na paisagem, chamando a atenção de quem percorre as trilhas e jardins. Entre elas estão o cajuzinho-do-cerrado, a cagaita, a mangaba, os ipês, o pequi, o jatobá e a sucupira, além de muitas outras espécies que revelam, ao longo do ano, as diferentes transformações da vegetação do bioma.
Além de acrescentar cores e frutos ao cenário, a floração e a frutificação cumprem funções importantes para o próprio funcionamento do Cerrado. Flores atraem polinizadores, enquanto frutos e sementes servem de alimento para diferentes animais e ajudam na dispersão das espécies. É uma dinâmica que muitas vezes passa despercebida para quem observa a vegetação apenas como paisagem.
Onde o Cerrado vira conhecimento
Parte importante do trabalho de conservação do Cerrado acontece longe das trilhas e dos jardins abertos à visitação. No JBB, o Herbário Ezechias Paulo Heringer (HEPH) mantém uma coleção científica dedicada ao registro e à conservação da flora do bioma. Hoje, o HEPH reúne 38.824 exsicatas, que correspondem a exemplares de plantas coletadas, preparadas e preservadas para estudos científicos. A coleção reúne 7.111 espécies pertencentes a 280 famílias botânicas, formando um importante registro da diversidade vegetal do Cerrado.
Neste ano, o HEPH concluiu a instalação de novos armários deslizantes para o armazenamento das coleções. A mudança ampliou a capacidade do acervo de aproximadamente 38 mil para até 52 mil amostras, garantindo espaço para o crescimento da coleção nas próximas décadas.