12/09/2026 às 14h42 - Atualizado em 12/09/2026 às 14h42

Entenda como funciona o Hospital de Base, um gigante da saúde pública do DF

Há 66 anos, o hospital concentra serviços especializados e atende pacientes encaminhados de diferentes regiões do DF e do país

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Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

Há unidades de saúde para onde o paciente vai quando precisa de atendimento. E há aquelas para onde ele é encaminhado quando o caso exige estrutura, equipes especializadas e recursos de alta complexidade. Há 66 anos, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) ocupa esse papel na rede pública de saúde.

Inaugurado em 12 de setembro de 1960, o hospital é referência do Sistema Único de Saúde (SUS) e recebe pacientes encaminhados de diferentes regiões do Distrito Federal e de outros estados. Na unidade, são realizados desde atendimentos de urgência e consultas ambulatoriais até cirurgias complexas, transplantes, tratamentos oncológicos e cuidados intensivos.

O Hospital de Base faz atendimentos desde casos de urgência e consultas ambulatoriais até cirurgias complexas, transplantes, tratamentos oncológicos e cuidados intensivos | Fotos: Divulgação

Cerca de 1,7 mil pessoas circulam diariamente pelo Hospital de Base. Com 5.455 colaboradores, 789 leitos e mais de 40 especialidades, a unidade reúne pronto-socorro, ambulatório, unidades de internação e de terapia intensiva, centro cirúrgico, serviços de diagnóstico e tratamento e assistência multiprofissional. 

O que é atendido no Hospital de Base

Uma das características do HBDF é a diversidade de serviços oferecidos. Isso, no entanto, não significa que qualquer pessoa com um problema de saúde deva procurar diretamente a unidade.

No ambulatório, consultas e procedimentos são agendados conforme os fluxos de regulação. Atualmente, o setor dispõe de 122 salas assistenciais, distribuídas em 28 especialidades médicas e não médicas, com capacidade operacional de aproximadamente 1,6 mil agendamentos por dia.

Entre as especialidades estão cardiologia, cirurgia cardiovascular, cirurgia oncológica, neurocirurgia, neurologia, oncologia, ortopedia, nefrologia, hematologia, oftalmologia, pneumologia, urologia, gastroenterologia, endocrinologia, infectologia, mastologia, psiquiatria e reumatologia, entre outras. Também fazem parte da assistência ambulatorial serviços de enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, psicologia, serviço social e terapia ocupacional.

O Hospital de Base recebe situações de maior gravidade, especialmente nas áreas de trauma, cardiologia, neurologia, neurocirurgia, oftalmologia, cirurgia vascular, otorrinolaringologia e oncologia

 
No pronto-socorro, o perfil de atendimento é diferente. O Hospital de Base recebe situações de maior gravidade, especialmente nas áreas de trauma, cardiologia, neurologia, neurocirurgia, oftalmologia, cirurgia vascular, otorrinolaringologia e oncologia, além de pacientes com complicações relacionadas a tratamentos de quimioterapia e radioterapia. O setor conta com 115 leitos e recursos especializados para atender quem necessita de cuidados compatíveis com o perfil assistencial do hospital.

Quando a urgência exige alta complexidade

Parte desses pacientes chega encaminhada por outras unidades da rede. Por isso, quem precisa de atendimento médico de menor complexidade deve procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS), uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou o hospital regional, de acordo com a situação.
Para o diretor de Atenção à Saúde do instituto que administra o hospital, Edson Gonçalves, a definição do local de atendimento é importante para garantir que cada paciente seja direcionado à unidade mais adequada às suas necessidades.

"O Hospital de Base tem um papel muito específico dentro da rede pública: receber e cuidar de pacientes que precisam de atendimento de maior complexidade"

Edson Gonçalves, diretor de Atenção à Saúde

“O Hospital de Base tem um papel muito específico dentro da rede pública: receber e cuidar de pacientes que precisam de atendimento de maior complexidade. São pessoas que necessitam de equipes especializadas, exames, procedimentos ou tratamentos que exigem uma estrutura hospitalar preparada para casos mais graves. Por isso, o paciente não precisa escolher o Base por conta própria. Na maioria das situações, ele chega ao hospital encaminhado pela própria rede de saúde, de acordo com a necessidade de cada caso”, explica.

O funcionamento em rede permite que os hospitais e demais unidades do SUS atuem de forma complementar. Enquanto outros pontos de atenção recebem casos que podem ser resolvidos nesses níveis, o HBDF concentra recursos e equipes preparados para situações de maior gravidade.

Entre os atendimentos estão politraumas, emergências cardiovasculares, neurocirurgia, cirurgia cardiovascular, assistência onco-hematológica e transplantes.

A unidade dispõe ainda de serviços como hemodinâmica, medicina nuclear, radioterapia, quimioterapia, endoscopia digestiva e respiratória, anatomia patológica, laboratório clínico, diagnóstico por imagem, métodos gráficos e eletrofisiologia.

Essa concentração permite que o paciente tenha acesso, dentro do próprio hospital, a diferentes etapas da investigação e do tratamento.

Um hospital que recebe pacientes de todo o país

A complexidade dos serviços faz com que o Hospital de Base receba pacientes de diferentes localidades. A unidade é referência não apenas para moradores do Distrito Federal, mas também para pessoas encaminhadas de outros estados em busca de tratamentos que não estão disponíveis em todos os hospitais públicos.

Maria de Fátima Ramos Pereira veio de Caldas Novas (GO) e enconttou no Hospital de Base tratamento para pé torto congênito

Esse é o caso de Maria de Fátima Ramos Pereira, de 25 anos, moradora de Caldas Novas (GO). Desde criança, ela convivia com as dificuldades causadas pelo pé torto congênito e nunca teve acesso ao cuidado necessário. Vinda de uma família humilde, Maria de Fátima não teve condições de corrigir a condição na infância. Foi no Hospital de Base que ela conseguiu caminhar com os pés alinhados pela primeira vez.

“Eu nunca consegui usar um sapato comum e passei por muitos traumas. Cheguei a me preparar para uma cirurgia, mas ela não aconteceu porque o médico da época considerou o método muito invasivo”, relembra.

Maria de Fátima conheceu o trabalho desenvolvido pelo ortopedista do HBDF, Davi Haje, por meio de uma reportagem exibida no programa Fantástico, que mostrava os resultados da técnica utilizada no hospital. Em 2026, ela realizou o procedimento na unidade. Segundo o médico, o pé torto congênito é uma alteração em que o pé fica voltado para dentro e, quando não tratada, pode levar o paciente a apoiar o peso do corpo sobre o dorso do pé.

“É uma condição de origem multifatorial, com importante componente genético, que afeta cerca de um a cada mil nascimentos. Muitos desses pacientes nunca receberam tratamento e passam a vida sem conseguir usar um calçado convencional”, explica Haje.

Hoje, Maria de Fátima já consegue calçar um sapato fechado e caminhar com os pés alinhados. Um gesto simples para a maioria das pessoas, mas carregado de significado para quem conviveu durante anos com limitações. “Para outras pessoas pode parecer algo pequeno, mas, para nós, é uma conquista enorme”, celebra a paciente.

O Hospital de Base é referência no atendimento de adultos com pé torto congênito. Ao adaptar para esse público uma técnica já consolidada no tratamento infantil, a unidade ampliou as possibilidades de reabilitação e passou a receber pacientes de diferentes regiões do país em busca desse cuidado especializado.
 
Um gigante por dentro

O HBDF tem 789 leitos entre pronto-socorro, internação, terapia intensiva e psiquiatria

Os 789 leitos do Hospital de Base estão distribuídos entre pronto-socorro, internação, terapia intensiva e psiquiatria. Nas unidades de internação estão pacientes de áreas como ortopedia e bucomaxilofacial, neurocirurgia, cardiologia e cirurgia cardíaca, cirurgia geral, cirurgia oncológica, neurologia, hematologia, nefrologia, transplante, oncologia, pneumologia, urologia, infectologia, gastroenterologia e reumatologia.

A terapia intensiva reúne 86 leitos, distribuídos entre UTIs geral, coronariana, de trauma, cirúrgica, pediátrica e neurocirúrgica, além das estruturas de centro de trauma e neurocárdio.

O cuidado também envolve diferentes categorias profissionais. Enfermagem, farmácia clínica, nutrição, psicologia, fisioterapia, serviço social, fonoaudiologia e terapia ocupacional, entre outras áreas, participam do acompanhamento dos pacientes.

122

Número de programas de residência médica mantidos no HBDF

O Hospital de Base também é cenário de ensino, pesquisa e formação profissional, com 122 programas de residência médica e multiprofissional. A unidade conta, ainda, com centro de simulação realística, salas de estudo e biblioteca.

Inaugurado poucos meses depois de Brasília, o Hospital de Base passou a fazer parte da história da capital e da própria estruturação da rede pública de saúde do Distrito Federal.

Ao completar 66 anos, mantém uma característica que acompanha sua trajetória: concentrar assistência especializada, tecnologia e diferentes equipes para atender pacientes que necessitam de cuidados de maior complexidade.

Consultas e procedimentos ambulatoriais

O atendimento ambulatorial é realizado mediante agendamento. Na maioria dos casos, o paciente deve procurar inicialmente uma UBS para avaliação e, quando houver indicação de atendimento especializado, é encaminhado via Sistema Nacional de Regulação (Sisreg).

O ambulatório também recebe consultas de retorno e pacientes egressos da emergência ou da internação. Alguns serviços possuem fluxo próprio de agendamento, como determinadas demandas da oncologia, da urologia e para vacinação, conforme critérios e protocolos institucionais.

Horário de funcionamento

  • Atendimento ambulatorial: das 6h às 12h e das 13h às 18h;
  • Quimioterapia e radioterapia: até as 22h;
  • Radiologia, laboratório, hemodinâmica, endoscopia respiratória e endoscopia digestiva: 24 horas.

O Hospital de Base adota atendimento com hora marcada, check-in e fluxos definidos para entrada e saída dos pacientes, contribuindo para a organização do atendimento e a redução de filas e do tempo de permanência na unidade.