
Grupo foi finalista do Desafio Criativos da Escola 2019, que contou com mais de 1,4 mil participantes em todo o país | Fotos: Acácio Pinheiro/Agência Brasília
“Muitos querem falar, nós queremos ouvir”. É com esse lema que alunos, ex-alunos e educadores do Centro de Ensino Médio Escola Industrial de Taguatinga (Cemeit) oferecem ajuda a quem precisa. Há um ano, esse suporte oferecido à comunidade escolar nasceu com a criação do Grupo de Enfrentamento à Depressão e ao Suicídio (Geds). O trabalho, em destaque durante o Setembro Amarelo, trata de forma perene temas tão sensíveis.
Assim, o mês nono mês do calendário será recheado de eventos e palestras para os participantes do Geds. A fala acolhedora e as experiências vividas pelos jovens de 17 a 19 anos participantes do grupo vão passar por escolas públicas do DF e entorno, pelas câmaras federal e distrital e até em Cavalcante (GO), em evento organizado por meio de parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV).
A extensa agenda fora do colégio de Taguatinga é uma forma de reconhecimento desse trabalho voluntário, assim como o grupo ter alcançado – entre 1.443 participantes – a final do Desafio Criativos da Escola, uma iniciativa do Instituto Alana, organização da sociedade civil sem fins lucrativos.
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O trabalho
Semanalmente, os jovens se reúnem em uma sala da Escola Industrial de Taguatinga. Auxiliados por uma psicóloga e educadora parental, eles amparam colegas que queiram compartilhar sentimentos e impressões do mundo. Promovem também palestras, espetáculos teatrais, rodas de conversa e ações externas.
Os apelos e mensagens dos jovens ocorrem também pelo Espaço do Desabafo, um mural onde são depositados textos dos estudantes. O incentivo vem de forma parecida, em outra parede da escola onde são coladas mensagens confortantes para esses jovens. Contatos pelas redes sociais junto ao Geds também são recebidas.
“Nós começamos o projeto com a ideia de levar afeto, dar suporte aos alunos e conseguir ajudá-los de alguma forma. Embora com toda a dor, temos coisas boas para poder continuar acreditando”, destaca Caroline Miranda, aluna do terceiro ano e participante do projeto.
Esse espaço dedicado a ouvir o próximo e conversar olhando nos olhos, o Geds, fez com que Helen Karoline, ex-aluna do Cemeit, continuasse frequentando a escola mesmo depois de formada. “Vivemos numa sociedade como um baile de máscaras, onde as pessoas saem de casa com máscaras sorrindo, mas, às vezes, por trás dela há uma pessoa chorando, passando por problemas. O que a gente precisa é dizer a elas que estamos aqui para dar suporte, que a família dela ama ela e que estamos dispostos a ajudar”, relata Helen.
Como o trabalho é voluntário, há necessidade de levantar recursos para eventuais traslados das palestras, lanches e materiais de divulgação. Psicólogos, psiquiatras e outros profissionais interessados em somar ao time do Geds também são bem-vindos. Quem quiser ajudar, basta entrar em contato por e-mail pelo endereço coordenacaocemeit@gmail.com.
“Enquanto escola, é uma alegria ter um projeto como esse, que quer combater e enfrentar [o suicídio e a depressão] e acolher nossos estudantes, servidores e comunidades para dizer que a vida vale a pena”, acrescenta o supervisor da escola e um dos coordenadores do projeto, Gabriel Rodrigues.
Nascimento do grupo
O grupo surgiu durante um simpósio promovido pela escola, em setembro de 2018, com a temática “Educação e Afetividade”. Enquanto conversavam sobre esses assuntos, professores e alunos tomaram conhecimento de que uma jovem, nos arredores da escola, decidiu não continuar a viver. Foi então que educadores decidiram reunir os representantes das turmas e levar o tema para dentro do colégio.