15/07/2026 às 14h10 - Atualizado em 26/10/2026 às 00h00

Oficina sobre Pancs resgata saberes e cria oportunidades de renda no campo

Oficina realizada pela Emater-DF ensina agricultores a reconhecer e cultivar espécies com potencial comercial e ampliar a diversidade de alimentos oferecidos aos consumidores

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Agência Brasília* | Edição: Paulo Soares

Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada.
 

Aquilo que muita gente arranca da terra e joga fora pode ser alimento, fonte de renda e parte de um conhecimento transmitido por gerações. Essa mudança de olhar sobre as chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) foi o tema de uma oficina promovida para 20 participantes do Assentamento 15 de Agosto e do Acampamento Marielle Franco, em São Sebastião.

Ministrada pelo engenheiro-agrônomo e extensionista rural da Emater-DF Daniel Oliveira, a atividade ensinou a identificar plantas comestíveis, conhecer formas de cultivo e de preparo para consumo e discutiu estratégias para apresentar esses alimentos aos consumidores e inserí-los no mercado. Muitas Pancs são plantas espontâneas e adaptadas às condições locais. Apesar de seu potencial alimentar, acabam frequentemente eliminadas durante a capina por serem consideradas apenas “mato”. A oficina mostrou aos participantes que reconhecer essas espécies e conhecer suas características pode contribuir para diversificar a alimentação e também abrir novas oportunidades para a agricultura familiar.

Para Daniel Oliveira, “um dos desafios é justamente despertar agricultores e consumidores para o valor de alimentos que muitas vezes estão presentes no próprio território, mas permanecem desconhecidos ou subaproveitados”. Um dos exemplos apresentados foi a beldroega (Portulaca oleracea), planta que cresce espontaneamente em muitas propriedades rurais e é conhecida por suas propriedades nutricionais. Daniel relatou que, no Sítio Guarujá, em Brazlândia, em vez de eliminá-la, os produtores chegaram a aproveitar a planta e comercializá-la, inclusive para o preparo de sucos verdes. “A procura surpreendeu e, em determinada feira, a propriedade chegou a vender mais os 'matos' do canteiro de morango do que o próprio morango”, disse.

A oficina também foi marcada pela troca de experiências entre os participantes | Foto: Divulgação/Emater-DF

Outro alimento abordado durante a capacitação foi o cará-moela (Dioscorea bulbifera). Com maior quantidade de sólidos em comparação à batata inglesa, ela fica mais sequinha depois de preparada e pode ser incorporada a receitas já conhecidas pelos consumidores. O produto também demonstra o potencial econômico desse mercado: uma caixa de cará-moela pode ser comercializada por cerca de R$ 80.

Comercialização

A proposta da capacitação também foi promover uma discussão sobre o cultivo de espécies com potencial comercial e, posteriormente, articular espaços para sua oferta, como feiras e organizações de controle social (OCSs), aproximando produtores e consumidores.

“A venda direta tem papel importante nesse processo. Nas feiras, por exemplo, o agricultor pode explicar o que é uma planta ainda pouco conhecida, apresentar suas características, compartilhar receitas e ensinar formas de preparo. Essa troca ajuda a despertar o interesse do consumidor, que às vezes já tem uma memória afetiva em relação a algumas plantas e a construir mercado para novos produtos”, explica Daniel.

Conhecimento que chega às comunidades

A oficina também foi marcada pela troca de experiências entre os participantes. Representantes das comunidades compartilharam conhecimentos sobre plantas, formas de cultivo e receitas que, em muitos casos, remetem à infância e aos saberes transmitidos pelos pais e avós. A produtora Elza Rodrigues diz que o conhecimento sobre essas plantas já contribuiu muito para garantir a segurança alimentar de sua família. “Para nós, as Pancs nunca foram mato ou sinal de falta de alimento. Significava abundância e acho importante que elas não caiam no esquecimento e que as pessoas aprofundem seus conhecimentos sobre elas”, conta Elza.

Além do conhecimento adquirido durante a atividade, os participantes levaram mudas de Pancs obtidas em parceria com a Embrapa Hortaliças. A proposta é que essas plantas sejam cultivadas nos assentamentos e que os representantes das comunidades atuem como multiplicadores do conhecimento e guardiões dessas espécies.

Como participar de oficinas da Emater-DF

Comunidades e grupos de produtores que tenham interesse em aprender mais sobre Pancs podem contatar o escritório da Emater-DF mais próximo de sua propriedade.

Veja aqui os contatos da Emater-DF

 

*Com informações da Emater-DF