02/11/2026 às 17h41 - Atualizado em 02/11/2026 às 17h41

Parto normal ou cesárea? Entenda quando cada um é indicado e quais são os riscos

Especialista do Hospital de Santa Maria esclarece dúvidas sobre as formas de nascimento e reforça que a decisão deve priorizar a segurança da mãe e do bebê

Por

Agência Brasília* | Edição: José Renato Garcia

A expectativa pela chegada de um bebê costuma vir acompanhada de uma pergunta comum entre as gestantes: afinal, parto normal ou cesariana? A resposta não é única. A definição depende das condições de saúde da mãe e do bebê, do andamento da gestação e, principalmente, da avaliação médica no momento do nascimento.

No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), referência na assistência obstétrica a gestantes de alto risco, esse cuidado começa muito antes do parto. O pré-natal é fundamental para monitorar a saúde materna e fetal, identificar possíveis intercorrências e avaliar, com segurança, a via de nascimento mais adequada.

Quem conhece de perto a importância desse acompanhamento é Fernanda Vieira, grávida do quarto filho. Com 34 semanas de gestação, ela é acompanhada como gestante de alto risco por apresentar obesidade, diabetes e hipertensão crônica.

“Nas minhas outras três gestações não tive nenhuma complicação. Desta vez, percebo ainda mais como o acompanhamento médico foi importante para identificar as condições que exigem mais cuidados. Nunca deixei de comparecer às consultas e isso me traz tranquilidade”, relata.

“Nas minhas outras três gestações não tive nenhuma complicação. Desta vez, percebo ainda mais como o acompanhamento médico foi importante para identificar as condições que exigem mais cuidados" | Fernanda Vieira, grávida do quarto filho: Foto: Divulgação/IgesDF

Segundo a ginecologista e obstetra Rafaella Torres, do HRSM, não existe uma fórmula pronta para determinar como cada bebê deve nascer. A decisão é individualizada e considera diferentes fatores observados ao longo da gestação e durante o trabalho de parto.

“A escolha é individualizada e leva em consideração diversos fatores, como hipertensão, diabetes, localização da placenta, idade gestacional, desenvolvimento fetal, gravidez gemelar e a progressão do trabalho de parto. Os desejos da futura mãe também são considerados, desde que não haja contraindicações”, explica.

Quando cada via de parto é indicada

“A cesariana é uma cirurgia de grande porte e salva inúmeras vidas quando corretamente indicada. O problema ocorre quando ela é realizada sem necessidade clínica, pois isso aumenta o risco"

Rafaella Torres, ginecologista e obstetra do HRSM

Para mulheres sem complicações ou contraindicações, o parto vaginal é, em geral, a via de nascimento recomendada. Entre os benefícios estão a recuperação mais rápida e a redução dos riscos de infecção, sangramento e complicações em futuras gestações.

A cesariana, por sua vez, tem papel fundamental quando existem condições que tornam o parto vaginal mais arriscado para a mãe ou para o bebê. Entre as principais indicações estão placenta prévia, quando a placenta se posiciona à frente do canal de parto; ruptura uterina; doenças maternas graves; sofrimento fetal persistente; prolapso do cordão umbilical, situação em que o cordão desce pelo canal de parto antes do bebê; e determinadas posições fetais que podem dificultar ou impedir o nascimento por via vaginal.

O procedimento também pode ser necessário quando o trabalho de parto não evolui adequadamente ou surgem sinais de comprometimento fetal.

“A cesariana é uma cirurgia de grande porte e salva inúmeras vidas quando corretamente indicada. O problema ocorre quando ela é realizada sem necessidade clínica, pois isso aumenta o risco de hemorragias, infecções, tromboses e complicações em futuras gestações”, alerta Rafaella.

Pré-natal de alto risco

O ambulatório do HRSM, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), recebe diariamente dezenas de mulheres encaminhadas para acompanhamento de pré-natal de alto risco.

A porta de entrada para o serviço são as unidades básicas de saúde (UBSs), responsáveis pelas avaliações iniciais e pelos encaminhamentos para consultas e exames específicos. Após essa etapa, as solicitações são inseridas no Sistema de Regulação (Sisreg), da Secretaria de Saúde (SES-DF).

Além dos atendimentos agendados, o pronto-socorro do Centro Obstétrico (CO) oferece assistência ginecológica em situações de urgência.

Enquanto aguarda a chegada do quarto filho, Fernanda reforça a importância de manter o acompanhamento durante toda a gestação.

“O pré-natal traz segurança. A gente consegue entender o que está acontecendo com a nossa saúde e com a do bebê. Isso faz toda a diferença durante a gravidez”, conclui.

 

*Com informações do IgesDF