17/07/2026 às 12h43 - Atualizado em 26/10/2026 às 00h00

Secretaria de Saúde detalha apuração de óbitos em hospitais da rede pública do DF

Gestores prestaram solidariedade aos familiares e reforçaram o compromisso com a transparência e a rigorosa investigação de todos os casos

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Agência Brasília | Edição: Paulo Soares

Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada.
 

Durante coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (16), a Secretaria de Saúde (SES-DF) detalhou as informações e as providências administrativas sobre os recentes óbitos ocorridos nas unidades de saúde da rede pública. Logo na abertura da coletiva, os gestores da pasta prestaram solidariedade aos familiares das vítimas e reafirmaram o compromisso de investigar cada ocorrência com o máximo rigor.

A equipe técnica da SES-DF apresentou o detalhamento das apurações preliminares de cada caso. Veja abaixo.

Caso no Hospital Regional de Samambaia (paciente de 36 anos)

A paciente de 36 anos deu entrada na unidade em trabalho de parto, que foi induzido com o consentimento dela e de seu acompanhante. Contudo, após o nascimento do bebê, foi constatada uma atonia uterina — uma complicação grave em que o músculo do útero não se contrai para estancar o sangramento do local onde a placenta estava fixada.

A equipe médica de plantão acionou imediatamente todos os protocolos de emergência preconizados, incluindo a realização de uma histerectomia (retirada cirúrgica do útero) na tentativa de conter a hemorragia, mas, infelizmente, o quadro não pôde ser revertido.

Caso no Hospital Regional de Samambaia (paciente de 25 anos)

A equipe técnica da SES-DF apresentou o detalhamento das apurações preliminares dos casos | Foto: Divulgação/SES-DF

A paciente de 25 anos deu entrada no hospital em trabalho de parto que, após sucessivas avaliações clínicas e monitoramento constante, evoluiu inicialmente sem sinais de alerta. No entanto, a ocorrência de um sangramento nasal (epistaxe) acendeu o alerta da equipe, que deu início imediato à investigação de um possível distúrbio sistêmico de coagulação — uma condição grave, de difícil diagnóstico em exames de pré-natal convencionais.

Apesar de a equipe médica ter empregado todos os protocolos de terapia intensiva e suporte cabíveis para reverter o quadro, a paciente sofreu uma hemorragia pós-parto e não resistiu.

Caso da bebê de 5 meses (transferência de Planaltina)

Sobre o falecimento da bebê de cinco meses ocorrido durante a transferência do Hospital Regional de Planaltina (HRPL) para o Hospital da Criança de Brasília (HCB), a SES-DF informou a abertura imediata de um processo de apuração para investigar a conduta no transporte. A paciente, que havia nascido prematura tardia e já utilizava oxigênio domiciliar, deu entrada no HRPL com um quadro suspeito de bronquiolite e precisou ser intubada.

As apurações preliminares apontam que, durante o transporte de urgência realizado por uma empresa terceirizada contratada pelo Estado, houve o desprendimento acidental do tubo de ventilação mecânica (extubação). A SES-DF reforçou que, caso as investigações comprovem imperícia ou negligência na prestação do serviço de transporte, serão tomadas todas as sanções administrativas e legais cabíveis, incluindo a imediata rescisão do contrato com a empresa prestadora.

Protocolos de atendimento

A gestão da SES-DF destacou que a rede pública do Distrito Federal segue rigorosamente as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, que priorizam o parto normal humanizado como o método mais seguro. Contudo, a pasta frisou que a indicação e a realização de cesarianas de emergência devem ocorrer prontamente em qualquer situação onde as equipes médicas identifiquem riscos à integridade física e à vida da mãe ou do bebê.

Os gestores pontuaram que o Hospital Regional de Samambaia apresenta, historicamente, um índice de excelência e segurança obstétrica muito consolidado: em 2024, foram realizados mais de 3,3 mil partos na unidade, registrando-se apenas um óbito materno. Já em 2025, foram realizados mais de 3,4 mil partos no hospital, com nenhum registro de óbito materno.

A Secretaria de Saúde reitera que o objetivo prioritário das investigações em curso é garantir que esse padrão histórico de excelência e segurança no atendimento obstétrico seja rigorosamente mantido e assegurado a toda a população do Distrito Federal.