05/11/2026 às 17h20 - Atualizado em 05/11/2026 às 17h20

Segurança reúne lideranças religiosas em Planaltina e amplia rede de proteção às mulheres

Encontro do Programa Aliança Protetiva apresentou protocolo de acolhimento e encaminhamento para orientar instituições religiosas e comunitárias no apoio a mulheres em situação de violência

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Agência Brasília* | Edição: José Renato Garcia

Com foco na prevenção e no enfrentamento à violência contra a mulher, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) realizou, nesta quarta-feira (4), mais uma edição do Programa Aliança Protetiva. Desta vez, o encontro ocorreu em Planaltina e reuniu lideranças religiosas e comunitárias para fortalecer a atuação conjunta na identificação de situações de violência, no acolhimento das vítimas e no encaminhamento aos serviços especializados da rede de proteção.

Realizado na Coordenação Regional de Ensino de Planaltina, o encontro teve como um dos principais destaques a apresentação do Protocolo de Acolhimento e Encaminhamento. O documento estabelece orientações para que instituições religiosas e sociais possam reconhecer sinais de violência, oferecer uma escuta acolhedora, identificar situações de risco e encaminhar as mulheres, de forma segura, aos serviços de atendimento e proteção.

A iniciativa parte do reconhecimento de que igrejas, templos e organizações comunitárias estão presentes no cotidiano das famílias e, muitas vezes, representam o primeiro espaço de confiança procurado por mulheres que enfrentam situações de violência.

Para o secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury, ampliar a rede de proteção exige a participação de diferentes setores da sociedade. “O enfrentamento à violência contra a mulher não pode ficar restrito à atuação das forças de segurança. Precisamos estar presentes também nos espaços onde essas mulheres buscam apoio e encontram pessoas em quem confiam. Ao preparar lideranças religiosas e comunitárias para reconhecer sinais de violência e orientar o encaminhamento adequado, fortalecemos a prevenção e ampliamos as possibilidades de proteção”, destacou. 

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Durante a programação, os participantes receberam o Guia Prático de Acolhimento e Encaminhamento, material elaborado pela SSP-DF para facilitar a aplicação do protocolo no cotidiano das instituições | Foto: Divulgação/SSP-DF

Durante a programação, os participantes receberam o Guia Prático de Acolhimento e Encaminhamento, material elaborado pela SSP-DF para facilitar a aplicação do protocolo no cotidiano das instituições. A publicação reúne orientações sobre como identificar situações de violência, realizar uma escuta respeitosa, evitar a revitimização e buscar os serviços especializados. A secretária-executiva institucional e de Políticas de Segurança Pública, Regilene Siqueira, ressaltou a importância de transformar a proximidade das lideranças com a comunidade em uma oportunidade de acolhimento e proteção.

“Muitas mulheres procuram primeiro alguém de sua comunidade religiosa, uma pessoa em quem confiam, antes mesmo de buscar um serviço público. Nosso objetivo é preparar essas lideranças para que saibam acolher sem julgar, ouvir com respeito e orientar com segurança. Não se trata de substituir os serviços especializados, mas de construir pontes para que essas mulheres tenham acesso à proteção de que precisam”, explicou.

“Muitas mulheres procuram primeiro alguém de sua comunidade religiosa, uma pessoa em quem confiam, antes mesmo de buscar um serviço público. Nosso objetivo é preparar essas lideranças para que saibam acolher"

Regilene Siqueira, secretária-executiva Institucional e de Políticas de Segurança Pública

A programação contou com palestra da subsecretária Elizabeth Cristina Frade, que abordou as diferentes formas de violência contra a mulher e apresentou as diretrizes do protocolo. A delegada Mariana Araújo Almeida, da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher II (Deam II), tratou do atendimento policial especializado e dos mecanismos legais de proteção às vítimas. O encontro também promoveu um painel de diálogo inter-religioso e social, reunindo representantes de diferentes tradições para discutir o papel das comunidades na prevenção da violência e no fortalecimento da rede de apoio.

Conhecimento que chega à comunidade

Entre os participantes, a percepção foi de que a formação oferece instrumentos para lidar com situações que já fazem parte da realidade de muitas famílias. A participante Celeste Barbosa Pinheiro, da creche Criança Cidadã, em Planaltina, que acompanha de perto situações de violência vivenciadas por mulheres de sua comunidade, destacou a importância de receber orientações práticas e também chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas vítimas após a prisão do agressor. “A palestra é muito boa. Algumas coisas eu já sabia, outras ainda não. Temos pessoas na comunidade que estão passando por essa situação. Com esse guia, posso levar o que aprendi para outras pessoas e acolher alguém da forma certa”, contou.

Para Francisco Muniz, que atua em um centro de recuperação, o conhecimento adquirido também poderá contribuir para o trabalho de conscientização desenvolvido com os internos. “Eu trabalho com recuperação e sempre procuro orientar as pessoas a se colocarem no lugar do outro. É preciso pensar no respeito que queremos para nossa mãe, nossa família e para nós mesmos. Essa formação é muito importante porque posso levar essas orientações para o trabalho que já desenvolvo”, afirmou.

Aliança pela proteção

O Aliança Protetiva integra as ações de prevenção da secretaria e tem como proposta mobilizar instituições religiosas, organizações sociais e lideranças comunitárias para fortalecer uma cultura de respeito, acolhimento e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas.

O programa está estruturado em ações de formação, mobilização, articulação institucional e produção de materiais orientativos, buscando aproximar a rede de proteção dos espaços de convivência da população.

 

*Com informações da SSP-DF