Medalha Brasília 60 anos condecora 120 homens e mulheres
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Festival Cantando para Brasília animou a população de casa
Com mais de 10 horas de música, Brasília comemorou seu aniversário em grande estilo. Durante todo o dia 21 de abril grandes artistas da capital se reuniram para cantar os 60 anos da cidade. Respeitando o isolamento social, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) promoveu o Festival Cantando para Brasília, com uma programação eclética e completamente gratuita que marcou a data. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] O dia começou com a tradicional missa, na Catedral Metropolitana, um dos símbolos arquitetônicos da cidade planejada e projetada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer a partir do ideal do então presidente Juscelino Kubitscheck. A celebração presidida pelo Arcebispo Dom Sérgio da Rocha, foi acompanhada pelo governador Ibaneis Rocha e o vice-governador Paco Britto e suas famílias, e também marcou os 60 anos da instalação da Arquidiocese de Brasília. Palcos diversos, espalhados por vários pontos do Distrito Federal deram uma nova cara para a festa, que normalmente acontece na Esplanada dos Ministérios, outro cartão postal da capital. O formato, “novo e desafiador”, como definiu o secretário de Cultura e Economia Criativa Bartolomeu Rodrigues, foi a solução encontrada pelo Governo do Distrito Federal para garantir uma celebração à altura da data. “Tivemos apoio de diversos artistas que voluntariamente participaram dessa grande celebração, mostrando todo o amor pela nossa cidade”, diz. De suas casas, artistas se revezaram em ‘lives’ transmitidas pelas redes sociais trazendo alegria para todas as idades. Os pequenos puderam acompanhar a história “A menina e o Ipê Amarelo”, contada por Fátima Venzi e Edna Ribeiro. De maneira lúdica, com direito a um cenário que trazia a árvore símbolo da capital, elas falaram um pouco sobre “o quadradinho mais querido do país”, como definiu a escritora Fátima. Ao longo de toda a tarde e noite, brasilienses de nascença ou de coração se divertiram ao som de samba, forró, pop rock, MPB, sertanejo e axé. Foram 15 atrações musicais que rechearam a programação preparada pela Secec. Nomes de peso como Vinícius Oliveira, Túlio Borges, Milsinho, Luciano Ibiapina, Renata Jambeiro, Roni & Ricardo, Collo de Mainha, Bebeto Cerqueira, Marcelo Sena, Banda Imagem, Dhi Ribeiro, Marcelo Café, Nego Rainer, Banda Crazy e Barão & Mauá participaram do Festival Cantando para Brasília. “Agradeço o convite da Secretaria de Cultura e Economia Criativa que proporciona essa festa também para nós”, traduziu o músico Milsinho que pela primeira vez participou das comemorações do aniversário de Brasília. Marcelo Sena também falou sobre a emoção de participar do aniversário durante o isolamento social. “É uma honra. Há muito tempo eu não me arrumava. Fiz isso especialmente para cantar para a minha cidade.” Homenagens Outras homenagens emocionantes marcaram as comemorações dos 60 anos de Brasília. A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro fez um arranjo especial para celebrar a data. Cada um de sua casa, os músicos do corpo sinfônico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa executou o “Hino de Brasília” (Neusa França/Geir Nuffer Campos, 1960), “Brasília, Capital da esperança” (Ariovaldo Pires/Simão Neto/Enrico Simonetti, 1960), “Peixe Vivo” (folclore, domínio público) e “Água de Beber” (Jobim/Vinícius, 1961) que somados ao tradicional “Parabéns pra você” garantiram um espetáculo de encher olhos e ouvidos. O coro de “Parabéns pra você” foi engrossado por grandes artistas da capital. Mulato e Cassiano, Paraná, Célia Porto, Manassés, Seu Estrelo, Vladimir de Carvalho, Felipe Gracindo Nicolas Behr, Marquin, Noélia Ribeiro e Nilva de Souza, por exemplo, falaram sobre o amor à capital em um vídeo emocionante. Moradores da quadra 210 sul também comemoraram os 60 anos de Brasília de maneira diferente. De suas janelas, eles puderam acompanhar a Serenata de Abril, parte do projeto Brasília 60+60, apoiado pela Secec. Músicos se apresentaram na rua, trazendo alegria e conforto a quem está em casa. * Com informações da Secretaria de Cultura
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Brasília, aos 60 anos, vive um momento especial na saúde
Brasília chega aos 60 anos em um momento em que a Saúde é a protagonista. Apesar da pandemia de coronavírus enfrentada pelo mundo inteiro, o Distrito Federal se destaca pelas medidas que tem adotado desde o começo, o que faz da capital pioneira nas ações que têm ajudado a cidade a atravessar a crise de maneira mais branda. O secretário de Saúde, Francisco Araújo, considera que Brasília, aos 60 anos, vive um momento muito especial da sua existência. “Estamos enfrentando o coronavírus, talvez o maior desafio da saúde pública da história, mas, felizmente, temos uma rede que se encontra num patamar bem melhor do que aquilo que foi encontrado no inicio de 2019”. Ele acrescenta que “se o governador Ibaneis Rocha não tivesse feito importantes investimentos na saúde pública, nesses 16 meses de administração, estaríamos numa situação complicada para enfrentar os desafios desse momento”. Francisco Araújo ressalta a importância dos investimentos matéria e de recursos humanos em toda rede para a melhoria das condições de atendimento da rede pública de saúde. “Ainda temos muito a fazer, principalmente na necessidade de ampliar e humanizar o atendimento para a população, mas, é inegável que houve uma avanço significativo com os investimentos já realizados”. “Não perde para nenhum hospital de primeiro mundo!”. Em resumo, é isso que o médico especialista em cirurgia torácica, Manoel Ximenes, pensa sobre o Hospital de Base do Distrito Federal, o primeiro grande hospital construído em Brasília e inaugurado pelo criador desta cidade, o então presidente Juscelino Kubitschek e que também completa 60 anos no próximo mês de setembro. O médico, hoje aposentado, começou a trabalhar ali quando ainda se chamava Hospital Distrital, na década de 1970. Formou-se em Fortaleza e foi trabalhar no Estados Unidos, onde conheceu as melhores unidades de saúde. “Vi uma foto da inauguração do Hospital de Base e senti um enorme desejo de trabalhar ali”, relembra. Hoje ele está aposentado, mas ainda participa de reuniões científicas semanais. “Quando estou na unidade, faço questão de visitar o centro cirúrgico. Tenho enorme prazer de ter ajudado a formar médicos, durante a residência, que hoje atuam em hospitais por todo o mundo”, diz. Pioneirismo Antes da inauguração do gigante, quem veio para construir a nova capital contava com atendimentos médicos no chamado Hospital Presidente Juscelino Kubitschek, localizado no que hoje conhecemos como Museu da Memória Candanga. “Brasília já nasceu oferecendo três princípios do Sistema Único de Saúde antes mesmo de se debater sobre isso. Já atendia gratuitamente, de forma universal, integral e com hierarquização assistencial na prestação de serviços”, destaca a chefe do Núcleo de Desenvolvimento e Controle de Projetos de Pesquisa da Escola Superior de Ciências em Saúde, Leila Göttems. Vale lembrar que o SUS só foi criado em 1988, quando Brasília já contava com 13 hospitais, localizados no Gama, Taguatinga, Brazlândia, Sobradinho, Ceilândia, Asa Norte, Planaltina e Guará, além dos hospitais Materno Infantil, Hospital de Apoio e Instituto de Saúde Mental. A capital também já tinha 40 centros de saúde, o que, na época, garantia 100% de cobertura de Atenção Primária, conforme relata Leila Göttems. Hoje, a rede pública de saúde do DF ainda conta com o gigante Hospital de Base, referência em traumas, e tem somada a ele outros 15 hospitais, 172 unidades básicas de saúde, uma laboratório central referência para o Centro-Oeste, além de centros de atenção psicossocial, sete unidades de pronto-atendimento e fundações como o Hemocentro e a Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências de Saúde, que por meio das três escolas (ESCS, ETESB, EAPSUS) ajuda a formar centenas de profissionais para Brasília e para o mundo. Trajetória Para se chegar ao que tem hoje, porém, muito se testou. No início de tudo, o foco era a atenção hospitalar, focado no mode biomédico. Somente depois de 1979, quando o mundo começou a discutir sobre a importância da atenção básica ou atenção primária, é que Brasília colocou em prática a construção do que chamamos hoje de unidades básicas de saúde. A atenção primária já esteve nas mãos do Instituto Candango de Solidariedade, da Fundação Zerbini e retornou para a Secretaria de Saúde, passou pelo processo de conversão e hoje atende em um novo modelo, com equipes formadas por médicos de família, enfermeiros e técnicos, odontólogos e agentes de saúde. “Um grande ganho em tudo isso foi a ampliação do horário de atendimento nas UBS, também na reorganização do trabalho das equipes para atender a demanda espontânea e não somente por agendamento. Isso permite maior acesso oportuno da população”, ressalta Leila, lembrando que estudos apontam uma resolutividade de 85% dos problemas de saúde da população sem que ela precise procurar um hospital. Os modelos de gestão também andaram por muitos caminhos. Já tivemos a Fundação Hospitalar, o Hospital de Santa Maria sendo administrado por Organização Social e hoje chegamos a uma administração com vários modelos de gestão. Assim, a rede conta com o Hospital da Criança gerido por uma organização social, a Fundação Hemocentro que é uma fundação pública, e a mais recente criação: o Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (IgesDF) como um Serviço Social Autônomo, que hoje administra o primeiro hospital construído em Brasília e o Hospital Regional de Santa Maria, além de todas as unidades de pronto-atendimento. Futuro Para Leila Göttems, do ponto de vista da assistência, “precisamos continuar reforçando e investindo na atenção primária e na formação de profissionais para desenvolver aperfeiçoamento da atenção à saúde da população. Precisamos, também, dos três níveis de assistência funcionando adequadamente, de forma integrada e com a regulação sendo o farol para todos eles”, finaliza. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Lago Paranoá encanta pela prática de esportes náuticos e relaxamento
Nesta terça-feira, 21 de abril, Brasília comemora os 60 anos de sua fundação. Rica em belezas naturais como o céu, o pôr do sol e toda a flora e fauna do Cerrado, a cidade também se destaca pela prática de atividades ao ar livre em praças, parques, lago e clubes. E neste período de isolamento social, por conta da Covid-19, os atletas brasilienses buscam alternativas para se manterem em forma e ficarem preparados para os próximos eventos esportivos. O multiesportista, Estevão Lopes, 42 anos, nasceu em Brasília, e é morador do Guará. Ele tem o Lago Paranoá como a sua segunda casa, já que pratica três modalidades náuticas: vela adaptada, remo paralímpico e a paracanoagem. “Eu iniciei a prática esportiva sem pretensão de chegar no alto rendimento. O esporte entrou na minha vida como reabilitação, após o acidente que sofri em 2012 e me deixou paraplégico. Com o tempo eu passei a ter um contato diário com o Lago. Agora, ele é o meu cartão postal preferido e faz parte da minha rotina. O Lago é uma das coisas que eu mais sinto falta neste período de pandemia e quarentena. Ele é o melhor lugar do mundo. É o melhor espaço para a prática esportiva”, contou. Para Estevão, é um privilégio para os esportistas da Capital Federal ter um lago dessa proporção dentro de uma cidade grande. “Ele é ótimo para a prática de esportes convencionais e também para os as modalidades paralímpicas. O Lago Paranoá é perfeito em dimensão e na qualidade da água. É um diferencial das outras cidades grandes do país. E a gente do DF ainda tem a favor o clima semiárido. No começo é até um pouco difícil se acostumar com esse clima seco, mas depois que você se adapta ao clima de Brasília e você está preparado para qualquer lugar do mundo”. Com a participação em vários mundiais representando o Brasil na vela adaptada, Estevão se orgulha dos títulos conquistados como o bicampeonato brasileiro da modalidade. A última competição que o atleta participou foi a Copa Brasil de Paracanoagem, em março deste ano, na Raio Olímpica da USP, na cidade de São Paulo. Ele e a seleção brasiliense da paracanoagem (ACKC) voltaram da capital paulista com o tetracampeonato da competição. “Brasília hoje é uma referência na paracanoagem, por conta do Lago Paranoá e do trabalho de reabilitação feito pelo Hospital Sarah Kubitschek”, destacou o atleta. Estevão e a equipe do DF viajaram, para São Paulo, por meio do Compete Brasília, programa que contempla os atletas do DF com passagens aéreas e terrestres para participarem de campeonatos em outras cidades e no exterior. A gente, aqui de Brasília, tem o Compete Brasília, que é uma iniciativa única no país, e que realmente funciona. Sem a ajuda do Compete eu não teria ido tão longe porque as competições internacionais ficariam muito caras. E Compete Brasília paga as nossas passagens e isso é muito importante”, completou. O Lago Paranoá também é um dos lugares preferidos da arqueira Thaís Carvalho, 27 anos. Diferente de Estevão, que pratica atividades esportivas na água, Thaís precisa da ajuda do tempo agradável para a prática do arco e flecha e usa o Lago Paranoá para relaxar e curtir a natureza. “Meu lugar favorito da cidade é o a beirinha do Lago, qualquer canto que eu possa parar, sentar e contemplar o pôr do sol e a natureza”. Thaís, nasceu o Gama, e divide sua moradia entre o Cruzeiro e o Paranoá, e sua rotina, antes da quarentena, era composta entre trabalho, estudos e treino. “Eu treinava pelas manhãs num espaço público aqui Lago Norte, e às vezes, num espaço do Cetefe (Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial), no Cruzeiro. “O clima da Capital Federal é ótimo para a prática do tiro com a arco. Nós saímos na frente daqueles que treinam em condições climáticas frias e até na neve e também daqueles que moram em climas muito quente. E para atirar tem que ser em um lugar aberto, e o clima do centro-oeste contribui bastante com os treinamentos e por consequência no nosso desempenho. Agora, em casa, eu mantenho os treinos puxando o arco, e fazendo uma série de exercícios com o próprio arco e um elástico. Estou improvisando meu treino com os recursos que tenho disponíveis”. A atleta, que é amputada da perna direita, começou a praticar tiro com arco em 2012, no Cetefe, mas antes ela passou por outras modalidades como natação e badminton. “Eu nunca imaginei fazer arco e flecha. Mas um dia eu estava praticando o badminton e na quadra ao lado o pessoal estava treinando arco e flecha. E eu fiquei encantada, mas eu achava que a modalidade era cara para minhas condições financeiras, porque você precisa ter o equipamento, então eu resisti um pouco. Mas quando experimentei, me apaixonei e fiquei encantada”, disse a atleta que briga por uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. “A mudança dos Jogos de Tóquio para o ano que vem foi muita sensata, não só para a segurança dos atletas, mas para todas as pessoas que estariam envolvidas no evento. É claro que você tem um planejamento e um ritmo de treinamento, mas é o tipo de coisa que a gente consegue manter até o ano que vem. Eu fiquei aliviada, já que brigo por uma vaga. No Mundial de tiro com arco, no ano passado, na Holanda, eu consegui bater o índice para Tóquio. Agora, em março, estava marcado o Parapan da modalidade no México e lá eu iria buscar essa vaga, a competição foi suspensas e ainda não tem uma data determinada, mas estou na briga e quero representar o meu país e minha cidade lá em Tóquio”, explicou Thaís. * Com informações da Secretaria de Esportes e Lazer
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Nasce Brasília. Sessenta anos de uma ideia feliz
Fotos: Arquivo Público do DF Foram três longos dias de festa. E teve de tudo. De baile de gala a corrida de carros em pleno Eixo Monumental. Celebração de missa a cascata de fogos de artifícios, uma novidade para muitos até então. Quem presenciou, tem as imagens gravadas na memória como se fosse hoje. Estima-se que mais de 200 mil pessoas acompanharam as solenidades. Grande parte varou a noite sem pregar os olhos. A inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960, há exatos 60 anos, foi um acontecimento, embora muitos daqueles que já moravam na cidade, bem como parte do resto do país, não acreditassem que aquela ousadia ou “loucura” do presidente Juscelino Kubistchek, como diziam os desafetos, fosse dar certo. E deu. Segundo dados do Censo daquele ano, a população da nova capital girava em torno de 140 mil pessoas. Desse número, mais de 87 mil eram homens, em sua maioria, trabalhadores que vieram prestar serviço nas várias obras espalhadas pelo local. Tanto quanto as mulheres, estimadas à época em 53 mil, a idade média desses primeiros a chegarem era 22 anos. [Olho texto=”“Algumas pessoas não estavam convencidas, nem as que moravam aqui”” assinatura=”Gisèle Santoro, coreógrafa e bailarina, que dançou em cima do Congresso Nacional no dia da inauguração da cidade” esquerda_direita_centro=”direita”] “Algumas pessoas não estavam convencidas, nem as que moravam aqui”, lembra hoje a coreógrafa Gisèle Santoro, 81 anos. “Tinha algumas construções, mas você olhava para os lados e não tinha nada. Para ir ao Lago Sul, dava-se uma volta danada, porque não tinha a ponte e as mansões pareciam mais distantes”. Gisèle teve o privilégio de dançar em cima do Congresso Nacional no dia da festa. “Eram uns 12 bailarinos, chegamos num avião da FAB, e, como tinha chovido, a cidade era só lama. Dançamos na parte de cima do Congresso, com a orquestra embaixo, e a iluminação foi um espetáculo.” E foi mesmo. Podia-se ver o clarão dos efeitos de luzes ao longe. Luzes que anunciavam, metaforicamente, o alvorecer de um novo Brasil. Um Brasil comprometido com o progresso e o desenvolvimento, e cujo símbolo dessa nova identidade nacional recaía exatamente sobre Brasília, a cidade moderna e futurista construída no coração do Planalto Central, prometendo ligar o país de Norte a Sul, do Oiapoque ao Chuí. Daí as lágrimas sinceras e convulsivas derramadas por Juscelino Kubistchek um dia antes, no primeiro dia das celebrações, durante a missa solene celebrada por dom Manuel Gonçalves Cerejeira. Uma cena que despertou atenção do vice João Goulart, sentado ao seu lado, e foi registrada em flagrante marcante. “Só vi meu pai chorar em duas ocasiões: na morte de familiares e na inauguração de Brasília”, diria mais tarde a filha de JK, Maria Estela. Era um pranto de alívio, misturado com alegria. Afinal, concretizava-se ali o projeto de toda uma vida, de uma carreira, a realização de uma utopia que nasceu de um presidente que desafiou o impossível. A transferência da nova capital para o coração do país foi encarada por JK em “sua mais importante batalha travada em vida pública”, como destacou o jornalista e historiador Ronaldo Costa Couto. “A inauguração da cidade tem profundo significado histórico pelo fato em si e por incluir a transferência simultânea da capital, sinalizar afirmação nacional para dentro e para fora, apontar novos rumos”, escreve Ronaldo no livro Brasília Kubitschek de Oliveira. Simbologia histórica As festividades tiveram início, oficialmente, às 16h, numa quarta-feira (20), na Praça dos Três Poderes, com o presidente da Novacap, Israel Pinheiro – o homem que comandou operários durantes as obras –, entregando as chaves da cidade ao presidente JK. Com a autoridade de quem seria, futuramente, o primeiro “prefeito” de Brasília, o carrancudo “Dr. Israel” aproveitou a oportunidade para alfinetar opositores: “Brasília é obra do civismo sadio, de otimismo criador, de ânimo pioneiro, (…) de iniciativas que rasgam os largos caminhos de um futuro que o Brasil reclama com impaciência, com ímpeto jovem, com fome de renovação. O espírito de Brasília é tudo o que há de contrário ao derrotismo sistemático”. [Olho texto=”“O espírito de Brasília é tudo o que há de contrário ao derrotismo sistemático”” assinatura=”Israel Pinheiro, presidente da Novacap, durante a primeira solenidade na nova capital” esquerda_direita_centro=”centro”] Marcada para a noite, a celebração religiosa tem caráter simbólico por dois motivos. No altar improvisado armado na Praça dos Três Poderes, destaca-se uma relíquia vinda de Braga, Portugal: a cruz de metal usada na Missa da Descoberta, celebrada por Frei Henrique de Coimbra havia 460 anos, em 26 de abril de 1500, na baía de Porto Seguro, poucos dias depois do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral. A peça sacra passa a ideia de um novo nascimento, de batismo renovado. À meia-noite em ponto, na noite calma e reluzente da nova capital, soa o repique do velho sino que tocou pela morte de Tiradentes em 21 de abril de 1792. O artefato histórico fora trazido de Ouro Preto, cidade historicamente irmã de Diamantina, terra natal de JK. Ao coração do Brasil Finalmente chega o dia da inauguração. Os poucos hotéis existentes da cidade estavam apinhados de gente. As pessoas que tinham casa alugavam um quarto, às vezes até o carro da família. Como a mãe era funcionária do Congresso, Gisèle Santoro, a jovem bailarina que dançou sobre as hastes do poder, dormiu num apartamento da 305 Sul. “Os outros dançarinos foram para um alojamento, e, no dia seguinte, todos pegamos o voo da FAB de volta para o Rio de Janeiro”, rebobina a artista. Há relato de várias aventuras realizadas para se chegar ao coração do Planalto Central. Depois de 240 dias de viagem dos Pampas até o Cerrado, o gaúcho Francisco Alves chega com a mulher e quatro filhos para a festa. Meio que simbolizando um ritual de passagem, de entrega da tocha, uma coluna de Corpo de Fuzileiros Navais percorre mais de mil quilômetros. É a distância que separa as duas capitais – a antiga, Rio de Janeiro, e a nova, Brasília. Uma distância maior, de quase 3 mil quilômetros, foi percorrida pelo casal argentino Mercedes e Hugo Urquiza, que, de jipe, levaram 48 dias para realizar a lendária saga. [Olho texto=”“Era o nosso batismo de fogo para um mundo novo e desconhecido. Com o peito apertado, partimos para nunca mais voltar”” assinatura=”Mercedes Urquiza, em seu livro de memórias” esquerda_direita_centro=”esquerda”] “Era o nosso batismo de fogo para um mundo novo e desconhecido”, escreveu Mercedes em seu livro de memórias, A Trilha do Jaguar – Na Alvorada de Brasília, lançado em abril de 2018. “Com o peito apertado, partimos para nunca mais voltar”, narra ela, que participou da recepção de gala oferecida pelo presidente JK, no Palácio do Planalto, após a festa popular que aconteceu na Praça dos Três Poderes. Entre os três mil convidados, além do corpo diplomático, ministros de estado e autoridades federais, havia alguns opositores. Então governador da Bahia, Juracy Magalhães chegou ao Palácio com um presente especial para JK: uma gravata quadriculada em preto e branco, que trouxera dos Estados Unidos. O adereço luxuoso era fruto de uma aposta perdida que fizera com o presidente, quando sustentou que o chefe de Estado não entregaria a capital dentro do prazo. Reza a lenda que o estilista Dener Pamplona de Abreu, pioneiro da moda no país, se encarregou pessoalmente da criação do vestido da primeira-dama, Sarah Kubistchek. Era um modelo tomara que caia de organza de seda pura branca distribuída em 12 metros de tecido. A cereja do bolo seriam os cinco mil cristais, vidrilhos e lantejoulas arranjados em bordados florais. Uma pena que toda essa pompa e imponência conferida ao evento tenha se perdido um pouco por conta do lameiro que virou a cidade. “Entre eles [os convidados], naturalmente, [estavam] as maiores socialites do Rio de Janeiro – acompanhadas dos mais famosos cabeleireiros – que, apesar de lamentar a saída da capital, reconheciam a maravilha daquele momento”, escreve Mercedes Urquiza em seu livro. Foto: Acervo pessoal de Mercedes Urquiza (segunda pessoa à esquerda) Nos braços do povo Naquela noite, uma frase sincera e pragmática proferida pela mãe de JK, Júlia, à nora, pouco depois de contemplar demoradamente a cidade, encheria o presidente de êxtase e orgulho. “Só o Nonô mesmo seria capaz de fazer tudo isso”, disse a octogenária, no auge de sua sabedoria mineira. Foto: Após a cerimônia de gala, simples como sempre foi, JK se desnudou da ostentação do poder e, descendo a rampa do Palácio do Planalto, se deixou cair nos braços do povo. Testemunha ocular desse momento, o jornalista e analista político André Gustavo Stumpf não se esqueceu do que registrou. “Nunca vi nada parecido em termos de alegria. Pessoas humildes se ajoelhavam diante dele. Beijavam-lhe as mãos. E Juscelino ria e abraçava tudo mundo. Não sabia o que fazer. Era a imagem de uma felicidade radiante”, contou, em depoimento publicado no livro Brasília Kubistchek de Oliveira, de Ronaldo Costa Couto.
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Esportistas brasilienses declaram seu amor à capital federal
Minas Brasília Futebol feminino/As Minas é três vezes campeão do Candangão e integra, pelo segundo ano consecutivo, a Série A1 do Campeonato Brasileiro | Foto: Icespe / Divulgação A regra é clara: se puder, fique em casa. Mesmo que seja em uma ocasião tantas vezes celebrada pelos cidadãos e moradores da cidade, como o aniversário de Brasília, em 21 de abril. Neste ano, a Capital Federal comemora 60 anos. E a recomendação vale para todos, inclusive, para os esportistas que, hoje em dia, estão adaptando à rotina de treinamentos e exercícios físicos regulares para dentro de seus lares, enquanto segue interrompido o calendário nacional e internacional de competições. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] É o caso do Caio Bonfim, principal nome da marcha atlética brasileira, que nasceu e vive em Brasília. Mais especificamente em Sobradinho, onde mora no mesmo lote de seus pais, que também são seus treinadores, o que facilitou o planejamento esportivo neste período de isolamento social. “Tenho prazer enorme de viver aqui. A gente viaja o mundo todo pelo esporte, mas um lugar que amo treinar é nessa cidade”, destaca o jovem, que escolheu o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek como ideal para a prática de exercícios físicos. “O Parque da Cidade é uma referência. Tem a volta de 4 km, a volta de 6 km, a volta de 10 km, quadras de vôlei, frescobol, futevôlei, kart, estacionamentos grandes. Meu lugar predileto para treinar, não é o melhor para as pessoas porque eu preciso do desafio. Com percurso duro e tudo mais. Mas o Parque da Cidade é um lugar que gosto de treinar, muito mesmo”, completa. Caio Bonfim avalia que os programas esportivos da Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal como grandes diferenciais em relação aos demais estados. “As bolsas atletas são muito legais, do estudantil até olímpica. Temos uma coisa que não tem em lugar nenhum do país que é o Compete Brasília. Me ajudou muito, tanto no ciclo olímpico do Rio de Janeiro, como nesse agora de Tóquio. Fiz muitas viagens, meu recorde brasileiro e o índice para as Olimpíadas, eu fiz em uma viagem pelo Compete Brasília. É uma coisa fantástica. Mas agora a gente poderia ter uma iniciativa privada um pouco melhor.” O clima seco, característico do nosso Cerrado, beneficia o atleta da capital federal, segundo Caio Bonfim, já que quanto menos dias de chuva no ano, maior a possibilidade de treinar ao ar livre tranquilamente. Caio Bonfim foi medalha de prata nos 20 quilômetros da marcha atlética nos Jogos Pan-Americanos Lima, em 2019 | Foto: Abelardo Mendes Jr. / rededoesporte.gov.br “A sequidão é uma condição adversa, mas dá para manter o mesmo ritmo. É maravilhoso porque se você aguentar o clima de Brasília, você aguenta qualquer clima do mundo”, diz o atleta que levou, entre outros pódios, a prata no Pan-Americano de Lima 2019, na prova dos 20 quilômetros, em que é especialista. Futebol feminino Para as irmãs gêmeas Nayara e Nayeri Albuquerque, fundadoras do Minas Brasília Futebol feminino/As Minas – time de futebol feminino três vezes campeão do Candangão e que integra pelo segundo ano consecutivo a Série A1 do Campeonato Brasileiro –, o clima da cidade é agradável, sem interferência no condicionamento físico das atletas da equipe. “Somos apaixonadas por Brasília e já tivemos grandes oportunidades de ir para fora. Nosso maior intuito é construir algo significativo e fazer história em Brasília”, ressalta Nayeri. História essa que começou em 2012, quando o projeto social foi criado com o propósito de dar mais oportunidades para as meninas mais jovens que sonhavam em ingressar na vida esportiva. “A cada ano que passava a gente tentava progredir em algum sentido, organizar o projeto como um todo, colocar metas e objetivos. Nosso primeiro objetivo era vencer o Candangão para que pudéssemos ter a oportunidade de participar de um campeonato em cenário nacional”, diz a atleta. O primeiro título do Candangão aconteceu em 2016, feito repetido em 2017 e 2018. No segundo ano de conquistas, o clube garantiu uma vaga na série A2 do Campeonato Brasileiro e, posteriormente, na série A1 – em que participa em 2020, pelo segundo ano consecutivo. A formação em Direito de Nayeri combina com vocação de Nayara em Ciências Contábeis para tratar a parte administrativa do clube. “Brasília precisa ter um incentivo maior ao futebol feminino. Todo o espaço que conquistamos foi por não desistir do projeto”, acrescenta. A dupla sempre morou na Zona Rural de Brazlândia, numa área conhecida como Núcleo Rural do Rodeador. Elas guardam lembranças de infância e o início da paixão pelo futebol, com a disputa dos torneios locais. “Temos uma identificação muito grande, é uma cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo. Já o Minas Brasília não tem cidade, tem atletas de todas as cidades. A gente costuma dizer que somos o todo, de todas as cidades satélites do Distrito Federal. Não temos preferência por uma”, completa. O Minas Brasília Tênis Clubes atua em todas as categorias, sendo elas a principal, o Sub-18, categorias de base Sub-16 e Sub-14 e o futsal. Esta última conquistou a Taça Brasil Sub-20, em 2018, título inédito para Brasília. * Com informações da Secretaria de Esporte
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Brasília 60 anos: conheça a capital sem sair de casa
Secretaria criou sete rotas com mais de 80 pontos turísticos mapeados por temas | Reprodução Para celebrar o aniversário de 60 anos da capital, a Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF) preparou uma viagem virtual pelos pontos turísticos imperdíveis de Brasília. Por meio da plataforma Google Earth, o visitante irá descobrir o que torna a nossa capital tão única e tudo o que faz dela um marco da arquitetura moderna, além de cidade patrimônio, cidade criativa, cidade capital, cidade parque, capital da esperança e de muitos Brasis. Para quem está com saudades de passear por entre seus eixos, e também por fora deles, ou para quem ainda não conhece as belezas e encantos de Brasília, a Setur-DF criou sete rotas com mais de 80 pontos turísticos mapeados por temas: Rota Cívica, Rota Arquitetônica, Rota Cultural, Rota Náutica, Rota do Cerrado, Rota da Paz e Rota Fora dos Eixos. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] A secretária de Turismo do DF, Vanessa Mendonça, explica que a ação é estratégica para fortalecer o turismo interno. “Este é um marco na história do turismo em Brasília. E representa a estruturação da capital federal como um produto turístico de grande relevância. É uma forma inovadora, simples e acessível de apresentar a cidade como destino para turistas de todo o Brasil e do mundo. Uma grande jornada, feita com muito carinho e dedicação para todos que querem conhecer Brasília, mesmo sem sair de casa. Também temos a certeza de que esse passeio digital vai inspirar muitas viagens no futuro. Por enquanto, pedimos que todos fiquem em casa, mas Brasília espera ansiosa para receber pessoas de todo o mundo após este período.” No Brasília Tour Virtual, o visitante poderá conferir em detalhes as famosas linhas e curvas da arquitetura de Oscar Niemeyer, os lugares mais icônicos e também os menos conhecidos, dentro e fora dos eixos. E até os mais surpreendentes tesouros naturais escondidos pelas regiões do DF e de seu Entorno, como o Parque Nacional de Brasília, a Chapada dos Veadeiros e a região rural do Viva Lago Oeste. Torre Digital vista de cima via Google Earth | Reprodução Para o presidente do Sindicato de Turismo Rural e Ecológico do DF e Entorno (Ruraltur-DF), Fragmar Leite, a inclusão da área rural na visita virtual dará mais visibilidade aos atrativos. “Brasília e Entorno são muito ricos em turismo rural. A nossa maior dificuldade é levar essa informação aos próprios brasilienses. E a turistas, também. Fazer parte deste projeto é de uma alegria enorme para todos os que estão envolvidos nessa área”, avalia. A ideia é impulsionar o turismo nos atrativos de Brasília e das regiões administrativas do DF. O tour virtual mostra todas as diferentes belezas, como a Catedral, a orla do lago Paranoá, a Ponte JK, centros religiosos como o Templo da Boa Vontade, a Mesquita de Brasília, o Santuário Dom Bosco e a prainha dos Orixás. Além disso, ainda permite ver de perto exposições realizadas no Centro Cultural Banco do Brasil e em outros museus. Cada local visitado durante o tour tem um texto descritivo que conta as respectivas histórias. O padre Jonathan Costa, do Santuário Dom Bosco, comemorou a inclusão da igreja no tour virtual. “O santuário é uma das sete maravilhas de Brasília e fazer parte do projeto é um reconhecimento importante. Muitas pessoas que visitam a nossa cidade não conhecem todos esses locais. Nós recebemos até 10 mil turistas em um único mês no nosso templo, e queremos acolher ainda mais pessoas. Vamos tornar realidade o sonho de Dom Bosco”, exorta. O tour pode acessado por meio do site da Secretaria de Turismo do DF, por qualquer pessoa com por um computador, tablet ou celular. O link de acesso direto é http://www.turismo.df.gov.br/brasilia-tour-virtual/. * Com informações da Secretaria de Turismo
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É hora de celebrar
Brasília está recolhida, mas isso não vai nos impedir de comemorar os 60 anos de nossa linda cidade, da capital que mudou os rumos e representa a esperança do Brasil. Deveríamos estar em festa, nas ruas, mas o momento é de recolhimento, de enfrentamento a um inimigo invisível e implacável que preocupa o mundo todo. E que vai ser vencido. Sabemos que esta é uma hora de preocupação para todo o mundo e que mexe com a vida de todos nós. Como governante, minha determinação é cuidar de Brasília. É o que estamos fazendo desde os primeiros dias da pandemia do coronavírus, procurando agir com firmeza, mesmo que isto signifique medidas duras. Assista ao vídeo: Hoje nossa gente deveria estar nas ruas, cantando, dançando, brincando, festejando mais um aniversário. Mas a maioria está em casa. Mais uma vez o brasiliense dá exemplo de cidadania ao país; somos a unidade da Federação que mais respeita a quarentena de isolamento social, o que vai contribuir para que o Distrito Federal seja um dos primeiros a voltar à normalidade. Nossas ruas vazias são o retrato da responsabilidade de nossa gente. Àqueles que estão trabalhando por todos nós, em especial médicos, enfermeiros e técnicos em saúde, nosso agradecimento por esta dedicação em um momento difícil. E esta é uma gratidão que se estende a garis, policiais, frentistas de postos de gasolina, bombeiros, funcionários de mercados e padarias, enfim, todos aqueles que, mesmo sob risco, mantém a cidade funcionando. É um aniversário diferente. Lembramos a visão de Juscelino Kubistchek, o sonho de Dom Bosco, a genialidade de Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Athos Bulcão e Burle Marx, entre tantos. Lembramos também a fé e a perseverança dos candangos pioneiros que transformaram o ermo do cerrado na capital do Brasil em apenas mil dias. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] E lembramos as lutas políticas, desde a consolidação de Brasília como capital, mesmo enfrentando tantos inimigos poderosos, até a conquista da cidadania de seus moradores, que hoje podem escolher seus representantes. Mas antes de tudo celebramos a vitória do povo brasileiro, que ganhou um novo país a partir de sua nova capital. Há 60 anos, o Brasil era um país muito diferente, com a maior parte de sua população habitando as cidades do litoral, com esparsas cidades isoladas no interior. Brasília, como vislumbrou JK, uniu o Sul e o Sudeste industrializados, com o Norte e o Nordeste subdesenvolvidos, além de descortinar a nova fronteira do Centro-Oeste. Brasília é o símbolo da determinação brasileira, da capacidade de realização do povo, de um país cheio de desafios a serem vencidos. É hora de celebramos a beleza do nosso céu sem igual, dos nossos parques, espaços, monumentos. É a hora de celebrarmos a nossa gente, povo carinhoso que gosta de viver em comunidade, de trabalhar em busca de oportunidades, de abraçar e beijar. Mas hoje estamos momentaneamente separados. Ainda bem que temos nossa cidade para nos unir. Parabéns, Brasília. * Governador do Distrito Federal
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Artistas se reúnem em vídeo e cantam parabéns para Brasília
Era para ser só um Parabéns pra você, mas num resgate de emoções e lembranças, a cantora Renata Jambeiro resolveu improvisar. Aos 38 anos, a artista, nascida e criada na capital, recitou um poema como sua declaração de amor a Brasília, que completa 60 anos nesta terça-feira (21). Numa iniciativa do Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), Renata e outros 23 artistas da cidade, entre músicos, poetas, cineastas, cantores e atores, se uniram para, cada um de sua casa, gravar um vídeo deixando uma marca para as festividades virtuais – enquanto as presenciais estão temporariamente suspensas, durante o período de pandemia mundial. “É um jeito de estarmos ligados, conectados e simbolicamente abraçados entre nós e ao público nessa homenagem a Brasília”, explica Renata, que cantou na festa do cinquentenário da cidade, em 2010. Já estão nessa barca Manassés, Seu Estrelo, Célia Porto, Paraná, Nilva de Souza, Vladimir Carvalho, Marcelo Sena, Renato Matos, Sérgio Duboc, Felipe Gracindo, Jonatas Caloro, Hellen Dieb, Dhi Ribeiro, Marquin, Nicolas Behr, Noelia Ribeiro, Wellington Abreu, Vicente Sá, Japão, João Antônio, Leandro Rocon, Martinha do Coco e a dupla Zé Mulato & Cassiano. Agora é sua vez. Dê o play e cante conosco esses parabéns para a cidade. https://youtu.be/P1T4soRtxHw
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Adirson Vasconcelos: o encantamento da solidão nos primórdios de Brasília
[Numeralha titulo_grande=”2″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Adirson, ao conhecer o terreno onde seria erguida a capital federal: “Tudo o que se olhava, em qualquer posição, era horizonte” | Foto: arquivo pessoal “A minha relação de simpatia, admiração e crença em Brasília se desenvolveu a partir do primeiro momento que eu a vi. Em maio de 1957, houve na região onde seria construída a nova capital do Brasil um ato a que se chamou de Pedra Fundamental da Nova Capital. Naquele tempo, na década de 1950, eu era repórter no Recife do jornal Correio do Povo. Escalado pela direção, fui designado para fazer a cobertura do fato que aconteceria no Planalto Central de Goiás, a 20 quilômetros de Goiânia. Depois de um dia inteiro de viagem de Goiânia até aqui, hospedei-me em um hotel de madeira recém-construído no Acampamento Núcleo Provisório, na Cidade Livre – hoje, o Núcleo Bandeirante. Dormi e, pela manhã, horas antes do lançamento da pedra fundamental, saí para conhecer o terreno onde seria Brasília. A terra era muito vermelha, diferentemente do que me acostumara a ver no Nordeste. Em meio à vegetação rasteira e às árvores retorcidas, elevei o olhar para o céu e contemplei uma abóboda celeste muito azul com lindas nuvens brancas. Uma beleza inusitada, com um horizonte ao longe. Tudo o que se olhava, em qualquer posição, era horizonte. De repente, dou-me de frente com o oriente e contemplo estarrecido um sol vibrante, parecendo uma bola de fogo de tão forte e intenso. Eis a alvorada de Brasília. [Olho texto=”Aquela irradiação solar aqueceu-me o corpo e me invadiu a alma de forma inusitada. Encantei-me naquela solidão, com a visão quase celestial que me marca até hoje, em 2020, quando celebraremos os 60 anos de Brasília” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda “] Aquela irradiação solar aqueceu-me o corpo e me invadiu a alma de forma inusitada. Um momento transcendente, nunca vivido até aqueles meus 20 anos de vida. Encantei-me naquela solidão, com a visão quase celestial que me marca até hoje, em 2020, quando celebraremos os 60 anos de Brasília. A par daquele impacto fisiológico que senti ao contemplar o nascer do sol em Brasília, vivi um momento de transcendência, de transformação mental e de espitualização marcantes. Durante a missa onde hoje é a Praça do Cruzeiro, o cardeal dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota anunciou no sermão que aquele momento era um dos três marcos da história do Brasil – junto com o Descobrimento, em 1500, e a Independência, em 1822. Aquele momento solitário me impactou a alma e tive divergências. Mas, com o passar dos dias, e até a inauguração da cidade, em 1960, era igualmente marcante como o alvorecer. Guardarei aqueles momentos para a vida toda. Da epopeia da construção até os dias atuais, pude acompanhar ao longo de 63 anos o sonho que nasceu com Tiradentes, Apolônio da Costa e tantos outros brasileiros, e projetada como a obra do século 20. Ali nascia a capital da esperança. Em 1986, quando a cidade já estava quase consolidada, Juscelino Kubitschek, dois meses antes do seu falecimento, profetizou-me após uma longa conversa: Brasília será a capital deste milênio, pelo significado que sua missão civilizadora representa como polo irradiador de desenvolvimento. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita “] Vivo, desde aquela alvorada de 1957, esse grande espírito de Brasília. E estou integrado a ele. Por isso fiz um poema chamando Brasília de minha terra, meu céu e meu mar, além de templo da união nacional, construtora de um novo tempo. Hoje vivo plenamente os mesmos sentimentos daquele primeiro momento. Momento de jovialidade, de fé, de crença e de esperança, agora muito mais fortalecido na grande missão civilizadora. Além de trabalhar como jornalista e acompanhar toda a história, tive aqui sete filhos e 11 netos, e 60 livros. A minha mais nova cria é a Enciclopédia da História de Brasília, em todos os seus tempos, divididos por décadas. Assim, ofereço um registro de memórias de quem viveu e ainda vive os dias da capital que amo.” Adirson Vasconcelos, 83 anos, cearense, chegou a Brasília em 1957. Encantado com a energia do lugar onde nasceria a nova capital, voltou ao Nordeste, fez todas as malas e do Distrito Federal não saiu mais.
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É festa: feliz aniversário para a capital do país
A beleza que resiste a qualquer tempo difícil | Foto: Secom / Reprodução de vídeo A festa vai ficar para depois. Mas os 60 anos de Brasília merecem ser comemorados por cada um de nós que nasceu, vive e ama esta cidade linda, cheia de oportunidades, repleta de brasileiros de todos os cantos, mas que já tem até sotaque próprio. São tempos difíceis, em que até os abraços e beijos devem ser evitados, mas que mostram a solidariedade da nossa gente. É por causa dessa força que a gente pode dizer de peito aberto: parabéns, Brasília.
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BRB prepara festival online para comemorar 60 anos de Brasília
Festival desenhado pelo Banco de Brasília (BRB) para celebrar os 60 anos de Brasília, o BRBPlay vai apresentar 38 atrações, entre shows, aulas de ginástica e de gastronomia, atividades para crianças e concurso cultural (veja mais informações nas ilustrações ao final da matéria). [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Com a população em casa devido à pandemia da Covid-19, o BRB buscou um jeito diferente para não deixar a data passar em branco. Por meio dos perfis do Instagram (no perfil do festival, @brb.play, e no perfil oficial do BRB, @brb_bancodebrasilia), serão dois dias, segunda e terça-feira (21), de programação intensa. Mas, como estamos ansiosos para a festa, vamos antecipar uma das atrações. Neste domingo (19), o músico Bhaskar faz um aquecimento, a partir das 16h30, direto do canal dele no Youtube. Além de Bhaskar, o BRBPlay vai contar com shows de Nando Reis, Zélia Duncan, Osvaldo Montenegro, Dinho Ouro Preto, Scalene e Digão, entre outros. A programação completa está disponível em nossos canais (@brb.play e @brb_bancodebrasilia). Outras informações estão disponíveis na Sala de Imprensa do site do Banco de Brasília. * Com informações do BRB
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Isabela Colepicollo: dançarina das curvas da capital
[Numeralha titulo_grande=”3″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. | Foto: arquivo pessoal “Moro em Brasília há 14 anos e amo esse Quadradinho. Brasília é movimento: suas curvas arquitetônicas, suas tesourinhas, seus três milhões de moradores indo e vindo, seus ipês frondosos… tudo isso é muito acolhedor e me faz sentir uma sensação de paz. Apesar de não ser filha de Brasília, cheguei aqui com pouca idade e já sinto uma forte sensação de pertencimento. Morei na cidade de São Paulo por um ano, mas, ao retornar, percebi que aqui é meu verdadeiro lar. Não há lugar no mundo que nos presenteie diariamente com este céu. Durante a semana, precisamente às 17h30, paro tudo o que estou fazendo e vou para a janela contemplar o entardecer. Aos finais de semana aproveito os bares e festas com meus amigos, exploro os pontos turísticos, respiro o ar puro que os parques oferecem e sempre busco lugares que me aproximem da natureza. Quando preciso me desconectar um pouco, gosto de ver o pôr do sol pertinho do Lago Paranoá. A imensidão e a beleza do céu fazem desse momento um evento inesquecível. Neste aniversário de 60 anos de Brasília, nós, jovens, esperamos que ela nos abrace, sempre que necessário, e cuide de nós. Queremos um cantinho seguro para viver, repleto de oportunidades e de espaços comuns a todos.” Isabela Colepicollo tem 21 anos. É dançarina e estudante de Psicologia, e mora em Águas Claras
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Marcelo Márcio e o legado do seu Nico, da Nicolândia
[Numeralha titulo_grande=”4″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. “Meu pai, seu Nico, mineiro de Mariana, chegou a Brasília em 1968. Ele passou por vários locais até se instalar no Parque da Cidade. O bastão foi passado em 2002, quando ele partiu. Desde então, assumi a responsabilidade de fazer com que o Nicolândia se tornasse um grande parque de diversões urbano. Instalado desde 1978, é um dos grandes cartões-postais da cidade, um patrimônio a céu aberto. Temos orgulho de contar essa, que é uma história de família – na administração e na visitação. … [Olho texto=”Brasília é um jardim florido. Fico feliz porque, além de fazer parte da história da cidade, fazemos com que ela respire momentos e memórias além do cotidiano.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Eu nasci em Brasília e tinha seis anos quando o Parque da Cidade foi inaugurado pelo então governador Elmo Serejo. Naquela época, ele o batizou homenagem ao filho dele: Parque Rogério Pithon Farias. Era um movimento muito grande e foi um grande presente para a cidade porque hoje o parque é o grande pulmão da capital. Me recordo que meu pai, com muito afinco, sempre imaginou o futuro daqui. Ele passou por muitos desafios. O Nicolândia atravessou várias fases, até ao ponto de ele pensar em desistir. Mas seu Nico tinha uma resiliência muito grande e conseguiu germinar a semente. Se hoje temos uma floresta, não podemos esquecer dessa semente. Eu acompanhava muito meu pai e consegui sentir tudo aquilo que ele passou. Sou fruto de tudo isso que foi feito lá atrás. O propósito do Nicolândia é criar memórias, marcar infâncias e deixar legado. Ele deixou e tenho uma energia boa de estender esse legado às futuras gerações, inclusive para meus filhos. Brasília não respira só política. Tem o terceiro maior polo gastronômico do Brasil, vários monumentos, um céu maravilhoso, uma das maiores avenidas do mundo. Brasília é um jardim florido. Fico feliz porque, além de fazer parte da história da cidade, fazemos com que ela respire momentos e memórias além do cotidiano. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Quem vem ao parque de diversões quer se distrair, se desligar da rotina, e quando chegam, querem se conectar com as emoções. Isso me faz sentir vivo na cidade e me desafia a entregar ainda mais. Daqui a 60 anos, imagino a cidade bem consolidada, desenvolvida, com povo trabalhador e feliz. Imagino a cidade com várias inovações em tecnologia, disruptiva, com polo de desenvolvimento. Imagino que seja a capital das capitais.” Marcelo Márcio Gomes de Souza, empresário, 48 anos, nicolândia
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BRB comemora 60 anos de Brasília com inovação e criatividade
Brasília completa 60 anos na próxima terça-feira (21), e a data não vai passar em branco. Por isso, o BRB, Banco oficial do DF, vai comemorar as seis décadas da capital do País de um jeito diferente: vem aí o festival #BRBplay. Serão dois dias – 20 e 21 de abril – de programação, nas redes sociais, para prestigiar artistas, educadores e empreendedores da cidade e entreter os brasilienses. “A pandemia do Coronavírus exige de nós responsabilidade, para com a saúde de todos, e criatividade para que os 60 anos da nossa cidade não deixassem de ser festejados. Estaremos em casa, mas todos declarando nosso amor por nossa cidade”, afirma o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O #BRBplay – Brasília 60 anos vai contar com uma série de atrações para todas idades e gostos. Gastronomia, programação fitness, atividades para as crianças e muita música, com a participação dos maiores nomes da cidade. O evento também será marcado por ações de engajamento com o público. A programação completa do BRB para os 60 anos de Brasília vai ser divulgada nos próximos dias, e também tem como objetivo incentivar a economia local e valorizar os artistas daqui. #novoBRB #Brasília60anos #BRBplay #Superadf * Com informações do BRB
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Ivan Presença saiu da Rodoviária e ficou bestificado com a cidade
[Numeralha titulo_grande=”5″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Ivan ficou deslumbrado ao chegar em Brasília, especialmente com as obras da Catedral e do Teatro Nacional, além da Torre de TV. “Ponto de encontro aos sábados em suas barracas regionais e paqueras”, conta. Foto: Arquivo pessoal “Cartas de amor para ela, Quando eu te conheci você tinha sete anos, era uma criança e eu saboreava um pastel com caldo de cana na rodoviária ao amanhecer. Você era jovem e eu também. No meu primeiro dia na cidade estava chegando de uma viagem do Rio de Janeiro para atender um convite de trabalho em uma livraria que funcionava na galeria de lojas do principal hotel da cidade, o Hotel Nacional, que funcionava como um shopping naquela época. [Olho texto=”Minha querida Brasília, este ano o seu aniversário vai ser diferente, não vai ser igual àqueles que se passaram, estamos de quarentena e vamos ficar em casa para não adoecer.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Subi a escada rolante para a parte superior da Rodoviária e era cedo, o sol iluminava a Esplanada. Bela paisagem, um gramado verde que parecia um tapete e o céu azul. Parecia que eu estava voando em um balão, sinais da lua e de algumas estrelas no céu, fiquei hipnotizado com o que via. Apresentei-me ao meu novo endereço de trabalho e moradia: morava na sobreloja da livraria. Para chegar ao local fui a pé da Rodoviária admirando a paisagem, uma subida via rampa de terra vermelha (hoje o Conic) até a chegada ao Hotel Nacional com uma visão em 360 graus da cidade. Fiquei deslumbrado. A estrutura em obras da Catedral e do Teatro Nacional e a Torre de TV, ponto de encontro aos sábados em suas barracas regionais e paqueras emocionantes. O tempo passou e você foi crescendo. Fui conhecendo Planaltina (quantas histórias), Gama, Sobradinho, Guará, Morro do Urubu, Barracões da Asa Norte (W3 Norte), Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Cruzeiro Velho e Novo, Paranoá, São Sebastião, Jardim Botânico e Telebrasília… [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Você cresceu e o relógio da vida não para. Sessentona necessitando de reparos em sua anatomia, suas curvas e tesouras precisando de retoque, suas retas e largas avenidas largas cederam espaço ao Metrô, o carnaval das escolas de samba cedeu espaço para os blocos de rua, e até às livrarias acabaram-se: agora é tudo on line. Minha querida Brasília, este ano o seu aniversário vai ser diferente, não vai ser igual àqueles que se passaram, estamos de quarentena e vamos ficar em casa para não adoecer. O relógio não para, mas vamos lutar para que o ano que vem possamos colocar a Bateria da Aruc na comemoração de seus 61 anos. O sonho não acabou.” Ivan Presença, 70 anos, é livreiro e mora no Jardim Botânico
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Subir no foguete do Parque Ana Lídia, quem nunca?
O parque é o Ana Lídia, que fica no estacionamento 12 do Parque da Cidade. Há 49 anos ele é garantia de diversão para diferentes gerações de brasilienses. Fotos: Arquivo Público do DF No coração da capital do Brasil existe um parque, o maior espaço público de lazer da América do Sul. Em seu interior tem outro e dentro dele tem um foguete. No foguete, Silvana Seabra, então com 6 anos, viajou para a Lua muitas vezes. Lá de cima ela via meninas dentro de carruagens e meninos em cabanas de índio. Também observava a Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional, os prédios mais altos da paisagem naquela época. O parque é o Ana Lídia, que fica no estacionamento 12 do Parque da Cidade. Há 49 anos ele é garantia de diversão para diferentes gerações de brasilienses. É difícil encontrar um morador de Brasília que não tenha a lembrança de ter ido pelo menos uma vez ao parque de areia quando criança. E até hoje o espaço faz sucesso, ficando lotado aos finais de semana. Inaugurado em 1971, o parque infantil foi uma das primeiras opções de lazer para as crianças da capital. “Naquela época, só tinha os parquinhos das quadras. Não tinha um espaço daquele, com grandes brinquedos. E ainda era de graça”, conta o o publicitário brasilense João Amador, 41 anos, que mantém um perfil nas redes sociais desde 2014 que conta histórias de Brasília. Segundo ele, apesar de a abertura oficial ter sido em 1971, o espaço já era usado para as brincadeiras da meninada desde 1969. Na época, o local era chamado de parque da torre, inaugurada em 1967. “Só fizeram a inauguração oficial. Mas era a mesma coisa, a mesma área e os mesmos brinquedos”, diz. Ocupando uma área na Asa Sul intocada até então, o parque trazia brinquedos temáticos divididos em três partes: a Ala das Meninas – com elementos de contos de fadas, como carruagem em forma de abóbora, como a carruagem da Cinderela, escorregador em forma de bota e animais gigantes; a Ala dos Meninos – relacionada aos filmes de aventura da época, com cabanas apaches, barco viking e caravanas do velho oeste; e a Ala Futurista – com um foguete espacial, trepa-trepa em forma de bolha, roda-roda no formato de cápsula lunar, entre outros. Silvana Seabra, na foto com 6 anos, frequentava o parque antes mesmo dele ser oficialmente inaugurado. Foto: arquivo pessoal O foguete era, e ainda é, o xodó dos frequentadores do local. Para a administradora Silvana Seabra, hoje com 55 anos, o espaço sempre será identificado como “Parquinho do Foguete”. Ela guarda fotos tiradas no local em 1970, quando o parque nem tinha sido inaugurado oficialmente. “Sempre gostei de altura, lembro de observar lá de cima, de um lado, a vegetação da área que depois virou o parque da cidade, e, do outro, a Esplanada dos Ministérios, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados”, diz. “Brasília não tinha nada naquela época. Nenhum daqueles prédios altos ali em volta existia”, recorda-se. Viagem Silvana saía do Lago Sul, pelo menos duas vezes por mês, para brincar no parque. Foto: arquivo pessoal A diversão da garotada era correr até o alto do foguete e escolher se a descida seria feita pelo escorregador, que não existe mais, ou pelas escadas. “A graça era escorregar até lá embaixo. O brinquedo era alto”, lembra Silvana. Além do foguete, ela gostava de se equilibrar no trepa-trepa . Silvana morava com os pais e os dois irmãos no Lago Sul. Mesmo com a distância, ela ia com a irmã mais velha umas duas vezes por mês ao parque, “a única opção de lazer para a criançada na época”. “Meu irmão é cinco anos mais novo, não lembro dele ir com a gente, era muito novinho. Minha irmã que ia comigo, eu tinha 6 e ela 7/8”, conta. O trajeto entre o Lago Sul e a área central de Brasília era uma viagem na década de 70. “Eu morava onde é hoje a QI 11. Não tinha nenhuma ponte e gente tinha que dar a volta pelo aeroporto para ir à cidade”, diz. As pontes só chegaram ao Lago Sul em 1974. A primeira deveria ter sido a Costa e Silva, um projeto de Oscar Niemeyer feito em 1967. As obras, iniciadas em 1973, ficaram anos paralisadas e a ponte só foi inaugurada em fevereiro de 1976. A primeira a ser de fato utilizada foi a Ponte das Garças, conhecida como Ponte do Gilberto, cuja construção durou poucos meses e foi inaugurada em janeiro de 1974. Para Rejane Marinho, 45 anos, o parque é mágico. O local é tão especial para ela que a família dela já está avisada: quando morrer, quer ser cremada e deseja que suas cinzas sejam jogadas no Ana Lídia. “Eu e meus dois irmãos passamos pela separação dos nossos pais e sofremos muito. Mas no meio dos brinquedos esquecíamos das brigas deles. Era um lugar de paz, de brincarmos e sermos felizes”, diz. Rejane se mudou de Brasília quando tinha 10 anos. Hoje a pedagoga e advogada mora em Campo Grande (MS), mas continua tendo uma relação forte com a capital. “Tenho tios aí, meu pai ainda mora em Brasília, sempre estou na cidade”, conta. O Parque da Cidade como um todo é especial para ela. Além de subir no foguete, “que era tão alto”, ela tem lembranças de piqueniques com a família e de soltar pipa com os irmãos. “O Parque da Cidade todo é muito importante para quem morou em Brasília na década de 80”, diz. “A gente morava na Asa Sul, primeiro na 412 e depois na 415, e íamos pra lá quase todo fim de semana”, completa. Mesmo não morando mais em Brasília, ela fez questão que as filhas, gêmeas hoje com 20 anos, conhecessem o lugar onde a mãe passou os melhores dias da infância. Elas moravam em Goiânia na época, as meninas tinham 3 anos e meio e vieram passar o dia no parque. Elas curtiram, mas acho que foi mais importante para mim”, conclui. Mudança de nome O “espremedor de laranjas” era diversão garantida na época. Hoje não existe mais. Foto: Histórias de Brasília João Amador lembra que, até meados dos anos 80, o parque de areia do Parque da Cidade era o grande parque infantil do Distrito Federal. “Tinha a Nicolândia, mas era pago e tinha outra pegada. Acredito que 100% das crianças de Brasília nas décadas de 70 e 80 tenham frequentado o parque”, afirma. Segundo o publicitário, de 1971 para cá, o Ana Lídia não recebeu nenhum novo brinquedo significativo. Pelo contrário. Muitos foram retirados até para a segurança dos usuários. Como o escorregador que tinha no meio do foguete e um roda-roda que parecia um espremedor de laranja onde as crianças ficavam em pé. “Eram brinquedos bem assassinos”, diz. Quando foi inaugurado, o parquinho de areia foi batizado de parque Yolanda Costa e Silva, nome da esposa do presidente Costa e Silva, falecido dois anos antes. Mas anos depois foi renomeado para homenagear uma de suas frequentadoras: a menina Ana Lídia, que fora assassinada em 1973, um dos crimes mais misteriosos da cidade, até hoje não solucionado. Ana Lídia Braga tinha 7 anos e foi sequestrada depois de ser deixada na porta do colégio Madre Carmen Salles. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte em um matagal perto da Universidade de Brasília (UnB). A menina estava nua e o cadáver tinha sinais de violência sexual. O túmulo dela, no Cemitério Campo da Esperança, até hoje recebe visitas de pessoas que levam flores e brinquedos. Antes do Parque da Cidade O parque infantil é anterior ao Parque da Cidade, criado sete anos depois e que também já teve outro nome. Brasília tinha acabado de fazer 18 anos quando ganhou de presente uma imensa área verde no meio das asas do Plano Piloto. Ele ocupa uma área de 420 hectares (o equivalente a 4 milhões e 200 mil metros quadrados) e é maior que o famoso Central Park, em Nova York, que tem 320 hectares. Originalmente, o espaço recebeu o nome de Rogério Pithon Farias, que era filho do então governador, Elmo Serejo, e que morreu em um acidente de carro. Foi renomeado para Parque Dona Sarah Kubitschek em 1997, mas, em 1986, já tinha ganhado fama nacional por meio da música Eduardo e Mônica do grupo brasiliense Legião Urbana. O local foi palco do primeiro encontro do futuro casal. A Mônica foi de moto e o Eduardo de camelo (bicicleta). Além das imensas áreas verdes entre as superquadras, o plano piloto do urbanista Lucio Costa previa um jardim botânico, na Asa Sul, e um jardim zoológico, na Asa Norte. Mas, após uma série de modificações do projeto original, foi decidido que as duas áreas se somariam em um único parque, o Parque Zoobotânico de Brasília, na Asa Sul, cujo projeto seria desenvolvido por Roberto Burle Marx, em 1961. Entretanto, foi somente na década de 1970, com o aumento da cidade, a necessidade de ocupação de seus limites para se proteger de invasões, somado à necessidade de criação de uma grande área pública de recreação, que o governador do Distrito Federal, Elmo Serejo Farias, determinou a implantação de um parque recreativo, sendo necessária a criação de um novo projeto. Lucio Costa ficou responsável pelo planejamento urbanístico, os arquitetos Oscar Niemeyer e Glauco Campello incumbidos por alguns prédios a serem construídos e Burle Marx se dedicou ao projeto paisagístico. Os 16 banheiros do parque são revestidos por azulejos do artista plástico Athos Bulcão. Atualmente, o Parque da Cidade tem atrativos para todas as idades. São quadras de futebol de campo, de futebol de areia, beach tênis, quadras poliesportivas, de vôlei de concreto, vôlei de praia, futevôlei, frescobol, de vôlei de saibro e tênis de concreto, além de 49 churrasqueiras, seis parques infantis, cinco pontos de encontros comunitários (PEC), uma ciclovia e pista de cooper com circuitos de 4 km, 6 km, e 10 km, e diversos quiosques para alimentação. Em média, entre 40 mil e 50 mil pessoas passam por lá aos fins de semana.
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Rodrigo Nardotto, o pintor cuja musa é a capital
[Numeralha titulo_grande=”6″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Rodrigo pensa em Brasília o tempo todo quando pratica a arte da pintura. “É uma abdução, você é abduzido por Brasília”, confessa. Foto: Arquivo pessoal “Tinha um amigo meu, muito chato, que sempre me criticava. ‘Você só pinta Brasília’, ele dizia. Mas tem uma frase do escritor russo Liev Tolstói que sedimentou meu amor pela capital. ‘Quem pinta sua aldeia torna-se universal’. Depois de ouvir isso, perdi o receio de pintar Brasília. É a minha cidade e eu a amo. Estou começando a rodar o mundo com minha arte, mas quando eu volto é sempre aquele impacto: poxa, Brasília é incrível. É impossível não pintar Brasília. Todos os pintores da cidade têm quadros maravilhosos sobre ela. O cara que não pinta Brasília não é artista de Brasília. Se você morasse em Londres ia pintar o Big Ben, o rio Tâmisa. E Brasília é tão distoante, com todo esse modernismo, que não tem como. É uma influência, me falta um termo melhor, quase parasitária, que se infiltra em você, te domina, é quase uma abdução. Você é abduzido por Brasília, não tem jeito. [Olho texto=”Perdi o receio de pintar Brasília. É a minha cidade e eu a amo. Estou começando a rodar o mundo com minha arte, mas quando eu volto é sempre aquele impacto: poxa, Brasília é incrível.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Quando eu comecei a pintar, há uns 10 anos, fiz muitos estudos em ikebana, que é uma arte floral, e que me deu vários conceitos que eu precisava, como equilíbrio, forma, contraste, cor. Quando aprendi esses conceitos, comecei a pintar o óbvio de Brasília, os monumentos, os ipês, o céu. Tanto que fiz uma série chamada ‘Óbvia Brasília’, a minha primeira, entre 2011 e 2012. Depois dela eu fiz a série ‘Placas’. Eu vi, pela cidade, placas batidas, pichadas, fazendo parte da paisagem. Achei muita poesia no fato de nós interferirmos na paisagem (fazendo as placas) e depois interferir na interferência, seja com acidente de trânsito, com a pichação. Aí eu pintei as placas de Brasília com Brasília de fundo, ficou bem legal. Tanto que o embaixador da Bélgica na época, o Josef Smets, comprou uma tela e disse que nunca tinha visto, em lugar nenhum do mundo, uma placa avisando que as pessoas não buzinam, como tem aqui. Depois dessa eu pintei uma série sobre como teria sido se o Van Gogh tivesse pintado Brasília. Eu comecei pintando Brasília, pintei 24 telas aqui, fiz ‘A Noite Estrelada’ no Palácio da Alvorada. Mas achei pouco e nós (o Van Gogh e eu) viajamos para o Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Agreste e Sertão. Pintei mais de 90 telas com esse tema. Eu não tenho tempo nem muita paciência pra fazer o plein air, aquela pintura ao ar livre. Como bom brasiliense, ando muito de carro. Quando eu vejo um cenário que acho que vai dar um bom quadro, eu paro, fotografo com a câmera do celular mesmo e depois pinto. Como a minha escola de arte é o expressionismo, eu pinto mais o que eu sinto do que vejo. Tenho a referência guardada e, quando vou para o ateliê, olho aquela foto, lembro do sentimento que tive quando vi aquela paisagem e faço a pintura. O que mais me impressiona em Brasília é a cor. E a luz, também, que é fantástica. Você mistura os sentimentos que você tem com as linhas de Brasília. Aí, tem os ipês que são maravilhosos, o céu que é uma abstração diferente todos os dias, mesmo na época da seca que a gente fica monotemático com o céu. Ainda assim você consegue capturar nuances diferentes. Eu tenho uma série que se chama ‘Céus’, que traz estudos sobre a dinâmica do céu de Brasília, ao mesmo tempo não desprezando os ipês, a escala monumental, mas sempre associados ao céu. Em primeiro plano, em 95% da imagem é o céu. Brasília é céu, natureza e modernismo. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Quando eu era criança eu passava horas vendo o céu. Eu adorava, sabia todas as nuances dos tons do pôr-do-sol, dos dias de chuva. Quando chovia ficava cinza de um lado e sol no outro, um contraste maravilhoso, quando chovia muito longe, o céu ficava azul escuro, mas o pôr-do-sol, nas minhas costas, lançava uma luz amarela nesse azul. Um dia consegui pintar esse cenário que via na infância. Desde criança sempre tive a cabeça nas nuvens. Sou nascido e criado em Brasília, meus pais vieram pra cá em 1968 para fazer a vida. Eles se formaram em um dia, casaram-se no outro e no seguinte já estavam em Brasília. Minha mãe é assistente social e meu pai, engenheiro. Ele chegou de manhã e de tarde tinha dois empregos. Eu nasci em 1973, sou o filho do meio de três irmãos. Fui criado na Asa Norte, numa época em que você andava de dia ou à noite sem nenhum problema. Hoje até anda, mas não pode dar mole. Eu morava em apartamento, mas meu quintal era a quadra. Era uma delícia. Fiz UnB e Ceub e sou servidor público nas minhas 40 horas vagas semanais, quando não estou pensando em arte.” Rodrigo Nardotto, 47 anos, artista plástico, morador do Lago Norte Depoimento concedido à jornalista Gizella Rodrigues
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Ariane Melo e a imensidão do céu candango
[Numeralha titulo_grande=”7″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Ariane sente uma imensidão de amor pelas quadras arborizadas e pessoas passeando por entre os prédios. E uma Imensidão de sonhos ao ver Brasília se transformar em algo que vai além do Plano Piloto. Foto: Arquivo pessoal Brasília é aquele choque de beleza à primeira vista, que vai perdurando por todos os outros dias em que aqui você vive. Cheguei na cidade aos 3 anos. Foram fotos e mais fotos tiradas com as flores exuberantes que habitavam o Balão do Aeroporto no fim dos anos 1990 e que enchem os álbuns das famílias. [Olho texto=”Brasília é amor à primeira vista e amor de toda a vida. É realizar, é crescer, é se sentir grande e importante em meio a ‘poderosos’. É ter orgulho em bater no peito e dizer que é aqui onde o coração bate mais forte.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Por sempre morar em cidades satélites, me enchia os olhos quando eu chegava no coração de Brasília, na minha opinião, que é o Eixo Monumental quando os olhos travam no encontro do céu com a Catedral. Ah, esse céu. Que imensidão tremenda! Durante todos esses anos ainda consigo me surpreender. E que bom é me surpreender com cada cor que tenho a sorte de enxergar nessa imensidão. Imensidão é o sentimento que tenho por Brasília. Uma imensidão de alegria em poder acompanhar o crescimento não só da cidade, mas como a construção da cultura que o quadradinho respira em cada canto dele. Imensidão de amor pelas quadras arborizadas e pessoas passeando por entre os prédios. Imensidão de sonhos em ver Brasília se transformar em algo que vai além do Plano Piloto. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Brasília é amor à primeira vista e amor de toda a vida. É realizar, é crescer, é se sentir grande e importante em meio a ‘poderosos’. É ter orgulho em bater no peito e dizer que é aqui onde o coração bate mais forte. Brasília é tudo o que quero para minha vida! Ariane Melo, 25 anos, publicitária, mora em Arniqueira – Depoimento concedido ao jornalista Freddy Charlson
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Poeira, lona e concreto: mostra homenageia pioneiros de Brasília
Não é por acaso que o Museu Vivo da Memória Candanga (MVMC) recebe este nome. O lugar que reúne as histórias dos primeiros habitantes de um espaço que se tornaria a nova capital do país continua nutrindo-se de “memórias vivas”. O equipamento cultural regido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) celebra seus 30 anos de vida revivendo trajetória dos sonhadores que ergueram Brasília, o povo candango. Com acervo composto pelas edificações históricas, peças, objetos e fotos da época da construção de Brasília, distribuído pela exposição permanente “Poeira, Lona e Concreto”, o Museu Vivo narra a história da cidade, desde os sonhos, os projetos, a construção, até sua inauguração, em 1960. Considerado um momento histórico para o país, o projeto da nova capital influenciou uma era de mudanças e de grandes expectativas para os brasileiros. Em 1956 começaram a chegar ao “Planalto Central” trabalhadores de diversos estados, movidos pela oportunidade de trabalho e pelo desejo de participar do processo de construção da tão idealizada Brasília. Chamados de ‘candangos’, os operários foram se instalando em acampamentos improvisados que, com a evolução das obras, foram ganhando nomes. Nesse processo, surgiram a Cidade Livre (Núcleo Bandeirante) Lonalândia (Candangolândia) e a Vila do Iapi, alojamento onde foi construído o primeiro hospital da cidade, Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira (HJKO). De acordo com estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os trabalhadores vindos de outros estados somavam cerca de 30 mil pessoas em 1958. Embora a população predominante fosse de estados próximos como Goiás, Minas Gerais e Bahia, as raízes nordestinas eram consideradas as mais fortes entre os operários da época. Carregando a missão de ligar passado e futuro por meio da conservação do que foi deixado pelas gerações antecessoras, o Museu Vivo é frequentemente visitado por personagens que conseguem contar ainda mais histórias e curiosidades de uma época tão emblemática para o país. Os pioneiros contribuem para o processo de construção patrimonial e histórica do complexo cultural destinado a valorizar a cultura dos operários que deixaram seus estados motivados por uma vida com mais oportunidades. A história dos candangos e pioneiros é contada pela exposição permanente “Poeira, Lona e Concreto”, que também celebra três décadas em abril, e traz a linha do tempo da construção de Brasília, desde sua projeção até os dias atuais. Composta de diferentes ambientações, a mostra inclui fotografias, textos, móveis e objetos do início de Brasília, que vão desde documentos importantes como os da “Missão Cruls”, projetos de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, até as acomodações dos pioneiros, com detalhes da vida de inúmeras famílias, fazendo com que a representação sociocultural se materialize para cada visitante. De acordo com a gerente do Museu Vivo, Eliane Falcão, as histórias dos candangos contribuem para a temática de “Poeira, Lona e Concreto”, pois demonstram a sensação de sonho realizado ao se estabelecerem na Capital Federal. “O Museu Vivo é a casa dos pioneiros. Diariamente recebemos visitas de ex-moradores dos alojamentos, da Cidade Livre, que trazem fotos e curiosidades muito particulares do momento que Brasília nasceu. Todas as memórias são acolhidas com muito carinho, dos agentes que contribuíram para o surgimento da capital”, celebra. Pioneiros, poeira, lona e concreto Sempre dispostos a contribuir com relatos emocionantes para a história de Brasília, os pioneiros nunca deixaram de visitar o Museu. Enxergando-se em cada relíquia da exposição, estes personagens contribuem para o enriquecimento e detalhamento da trajetória de vida levada pelos candangos. Foto: acervo pessoal de Walter Morais Do município de Caxias do Maranhão desembarcou na construção da nova capital, em meados de 1958, o casal Walter e Maria Raimunda Nascimento. Com a esperança de constituir família e garantir um futuro melhor na nova cidade, os recém-casados puderam abrigar-se na “Vila Iapi”, alojamento instalado nas dependências do Hospital Juscelino Kubitscheck de Oliveira (HJKO). Pouco tempo depois, Walter, que hoje tem 82 anos, conseguiu um emprego de enfermeiro no centro de saúde, que também foi o local onde nasceram seus dois primeiros filhos, Carlos Frank e Cione Márcia. Para Maria Raimunda (78), a aventura de sair da cidade natal com o marido, em busca de melhores condições, foi a melhor escolha que puderam fazer. “Lá no Maranhão não tínhamos nada, só a vontade de construir uma história melhor. Conseguimos moradia, trabalho, tivemos nossos filhos nessa cidade e nunca mais fomos embora. Nossa família nasceu e cresceu junto com Brasília, e por isso somos gratos”, explica a residente de Ceilândia. Foto acervo pessoal de Danúbio Martins Já o jornalista aposentado Danúbio Martins de Oliveira, 73 anos, tinha apenas nove quando chegou ao Planalto Central. No dia 03 de maio de 1957, acompanhado dos pais, Benedito Martins e Amélia Araújo, o menino veio de Anápolis-GO para assistir à primeira missa celebrada na futura cidade, onde se construiria o Memorial JK. Após a missa, os pais de Danúbio resolveram mudar-se definitivamente para a nova capital. A viagem de caminhão com duração de 3 dias trouxe uma família deslumbrada com o sonho do presidente Juscelino Kubistchek, entusiasmada com uma cidade completamente nova, moderna, fraterna e cheia de novas oportunidades. Os novos moradores logo se estabeleceram na Cidade Livre, onde abriram o “Armazém Oeste”, loja de materiais de construção. “Além de trabalhar com meus pais no comércio, fui um dos primeiros escoteiros de Brasília. Assim, tive a oportunidade de acompanhar o presidente JK, de Goiânia a Brasília em 1961, quando ele foi eleito senador pelo estado de Goiás”, relata o pioneiro. Morador do Núcleo Bandeirante, o aposentado acredita que a exposição “Poeira, Lona e Concreto” revela a história de uma capital que da poeira surgiu, a partir da idealização de projetos de vida que se tornaram realidade. “Considero Brasília uma cidade maravilhosa, onde aprendi a viver, vi meus pais realizando o sonho deles e construí meu grande patrimônio, minha família. Brasília foi cenário de meus 10 casamentos, dos quais tive seis filhos e 10 netos”, celebra. Já o aposentado Alpheu Thomáz Leite, 86 anos, veio de Anápolis com um grupo de empresários para conhecer o local da futura capital do Brasil. O caminho, que passava pelos municípios goianos de Silvânia, Vianópolis e Santa Luzia (Luziânia), despertou a curiosidade dos jovens em relação ao Planalto. Na viagem, Alpheu e seu grupo percorriam de carro uma pista larga, no meio do cerrado, sem destino, até que avistaram a placa “Vera Cruz”, que era o nome sugerido pela igreja católica para a nova capital. “Tirei um retrato desta placa, para registrar que apesar de a igreja querer este nome, Brasília já tinha sido escolhida há muitos anos”, conta. O jovem retornou à futura capital em 1958, onde foi admitido pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e se fixou na Cidade Livre. O pioneiro relembra com emoção o primeiro prédio concluído em Brasília, localizado na quadra modelo, a 108 da Asa Sul. Para Alpheu, estas lembranças devem manter-se vivas não só na mente de pioneiros como ele, mas na de todos os brasilienses. Ele credita ao Museu Vivo a importância de narrar a história de quem fez da Capital Federal uma cidade da “Nova Era”. “Para mim, a história da construção de Brasília significa uma chama acesa que não se pode apagar”, conclui. * Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec)
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