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Depressão nem sempre se manifesta como tristeza

Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada.   Tristeza, frustração e luto fazem parte da experiência humana e podem surgir diante de perdas, conflitos e mudanças importantes. O alerta aparece quando o sofrimento persiste e começa a comprometer a rotina, os relacionamentos e outras áreas da vida. Durante o Setembro Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio, a psicóloga Larissa Lopes, do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), chamou a atenção para a importância de compreender a depressão para além dos estereótipos e reconhecer quando é necessário buscar ajuda profissional. Larissa Lopes, psicóloga do HRSM: “É preciso avaliar todo o contexto do paciente, seu histórico de saúde mental, possíveis comorbidades e outros fatores que possam estar relacionados ao quadro” | Fotos: Divulgação/IgesDF “A tristeza faz parte da experiência humana e é esperada em determinados momentos da vida; já a depressão é uma condição clínica caracterizada por sintomas persistentes que causam sofrimento significativo e prejuízos importantes no funcionamento social, profissional e em outras áreas da vida”, explicou. Diferentes formas de manifestação Embora muitas pessoas associem a depressão ao choro constante ou à tristeza profunda, o quadro pode se manifestar de diferentes maneiras. O transtorno depressivo maior, forma mais conhecida da doença, costuma envolver humor deprimido, perda de interesse por atividades que antes geravam prazer, alterações no sono e no apetite, dificuldade de concentração, fadiga intensa e sentimento de culpa e inutilidade, além de pensamentos relacionados à morte. Para que haja suspeita diagnóstica, esse conjunto de manifestações precisa estar presente por pelo menos duas semanas na maior parte dos dias. O diagnóstico, porém, não depende apenas do tempo ou da quantidade de sinais observados. “É preciso avaliar todo o contexto do paciente, seu histórico de saúde mental, possíveis comorbidades e outros fatores que possam estar relacionados ao quadro”, pontuou Larissa. “Não existe uma fórmula pronta.”  Transtorno depressivo persistente Além do transtorno depressivo maior, existem outras formas de manifestação do adoecimento psíquico. Uma delas é o transtorno depressivo persistente, conhecido antigamente como distimia. Nesses casos, o humor deprimido permanece por longos períodos, geralmente por dois anos ou mais, acompanhado de sintomas como baixa autoestima, desesperança e falta de energia. A depressão perinatal, por sua vez, pode surgir durante a gestação ou após o parto. Frequentemente confundida com alterações hormonais ou com o chamado baby blues, essa condição ainda é subnotificada. “Muitas vezes, os sintomas são atribuídos apenas aos hormônios ou às mudanças naturais desse período”, observou a psicóloga. “Isso faz com que muitas mulheres deixem de receber o cuidado necessário.” Além de afetar a saúde da mãe, o quadro pode interferir nos cuidados com o bebê, no vínculo familiar e no desenvolvimento da criança. Outro padrão de manifestação é o sazonal, marcado pelo surgimento de episódios depressivos em determinadas épocas do ano. Embora não seja considerado um transtorno independente, essa característica pode estar associada a fatores ambientais, como a menor exposição à luz solar em algumas regiões do planeta. “Emocionalmente, são episódios depressivos que se apresentam geralmente em uma determinada época do ano”, detalhou Larissa. “Em muitos lugares, há períodos com menor incidência de luz solar, o que costuma ter uma relação direta com a ocorrência desse quadro naquela população e região.” Quando o diagnóstico traz respostas Sintomas como cansaço, falta de energia e alterações de humor podem estar presentes em diferentes condições, o que torna a avaliação profissional importante para identificar o que está por trás do sofrimento. Ana Carolina Berbet percebeu mudanças em seu comportamento, procurou ajuda especializada e foi diagnosticada com burnout: “Quando comecei a sentir um cansaço constante, falta de energia e uma tristeza que parecia não passar, imaginei que estivesse enfrentando um quadro de depressão”  A executiva de seguros Ana Carolina Berbet percebeu isso na própria experiência. Acostumada a uma rotina intensa em cargos de liderança, conciliando responsabilidades profissionais, familiares e domésticas, ela começou a notar mudanças no próprio comportamento. “Eu sempre fui muito ativa e acostumada a lidar com grandes responsabilidades”, relatou. “Quando comecei a sentir um cansaço constante, falta de energia e uma tristeza que parecia não passar, imaginei que estivesse enfrentando um quadro de depressão.” Diante do que estava sentindo, Ana Carolina procurou ajuda especializada. Após avaliação multiprofissional, descobriu que enfrentava um quadro de burnout, síndrome associada ao esgotamento físico e emocional provocado pelo estresse crônico relacionado ao trabalho. Psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico, bem como uso de medicamentos, se preciso, fazem parte das abordagens  “Receber o diagnóstico correto foi fundamental”, avaliou. “Entendi que precisava desacelerar, cuidar da minha saúde e buscar equilíbrio.” A experiência reforça a importância de identificar corretamente o que está provocando os sintomas. No caso da depressão, Larissa enfatizou que há tratamento e que o cuidado deve considerar as particularidades de cada pessoa. As abordagens podem incluir psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e, quando necessário, uso de medicamentos. O objetivo é reduzir os sintomas e recuperar autonomia, funcionalidade e qualidade de vida. “Por trás de cada diagnóstico existe uma pessoa com história, vivências, preferências e sofrimentos próprios, e o tratamento precisa considerar tudo isso”, detalhou a psicóloga. “A depressão não deve ser encarada como uma sentença. Muitas pessoas conseguem alcançar remissão dos sintomas, retomar suas atividades e viver com qualidade. O mais importante é procurar ajuda e aderir ao tratamento adequado.” *Com informações do IgesDF  

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Centro Ludovico Pavoni tem áreas de diagnóstico e reabilitação reformadas na Asa Norte

O Centro Educacional da Audição e Linguagem Ludovico Pavoni (Ceal-LP), na Asa Norte, passou por reforma em áreas de diagnóstico, reabilitação e acolhimento de pacientes. Conveniada à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), a unidade integra a rede de assistência do Governo do Distrito Federal (GDF) e atende crianças, idosos e pessoas com deficiência auditiva, intelectual e com transtorno do espectro autista (TEA). Especializado em reabilitação, o Ceal-LP oferece pelo Sistema Único de Saúde (SUS) serviços de avaliação, diagnóstico, intervenção terapêutica, adaptação de aparelhos auditivos e acesso ao sistema de frequência modulada (FM), entre outros atendimentos. A reforma contemplou espaços usados no atendimento de bebês, crianças pequenas, idosos e familiares. Foram feitas troca de telhado, forro e piso, pintura, retirada de infiltrações, adequações nas redes elétrica, hidráulica e lógica, instalação de elevador, escadas de incêndio e portas corta-fogo, além de ajustes na recepção da clínica audiológica. Segundo a direção do Ceal-LP, as obras receberam investimentos de cerca de R$ 1 milhão em emenda parlamentar da senadora Leila Barros. O investimento reforça a estrutura física de uma unidade que mantém atendimento pelo SUS por meio de convênio com a SES-DF. Especializado em reabilitação, o Ceal-LP oferece pelo Sistema Único de Saúde (SUS) serviços de avaliação, diagnóstico, intervenção terapêutica, adaptação de aparelhos auditivos e acesso ao sistema de frequência modulada (FM) | Foto: Matheus Borges/Agência Brasília A coordenadora do Ceal-LP, Maria Inês Serra, afirma que a parceria com o poder público é decisiva para manter o atendimento às famílias. “Se a gente não tem a parceria do GDF, não consegue oferecer para essas famílias o que entende como diferencial na vida delas”, disse. “São crianças que mudam de vida por esse atendimento, com uma equipe robusta, com fonoaudiologia, terapia ocupacional, fisioterapia, neuropediatria e psiquiatria infantil”. Segundo Maria Inês, alguns espaços apresentavam limitações para o atendimento, realidade que mudou após a reforma. “Hoje temos um ambiente bonito, agradável, seguro, sem infiltrações, limpo e adequado para receber essas famílias”, aponta. O diretor do Ceal-LP, padre José Rinaldi, destacou que a reforma teve impacto direto em dois momentos centrais do atendimento: o diagnóstico e o início da reabilitação. “No diagnóstico, passam bebês e idosos. Na reabilitação, os bebês e as famílias são acolhidos para começar um caminho de estímulo, terapia e mudança de vida”, afirmou.   Para o padre, o cuidado com o ambiente também pesa na forma como pacientes e familiares enfrentam o tratamento. “A reforma nos deu a possibilidade de oferecer ambientes bonitos e agradáveis a bebês e idosos em momentos importantes da vida deles”, disse. “Quando o idoso perde a audição, corre o risco de se afastar da família e da sociedade. Com diagnóstico, aparelho adequado e acompanhamento, ele recebe uma nova qualidade de vida”. Atualmente, o Ceal-LP atende 420 crianças, segundo a coordenação da instituição. O centro oferece serviços como fonoterapia, psicologia, terapia ocupacional, fisioterapia, neuropediatria, psiquiatria infantil, otorrinolaringologia e assistência social. No caso da deficiência auditiva, o acesso ocorre pelo Sistema de Regulação (Sisreg), após encaminhamento de médico otorrinolaringologista da rede pública. Para reabilitação auditiva, deficiência intelectual e TEA, o acesso ainda não está regulado. Nesses casos, a unidade de saúde em que o usuário é atendido faz o encaminhamento ao Ceal-LP, que avalia o caso e orienta os próximos passos. Para o primeiro acesso, a família deve apresentar encaminhamento médico ou de especialista não médico da rede pública para entrada na lista de espera. Entre os exemplos do impacto do Ceal-LP está o de Lucas Vinícius Diniz, 22 anos; surdo desde o nascimento, ele começou a ser atendido na instituição ainda criança e hoje trabalha no local como auxiliar administrativo A prioridade para intervenção terapêutica contempla crianças de 6 meses a 7 anos, período considerado estratégico para o desenvolvimento. Segundo Maria Inês, a maior demanda hoje está no atendimento a crianças com autismo, com fila de espera superior a mil crianças. Uma história que volta ao ponto de partida Entre os exemplos do impacto do Ceal-LP está o de Lucas Vinícius Diniz, 22 anos. Surdo desde o nascimento, ele começou a ser atendido na instituição ainda criança e hoje trabalha no local como auxiliar administrativo. Com apoio da família e acompanhamento especializado, desenvolveu a comunicação oral, a leitura labial e o uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Eu comecei aqui com uns 7 ou 8 anos. Tive o apoio dos meus pais e do padre, que me colocaram para ler. O primeiro livro foi O Pequeno Príncipe. Fui forçando a leitura labial”, contou Lucas. “Sem esse suporte, minha vida seria bem diferente.” Lucas usa implante coclear em um dos ouvidos. Sem o equipamento, sente apenas vibrações. Para ele, o acompanhamento recebido no Ceal-LP ajudou a enfrentar barreiras fora da instituição. “O mundo lá fora é difícil. Eu sei Libras, mas também é bom aprender português e outras formas de comunicação”, afirmou. Serviço Ceal-LP (SGAN 909, módulo B, Asa Norte) - Atendimento ambulatorial: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, exceto feriados. - Informações sobre acesso ao serviço, documentos e andamento de solicitações podem ser obtidas pelo telefone (61) 3349-9944 ou presencialmente.

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UBS 6 Ceilândia promove encontro sobre autismo

A Unidade Básica de Saúde (UBS) 6 de Ceilândia, no P Sul, promoveu nesta segunda-feira (27) o Dia D de conscientização sobre o autismo, parte da campanha Abril Azul. O encontro buscou promover maior conhecimento, combater preconceitos e detalhar a rede de atendimento da Secretaria de Saúde (SES-DF).  Heloísa Arcosi, mãe de um jovem autista, publicou um livro no qual fala sobre sua experiência: “É fundamental ter paciência, entender o autismo do seu filho, porque cada um é diferente” | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF  “Estamos sempre de portas abertas para acolher esse público e suas famílias”, afirmou a gerente da unidade, Isabela Lopes. “Além disso, também fazemos ações para qualificar a assistência dos servidores. É importante dar voz aos pacientes e seus familiares, de forma a promover a troca de experiências e ouvir a respeito das principais dúvidas e expectativas da população.”  “O paciente com autismo não consegue ficar muito tempo dentro da unidade, então procuramos sempre acolher o mais rápido possível” Ângela Rocha, técnica de enfermagem da UBS 6 de Ceilândia Uma das familiares presentes foi a cuidadora de idosos Heloísa Arcosi. Mãe de um rapaz de 25 anos diagnosticado com autismo, ela compartilhou a experiência no livro Meu Asperger Favorito, no qual relata a jornada do filho desde a descoberta do diagnóstico até a saída de casa após tornar-se profissional em tecnologia da informação. “É fundamental ter paciência, entender o autismo do seu filho, porque cada um é diferente”, pontuou ela. “É muito bom poder falar sobre o assunto e compartilhar as vivências.” Servidores também participaram do encontro e apresentaram o fluxo de atendimento da SES-DF. “O paciente com autismo não consegue ficar muito tempo dentro da unidade, então procuramos sempre acolher o mais rápido possível”, relatou a técnica de enfermagem Ângela Rocha.  Atendimento especializado Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o DF possui cerca de 34,5 mil pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista (TEA). A rede de 183 UBSs da SES-DF é a principal porta de entrada para acessar os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo os programas na área de saúde mental. Essas unidades promovem o rastreio a longo prazo de diversas condições.  Os pacientes também são acompanhados pelas unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), incluindo os voltados à população infantojuvenil (Capsi), e os especializados em reabilitação (CERs). [LEIA_TAMBEM]Em dezembro de 2025, o Governo do Distrito Federal (GDF) inaugurou o Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cretea), com foco em diagnóstico precoce e acompanhamento multidisciplinar. Localizada na Estação 108 Sul do Metrô, a unidade recebe pacientes encaminhados pela Central de Regulação, após passarem pelas UBSs. Somente em 2025, a rede pública de saúde do DF registrou mais de 8,2 mil atendimentos individuais na Atenção Primária à Saúde (APS) e quase 135 mil procedimentos na Atenção Especializada e na rede contratada.  Abril Azul O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, comemorado em 2 de abril, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007. Ao longo de todo o mês, ações da campanha são dedicadas à ampliação do conhecimento sobre o transtorno, ao enfrentamento do preconceito e à promoção da inclusão das pessoas com TEA na sociedade. *Com informações da Secretaria de Saúde    

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Chikungunya: rede pública do DF oferece diagnóstico e alerta sobre sintomas

O período de chuvas no Centro-Oeste deve prosseguir até o início de maio, e um dos principais problemas dessa época é a proliferação do Aedes aegypti, causada pela formação de poças d’água que servem como criadouros do mosquito. Mais associado à transmissão da dengue, esse vetor também pode transmitir outras doenças menos conhecidas, como a chikungunya. A temporada de chuvas no DF é caracterizada pela proliferação do Aedes aegypti​​​​​, causada pela formação de poças d’água que servem como criadouros do mosquito | Fotos Matheus Oliveira/Agência Saúde DF “A chikungunya é uma doença de notificação compulsória e representa riscos importantes à saúde, por conta de seu potencial de causar dor articular intensa e incapacitante. Esse quadro pode evoluir para a forma crônica, persistindo por meses ou até anos e comprometendo significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, afirma Aline Factur, enfermeira da área técnica de arboviroses da Gerência de Vigilância das Doenças Transmissíveis (GVDT), unidade da Secretaria de Saúde (SES-DF). A especialista ressalta que, em casos mais graves, a doença pode apresentar manifestações sistêmicas, incluindo acometimentos neurológicos — como encefalite, mielite e síndrome de Guillain-Barré — e complicações cardíacas, renais e respiratórias. “Embora os óbitos sejam raros, casos graves podem demandar internação hospitalar e evoluir para morte, especialmente em idosos, crianças e pessoas com comorbidades, o que reforça a importância da vigilância, do diagnóstico oportuno e do acompanhamento adequado dos casos”, reforça. [LEIA_TAMBEM]Sintomas Os principais sintomas da chikungunya são mal-estar, dor muscular, cefaleia (dor de cabeça), manchas avermelhadas pelo corpo que não coçam e, como sinais mais característicos da doença, vermelhidão e dor aguda nas articulações — joelhos, tornozelos, mãos, cotovelos e ombros. A infecção pelo arbovírus chikungunya pode evoluir em três fases clínicas. A primeira, a fase aguda, é caracterizada por febre alta e dor intensa nas articulações, com duração aproximada de cinco a 14 dias. Em seguida, há uma fase em que a febre cessa, mas as dores articulares persistem por um período de 15 a 90 dias. Estima-se que mais de 50% dos pacientes desenvolvam ainda uma terceira etapa, a fase crônica, quando as dores articulares perduram por mais de 90 dias após o aparecimento dos sintomas. O quadro pode se prolongar por meses ou anos, com impactos importantes na qualidade de vida da pessoa. Arte: SES-DF “A chikungunya pode apresentar desafios no reconhecimento dos casos porque, nas fases iniciais, seus sinais e sintomas são muito semelhantes aos de outras arboviroses, especialmente dengue e zika. Febre de início súbito, dor de cabeça, dores no corpo, manchas na pele e mal-estar geral são manifestações comuns a essas doenças. Além disso, todas são transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti”, pontua Aline Factur. De acordo com a profissional, mesmo na fase crônica, a doença pode ter o diagnóstico ignorado, já que dores nas articulações são comuns a outros problemas de saúde. Ela enfatiza a necessidade de suspeição clínica e atenção epidemiológica constante para o vírus — introduzido no Distrito Federal apenas em 2015, mas com registro contínuo de casos confirmados ao longo dos anos e tendência de aumento anual. “Na rede da SES-DF, os exames laboratoriais confirmatórios para chikungunya são disponibilizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), sendo utilizado o mesmo kit de exame para a confirmação de dengue”, lembra. *Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)

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Câncer de intestino já é o terceiro mais comum no DF

Cláudio tinha 59 anos quando começou a sentir fortes dores abdominais. Ao procurar atendimento médico, precisou passar por uma cirurgia de emergência. Após a retirada de um tumor e a realização de biópsia, veio o diagnóstico: câncer de intestino. Durante sete meses, ele fez quimioterapia no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). “Foi um grande susto; é o tipo de coisa que você pensa que nunca vai acontecer com você”, lembra. Cláudio, diagnosticado com câncer colorretal, fez o tratamento completo e hoje segue aproveitando a vida em viagens pelo mundo: “Nunca enxerguei aquilo como o fim da linha, mas como um obstáculo. Sempre tive fé em que seria algo passageiro” | Foto: Acervo pessoal  O câncer colorretal, conhecido como câncer de intestino, afeta o intestino grosso (cólon) ou o reto e é o terceiro tipo de câncer mais frequente no DF, atrás apenas dos tumores de mama e de próstata, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). No Hospital de Base, referência em atendimento oncológico na rede pública do DF, são prestados anualmente cerca de mil atendimentos relacionados à doença. Apesar da incidência elevada, muitos diagnósticos ainda ocorrem em fases avançadas, já que o tumor costuma se desenvolver de forma silenciosa e pode permanecer por anos sem provocar sintomas perceptíveis. Prevenção e diagnóstico precoce Durante todo este mês, a campanha Março Azul-Marinho busca ampliar a conscientização da população sobre a prevenção e a detecção precoce do câncer colorretal. Dados do Inca indicam que o Distrito Federal registra uma taxa de incidência de 19,42 casos para cada 100 mil habitantes, a sexta maior do país. “Quando aparecem sintomas como sangramento nas fezes, mudança do hábito intestinal, perda de peso ou anemia, muitas vezes o tumor já está em estágio mais avançado” Ana Rosa Melo, proctologista do Hospital de Base A proctologista Ana Rosa Melo, da equipe do Hospital de Base, explica que o tumor geralmente se desenvolve a partir de pólipos, pequenas lesões benignas que surgem na parede do intestino e podem evoluir lentamente. Como o intestino é um órgão oco, essas alterações podem crescer durante anos sem provocar sinais claros. “O câncer colorretal costuma crescer de forma gradual”, explica a médica. “Quando aparecem sintomas como sangramento nas fezes, mudança do hábito intestinal, perda de peso ou anemia, muitas vezes o tumor já está em estágio mais avançado.”  Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento do câncer estão o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ingestão de álcool, obesidade, sedentarismo e tabagismo. A adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico ajudam a reduzir riscos. A recomendação é começar os exames de prevenção a partir dos 45 anos. A frequência deve ser definida pelo médico, de acordo com o histórico e os fatores de risco de cada paciente. Vida pós-tratamento Cláudio encarou o processo como uma etapa necessária para recuperar a saúde: “Nunca enxerguei aquilo como o fim da linha, mas como um obstáculo. Se fosse preciso fazer quimioterapia, eu faria e ficaria bem. Sempre tive fé de que seria algo passageiro”. Ele relata que a jornada foi longa e cansativa, marcada por efeitos colaterais como perda de cabelos, enjoos, dormência nas mãos e redução de peso. Ao longo desse período, perdeu 24 quilos. O apoio da equipe de saúde fez diferença durante todo o processo. “As enfermeiras sempre estavam sorrindo e nos motivando; não sei como conseguem manter tanta energia”, conta. [LEIA_TAMBEM]Desde o fim da quimioterapia, em 2013, Cláudio decidiu aproveitar mais a vida. Realizou o sonho de dar a volta ao mundo e já visitou mais de 85 países. Hoje, aos 74 anos, continua viajando e descobrindo novos destinos. Neste mês, ele segue na estrada rumo ao Chile, em uma viagem de motorhome pela América do Sul. Apesar das dificuldades relacionadas ao diagnóstico tardio, o câncer colorretal apresenta boas chances de cura quando tratado adequadamente — como no caso de Cláudio. “Com o tratamento correto, que pode incluir cirurgia e quimioterapia, as chances de recuperação são bastante elevadas”, enfatiza Ana Rosa Melo Atendimento na rede pública Em caso de sintomas suspeitos, a orientação é procurar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O paciente passa por avaliação na Atenção Primária, onde podem ser solicitados exames iniciais e encaminhamento para acompanhamento especializado. O acesso aos serviços de maior complexidade ocorre por meio da regulação da rede pública de saúde. Após a avaliação inicial na Atenção Primária, o paciente pode ser encaminhado a unidades de referência, como o Hospital de Base, conforme a necessidade clínica identificada pela equipe de saúde. *Com informações do IgesDF  

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Glaucoma evolui sem sintomas e já é a principal causa de cegueira irreversível no mundo

Renato Marques tinha 30 anos quando procurou um oftalmologista para uma consulta simples: medir o grau dos óculos. Após os exames, recebeu o diagnóstico de glaucoma. Sem entender a gravidade da doença, usou o colírio prescrito por apenas um mês e interrompeu o tratamento. “Achei que estava curado”, relembra. Renato Marques foi diagnosticado com glaucoma: “Se eu soubesse antes que era algo tão sério, teria cuidado melhor e talvez evitado essa situação. Agora faço exames todos os anos” | Fotos: Divulgação/IgesDF Seis anos depois, ao retornar ao consultório para uma nova avaliação, descobriu que a doença havia avançado: “O médico explicou a gravidade da doença. Se eu soubesse antes que era algo tão sério, teria cuidado melhor e talvez evitado essa situação. Agora faço exames todos os anos”. Considerado a principal causa de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma provoca degeneração progressiva do nervo óptico e perda permanente da visão. O problema é que a doença costuma evoluir de forma silenciosa e, na maioria das vezes, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. “A única forma de identificar a doença precocemente é por meio de consultas regulares com o oftalmologista” Edney Moura Filho, oftalmologista do Hospital de Base  Segundo o oftalmologista Edney Resende Moura Filho, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), cerca de 90% dos pacientes não percebem sinais da doença no início. Entre os dias 8 e 14 deste mês é realizada a Semana Mundial do Glaucoma, iniciativa que busca ampliar a conscientização da população sobre os riscos da doença e reforçar a importância do diagnóstico precoce. Prevenção é fundamental O glaucoma é caracterizado pela lesão progressiva do nervo óptico, frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular. Embora possa atingir pessoas de qualquer faixa etária, o risco aumenta com o avanço da idade. “A única forma de identificar a doença precocemente é por meio de consultas regulares com o oftalmologista”, explica Edney. Estimativas indicam que cerca de metade das pessoas com glaucoma no mundo não sabem que têm a condição. Por isso, especialistas recomendam atenção redobrada de pessoas que apresentam fatores de risco e devem manter acompanhamento oftalmológico regular. Entre os principais fatores estão histórico familiar, idade acima de 40 anos, uso prolongado de medicamentos à base de corticoide e traumas oculares prévios. A perda visual costuma ocorrer de forma gradual e silenciosa, o que contribui para o diagnóstico tardio. “Nem sempre começa obrigatoriamente pela visão periférica, mas é comum que o paciente já apresente perda de campo visual sem perceber, especialmente nas fases iniciais”, pontua o especialista. [LEIA_TAMBEM]Ao contrário da catarata, geralmente associada ao envelhecimento, o glaucoma pode surgir em qualquer idade, inclusive na infância. Foi o caso de Juliana Luzia de Souza, que nasceu com a doença devido a um fator genético. A suspeita surgiu ainda nos primeiros dias de vida, quando médicos perceberam alterações nos olhos da criança. Juliana passou pela primeira cirurgia aos três dias de vida e começou a usar óculos com apenas um mês. Hoje, aos 30 anos, já fez sete cirurgias e perdeu a visão do olho direito, mantendo apenas percepção de luz. “Como não tive a chance de fazer exames preventivos antes do diagnóstico, sei o quanto é importante realizar consultas regulares”, relata ela. “Assim é possível identificar a doença mais cedo e evitar que o quadro se agrave.” Acompanhamento contínuo A adesão ao tratamento é um dos principais desafios no controle do glaucoma. De acordo com o oftalmologista, a ausência de sintomas faz com que muitos pacientes interrompam o uso das medicações. Embora não tenha cura, o glaucoma pode ser controlado com acompanhamento médico e tratamento adequado. Doença pode ser controlada com tratamento e acompanhamento médico  “Muitas pessoas param de usar o colírio por não perceberem melhora imediata ou por causa de efeitos colaterais, como irritação ocular; mesmo assim, o uso regular da medicação é essencial para evitar a progressão da doença”, orienta o médico.   Atendimento Em caso de suspeita de glaucoma ou de qualquer alteração na visão, é importante procurar avaliação médica. No Distrito Federal, o primeiro passo é buscar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após a avaliação inicial, caso seja necessário, o paciente será inserido no sistema de regulação e encaminhado para atendimento especializado. Consultas oftalmológicas regulares são a principal forma de prevenir a perda de visão causada pelo glaucoma. O diagnóstico precoce permite controlar a doença e reduzir o risco de cegueira. *Com informações do IgesDF

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Dia Mundial da Obesidade: diagnóstico vai além da balança

Neste 4 de março, Dia Mundial da Obesidade, especialistas alertam que o diagnóstico da doença não pode mais ser baseado apenas no Índice de Massa Corporal (IMC). Um novo conjunto de recomendações amplia os parâmetros de avaliação e passa a considerar o impacto real do excesso de gordura na saúde, propondo uma análise mais completa e individualizada de cada paciente.  Especialistas alertam: o diagnóstico de obesidade não pode mais ser baseado apenas no Índice de Massa Corporal (IMC) | Fotos: Divulgação/IgesDF Em 2025, a Comissão para Definição de Obesidade Clínica da revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology, composta por 56 especialistas de diferentes países, publicou um artigo que reformula os critérios para identificação da condição e propõe uma abordagem mais precisa e personalizada. Até então, o diagnóstico era baseado principalmente no IMC, calculado pela divisão do peso pela altura ao quadrado. Valores iguais ou superiores a 30 indicam obesidade. No entanto, segundo o documento, o uso isolado desse indicador pode não refletir com exatidão a composição corporal e os riscos metabólicos associados ao excesso de gordura. [LEIA_TAMBEM]Pessoas com elevada massa muscular, por exemplo, podem apresentar IMC acima de 30 sem acúmulo excessivo de gordura. Por outro lado, indivíduos com IMC inferior a 30 podem ter alto percentual de gordura corporal e alterações metabólicas relevantes. Essa limitação motivou a atualização das diretrizes internacionais. Para a endocrinologista Tatiana Wanderley, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), a mudança representa um avanço importante na prática clínica. “Já acompanhei atletas com alta massa muscular que apresentavam IMC na faixa de obesidade, mas sem excesso de gordura. Também atendi pacientes com IMC abaixo de 30 e percentual de gordura elevado. O novo formato permite uma avaliação mais precisa e individualizada”, explica a médica. A analista executiva Beatriz Duarte relata que vivenciou situação semelhante antes da atualização dos critérios: “Quando comecei o acompanhamento médico, meu IMC estava em 29, o que indicava sobrepeso. Mas, ao realizar um exame de avaliação corporal, descobri que meu percentual de gordura estava alto. Hoje entendo que havia risco e que a avaliação mais detalhada fez diferença para buscar orientação adequada”. Segundo a especialista, a ampliação dos parâmetros contribui para diagnósticos mais precisos, intervenções mais oportunas e redução do estigma associado à obesidade. A proposta é direcionar o cuidado às necessidades específicas de cada paciente, com base em evidências clínicas e no impacto do excesso de gordura sobre órgãos e sistemas. A medição da circunferência da cintura, a relação cintura-quadril e a avaliação do percentual de gordura corporal também devem ser levados em consideração no diagnóstico da doença Novos critérios Entre as recomendações estão a medição da circunferência da cintura, a relação cintura-quadril e a avaliação do percentual de gordura corporal. O diagnóstico também passa a considerar a presença de doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e distúrbios respiratórios, além de possíveis comprometimentos funcionais decorrentes do excesso de gordura. O modelo estabelece ainda duas classificações: obesidade clínica, quando já há doença instalada ou prejuízo funcional relacionado ao acúmulo de gordura; e obesidade pré-clínica, caracterizada pela ausência de sintomas, mas com risco elevado à saúde. De acordo com a especialista, a obesidade é considerada um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo, associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras condições crônicas. “A adoção de parâmetros mais abrangentes busca fortalecer a prevenção e qualificar o cuidado oferecido à população”, avalia. No fim de 2025, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), em parceria com outros órgãos, publicou um artigo que reforça a definição apresentada pela The Lancet e acrescenta a avaliação do risco cardiovascular individual como critério relevante para definição do tratamento. *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

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Dia Internacional da Luta Contra o Câncer Infantil: diagnóstico precoce é essencial para sobrevida de crianças

Celebrado em 15 de fevereiro, o Dia Internacional de Luta Contra o Câncer Infantil ganha, no Distrito Federal, um contorno de vanguarda tecnológica e rede de cuidado da infância importantes.  O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) é um centro de referência nacional especializado no atendimento oncológico infantojuvenil, que opera sob protocolos de referência praticados nas melhores instituições do mundo. Isso garante ao paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) o acesso ao que há de mais moderno na medicina de precisão. Hospital da Criança de Brasília registra cura de 80% de casos de leucemia linfoide aguda | Fotos: Divulgação/HCB Em mais de 14 anos de história, o HCB mantém indicadores de sobrevida que se equiparam aos grandes centros especializados tanto no Brasil quanto no exterior. Uma dessas conquistas foi a cura de 80% dos casos de leucemia linfoide aguda (LLA) tratados na unidade —  resultado superior à taxa média na América Latina e Caribe (aproximadamente 55%), conforme dados da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).  Diferentemente das neoplasias em adultos, nas quais os crescimentos anormais, desordenados e excessivos de células no organismo são frequentemente associados a fatores ambientais e estilo de vida (como tabagismo ou dieta), o câncer infantil é predominantemente de natureza embrionária, sendo considerado uma condição de saúde rara — por definição da Organização Mundial da Saúde, uma doença pode ser considerada rara quando incide até 65 pessoas a cada 100 mil habitantes, e o câncer infantil, por sua vez, incide em menos de 0,2% da população pediátrica.   Taxas No HCB, as diferentes características biológicas dos tumores infantis definem um desafio a ser superado e uma possibilidade investigativa importante para a oncologia pediátrica: embora sejam tumores agressivos e de curto período de latência, eles apresentam uma resposta significativamente superior aos protocolos modernos de quimioterapia e imunoterapia. “A cada ano você descobre subtipos diferentes da mesma doença, e vão se desenhando formas de tratamentos específicos para cada doença; então, o que hoje se consegue no Hospital da Criança é essa união ainda muito mais estreita, porque estamos no mesmo local” Isis Magalhães, diretora técnica e interina de Ensino e Pesquisa do HCB Segundo o relatório Perfil Epidemiológico da Incidência de Câncer no Brasil e Regiões, divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar, de 2026 a 2028, cerca de 7.560 novos casos de câncer (todas as neoplasias) em crianças e adolescentes (até 19 anos), correspondendo a uma taxa bruta de incidência de 134,81 casos por milhão. Ainda conforme o relatório, há uma predisposição leve de possível maior incidência de câncer em meninos, 3.960 casos (52,4%), enquanto, em meninas, a taxa permeia 3.600 novos casos (47,6%).  Contudo, a ciência aponta boas possibilidades. Para a diretora técnica e interina de Ensino e Pesquisa do HCB, Isis Magalhães, a estruturação de centros de alta complexidade, que aliam assistência especializada, ensino e pesquisa, ampliam as possibilidades de tratamento e prognóstico positivo. “A cada ano você descobre subtipos diferentes da mesma doença, e vão se desenhando formas de tratamentos específicos para cada doença; então, o que hoje se consegue no Hospital da Criança é essa união ainda muito mais estreita, porque estamos no mesmo local”, explica.  Habilitado pelo Ministério da Saúde (MS) como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) exclusiva de oncologia pediátrica, transplante de medula óssea autogênico e alogênico aparentado e não aparentado, o HCB possui uma estrutura dedicada à promoção de aperfeiçoamento constante da equipe assistencial, o que propicia novas descobertas e implementação de protocolos avançados de tratamento. O hospital compõe o Programa Aliança Amarte — Apoio Maior, Aumentando Recursos e Treinamento Especializado, desenvolvido em parceria com o St. Jude Children's Research Hospital (EUA), referência mundial na pesquisa e tratamento do câncer infantojuvenil. Referência em tratamento Devido à sua alta especialidade no tratamento oncológico pediátrico, o HCB recebe muitos pacientes referenciados por meio da modalidade Tratamento Fora do Domicílio (TFD), que garante a continuidade do cuidado ao paciente SUS, quando necessário, em procedimentos e consultas de alta complexidade em outras regiões do país.  Renata Barros com o filho Ravi, paciente, na brinquedoteca do HCB:  “Às vezes, a gente, que é mãe, não procura saber sobre uma doença, né? Eu mesmo nunca pensei em estar passando por isso, mas depois que eu tive o diagnóstico do Ravi,  passei a pesquisar mais” É o caso de Renata Suelen Barros, mãe de Ravi Barros, de 4 anos — ambos de Parauapebas (PA). Há pouco mais de quatro meses em Brasília, Ravi foi diagnosticado com leucemia linfoide aguda, condição que representa aproximadamente 25% dos casos de câncer pediátrico e cerca de 75% das leucemias infantis. Em virtude do tratamento do menino, Renata tem enfrentado internações prolongadas, mas, ainda assim, disse que conseguiu fazer amizades com outras mães e que isso é importante para criar vínculos.  “A gente vai dando força, vai ajudando, no que que a pessoa está precisando, porque tem muita mãe aqui que chega [ao hospital] desnorteada”, relata. “E às vezes ela quer o quê? Quer um apoio. Aí é muito bom, assim, o contato entre as mães, de conversar, de passar informação, de ajudar umas às outras.” Renata diz sentir falta de mais informação qualificada sobre os sinais do câncer na infância: “Às vezes, a gente, que é mãe, não procura saber sobre uma doença, né? Eu mesmo nunca pensei em estar passando por isso, mas depois que eu tive o diagnóstico do Ravi, passei a pesquisar mais. Mesmo que você não esteja passando pela doença, é sempre bom a gente pesquisar”. Medicina de precisão “A criança pode ter uma síndrome de predisposição ao câncer; ela é curada, só que pode ser que ela tenha um outro tumor; e, se eu não souber disso, às vezes eu vou perder uma oportunidade” Renata Sandoval, coordenadora de Genética Clínica do HCB A pesquisa do Inca também destaca que, na atualidade, já não se trata mais “o câncer”, mas da “assinatura genética” de cada tumor. A médica coordenadora de Genética Clínica do HCB, Renata Sandoval, explica que a minoria dos cânceres tem um componente hereditário, familiar, que contribui para o risco de uma pessoa desenvolver a doença; e, como o câncer na infância é considerado uma condição rara de saúde, não há um trabalho de vigilância sobre essa condição, diferentemente de casos de câncer de mama, por exemplo, que atinge uma em cada oito mulheres.  A especialista lembra que é importante prestar atenção aos sintomas e queixas das crianças. “Em crianças e adolescentes, a gente só vai investigar um câncer quando a gente tem sintomas”, aponta. “Só que, se eu estiver diante de uma pessoa, de uma família que tem um padrão de adoecimento de uma síndrome genética de predisposição ao câncer, aí sim, nessa situação, é como se a ‘receitinha de bolo’ daquela pessoa tivesse mais dificuldades de corrigir erros que acontecem nas células. Isso não quer dizer que ela teria um câncer, mas ela tem um risco diferente do risco habitual da população”.  De acordo com a médica, a partir de estudos da oncogenética pediátrica é possível identificar síndromes de predisposição genética ao câncer que podem ter impacto em toda a família. “A criança pode ter uma síndrome de predisposição ao câncer; ela é curada, só que pode ser que ela tenha um outro tumor; e, se eu não souber disso, às vezes eu vou perder uma oportunidade. Eu não vou estar ‘vigiando’ ela de uma maneira adequada e dando oportunidade ao diagnóstico precoce e, até, às vezes, de outros familiares que estão em risco”.  Avanços recentes no tratamento do câncer infantil no HCB incluem imunoterapia, que reprograma as células de defesa do próprio paciente para atacar o tumor; terapias-alvo, em que drogas moleculares bloqueiam especificamente as mutações que impulsionam o crescimento das células malignas, reduzindo os efeitos colaterais da quimioterapia convencional; e o diagnóstico molecular, com exames de sequenciamento genético que podem identificar precocemente síndromes de predisposição hereditária, selecionando marcadores não somente genéticos, mas proteicos, entre outros, o que permite um monitoramento ativo da manifestação da doença.“ Hoje, a oncologia é vista como um cenário onde é indissociável a pesquisa de marcadores moleculares. Anteriormente era a ‘carinha’ da célula,  e hoje isso vem mudando com relação às mutações genéticas. A ‘cara’ daquela doença é uma alteração genética” Ricardo Camargo, coordenador do Laboratório de Pesquisa Translacional do HCB O coordenador do Laboratório de Pesquisa Translacional (LPT) do HCB, Ricardo Camargo, explica que, diante da biologia dos tumores pediátricos, que são absolutamente heterogêneos, os profissionais do hospital buscam diagnosticar, classificar o risco de recaída ou de agressividade da doença, a fim de monitorar a resposta ao tratamento da criança. “Hoje, a oncologia é vista como um cenário onde é indissociável a pesquisa de marcadores moleculares”, explica. “Anteriormente era a ‘carinha’ da célula,  e hoje isso vem mudando com relação às mutações genéticas. A ‘cara’ daquela doença é uma alteração genética. E é isso que o laboratório se propõe a fazer, procurar marcadores para a oncologia, de maneira geral, que tenham valor para o diagnóstico, prognóstico e de terapia-alvo.” Educação em saúde  A educação em saúde é a principal ferramenta para reduzir o tempo entre o primeiro sintoma e o início do tratamento oncológico das crianças. O maior desafio clínico reside no fato de que os sinais do câncer pediátrico frequentemente mimetizam doenças comuns da infância (viroses, anemias ou dores de crescimento). Além da oferta de assistência especializada em saúde pediátrica, o HCB atua como um polo irradiador de conhecimento para a Atenção Primária à Saúde (APS) do Distrito Federal. Por meio de teleconsultorias e protocolos de encaminhamento, o hospital capacita médicos e demais profissionais da Saúde da Família a identificarem precocemente sinais de alerta, combatendo o diagnóstico tardio, que ainda é o principal obstáculo para a cura total.  [LEIA_TAMBEM]Em uma articulação estratégica voltada ao aprimoramento da linha de cuidado oncológico pediátrico, o HCB, em colaboração com a Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadores de Câncer e Hemopatias (Abrace) e o Instituto Ronald McDonald, promoveu, em 2025, a segunda edição do Programa Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuvenil. O evento reuniu 280 profissionais e acadêmicos atuantes na APS, com o objetivo de mitigar o intervalo de tempo entre a manifestação clínica inicial e o encaminhamento especializado. Ao instrumentalizar os agentes das unidades básicas de saúde (UBSs), principal porta de entrada do SUS, com subsídios científicos e materiais instrutivos para o reconhecimento assertivo de sinais e sintomas da doença, a iniciativa contribuiu para elevar a suspeição diagnóstica fundamentada em protocolos técnicos de alta precisão.   O olhar atento do médico da família e do pediatra geral, além da percepção aguçada dos pais e cuidadores, é um dos primeiros elos de uma corrente que termina na alta hospitalar e na reintegração plena da criança à sociedade. O diagnóstico precoce é essencial para as chances de cura e qualidade de vida das crianças. A recomendação técnica dos especialistas do HCB é que os pais e responsáveis se atentem e valorizem a queixa persistente e, em caso de suspeita, consultem o especialista da Atenção Primária.   *Com informações do Hospital da Criança de Brasília  

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Novos equipamentos ampliam cirurgias de endometriose no Hospital Regional de Sobradinho

Maria Sales, 50 anos, passou quatro anos sentindo dores até descobrir o diagnóstico de endometriose. Nesse período, precisou retirar cistos e o útero, além de fazer diversos exames, a partir de uma suspeita de câncer. Após a confirmação da endometriose, a baiana foi encaminhada para cirurgia no Hospital Regional de Sobradinho (HRS). Diagnosticada com a doença, Maria Sales faz cirurgia no Hospital de Sobradinho após quatro anos sentindo dores: “Foi uma grande luta, porque sentia dores e não sabia o que as causava. Agora tenho uma resposta e uma solução” | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF “Estamos conseguindo reduzir o tempo de espera, com procedimentos ainda mais seguros” Jéssica do Nascimento, gerente do Centro Cirúrgico do HRS “Estou me sentindo muito confiante com o procedimento”, conta. “Foi uma grande luta, porque sentia dores e não sabia o que as causava. Agora tenho uma resposta e uma solução.” Maria integra um grupo de pacientes que, no início deste ano, passaram por cirurgias para tratamento da endometriose no HRS.  Em média, são feitos dois procedimentos por semana, totalizando oito ao mês. A retomada veio com a aquisição de novos instrumentos de videolaparoscopia, fundamentais para as intervenções. O investimento foi de R$ 300 mil.  “A aquisição amplia significativamente a nossa capacidade cirúrgica e fortalece a resolutividade do hospital”, reforça a gerente do Centro Cirúrgico do HRS, Jéssica do Nascimento. “Estamos conseguindo reduzir o tempo de espera, com procedimentos ainda mais seguros”.  Outra paciente beneficiada foi Ana Lúcia Alves, 49, que também fez a cirurgia ginecológica no HRS. “Eu não sabia que era endometriose, e foi um alívio ter o diagnóstico”, relata. “Sempre tive dores fortes, até que uma médica da UBS [Unidade Básica de Saúde] desconfiou e deu nome ao que eu tinha.” Inflamação A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de células do endométrio — tecido que reveste a parte interna do útero fora da cavidade uterina. Essa condição provoca uma inflamação crônica que pode atingir órgãos como intestino, bexiga e ovários. Entre os principais sintomas, estão cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais, dor e sangramento intestinais ou urinários no período menstrual, além do risco de infertilidade e dor pélvica crônica. [LEIA_TAMBEM]O tratamento é individualizado, podendo incluir o uso de medicamentos e indicação cirúrgica. Em casos moderados a graves, pode ser necessária a retirada das lesões. Em situações mais complexas, é possível que haja a retirada de partes dos órgãos como ovários, tubas ou porções do intestino. Videolaparoscopia A cirurgia por videolaparoscopia é indicada, principalmente, quando a endometriose é profunda e traz sérios comprometimentos à qualidade de vida da paciente. Trata-se de um método cirúrgico minimamente invasivo, realizado por meio de pequenas incisões no abdômen que permitem ao cirurgião visualizar com precisão os órgãos reprodutivos e a pelve, identificar lesões e remover tecidos endometriais anormais. Com a videolaparoscopia, a recuperação é rápida e os desfechos clínicos são melhores.  Atendimento Em caso de suspeita da doença, é preciso buscar atendimento nas UBSs. No local, são prestados os primeiros cuidados e, quando necessário, realizados encaminhamentos ao serviço de atenção especializada, no qual os pacientes são atendidos por especialistas e encaminhados às listas de espera dos procedimentos necessários. *Com informações da Secretaria de Saúde    

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Diagnóstico precoce de Alzheimer ajuda pacientes e famílias a viverem com mais qualidade

Perder a memória aos poucos, repetir perguntas e apresentar mudanças de comportamento pode parecer algo natural do envelhecimento, mas nem sempre é. No caso do Alzheimer, reconhecer os sinais desde o início e buscar avaliação médica o quanto antes pode fazer toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida. No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), cerca de 300 pacientes fazem acompanhamento ambulatorial para a doença, que é um dos focos da campanha Fevereiro Roxo, voltada à conscientização sobre enfermidades que não têm cura, mas podem ser tratadas. O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo que vai deteriorando a cognição da pessoa, afetando toda a sua vida | Foto: Divulgação/IgesDF “As pessoas costumam achar que é algo normal da idade e demoram a procurar um médico, o que acaba atrasando o diagnóstico” Carlos Uribe, neurologista do Hospital de Base Foi o que aconteceu com a família de Jane Pimentel Meireles, que começou a suspeitar dos esquecimentos da mãe, Ornelina Medeiros Pimentel, quando ela tinha 70 anos. “Ela esquecia de conversas que tínhamos, esquecia das pessoas”, lembra. “Depois, o comportamento começou a ficar mais agressivo e ela passou a brigar com algumas pessoas”, relata ela. “Foi tudo muito estranho e fora do normal”. Desconfiada, Jane levou a idosa a consultas e exames que, ao final, apontaram o diagnóstico de Alzheimer. Manifestações A doença é um transtorno neurodegenerativo que consiste na deterioração progressiva da cognição, incluindo a memória, além de comprometer atividades cotidianas e causar alterações comportamentais. “O que estamos passando agora é ruim, mas sabemos também que é só o começo; eu tento não pensar muito, tento viver um dia de cada vez, porque sei que vem muito sofrimento para a gente e, principalmente, para ela”, afirma Jane. Hoje, Ornelina tem 77 anos e segue em acompanhamento no HBDF, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (IgesDF). O neurologista do hospital, Carlos Uribe, explica que os primeiros sinais do Alzheimer costumam ser confundidos com sintomas comuns da idade mais avançada, o que pode atrasar o início do tratamento.  Esquecimentos, mudanças de humor, repetições de perguntas e dificuldade de encontrar palavras estão entre os sintomas aos quais é importante prestar atenção Segundo o médico, é preciso atenção quando os esquecimentos e as mudanças de humor passam a comprometer o dia a dia. “As pessoas costumam achar que é algo normal da idade e demoram a procurar um médico, o que acaba atrasando o diagnóstico”, afirma. “Muitas vezes, é a família que nota algo errado e traz o idoso para uma avaliação”. Entre os sintomas mais frequentes estão a dificuldade para dirigir automóveis e encontrar caminhos conhecidos, repetição da mesma pergunta diversas vezes, dificuldade para acompanhar conversas e linhas de raciocínio, dificuldade para encontrar palavras ao se expressar, tendência ao isolamento e incapacidade de elaborar estratégias de resolução de problemas. Diagnóstico e tratamento Ao perceber sinais de Alzheimer ou de outros tipos de demência, o primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um médico clínico geral. É na UBS que começa o cuidado: o profissional faz a primeira avaliação, conversa com o paciente e a família, pede exames quando necessário e, se houver indicação, encaminha para o especialista, a fim de garantir um diagnóstico mais rápido e um acompanhamento adequado. A causa do Alzheimer ainda não foi identificada, mas acredita-se que fatores genéticos tenham influência. O risco de desenvolver a doença é maior quando há histórico familiar. Além disso, outros fatores, ligados principalmente ao estilo de vida, também estão envolvidos. [LEIA_TAMBEM]O diagnóstico é feito, geralmente, por exclusão, após a análise de exames laboratoriais e de imagem do cérebro, realizada em conjunto com uma avaliação das alterações cognitivas apresentadas por cada pessoa. Em alguns casos, podem ser utilizados outros testes diagnósticos específicos, como a análise do líquido cefalorraquidiano ou exames de medicina nuclear. Como não existe cura, o tratamento consiste em aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A progressão da doença varia de caso a caso, podendo ser mais agressiva ou mais leve. Apesar da gravidade, o neurologista lembra que o Alzheimer não é uma sentença de morte: “Muitas pessoas conseguem viver por anos após o diagnóstico e acabam falecendo por outras doenças, como câncer ou AVC [acidente vascular cerebral]. Então, elas morrem com a doença, e não em decorrência dela”. Também não existe uma forma de prevenção específica, mas já foi demonstrado é possível atrasar e até mesmo inibir a manifestação da doença com atitudes como a de manter a mente ativa e hábitos saudáveis — prática de atividades físicas, alimentação balanceada, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e o fumo, além de manter uma vida social ativa. “Quanto antes tivermos um diagnóstico, melhor”, alerta Carlos Uribe. “À medida que as pessoas se tornam mais conscientizadas sobre a situação, teremos maior facilidade para conversar e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.”   *Com informações do IgesDF

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DF amplia Teste do Pezinho e registra alta no número de exames em 2025

O Distrito Federal registrou aumento no número de recém-nascidos atendidos pela triagem neonatal em 2025 em relação ao ano anterior. No ano passado, foram realizados 39.891 testes, contra 36.858 em 2024, um crescimento de mais de três mil exames, impulsionado pela maior adesão da rede privada ao serviço público e pela ampliação do rol de doenças rastreadas, que passou a incluir cerca de 62 condições — o que reforça o acesso ao Teste do Pezinho na rede pública de saúde, que atende moradores do DF e do entorno. “O crescimento é resultado de um amplo trabalho que temos realizado para levar saúde de qualidade para a nossa população”, ressalta a vice-governadora Celina Leão. “Ainda como deputada distrital, apresentei o projeto que amplia o Teste do Pezinho, por meio do PL nº 1.994/2018, que hoje é uma realidade na proteção das nossas crianças”, lembra. Segundo ela, essa ampliação traz a tecnologia a serviço da vida, o que permite prevenção, tratamento adequado e, acima de tudo, dignidade e qualidade de vida para as famílias da região. “O diagnóstico precoce é o maior aliado que uma família pode ter, e a nossa missão é garantir que todo recém-nascido seja atendido", conclui. Em 2019, o Distrito Federal ampliou o Teste do Pezinho, com a inclusão de doenças lisossomais e da imunodeficiência combinada grave (SCID), seguida, em 2021, da incorporação da atrofia muscular espinhal (AME) e da adesão à Lei Federal nº 14.154, que estabeleceu um rol mínimo nacional com implantação por etapas. Atualmente, o DF está na etapa 5 da legislação federal e realiza o rastreamento de cerca de 62 doenças, o que o coloca entre as unidades da Federação com maior abrangência na triagem neonatal. No ano passado, foram realizados 39.891 testes, contra 36.858 em 2024, um crescimento de mais de três mil exames, impulsionado pela maior adesão da rede privada ao serviço público e pela ampliação do rol de doenças rastreadas | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília O médico Lourenço Evangelista, assessor técnico do Laboratório Especializado em Triagem Neonatal — Unidade Genética, explica que o principal fator para o crescimento atual é a maior adesão da rede privada ao serviço público. “Antes, muitos recém-nascidos de hospitais e maternidades privadas não faziam o teste conosco. Hoje, eles procuram as UBSs [unidades básicas de saúde] para coletar, porque aqui o Teste do Pezinho oferece mais exames do que os disponíveis na rede privada ou nos planos de saúde”, afirma. Segundo ele, o número de coletas nas UBSs, que em grande parte correspondem a bebês da rede privada, saltou de pouco mais de 3 mil para mais de 5 mil. Ele também destacou a ampliação do rol de doenças rastreadas desde 2023. Entre as novas incorporações estão os defeitos primários da imunidade, identificados por exames específicos, que permitem acompanhamento especializado em imunologia e tratamento adequado, inclusive nos casos mais leves. Outra doença incluída foi a atrofia muscular espinhal, uma condição neuromuscular grave, mas que tem tratamento. “Já tivemos 14 casos diagnosticados, alguns ainda sem sintomas, outros com histórico familiar ou sinais clínicos iniciais. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes mesmo do surgimento dos sintomas”, explica. Também foram incorporadas doenças lisossômicas de depósito, um grupo de erros inatos do metabolismo que podem causar sintomas neurológicos e sistêmicos, e que, em muitos casos, têm tratamento disponível. O médico reforça que o princípio da triagem neonatal é rastrear doenças de importância populacional que tenham tratamento, para que o diagnóstico precoce realmente traga benefícios. “Já tivemos casos de sucesso em que a criança não apresentava nenhum sintoma, mas o exame molecular identificou a doença, o diagnóstico foi confirmado, e o tratamento, iniciado antes do aparecimento dos sinais clínicos”, destaca. Esse é o caso da bebê Anny Kimberly Alves, de um ano, que nasceu com atrofia medular espinhal. Filha de Yasmin Alves, de 20 anos, moradora do entorno do Distrito Federal, ela recebeu o diagnóstico sete dias após o parto, a partir da realização do Teste do Pezinho. Yasmin já conhecia a importância do exame, que ajuda a identificar diversas doenças. “Foi um alívio receber o resultado, mas também um momento difícil, já que ninguém quer que um filho nasça com algum problema de saúde”, conta. A bióloga Gabriella Vasconcelos explica que a triagem neonatal é um programa que se preocupa com todo o processo, desde a qualidade da coleta realizada nas unidades de saúde, o uso correto do cartão, a capacitação contínua das equipes, até o transporte refrigerado das amostras, garantindo que cheguem ao laboratório no menor tempo possível e em condições adequadas Embora não haja cura, existem tratamentos que melhoram a qualidade de vida e retardam a progressão da doença. Desde então, Anny faz acompanhamento no Hospital da Criança de Brasília José de Alencar, onde recebe todo o apoio necessário. “Ela faz fisioterapia, fonoaudiologia, acompanhamento nutricional e outras terapias. Esse acompanhamento é bom e importante porque facilita o desenvolvimento da minha filha”, afirma. Como funciona As amostras do Programa de Triagem Neonatal (PSN) são encaminhadas diretamente pelas unidades da Secretaria de Saúde (SES-DF), como hospitais, maternidades, casas de parto e UBSs. Na rede conveniada, já existe uma logística organizada para o transporte até o laboratório. Já na rede privada, como não há essa logística estruturada, geralmente os pais aguardam a alta da criança e fazem a coleta nas UBSs, de onde o material é enviado para análise. Atualmente, o serviço recebe, em média, cerca de 4 mil cartões de amostras por mês. Esses materiais vêm de várias regiões, incluindo UBSs que entregam os cartões em pontos de coleta regionais antes do envio ao laboratório. Ao chegar, cada criança recebe um código único, que funciona como uma identidade dentro do sistema. Esse código acompanha todo o histórico da criança, especialmente nos casos em que há diagnóstico positivo, exames confirmatórios e acompanhamento contínuo. A primeira amostra geralmente é feita entre 24 e 48 horas após o nascimento. Crianças internadas, como prematuros ou aquelas em UTI, seguem protocolos específicos, com até três coletas sequenciais em períodos determinados. As amostras são identificadas por cores: o cartão cinza indica primeira coleta, o azul representa a recoleta (segunda amostra) e o laranja é utilizado quando há suspeita de alteração e necessidade de nova coleta com maior urgência. O médico Lourenço Evangelista, assessor técnico do Laboratório Especializado em Triagem Neonatal — Unidade Genética, explica que o principal fator para o crescimento atual é a maior adesão da rede privada ao serviço público Nos casos em que há suspeita de alteração, a equipe entra em contato com a família para que a criança seja levada diretamente ao serviço, garantindo uma coleta mais rápida. Isso é fundamental, pois, em algumas situações, o intervalo entre a coleta na UBS e a chegada ao laboratório pode ser de quatro a sete dias, o que não é ideal quando há risco de diagnóstico positivo e necessidade de início imediato do tratamento. A bióloga Gabriella Vasconcelos explica que a triagem neonatal é um programa que se preocupa com todo o processo, desde a qualidade da coleta realizada nas unidades de saúde, o uso correto do cartão, a capacitação contínua das equipes, até o transporte refrigerado das amostras, garantindo que cheguem ao laboratório no menor tempo possível e em condições adequadas. Segundo ela, o cuidado também envolve a identificação correta das amostras, a realização dos exames, a liberação dos resultados e, em caso de alteração, o acompanhamento das crianças, com repetição dos exames quando necessário e encaminhamento rápido ao atendimento especializado. Ela destaca que o diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento o quanto antes, o que possibilita que a criança tenha um desenvolvimento o mais próximo possível da normalidade. “Crianças que, sem diagnóstico, poderiam não sobreviver ou depender de suporte respiratório e alimentar passam a andar de bicicleta, correr, brincar e ter uma vida próxima do normal”, afirma.

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Diagnóstico aponta caminhos para transformar o Setor Comercial Sul em polo criativo e tecnológico

A Universidade Católica de Brasília (UCB) apresentou, na quarta-feira (3), o relatório da primeira fase do estudo Diagnóstico do Setor Comercial Sul (SCS), que integra ações assistidas pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF) no âmbito do programa Desafio DF (2023), que fomenta pesquisas aplicadas voltadas ao desenvolvimento urbano sustentável e ao fortalecimento da economia criativa da região. Setor Comercial Sul é um dos polos empresariais mais tradicionais de Brasília | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília “O Setor Comercial Sul tem potencial para se consolidar como um dos grandes polos criativos e tecnológicos do país, e este diagnóstico é a base sólida que orienta essa transformação” Rafael Vitorino, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação Localizado no centro de Brasília, o Setor Comercial Sul é um dos polos empresariais mais tradicionais da cidade e, ao longo das últimas décadas, passou a enfrentar desafios como esvaziamento, insegurança, fragmentação das atividades econômicas e aumento de espaços ociosos. Esses fatores motivaram a elaboração de estudos e projetos voltados ao fortalecimento da economia criativa — contexto no qual se insere o diagnóstico. “O Setor Comercial Sul tem potencial para se consolidar como um dos grandes polos criativos e tecnológicos do país, e este diagnóstico é a base sólida que orienta essa transformação”, afirmou o secretário de Ciência,Tecnologia e Inovação do DF, Rafael Vitorino, durante a apresentação do estudo. Maquete projeta o Polo Criativo Tecnológico para o Setor Comercial Sul | Foto: Divulgação/FAPDF  “O que estamos construindo aqui juntos é uma nova dinâmica para o Setor Comercial Sul e para a cidade, com mais vida, mais empresas e mais oportunidades” Niki Tzemos, prefeita do SCS   “Estamos celebrando a continuidade de um sonho para o Setor Comercial Sul”, resumiu a assessora especial da FAPDF, Ana Paula Aragão. “Revitalizar este território é reavivar um coração da nossa história e reconectar pessoas, negócios e ideias. A verdadeira inovação não acontece apenas em laboratórios; ela nasce também nas ruas, nos pequenos negócios e nas ideias que precisam de espaço para florescer. E o Setor Comercial Sul será esse espaço.” A prefeita do SCS, Niki Tzemos, enfatizou o impacto do diagnóstico para o futuro do local: “O que estamos construindo aqui juntos é uma nova dinâmica para o Setor Comercial Sul e para a cidade, com mais vida, mais empresas e mais oportunidades”. Ela citou o exemplo do Porto Digital de Recife (PE), reforçando que o polo brasiliense também pode se consolidar como referência nacional em inovação. Metodologia “A vitalidade de um território como o SCS não se explica apenas por números. Ela emerge das relações sociais, dos fluxos urbanos, das práticas culturais e das maneiras como as pessoas produzem e habitam o espaço”  Alexandre Kieling, do Programa de Pós-Graduação em Inovação em Comunicação e Economia Criativa da UCB O diagnóstico foi desenvolvido por uma equipe interdisciplinar com mais de 30 pesquisadores da UCB, sob coordenação do professor Alexandre Kieling, do Programa de Pós-Graduação em Inovação em Comunicação e Economia Criativa. A análise combinou métodos qualitativos e quantitativos, como cartografia social, entrevistas, observação de campo e levantamento socioeconômico e cultural. “A vitalidade de um território como o SCS não se explica apenas por números”, pontuou o professor Alexandre Kieling, do Programa de Pós-Graduação em Inovação em Comunicação e Economia Criativa da UCB. “Ela emerge das relações sociais, dos fluxos urbanos, das práticas culturais e das maneiras como as pessoas produzem e habitam o espaço.” Durante o evento, pesquisadores do Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído (Pisac) da UnB apresentaram uma demonstração imersiva com maquete física em realidade virtual, permitindo ao público visualizar cenários possíveis para o futuro da região. O projeto O Polo Criativo Tecnológico do Setor Comercial Sul nasce como uma iniciativa estratégica voltada à transformação de um dos territórios mais emblemáticos da cidade em um espaço vibrante de inovação, cultura, tecnologia e economia criativa.  O projeto busca requalificar o território, fortalecer a vitalidade urbana e estimular a atração de negócios inovadores, conectando governo, universidades, setor produtivo e comunidade. A proposta pretende promover inclusão, criatividade, mobilidade, cultura e desenvolvimento econômico sustentável, reafirmando a vocação do SCS para se tornar referência nacional. [LEIA_TAMBEM]A primeira fase — agora concluída — consistiu na produção de um diagnóstico aprofundado do território. Foram mapeados cerca de 5 mil empreendimentos e mais de 500 empresários foram ouvidos, permitindo compreender de forma abrangente a realidade urbana, econômica e cultural da região. O estudo envolveu cartografia social, observação de campo, entrevistas e levantamento socioeconômico, além de articulações com instituições como Sesc, Senac, Sebrae, Fibra, Fecomércio e entidades locais.  Próximos passos Com a conclusão do diagnóstico, o projeto segue para a fase de planejamento estratégico e desenvolvimento do zoneamento urbanístico do futuro Polo Criativo Tecnológico. A etapa será conduzida de forma integrada entre UCB, UnB, Secti-DF, FAPDF, setor produtivo e sociedade civil, com o objetivo de estruturar um modelo replicável de governança participativa e orientar ações de ocupação, mobilidade, cultura, inovação e economia criativa. Veja, abaixo, as etapas do projeto  Diagnóstico do território (concluído) ⇒ Análise integrada das dinâmicas sociais, econômicas, culturais e urbanísticas do SCS Planejamento Estratégico (em andamento) – formulação das diretrizes que orientarão o futuro do polo, incluindo governança, vocações, cultura, mobilidade e inovação. Zoneamento do polo ⇒ Definição dos usos, áreas prioritárias, integração entre espaço público e iniciativa privada e diretrizes de ocupação. Implementação e ativação do território ⇒ Criação de espaços criativos, laboratórios, centros culturais e estímulo a negócios inovadores e políticas públicas que sustentem a transformação contínua do SCS.   *Com informações da FAPDF  

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DF reforça combate à transmissão da sífilis de mãe para filho

O Distrito Federal está perto de atingir um marco importante na saúde pública: a eliminação da transmissão vertical da sífilis, quando a doença é passada da gestante para o bebê durante a gravidez ou o parto. Em 2024, a taxa de incidência de sífilis congênita foi de nove casos por mil nascidos vivos, abaixo da média nacional de 9,6. Em relação ao ano anterior, houve queda de 13,5%, uma das maiores reduções do país. O resultado reflete ações de testagem precoce no pré-natal, tratamento adequado de gestantes e parceiros e integração entre a Atenção Básica e a Vigilância em Saúde. Este ano, Brasília está entre as capitais com taxas mais baixas de detecção de sífilis adquirida, com 119,1 casos por 100 mil habitantes | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF O Brasil adaptou o modelo internacional para certificar estados e municípios com mais de 100 mil habitantes A taxa de detecção de sífilis em gestantes ficou em 34,6 por mil nascidos vivos, também inferior à média nacional, que foi de 35,4. Esses indicadores mostram que o DF tem conseguido interromper a cadeia de transmissão da doença por meio de diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo.  Neste ano, Brasília está entre as capitais com taxas de detecção de sífilis adquirida mais baixas que a média nacional, com 119,1 casos por 100 mil habitantes. Também aparecem nesse grupo Aracaju (SE), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Macapá (AP), Belém (PA) e Teresina (PI). A transmissão vertical ocorre principalmente por via transplacentária, podendo acontecer também no parto, por contato direto com lesões. A falta de tratamento adequado durante a gestação pode causar aborto, natimorto, parto prematuro, morte neonatal e sequelas congênitas. O processo de certificação da eliminação da transmissão vertical faz parte de uma iniciativa global liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O Brasil adaptou o modelo internacional para certificar estados e municípios com mais de 100 mil habitantes, abrangendo também HIV, hepatite B, doença de Chagas e, futuramente, HTLV. Controle do HIV [LEIA_TAMBEM]O Distrito Federal já está entre os estados certificados pela eliminação da transmissão vertical do HIV. No país, 151 municípios e sete estados receberam algum tipo de certificação ou selo. No total, são 228 certificações municipais vigentes, sendo 139 relacionadas ao HIV. “Nos últimos anos, conseguimos manter a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde e pela Opas, que é manter em zero o número de crianças infectadas. As crianças nascem expostas”, afirma Daniela Magalhães, referência técnica distrital em vigilância da sífilis no DF.  “A transmissão só acontece quando a gestante não realiza o tratamento ou quando há amamentação em casos ativos. A redução é fruto de um trabalho intenso de qualificação do pré-natal, ampliação da testagem rápida e tratamento oportuno.” O Brasil registrou em 2023 a menor taxa de mortalidade por aids desde 2013, com 3,9 óbitos por 100 mil habitantes. A cobertura de pré-natal também atingiu níveis recordes: mais de 95% das gestantes fizeram ao menos uma consulta e foram testadas para HIV, enquanto aquelas que vivem com o vírus tiveram acesso ao início imediato do tratamento. *Com informações da Secretaria de Saúde          

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Casos de sífilis diminuem no Distrito Federal; diagnóstico precoce é fundamental para tratamento

Os casos de sífilis adquirida no Distrito Federal diminuíram 7,1%, de 2023 a 2024, de acordo com o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde (SES-DF). A capital federal registrou mais de 3,7 mil casos da doença — em sua forma adquirida — no ano passado, contra 3,9 mil em 2023. Em contrapartida, os registros de sífilis congênita (transmitida de mãe para filho) cresceram 2,7% — passando de 263 para 270, de 2023 a 2024 —, enquanto em gestantes apresentou queda de 17,1%, indo de 1.293 para 1.072, em 2024.  Os números reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado. Para ampliar a conscientização, foi criado o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado sempre no terceiro sábado de outubro.  Rede pública oferece gratuitamente testes que apresentam resultado em tempo rápido | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF “O mês visa a combater o aumento de casos, especialmente a forma congênita da infecção”, lembra a enfermeira Daniela Magalhães, responsável técnica pela área de sífilis da SES-DF. “A prevenção da transmissão vertical é o principal foco do outubro verde.” A gestora reforça que pessoas sexualmente ativas devem fazer a testagem com frequência. “É preciso testar pelo menos uma vez ao ano”, indica. “Outro momento para realizar o exame é sempre que houver prática sexual desprotegida ou na presença de sinais e sintomas, como feridas na genitália e manchas na pele sem causa definida”.  Doença A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) crônica e curável, exclusiva do ser humano, causada pela bactéria Treponema pallidum. A doença pode ser transmitida por contato sexual desprotegido ou de forma vertical, de uma pessoa com sífilis não tratada ou tratada inadequadamente para o feto, durante a gestação ou no parto. Em estágios avançados da doença, a ausência de tratamento adequado pode causar complicações, como lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, e até levar à morte. Sintomas A doença apresenta diferentes manifestações de acordo com o estágio. Na fase primária, surgem feridas no pênis, vagina, colo uterino, ânus e boca, entre dez a 90 dias após o contágio. Normalmente, elas não doem, coçam, ardem nem têm pus. Também desaparecem sozinhas, independentemente de tratamento, criando a falsa impressão de cura. No segundo estágio, os sinais e sintomas costumam surgir entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Nesta fase, surgem manchas no corpo, incluindo nas plantas das mãos e pés, além dos primeiros sintomas, como febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo. As manchas também podem desaparecer em algumas semanas. [LEIA_TAMBEM]O último estágio pode surgir entre 1 e 40 anos após o início da infecção e costuma apresentar sinais e sintomas como lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar a óbito.  Diagnóstico e tratamento O teste rápido de sífilis está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). O resultado é visível em, no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de exames laboratoriais. A doença tem cura, e o tratamento de escolha é a penicilina benzatina, que pode ser aplicada na própria unidade básica de saúde (UBS) de referência.  A principal forma de prevenção é o uso correto e regular de preservativo externo ou interno, uma vez que se trata de IST. Também são medidas importantes os testes, no caso de exposição à infecção, e o tratamento correto do portador e dos parceiros. Como buscar atendimento Atualmente, todas as UBSs oferecem testes rápidos e tratamento gratuito para a sífilis. A doença é curável em 100% dos casos, mas o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para uma boa recuperação. No Distrito Federal, no período de 2020 a 2024, foram mais de 14 mil casos de sífilis adquirida, 5,4 mil casos da doença em gestantes e 1,4 mil da doença congênita.  *Com informações da Secretaria de Saúde

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Capacitação reforça combate à tuberculose no DF

Enfermeiros, farmacêuticos, médicos e demais servidores da Secretaria de Saúde (SES-DF) que atuam na assistência direta às pessoas com tuberculose participam, até esta quarta-feira (10), da Oficina para Capacitação no Manejo de Tuberculose em Adultos. O objetivo é fortalecer as ações de controle da tuberculose, fornecendo o diagnóstico oportuno e o tratamento adequado à população. O panorama da tuberculose no DF foi um dos temas abordados durante a capacitação | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF Promovida pela Gerência de Vigilância de Infecções Sexualmente Transmissíveis (Gevist) da SES-DF, a oficina contou com a presença de especialistas da Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM) do Ministério da Saúde. “A cura é possível, mas o diagnóstico precoce e o cuidado adequado são fundamentais” Gisela Unis, consultora técnica da CGTM Segundo a gerente da Gevist, Beatriz Maciel, a tuberculose ainda é um desafio no DF. “Nos últimos cinco anos, registramos, aproximadamente, 1.594 novos casos”, contabiliza. “A taxa de cura está em torno de 53%, e o abandono chega a 14%”, especifica a gestora. "Estamos intensificando o monitoramento, organizando fluxos para populações mais vulneráveis, como a do sistema prisional, e construindo a linha de cuidado para a doença. Esta capacitação é um passo importante para fortalecer a rede e melhorar os indicadores.” Entre os temas da oficina estão o panorama epidemiológico da tuberculose no DF, prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. Consultora técnica da CGTM e uma das ministrantes da capacitação, Gisela Unis lembra que a tuberculose ainda é uma das doenças infecciosas mais letais do país: “O Brasil registra 90 mil casos de tuberculose por ano, e cerca de seis mil pessoas morrem em decorrência da doença. O tratamento é eficaz, e a cura é possível, mas o diagnóstico precoce e o cuidado adequado são fundamentais”. Doença A tuberculose é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (conhecida como bacilo de Koch) e transmitida por gotículas expelidas na tosse, espirro ou fala de pessoas infectadas. Os principais sintomas incluem tosse persistente por mais de três semanas, febre baixa, suor noturno, cansaço, falta de apetite e perda de peso. [LEIA_TAMBEM]Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2023, cerca de 10,8 milhões de pessoas adoeceram por tuberculose no mundo e 1,25 milhão morreram devido à doença, sendo considerada a principal causa de morte por agentes infecciosos, superando a covid-19. Além da exposição ao bacilo e das condições imunológicas, o adoecimento está ligado a fatores socioeconômicos. Pessoas em situação de rua, privadas de liberdade, indígenas, imigrantes,quem vive com HIV ou Aids e profissionais de saúde são mais vulneráveis em comparação à população geral. No DF, todas as 181 unidades básicas de saúde (UBSs) oferecem diagnóstico e tratamento gratuitos. A recomendação é procurar atendimento caso a tosse ultrapasse três semanas. Encontre a sua UBS de referência aqui.  *Com informações da Secretaria de Saúde

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Saúde pública do DF adota protocolos especiais para combater sepse em pacientes

Nesta semana, é lembrado o Dia Mundial da Sepse (13 de setembro), data que busca sensibilizar a população, profissionais de saúde e autoridades sobre a necessidade urgente de ampliar o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz dessa condição. A sepse, chamada popularmente infecção generalizada, é uma resposta inflamatória grave do organismo a uma infecção. Quando não tratada de forma rápida, pode evoluir para a falência de múltiplos órgãos e levar à morte. Quadro elaborado pela Secretaria de Saúde resume o que é a doença | Arte: Agência Saúde-DF De acordo com dados internacionais publicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a sepse é responsável por 48,9 milhões de casos e 11 milhões de mortes por ano, o que representa cerca de 20% de todas as mortes no mundo. Quase metade desses casos ocorre em crianças menores de cinco anos. No Brasil, o cenário é ainda mais desafiador. Estima-se que a taxa de mortalidade por sepse chegue a 60%, número muito acima da média de países desenvolvidos, que gira em torno de 20%. O reconhecimento rápido dos sinais da sepse pode salvar vidas. Os primeiros cuidados devem ser iniciados ainda na primeira hora após a suspeita de infecção, período conhecido como “hora de ouro”, aponta a infectologista Clarisse Lisboa, da SES-DF. “No começo, achei que era só um machucado, mas em pouco tempo meu quadro piorou muito”, relata Michel Strogoph Horovits, internado no Hospital Regional de Samambaia (HRSam) em tratamento contra sepse. “Se não fosse a agilidade da equipe daqui, eu não estaria melhorando. Hoje entendo a importância de reconhecer os sinais cedo.” “Crianças precisam ter um cuidado especial, pois o sistema de defesa das crianças ainda não está totalmente maduro, o que as tornam mais vulneráveis às infecções” Clarisse Lisboa, infectologista Clarisse Lisboa alerta: “O diagnóstico e o tratamento ágil fazem toda a diferença para reduzir a mortalidade, por isso precisamos olhar para esse problema com mais atenção, e adotamos o uso de protocolos clínicos que comprovadamente salvam vidas, que seguem os pilares: prevenção, reconhecimento e diagnóstico precoces, tratamento correto e reabilitação”.  Tratamento O tratamento geralmente exige internação em unidades de terapia intensiva (UTIs). A primeira medida é a administração de antibióticos de largo espectro, por via endovenosa, antes mesmo da identificação do agente infeccioso. Quando o paciente apresenta queda acentuada de pressão arterial, podem ser utilizados vasopressores para estabilizar a circulação. Em situações graves, pode ser necessário o uso de suporte avançado, como ventilação mecânica e hemodiálise. “Crianças precisam ter um cuidado especial, pois o sistema de defesa das crianças ainda não está totalmente maduro, o que as tornam mais vulneráveis às infecções”, pontua Clarisse Lisboa. “Além disso, os sinais e sintomas de infecção na criança podem ser mais difíceis de identificar pela dificuldade em comunicar o que ela sente.” Ela lembra que é fundamental manter o cartão de vacinas atualizado e não deixar de buscar auxílio médico quando houver suspeita de infecção, para que o tratamento adequado seja iniciado o mais rapidamente possível. Capacitação pediátrica [LEIA_TAMBEM]Para enfrentar esse desafio, o Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), em parceria com a Sociedade de Pediatria do Distrito Federal (SPDF), vai ofertar uma capacitação voltada ao reconhecimento precoce da sepse pediátrica. O treinamento será realizado na quinta-feira(11), de forma presencial, no grande auditório do Hmib, e também virtualmente, pelo aplicativo Zoom. As vagas presenciais são limitadas a 150 pessoas. Com o lema “Reconhecer para Agir”, a capacitação reforça a importância da identificação rápida dos sinais clínicos de sepse para que a intervenção médica ocorra ainda na chamada “hora de ouro”, capaz de salvar vidas e evitar sequelas graves. Os participantes receberão certificado emitido pelo Núcleo de Educação Permanente em Saúde (Neps) do Hmib, além de certificado específico para o curso online fornecido pela SPDF. *Com informações da Secretaria de Saúde  

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Hormônio do estresse no cabelo: técnica com nanopartículas promete diagnóstico rápido e sem exames invasivos

Um método inovador desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB) promete transformar a forma como avaliamos o estresse crônico. A pesquisa, coordenada pelo professor Juliano Alexandre Chaker, utiliza fios de cabelo e nanopartículas de carbono para medir o cortisol, o chamado “hormônio do estresse”, com rapidez, precisão e sem necessidade de exames invasivos. Com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do Edital Learning 2023, o projeto une ciência de ponta e inovação tecnológica para oferecer diagnósticos acessíveis e confiáveis, com potencial de aplicação em saúde pública, toxicologia forense e meio ambiente. Inovação científica: como funciona o método O cortisol é um dos principais indicadores fisiológicos do estresse, mas sua medição tradicional em exames de sangue é altamente sensível a variações do momento da coleta. Situações cotidianas — como enfrentar um engarrafamento antes de ir ao laboratório — podem alterar significativamente os resultados. Além disso, os níveis de cortisol mudam ao longo do dia, acompanhando os ciclos circadianos, ou seja, o “relógio biológico” que regula nossas funções em um período de 24 horas, o que dificulta diagnósticos consistentes. A proposta da pesquisa é superar essas limitações utilizando o cabelo como matriz de análise. Trata-se de uma amostra não invasiva, que acumula não apenas cortisol, mas também outros glicocorticoides (hormônios produzidos pelas glândulas adrenais, acima dos rins), metais e poluentes. Cada centímetro de cabelo corresponde, em média, a um mês de registro biológico, permitindo que os pesquisadores realizem uma espécie de “linha do tempo” do estresse. Equipamento de espectrometria de massas MALDI-TOF, peça central do método inovador desenvolvido na UnB | Fotos: Arquivo pessoal/Juliano Alexandre Chaker Para viabilizar a análise, o grupo desenvolveu uma adaptação da técnica de espectrometria de massas MALDI-TOF (dessorção/ionização a laser assistida por matriz — tempo de voo, em inglês Matrix-Assisted Laser Desorption/Ionization — Time of Flight), um equipamento de alta precisão normalmente utilizado para estudar proteínas de alto peso molecular. O diferencial está no uso de nanopartículas de carbono como matriz ionizante, o que gera espectros mais limpos e possibilita a detecção de moléculas pequenas, como o cortisol, sem interferência de sinais sobrepostos. As amostras são aplicadas em placas específicas, que funcionam como suporte dentro do equipamento durante a leitura. Cada placa comporta centenas de pontos de análise e, uma vez posicionada no MALDI-TOF, os resultados são gerados em questão de segundos. Da coleta ao resultado em segundos O processo começa com a coleta de pequenas mechas de cabelo, que servem como amostra não invasiva. Em laboratório, o cortisol é extraído com solventes específicos, misturado às nanopartículas de carbono e aplicado em placas de análise. Cada placa comporta mais de 300 amostras e o equipamento processa cada uma em apenas cinco segundos, fornecendo resultados com altíssima precisão e em grande escala. Atualmente, o projeto se prepara para a fase de validação, que depende da aprovação do comitê de ética em pesquisa. A etapa prevê a coleta de amostras de cabelo de 50 voluntários, acompanhada de questionários sobre fatores de estresse. Os resultados obtidos com a técnica inovadora serão comparados a métodos de referência, como a cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas — técnica considerada padrão-ouro, que separa os componentes de uma amostra antes de analisá-los, garantindo alta precisão, embora demande mais tempo e custo. Professor Juliano Alexandre Chaker, coordenador do Laboratório de Nanotecnologia Verde (NaVe/UnB), onde desenvolve pesquisas em nanotecnologia aplicada ao diagnóstico de estresse e toxicologia Assim, o estudo busca não apenas demonstrar rapidez e acessibilidade, mas também a equivalência em relação às técnicas tradicionais já consolidadas. Impactos esperados Segundo o professor Juliano Chaker, o objetivo é oferecer uma metodologia confiável e de baixo custo, que possa futuramente ser disponibilizada como serviço técnico especializado. “O potencial é enorme. Além do estresse crônico, podemos aplicar o método na toxicologia clínica e forense, incluindo a detecção de drogas de abuso e agentes intoxicantes em exames de rotina”, explica. Com resultados rápidos e a possibilidade de análises retrospectivas — olhando para meses de acúmulo registrados no cabelo — a técnica pode apoiar desde políticas públicas de saúde mental até investigações criminais, com ganhos em tempo, custo e confiabilidade. Apoio institucional e rede de colaboração O projeto conta com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do Edital Learning 2023, que tem sido essencial para viabilizar bolsas, infraestrutura e atividades de pesquisa. “A FAPDF é fundamental para a vida do pesquisador no Distrito Federal. Sem esse apoio, seria inviável mantermos uma infraestrutura de ponta e formar novos talentos em áreas estratégicas como a nanotecnologia aplicada à saúde e ao meio ambiente”, afirma Juliano Chaker. A iniciativa é desenvolvida no Laboratório de Nanotecnologia Verde da Universidade de Brasília (UnB), coordenado pelos professores Juliano Alexandre Chaker e Marcelo Sousa, em parceria com programas de pós-graduação em Nanociência e Nanotecnologia da instituição. Além do fortalecimento acadêmico, o grupo mantém colaborações com órgãos como a Polícia Civil e a Polícia Federal, além de parcerias consolidadas em outros projetos com agências como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), ambas vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Essa rede de cooperação reforça o caráter multidisciplinar da pesquisa, ampliando suas perspectivas de aplicação tanto na saúde pública quanto na toxicologia forense e ambiental. *Com informações da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF)

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Laboratório de Citogenética celebra 30 anos com emissão de 10 mil laudos

Os 30 anos do Laboratório de Citogenética do Hospital de Apoio de Brasília (HAB), celebrados nesta semana (16), chegam com um marco: a emissão de 10 mil laudos cariótipos. O exame serve para analisar os cromossomos, estruturas que carregam o material genético (DNA). Trata-se de uma ferramenta fundamental para o diagnóstico de doenças genéticas, como síndromes cromossômicas, infertilidade e certas formas de câncer.  Esse resultado foi comemorado junto ao aniversário da unidade, ocasião que reuniu profissionais e estudantes em simpósio, onde foram apresentados dados históricos, estatísticos e técnicos acerca do serviço ofertado pela unidade de referência em genética e doenças raras. O exame de cariótipo é uma ferramenta fundamental para o diagnóstico de doenças genéticas, como síndromes cromossômicas, infertilidade e certas formas de câncer | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF Até 2018, antes da implementação do Acordo de Gestão Regional (AGR) no HAB, 77% das coletas de células presentes no sangue ou em medula óssea resultavam na análise cromossômica e na emissão de laudo médico. Com a contratualização interna, o serviço passou a operar com um índice superior a 95%. [LEIA_TAMBEM]Além disso, a partir da aquisição do sistema de cariotipagem, em 2021, o prazo para entrega do resultado foi reduzido de 148 dias para até 36 dias. "A história do laboratório é bonita, de evolução, graças à dedicação da equipe. É um trabalho difícil, mas que todo mundo faz com muito amor", afirma a assessora técnica, Sinara Couto. A técnica administrativa Lourdes Leila, conhecida como Lurdinha, atua há 31 anos na Secretaria de Saúde (SES-DF) - todos dedicados ao HAB. Desde 2011, ela é a responsável pela marcação de consultas com os médicos dos Serviços de Referência em Doenças Raras. "A gente tem um carinho muito grande pelos pacientes (e eles por nós). A gente passa a sentir afeição. É muito bom participar de um grupo que se importa", conta.  A grande mestra  As três décadas da história do Laboratório de Citogenética do HAB têm origem no sonho da médica geneticista Maria Teresinha Cardoso. O serviço teve início, formalmente, em 1995 no Hospital de Base (HBDF). Em 2008, então, foi transferido para o HAB. A Unidade de Genética, que integra também os laboratórios de Biologia Molecular e de Triagem Neonatal, é reconhecida nacionalmente pelo pioneirismo e pela excelência.  O Laboratório de Citogenética do HAB tem origem no sonho de Maria Teresinha Cardoso: "Fico feliz demais em saber que há continuadores de um serviço que fiz para o paciente e para a saúde do Brasil."  Maria Teresinha, que se aposentou em 2024, segue atuando como voluntária na unidade hospitalar. Na segunda-feira (16), durante a homenagem, declarou que o empenho do corpo técnico é o motivo de sua alegria. "Fico feliz demais em saber que vocês serão os continuadores de um serviço que fiz para o paciente e para a saúde do Brasil. Todos trabalham com o coração", afirma. O Laboratório de Citogenética oferece o exame de cariótipo a toda a rede da SES-DF. Para a realização do exame, os pacientes devem ser atendidos pelos serviços de Onco-hematologia ou de Referência em Doenças Raras. *Com informações da SES-DF

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Hospital da Criança de Brasília é referência nacional no tratamento e cuidado a pacientes com doenças raras

O mundo da agente de saúde Geane Ilha, 40 anos, virou de ponta-cabeça quando ela descobriu, por meio do teste do pezinho, que o filho recém-nascido tinha fibrose cística. “Deu uma alteração, nos chamaram para repetir o exame dias depois, e aí começou a angústia”, lembra. “Fizeram o teste visual, que comprova a doença, e, quando Pedro Henrique estava com um mês e meio de vida, recebemos o diagnóstico e iniciamos o acompanhamento”. Hospital tem instalações completas e equipamentos com capacidade de tratar doenças raras de crianças | Fotos: Geovana Albuquerque/Agência Brasília Sem nenhum conhecimento sobre a enfermidade rara, Geane foi encaminhada ao Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) e, logo na primeira consulta, teve certeza de que a saúde do filho seria garantida: “A equipe me acolheu de um jeito que até falo que são meus anjos. Me explicaram que, embora seja um problema raro, tem avanços no tratamento. No início, tínhamos que vir para as consultas todo mês, mas hoje é de três em três meses. E ele tem a vida de uma criança saudável”. Pedro Henrique, hoje com 4 anos, é um dos 72 pacientes com fibrose cística acompanhados pelo HCB atualmente. Referência nacional no tratamento e cuidado de doenças raras, a unidade hospitalar oferece uma série de programas específicos, que promovem atendimento humanizado, integral e multiprofissional de média e alta complexidade, a partir da confirmação do diagnóstico, com fornecimento de medicamentos, exames e consultas. Doenças complexas Lúcio Ilha, pai de Pedro (atrás, no colo da mãe, Geane), que faz tratamento no HCB: “Agradecemos a Deus todos os dias por ter esse hospital, é maravilhoso” Desde a inauguração, em novembro de 2011, até o final de abril deste ano, o HCB prestou mais de 8,2 milhões de atendimentos. Desses, destacam-se mais de 5,1 milhões de exames laboratoriais e mais de 1,2 milhão de consultas. Em cerca de 14 anos de história, foram mais de 587 mil diárias, 82 mil sessões de quimioterapia, 58 mil transfusões, 12 mil cirurgias ambulatoriais, 41 mil ecocardiogramas, 138 mil procedimentos de raios-X, 63 mil tomografias e 84 mil ultrassons, entre outros. “O Hospital da Criança é especializado em doenças raras e complexas da infância”, explica a diretora-executiva do HCB, Valdenize Tiziani. “Quanto mais atendemos, maior é a curva de aprendizagem da nossa equipe, que conta com pessoas especializadas em todas as áreas da medicina e que podem oferecer a melhor evidência científica no atendimento, tanto no diagnóstico como no tratamento.”   Segundo Tiziani, a unidade fornece terapias individualizadas e dispõem de equipamentos de última geração, utilizados para promover o bem-estar dos pacientes. “Fazemos questão de que a criança seja realmente tratada como criança, e falamos, inclusive, que aqui brincar é coisa séria”, detalha a médica. “Então, conseguimos adotar as melhores e mais avançadas tecnologias para o tratamento e para a cura, ao mesmo tempo que entregamos humanização e compaixão”. Cuidado que faz a diferença Enfermidade de origem genética, a fibrose cística causa alteração nas glândulas exócrinas, que liberam o suor, lágrimas e saliva. Devido a isso, as secreções ficam mais densas e começam a obstruir principalmente pulmões, pâncreas e sistema digestivo, causando problemas progressivos. Quanto mais cedo é descoberta, melhor é a qualidade de vida do paciente. Valdenize Tiziani, diretora-executiva do HCB: “Quanto mais atendemos, maior é a curva de aprendizagem da nossa equipe, que conta com pessoas especializadas em todas as áreas da medicina e que podem oferecer a melhor evidência científica no atendimento, tanto no diagnóstico como no tratamento” No caso de Pedro, a agilidade no diagnóstico é decorrente do teste do pezinho, exame oferecido em toda a rede pública de saúde do DF e capaz de identificar até 62 doenças. “Se nós não tivéssemos descoberto logo no início, talvez ele teria tido algum problema e não ia dar tempo de tratar”, pontua Geane. “Hoje ele corre, brinca, não sente cansaço, faz tudo como uma criança saudável. Sou eternamente grata ao HCB”. Assim como as demais doenças raras, o tratamento da fibrose cística inclui atendimento multidisciplinar, exames de controle, medicamentos para uso domiciliar, consultas médicas, a depender da necessidade da criança e adolescente. “Agradecemos a Deus todos os dias por ter esse hospital, é maravilhoso”, comemora o pai de Pedro, o empresário Lúcio Daniel Ilha, 44. “Já pensamos em nos mudar daqui, mas a dúvida que fica é: ‘será que lá terá um lugar assim?’. Aqui tem tudo: psicólogo, assistente social, dentista, fisioterapeutas”. Especialidades [LEIA_TAMBEM]Reconhecido como 11º melhor hospital público do Brasil em 2022, o HCB também foi o primeiro hospital pediátrico do Centro-Oeste a conquistar a certificação de Acreditado com Excelência (Nível 3) da Organização Nacional de Acreditação (ONA), o mais alto nível de qualidade hospitalar. A unidade foi criada a partir de uma parceria entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a Associação Brasileira de Assistência às Famílias de Crianças Portadoras de Câncer e Hemopatias (Abrace). Destinada a atender exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de encaminhamento pela Central de Regulação da Secretaria de Saúde (SES-DF), a instituição é gerida pelo Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe). Entre as iniciativas, destacam-se o Programa de Reabilitação Intestinal Pediátrica (Prip) para pacientes com falência intestinal. São contemplados crianças e adolescentes que dependem do uso de nutrição parenteral total para sobreviver, devido à falta de capacidade do intestino de absorver os nutrientes da alimentação oral. Graças ao Prip, os pequenos podem seguir com o tratamento em casa e têm a chance de viver uma vida com mais normalidade. Atualmente, há sete pacientes internados com a condição e outros seis pacientes foram desospitalizados, com acesso completo ao tratamento domiciliar. Também há a oferta de transporte para pacientes com doença renal crônica em dias de hemodiálise. A ação evita faltas e atrasos, melhora a adesão ao tratamento, impedindo complicações decorrentes da ausência de terapia, além de otimizar a rotina do paciente e cuidadores. Há, ainda, a hemodiálise feita em casa, no período noturno, com todos os equipamentos e insumos custeados pelo HCB, com o objetivo de promover bem-estar e conforto ao paciente. Outro diferencial da unidade é a infraestrutura de ponta para diagnóstico e pesquisa de doenças raras, como o Biobanco, que armazena mais de 500 mil amostras biológicas, e a Unidade de Sequenciamento de Nova Geração, que permite avançar no mapeamento genético e na investigação de enfermidades complexas.

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Glaucoma: Saúde alerta para importância do diagnóstico precoce

Nesta segunda-feira (26), Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, a Secretaria de Saúde (SES-DF) reforça a importância do diagnóstico precoce da doença, que pode levar à cegueira irreversível se não for tratada adequadamente. Segunda principal causa de perda da visão no Brasil, o glaucoma atinge, principalmente, pessoas acima dos 40 anos. O tratamento está disponível de forma integral pelo Sistema Único de Saúde (SUS).   A oftalmologista Adriana Lourenço indica o diagnóstico precoce e os exames de rotina como formas preventivas: “Como o glaucoma é silencioso, quando surgem os primeiros sintomas, o comprometimento do nervo óptico já é significativo” | Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde A pressão intraocular elevada é o principal fator de risco, mas há outros aspectos que devem ser observados, como o histórico familiar, a miopia elevada e fatores raciais. “Como o glaucoma é silencioso, quando surgem os primeiros sintomas, o comprometimento do nervo óptico já é significativo”, afirma a oftalmologista Adriana Sobral Lourenço, da SES-DF, que aponta o diagnóstico precoce como a melhor forma de preservar a saúde ocular. Entre os sinais de alerta está a perda da visão periférica, geralmente percebida tardiamente. “Inicialmente, o paciente vai perdendo o campo visual periférico; apenas nos estágios mais avançados é que ocorre a perda da visão central”, explica a especialista. Segundo a médica, a maioria dos pacientes consegue estabilizar a doença com colírios de uso contínuo. Casos mais graves podem exigir procedimentos com laser ou cirurgia. O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Tratamento  Somente em 2024, foram realizados 22,1 mil procedimentos oftalmológicos relacionados ao glaucoma na rede pública do Distrito Federal. Até fevereiro deste ano, já foram registrados 3,6 mil atendimentos. A SES-DF também assegura a oferta de medicamentos por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, com núcleos localizados no Gama, Ceilândia e na Asa Sul. Os colírios ofertados reduzem a pressão intraocular e retardam o avanço da doença. Para ter acesso ao tratamento, é necessário apresentar exames e preencher os formulários específicos exigidos pelo protocolo clínico. A atenção à saúde ocular começa na primeira infância. Nas maternidades públicas do DF, os recém-nascidos passam pelo teste do olhinho, exame rápido, indolor e essencial para detectar alterações no eixo visual. Detectada alguma anormalidade, o bebê é encaminhado a um oftalmologista para avaliação especializada. O teste também pode indicar a presença de outras doenças, como catarata congênita e retinoblastoma. As unidades da rede pública que oferecem atendimento oftalmológico especializado incluem os hospitais de Base (HBDF) e os regionais de Taguatinga (HRT) e da Asa Norte (Hran).  Campanha nacional Desde o dia 20 deste mês, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) promove a campanha 24 horas pelo Glaucoma, que segue até o fim deste mês, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença. “Informação e acesso são nossas maiores armas contra o glaucoma”, reforça Adriana Lourenço. “A população deve estar atenta aos fatores de risco e buscar regularmente os serviços de saúde.” *Com informações da Secretaria de Saúde    

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