SLU reforça limpeza nas imediações dos cemitérios para o Dia de Finados
Com o objetivo de preparar os espaços públicos para receber a população durante o Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) intensificou as ações de limpeza e conservação nas imediações dos seis cemitérios do Distrito Federal. No fim de semana, cerca de 200 garis foram monitorados para atuar nas imediações dos cemitérios, realizando serviços de fresagem e pintura de meios-fios, catação e varrição, contribuindo para deixar os espaços mais limpos, organizados e acolhedores para as famílias que visitam seus entes queridos nesta segunda-feira (2). “Nesta segunda-feira, que é o Dia de Finados, mantemos equipes de limpeza nas proximidades dos cemitérios para manter a limpeza nos dias que antecederam o feriado. Os demais serviços seguem normalmente em todo o Distrito Federal, conforme o planejamento operacional do SLU”, esclareceu o diretor-presidente do SLU, Luiz Felipe Carvalho. O SLU reforça a importância da colaboração da população para manter os espaços públicos limpos. A orientação é não jogar lixo no chão, utilizar as lixeiras disponíveis e dar a destinação correta aos resíduos. *Com informações do SLU
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Garis animam a segunda de Carnaval com o Bloco Vassourinha
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Mais de 200 pessoas participam da 6ª Corrida do Gari neste domingo (21)
A 6ª edição da Corrida do Gari – O Gari Mais Veloz do Distrito Federal animou o Eixo Monumental neste domingo (21). Por volta das 7h, mais de 200 pessoas já estavam concentradas no ponto de largada, no estacionamento do Eixo Cultural Ibero-americano, entre a antiga Funarte e a Torre de TV. A prova foi disputada em um percurso de 5 km. “Ficamos muito felizes em realizar o evento, tendo em vista tudo o que o Governo do Distrito Federal tem proporcionado aos garis”, celebrou o presidente do SLU, Silvio Vieira. “É o mês do gari. Fizemos uma grande festa e estamos fechando o ciclo com uma corrida bem animada”. O Dia do Gari foi celebrado no último dia 16. A data foi instituída como ponto facultativo para a categoria no ano passado pelo governador Ibaneis Rocha. Vinícius de Mello, vencedor entre os garis, vai usar o prêmio de R$ 800 para pagar contas | Fotos: Joel Rodrigues/ Agência Brasília [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Nesta edição, 150 vagas foram destinadas aos garis e 250 ao público geral – todas foram preenchidas. Exclusiva para a categoria dos garis, a premiação foi de R$ 800 para o primeiro lugar, R$ 600 para segundo e R$ 400 para quem se classificar na terceira posição. Além disso, os três primeiros colocados de cada categoria receberam troféus e todos os outros foram agraciados com medalhas de participação. Depois da corrida, houve um passeio ciclístico, sem fins competitivos, no Eixo Monumental. O primeiro lugar entre os garis foi conquistado por Vinícius Pereira de Mello, 20 anos. Ele cumpriu o percurso em 11 minutos e 16 segundos e, em ampla concorrência, chegou à largada em quarto lugar. Há cerca de um ano na profissão, ele atua na coleta de resíduos sólidos das residências e comércios em Sobradinho. “Foi emocionante. Eu não treino, não, só corro no trabalho, fazendo a coleta. Ano que vem estou aqui de novo e para ganhar também”, disse ele. O prêmio de R$ 800 já tem um destino: será usado para pagar contas de casa. Maria Célia dos Santos comemora a diminuição do preconceito contra garis Mas, para além dos prêmios, a corrida significou valorização dos profissionais de limpeza urbana e incentivo à saúde. “Antes, o preconceito com a gente era muito maior. Hoje em dia está ótimo, ganhamos uma grande festa semana passada”, afirmou a gari Maria Célia dos Santos, 44 anos. Maria não participou da corrida mas incentivou a amiga também gari Dulvina Aleixo de Souza, 36, que conta que aproveitou para estrear um novo esporte. “Quis tentar, né? Me inscrevi em cima da hora, então não deu tempo de me preparar. Fui na cara e na coragem”, disse. “Mistura de lazer e saúde.” Foi assim que um trio de amigos definiu a experiência na corrida em homenagem aos profissionais de limpeza urbana. O professor Vitor de Oliveira, 39, e o vendedor Rafael Rodrigues, 42, correm há pelo menos oito anos, enquanto a corretora Roberta Castelo, 39, estava inaugurando a trajetória no esporte. O vendedor Rafael Rodrigues entrou na prova para melhorar o próprio tempo em corridas de rua “Minha expectativa é melhorar meu tempo de percurso”, disse Rafael, ao que Vitor completou: “A minha é terminar a prova, posso até chegar em último que estou feliz. Eu corro por amor, então, estou aqui pela diversão e pelo esporte.”
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Na limpeza urbana, elas também são nota 10
Elas estão todos os dias nas ruas para deixar cada canto do Distrito Federal arrumado. As mulheres atuam em diversas frentes de trabalho na limpeza urbana – de gari de varrição a motorista ou fiscal de equipes. Elas sentem orgulho do que fazem e pedem mais reconhecimento da sociedade para esse trabalho, considerado essencial para o meio ambiente e para a saúde pública. Grazielle Cipriano: “Minha tarefa é conduzir com responsabilidade, com atenção” | Fotos: Divulgação/SLU Conduzindo um caminhão de coleta de segunda a sábado, Grazielle Cipriano, 27 anos, conta que o seu trabalho não é apenas dirigir, mas verificar equipamentos e prezar pela segurança da equipe. “Minha tarefa é conduzir com responsabilidade, com atenção, respeitando todas as leis de trânsito, prezando a segurança dos meus garis e também dos outros usuários que usam a via”, afirma. Ilza Santos: “Eu ajudo a trazer saúde para as pessoas, é um trabalho essencial” Gari há oito anos, Ilza Santos, 35, trabalha na varrição e na capina. “Fico em pé várias horas do meu dia, é um serviço cansativo, mas de que eu me orgulho”, diz. “Eu ajudo a trazer saúde para as pessoas, é um trabalho essencial”. Lucilene Rosa: “É muito bom ver que depois que a gente passa tudo fica limpinho e arrumado” Já Lucilene Rosa, 40, começou trabalhando como gari e hoje é fiscal de equipe, distribuindo material de limpeza e oferecendo apoio e suporte. “Estou aqui para somar”, resume. “Eu sempre amei fazer tudo com muito cuidado, com muito carinho. Acho que por isso cheguei ao posto de fiscal. É muito bom ver que depois que a gente passa tudo fica limpinho e arrumado. Mas as pessoas precisam ajudar, não jogando seu lixo no chão. Tem lixeira, tem lugar certo para isso”. “Meu desejo para nossa profissão é que ela seja mais reconhecida pelas pessoas, que não deixem tanto a gente de lado”, defende a gari Dayane Moura, 35, que também trabalha na varrição. “É muito bom quando estamos trabalhando e alguém e nos dá bom dia, agradece pelo nosso trabalho. Só esse reconhecimento já deixa a gente feliz”. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Para o diretor-presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Sílvio Vieira, o momento é de reconhecimento do esforço feminino na prestação desse serviço fundamental. “Só em 2021 nós tivemos mais de 1 milhão de toneladas de resíduo retiradas das vias do DF pelo serviço de varrição, executado na maioria por mulheres”, pontua. “São pessoas que zelam pela limpeza, pela saúde, pelo cuidado, e que merecem nosso carinho e respeito”. *Com informações do Serviço de Limpeza Urbana
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Parabéns! Hoje é Dia do Gari
Dia 16 de maio é comemorado o Dia do Gari. Data que homenageia 3.724 garis da limpeza urbana que atuam dia e noite para deixar a Distrito Federal cada vez mais limpo. “A homenagem desse ano tem um significado muito especial. Os garis tiveram um papel fundamental no enfrentamento ao coronavírus. E foi assim que esses guerreiros entenderam que precisavam ficar mais ativos e não pararam em nenhum momento o serviço de limpeza da nossa cidade. Muito obrigado”, disse Silvio de Morais, diretor-presidente do SLU. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] No ano passado, os garis coletaram mais de 700 mil toneladas de resíduos domiciliares e varreram mais de 1 milhão de quilômetros de vias públicas. Eles também são responsáveis pela pintura de meios-fios, troca de sacos de lixo de mais de 15 mil lixeiras, limpeza de monumentos e paradas de ônibus e ainda higienizam as áreas próximas às unidades de saúde pública. * Com informações do SLU
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Corrida do Gari simula coleta seletiva
No próximo domingo (8) o SLU promove a 4ª Corrida do Gari – Todos pela Coleta Seletiva. A concentração dos 600 participantes será às 7h, em frente ao Pavilhão do Parque da Cidade. Participarão 200 garis das três empresas que prestam o serviço ao SLU. As outras 400 vagas foram disponibilizadas para o público em geral, que aderiu com entusiasmo ao evento. Foram 2.380 inscrições em dois dias, mas quem ficou de fora foi avisado sobre o limite de vagas. A Corrida do Gari acontece desde 2015 com o objetivo de valorizar esses trabalhadores – que já são corredores de rua no exercício da sua profissão, porém invisíveis se comparados à sua responsabilidade na limpeza da cidade. Nesta 4ª edição, o tema é “Todos pela Coleta Seletiva”, em que participantes serão divididos em dois grupos, com camisetas distintas, representando os recicláveis e os orgânicos/rejeitos. Todos largam misturados e, no transcurso da corrida de cinco quilômetros, cada grupo se separa na chegada, simbolizando a correta separação dos resíduos. “Neste ano o foco é a coleta seletiva, já que esse serviço será prestado em todo DF com os novos contratos de limpeza urbana, assinados em outubro. Desde já estamos intensificando as orientações e a corrida é uma oportunidade de sensibilizar a população sobre a importância da coleta seletiva”, disse a coordenadora de Mobilização do SLU, Luana Sena. Além de valorizar o gari, a corrida traz uma mensagem de conscientização em todas as suas edições. Na primeira, uma das regras da corrida era não jogar os copinhos de água no chão durante o percurso, sob pena de desclassificação. Na segunda e terceira edições, em 2016 e 2017, respectivamente, o atleta poderia ser desclassificado até mesmo antes da corrida, caso fosse flagrado descartando lixo no chão. A corrida não aconteceu em 2018. “Em todas as edições, o SLU tem a preocupação de plantar uma sementinha na mente de cada um sobre como uma simples atitude de não jogar o lixo no chão pode impactar o meio ambiente, além de colaborar para deixar nossa cidade mais limpa”, acrescentou Luana. Todos os participantes da corrida receberão uma medalha de participação. No entanto, o prêmio que reúne uma quantia em dinheiro e um par de tênis, patrocinado por empresas que prestam o serviço de limpeza no DF, será concedido apenas aos garis. Os três primeiros colocados, tanto da coleta seletiva quanto dos orgânicos/rejeitos, serão contemplados nessa premiação especial. * Com informações do SLU
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Primeira-dama Mayara Noronha homenageia os garis do Distrito Federal
Primeira-dama Mayara Noronha homenageia garis do Distrito Federal com café da manhã. Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília Nesta quinta-feira (16) é comemorado o Dia do Gari. A primeira-dama do DF e madrinha do concurso que irá eleger a Miss e o Mister Gari, Mayara Noronha, participou, no Salão Nobre do Palácio do Buriti, de cerimônia e café da manhã em homenagem aos profissionais de limpeza que mantêm as ruas e praças do Distrito Federal limpas. “É uma felicidade grande compartilhar esse dia com os garis do DF. Todos que chegam aqui em Brasília admiram a beleza da região e isso é graças a vocês. A cidade não seria tão linda se não fosse o trabalho de vocês”, disse. “Ao apadrinhar esse projeto, tive a oportunidade de conhecer mulheres lindas por dentro e por fora. Pessoas que transmitem amor pelo que faz com sorriso no rosto e amor no coração sempre”, definiu. Em um depoimento emocionado, a idealizadora do concurso, a fiscal operacional da Valor Ambiental Maria de Fátima Dias disse que os garis são sua inspiração. “Quando entrei na empresa, há oito anos, havia acabado de perder um filho. Inspirei-me nessas meninas. Esse projeto foi que me fez sair do buraco. Percebi que muita gente jogava a mangueira para elas beberem água e muitos jogavam o copo fora depois disso. Vi que elas precisavam de minha ajuda”, conta Fátima, que projetou o concurso em 2015 com o intuito de valorizar a profissão. O Dia do Gari surgiu em homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary. Foi ele quem firmou o primeiro contrato com o Ministério Imperial, em 11 de outubro de 1876, para realizar a limpeza do Rio de Janeiro. Daí, sempre que havia algum lugar sujo, mandavam chamar a turma do Gary. E o nome se popularizou. No DF, eles exercem o trabalho varrendo, tirando o lixo, fazendo capina e, também, desentupindo bocas-de-lobo, serviços que contribuem para deixar a capital federal mais bela. Concurso de beleza A beleza dos garis do Distrito Federal, muitas vezes escondida por trás do macacão laranja e de pás e vassouras, será estampada neste sábado (18), no concurso Miss e Mister Gari 2019, que acontece neste sábado (18), às 20h, no JK Shopping, em Taguatinga. Morena de cabelos pretos, longos e cacheados, a gari Ana Carolina Gonçalves, 24 anos, moradora de Samambaia Sul, participa pela primeira vez de um concurso de beleza. Segunda ela, o principal objetivo é vencer a timidez. De qualquer forma, ela aprecia a experiência. “Os ensaios são ótimos, estou tranquila. Não há rivalidade entre as concorrentes”, frisa. Para ela, o concurso é importante porque valoriza a profissão. Loira, cabelos arrumados e cuidadosamente maquiada, Maria Mikaela, 23 anos, moradora de Samambaia Norte, encara o desafio pela segunda vez. Gari há quatro anos, trabalha de segunda a sábado, das 7h às 13h, e diz gostar da profissão. “No começo foi difícil, por causa do preconceito, mas acabei me acostumando. Trabalhamos na rua, ao ar livre, não tem pressão como em um escritório”, relata. O incentivo para participar veio das colegas de trabalho. “Além de ganharmos mais visibilidade, conhecemos pessoas novas e aprendemos a ter mais autoestima. Com o concurso, muitas de nós começaram a se arrumar mais para ir trabalhar, a cuidar dos cabelos, unhas e passar maquiagem”, afirma. Para Mikaela, o mais difícil será encarar a passarela. “As mãos tremem, fico gelada e dá um frio na barriga”, lembra. Candidato a Mister Gari, Adilson Pereira de Souza, 51 anos, é pai de quatro filhos e participa pela primeira vez de um concurso de beleza. “Na nossa profissão temos muitos desafios, mas somos conhecidos pelos pequenos. Outro dia uma criança me avistou e disse para a mãe: mãe, olha o bombeiro. Daí ela disse: não é bombeiro, é um gari”, brinca, completando: “Tenho muito orgulho da minha profissão”, ressalta.
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MARLENE DE ARAÚJO / “O trabalho me liberta”
Marlene de Araújo, 55 anos, baiana, mãe de três homens, avó de duas meninas e um menino, integrante da equipe de varrição do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) há 11 anos. Este é o perfil da entrevistada da Agência Brasília na série que homenageia as mulheres do Distrito Federal. Dona Marlene, como é carinhosamente chamada pelos colegas de trabalho, chegou a Brasília em 1988. Veio acompanhada pelo então companheiro. Foi empregada doméstica, trabalhou no comércio e depois conquistou a carteira assinada no SLU do Distrito Federal. Moradora do Recanto das Emas, ela viveu uma história que se confunde com a de milhares de outras mulheres brasileiras. Na infância, os pais proibiram sua ida à escola. Na juventude, encontrou um companheiro que a agredia física e moralmente. Enfrentou todas essas dificuldades e, no trabalho, encontrou o caminho para resgatar sua qualidade de vida. Como foi sua infância? A senhora considera que foi reprimida por seus pais por ser mulher? A criação nossa foi do jeito que minha mãe falava e era bem assim: “Se você casar, você tem que aguentar o marido! Pode ser o que for. Você tem que aguentar”. Acho que muitas mulheres, no Brasil todo, sofrem demais por causa dos pais. Comigo era assim: “Se o marido bater e tudo mais, mas você casou com ele, então, tem que aguentar”. Por isto, a gente tinha que engolir. Hoje em dia, as mulheres aguentam porque querem. Se quiser mesmo, de verdade, homem nenhum no mundo pode segurar. Não tenho vergonha de falar. Minha vida já foi muito sofrida. Já tomei remédio para não morrer de tanto sofrimento que passei com meu marido. Hoje, graças a Deus, não quero morrer de jeito nenhum, minha filha! Quero morrer de amor…de alegria! Então, a senhora foi criada para ficar casada mesmo sendo agredida? Fiquei 25 anos casada e sofrendo agressões. Eu acho que sentia obrigação de continuar casada com ele. Era um medo que eu tinha das conversas de minha mãe e meu pai. Tinha vergonha. E os estudos? A senhora frequentou a escola na infância? Eu era do interior da Bahia. Meu pai não deixava a gente estudar de jeito nenhum. “Pra que filha mulher estudar? Vai estudar pra escrever carta pra macho?”. “A caneta delas é a enxada”. Essas eram as frases dele. O tempo todo dizia isso para nós. Quando a professora ia até nossa casa para dar aula, papai logo botava a gente para ir dormir, eu e minhas duas irmãs. Mesmo sem sono, ele mandava e a gente tinha que obedecer. Eu ainda aprendi um pouquinho porque tinha uma cunhada da minha irmã que era professora e me dava aula às escondidas de vez em quando. Bem mais tarde foi que meu pai viu o que eu estava fazendo. Então, meus irmãos foram estudar. As mulheres foram para a escola já moças grandes. E depois, quando saiu da casa dos pais, a senhora frequentou a escola? Só agora tive a oportunidade de voltar os estudos [Marlene participa do programa de alfabetização oferecido pela Sustentare Saneamento]. Tinha tentado várias vezes. Um tempo atrás, entrei numa escola do Recanto [das Emas] para estudar à noite, mas parei de ir. Um dia, meu marido foi me buscar e me xingou. Morri de vergonha e não quis mais voltar. Agora, vou retomar os estudos aqui na empresa mesmo. Eles têm um programa de educação para adultos. Por que seu marido a agredia? Ele começou a beber, usar drogas e eu só sofrendo, sempre fazendo serviço para um e para outro, nas casas de família. Foi aparecendo menino e meu sonho era ter um filho. Ai, tive o meu filho mais velho. Depois veio mais outro filho e veio mais outro – e eu sofrendo as agressões dele. Quando fui trabalhar, as coisas em casa pioraram. Todo dia era um nome mais feio. Me xingava mesmo. Isso aqui [aponta um pouco acima da sobrancelha direita]…Tenho o maior desgosto quando olho no espelho e vejo essa cicatriz. Um dia cheguei do serviço cansada, com febre, por volta do meio-dia, para fazer o almoço para os meninos. Ele estava escondido e bateu o portão na minha cara. Ele gritava que eu estava tendo um caso, que era vagabunda. Foi muito sofrimento. [Olho texto=”A primeira coisa que a mulher precisa fazer é criar coragem de trabalhar, ir à luta, enfrentar a vida” assinatura=”” esquerda_direita_centro=””] Quando ele parou de agredir a senhora? Quando entrei na empresa, há 11 anos, eu disse para ele: “Hoje eu tenho meu salário. Nunca mais você trisca a mão em mim!”. Quem tem filho pequeno que não tem quem [com quem deixar para] olhar, acaba comprando as coisas para dar suporte. Eu comprava televisão nova, DVD, rádio…comprava tudo para os meninos ficarem em casa e não sair. Ele [o marido] vendia tudo para fazer dinheiro para beber pinga e usar drogas. Eu não ia atrás porque ele vendia tudo em boca de fumo, e era perigoso. Então, eu deixava de mão. Saía sempre no prejuízo. A senhora denunciava as agressões? Eu já tinha denunciado na delegacia várias vezes. [A polícia o] prendia e soltava. Até que um dia eu dei um basta nisso. Entrei durante uma audiência no Fórum da Samambaia e pedi pelo amor de Deus para o juiz que tirasse ele lá de casa. Passei mal na hora, chorava muito e minha pressão subiu demais. Eu gritava: “Doutor, o senhor tira ele lá de casa hoje! Vou me matar ou mato ele! ” Por um tempo, deu certo. Como o trabalho a ajudou? Tenho 55 anos e trabalho sempre com disposição. Amo meu serviço e faço tudo por ele. O trabalho me liberta. Eu não conhecia Brasília. Meu marido não me deixava nem sair de casa. E hoje, por causa do meu emprego, conheço todo o Distrito Federal. Graças a Deus, sou viúva. Quero é arrumar um namorado, um homem que me ajude, que seja companheiro de verdade. Do que a senhora mais gosta no seu trabalho? Da paz. Aqui tem paz. Passo oito horas varrendo as ruas. Converso com uma pessoa e com outra. Se estiver com algum problema, você até esquece. É como uma terapia. Trabalho ao lado da Nalva [citando uma colega] desde quando entrei aqui. Não separam a gente. Somos parceiras, amigas, colegas de trabalho. Às vezes, a gente vai para as festas, saímos juntas, contamos as histórias das famílias, dividimos muito as coisas. Qual conselho a senhora daria a outras mulheres que sofrem violência doméstica? A primeira coisa que a mulher precisa fazer é criar coragem de trabalhar, ir à luta, enfrentar a vida. As ameaças dos maridos, que prometem matar e bater, têm que deixar de lado, porque hoje em dia as mulheres têm tudo nas mãos para se verem livre de homens desse tipo. Nós, mulheres, hoje temos todo mundo do nosso lado.
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