Fevereiro Roxo: campanha mobiliza cuidados sobre doenças crônicas
Neste mês, a campanha Fevereiro Roxo convida a população a olhar com mais atenção para o lúpus, a fibromialgia e a doença de Alzheimer. Como forma de alertar sobre a importância do diagnóstico precoce, do tratamento contínuo e do autocuidado, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) reforça a necessidade de buscar orientação médica ao perceber os primeiros sinais. O lema deste ano é “Se não houver cura, que no mínimo haja conforto". Embora sejam doenças incuráveis, é possível que o paciente tenha qualidade de vida. O acompanhamento começa nas unidades básicas de saúde (UBSs), com encaminhamento para serviços especializados quando necessário. O Lúpus pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e etnia, porém é prevalente em mulheres, principalmente na faixa etária entre 20 e 45 anos | Imagem: Freepik Lúpus Doença inflamatória autoimune, o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ou apenas lúpus) ocorre quando o sistema imunológico ataca, por engano, tecidos saudáveis do corpo. Pode se manifestar de forma cutânea, com manchas avermelhadas em áreas expostas ao sol, como rosto, colo e braços, ou sistêmica, quando órgãos internos são afetados. [LEIA_TAMBEM]De acordo com o reumatologista da SES-DF e referência no assunto Rodrigo Aires, a doença não tem causa única nem é contagiosa. “Existe uma combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e imunológicos que contribuem para o desenvolvimento do lúpus, o que explica por que ele se apresenta de formas tão diferentes entre os pacientes”, afirma. Os sintomas mais comuns são fadiga intensa, dores articulares e musculares, febre, inflamações e alterações na pele. Sem controle desses sinais, a enfermidade pode comprometer rins, coração e sistema nervoso. “Embora não tenha cura, o tratamento adequado permite controlar a atividade do lúpus, prevenir complicações e garantir mais qualidade de vida”, enfatiza Aires. Secretaria de Saúde oferece diversas práticas integrativas gratuitas que podem auxiliar no tratamento da fibromialgia e controle da dor | Foto: Breno Esaki/Arquivo Agência Saúde DF Fibromialgia A fibromialgia é caracterizada por dor muscular generalizada e crônica, provocando fadiga, distúrbios do sono, ansiedade, alterações de memória, cansaço excessivo e depressão. Dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) indicam que cerca de 3% da população brasileira convivem com a síndrome, mais comum entre mulheres de 30 e 50 anos. O tratamento é individualizado e envolve medicamentos, atividade física e outras abordagens não medicamentosas. “O cuidado precisa ser multiprofissional e contínuo, com foco na redução da dor, melhora do sono e da funcionalidade”, explica o reumatologista. Na rede pública, um exemplo é o Grupo Supera Dor, da UBS 17 de Ceilândia, voltado a pessoas com dor crônica. A iniciativa trabalha o autocuidado e estratégias para melhorar a qualidade de vida. O residente em fisioterapia Gabriel Freitas Cândido destaca os benefícios da atividade coletiva: “As ações do grupo contribuem para o controle da dor, melhora da mobilidade e da funcionalidade, além de oferecer apoio psicossocial. Apresentamos ferramentas que possibilitem ao indivíduo manter a realização das atividades básicas de vida diária, mesmo na presença da dor, evitando a piora do quadro clínico." Tratamento do Alzheimer pode contribuir para a redução da evolução dos sintomas e proporcionar qualidade de vida | Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF Alzheimer Por sua vez, a doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo, marcado inicialmente pela perda de memória recente. De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), a condição é responsável por 60% a 70% dos casos de demência. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que cerca de 1,2 milhão de brasileiros convivem com a enfermidade, muitos sem diagnóstico. Com a progressão do Alzheimer, surgem sintomas como perda de memória remota (do passado), irritabilidade, falhas na linguagem e dificuldade de orientação no tempo e no espaço. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica, em exames físicos e neurológicos e na análise das funções cognitivas. O tratamento adequado, iniciado precocemente, contribui para aliviar sintomas e estabilizar ou retardar a progressão da doença. *Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)
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Diagnóstico precoce de Alzheimer ajuda pacientes e famílias a viverem com mais qualidade
Perder a memória aos poucos, repetir perguntas e apresentar mudanças de comportamento pode parecer algo natural do envelhecimento, mas nem sempre é. No caso do Alzheimer, reconhecer os sinais desde o início e buscar avaliação médica o quanto antes pode fazer toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida. No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), cerca de 300 pacientes fazem acompanhamento ambulatorial para a doença, que é um dos focos da campanha Fevereiro Roxo, voltada à conscientização sobre enfermidades que não têm cura, mas podem ser tratadas. O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo que vai deteriorando a cognição da pessoa, afetando toda a sua vida | Foto: Divulgação/IgesDF “As pessoas costumam achar que é algo normal da idade e demoram a procurar um médico, o que acaba atrasando o diagnóstico” Carlos Uribe, neurologista do Hospital de Base Foi o que aconteceu com a família de Jane Pimentel Meireles, que começou a suspeitar dos esquecimentos da mãe, Ornelina Medeiros Pimentel, quando ela tinha 70 anos. “Ela esquecia de conversas que tínhamos, esquecia das pessoas”, lembra. “Depois, o comportamento começou a ficar mais agressivo e ela passou a brigar com algumas pessoas”, relata ela. “Foi tudo muito estranho e fora do normal”. Desconfiada, Jane levou a idosa a consultas e exames que, ao final, apontaram o diagnóstico de Alzheimer. Manifestações A doença é um transtorno neurodegenerativo que consiste na deterioração progressiva da cognição, incluindo a memória, além de comprometer atividades cotidianas e causar alterações comportamentais. “O que estamos passando agora é ruim, mas sabemos também que é só o começo; eu tento não pensar muito, tento viver um dia de cada vez, porque sei que vem muito sofrimento para a gente e, principalmente, para ela”, afirma Jane. Hoje, Ornelina tem 77 anos e segue em acompanhamento no HBDF, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (IgesDF). O neurologista do hospital, Carlos Uribe, explica que os primeiros sinais do Alzheimer costumam ser confundidos com sintomas comuns da idade mais avançada, o que pode atrasar o início do tratamento. Esquecimentos, mudanças de humor, repetições de perguntas e dificuldade de encontrar palavras estão entre os sintomas aos quais é importante prestar atenção Segundo o médico, é preciso atenção quando os esquecimentos e as mudanças de humor passam a comprometer o dia a dia. “As pessoas costumam achar que é algo normal da idade e demoram a procurar um médico, o que acaba atrasando o diagnóstico”, afirma. “Muitas vezes, é a família que nota algo errado e traz o idoso para uma avaliação”. Entre os sintomas mais frequentes estão a dificuldade para dirigir automóveis e encontrar caminhos conhecidos, repetição da mesma pergunta diversas vezes, dificuldade para acompanhar conversas e linhas de raciocínio, dificuldade para encontrar palavras ao se expressar, tendência ao isolamento e incapacidade de elaborar estratégias de resolução de problemas. Diagnóstico e tratamento Ao perceber sinais de Alzheimer ou de outros tipos de demência, o primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ou um médico clínico geral. É na UBS que começa o cuidado: o profissional faz a primeira avaliação, conversa com o paciente e a família, pede exames quando necessário e, se houver indicação, encaminha para o especialista, a fim de garantir um diagnóstico mais rápido e um acompanhamento adequado. A causa do Alzheimer ainda não foi identificada, mas acredita-se que fatores genéticos tenham influência. O risco de desenvolver a doença é maior quando há histórico familiar. Além disso, outros fatores, ligados principalmente ao estilo de vida, também estão envolvidos. [LEIA_TAMBEM]O diagnóstico é feito, geralmente, por exclusão, após a análise de exames laboratoriais e de imagem do cérebro, realizada em conjunto com uma avaliação das alterações cognitivas apresentadas por cada pessoa. Em alguns casos, podem ser utilizados outros testes diagnósticos específicos, como a análise do líquido cefalorraquidiano ou exames de medicina nuclear. Como não existe cura, o tratamento consiste em aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A progressão da doença varia de caso a caso, podendo ser mais agressiva ou mais leve. Apesar da gravidade, o neurologista lembra que o Alzheimer não é uma sentença de morte: “Muitas pessoas conseguem viver por anos após o diagnóstico e acabam falecendo por outras doenças, como câncer ou AVC [acidente vascular cerebral]. Então, elas morrem com a doença, e não em decorrência dela”. Também não existe uma forma de prevenção específica, mas já foi demonstrado é possível atrasar e até mesmo inibir a manifestação da doença com atitudes como a de manter a mente ativa e hábitos saudáveis — prática de atividades físicas, alimentação balanceada, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e o fumo, além de manter uma vida social ativa. “Quanto antes tivermos um diagnóstico, melhor”, alerta Carlos Uribe. “À medida que as pessoas se tornam mais conscientizadas sobre a situação, teremos maior facilidade para conversar e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.” *Com informações do IgesDF
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Alzheimer: quando o ato de cuidar representa um risco à saúde mental
“De repente há essa desorientação com o lugar onde está ou ela passa a repetir as mesmas coisas várias vezes, a fazer as mesmas perguntas, a confundir se é dia ou noite, a não saber se já almoçou.” Os sintomas podem ser desconcertantes para quem convive com uma pessoa diagnosticada com Alzheimer. Para a psicóloga Danielle Sousa, então, a provação é dobrada: tanto o pai, Daniel, de 89 anos, quanto a mãe, Maria, 73, sofrem com a doença. “A cada momento em que a doença avança, ambos exigem reorganizações”, declara. Cada um se encontra atualmente em um estágio diferente do Alzheimer. O pai já não tem mais autonomia para se locomover ou se alimentar, e a interação com o seu redor é mínima. A mãe enfrenta os sintomas iniciais, com alterações na memória recente, na personalidade e em nas habilidades visuais e espaciais. “Há um grande desafio para aqueles que vão exercer essa relação de cuidado com os pais ou com algum membro da família, porque existem pesquisas científicas que indicam que os cuidadores primários também tendem ao adoecimento psíquico”, afirma Danielle. Secretaria de Saúde desenvolve atividades para retardar o avanço do Alzheimer nos pacientes que buscam tratamento na rede pública | Foto: Divulgação/Agência Saúde-DF Da mudança brusca de personalidade de quem conhecíamos tão bem ao esquecimento progressivo – chegando até mesmo à inversão de papéis, quando o paciente passa a acreditar que os filhos são os seus pais –, nada na doença indica ser fácil de assimilar. A própria psicóloga viu a necessidade de fazer terapia para conseguir lidar com a situação. “É preciso estabelecer situações de cuidado com o próprio cuidador, que muitas vezes tem que abrir mão de vivências pessoais. Enquanto meus pais estão adoecidos, não posso deixar de trabalhar, de educar a minha filha, de fazer um monte de coisas”, elenca. A doença O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal. Manifesta-se pela deterioração da memória e da cognição, pelo comprometimento gradual da habilidade em exercer atividades da vida diária e por uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos que incluem alterações comportamentais. A causa ainda é desconhecida, mas acredita-se que possa ser geneticamente determinada. [Olho texto=”O Ministério da Saúde aponta que, no mundo, cerca de 35,6 milhões de pessoas são diagnosticadas com Alzheimer” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] A doença se instala quando o processamento de certas proteínas do sistema nervoso central começa a falhar. Surgem, então, fragmentos de proteínas mal cortadas, tóxicas, dentro e ao redor dos neurônios. Como consequência dessa toxicidade, ocorre a perda progressiva das células em certas regiões do cérebro, como no hipocampo – que controla a memória – e no córtex cerebral, essencial para a linguagem, o raciocínio, a memória, o reconhecimento de estímulos sensoriais e o pensamento abstrato. O Ministério da Saúde aponta que, no mundo, cerca de 35,6 milhões de pessoas são diagnosticadas com Alzheimer. No Brasil, 1,7 milhão de indivíduos com 60 anos ou mais têm algum tipo de demência, e só a doença de Alzheimer corresponde a 55% desses casos (966.594), segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). O estudo realizado pela organização indica que há ainda outros 2,3 milhões de brasileiros na mesma faixa etária com algum tipo de declínio cognitivo com sintomas relacionados à memória e à cognição, mas ainda não apresentando sinais de demência. A estimativa é que até 2030 sejam 2,78 milhões e, até 2050, mais de 5,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais convivendo com demência. Lidando com o Alzheimer Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia na seccional DF (SBGG-DF), Marcela Pandolfi joga luz sobre a maneira como cuidadores e familiares devem interagir com quem sofre com demência em geral, sendo indispensável entender que o comportamento da pessoa não é proposital. “Se um paciente apresenta episódios de delírio, com ideações de que a esposa o está traindo, por exemplo, ou que alguém o está roubando, é importante que o cuidador não o confronte: isso pode agravar o comportamento e deixar o idoso ainda mais agitado, porque, na cabeça dele, aquilo é real”, exemplifica. Maria enfrenta os sintomas iniciais do Alzheimer e já iniciou tratamento para retardar as consequências da doença | Foto: Alexandre Álvares/Agência Saúde-DF Além disso, estabelecer rotinas se configura como parte primordial do tratamento. A médica salienta a relevância de fixar horários para ações simples como acordar, tomar café, almoçar, realizar atividades físicas ou tomar banho. “Quanto mais rotina esse paciente tiver, melhor”, defende Pandolfi. Sintomas Queixas de esquecimento a curto prazo, sintoma mais conhecido da doença de Alzheimer, raramente vêm do próprio paciente, pois a degeneração cognitiva muitas vezes os impede de ter essa percepção. “Os sinais de alerta passam a ficar mais preocupantes conforme se tornam recorrentes naquele paciente que vem apresentando alterações de humor, perda da iniciativa, dificuldade em executar tarefas que antes conseguia fazer de maneira independente. Quando a situação começa a afetar a independência e a autonomia do indivíduo, tem-se um sinal de que pode haver algo acontecendo”, alerta Pandolfi. [Olho texto=”“A demência de Alzheimer é uma doença degenerativa, progressiva e sem perspectiva presente de cura”” assinatura=”Larissa Freitas, referência técnica distrital (RTD) de geriatria” esquerda_direita_centro=”direita”] Embora não haja cura para o Alzheimer, existe tratamento disponível para retardar a evolução da doença, assim como para combater os sintomas colaterais causados pelo declínio cognitivo – como alterações do sono ou depressão. “É importante ter em mente que esse tratamento não é um tratamento curativo: com medicação ou sem medicação, a doença vai progredir. O que se pretende com os remédios é manter o paciente funcional o maior tempo possível”, afirma a médica. Tabu “A demência de Alzheimer é uma doença degenerativa, progressiva e sem perspectiva presente de cura. E, por ser uma notícia de difícil comunicação, acaba sendo rodeada de preconceitos e mitos”, afirma a referência técnica distrital (RTD) em geriatria e Alzheimer pela Secretaria de Saúde (SES-DF), Larissa Freitas. Ela destaca que as principais ferramentas de apoio aos familiares consistem na informação, na atenção e no acompanhamento continuados pelas equipes de saúde. “Para que isso aconteça, é necessário conhecer o contexto social e familiar do paciente e comunicar de forma clara e compassiva quais sintomas e situações são esperados no decorrer da doença”, diz a especialista. A RTD ressalta o papel das equipes interdisciplinares na formulação de estratégias gerais e específicas para cada desafio que o paciente e os cuidadores enfrentam no dia a dia: “Eles fornecem suporte social – como a orientação quanto a benefícios previdenciários –, clínico – nas intercorrências naturais da doença – e emocional.” [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] O ambulatório de geriatria e gerontologia do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) oferta semestralmente curso de capacitação e cuidado integral com a pessoa idosa. Freitas enfatiza que o suporte dado ao binômio paciente/família é realizado por meio do acompanhamento clínico de médicos generalistas e especialistas da atenção primária e secundária à saúde, além do Núcleo Regional de Atenção Domiciliar (Nrad). O curso é ofertado duas vezes ao ano, na Policlínica Taguatinga 3 (Setor Central, QSD 12, Área Especial nº 1 – Taguatinga Centro). Uma nova turma será oferecida em março. As inscrições são realizadas presencialmente na unidade e são gratuitas. Atualmente há lista de espera para os interessados. Mais informações pelo telefone: (61) 3449-6531. Cuidando de quem cuida O tratamento, segundo a RTD em cuidados paliativos da SES-DF, Melissa Gebrim, deve abarcar também o cuidador. “Em geral, nas doenças neurodegenerativas, é comum que se tenha um familiar que abandonou todas as atividades laborais e de lazer para cuidar daquela pessoa. Nesse sentido, quando o paciente falece, a pessoa pode vivenciar um luto complicado, pois, por muito tempo, se viu como cuidadora. Ela precisará encontrar um novo sentido para a vida, novos objetivos”, detalha. O Hospital de Apoio de Brasília (HAB) conta com ambulatório e ala específica para cuidados paliativos geriátricos, de modo a oferecer o auxílio necessário também aos familiares. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Práticas integrativas complementares auxiliam contra fibromialgia
Dores que se espalham por várias partes do corpo, fadiga, distúrbios do sono, ansiedade e alterações de memória e de atenção. Todos esses podem ser sintomas de fibromialgia, uma doença que amplifica a percepção de dor. A rede da Secretaria de Saúde (SES-DF) oferece diversas práticas integrativas gratuitas que podem auxiliar no tratamento da síndrome, além dos procedimentos medicamentosos. A Secretaria de Saúde oferece diversas práticas integrativas gratuitas que podem auxiliar no tratamento da fibromialgia | Foto: Breno Esaki/Arquivo Agência Saúde-DF A acupuntura é uma delas. Segundo o médico Rodrigo Aires, referência técnica distrital (RTD) de reumatologia da SES-DF, o procedimento tem demonstrado eficácia no alívio da dor e no tratamento de inúmeras condições. Em pacientes com fibromialgia, a prática complementa os tratamentos tradicionais, trazendo melhora na qualidade de vida e nas práticas do dia a dia. “Durante as sessões, há um estímulo do sistema nervoso a partir dos acupontos, capaz, entre outras coisas, de liberar os músculos e neurotransmissores como a endorfina, que está relacionada ao prazer e à diminuição da dor”, explica. As chamadas práticas integrativas em saúde (PIS) são entendidas como formas de cuidado que abordam a saúde do ser humano em sua multidimensionalidade. Isto é, atuam nos aspectos físico, mental, psíquico, afetivo e espiritual. Além da acupuntura, são exemplos de PIS oferecidas pela rede pública: arteterapia, auriculoterapia, automassagem, fitoterapia, homeopatia, lian gong em 18 terapias, medicina e terapias antroposóficas, meditação, musicoterapia, reiki, shantala, tai chi chuan, Terapia Comunitária Integrativa (TCI), ayurveda, ioga e Técnica de Redução de Estresse (TRE). [Olho texto=”“Na SES-DF realizamos periodicamente a capacitação dos médicos da Atenção Primária à Saúde. O tratamento da fibromialgia é direcionado à redução dos principais sintomas desse distúrbio”” assinatura=”Rodrigo Aires, médico e RTD em reumatologia” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Mal generalizado A fibromialgia caracteriza-se também pela desregulação da resposta ao estresse e pela associação a síndromes funcionais. A queixa central é dor musculoesquelética generalizada crônica, vinculada a sintomas como fadiga, distúrbio do sono e cognitivos (memória e concentração) e alterações de humor (depressão e ansiedade). “Com frequência, a doença associa-se a outras condições em que as sensações dolorosas do corpo são aumentadas, como a síndrome do intestino irritável e cefaleia”, diz o especialista. Trata-se de uma doença mais comum entre as mulheres. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, de cada dez pacientes com o diagnóstico, sete a nove são do sexo feminino. No entanto, a síndrome também pode acometer homens, idosos, adolescentes e crianças. O diagnóstico para a fibromialgia é clínico, baseado nos incômodos apresentados pela condição, sem a necessidade de qualquer exame subsidiário. Sinais da doença O principal sintoma é a dor difusa crônica, ou seja, em ao menos quatro das cinco regiões do corpo — braço direito, braço esquerdo, perna direita, perna esquerda e tórax. Normalmente, o paciente não consegue definir quando e em qual região as dores começaram. São elas: ? Síndrome do intestino irritado; ? Dor de cabeça crônica; ? Fadiga; ? Distúrbios de sono; ? Transtornos de humor, como depressão e ansiedade; ? Déficit de atenção e de memória; ? Formigamento nas mãos; ? Ardência ao urinar. Como tratar De acordo com Aires, a estratégia para o cuidado ideal da fibromialgia requer uma abordagem multidisciplinar com a combinação de tratamentos farmacológico e não farmacológico. Tudo deve ser elaborado em discussão com o paciente, conforme a intensidade da dor, sua funcionalidade e suas características, considerando ainda questões biopsicossociais e culturais. Ao menos duas vezes na semana, pessoas com fibromialgia precisam realizar exercícios musculoesqueléticos. “Programas individualizados de exercícios aeróbicos podem ser benéficos para alguns pacientes. A intensidade depende da idade e da condição, atingindo o ponto de resistência leve, não o ponto de dor”, detalha o médico. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Em adição às atividades físicas, são utilizados também medicamentos para tratamento de dor crônica como analgésicos, antidepressivos, miorrelaxantes e anticonvulsivantes. “Na SES-DF realizamos periodicamente a capacitação dos médicos da Atenção Primária à Saúde. O tratamento da fibromialgia é direcionado à redução dos principais sintomas desse distúrbio”, complementa o RTD. Os pacientes nessa condição devem ser acompanhados por médicos das unidades básicas de saúde (UBSs). Caso a fibromialgia esteja associada a alguma outra doença reumática, o usuário pode ser encaminhado à avaliação com especialista em hospitais regionais da rede que tratam a síndrome: Taguatinga (HRT), Sobradinho (HRS), Ceilândia (HRC), Gama (HRG), Santa Maria (HRSM), Asa Norte (Hran) e ainda no Hospital da Região Leste (HRL – Paranoá) e no de Base. Fevereiro Roxo Com o lema “Se não houver cura, que no mínimo haja conforto”, a campanha Fevereiro Roxo, apoiada pela SES-DF, surgiu em 2014 para conscientizar sobre doenças como Alzheimer, lúpus e fibromialgia. O intuito é compartilhar informações referentes a sintomas e tratamentos disponíveis, e mostrar que o diagnóstico precoce ajuda a trazer resultados positivos mais rapidamente, com grande impacto na qualidade de vida. *Com informações da SES-DF
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