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Missão Cruls

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Conheça a rota turística de Planaltina, a cidade mais antiga do DF

Brasília, 1º de agosto de 2022 – Quase um século antes da criação de Brasília, Planaltina povoava o quadradinho que viria a ser chamado de Distrito Federal. A história candanga é diretamente conectada com a região administrativa, que recebeu em 1892 a Missão Cruls, expedição exploradora que avaliou o território do Planalto Central do Brasil para escolher a localização da nova capital do país. A Praça Coronel Salviano Monteiro compõe o centro histórico da cidade, junto com o hotel O Casarão e o Museu Histórico e Artístico | Fotos: Renato Araújo / Agência Brasília Prestes a completar 163 anos – o aniversário da cidade é comemorado em 19 de agosto -, Planaltina é conhecida por preservar a memória histórica, ao mesmo tempo em que é lembrada pelas celebrações religiosas e pelas belezas naturais. Essas três características da cidade tornam a região extremamente turística. Por isso, a RA integra a Coleção de Rotas Brasília, da Secretaria de Turismo (Setur), desde 2021, ao lado de Brazlândia e Ceilândia, que pode ser acessada no site da pasta. “Planaltina é uma cidade que abriga vários atrativos de importância histórica, tem um viés de preservação da nossa história. A rota, que se chama Planaltina na Rota do Turismo, surgiu pelo programa Turismo em Ação, que diversifica a oferta turística de Brasília”, explica o secretário-executivo de Turismo, Gustavo Assis. Estão na seleção 21 pontos turísticos representativos, como a Pedra Fundamental, o Morro da Capelinha, o Templo do Vale do Amanhecer, a Igrejinha de São Sebastião, o Museu Histórico e Artístico de Planaltina, o Parque Ecológico dos Pequizeiros, o Parque Ecológico Sucupira e a Estação Ecológica Águas Emendadas. “A rota é o primeiro passo para que a gente possa fazer um planejamento a longo prazo, além de apresentarmos a rota aos receptivos de Brasília para que ofereçam aos turistas e levarmos para as feiras de turismo”, completa. O objetivo é estimular o turismo na região, gerando emprego e renda. História preservada Geralda Maria Vieira e Vânia Maria Vieira, mãe e filha, são as proprietárias do hotel O Casarão, localizado no Centro Histórico de Planaltina, área tradicional da cidade que abriga ainda o Museu Histórico e Artístico e a Praça Coronel Salviano Monteiro. Vânia e Geralda Vieira são proprietárias do  hotel O Casarão, que hospedou o jogador Mané Garrincha, que fez a última partida da vida na cidade, no Estádio Adonir Guimarães “Quando minha mãe e meu pai vieram para cá, eu era bem pequeninha. Eles vieram para se aventurar. Inicialmente, alugaram um hotelzinho (do outro lado da rua) e depois adquiriram essa casa, que acabaram transformando num hotel e depois fizeram um restaurante”, lembra Vânia. Nos tempos áureos, o estabelecimento recebeu até o jogador Mané Garrincha, que fez a última partida da vida na cidade, no Estádio Adonir Guimarães. “Desde que eu era criança, sempre teve muito turista. O pessoal vinha, principalmente, no fim de semana e passava o dia”, acrescenta. Em breve, o espaço será reformado preservando a fachada original. Com a obra, a ideia é retomar a característica do espaço que até hoje recebe curiosos em busca de conhecer a história. “Vem muita gente especificamente para saber da história de Planaltina e até da Pedra Fundamental, porque aqui foi feita uma das reuniões quando vieram fundar o obelisco”, completa. Centenário Nelma Curado e Alcimar de Melo passam diariamente pelo pilar comemorativo dos 100 anos do assentamento feito em 7 de setembro.  “É uma paisagem belíssima. É um ponto turístico cultural e de uma relevância muito grande. É um marco da construção de Brasília”, reforça Nelma Construída no Morro do Centenário, a Pedra Fundamental é considerada o primeiro monumento do DF. Neste ano, o pilar comemora 100 anos do assento feito em 7 de setembro em comemoração, na época, do centenário da Independência do Brasil a pedido do então presidente Epitácio Pessoa. Ideal para contemplar a vista de Planaltina, o espaço é bastante visitado por ciclistas que trafegam pela ciclofaixa, estudantes das escolas públicas e privadas e por turistas que buscam ver o ponto mais alto da região. As amigas Alcimar Jardim de Melo e Nelma Terezinha Pereira, professoras aposentadas, visitam o monumento praticamente todos os dias de bicicleta. O local integra a rota de ciclismo da dupla. “Quando comecei minha vida de professora, nós tínhamos o hábito de vir até a pedra para trazer os estudantes. A gente fazia atividades, piquenique, passava a manhã. O tempo passou, a pedra ficou um pouco esquecida. Agora, aposentadas, nós voltamos de bicicleta”, explica Alcimar. Para Nelma, é uma honra poder visitar o local quase diariamente. “É uma paisagem belíssima. É um ponto turístico cultural e de uma relevância muito grande. É um marco da construção de Brasília”, classifica. Museu Histórico e Artístico de Planaltina Por frequentarem o espaço, as duas têm notado o aumento da presença do público. “Temos notado que com o asfalto é raríssimo a gente chegar aqui e não ter alguém visitando a pedra”, afirma Alcimar. Festas tradicionais Além dos pontos turísticos, Planaltina é marcada pelas festas tradicionais. A primeira delas ocorre na Semana Santa. É a Via Sacra no Morro da Capelinha, onde é reproduzido um espetáculo teatral a céu aberto de representação da ressurreição de Cristo. “A Via Sacra ao vivo é uma semana de eventos da fé cristã. Nós já tivemos o recorde de 125 mil pessoas num dia só”, conta o administrador de Planaltina, Célio Rodrigues. Em 2022, com o retorno do evento após o período de isolamento social devido à covid-19, o público foi de 85 mil. Todo 1º de maio, a cidade recebe o maior ritual da Doutrina do Amanhecer para celebrar o Dia do Doutrinador. O ritual começa ao raiar do sol e termina ao final do dia, durando de três a quatro dias. O evento celebra a renovação das energias e o fortalecimento da fé. No ritual, os trajes das mulheres são véus e vestidos de cores luminosas e os homens, capas em estilo romano. Já cinco dias após a Páscoa, Planaltina conta com outra comemoração tradicional cristã, a Festa do Divino Espírito Santo. Com duração de 10 dias, a solenidade de Pentecostes tem eventos nas paróquias da cidade e as folias de roça, com cavalgadas e pousos em fazendas da região. O administrador Célio Rodrigues comemora o crescimento do turismo na cidade, que prosperou com a força das festividades “Aqui nós temos religiões muito bem difundidas. Somos a segunda cidade do DF a ter a maior concentração de religiões de matrizes africanas. Temos o espiritismo kardecista, o Vale do Amanhecer, que é uma doutrina compartilhada até em outros países. No dia da comemoração da doutrina temos uma grande concentração de turismo”, comenta. A força das festividades deu mais frutos, com a realização de mais eventos. “A nossa cidade nesses últimos anos teve um fortalecimento muito considerável em relação ao turismo. Nós temos atraído algumas festas como, por exemplo, a Festa da Uva que, no ano passado, fizemos a primeira edição e estamos voltando com a segunda edição”, afirma Célio Rodrigues. O administrador também cita a volta da Expoplan, feira agropecuária que retorna após sete anos, e o Circuito de Skate, previsto para 20 de agosto. Principais pontos turísticos para visitar em Planaltina Turismo histórico e religioso – Pedra Fundamental (Morro do Centenário): Aberto diariamente – Igrejinha de São Sebastião (Setor Tradicional): Diariamente, das 8h às 12h e das 14h às 18h – Estátua de Louis Cruls (Setor Tradicional): Aberto diariamente – Praça Coronel Salviano Monteiro (Setor Tradicional): Aberto diariamente – Museu Histórico e Artístico de Planaltina (Setor Tradicional, Q 57): De quarta a domingo, das 9h às 12h e das 14h às 18h – Templo do Vale do Amanhecer (Área Especial 01, Vale do Amanhecer): Segunda, terça e sexta, das 10h às 22h, e quarta, quinta, sábado e domingo, das 10h às 0h – Morro da Capelinha: Aberto diariamente. Encenação da Via Sacra no feriado de Sexta-feira Santa Turismo rural e ecológico – Circuito Rajadinha (Núcleo Rural Rajadinha I): Visitas agendadas com os produtores – Parque Ecológico dos Pequizeiros (Núcleo Rural Santos Dumont): Aberto diariamente. Parque Ecológico Sucupira: Diariamente, de 6h às 20h – Estação Ecológica Águas Emendadas: De segunda a sexta, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 17h  

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Planaltina ganha novos equipamentos públicos

A centenária Planaltina ganhou quatro novas praças no último fim de semana. Os equipamentos fazem parte do projeto Adote uma Praça, onde os setores público e privado se unem para recuperar e cuidar do patrimônio das cidades. O objetivo é promover o resgate histórico, cultural, religioso e artístico da região administrativa. A história de Planaltina está valorizada em fotos e em nomes das novas praças |  Fotos: Carlos André Barros/Adm. Planaltina As praças são: da Mulher Planaltinense, Missão Cruls, Pedra Fundamental e da Via Sacra. Locais que vão ficar à disposição da comunidade para eventos e palestras. As quatro unidades estão entre os oito termos de cooperação assinados na cidade pelo Adote uma Praça, que já atingiu 22 regiões administrativas e 153 propostas. Os novos locais compõem o Território Cultural Planaltina Center, localizado na região central da cidade, em frente à administração regional. Antes de o endereço ser abraçado pela iniciativa privada, neste caso pela Kali Construtora, ele havia sido tomado por pessoas em situação de rua e usuários de drogas. Com a reforma, o espaço foi completamente revitalizado e ganhou lixeiras, iluminação, segurança, áreas de convivência, playgrounds, bancos, pergolados, floreiras e bicicletários. Para o administrador Célio Rodrigues, a “parceria entre governo e empresa possibilita trabalhar ainda mais por Planaltina. É um projeto em que todos saem ganhando: o governo, a empresa, a comunidade e a nossa cidade. Esse projeto é lindo, são praças e espaços que falam de Planaltina, da nossa cultura, da nossa história, e é representada por várias figuras da cidade. Além disso, esse projeto mostra a preocupação e a responsabilidade social da empresa com a cidade”, aponta. O ‘Adote uma Praça’ possibilita que pessoas físicas e jurídicas firmem termo de cooperação para adotar um espaço Para o secretário de Projetos Especiais, Roberto Andrade, o Adote uma Praça é um programa que olha para aquilo que é da população e por isso é também a população, não só o governo, quem tem que zelar pelos espaços que usa. Dessa forma, ele acredita que Planaltina tem recebido atenção após anos de esquecimento. “Costumo dizer que cada cidadão que se interessa e leva adiante um projeto que tem em mente é um parceiro nosso, é um parceiro do GDF. O governador Ibaneis Rocha vem imprimindo uma política pública de cuidado, zelo com os equipamentos da nossa cidade. Planaltina não recebeu a atenção que merece nos últimos anos e a nossa gestão fez questão de mudar isso, seja com grandes obras ou projetos menores”, reforçou Roberto Andrade. Adote uma Praça Recentemente, o Adote uma Praça ganhou novos espaços. Um deles é o Pet Bosque, no Parque Bosque do Sudoeste. O local ganhou pintura no alambrado, limpeza, instalação de lixeiras e cata-caca pelas mãos de um pet shop da região. Outro local adotado é o estacionamento da Escola das Nações, no Lago Sul, com investimento de R$ 1,2 milhão O Adote uma Praça possibilita que tanto pessoas físicas como jurídicas firmem termo de cooperação para adotar um espaço público e manter a área adotada. Um dos objetivos é estimular a parceria entre governo e moradores das áreas próximas, assim como empresários, ampliando a cidadania e a preservação desses espaços. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] Em dois anos e meio de programa, a Secretaria de Projetos Especiais (Sepe) recebeu 151 propostas de adoção, de 21 regiões administrativas. Já foram assinados 79 termos de cooperação, sendo que, desses, 46 espaços foram inaugurados e 33 estão em processo de recuperação. Como participar O cidadão pode participar do Adote uma Praça de várias maneiras. Não precisa ser uma obra grande, com investimentos altos. Há espaços públicos que precisam ser cuidados, como áreas verdes, canteiros, rotatórias. A cidade pode e deve ser cuidada por todos. Então, vamos lá. Procure a administração da região onde mora e pegue as informações. Também pode mandar e-mail para sepe.gab@buriti.df.gov.br ou telefonar para 3961-1538.   *Com informações da Sepe

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Lago Paranoá: a moldura líquida para a capital

Um dos principais cartões postais de Brasília nasceu antes mesmo da capital. Seis décadas antes, na verdade. Chamado de “moldura líquida da cidade” por Juscelino Kubitschek, a ideia de se ter um lago onde hoje existe o Lago Paranoá foi pensada bem antes da eleição do presidente que tirou Brasília do papel e da decisão definitiva de se transferir a capital para o Planalto Central. Foi o botânico francês Auguste François Marie Glaziou o primeiro a perceber o potencial hídrico que alimentava o rio Paranoá. Ele foi um dos integrantes da Comissão Cruls, que visitou a região entre 1892 e 1894. Em seu artigo “Notícia sobre Botânica Aplicada”, presente no relatório parcial da Comissão de Estudos da Nova Capital da União, publicado em 1896 no Rio de Janeiro, Glaziou descreve o relevo da região e aponta as facilidades que a depressão provocada pelo Rio Paranoá e os pequenos rios ao seu redor davam à construção de um lago artificial. “Ele observou o vale formado por um processo de milhões de anos: a erosão causada pelas águas dos rios que passavam ali e desaguavam no rio São Bartolomeu”, afirma Elias Manoel da Silva, historiador do Arquivo Público do DF. “Ele disse que, se represasse a água no local onde ficavam as cachoeiras do Paranoá, era fácil fazer um lago. Bastava fechar o Paranoá”, completa. Cachoeira do rio Paranoá encoberta pelo lago artificial. Fotos: Arquivo Público do DF Em seu relatório, Glaziou comenta que chegou “a um vastíssimo vale banhado pelos rios Torto, Gama, Vicente Pires, Riacho Fundo, Bananal e outros. Impressionou-me muitíssimo a calma severa e majestosa desse vale. […] Entre dois grandes chapadões na localidade pelos nomes de Gama e Paranoá, existe imensa planície em parte sujeita a ser coberta pelas águas da estação chuvosa”. E diz: [Olho texto=”É fácil compreender que, fechando essa brecha, com uma obra de arte, forçosamente a água tornará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos” assinatura=”Auguste François Marie Glaziou” esquerda_direita_centro=”centro”] A arquiteta Angelina Nardelli Quaglia acrescenta que o botânico francês também referenciava um futuro lago como elemento de “aformoseamento para a região, trazendo a admiração de todas as nações”. “O espelho d’água esteve presente desde o início como um importante elemento da topografia a ser inserido ao cotidiano da cidade”, afirma. Depois das duas comissões presididas por Luiz Cruls ainda no século 19, várias comissões foram criadas para estudar a mudança da capital até 1955, quando JK foi eleito e começou de fato a transferência. Todas elas se reportavam às conclusões da Missão Cruls até que, em 1955, um projeto urbanístico da nova capital – elaborado a pedido do marechal José Pessoa, presidente da Comissão de Localização da Nova Capital do Brasil, chamado Vera Cruz –, traz o desenho de um lago. “O lago era pequeno, não tinha as dimensões do de hoje. Era apenas a representação de que a capital teria um lago”, explica Elias Manoel. Certidão de nascimento A certidão de nascimento do Lago Paranoá, no entanto, é do dia 30 de setembro de 1956, o dia da publicação do edital do concurso do Plano Piloto. A criação de um lago era exigência que todos os concorrentes deveriam levar em conta. Assim, todos os 26 projetos apresentados tinham no limite leste a presença de um lago cujo nível das águas era a cota 1.000, ou seja, a superfície do lago ficaria a mil metros acima do nível do mar. Faziam parte da comissão que preparou o edital do concurso, os arquitetos Raul Penna Firme e Roberto Lacombe, os mesmos que tinham pela primeira vez criado o projeto Vera Cruz com a presença do lago artificial. “É bem provável que esses arquitetos conhecessem as sugestões apresentadas no relatório do botânico Glaziou”, diz o historiador do Arquivo Público. Construção da barragem começou em 1957 A presença do lago então é justificada como fator estético e de lazer. Sua construção foi idealizada para aumentar a umidade do ar, diminuir a temperatura local e estabelecer uma fonte de lazer aos brasilienses. A construção da barragem no rio Paranoá começou em 1957 e as obras ficaram a cargo da empresa americana Raymond Concrete Pile Company of the Americas, a mesma que havia vencido a concorrência para entregar as estruturas metálicas dos edifícios da Esplanada dos Ministérios e única empresa estrangeira que trabalhava na construção da capital. Construção da barragem Num contexto em que as obras se guiavam pelo “ritmo de Brasília”, onde, em qualquer dificuldade, criava-se uma solução de emergência, o estilo de trabalho da empresa americana provocava atrasos constantes nas obras de construção da barragem. Juscelino, insatisfeito com o ritmo das obras, rescindiu o contrato e transferiu a responsabilidade pela construção da barragem para a Novacap, que dividiu o trabalho entre as construtoras Camargo Corrêa, Rabello e Engenharia Civil e Portuária. “A firma só sabia trabalhar segundo os métodos e os cronogramas norte-americanos”, dizia o presidente. Para ele, era inconcebível a inauguração de Brasília sem o lago. “Como inaugurar Brasília sem o lago tão amplamente anunciado e que, além do mais, seria a moldura líquida da cidade?”, questionava. Operários que trabalharam na construção da barragem relatam que as comportas foram fechadas sem a represa estar pronta. Inicialmente, obras ficaram a cargo da empresa americana Raymond Concrete Pile Company of the Americas, única empresa estrangeira que trabalhava na construção da capital Vila inundada Apesar dos contratempos, a barragem foi fechada em 12 de setembro de 1959, dia do aniversário de JK. Segundo o historiador Jarbas Silva Marques, a água subia cerca de dois centímetros por dia e, na inauguração de Brasília, o lago estava completamente formado. No local havia um acampamento, a Vila Amaury, onde se abrigavam aproximadamente 16 mil operários da construção. Muitos não acreditavam que o local seria alagado, mas tiveram que sair às pressas quando a água chegou, mais rápido do que imaginavam os especialistas. A Vila Amaury naufragou e hoje suas ruínas podem ser vistas no fundo do lago. O livro “1001 coisas que aconteceram em Brasília e você não sabia”, escrito pelo jornalista Hélio Queiroz, reúne mais de 700 relatos de fatos que aconteceram antes, durante e depois da construção de Brasília. Nele, pioneiros relatam que ”as águas do lago foram subindo e os moradores da Vila Amaury se mudando”. Até fins de 1959, mais de 100 famílias haviam se transferido. As transferências prosseguiram até o começo de 1960, quando as águas do lago cobriram toda a vila. “Encheu, viu!” O argumento de que o lago não iria encher porque as terras do Planalto Central eram porosas foi muito usado pelos opositores a Juscelino e contrários à transferência da capital e à construção de Brasília. Os boatos tinham dois autores principais: o presidente do Clube de Engenharia, Maurício Joppert da Silva, e o escritor Gustavo Corção. “A água do lago poderá ser absorvida pelo terreno, deixando-o vazio, total ou parcialmente”, escreveu Corção em um longo artigo no Jornal do Brasil em julho de 1959. Quando a barragem foi inaugurada e o lago começou a encher, JK mandou um lacônico telegrama a Corção dizendo “Encheu, viu!” Barragem foi fechada em 12 de setembro de 1959 e, na inauguração de Brasília, o lago estava completamente formado

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Governo de Brasília ganha placa em homenagem a Luiz Cruls

O governo de Brasília recebeu nesta terça-feira (17) uma placa de bronze em homenagem a Luiz Cruls, engenheiro e astrônomo belga que, em 1892, chefiou expedição para desbravar o Planalto Central brasileiro em busca de uma nova sede para a capital do País. O presente foi dado pela Embaixada da Bélgica, durante solenidade no Palácio do Buriti. Foto: Toninho Tavares/Agência Brasília O governador Rodrigo Rollemberg ressaltou a importância do homenageado para a história brasiliense. “Cruls teve uma perspicácia muito grande. Estamos no berço de águas”, afirmou o chefe do Executivo local, em referência a bacias hidrográficas da região, como a do Paraná, com nascente no Distrito Federal. Ele acrescentou que características locais como clima e relevo contribuíram para a criação da cidade. “Brasília deve a sua existência à vida de Cruls”, resumiu o secretário de Cultura, Guilherme Reis, também durante o evento. Para o embaixador da Bélgica, Jozef Smets, é importante a relação do país europeu com a capital brasileira. “Esta é uma cidade multicultural que recebe muitos representantes diplomáticos.” O prefeito de Diest — cidade onde Cruls nasceu—, Jan Laurys, afirmou que o município belga é pequeno (tem 58,2 quilômetros quadrados) e que o trabalho do engenheiro é uma honra para a população local.  “Lá, todos conhecem Luiz Cruls e sua importância para Brasília e, agora, aqui também conhecerão um pouco de Diest.” O governo de Brasília ainda vai decidir onde a placa ficará exposta para ser vista pelo público. Compareceram à cerimônia o representante do Ministério das Relações Exteriores Carlos Perez; o artista plástico que criou a placa, Luc de Blick; o presidente do Centro Cultural Memorial Cruls, Pedro Jorge de Castro; a colaboradora do governo Márcia Rollemberg, esposa do governador; o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio; os secretários da Segurança Pública e da Paz Social, Márcia de Alencar, e da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, José Guilherme Leal; o administrador regional do Plano Piloto, Marcos Pacco; e o deputado federal Augusto de Carvalho (SD); entre outras autoridades. Histórico Em 1874, aos 26 anos de idade, Louis Ferdinand Cruls veio para o Brasil por curiosidade e aventura. No país tropical, ele se naturalizou e alterou o próprio nome para Luiz Cruls. O belga foi responsável por comandar a expedição que ficou conhecida como Missão Cruls, na qual buscava explorar o território nacional para transferir a capital do litoral para o centro, como estava na Constituição de 1891. Na primeira Carta Magna do Brasil como república, estava demarcada uma área de 14,4 mil quilômetros quadrados para a nova capital. Cruls foi quem definiu que o DF seria um quadrilátero e que teria cerca de 160 por 90 quilômetros. A divisão da época incluía municípios do entorno como Luziânia. O atual território do Distrito Federal tem cerca 5,7 mil quilômetros quadrados. A expedição com 23 membros começou em Pirenópolis e seguiu até Formosa, onde os exploradores analisaram a flora e a fauna do Planalto Central. Edição: Marina Mercante

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