Como soluções biológicas do campo podem transformar o cuidado ambiental nas cidades
E se o cuidado com jardins, áreas verdes e até o combate ao mosquito da dengue deixasse de depender de produtos químicos e passasse a funcionar com base em processos naturais? Essa é a lógica por trás da Arbor Garden, startup brasiliense que transforma ciência em soluções biológicas aplicadas ao ambiente urbano. A startup faz parte do eixo III do Start BSB, iniciativa da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) voltada à aceleração de startups. A etapa é executada pela Camp/Cotidiano Aceleradora, que atua no fortalecimento de modelos de negócio e na preparação das empresas para expansão. Levar para dentro das cidades tecnologias que já revolucionaram o agronegócio brasileiro pode parecer simples na teoria — mas, na prática, ainda é uma lacuna pouco explorada. Foi exatamente nesse espaço que a empresa encontrou seu ponto de atuação: desenvolver bioinsumos capazes de fortalecer plantas, tratar ambientes urbanos e enfrentar desafios de saúde pública de forma mais integrada, segura e sustentável. Segundo Rayssa Monnerat, fundadora da startup, esse movimento nasce de uma percepção clara de mercado. “A gente percebeu que o que já funciona muito bem no campo ainda não tinha chegado de forma estruturada às cidades. Nosso objetivo sempre foi trazer essas soluções biológicas para o ambiente urbano de forma simples, acessível e eficiente, mostrando que é possível cuidar de plantas, de espaços e até de questões de saúde pública sem depender de químicos.” A Arbor Biotecnologia atua no desenvolvimento e análise de soluções biológicas voltadas ao cuidado ambiental e à inovação em bioinsumos | Fotos: Divulgação/FAPDF Do campo para a cidade A Arbor Garden nasceu da percepção de que o uso de bioinsumos — produtos desenvolvidos a partir de microrganismos e processos naturais — já é consolidado no campo, mas ainda pouco presente no cotidiano urbano. Fundada por quatro sócios, em uma estrutura familiar que reúne competências complementares, a startup se posiciona como uma ponte entre ciência e aplicação prática. O objetivo é tornar acessíveis tecnologias biológicas de alta performance para o cuidado com plantas, ambientes urbanos e sistemas naturais. Em 2026, a empresa ampliou sua atuação com a criação da Arbor Biotecnologia, uma spin-off voltada à pesquisa, desenvolvimento de novas formulações e capacitação técnica, expandindo seu alcance para além da jardinagem. Ciência que vira solução no dia a dia As tecnologias desenvolvidas pela Arbor Garden têm como base os bioinsumos, que atuam diretamente no equilíbrio biológico do ambiente. No caso do fertilizante à base de microalgas, como o Arborella, o uso é simples: diluído na água, ele é aplicado na rega e fornece nutrientes, aminoácidos, vitaminas e minerais que fortalecem as plantas. Mais do que nutrir, o produto atua como bioestimulante, promovendo crescimento equilibrado e maior resistência. Já no controle biológico, soluções como o Arbor Guard utilizam microrganismos específicos para interromper o ciclo de vida de mosquitos — como o Aedes aegypti — ainda na fase larval. A atuação é direcionada, atingindo apenas o organismo-alvo, sem comprometer o restante do ecossistema. Na prática, isso representa uma mudança de abordagem: em vez de ações pontuais com químicos, entra em cena uma gestão biológica mais duradoura e alinhada aos processos naturais. No ambiente doméstico, o uso contínuo dos bioinsumos se traduz em plantas mais saudáveis, com crescimento equilibrado e maior resistência a estresse. Ao mesmo tempo, o uso em ambientes internos se torna mais seguro, especialmente em casas com crianças e pets. A proposta da Arbor Garden acompanha uma transformação mais ampla na forma como cidades e consumidores lidam com o meio ambiente Em contextos maiores, como condomínios, áreas comerciais e espaços urbanos, as soluções permitem ampliar o cuidado para além da estética. Entram em cena aplicações voltadas ao tratamento de ambientes, à degradação de matéria orgânica e ao manejo de água parada, contribuindo para uma gestão mais eficiente e integrada. Para a fundadora, esse modelo representa mais do que uma inovação técnica. “Mais do que vender um produto, a gente trabalha com uma mudança de mentalidade. É sair de uma lógica de combate pontual e começar a olhar para o ambiente de forma integrada, entendendo que plantas, água, solo e saúde urbana estão conectados — e que a biotecnologia pode atuar de forma preventiva, não só corretiva”, explica Rayssa. Um mercado em transformação A proposta da Arbor Garden acompanha uma transformação mais ampla na forma como cidades e consumidores lidam com o meio ambiente. A substituição de insumos químicos por soluções biológicas ganha espaço globalmente, impulsionada por preocupações com saúde, sustentabilidade e qualidade de vida. No Brasil, esse movimento começa a se consolidar também no ambiente urbano. Os números da startup refletem esse cenário: já são mais de 2 mil litros de produtos comercializados, presença em diferentes canais de venda e uma base crescente de clientes, que inclui desde consumidores domésticos até gestores de áreas verdes e empreendimentos urbanos. A Arbor Garden opera com um modelo híbrido, que combina venda direta, e-commerce e atuação no mercado empresarial (B2B). De um lado, atende quem cuida de plantas em casa; de outro, atua junto a condomínios, empresas de paisagismo, shoppings e gestores de áreas verdes, oferecendo soluções integradas de cuidado ambiental. A empreendedora destaca que essa mudança já é perceptível no comportamento do público. “Existe uma busca crescente por soluções mais seguras e sustentáveis, e isso tem impulsionado a adoção dos bioinsumos também no ambiente urbano”, afirma Rayssa. Agora, a empresa avança na ampliação do portfólio e na expansão de mercado, com foco no desenvolvimento de novas soluções biológicas voltadas à regeneração do solo, ao tratamento de ambientes e ao controle preventivo de vetores urbanos. *Com informações da FAPDF
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Edital Demanda Espontânea, da FAPDF, conta com orçamento de R$ 9,8 milhões
A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) lança, nesta terça-feira (20), mais uma chamada pública, agora como parte do Programa de Pesquisa Básica: o Demanda Espontânea. Esta chamada faz parte da esteira de fomento da Fundação, organizada a partir do Nível de Maturidade Tecnológica (Technology Readiness Level – TRL), que orienta o apoio a projetos desde as fases iniciais de pesquisa, como é o caso desta nova chamada, até tecnologias prontas para aplicação no mercado, como o FAPDF Learning que será lançado nos próximos dias. Arte: FAPDF O TRL é uma metodologia internacional que classifica o grau de desenvolvimento de uma tecnologia em uma escala de 1 a 9, considerando desde a observação de princípios básicos e formulação de conceitos até sistemas validados e operando em ambiente real. A partir dessa lógica, a FAPDF estrutura seus editais de forma integrada, garantindo apoio contínuo ao ciclo completo da inovação. Programa de Pesquisa Básica Inserida nos níveis iniciais da esteira de fomento, a chamada Demanda Espontânea faz parte do Programa de Pesquisa Básica da FAPDF, direcionada a projetos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação que buscam validar hipóteses, desenvolver conceitos e consolidar bases experimentais. Para esta edição, o edital prevê um investimento de R$ 9,8 milhões, e as propostas podem ser submetidas em fluxo contínuo, por meio do Sistema de Informação e Gestão de Fomento (Sifgap), enquanto houver disponibilidade de recursos. A chamada contempla diferentes áreas do conhecimento e permite que pesquisadores doutores apresentem projetos alinhados às suas linhas de investigação. O edital terá vigência até 31 de dezembro deste ano. Entenda a esteira de fomento “Cada projeto tem seu tempo de amadurecimento. Ao estruturar a esteira de fomento com base no Nível de Maturidade Tecnológica, a FAPDF consegue apoiar pesquisadores e empreendedores em diferentes estágios, respeitando as características de cada etapa e fortalecendo todo o ecossistema de inovação” Leonardo Reisman, presidente da FAPDF Os projetos em níveis iniciais de maturidade tecnológica (TRL 1 a 3) concentram-se na formulação de conceitos e nas primeiras validações experimentais. Nessa etapa, a FAPDF apoia iniciativas que ainda estão em fase de investigação e desenvolvimento de base tecnológica. Entre os instrumentos voltados a esse estágio estão, além da chamada Demanda Espontânea, o programa Centelha e a Fase I do Start BSB, que estimulam ideias inovadoras e a transformação de conhecimento científico em soluções com potencial de aplicação futura. Na fase intermediária da esteira, correspondente aos níveis médios de maturidade tecnológica (TRL 4 a 6), os projetos avançam para a validação de protótipos, testes em ambiente de laboratório e em contextos relevantes. O foco está no desenvolvimento tecnológico, na redução de riscos e no aprimoramento das soluções. Nesse estágio, a FAPDF atua por meio de chamadas também com o Centelha, assim como o programa Start BSB – Fase II e o Tecnova III, que apoiam o amadurecimento de tecnologias e aproximam as pesquisas do setor produtivo e do mercado. [LEIA_TAMBEM]Os projetos em níveis elevados de maturidade tecnológica (TRL 7 a 9) já apresentam soluções mais consolidadas, com protótipos avançados, testes em ambiente real e potencial de escalonamento. Nessa etapa, o foco é a consolidação da tecnologia, a inserção no mercado e a geração de impacto econômico e social. A FAPDF apoia essas iniciativas por meio de chamadas como o Learning, o Start BSB – Fase III e o novo edital Deep Tech – que será lançado em breve – todos voltados a tecnologias de alta complexidade e base científica robusta. Política contínua e integrada Ao estruturar seus editais a partir do Nível de Maturidade Tecnológica, a FAPDF consolida uma política de fomento integrada, capaz de acompanhar projetos desde a pesquisa básica até a aplicação prática das soluções desenvolvidas. A estratégia fortalece o ecossistema de inovação do Distrito Federal, estimula a continuidade dos projetos e amplia as oportunidades de transformação do conhecimento científico em benefícios concretos para a sociedade. “Cada projeto tem seu tempo de amadurecimento”, afirma o presidente da FAPDF, Leonardo Reisman. “Ao estruturar a esteira de fomento com base no Nível de Maturidade Tecnológica, a FAPDF consegue apoiar pesquisadores e empreendedores em diferentes estágios, respeitando as características de cada etapa e fortalecendo todo o ecossistema de inovação.” Clique aqui e acesse os editais da FAPDF. *Com informações da FAPDF
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Prorrogadas inscrições para primeira etapa do edital Start BSB
A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) informa que as inscrições para a primeira etapa do edital Start BSB foram prorrogadas até o dia 14 deste mês. A prorrogação atende à alta procura e amplia as oportunidades para que empreendedores em fase inicial possam participar da seleção. Programa oferece capacitações, mentorias e suporte técnico especializado | Imagem: Divulgação/FAPDF O Start BSB é um programa de apoio a startups que buscam estruturação, validação de modelo de negócio e inserção no mercado. A iniciativa oferece capacitações, mentorias e suporte técnico especializado, além de promover a conexão entre empreendedores, pesquisadores e investidores. [LEIA_TAMBEM]O processo seletivo está dividido em duas etapas obrigatórias. A primeira é a que está prorrogada até o dia 14; a segunda transcorre entre os dias 15 e 29 deste mês. As inscrições podem ser feitas por meio da plataforma indicada no edital. Podem participar startups sediadas no Distrito Federal que estejam em fase inicial de desenvolvimento. O Start BSB é uma iniciativa da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), da Universidade de Brasília (UnB), do Instituto MultipliCidades e da Camp, com apoio da FAPDF. Mais informações sobre o programa e o edital estão disponíveis no site oficial do programa. *Com informações da FAPDF
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Start BSB dá início a novo ciclo de inovação
Na noite desta quarta-feira (3), o auditório da Finatec/UnB, em Brasília, foi palco do Start BSB NOW, evento que apresentou as primeiras startups selecionadas na segunda edição do Programa Start BSB. A iniciativa da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) se consolida como um dos principais fomentos públicos para o empreendedorismo inovador no Brasil, com investimento total de R$ 41,85 milhões para apoiar 300 startups ao longo de três anos. Além de dar boas-vindas às 100 primeiras startups selecionadas, o evento reuniu autoridades como a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão; o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Leonardo Reisman; o presidente da FAPDF, Marco Antônio Costa Júnior; e o vice-presidente da fundação, Paulo Nicholas. Em sua fala de abertura do evento, o presidente da FAPDF e anfitrião do evento, Marco Antônio Costa Júnior, reforçou a importância do programa para a inovação local: “Queremos não apenas oferecer financiamento, mas criar um ambiente propício para que as startups cresçam, validem seus modelos de negócio e conquistem novos mercados”, afirma. O evento reuniu 250 pessoas, entre profissionais do ecossistema de inovação do DF e autoridades do governo do GDF | Foto: Divulgação/FAPDF A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, reforçou a importância da tecnologia para o setor produtivo. “O governo precisa investir em alternativas para energia verde, renovável, sustentável; e a tecnologia é sim um caminho essencial para alcançar isso”, destacou. Um dos momentos mais aguardados do encontro foi a palestra de Elton Euler, referência nacional no ecossistema de inovação e empreendedorismo. Nascido em Taguatinga, Elton foi um dos empreendedores contemplados pelo edital Startups Brasília, projeto embrionário lançado em 2015, que deu vida ao Start BSB – Programa FAPDF de Startups. Na época, sua empresa Mubbit Tecnologia da Informação Ltda foi selecionada para receber R$ 200 mil em subvenção econômica para desenvolver o projeto “Mubbit Fidelidade”. Embora a startup não tenha alcançado o sucesso esperado, a experiência moldou sua trajetória empreendedora. Hoje, Elton lidera um conglomerado empresarial de grande porte e é reconhecido como um dos grandes nomes do setor de inovação no Brasil. A participação no Start BSB NOW reforçou a importância do programa na formação de empreendedores resilientes e inovadores, que transformam desafios em oportunidades. Hoje, Elton possui mais de 3 milhões de seguidores no Instagram e é referência em inovação. “Até a FAPDF entrar na minha vida eu não sabia que eu tinha, na verdade, total desconhecimento sobre o que era empreender. Eu tive mais de 16 modelos de negócios que não deram certo”, afirmou Elton durante a palestra no auditório da Finatec lotado, com capacidade para 250 pessoas. O empresário apresentou imagens que revelam o início de sua trajetória, como morador de baixa renda de Taguatinga, onde vivia com sua mãe. Atualmente, Euler reside em uma mansão na cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo, com mulher e filhos que usufruem de uma elevada qualidade de vida, conquistada após a persistência e determinação na carreira dos negócios. *Com informações da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF)
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