O perigo da desidratação em idosos
Olheiras, boca seca, cansaço excessivo, tontura e fala desconexa. Esses sintomas, que muitas vezes são interpretados como sinais iniciais de doenças neurológicas, como o Alzheimer, podem indicar um quadro de desidratação severa. A condição afeta todo o organismo e pode provocar queda da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca e até confusão mental. “A desidratação em idosos é mais comum do que se imagina e pode ter consequências graves, como infecções urinárias, alterações na pressão e alterações neurológicas, que podem inclusive levar a internações”, alerta o médico Álvaro Modesto, do Hospital Cidade do Sol. Segundo ele, o envelhecimento natural do corpo diminui a sensação de sede e a capacidade de reter água. “Mesmo com baixos níveis de líquidos, o idoso pode não sentir vontade de beber água”, explica. Com o passar dos anos, a pele fica mais fina, a massa muscular diminui e a proporção de água no corpo cai. Além disso, variações de temperatura e o uso de alguns medicamentos, em especial os diuréticos, contribuem para a perda de líquidos. “O centro cerebral que regula a sede fica menos sensível com a idade, dificultando a percepção da necessidade de hidratação. Além disso, também há uma redução na eficiência dos hormônios que atuam como defesa do nosso organismo nos casos de desidratação”, completa o especialista. A desidratação em idosos é comum: o envelhecimento natural do corpo diminui a sensação de sede e a capacidade de reter água | Foto: Alberto Ruy/IgesDF Uma história que serve de alerta Em uma manhã de inverno, Solimar Campos, de 82 anos, começou a sentir tontura e um cansaço diferente. A filha, que mora em outra cidade, percebeu durante uma ligação por vídeo que a mãe estava confusa e com a fala lenta. Preocupada, pediu a um vizinho que a levasse ao pronto-socorro. O diagnóstico foi desidratação grave. [LEIA_TAMBEM]“Eu não senti sede nenhuma, achei que era só o calor. Quando vi, estava fraca e sem forças para ficar em pé”, conta. Depois do susto, Solimar mantém uma garrafa de água sempre por perto, e a filha programa lembretes no celular da mãe para garantir que ela beba líquidos ao longo do dia. Sinais que merecem atenção · Boca e língua secas · Tontura, cansaço e fraqueza · Urina escura e em menor quantidade · Confusão mental ou sonolência · Batimento cardíaco acelerado Olheiras, boca seca, cansaço excessivo, tontura e fala desconexa são alguns dos sintomas da desidratação severa | Foto: Divulgação/IgesDF Como prevenir · Oferecer líquidos com frequência — água, água de coco, sucos naturais e chás de ervas —, mesmo sem pedido. Incluir alimentos ricos em água: melancia, abacaxi, melão, laranja, pepino e sopas. · Criar uma rotina de hidratação: manter garrafa ou copo por perto e estabelecer horários fixos para beber líquidos. · Monitorar o consumo: observar a quantidade ingerida ao longo do dia. Caso o idoso apresente sinais graves, como queda acentuada da pressão, desmaios ou confusão mental, a orientação é procurar atendimento médico de urgência. “Prevenir a desidratação é um cuidado simples, mas que pode ser um diferencial para o desfecho clínico do paciente”, conclui Álvaro. *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)
Ler mais...
Onda de calor no DF exige atenção redobrada com a saúde
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta para temperaturas extremas no Brasil, com calor acima da média e potencial risco à saúde. Nesse cenário típico do verão, marcado por forte exposição ao sol, umidade elevada e maior frequência de atividades ao ar livre, aumentam também os casos de doenças como gastroenterites, viroses, insolação, desidratação e micoses. Médicos alertam que cuidados simples, como hidratar-se bem, usar protetor solar e observar a conservação dos alimentos, fazem diferença para evitar problemas. Segundo o especialista em clínica médica, Álvaro Modesto, do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), os dias quentes exigem cuidado especial com a alimentação, principalmente por causa do risco de gastroenterites e doenças virais. Ele explica que é fundamental observar a conservação e a procedência, sobretudo, de proteínas cruas ou mal passadas e em alimentos com ovo, como maionese. Onda de calor no Distrito Federal requer cuidado com a saúde, principalmente de crianças | Fotos: Divulgação/IgesDF “Essas doenças nem sempre trazem sintomas muito graves, mas causam vômitos, dor abdominal e diarreia. Elas costumam passar sozinhas depois de três a cinco dias, mas podem deixar a pessoa muito frágil e comprometer esse período de lazer. Por isso, é essencial fazer uma boa hidratação nesses momentos”, explica o médico. “A depender da gravidade da desidratação, os efeitos podem ser mais sérios, chegando a afetar rins e fígado” Álvaro Modesto, especialista em clínica médica do IgesDF Outro problema comum em períodos de calor intenso é a insolação, geralmente acompanhada de desidratação. Os sintomas podem lembrar uma “ressaca”, com dor de cabeça, mal-estar, náusea e dores no corpo. “Quando isso acontece, é sinal de que a exposição ao sol ultrapassou o limite seguro e pode exigir avaliação médica. A depender da gravidade, os efeitos podem ser mais sérios, chegando a afetar rins e fígado”, alerta o especialista. Para prevenir, ele recomenda beber líquidos com frequência, usar protetor solar e evitar permanecer sob o sol por longos períodos, especialmente nas horas de maior intensidade dos raios solares. Também é comum, no verão, o aumento de micoses de pele, favorecidas pela combinação de calor e umidade, como em praias e piscinas. Falta de cuidado na hora de se secar pode propiciar o aparecimento de micose “O ideal é manter sempre as áreas de dobras bem secas, principalmente os pés. Muitas vezes, ficamos com roupas molhadas por muito tempo, o que favorece a proliferação de fungos. Sempre que possível, seque-se bem ou troque de roupa após entrar na água. Nas mulheres, os casos de candidíase também aumentam bastante nesse período”, explica. Em locais de lazer com circulação de animais, como praias, parques e áreas de areia ou terra, há ainda o risco de bicho-geográfico e bicho-de-pé. A orientação é evitar andar descalço e não permanecer em áreas com sujeira. Procure atendimento imediatamente com os seguintes sintomas: → Febre alta persistente; → Vômitos ou diarreia por mais de 24 horas; → Sinais de desidratação (boca seca, pouca urina, sonolência, tontura); → Confusão mental, fraqueza intensa ou desmaio; → Dor de cabeça muito forte ou rigidez na nuca; → Manchas, feridas ou sinais na pele que pioram; → Queimaduras solares com bolhas; → Sintomas após longa exposição ao sol, como náusea intensa, desmaio ou batimentos acelerados. * Com informações do IgesDF
Ler mais...
Dor ao engolir? Rede pública de saúde do DF oferece tratamento
Dor ao engolir, engasgos, tosse durante ou logo após as refeições, demora para engolir, cansaço respiratório ao se alimentar, dentre outras dificuldades para deglutir sólidos, beber líquidos ou até engolir a própria saliva. Esses sintomas ganham destaque hoje, 20 de março, Dia Nacional de Atenção à Disfagia, nome para a condição clínica que pode ser transitória ou permanente. Casos negligenciados podem levar à desnutrição, desidratação e pneumonias. A disfagia pode aparecer em diversas fases da vida, mas os idosos são mais suscetíveis | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF “Dificuldade para engolir pode acontecer por vários motivos. Quando causar desconforto, durar muitos dias ou atrapalhar a qualidade de vida, isso deve chamar a atenção do paciente. Uma unidade básica de saúde (UBS) pode acolhê-lo e fornecer as orientações adequadas”, afirma o diretor de Estratégia Saúde da Família da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Sandro Rodrigues. O tratamento também pode ocorrer em unidades especializadas, a partir de encaminhamento. “A disfagia é atendida em todos os níveis de saúde, desde as enfermarias pediátricas até os ambulatórios de geriatria, passando pelas enfermarias hospitalares, ambulatórios de saúde funcional e ambulatório de reabilitação” Ocânia da Costa Vale, RTD em fonoaudiologia A disfagia pode aparecer em diversas fases da vida, porém, idosos são mais suscetíveis. A ocorrência é maior em pessoas que sofreram traumas na face, acidente vascular cerebral (AVC), traumatismo cranioencefálico (TCE), diverticulites, câncer de cabeça e pescoço. Também acomete quem tem desnutrição e doenças neurológicas, como Parkinson, Alzheimer, demências, esclerose múltipla e esclerose lateral amiotrófica, dentre outras condições. A SES-DF conta com uma rede de atendimento que abrange desde os casos simples até pacientes internados. “O objetivo é reabilitar o paciente para permitir uma deglutição segura”, conta a fonoaudióloga Ocânia da Costa Vale, referência técnica distrital (RTD) na área. Fonoaudiólogos são os principais envolvidos no tratamento da disfagia. Porém, a abordagem é multiprofissional, envolvendo médicos, nutricionistas, fonoaudiólogos e outros especialistas, conforme a necessidade. “A disfagia é atendida em todos os níveis de saúde, desde as enfermarias pediátricas até os ambulatórios de geriatria, passando pelas enfermarias hospitalares, ambulatórios de saúde funcional e ambulatório de reabilitação”, explica a especialista. Os núcleos de atenção domiciliar (NRADs) realizam assistência direcionada e acompanham os pacientes com a perspectiva de desospitalização, permitindo uma vida próxima da normalidade mesmo para quem necessita de cuidados regulares. *Com informações da SES-DF
Ler mais...
Bombeiros alertam para acidentes com crianças durante as férias
Com as férias escolares, crianças costumam ficar em casa por mais tempo – e é essa a hora em que os cuidados devem ser redobrados, pois aumentam os riscos de acidentes domésticos quando os pequenos ficam procurando com o que se ocupar. Olho vivo em todos os cômodos, principalmente na cozinha: crianças devem ficar longe do fogo | Foto: Breno Esaki/Arquivo Agência Saúde Para divulgar as principais dicas que contribuem com a segurança no lar, a Agência Brasília ouviu gestores do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e da Unidade de Queimados do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Eles orientam para atitudes preventivas e também sobre os primeiros-socorros em casos de queimaduras. Prevenção é a chave [Olho texto=”“É importante ter uma programação para que criança gaste a energia acumulada e não tente coisas perigosas” ” assinatura=”Major Bohle, do CBMDF” esquerda_direita_centro=”direita”] A prevenção é a melhor forma de garantir a segurança das crianças durante as férias. A primeira e mais importante medida é manter uma supervisão constante de crianças por adultos, não por outra criança. “Primeiro deve-se lembrar aos pais que, como é uma época previsível, é importante ter uma programação – colônia de férias e coisas assim – para que criança gaste a energia acumulada e não tente coisas perigosas”, exemplifica o major Bohle, do CBMDF. Entre as dicas do bombeiro para evitar acidentes em casa, está a restrição de acesso a ambientes perigosos, como cozinha, churrasqueiras, área de serviço com eletrodomésticos e piscinas. Se possível, indica ele, a piscina deve ter grades para que evite afogamentos. Cozinha e sala Na cozinha é preciso um cuidado especial, retirando do local objetos cortantes, produtos inflamáveis, químicos e medicamentos. Limitar o acesso aos banheiros também pode prevenir afogamentos e acidentes com os boxes de blindex. Na hora de cozinhar, é essencial manter panelas e frigideiras com o cabo voltado para dentro do fogão, de preferência utilizando as bocas de trás. Além disso, é preciso ter cuidado ao manusear recipientes quentes no forno e, principalmente, no micro-ondas – que pode aparentar uma falsa sensação de segurança. Em apartamentos, é importante não deixar móveis próximos às janelas, para evitar que os pequenos tentem fazer “escaladas”. Também é recomendável usar redes de proteção instaladas por empresas credenciadas. Quem tem crianças menores deve utilizar protetores de tomada e de quina. Dos três aos 18 meses de vida, os bebês estão na chamada fase oral, o que significa que reconhecem o mundo pela boca. Por isso é importante mantê-los longe de equipamentos eletrônicos nesse período de descoberta. [Olho texto=”“Nada de manteiga, pasta de dente, aloe vera ou essas coisas que as pessoas inventam de colocar. Dependendo da queimadura, o contato com outras substâncias pode piorar o ferimento e dificultar a cura” ” assinatura=”Ricardo de Lauro Machado Homem, chefe da Unidade de Queimados do Hran ” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Queimaduras também podem ser prevenidas mantendo ferro de passar e equipamentos de alisamento de cabelo guardados e longe do alcance das crianças. É ainda importante evitar a exposição prolongada aos raios solares, utilizando o protetor de hora em hora e evitando horários de pico (depois das 10h e antes das 15h). Primeiros-socorros Em caso de queimaduras, o primeiro passo é interromper o processo de queimação, aliviando e resfriando a região. Para isso, deve-se lavar a ferida apenas em água corrente, por cerca de 20 minutos. O chefe da Unidade de Queimados do Hran, Ricardo de Lauro Machado Homem, adverte: “Apenas água! Nada de manteiga, pasta de dente, aloe vera ou essas coisas que as pessoas inventam de colocar. Dependendo da queimadura, o contato com outras substâncias pode piorar o ferimento e dificultar a cura”. Ele ressalta que as queimaduras por produtos químicos podem ter uma reação ainda pior em contato com outras substâncias. Em caso de bolhas, após o resfriamento, a área queimada deve ser protegida com um pano limpo e levemente umedecido com água. Também é importante beber muito líquido, pois as queimaduras podem liberar secreções e causar desidratação. Crianças e idosos costumam apresentar mais repercussão nas feridas, pela fragilidade da pele. Primeiras providências No caso de se atear acidentalmente fogo nas roupas, uma atitude imediata a tomar é rolar no chão, se não houver água por perto. O ideal é não sair correndo, porque o oxigênio pode alimentar as chamas. Em caso de cortes, o procedimento também é lavar com água corrente e utilizar um pano limpo para envolver a região. Dependendo da lesão, o pano pode ser umedecido com água. No atendimento hospitalar, a ferida é limpa e um curativo adequado é feito, bem como o controle da dor do paciente e a checagem de vacinas. [Olho texto=”Em emergências, acione imediatamente o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193″ assinatura=”” esquerda_direita_centro=”direita”] Já para choques elétricos, a primeira coisa a fazer é desligar a chave-geral de energia. Uma haste de madeira seca (não pode ser úmida, caso contrário passa a funcionar como um condutor) pode ser utilizada para desvincular a vítima da fonte de eletricidade. É sempre importante colocar a vítima em uma posição segura até a chegada do socorro. Depois do choque, a pessoa deve ficar em posição lateral, para não obstruir as vias aéreas. Para evitar engasgos, a recomendação é não deixar a criança levar à boca pedaços grandes de comida. Caso não haja o conhecimento do que fazer nessa situação, o socorrista – por meio do telefone 193 – passará orientações de primeiros-socorros até a ajuda chegar. Em qualquer caso de emergência, não hesite em acionar o Corpo de Bombeiros por esse número. Queimaduras [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Em 2021, foram registrados quase 3 mil atendimentos de pacientes queimados no pronto-socorro do Hospital Regional de Asa Norte (Hran). Das 313 internações na Unidade de Queimados, 22% eram de crianças, considerando crianças a parcela da população com 13 anos ou menos. Desse total, cerca de 14% foram vítimas de queimaduras por álcool – tipo de acidente que vem se repetindo. De acordo com o chefe da Unidade de Queimados do Hran, Ricardo Machado, o aumento pode estar relacionado a uma maior disponibilidade de álcool nas residências, sem a correspondente supervisão de adultos responsáveis. “Um fator que contribui para o aumento do número de acidentes com álcool é que ele tem sido usado de forma improvisada para cozinhar, uma vez que o gás de cozinha tem estado num preço proibitivo para uma parcela considerável da população”, avalia o médico.
Ler mais...