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Brasília 60 anos

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Medalha Brasília 60 anos condecora 120 homens e mulheres

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Festival Cantando para Brasília animou a população de casa

Com mais de 10 horas de música, Brasília comemorou seu aniversário em grande estilo. Durante todo o dia 21 de abril grandes artistas da capital se reuniram para cantar os 60 anos da cidade. Respeitando o isolamento social, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) promoveu o Festival Cantando para Brasília, com uma programação eclética e completamente gratuita que marcou a data. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] O dia começou com a tradicional missa, na Catedral Metropolitana, um dos símbolos arquitetônicos da cidade planejada e projetada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer a partir do ideal do então presidente Juscelino Kubitscheck. A celebração presidida pelo Arcebispo Dom Sérgio da Rocha, foi acompanhada pelo governador Ibaneis Rocha e o vice-governador Paco Britto e suas famílias, e também marcou os 60 anos da instalação da Arquidiocese de Brasília. Palcos diversos, espalhados por vários pontos do Distrito Federal deram uma nova cara para a festa, que normalmente acontece na Esplanada dos Ministérios, outro cartão postal da capital. O formato, “novo e desafiador”, como definiu o secretário de Cultura e Economia Criativa Bartolomeu Rodrigues, foi a solução encontrada pelo Governo do Distrito Federal para garantir uma celebração à altura da data. “Tivemos apoio de diversos artistas que voluntariamente participaram dessa grande celebração, mostrando todo o amor pela nossa cidade”, diz. De suas casas, artistas se revezaram em ‘lives’ transmitidas pelas redes sociais trazendo alegria para todas as idades. Os pequenos puderam acompanhar a história “A menina e o Ipê Amarelo”, contada por Fátima Venzi e Edna Ribeiro. De maneira lúdica, com direito a um cenário que trazia a árvore símbolo da capital, elas falaram um pouco sobre “o quadradinho mais querido do país”, como definiu a escritora Fátima. Ao longo de toda a tarde e noite, brasilienses de nascença ou de coração se divertiram ao som de samba, forró, pop rock, MPB, sertanejo e axé. Foram 15 atrações musicais que rechearam a programação preparada pela Secec. Nomes de peso como Vinícius Oliveira, Túlio Borges, Milsinho, Luciano Ibiapina, Renata Jambeiro, Roni & Ricardo, Collo de Mainha, Bebeto Cerqueira, Marcelo Sena, Banda Imagem, Dhi Ribeiro, Marcelo Café, Nego Rainer, Banda Crazy e Barão & Mauá participaram do Festival Cantando para Brasília. “Agradeço o convite da Secretaria de Cultura e Economia Criativa que proporciona essa festa também para nós”, traduziu o músico Milsinho que pela primeira vez participou das comemorações do aniversário de Brasília. Marcelo Sena também falou sobre a emoção de participar do aniversário durante o isolamento social. “É uma honra. Há muito tempo eu não me arrumava. Fiz isso especialmente para cantar para a minha cidade.” Homenagens Outras homenagens emocionantes marcaram as comemorações dos 60 anos de Brasília. A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro fez um arranjo especial para celebrar a data. Cada um de sua casa, os músicos do corpo sinfônico da Secretaria de Cultura e Economia Criativa executou o “Hino de Brasília” (Neusa França/Geir Nuffer Campos, 1960), “Brasília, Capital da esperança” (Ariovaldo Pires/Simão Neto/Enrico Simonetti, 1960), “Peixe Vivo” (folclore, domínio público) e “Água de Beber” (Jobim/Vinícius, 1961) que somados ao tradicional “Parabéns pra você” garantiram um espetáculo de encher olhos e ouvidos. O coro de “Parabéns pra você” foi engrossado por grandes artistas da capital. Mulato e Cassiano, Paraná, Célia Porto, Manassés, Seu Estrelo, Vladimir de Carvalho, Felipe Gracindo Nicolas Behr, Marquin, Noélia Ribeiro e Nilva de Souza, por exemplo, falaram sobre o amor à capital em um vídeo emocionante. Moradores da quadra 210 sul também comemoraram os 60 anos de Brasília de maneira diferente. De suas janelas, eles puderam acompanhar a Serenata de Abril, parte do projeto Brasília 60+60, apoiado pela Secec. Músicos se apresentaram na rua, trazendo alegria e conforto a quem está em casa.   * Com informações da Secretaria de Cultura

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Brasília, aos 60 anos, vive um momento especial na saúde

Brasília chega aos 60 anos em um momento em que a Saúde é a protagonista. Apesar da pandemia de coronavírus enfrentada pelo mundo inteiro, o Distrito Federal se destaca pelas medidas que tem adotado desde o começo,  o que faz da capital pioneira nas ações que têm ajudado a cidade a atravessar a crise de maneira mais branda. O secretário de Saúde, Francisco Araújo, considera que Brasília, aos 60 anos, vive um momento muito especial da sua existência. “Estamos enfrentando o coronavírus, talvez o maior desafio da saúde pública da história, mas, felizmente, temos uma rede que se encontra num patamar bem melhor do que aquilo que foi encontrado no inicio de 2019”. Ele acrescenta que “se o governador Ibaneis Rocha não tivesse feito importantes investimentos na saúde pública, nesses 16 meses de administração, estaríamos numa situação complicada para enfrentar os desafios desse momento”. Francisco Araújo ressalta a importância dos investimentos matéria e de recursos humanos em toda rede para a melhoria das condições de atendimento da rede pública de saúde. “Ainda temos muito a fazer, principalmente na necessidade de ampliar e humanizar o atendimento para a população, mas, é inegável que houve uma avanço significativo com os investimentos já realizados”. “Não perde para nenhum hospital de primeiro mundo!”. Em resumo, é isso que o médico especialista em cirurgia torácica, Manoel Ximenes, pensa sobre o Hospital de Base do Distrito Federal, o primeiro grande hospital construído em Brasília e inaugurado pelo criador desta cidade, o então presidente Juscelino Kubitschek e que também completa 60 anos no próximo mês de setembro. O médico, hoje aposentado, começou a trabalhar ali quando ainda se chamava Hospital Distrital, na década de 1970. Formou-se em Fortaleza e foi trabalhar no Estados Unidos, onde conheceu as melhores unidades de saúde. “Vi uma foto da inauguração do Hospital de Base e senti um enorme desejo de trabalhar ali”, relembra. Hoje ele está aposentado, mas ainda participa de reuniões científicas semanais. “Quando estou na unidade, faço questão de visitar o centro cirúrgico. Tenho enorme prazer de ter ajudado a formar médicos, durante a residência, que hoje atuam em hospitais por todo o mundo”, diz. Pioneirismo Antes da inauguração do gigante, quem veio para construir a nova capital contava com atendimentos médicos no chamado Hospital Presidente Juscelino Kubitschek, localizado no que hoje conhecemos como Museu da Memória Candanga. “Brasília já nasceu oferecendo três princípios do Sistema Único de Saúde antes mesmo de se debater sobre isso. Já atendia gratuitamente, de forma universal, integral e com hierarquização assistencial na prestação de serviços”, destaca a chefe do Núcleo de Desenvolvimento e Controle de Projetos de Pesquisa da Escola Superior de Ciências em Saúde, Leila Göttems. Vale lembrar que o SUS só foi criado em 1988, quando Brasília já contava com 13 hospitais, localizados no Gama, Taguatinga, Brazlândia, Sobradinho, Ceilândia, Asa Norte, Planaltina e Guará, além dos hospitais Materno Infantil, Hospital de Apoio e Instituto de Saúde Mental. A capital também já tinha 40 centros de saúde, o que, na época, garantia 100% de cobertura de Atenção Primária, conforme relata Leila Göttems. Hoje, a rede pública de saúde do DF ainda conta com o gigante Hospital de Base, referência em traumas, e tem somada a ele outros 15 hospitais, 172 unidades básicas de saúde, uma laboratório central referência para o Centro-Oeste, além de centros de atenção psicossocial, sete unidades de pronto-atendimento e fundações como o Hemocentro e a Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências de Saúde, que por meio das três escolas (ESCS, ETESB, EAPSUS) ajuda a formar centenas de profissionais para Brasília e para o mundo. Trajetória Para se chegar ao que tem hoje, porém, muito se testou. No início de tudo, o foco era a atenção hospitalar, focado no mode biomédico. Somente depois de 1979, quando o mundo começou a discutir sobre a importância da atenção básica ou atenção primária, é que Brasília colocou em prática a construção do que chamamos hoje de unidades básicas de saúde. A atenção primária já esteve nas mãos do Instituto Candango de Solidariedade, da Fundação Zerbini e retornou para a Secretaria de Saúde, passou pelo processo de conversão e hoje atende em um novo modelo, com equipes formadas por médicos de família, enfermeiros e técnicos, odontólogos e agentes de saúde. “Um grande ganho em tudo isso foi a ampliação do horário de atendimento nas UBS, também na reorganização do trabalho das equipes para atender  a demanda espontânea e não somente por agendamento. Isso permite maior acesso oportuno da população”, ressalta Leila, lembrando que estudos apontam uma resolutividade de 85% dos problemas de saúde da população sem que ela precise procurar um hospital. Os modelos de gestão também andaram por muitos caminhos. Já tivemos a Fundação Hospitalar, o Hospital de Santa Maria sendo administrado por Organização Social e hoje chegamos a uma administração com vários modelos de gestão. Assim, a rede conta com o Hospital da Criança gerido por uma organização social, a Fundação Hemocentro que é uma fundação pública, e a mais recente criação: o Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (IgesDF) como um Serviço Social Autônomo, que hoje administra o primeiro hospital construído em Brasília e o Hospital Regional de Santa Maria, além de todas as unidades de pronto-atendimento. Futuro Para Leila Göttems, do ponto de vista da assistência, “precisamos continuar reforçando e investindo na atenção primária e na formação de profissionais para desenvolver aperfeiçoamento da atenção à saúde da população. Precisamos, também, dos três níveis de assistência funcionando adequadamente, de forma integrada e com a regulação sendo o farol para todos eles”, finaliza. *Com informações da Secretaria de Saúde

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Lago Paranoá encanta pela prática de esportes náuticos e relaxamento

Nesta terça-feira, 21 de abril, Brasília comemora os 60 anos de sua fundação. Rica em belezas naturais como o céu, o pôr do sol e toda a flora e fauna do Cerrado, a cidade também se destaca pela prática de atividades ao ar livre em praças, parques, lago e clubes. E neste período de isolamento social, por conta da Covid-19, os atletas brasilienses buscam alternativas para se manterem em forma e ficarem preparados para os próximos eventos esportivos. O multiesportista, Estevão Lopes, 42 anos, nasceu em Brasília, e é morador do Guará. Ele tem o Lago Paranoá como a sua segunda casa, já que pratica três modalidades náuticas: vela adaptada, remo paralímpico e a paracanoagem. “Eu iniciei a prática esportiva sem pretensão de chegar no alto rendimento. O esporte entrou na minha vida como reabilitação, após o acidente que sofri em 2012 e me deixou paraplégico. Com o tempo eu passei a ter um contato diário com o Lago. Agora, ele é o meu cartão postal preferido e faz parte da minha rotina. O Lago é uma das coisas que eu mais sinto falta neste período de pandemia e quarentena. Ele é o melhor lugar do mundo. É o melhor espaço para a prática esportiva”, contou. Para Estevão, é um privilégio para os esportistas da Capital Federal ter um lago dessa proporção dentro de uma cidade grande. “Ele é ótimo para a prática de esportes convencionais e também para os as modalidades paralímpicas. O Lago Paranoá é perfeito em dimensão e na qualidade da água. É um diferencial das outras cidades grandes do país. E a gente do DF ainda tem a favor o clima semiárido. No começo é até um pouco difícil se acostumar com esse clima seco, mas depois que você se adapta ao clima de Brasília e você está preparado para qualquer lugar do mundo”. Com a participação em vários mundiais representando o Brasil na vela adaptada, Estevão se orgulha dos títulos conquistados como o bicampeonato brasileiro da modalidade. A última competição que o atleta participou foi a Copa Brasil de Paracanoagem, em março deste ano, na Raio Olímpica da USP, na cidade de São Paulo. Ele e a seleção brasiliense da paracanoagem (ACKC) voltaram da capital paulista com o tetracampeonato da competição. “Brasília hoje é uma referência na paracanoagem, por conta do Lago Paranoá e do trabalho de reabilitação feito pelo Hospital Sarah Kubitschek”, destacou o atleta. Estevão e a equipe do DF viajaram, para São Paulo, por meio do Compete Brasília, programa que contempla os atletas do DF com passagens aéreas e terrestres para participarem de campeonatos em outras cidades e no exterior. A gente, aqui de Brasília, tem o Compete Brasília, que é uma iniciativa única no país, e que realmente funciona. Sem a ajuda do Compete eu não teria ido tão longe porque as competições internacionais ficariam muito caras. E Compete Brasília paga as nossas passagens e isso é muito importante”, completou. O Lago Paranoá também é um dos lugares preferidos da arqueira Thaís Carvalho, 27 anos. Diferente de Estevão, que pratica atividades esportivas na água, Thaís precisa da ajuda do tempo agradável para a prática do arco e flecha e usa o Lago Paranoá para relaxar e curtir a natureza. “Meu lugar favorito da cidade é o a beirinha do Lago, qualquer canto que eu possa parar, sentar e contemplar o pôr do sol e a natureza”. Thaís, nasceu o Gama, e divide sua moradia entre o Cruzeiro e o Paranoá, e sua rotina, antes da quarentena, era composta entre trabalho, estudos e treino. “Eu treinava pelas manhãs num espaço público aqui Lago Norte, e às vezes, num espaço do Cetefe (Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial), no Cruzeiro. “O clima da Capital Federal é ótimo para a prática do tiro com a arco. Nós saímos na frente daqueles que treinam em condições climáticas frias e até na neve e também daqueles que moram em climas muito quente. E para atirar tem que ser em um lugar aberto, e o clima do centro-oeste contribui bastante com os treinamentos e por consequência no nosso desempenho. Agora, em casa, eu mantenho os treinos puxando o arco, e fazendo uma série de exercícios com o próprio arco e um elástico. Estou improvisando meu treino com os recursos que tenho disponíveis”. A atleta, que é amputada da perna direita, começou a praticar tiro com arco em 2012, no Cetefe, mas antes ela passou por outras modalidades como natação e badminton. “Eu nunca imaginei fazer arco e flecha. Mas um dia eu estava praticando o badminton e na quadra ao lado o pessoal estava treinando arco e flecha. E eu fiquei encantada, mas eu achava que a modalidade era cara para minhas condições financeiras, porque você precisa ter o equipamento, então eu resisti um pouco. Mas quando experimentei, me apaixonei e fiquei encantada”, disse a atleta que briga por uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. “A mudança dos Jogos de Tóquio para o ano que vem foi muita sensata, não só para a segurança dos atletas, mas para todas as pessoas que estariam envolvidas no evento. É claro que você tem um planejamento e um ritmo de treinamento, mas é o tipo de coisa que a gente consegue manter até o ano que vem. Eu fiquei aliviada, já que brigo por uma vaga. No Mundial de tiro com arco, no ano passado, na Holanda, eu consegui bater o índice para Tóquio. Agora, em março, estava marcado o Parapan da modalidade no México e lá eu iria buscar essa vaga, a competição foi suspensas e ainda não tem uma data determinada, mas estou na briga e quero representar o meu país e minha cidade lá em Tóquio”, explicou Thaís. * Com informações da Secretaria de Esportes e Lazer

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Nasce Brasília. Sessenta anos de uma ideia feliz

Fotos: Arquivo Público do DF Foram três longos dias de festa. E teve de tudo. De baile de gala a corrida de carros em pleno Eixo Monumental. Celebração de missa a cascata de fogos de artifícios, uma novidade para muitos até então. Quem presenciou, tem as imagens gravadas na memória como se fosse hoje. Estima-se que mais de 200 mil pessoas acompanharam as solenidades. Grande parte varou a noite sem pregar os olhos. A inauguração de Brasília, em 21 de abril de 1960, há exatos 60 anos, foi um acontecimento, embora muitos daqueles que já moravam na cidade, bem como parte do resto do país, não acreditassem que aquela ousadia ou “loucura” do presidente Juscelino Kubistchek, como diziam os desafetos, fosse dar certo. E deu. Segundo dados do Censo daquele ano, a população da nova capital girava em torno de 140 mil pessoas. Desse número, mais de 87 mil eram homens, em sua maioria, trabalhadores que vieram prestar serviço nas várias obras espalhadas pelo local. Tanto quanto as mulheres, estimadas à época em 53 mil, a idade média desses primeiros a chegarem era 22 anos. [Olho texto=”“Algumas pessoas não estavam convencidas, nem as que moravam aqui”” assinatura=”Gisèle Santoro, coreógrafa e bailarina, que dançou em cima do Congresso Nacional no dia da inauguração da cidade” esquerda_direita_centro=”direita”] “Algumas pessoas não estavam convencidas, nem as que moravam aqui”, lembra hoje a coreógrafa Gisèle Santoro, 81 anos. “Tinha algumas construções, mas você olhava para os lados e não tinha nada. Para ir ao Lago Sul, dava-se uma volta danada, porque não tinha a ponte e as mansões pareciam mais distantes”. Gisèle teve o privilégio de dançar em cima do Congresso Nacional no dia da festa. “Eram uns 12 bailarinos, chegamos num avião da FAB, e, como tinha chovido, a cidade era só lama. Dançamos na parte de cima do Congresso, com a orquestra embaixo, e a iluminação foi um espetáculo.” E foi mesmo. Podia-se ver o clarão dos efeitos de luzes ao longe. Luzes que anunciavam, metaforicamente, o alvorecer de um novo Brasil. Um Brasil comprometido com o progresso e o desenvolvimento, e cujo símbolo dessa nova identidade nacional recaía exatamente sobre Brasília, a cidade moderna e futurista construída no coração do Planalto Central, prometendo ligar o país de Norte a Sul, do Oiapoque ao Chuí. Daí as lágrimas sinceras e convulsivas derramadas por Juscelino Kubistchek um dia antes, no primeiro dia das celebrações, durante a missa solene celebrada por dom Manuel Gonçalves Cerejeira. Uma cena que despertou atenção do vice João Goulart, sentado ao seu lado, e foi registrada em flagrante marcante. “Só vi meu pai chorar em duas ocasiões: na morte de familiares e na inauguração de Brasília”, diria mais tarde a filha de JK, Maria Estela. Era um pranto de alívio, misturado com alegria. Afinal, concretizava-se ali o projeto de toda uma vida, de uma carreira, a realização de uma utopia que nasceu de um presidente que desafiou o impossível. A transferência da nova capital para o coração do país foi encarada por JK em “sua mais importante batalha travada em vida pública”, como destacou o jornalista e historiador Ronaldo Costa Couto. “A inauguração da cidade tem profundo significado histórico pelo fato em si e por incluir a transferência simultânea da capital, sinalizar afirmação nacional para dentro e para fora, apontar novos rumos”, escreve Ronaldo no livro Brasília Kubitschek de Oliveira. Simbologia histórica As festividades tiveram início, oficialmente, às 16h, numa quarta-feira (20), na Praça dos Três Poderes, com o presidente da Novacap, Israel Pinheiro – o homem que comandou operários durantes as obras –, entregando as chaves da cidade ao presidente JK. Com a autoridade de quem seria, futuramente, o primeiro “prefeito” de Brasília, o carrancudo “Dr. Israel” aproveitou a oportunidade para alfinetar opositores: “Brasília é obra do civismo sadio, de otimismo criador, de ânimo pioneiro, (…) de iniciativas que rasgam os largos caminhos de um futuro que o Brasil reclama com impaciência, com ímpeto jovem, com fome de renovação.  O espírito de Brasília é tudo o que há de contrário ao derrotismo sistemático”.   [Olho texto=”“O espírito de Brasília é tudo o que há de contrário ao derrotismo sistemático”” assinatura=”Israel Pinheiro, presidente da Novacap, durante a primeira solenidade na nova capital” esquerda_direita_centro=”centro”] Marcada para a noite, a celebração religiosa tem caráter simbólico por dois motivos. No altar improvisado armado na Praça dos Três Poderes, destaca-se uma relíquia vinda de Braga, Portugal: a cruz de metal usada na Missa da Descoberta, celebrada por Frei Henrique de Coimbra havia 460 anos, em 26 de abril de 1500, na baía de Porto Seguro, poucos dias depois do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral. A peça sacra passa a ideia de um novo nascimento, de batismo renovado. À meia-noite em ponto, na noite calma e reluzente da nova capital, soa o repique do velho sino que tocou pela morte de Tiradentes em 21 de abril de 1792. O artefato histórico fora trazido de Ouro Preto, cidade historicamente irmã de Diamantina, terra natal de JK. Ao coração do Brasil Finalmente chega o dia da inauguração. Os poucos hotéis existentes da cidade estavam apinhados de gente. As pessoas que tinham casa alugavam um quarto, às vezes até o carro da família.  Como a mãe era funcionária do Congresso, Gisèle Santoro, a jovem bailarina que dançou sobre as hastes do poder, dormiu num apartamento da 305 Sul. “Os outros dançarinos foram para um alojamento, e, no dia seguinte, todos pegamos o voo da FAB de volta para o Rio de Janeiro”, rebobina a artista. Há relato de várias aventuras realizadas para se chegar ao coração do Planalto Central. Depois de 240 dias de viagem dos Pampas até o Cerrado, o gaúcho Francisco Alves chega com a mulher e quatro filhos para a festa. Meio que simbolizando um ritual de passagem, de entrega da tocha, uma coluna de Corpo de Fuzileiros Navais percorre mais de mil quilômetros. É a distância que separa as duas capitais – a antiga, Rio de Janeiro, e a nova, Brasília. Uma distância maior, de quase 3 mil quilômetros, foi percorrida pelo casal argentino Mercedes e Hugo Urquiza, que, de jipe, levaram 48 dias para realizar a lendária saga. [Olho texto=”“Era o nosso batismo de fogo para um mundo novo e desconhecido. Com o peito apertado, partimos para nunca mais voltar”” assinatura=”Mercedes Urquiza, em seu livro de memórias” esquerda_direita_centro=”esquerda”] “Era o nosso batismo de fogo para um mundo novo e desconhecido”, escreveu Mercedes em seu livro de memórias, A Trilha do Jaguar – Na Alvorada de Brasília, lançado em abril de 2018. “Com o peito apertado, partimos para nunca mais voltar”, narra ela, que participou da recepção de gala oferecida pelo presidente JK, no Palácio do Planalto, após a festa popular que aconteceu na Praça dos Três Poderes. Entre os três mil convidados, além do corpo diplomático, ministros de estado e autoridades federais, havia alguns opositores. Então governador da Bahia, Juracy Magalhães chegou ao Palácio com um presente especial para JK: uma gravata quadriculada em preto e branco, que trouxera dos Estados Unidos. O adereço luxuoso era fruto de uma aposta perdida que fizera com o presidente, quando sustentou que o chefe de Estado não entregaria a capital dentro do prazo. Reza a lenda que o estilista Dener Pamplona de Abreu, pioneiro da moda no país, se encarregou pessoalmente da criação do vestido da primeira-dama, Sarah Kubistchek. Era um modelo tomara que caia de organza de seda pura branca distribuída em 12 metros de tecido. A cereja do bolo seriam os cinco mil cristais, vidrilhos e lantejoulas arranjados em bordados florais. Uma pena que toda essa pompa e imponência conferida ao evento tenha se perdido um pouco por conta do lameiro que virou a cidade. “Entre eles [os convidados], naturalmente, [estavam] as maiores socialites do Rio de Janeiro – acompanhadas dos mais famosos cabeleireiros – que, apesar de lamentar a saída da capital, reconheciam a maravilha daquele momento”, escreve Mercedes Urquiza em seu livro. Foto: Acervo pessoal de Mercedes Urquiza (segunda pessoa à esquerda) Nos braços do povo Naquela noite, uma frase sincera e pragmática proferida pela mãe de JK, Júlia, à nora, pouco depois de contemplar demoradamente a cidade, encheria o presidente de êxtase e orgulho. “Só o Nonô mesmo seria capaz de fazer tudo isso”, disse a octogenária, no auge de sua sabedoria mineira. Foto: Após a cerimônia de gala, simples como sempre foi, JK se desnudou da ostentação do poder e, descendo a rampa do Palácio do Planalto, se deixou cair nos braços do povo. Testemunha ocular desse momento, o jornalista e analista político André Gustavo Stumpf não se esqueceu do que registrou. “Nunca vi nada parecido em termos de alegria. Pessoas humildes se ajoelhavam diante dele. Beijavam-lhe as mãos. E Juscelino ria e abraçava tudo mundo. Não sabia o que fazer. Era a imagem de uma felicidade radiante”, contou, em depoimento publicado no livro Brasília Kubistchek de Oliveira, de Ronaldo Costa Couto.

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Esportistas brasilienses declaram seu amor à capital federal

Minas Brasília Futebol feminino/As Minas é três vezes campeão do Candangão e integra, pelo segundo ano consecutivo, a Série A1 do Campeonato Brasileiro | Foto: Icespe / Divulgação A regra é clara: se puder, fique em casa. Mesmo que seja em uma ocasião tantas vezes celebrada pelos cidadãos e moradores da cidade, como o aniversário de Brasília, em 21 de abril. Neste ano, a Capital Federal comemora 60 anos. E a recomendação vale para todos, inclusive, para os esportistas que, hoje em dia, estão adaptando à rotina de treinamentos e exercícios físicos regulares para dentro de seus lares, enquanto segue interrompido o calendário nacional e internacional de competições. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] É o caso do Caio Bonfim, principal nome da marcha atlética brasileira, que nasceu e vive em Brasília. Mais especificamente em Sobradinho, onde mora no mesmo lote de seus pais, que também são seus treinadores, o que facilitou o planejamento esportivo neste período de isolamento social. “Tenho prazer enorme de viver aqui. A gente viaja o mundo todo pelo esporte, mas um lugar que amo treinar é nessa cidade”, destaca o jovem, que escolheu o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek como ideal para a prática de exercícios físicos. “O Parque da Cidade é uma referência. Tem a volta de 4 km, a volta de 6 km, a volta de 10 km, quadras de vôlei, frescobol, futevôlei, kart, estacionamentos grandes. Meu lugar predileto para treinar, não é o melhor para as pessoas porque eu preciso do desafio. Com percurso duro e tudo mais. Mas o Parque da Cidade é um lugar que gosto de treinar, muito mesmo”, completa. Caio Bonfim avalia que os programas esportivos da Secretaria de Esporte e Lazer do Distrito Federal como grandes diferenciais em relação aos demais estados. “As bolsas atletas são muito legais, do estudantil até olímpica. Temos uma coisa que não tem em lugar nenhum do país que é o Compete Brasília. Me ajudou muito, tanto no ciclo olímpico do Rio de Janeiro, como nesse agora de Tóquio. Fiz muitas viagens, meu recorde brasileiro e o índice para as Olimpíadas, eu fiz em uma viagem pelo Compete Brasília. É uma coisa fantástica. Mas agora a gente poderia ter uma iniciativa privada um pouco melhor.” O clima seco, característico do nosso Cerrado, beneficia o atleta da capital federal, segundo Caio Bonfim, já que quanto menos dias de chuva no ano, maior a possibilidade de treinar ao ar livre tranquilamente. Caio Bonfim foi medalha de prata nos 20 quilômetros  da marcha atlética nos Jogos Pan-Americanos Lima, em 2019 | Foto: Abelardo Mendes Jr. / rededoesporte.gov.br “A sequidão é uma condição adversa, mas dá para manter o mesmo ritmo. É maravilhoso porque se você aguentar o clima de Brasília, você aguenta qualquer clima do mundo”, diz o atleta que levou, entre outros pódios, a prata no Pan-Americano de Lima 2019, na prova dos 20 quilômetros, em que é especialista. Futebol feminino Para as irmãs gêmeas Nayara e Nayeri Albuquerque, fundadoras do Minas Brasília Futebol feminino/As Minas – time de futebol feminino três vezes campeão do Candangão e que integra pelo segundo ano consecutivo a Série A1 do Campeonato Brasileiro –, o clima da cidade é agradável, sem interferência no condicionamento físico das atletas da equipe. “Somos apaixonadas por Brasília e já tivemos grandes oportunidades de ir para fora. Nosso maior intuito é construir algo significativo e fazer história em Brasília”, ressalta Nayeri. História essa que começou em 2012, quando o projeto social foi criado com o propósito de dar mais oportunidades para as meninas mais jovens que sonhavam em ingressar na vida esportiva. “A cada ano que passava a gente tentava progredir em algum sentido, organizar o projeto como um todo, colocar metas e objetivos. Nosso primeiro objetivo era vencer o Candangão para que pudéssemos ter a oportunidade de participar de um campeonato em cenário nacional”, diz a atleta. O primeiro título do Candangão aconteceu em 2016, feito repetido em 2017 e 2018. No segundo ano de conquistas, o clube garantiu uma vaga na série A2 do Campeonato Brasileiro e, posteriormente, na série A1 – em que participa em 2020, pelo segundo ano consecutivo. A formação em Direito de Nayeri combina com vocação de Nayara em Ciências Contábeis para tratar a parte administrativa do clube. “Brasília precisa ter um incentivo maior ao futebol feminino. Todo o espaço que conquistamos foi por não desistir do projeto”, acrescenta. A dupla sempre morou na Zona Rural de Brazlândia, numa área conhecida como Núcleo Rural do Rodeador. Elas guardam lembranças de infância e o início da paixão pelo futebol, com a disputa dos torneios locais. “Temos uma identificação muito grande, é uma cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo. Já o Minas Brasília não tem cidade, tem atletas de todas as cidades. A gente costuma dizer que somos o todo, de todas as cidades satélites do Distrito Federal. Não temos preferência por uma”, completa. O Minas Brasília Tênis Clubes atua em todas as categorias, sendo elas a principal, o Sub-18, categorias de base Sub-16 e Sub-14 e o futsal. Esta última conquistou a Taça Brasil Sub-20, em 2018, título inédito para Brasília. * Com informações da Secretaria de Esporte

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Brasília 60 anos: conheça a capital sem sair de casa

Secretaria criou sete rotas com mais de 80 pontos turísticos mapeados por temas | Reprodução Para celebrar o aniversário de 60 anos da capital, a Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF) preparou uma viagem virtual pelos pontos turísticos imperdíveis de Brasília. Por meio da plataforma Google Earth, o visitante irá descobrir o que torna a nossa capital tão única e tudo o que faz dela um marco da arquitetura moderna, além de cidade patrimônio, cidade criativa, cidade capital, cidade parque, capital da esperança e de muitos Brasis. Para quem está com saudades de passear por entre seus eixos, e também por fora deles, ou para quem ainda não conhece as belezas e encantos de Brasília, a Setur-DF criou sete rotas com mais de 80 pontos turísticos mapeados por temas: Rota Cívica, Rota Arquitetônica, Rota Cultural, Rota Náutica, Rota do Cerrado, Rota da Paz e Rota Fora dos Eixos. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] A secretária de Turismo do DF, Vanessa Mendonça, explica que a ação é estratégica para fortalecer o turismo interno. “Este é um marco na história do turismo em Brasília. E representa a estruturação da capital federal como um produto turístico de grande relevância. É uma forma inovadora, simples e acessível de apresentar a cidade como destino para turistas de todo o Brasil e do mundo. Uma grande jornada, feita com muito carinho e dedicação para todos que querem conhecer Brasília, mesmo sem sair de casa. Também temos a certeza de que esse passeio digital vai inspirar muitas viagens no futuro. Por enquanto, pedimos que todos fiquem em casa, mas Brasília espera ansiosa para receber pessoas de todo o mundo após este período.” No Brasília Tour Virtual, o visitante poderá conferir em detalhes as famosas linhas e curvas da arquitetura de Oscar Niemeyer, os lugares mais icônicos e também os menos conhecidos, dentro e fora dos eixos. E até os mais surpreendentes tesouros naturais escondidos pelas regiões do DF e de seu Entorno, como o Parque Nacional de Brasília, a Chapada dos Veadeiros e a região rural do Viva Lago Oeste. Torre Digital vista de cima via Google Earth | Reprodução Para o presidente do Sindicato de Turismo Rural e Ecológico do DF e Entorno (Ruraltur-DF), Fragmar Leite, a inclusão da área rural na visita virtual dará mais visibilidade aos atrativos. “Brasília e Entorno são muito ricos em turismo rural. A nossa maior dificuldade é levar essa informação aos próprios brasilienses. E a turistas, também. Fazer parte deste projeto é de uma alegria enorme para todos os que estão envolvidos nessa área”, avalia. A ideia é impulsionar o turismo nos atrativos de Brasília e das regiões administrativas do DF. O tour virtual mostra todas as diferentes belezas, como a Catedral, a orla do lago Paranoá, a Ponte JK, centros religiosos como o Templo da Boa Vontade, a Mesquita de Brasília, o Santuário Dom Bosco e a prainha dos Orixás. Além disso, ainda permite ver de perto exposições realizadas no Centro Cultural Banco do Brasil e em outros museus. Cada local visitado durante o tour tem um texto descritivo que conta as respectivas histórias. O padre Jonathan Costa, do Santuário Dom Bosco, comemorou a inclusão da igreja no tour virtual. “O santuário é uma das sete maravilhas de Brasília e fazer parte do projeto é um reconhecimento importante. Muitas pessoas que visitam a nossa cidade não conhecem todos esses locais. Nós recebemos até 10 mil turistas em um único mês no nosso templo, e queremos acolher ainda mais pessoas. Vamos tornar realidade o sonho de Dom Bosco”, exorta. O tour pode acessado por meio do site da Secretaria de Turismo do DF, por qualquer pessoa com por um computador, tablet ou celular. O link de acesso direto é http://www.turismo.df.gov.br/brasilia-tour-virtual/.   * Com informações da Secretaria de Turismo

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É hora de celebrar

Brasília está recolhida, mas isso não vai nos impedir de comemorar os 60 anos de nossa linda cidade, da capital que mudou os rumos e representa a esperança do Brasil. Deveríamos estar em festa, nas ruas, mas o momento é de recolhimento, de enfrentamento a um inimigo invisível e implacável que preocupa o mundo todo. E que vai ser vencido. Sabemos que esta é uma hora de preocupação para todo o mundo e que mexe com a vida de todos nós. Como governante, minha determinação é cuidar de Brasília. É o que estamos fazendo desde os primeiros dias da pandemia do coronavírus, procurando agir com firmeza, mesmo que isto signifique medidas duras. Assista ao vídeo: Hoje nossa gente deveria estar nas ruas, cantando, dançando, brincando, festejando mais um aniversário. Mas a maioria está em casa. Mais uma vez o brasiliense dá exemplo de cidadania ao país; somos a unidade da Federação que mais respeita a quarentena de isolamento social, o que vai contribuir para que o Distrito Federal seja um dos primeiros a voltar à normalidade. Nossas ruas vazias são o retrato da responsabilidade de nossa gente. Àqueles que estão trabalhando por todos nós, em especial médicos, enfermeiros e técnicos em saúde, nosso agradecimento por esta dedicação em um momento difícil. E esta é uma gratidão que se estende a garis, policiais, frentistas de postos de gasolina, bombeiros, funcionários de mercados e padarias, enfim, todos aqueles que, mesmo sob risco, mantém a cidade funcionando. É um aniversário diferente. Lembramos a visão de Juscelino Kubistchek, o sonho de Dom Bosco, a genialidade de Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Athos Bulcão e Burle Marx, entre tantos. Lembramos também a fé e a perseverança dos candangos pioneiros que transformaram o ermo do cerrado na capital do Brasil em apenas mil dias. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] E lembramos as lutas políticas, desde a consolidação de Brasília como capital, mesmo enfrentando tantos inimigos poderosos, até a conquista da cidadania de seus moradores, que hoje podem escolher seus representantes. Mas antes de tudo celebramos a vitória do povo brasileiro, que ganhou um novo país a partir de sua nova capital. Há 60 anos, o Brasil era um país muito diferente, com a maior parte de sua população habitando as cidades do litoral, com esparsas cidades isoladas no interior. Brasília, como vislumbrou JK, uniu o Sul e o Sudeste industrializados, com o Norte e o Nordeste subdesenvolvidos, além de descortinar a nova fronteira do Centro-Oeste. Brasília é o símbolo da determinação brasileira, da capacidade de realização do povo, de um país cheio de desafios a serem vencidos. É hora de celebramos a beleza do nosso céu sem igual, dos nossos parques, espaços, monumentos. É a hora de celebrarmos a nossa gente, povo carinhoso que gosta de viver em comunidade, de trabalhar em busca de oportunidades, de abraçar e beijar. Mas hoje estamos momentaneamente separados. Ainda bem que temos nossa cidade para nos unir. Parabéns, Brasília.   * Governador do Distrito Federal

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Artistas se reúnem em vídeo e cantam parabéns para Brasília

Era para ser só um Parabéns pra você, mas num resgate de emoções e lembranças, a cantora Renata Jambeiro resolveu improvisar. Aos 38 anos, a artista, nascida e criada na capital, recitou um poema como sua declaração de amor a Brasília, que completa 60 anos nesta terça-feira (21). Numa iniciativa do Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), Renata e outros 23 artistas da cidade, entre músicos, poetas, cineastas, cantores e atores, se uniram para, cada um de sua casa, gravar um vídeo deixando uma marca para as festividades virtuais – enquanto as presenciais estão temporariamente suspensas, durante o período de pandemia mundial. “É um jeito de estarmos ligados, conectados e simbolicamente abraçados entre nós e ao público nessa homenagem a Brasília”, explica Renata, que cantou na festa do cinquentenário da cidade, em 2010. Já estão nessa barca Manassés, Seu Estrelo, Célia Porto, Paraná, Nilva de Souza, Vladimir Carvalho, Marcelo Sena, Renato Matos, Sérgio Duboc, Felipe Gracindo, Jonatas Caloro, Hellen Dieb, Dhi Ribeiro, Marquin, Nicolas Behr, Noelia Ribeiro, Wellington Abreu, Vicente Sá, Japão, João Antônio, Leandro Rocon, Martinha do Coco e a dupla Zé Mulato & Cassiano. Agora é sua vez. Dê o play e cante conosco esses parabéns para a cidade. https://youtu.be/P1T4soRtxHw

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Adirson Vasconcelos: o encantamento da solidão nos primórdios de Brasília

[Numeralha titulo_grande=”2″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Adirson, ao conhecer o terreno onde seria erguida a capital federal: “Tudo o que se olhava, em qualquer posição, era horizonte” | Foto: arquivo pessoal “A minha relação de simpatia, admiração e crença em Brasília se desenvolveu a partir do primeiro momento que eu a vi. Em maio de 1957, houve na região onde seria construída a nova capital do Brasil um ato a que se chamou de Pedra Fundamental da Nova Capital. Naquele tempo, na década de 1950, eu era repórter no Recife do jornal Correio do Povo. Escalado pela direção, fui designado para fazer a cobertura do fato que aconteceria no Planalto Central de Goiás, a 20 quilômetros de Goiânia. Depois de um dia inteiro de viagem de Goiânia até aqui, hospedei-me em um hotel de madeira recém-construído no Acampamento Núcleo Provisório, na Cidade Livre – hoje, o Núcleo Bandeirante. Dormi e, pela manhã, horas antes do lançamento da pedra fundamental, saí para conhecer o terreno onde seria Brasília. A terra era muito vermelha, diferentemente do que me acostumara a ver no Nordeste. Em meio à vegetação rasteira e às árvores retorcidas, elevei o olhar para o céu e contemplei uma abóboda celeste muito azul com lindas nuvens brancas. Uma beleza inusitada, com um horizonte ao longe. Tudo o que se olhava, em qualquer posição, era horizonte. De repente, dou-me de frente com o oriente e contemplo estarrecido um sol vibrante, parecendo uma bola de fogo de tão forte e intenso. Eis a alvorada de Brasília. [Olho texto=”Aquela irradiação solar aqueceu-me o corpo e me invadiu a alma de forma inusitada. Encantei-me naquela solidão, com a visão quase celestial que me marca até hoje, em 2020, quando celebraremos os 60 anos de Brasília” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda “] Aquela irradiação solar aqueceu-me o corpo e me invadiu a alma de forma inusitada. Um momento transcendente, nunca vivido até aqueles meus 20 anos de vida. Encantei-me naquela solidão, com a visão quase celestial que me marca até hoje, em 2020, quando celebraremos os 60 anos de Brasília. A par daquele impacto fisiológico que senti ao contemplar o nascer do sol em Brasília, vivi um momento de transcendência, de transformação mental e de espitualização marcantes. Durante a missa onde hoje é a Praça do Cruzeiro, o cardeal dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota anunciou no sermão que aquele momento era um dos três marcos da história do Brasil – junto com o Descobrimento, em 1500, e a Independência, em 1822. Aquele momento solitário me impactou a alma e tive divergências. Mas, com o passar dos dias, e até a inauguração da cidade, em 1960, era igualmente marcante como o alvorecer. Guardarei aqueles momentos para a vida toda. Da epopeia da construção até os dias atuais, pude acompanhar ao longo de 63 anos o sonho que nasceu com Tiradentes, Apolônio da Costa e tantos outros brasileiros, e projetada como a obra do século 20. Ali nascia a capital da esperança. Em 1986, quando a cidade já estava quase consolidada, Juscelino Kubitschek, dois meses antes do seu falecimento, profetizou-me após uma longa conversa: Brasília será a capital deste milênio, pelo significado que sua missão civilizadora representa como polo irradiador de desenvolvimento. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita “] Vivo, desde aquela alvorada de 1957, esse grande espírito de Brasília. E estou integrado a ele. Por isso fiz um poema chamando Brasília de minha terra, meu céu e meu mar, além de templo da união nacional, construtora de um novo tempo. Hoje vivo plenamente os mesmos sentimentos daquele primeiro momento. Momento de jovialidade, de fé, de crença e de esperança, agora muito mais fortalecido na grande missão civilizadora. Além de trabalhar como jornalista e acompanhar toda a história, tive aqui sete filhos e 11 netos, e 60 livros. A minha mais nova cria é a Enciclopédia da História de Brasília, em todos os seus tempos, divididos por décadas. Assim, ofereço um registro de memórias de quem viveu e ainda vive os dias da capital que amo.” Adirson Vasconcelos, 83 anos, cearense, chegou a Brasília em 1957. Encantado com a energia do lugar onde nasceria a nova capital, voltou ao Nordeste, fez todas as malas e do Distrito Federal não saiu mais.

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É festa: feliz aniversário para a capital do país

A beleza que resiste a qualquer tempo difícil | Foto: Secom / Reprodução de vídeo A festa vai ficar para depois. Mas os 60 anos de Brasília merecem ser comemorados por cada um de nós que nasceu, vive e ama esta cidade linda, cheia de oportunidades, repleta de brasileiros de todos os cantos, mas que já tem até sotaque próprio. São tempos difíceis, em que até os abraços e beijos devem ser evitados, mas que mostram a solidariedade da nossa gente. É por causa dessa força que a gente pode dizer de peito aberto: parabéns, Brasília.  

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BRB prepara festival online para comemorar 60 anos de Brasília

Festival desenhado pelo Banco de Brasília (BRB) para celebrar os 60 anos de Brasília, o BRBPlay vai apresentar 38 atrações, entre shows, aulas de ginástica e de gastronomia, atividades para crianças e concurso cultural (veja mais informações nas ilustrações ao final da matéria). [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Com a população em casa devido à pandemia da Covid-19, o BRB buscou um jeito diferente para não deixar a data passar em branco. Por meio dos perfis do Instagram (no perfil do festival, @brb.play, e no perfil oficial do BRB,  @brb_bancodebrasilia), serão dois dias, segunda e terça-feira (21), de programação intensa. Mas, como estamos ansiosos para a festa, vamos antecipar uma das atrações. Neste domingo (19), o músico Bhaskar faz um aquecimento, a partir das 16h30, direto do canal dele no Youtube. Além de Bhaskar, o BRBPlay vai contar com shows de Nando Reis, Zélia Duncan, Osvaldo Montenegro, Dinho Ouro Preto, Scalene e Digão, entre outros. A programação completa está disponível em nossos canais (@brb.play e @brb_bancodebrasilia). Outras informações estão disponíveis na Sala de Imprensa do site do Banco de Brasília.   * Com informações do BRB

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Isabela Colepicollo: dançarina das curvas da capital

[Numeralha titulo_grande=”3″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. | Foto: arquivo pessoal “Moro em Brasília há 14 anos e amo esse Quadradinho. Brasília é movimento: suas curvas arquitetônicas, suas tesourinhas, seus três milhões de moradores indo e vindo, seus ipês frondosos… tudo isso é muito acolhedor e me faz sentir uma sensação de paz. Apesar de não ser filha de Brasília, cheguei aqui com pouca idade e já sinto uma forte sensação de pertencimento. Morei na cidade de São Paulo por um ano, mas, ao retornar, percebi que aqui é meu verdadeiro lar. Não há lugar no mundo que nos presenteie diariamente com este céu. Durante a semana, precisamente às 17h30, paro tudo o que estou fazendo e vou para a janela contemplar o entardecer. Aos finais de semana aproveito os bares e festas com meus amigos, exploro os pontos turísticos, respiro o ar puro que os parques oferecem e sempre busco lugares que me aproximem da natureza. Quando preciso me desconectar um pouco, gosto de ver o pôr do sol pertinho do Lago Paranoá. A imensidão e a beleza do céu fazem desse momento um evento inesquecível. Neste aniversário de 60 anos de Brasília, nós, jovens, esperamos que ela nos abrace, sempre que necessário, e cuide de nós. Queremos um cantinho seguro para viver, repleto de oportunidades e de espaços comuns a todos.” Isabela Colepicollo tem 21 anos. É dançarina e estudante de Psicologia, e mora em Águas Claras

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Marcelo Márcio e o legado do seu Nico, da Nicolândia 

[Numeralha titulo_grande=”4″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   “Meu pai, seu Nico, mineiro de Mariana, chegou a Brasília em 1968. Ele passou por vários locais até se instalar no Parque da Cidade. O bastão foi passado em 2002, quando ele partiu. Desde então, assumi a responsabilidade de fazer com que o Nicolândia se tornasse um grande parque de diversões urbano. Instalado desde 1978, é um dos grandes cartões-postais da cidade, um patrimônio a céu aberto. Temos orgulho de contar essa, que é uma história de família – na administração e na visitação.  … [Olho texto=”Brasília é um jardim florido. Fico feliz porque, além de fazer parte da história da cidade, fazemos com que ela respire momentos e memórias além do cotidiano.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Eu nasci em Brasília e tinha seis anos quando o Parque da Cidade foi inaugurado pelo então governador Elmo Serejo. Naquela época, ele o batizou homenagem ao filho dele: Parque Rogério Pithon Farias. Era um movimento muito grande e foi um grande presente para a cidade porque hoje o parque é o grande pulmão da capital.  Me recordo que meu pai, com muito afinco, sempre imaginou o futuro daqui. Ele passou por muitos desafios. O Nicolândia atravessou várias fases, até ao ponto de ele pensar em desistir. Mas seu Nico tinha uma resiliência muito grande e conseguiu germinar a semente. Se hoje temos uma floresta, não podemos esquecer dessa semente.  Eu acompanhava muito meu pai e consegui sentir tudo aquilo que ele passou. Sou fruto de tudo isso que foi feito lá atrás. O propósito do Nicolândia é criar memórias, marcar infâncias e deixar legado. Ele deixou e tenho uma energia boa de estender esse legado às futuras gerações, inclusive para meus filhos.  Brasília não respira só política. Tem o terceiro maior polo gastronômico do Brasil, vários monumentos, um céu maravilhoso, uma das maiores avenidas do mundo. Brasília é um jardim florido. Fico feliz porque, além de fazer parte da história da cidade, fazemos com que ela respire momentos e memórias além do cotidiano. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”]  Quem vem ao parque de diversões quer se distrair, se desligar da rotina, e quando chegam, querem se conectar com as emoções. Isso me faz sentir vivo na cidade e me desafia a entregar ainda mais. Daqui a 60 anos, imagino a cidade bem consolidada, desenvolvida, com povo trabalhador e feliz. Imagino a cidade com várias inovações em tecnologia, disruptiva, com polo de desenvolvimento.  Imagino que seja a capital das capitais.”   Marcelo Márcio Gomes de Souza, empresário, 48 anos, nicolândia

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BRB comemora 60 anos de Brasília com inovação e criatividade

Brasília completa 60 anos na próxima terça-feira (21), e a data não vai passar em branco. Por isso, o BRB, Banco oficial do DF, vai comemorar as seis décadas da capital do País de um jeito diferente: vem aí o festival #BRBplay. Serão dois dias – 20 e 21 de abril – de programação, nas redes sociais, para prestigiar artistas, educadores e empreendedores da cidade e entreter os brasilienses. “A pandemia do Coronavírus exige de nós responsabilidade, para com a saúde de todos, e criatividade para que os 60 anos da nossa cidade não deixassem de ser festejados. Estaremos em casa, mas todos declarando nosso amor por nossa cidade”, afirma o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O #BRBplay – Brasília 60 anos vai contar com uma série de atrações para todas idades e gostos. Gastronomia, programação fitness, atividades para as crianças e muita música, com a participação dos maiores nomes da cidade. O evento também será marcado por ações de engajamento com o público. A programação completa do BRB para os 60 anos de Brasília vai ser divulgada nos próximos dias, e também tem como objetivo incentivar a economia local e valorizar os artistas daqui. #novoBRB #Brasília60anos #BRBplay #Superadf * Com informações do BRB

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Ivan Presença saiu da Rodoviária e ficou bestificado com a cidade

[Numeralha titulo_grande=”5″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Ivan ficou deslumbrado ao chegar em Brasília, especialmente com as obras da Catedral e do Teatro Nacional, além da Torre de TV. “Ponto de encontro aos sábados em suas barracas regionais e paqueras”, conta. Foto: Arquivo pessoal “Cartas de amor para ela, Quando eu te conheci você tinha sete anos, era uma criança e eu saboreava um pastel com caldo de cana na rodoviária ao amanhecer. Você era jovem e eu também. No meu primeiro dia na cidade estava chegando de uma viagem do Rio de Janeiro para atender um convite de trabalho em uma livraria que funcionava na galeria de lojas do principal hotel da cidade, o Hotel Nacional, que funcionava como um shopping naquela época. [Olho texto=”Minha querida Brasília, este ano o seu aniversário vai ser diferente, não vai ser igual àqueles que se passaram, estamos de quarentena e vamos ficar em casa para não adoecer.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Subi a escada rolante para a parte superior da Rodoviária e era cedo, o sol iluminava a Esplanada. Bela paisagem, um gramado verde que parecia um tapete e o céu azul. Parecia que eu estava voando em um balão, sinais da lua e de algumas estrelas no céu, fiquei hipnotizado com o que via. Apresentei-me ao meu novo endereço de trabalho e moradia: morava na sobreloja da livraria. Para chegar ao local fui a pé da Rodoviária admirando a paisagem, uma subida via rampa de terra vermelha (hoje o Conic) até a chegada ao Hotel Nacional com uma visão em 360 graus da cidade. Fiquei deslumbrado. A estrutura em obras da Catedral e do Teatro Nacional e a Torre de TV, ponto de encontro aos sábados em suas barracas regionais e paqueras emocionantes. O tempo passou e você foi crescendo. Fui conhecendo Planaltina (quantas histórias), Gama, Sobradinho, Guará, Morro do Urubu, Barracões da Asa Norte (W3 Norte), Taguatinga, Ceilândia, Samambaia, Cruzeiro Velho e Novo, Paranoá, São Sebastião, Jardim Botânico e Telebrasília… [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Você cresceu e o relógio da vida não para. Sessentona necessitando de reparos em sua anatomia, suas curvas e tesouras precisando de retoque, suas retas e largas avenidas largas cederam espaço ao Metrô, o carnaval das escolas de samba cedeu espaço para os blocos de rua, e até às livrarias acabaram-se: agora é tudo on line. Minha querida Brasília, este ano o seu aniversário vai ser diferente, não vai ser igual àqueles que se passaram, estamos de quarentena e vamos ficar em casa para não adoecer. O relógio não para, mas vamos lutar para que o ano que vem possamos  colocar a Bateria da Aruc na comemoração de seus 61 anos. O sonho não acabou.”  Ivan Presença, 70 anos, é livreiro e mora no Jardim Botânico

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Subir no foguete do Parque Ana Lídia, quem nunca?

O parque é o Ana Lídia, que fica no estacionamento 12 do Parque da Cidade. Há 49 anos ele é garantia de diversão para diferentes gerações de brasilienses. Fotos: Arquivo Público do DF No coração da capital do Brasil existe um parque, o maior espaço público de lazer da América do Sul. Em seu interior tem outro e dentro dele tem um foguete. No foguete, Silvana Seabra, então com 6 anos, viajou para a Lua muitas vezes. Lá de cima ela via meninas dentro de carruagens e meninos em cabanas de índio. Também observava a Esplanada dos Ministérios e o Congresso Nacional, os prédios mais altos da paisagem naquela época. O parque é o Ana Lídia, que fica no estacionamento 12 do Parque da Cidade. Há 49 anos ele é garantia de diversão para diferentes gerações de brasilienses. É difícil encontrar um morador de Brasília que não tenha a lembrança de ter ido pelo menos uma vez ao parque de areia quando criança. E até hoje o espaço faz sucesso, ficando lotado aos finais de semana. Inaugurado em 1971, o parque infantil foi uma das primeiras opções de lazer para as crianças da capital. “Naquela época, só tinha os parquinhos das quadras. Não tinha um espaço daquele, com grandes brinquedos. E ainda era de graça”, conta o o publicitário brasilense João Amador, 41 anos, que mantém um perfil nas redes sociais desde 2014 que conta histórias de Brasília. Segundo ele, apesar de a abertura oficial ter sido em 1971, o espaço já era usado para as brincadeiras da meninada desde 1969. Na época, o local era chamado de parque da torre, inaugurada em 1967. “Só fizeram a inauguração oficial. Mas era a mesma coisa, a mesma área e os mesmos brinquedos”, diz. Ocupando uma área na Asa Sul intocada até então, o parque trazia brinquedos temáticos divididos em três partes: a Ala das Meninas – com elementos de contos de fadas, como carruagem em forma de abóbora, como a carruagem da Cinderela, escorregador em forma de bota e animais gigantes; a Ala dos Meninos – relacionada aos filmes de aventura da época, com cabanas apaches, barco viking e caravanas do velho oeste; e a Ala Futurista – com um foguete espacial, trepa-trepa em forma de bolha, roda-roda no formato de cápsula lunar, entre outros. Silvana Seabra, na foto com 6 anos, frequentava o parque antes mesmo dele ser oficialmente inaugurado. Foto: arquivo pessoal O foguete era, e ainda é, o xodó dos frequentadores do local. Para a administradora Silvana Seabra, hoje com 55 anos, o espaço sempre será identificado como “Parquinho do Foguete”. Ela guarda fotos tiradas no local em 1970, quando o parque nem tinha sido inaugurado oficialmente. “Sempre gostei de altura, lembro de observar lá de cima, de um lado, a vegetação da área que depois virou o parque da cidade, e, do outro, a Esplanada dos Ministérios, o Senado Federal e a Câmara dos Deputados”, diz. “Brasília não tinha nada naquela época. Nenhum daqueles prédios altos ali em volta existia”, recorda-se. Viagem Silvana saía do Lago Sul, pelo menos duas vezes por mês, para brincar no parque. Foto: arquivo pessoal A diversão da garotada era correr até o alto do foguete e escolher se a descida seria feita pelo escorregador, que não existe mais, ou pelas escadas. “A graça era escorregar até lá embaixo. O brinquedo era alto”, lembra Silvana. Além do foguete, ela gostava de se equilibrar no trepa-trepa . Silvana morava com os pais e os dois irmãos no Lago Sul. Mesmo com a distância, ela ia com a irmã mais velha umas duas vezes por mês ao parque, “a única opção de lazer para a criançada na época”. “Meu irmão é cinco anos mais novo, não lembro dele ir com a gente, era muito novinho. Minha irmã que ia comigo, eu tinha 6 e ela 7/8”, conta. O trajeto entre o Lago Sul e a área central de Brasília era uma viagem na década de 70. “Eu morava onde é hoje a QI 11. Não tinha nenhuma ponte e gente tinha que dar a volta pelo aeroporto para ir à cidade”, diz. As pontes só chegaram ao Lago Sul em 1974. A primeira deveria ter sido a Costa e Silva, um projeto de Oscar Niemeyer feito em 1967. As obras, iniciadas em 1973, ficaram anos paralisadas e a ponte só foi inaugurada em fevereiro de 1976. A primeira a ser de fato utilizada foi a Ponte das Garças, conhecida como Ponte do Gilberto, cuja construção durou poucos meses e foi inaugurada em janeiro de 1974. Para Rejane Marinho, 45 anos, o parque é mágico. O local é tão especial para ela que a família dela já está avisada: quando morrer, quer ser cremada e deseja que suas cinzas sejam jogadas no Ana Lídia. “Eu e meus dois irmãos passamos pela separação dos nossos pais e sofremos muito. Mas no meio dos brinquedos esquecíamos das brigas deles. Era um lugar de paz, de brincarmos e sermos felizes”, diz. Rejane se mudou de Brasília quando tinha 10 anos. Hoje a pedagoga e advogada mora em Campo Grande (MS), mas continua tendo uma relação forte com a capital. “Tenho tios aí, meu pai ainda mora em Brasília, sempre estou na cidade”, conta. O Parque da Cidade como um todo é especial para ela. Além de subir no foguete, “que era tão alto”, ela tem lembranças de piqueniques com a família e de soltar pipa com os irmãos. “O Parque da Cidade todo é muito importante para quem morou em Brasília na década de 80”, diz. “A gente morava na Asa Sul, primeiro  na 412 e depois na 415, e íamos pra lá quase todo fim de semana”, completa. Mesmo não morando mais em Brasília, ela fez questão que as filhas, gêmeas hoje com 20 anos, conhecessem o lugar onde a mãe passou os melhores dias da infância. Elas moravam em Goiânia na época, as meninas tinham 3 anos e meio e vieram passar o dia no parque. Elas curtiram, mas acho que foi mais importante para mim”, conclui. Mudança de nome   O “espremedor de laranjas” era diversão garantida na época. Hoje não existe mais. Foto: Histórias de Brasília João Amador lembra que, até meados dos anos 80, o parque de areia do Parque da Cidade era o grande parque infantil do Distrito Federal. “Tinha a Nicolândia, mas era pago e tinha outra pegada. Acredito que 100% das crianças de Brasília nas décadas de 70 e 80 tenham frequentado o parque”, afirma. Segundo o publicitário, de 1971 para cá, o Ana Lídia não recebeu nenhum novo brinquedo significativo. Pelo contrário. Muitos foram retirados até para a segurança dos usuários. Como o escorregador que tinha no meio do foguete e um roda-roda que parecia um espremedor de laranja onde as crianças ficavam em pé. “Eram brinquedos bem assassinos”, diz. Quando foi inaugurado, o parquinho de areia foi batizado de parque Yolanda Costa e Silva, nome da esposa do presidente Costa e Silva, falecido dois anos antes. Mas anos depois foi renomeado para homenagear uma de suas frequentadoras: a menina Ana Lídia, que fora assassinada em 1973, um dos crimes mais misteriosos da cidade, até hoje não solucionado. Ana Lídia Braga tinha 7 anos e foi sequestrada depois de ser deixada na porta do colégio Madre Carmen Salles. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte em um matagal perto da Universidade de Brasília (UnB). A menina estava nua e o cadáver tinha sinais de violência sexual. O túmulo dela, no Cemitério Campo da Esperança, até hoje recebe visitas de pessoas que levam flores e brinquedos. Antes do Parque da Cidade O parque infantil é anterior ao Parque da Cidade, criado sete anos depois e que também já teve outro nome. Brasília tinha acabado de fazer 18 anos quando ganhou de presente uma imensa área verde no meio das asas do Plano Piloto. Ele ocupa uma área de 420 hectares (o equivalente a 4 milhões e 200 mil metros quadrados) e é maior que o famoso Central Park, em Nova York, que tem 320 hectares. Originalmente, o espaço recebeu o nome de Rogério Pithon Farias, que era filho do então governador, Elmo Serejo, e que morreu em um acidente de carro. Foi renomeado para Parque Dona Sarah Kubitschek em 1997, mas, em 1986, já tinha ganhado fama nacional por meio da música Eduardo e Mônica do grupo brasiliense Legião Urbana. O local foi palco do primeiro encontro do futuro casal. A Mônica foi de moto e o Eduardo de camelo (bicicleta). Além das imensas áreas verdes entre as superquadras, o plano piloto do urbanista Lucio Costa previa um jardim botânico, na Asa Sul, e um jardim zoológico, na Asa Norte. Mas, após uma série de modificações do projeto original, foi decidido que as duas áreas se somariam em um único parque, o Parque Zoobotânico de Brasília, na Asa Sul, cujo projeto seria desenvolvido por Roberto Burle Marx, em 1961. Entretanto, foi somente na década de 1970, com o aumento da cidade, a necessidade de ocupação de seus limites para se proteger de invasões, somado à necessidade de criação de uma grande área pública de recreação, que o governador do Distrito Federal, Elmo Serejo Farias, determinou a implantação de um parque recreativo, sendo necessária a criação de um novo projeto. Lucio Costa ficou responsável pelo planejamento urbanístico, os arquitetos Oscar Niemeyer e Glauco Campello incumbidos por alguns prédios a serem construídos e Burle Marx se dedicou ao projeto paisagístico. Os 16 banheiros do parque são revestidos por azulejos do artista plástico Athos Bulcão. Atualmente, o Parque da Cidade tem atrativos para todas as idades. São quadras de futebol de campo, de futebol de areia, beach tênis, quadras poliesportivas, de vôlei de concreto, vôlei de praia, futevôlei, frescobol, de vôlei de saibro e tênis de concreto, além de 49 churrasqueiras, seis parques infantis, cinco pontos de encontros comunitários (PEC), uma ciclovia e pista de cooper com circuitos de 4 km, 6 km, e 10 km, e diversos quiosques para alimentação. Em média, entre 40 mil e 50 mil pessoas passam por lá aos fins de semana.

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Rodrigo Nardotto, o pintor cuja musa é a capital

[Numeralha titulo_grande=”6″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Rodrigo pensa em Brasília o tempo todo quando pratica a arte da pintura. “É uma abdução, você é abduzido por Brasília”, confessa. Foto: Arquivo pessoal “Tinha um amigo meu, muito chato, que sempre me criticava. ‘Você só pinta Brasília’, ele dizia. Mas tem uma frase do escritor russo Liev Tolstói que sedimentou meu amor pela capital. ‘Quem pinta sua aldeia torna-se universal’. Depois de ouvir isso, perdi o receio de pintar Brasília. É a minha cidade e eu a amo. Estou começando a rodar o mundo com minha arte, mas quando eu volto é sempre aquele impacto: poxa, Brasília é incrível. É impossível não pintar Brasília. Todos os pintores da cidade têm quadros maravilhosos sobre ela. O cara que não pinta Brasília não é artista de Brasília. Se você morasse em Londres ia  pintar o Big Ben, o rio Tâmisa. E Brasília é tão distoante, com todo esse modernismo, que  não tem como. É uma influência, me falta um termo melhor,  quase parasitária, que se infiltra em você, te domina, é quase uma abdução. Você é abduzido por Brasília, não tem jeito. [Olho texto=”Perdi o receio de pintar Brasília. É a minha cidade e eu a amo. Estou começando a rodar o mundo com minha arte, mas quando eu volto é sempre aquele impacto: poxa, Brasília é incrível.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Quando eu comecei a pintar, há uns  10 anos, fiz muitos estudos em ikebana, que é uma arte floral, e que me deu vários conceitos que eu precisava, como equilíbrio, forma, contraste, cor. Quando aprendi esses conceitos, comecei a pintar o óbvio de Brasília, os monumentos, os ipês, o céu. Tanto que fiz uma série chamada ‘Óbvia Brasília’, a minha primeira, entre 2011 e 2012. Depois dela eu fiz a série ‘Placas’. Eu vi, pela cidade, placas batidas, pichadas, fazendo parte da paisagem. Achei muita poesia no fato de nós interferirmos na paisagem (fazendo as placas) e depois interferir na interferência, seja com acidente de trânsito, com a pichação. Aí eu pintei as placas de Brasília com Brasília de fundo, ficou bem legal. Tanto que o embaixador da Bélgica na época, o Josef Smets, comprou uma tela e disse que nunca tinha visto, em lugar nenhum do mundo, uma placa avisando que as pessoas não buzinam, como tem aqui. Depois dessa eu pintei uma série sobre como teria sido se o Van Gogh tivesse pintado Brasília. Eu comecei pintando Brasília, pintei 24 telas aqui, fiz ‘A Noite Estrelada’ no Palácio da Alvorada. Mas achei pouco e nós (o Van Gogh e eu) viajamos para o Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Agreste e Sertão. Pintei mais de 90 telas com esse tema. Eu não tenho tempo nem muita paciência pra fazer o plein air, aquela pintura ao ar livre. Como bom brasiliense, ando muito de carro. Quando eu vejo um cenário que acho que vai dar um bom quadro, eu paro, fotografo com a câmera do celular mesmo e depois pinto. Como a minha escola de arte é o expressionismo, eu pinto mais o que eu sinto do que vejo. Tenho a referência guardada e, quando vou para o ateliê, olho aquela foto, lembro do sentimento que tive quando vi aquela paisagem e faço a pintura. O que mais me impressiona em Brasília é a cor. E a luz, também, que é fantástica. Você mistura os sentimentos que você tem com as linhas de Brasília. Aí, tem os ipês que são maravilhosos, o céu que é uma abstração diferente todos os dias, mesmo na época da seca que a gente fica monotemático com o céu. Ainda assim você consegue capturar nuances diferentes. Eu tenho uma série que se chama ‘Céus’, que traz estudos sobre a dinâmica do céu de Brasília, ao mesmo tempo não desprezando os ipês, a escala monumental, mas sempre associados ao céu. Em primeiro plano, em 95% da imagem é o céu. Brasília é céu, natureza e modernismo. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Quando eu era criança eu passava horas vendo o céu. Eu adorava, sabia todas as nuances dos  tons do pôr-do-sol, dos dias de chuva. Quando chovia ficava cinza de um lado e sol no outro, um contraste maravilhoso, quando chovia muito longe, o céu ficava azul escuro, mas o pôr-do-sol, nas minhas costas, lançava uma luz amarela nesse azul. Um dia consegui pintar esse cenário que via na infância. Desde criança sempre tive a cabeça nas nuvens. Sou nascido e criado em Brasília, meus pais vieram pra cá em 1968 para fazer a vida. Eles se formaram em um dia, casaram-se no outro e no seguinte já estavam em Brasília.  Minha mãe é assistente social e meu pai, engenheiro. Ele chegou de manhã e de tarde tinha dois empregos. Eu nasci em 1973, sou o filho do meio de três irmãos. Fui criado na Asa Norte, numa época em que você andava de dia ou à noite sem nenhum problema. Hoje até anda, mas não pode dar mole. Eu  morava em apartamento, mas meu quintal era a quadra. Era uma delícia. Fiz UnB e Ceub e sou servidor público nas minhas 40 horas vagas semanais, quando não estou pensando em arte.” Rodrigo Nardotto, 47 anos, artista plástico, morador do Lago Norte Depoimento concedido à jornalista Gizella Rodrigues

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Ariane Melo e a imensidão do céu candango

[Numeralha titulo_grande=”7″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Ariane sente uma imensidão de amor pelas quadras arborizadas e pessoas passeando por entre os prédios. E uma Imensidão de sonhos ao ver Brasília se transformar em algo que vai além do Plano Piloto. Foto: Arquivo pessoal Brasília é aquele choque de beleza à primeira vista, que vai perdurando por todos os outros dias em que aqui você vive. Cheguei na cidade aos 3 anos. Foram fotos e mais fotos tiradas com as flores exuberantes que habitavam o Balão do Aeroporto no fim dos anos 1990 e que enchem os álbuns das famílias. [Olho texto=”Brasília é amor à primeira vista e amor de toda a vida. É realizar, é crescer, é se sentir grande e importante em meio a ‘poderosos’. É ter orgulho em bater no peito e dizer que é aqui onde o coração bate mais forte.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Por sempre morar em cidades satélites, me enchia os olhos quando eu chegava no coração de Brasília, na minha opinião, que é o Eixo Monumental quando os olhos travam no encontro do céu com a Catedral. Ah, esse céu. Que imensidão tremenda! Durante todos esses anos ainda consigo me surpreender. E que bom é me surpreender com cada cor que tenho a sorte de enxergar nessa imensidão. Imensidão é o sentimento que tenho por Brasília. Uma imensidão de alegria em poder acompanhar o crescimento não só da cidade, mas como a construção da cultura que o quadradinho respira em cada canto dele. Imensidão de amor pelas quadras arborizadas e pessoas passeando por entre os prédios. Imensidão de sonhos em ver Brasília se transformar em algo que vai além do Plano Piloto. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Brasília é amor à primeira vista e amor de toda a vida. É realizar, é crescer, é se sentir grande e importante em meio a ‘poderosos’. É ter orgulho em bater no peito e dizer que é aqui onde o coração bate mais forte. Brasília é tudo o que quero para minha vida! Ariane Melo, 25 anos, publicitária, mora em Arniqueira – Depoimento concedido ao jornalista Freddy Charlson  

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Poeira, lona e concreto: mostra homenageia pioneiros de Brasília

Não é por acaso que o Museu Vivo da Memória Candanga (MVMC) recebe este nome. O lugar que reúne as histórias dos primeiros habitantes de um espaço que se tornaria a nova capital do país continua nutrindo-se de “memórias vivas”. O equipamento cultural regido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) celebra seus 30 anos de vida revivendo trajetória dos sonhadores que ergueram Brasília, o povo candango. Com acervo composto pelas edificações históricas, peças, objetos e fotos da época da construção de Brasília, distribuído pela exposição permanente “Poeira, Lona e Concreto”, o Museu Vivo narra a história da cidade, desde os sonhos, os projetos, a construção, até sua inauguração, em 1960. Considerado um momento histórico para o país, o projeto da nova capital influenciou uma era de mudanças e de grandes expectativas para os brasileiros. Em 1956 começaram a chegar ao “Planalto Central” trabalhadores de diversos estados, movidos pela oportunidade de trabalho e pelo desejo de participar do processo de construção da tão idealizada Brasília. Chamados de ‘candangos’, os operários foram se instalando em acampamentos improvisados que, com a evolução das obras, foram ganhando nomes. Nesse processo, surgiram a Cidade Livre (Núcleo Bandeirante) Lonalândia (Candangolândia) e a Vila do Iapi, alojamento onde foi construído o primeiro hospital da cidade, Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira (HJKO). De acordo com estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os trabalhadores vindos de outros estados somavam cerca de 30 mil pessoas em 1958. Embora a população predominante fosse de estados próximos como Goiás, Minas Gerais e Bahia, as raízes nordestinas eram consideradas as mais fortes entre os operários da época. Carregando a missão de ligar passado e futuro por meio da conservação do que foi deixado pelas gerações antecessoras, o Museu Vivo é frequentemente visitado por personagens que conseguem contar ainda mais histórias e curiosidades de uma época tão emblemática para o país. Os pioneiros contribuem para o processo de construção patrimonial e histórica do complexo cultural destinado a valorizar a cultura dos operários que deixaram seus estados motivados por uma vida com mais oportunidades. A história dos candangos e pioneiros é contada pela exposição permanente “Poeira, Lona e Concreto”, que também celebra três décadas em abril, e traz a linha do tempo da construção de Brasília, desde sua projeção até os dias atuais. Composta de diferentes ambientações, a mostra inclui fotografias, textos, móveis e objetos do início de Brasília, que vão desde documentos importantes como os da “Missão Cruls”, projetos de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, até as acomodações dos pioneiros, com detalhes da vida de inúmeras famílias, fazendo com que a representação sociocultural se materialize para cada visitante. De acordo com a gerente do Museu Vivo, Eliane Falcão, as histórias dos candangos contribuem para a temática de “Poeira, Lona e Concreto”, pois demonstram a sensação de sonho realizado ao se estabelecerem na Capital Federal. “O Museu Vivo é a casa dos pioneiros. Diariamente recebemos visitas de ex-moradores dos alojamentos, da Cidade Livre, que trazem fotos e curiosidades muito particulares do momento que Brasília nasceu. Todas as memórias são acolhidas com muito carinho, dos agentes que contribuíram para o surgimento da capital”, celebra. Pioneiros, poeira, lona e concreto Sempre dispostos a contribuir com relatos emocionantes para a história de Brasília, os pioneiros nunca deixaram de visitar o Museu. Enxergando-se em cada relíquia da exposição, estes personagens contribuem para o enriquecimento e detalhamento da trajetória de vida levada pelos candangos. Foto: acervo pessoal de Walter Morais Do município de Caxias do Maranhão desembarcou na construção da nova capital, em meados de 1958, o casal Walter e Maria Raimunda Nascimento. Com a esperança de constituir família e garantir um futuro melhor na nova cidade, os recém-casados puderam abrigar-se na “Vila Iapi”, alojamento instalado nas dependências do Hospital Juscelino Kubitscheck de Oliveira (HJKO). Pouco tempo depois, Walter, que hoje tem 82 anos, conseguiu um emprego de enfermeiro no centro de saúde, que também foi o local onde nasceram seus dois primeiros filhos, Carlos Frank e Cione Márcia. Para Maria Raimunda (78), a aventura de sair da cidade natal com o marido, em busca de melhores condições, foi a melhor escolha que puderam fazer. “Lá no Maranhão não tínhamos nada, só a vontade de construir uma história melhor. Conseguimos moradia, trabalho, tivemos nossos filhos nessa cidade e nunca mais fomos embora. Nossa família nasceu e cresceu junto com Brasília, e por isso somos gratos”, explica a residente de Ceilândia. Foto acervo pessoal de Danúbio Martins Já o jornalista aposentado Danúbio Martins de Oliveira, 73 anos, tinha apenas nove quando chegou ao Planalto Central. No dia 03 de maio de 1957, acompanhado dos pais, Benedito Martins e Amélia Araújo, o menino veio de Anápolis-GO para assistir à primeira missa celebrada na futura cidade, onde se construiria o Memorial JK. Após a missa, os pais de Danúbio resolveram mudar-se definitivamente para a nova capital. A viagem de caminhão com duração de 3 dias trouxe uma família deslumbrada com o sonho do presidente Juscelino Kubistchek, entusiasmada com uma cidade completamente nova, moderna, fraterna e cheia de novas oportunidades. Os novos moradores logo se estabeleceram na Cidade Livre, onde abriram o “Armazém Oeste”, loja de materiais de construção. “Além de trabalhar com meus pais no comércio, fui um dos primeiros escoteiros de Brasília. Assim, tive a oportunidade de acompanhar o presidente JK, de Goiânia a Brasília em 1961, quando ele foi eleito senador pelo estado de Goiás”, relata o pioneiro. Morador do Núcleo Bandeirante, o aposentado acredita que a exposição “Poeira, Lona e Concreto” revela a história de uma capital que da poeira surgiu, a partir da idealização de projetos de vida que se tornaram realidade. “Considero Brasília uma cidade maravilhosa, onde aprendi a viver, vi meus pais realizando o sonho deles e construí meu grande patrimônio, minha família. Brasília foi cenário de meus 10 casamentos, dos quais tive seis filhos e 10 netos”, celebra. Já o aposentado Alpheu Thomáz Leite, 86 anos, veio de Anápolis com um grupo de empresários para conhecer o local da futura capital do Brasil. O caminho, que passava pelos municípios goianos de Silvânia, Vianópolis e Santa Luzia (Luziânia), despertou a curiosidade dos jovens em relação ao Planalto. Na viagem, Alpheu e seu grupo percorriam de carro uma pista larga, no meio do cerrado, sem destino, até que avistaram a placa “Vera Cruz”, que era o nome sugerido pela igreja católica para a nova capital. “Tirei um retrato desta placa, para registrar que apesar de a igreja querer este nome, Brasília já tinha sido escolhida há muitos anos”, conta. O jovem retornou à futura capital em 1958, onde foi admitido pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e se fixou na Cidade Livre. O pioneiro relembra com emoção o primeiro prédio concluído em Brasília, localizado na quadra modelo, a 108 da Asa Sul. Para Alpheu, estas lembranças devem manter-se vivas não só na mente de pioneiros como ele, mas na de todos os brasilienses. Ele credita ao Museu Vivo a importância de narrar a história de quem fez da Capital Federal uma cidade da “Nova Era”. “Para mim, a história da construção de Brasília significa uma chama acesa que não se pode apagar”, conclui. * Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec)

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Mutirão de serviços garante limpeza da área central da capital   

Foto: Acácio Pinheiro / Agência Brasília Faltando uma semana para o aniversário de 60 anos de Brasília, o Governo do Distrito Federal investe na limpeza e organização na área central da capital. Desde a semana passada, órgãos do GDF fazem vários serviços, como poda de árvore, roçagem, recolhimento de lixo verde, manutenção das vias, pintura de meio-fio, varrição, entre outras ações.  Nesta terça-feira (14), as equipes iniciam o serviço na Asa Sul. Moradora da região há 10 anos, Rosemary Lacerda, 43 anos, ressalta que, apesar do momento que estamos vivendo, devido a pandemia do coronavírus, esses serviços não podem parar, pois também são essenciais para a população. “Brasília é uma cidade muito bonita, arborizada e cheia de verde. Cuidar dela é sempre muito bom. As pessoas se sentem mais acolhidas em um lugar cuidado, com ruas limpas, com lixeiras espalhadas pelos locais. É um trabalho que tem que ser feito de forma contínua”, comenta a servidora pública.  Além de conforto para a população, Rosemary lembra que as ações também trarão mais segurança aos moradores. “A limpeza é uma forma de combater a dengue, por exemplo, e evitar acidentes com árvores. O que temos que entender é que o trabalho é em conjunto. O governo faz a parte dele e a gente tem que fazer a nossa também”, afirma.    Outras regiões  Depois dos serviços na Asa Sul, que devem durar três dias, o mutirão segue para a Asa Norte e Lago Norte. A previsão é de que os trabalhos sejam finalizados antes do aniversário de Brasília. São 220 funcionários e 80 caminhões da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), duas máquinas de pintura do Serviço de Limpeza (SLU) e o apoio da Administração Regional do Plano Piloto. Segundo o SLU, 95 garis foram convocados para reforçar o trabalho de 193 de varrição e 60 de catação que já atuam rotineiramente no Plano Piloto, além dos equipamentos como quatro caçambas mecanizadas, duas manuais e uma pá, que também atendem as demandas da região diariamente. Segundo o secretário de Governo, José Humberto Pires, o mutirão de serviços tem o objetivo de limpar e arrumar as regiões para o aniversário de 60 anos de Brasília. “Mesmo que não tenha comemoração, é uma data muito importante para a cidade. Independente desses trabalhos, continuamos realizando esse tipo de ação nas outras regiões administrativas”, lembra.  Ainda de acordo com o secretário, com o apoio do Polo Central do GDF Presente, as ações também englobam tapa buraco, limpeza nas paradas de ônibus e nas bocas de lobo, a recuperação de calçadas e meio-fios, assim como o combate ao Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.  “Se as equipes encontram um local abandonado, cheio de entulhos e com focos do mosquito da dengue, imediatamente fazemos a faxina do lugar. Além disso, estamos aproveitando esse momento de isolamento social para realizar obras em pontos críticos, que a gente não conseguia fazer quando o movimento era maior”, informa. Foto: divulgação Novacap O Lago Sul foi a primeira região a receber os trabalhos, que começaram quinta (9) e foram concluídos na tarde de sábado (11). Os serviços foram feitos desde o balão do aeroporto até a QL 22. Todas as paradas de ônibus da Estrada Parque Dom Bosco (EPDB), neste trecho, foram lavadas e as árvores do canteiro central foram podadas, além dos buracos que foram tampados.   

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Hugo Rodas e seu poema para Brasília

[Numeralha titulo_grande=”8″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Com uma brilhante carreira à frente de incontáveis espetáculos teatrais, Hugo Rodas declara todo o seu amor pela terra que o acolheu. Foto: Arquivo pessoal   [Olho texto=”E danço por teus eixos a liberdade que o espaço me provoca. E bato meu tambor no meio de toda a peste que em teus sessenta te rodeia.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”centro”]   “Te conheci menina exuberante nos teus quinze anos, Quando na tua pele vermelha se desenhava uma esperança. Cresci com ela na crença fiel de um mundo novo. Tive as mãos atadas, logo soltas, hoje atadas novamente. Mas no teu horizonte aberto, a minha cabeça sem tampa Grita por justiça na certeza que não foste compreendida, Que não foste respeitada no teu sonho mais sagrado. E danço por teus eixos a liberdade que o espaço me provoca. E bato meu tambor no meio de toda a peste Que em teus sessenta te rodeia. E canto a céu aberto por mim, por ti. Um canto que está na boca De um povo que te ama E que grita nas tuas varandas Que a terra não é plana E teu sonho é redondo. Te amo, mãe querida E em teu colo Descansa meu sorriso.” [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”]   Hugo Rodas, 80 anos, diretor de teatro, coreógrafo e ator, mora na Colina, Asa Norte

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Mercedes Urquiza e seus 63 anos vividos no Cerrado

[Numeralha titulo_grande=”9″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Mercedes conta que várias recompensas obtidas durante seu tempo na cidade amenizaram o início sofrido de sua trajetória na capital. Época vivida em um barraco de madeira e sem água, luz e telefone. Foto: Arquivo pessoal   A narrativa que transcrevo a seguir foi extraída do livro de minha autoria A Trilha do Jaguar: na Alvorada de Brasília, publicado pela Editora Senac-DF, e representa minha declaração de amor pela cidade que abracei para sempre.   “Em novembro de 1957, recém-casada, enfrentei um desafio que começou com uma lendária viagem de jipe, desde Buenos Aires até o local onde tinha início a construção de Brasília. Chegando aqui, após 48 dias de viagem, encontramos cinco mil candangos à espera de novos companheiros de luta. [Olho texto=”Viver aqui é um privilégio, adoro os espaços abertos de nossa cidade, a possibilidade de ver o céu desde qualquer ângulo, sem falar no belíssimo pôr do sol à beira do Lago Paranoá.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Eles vinham movidos pela vontade de trabalhar e progredir na vida. Nós, também. Mas, acima de tudo, pelo orgulho de construir a nova capital do Brasil sob a liderança de Juscelino Kubitschek, carinhosamente apelidado de “presidente bossa nova”. Todos se davam as mãos para enfrentar essa luta com garra, fé e otimismo. Era muito. Embora nosso início tenha se dado num barraco de madeira sem água, luz, nem telefone, devo dizer que as agruras dos primeiros dias foram amenizadas por recompensas que não têm preço… assisti às primeiras chuvas que caíram sobre a terra vermelha que abrigaria a futura capital; andei de jipe dentro do que iria ser o atual Lago Paranoá; conheci o real significado da palavra solidariedade ao abraçar o sonho coletivo junto com aqueles que depositaram sua coragem e esperança em cada tijolo da nova capital; participei de serestas à luz de velas no ermo do Cerrado, quando todos cantavam embalados pelo mesmo sentimento; pisei nas primeiras ruas abertas na futura capital;  vi desabrochar os primeiros ipês amarelos na avenida W3, recém rasgada pela fúria dos tratores, mensageiros do progresso; e convivi com personagens inesquecíveis que mudaram para sempre minha maneira de ver o mundo.  Mas, acima de tudo, presenteei a cidade com minhas duas lindas candanguinhas, Mercedes e Gabriela que, junto com Brasília, justificam toda a luta enfrentada. Um dos pontos altos vividos aqui, por exemplo, foi o da inauguração de Brasília em 21 de abril de 1960, que me fez tremer de emoção da cabeça aos pés. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Viver aqui é um privilégio, adoro os espaços abertos de nossa cidade, a possibilidade de ver o céu desde qualquer ângulo, sem falar no belíssimo pôr do sol à beira do Lago Paranoá.  O futuro de Brasília será continuar como referência em qualidade de vida, mundo afora. Tenho muito orgulho disso. Cada vez mais, Brasília representa a terra prometida mencionada nas profecias.” Mercedes Urquiza, argentina, 

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Chiquinho, o bom e velho livreiro da UnB

[Numeralha titulo_grande=”10″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Chiquinho vende livros na UnB há quase cinco décadas. “Eu conheci o pai, que deve estar com 70 anos, o filho, que tá com 40 e o neto de 20. Muita gente lembra de mim de quando estudou  na UnB”, diz. Foto: Arquivo pessoal “Hoje (sábado, 11/4), completo 60 anos, a idade de Brasília. Tudo começou quando meu pai faleceu no Piauí e minha mãe colocou seus oito filhos no pau de arara e veio para a capital recém-inaugurada em busca de melhores condições de vida. Atrás de trabalho, oportunidades. A viagem durou 10 dias. Era 1969 para 1970. Aqui nos instalamos em Sobradinho, onde moro até hoje e gosto muito daqui. Comecei a vender jornal, um jornal que não existe mais, chamava Diário de Brasília. Então, promoveram um concurso para eleger o maior vendedor do jornal e eu consegui vender 500 exemplares no mês.  Ganhei até uma bicicleta Caloi. Nesse tempo, conheci a dona Chica, que já morreu. Foi ela que me levou para a UnB, em 1975 (ela tinha uma banca de jornal na universidade), o que mudou o meu destino. Eu era um jovem de 15 anos. Antes, eu vendia jornal para um público mais popular e lá, na Universidade de Brasília, o público era diferenciado. Eles não queriam ler só os jornais locais. Me pediam o Jornal do Brasil, a Folha de São Paulo, o Estadão, de circulação nacional. Pra mim esse início foi muito importante. [Olho texto=”Acho que o grande diferencial na minha história é, além do amor pelos livros, essas amizades e a lealdade delas. Meu grande tesouro são os leitores e os amigos que fiz. Faz diferença ter essas amizades, ainda mais em tempos de internet.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Fiquei com a dona Chica até 1979. Aí, arrumei emprego em uma livraria, já extinta, chamada Galilei, e, depois, trabalhei em outra livraria chamada Literatura. Isso fora da UnB. Nisso conheci um livreiro que tinha vindo do Rio de Janeiro e que me ensinou muita coisa, o Nelson Abrantes. Ele me dava tanta informação sobre literatura brasileira e estrangeira que eu até sonhava com os livros à noite. Ele me falava de Lima Barreto, de Graciliamo Ramos. Foi a partir desse momento, nos anos 1980, que comecei a ter proximidade com esses autores. Aí, eu li O Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, um livro importantíssimo para a minha formação.    Então, voltei para a UnB, fiquei desempregado e comecei a vender livro de mão em mão. O professor pedia uma bibliografia, eu corria atrás e conseguia o livro. Comecei a frequentar a universidade, ia no Departamento de História, e no de Economia, via os livros que os professores pediam para os alunos lerem, fui pegando amizade e ganhando a confiança dos professores. Trabalhei assim, informalmente, até os anos 1990, quando consegui o espaço onde eu tenho a livraria até hoje. Foi uma luta muito grande. Mas as amizades que fiz foram muito importantes. Até hoje mantenho contato com quem conheci naquela época. Eu sou privilegiado de ter conhecido três gerações de estudantes da UnB. Estou vendendo livros lá há quase cinco décadas. Eu conheci o pai, que hoje deve estar com 70 anos, o filho, que tá com 40 e o neto de 20. Muita gente ainda lembra de mim de quando estudou  na UnB. Por  exemplo, quando os netos prestam vestibular, o avô leva para fazer matrícula, lembra de mim, me apresenta e eles viram novos leitores. Acho que o grande diferencial na minha história é, além do amor pelos livros, essas amizades e a lealdade delas. Meu grande tesouro são os leitores e os amigos que fiz. Faz diferença ter essas amizades, ainda mais em tempos de internet. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Houve um distanciamento muito grande entre as pessoas e a gente sofre muito com essa questão. A juventude hoje gosta mais da internet do que do livro. Eu fico muito preocupado com as gerações futuras. É preciso voltar ao livro físico, à leitura diária. O livro causa um encantamento que não dá para explicar. O sonho de Dom Bosco foi concretizado por JK. E acho que foi muito difícil transferir a capital do Rio de Janeiro e construir uma cidade no meio do nada. JK, Lucio Costa, Oscar Niemeyer, o calculista Joaquim Cardoso – e mais tarde, em 1962, com a fundação da UnB, o Darcy Ribeiro e o Anísio Teixeira -, entraram para a história e mudaram o Brasil ao construir Brasília, juntamente com Israel Pinheiro e Bernardo Sayão. Brasília vai fazer 60 anos e eu espero que ela chegue aos 600 dando a mesma alegria para seus moradores. Os grandes centros hoje no Brasil estão problemáticos e Brasília ainda é segura, confortável e muito boa de morar. Vida longa para a nossa capital.” Francisco Joaquim de Carvalho, o Chiquinho da livraria da UnB, 60 anos, morador de Sobradinho Depoimento concedido à jornalista Gizella Rodrigues

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Adauto Lúcio encontrou a Terra Prometida

[Numeralha titulo_grande=”11″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Aos 27 anos, Adauto decidiu mudar para Brasília. Com muita fé, comecei a trabalhar muito. Se aqui era a terra das oportunidades, sim, eu iria aproveitar todas”, conta. Foto: Arquivo pessoal “Como todo rapaz, eu tinha sonhos e, de minha cidade natal, Unaí-MG, vislumbrava um horizonte de oportunidades em Brasília. Aprendi, na escola, que a capital do país foi construída de forma rápida e desafiadora. Sonhava em conhecer a Esplanada dos  Ministérios e todas as obras de Oscar Niemeyer. É, até hoje, meu local preferido pela sua grandiosidade monumental. A partir dos 20 anos minha vontade de vir a Brasília aumentava. Com 27 anos, tomei a decisão que transformaria minha vida. Com muita fé, me mudei para Brasília e comecei a trabalhar de forma incessante. Se aqui era a terra das oportunidades, sim, eu iria aproveitar todas. Montei uma loja de doces, pequena, modesta. Vi que tinha veia de empreendedor. [Olho texto=”Meus melhores momentos dos 24 anos que vivo aqui foram os degraus que percebi que estava subindo ano a ano. A Capital da Esperança se mostrou um celeiro para que meus sonhos de menino do interior fossem realizados.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Nos  24 anos aqui vividos, a novela da vida real aconteceu para mim e minha família. Com meu jeito interiorano, cativei e abri espaços. Consegui construir uma forma de trabalho em que outras pessoas também seriam beneficiadas, com a geração de emprego a centenas de pessoas, por meio de empresas atacadistas, juntamente com meus sócios que se empenharam na concretização dos nossos negócios. Quando passeio de lancha no Lago Paranoá, com minha família, sempre penso como JK foi visionário e desbravador. Nos concedeu a oportunidade de sermos independente financeiramente, com muita luta. Amo Brasília por todas as oportunidades que ela nos oferece, considero Brasília um eldorado, onde quem trabalha com honestidade, vontade e inteligência tem grande chance de sucesso. O que mais gosto de Brasília é a estrutura que ela oferece nas questões de saúde, educação e segurança, que embora não seja a ideal, é a melhor do país. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Meus melhores momentos dos 24 anos que vivo aqui foram os degraus que percebi que estava subindo ano a ano. A Capital da Esperança se mostrou um celeiro para que meus sonhos de menino do interior fossem realizados. Mais que 60 anos, Brasília mostra sua juventude na grandiosidade de suas obras imortais. Do centro do país para o mundo. Ainda temos muito o que aprender, mas  com Garra faremos sempre o Melhor, fazendo um trocadilho com os nomes de nossas empresas.” Adauto Lúcio de Mesquita, 51 anos, empresário, mora em Águas Claras Depoimento concedido ao jornalista Freddy Charlson

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Fabiana Ferraz e sua amizade sincera com a capital

[Numeralha titulo_grande=”12″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Fabiana passou boa parte da infância e adolescência entre o Cruzeiro e a Asa Sul. Dentre os lugares que frequentava e até hoje adora estão o INL, a loja Vitamina Central e o Parque da Cidade. Foto: Arquivo pessoal Nasci em Brasília na década de 1970 e cá estou, desde então. É muito difícil definir minha cidade sem fazer alusão às suas ruas largas e arborizadas. Claro que isso, nos dias de hoje, se resume a uma pequena parte da cidade, mas porque não sonhar que esta arborização se estenda também nos dias de hoje? Lembro-me que todas as casas ou prédios tinham árvores na frente dando aquele ar de aconchego que só a natureza nos concede. Sempre adorei andar pelas avenidas de Brasília só para observar nossos frondosos ipês, flamboyants e mangueiras que brotam por toda parte. Isso sem falar de outras árvores frutíferas que estão espalhadas pela cidade, como as jaqueiras que dividem o Cruzeiro do Sudoeste e as amoreiras espalhadas pelo Parque da Cidade. [Olho texto=”Até hoje Brasília também é lembrada pelas excelentes bandas de rock e, como boa brasiliense que sou, também adoro esse estilo musical. Até hoje, por exemplo, cultivo o hábito de escutar Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Passei boa parte da minha infância e adolescência entre Cruzeiro, onde toda minha família residia, e Asa Sul onde estudava. Dentre os lugares que frequentava e até hoje adoro estão o INL, biblioteca que atualmente está em reforma na SQS 505; a loja Vitamina Central, sempre servindo sucos deliciosos e naturais; e o Parque da Cidade. E porque não lembrar também dos passeios após as aulas no ParkShopping? Até hoje Brasília também é lembrada pelas excelentes bandas de rock e, como boa brasiliense que sou, também adoro esse estilo musical. Até hoje, por exemplo, cultivo o hábito de escutar Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude. As músicas iam além de uma melodia ritmada, passavam mensagens bacanas e muitas descreviam nossa cidade, nos sentíamos representados. Tantas letras contestadoras e que ainda fazem sentido. De tempos em tempos ouço dizer que Brasília é uma cidade fria, que as pessoas não se cumprimentam e que muitos que vêm de fora não se adequam a essa aparente frigidez e ao fato de não termos esquinas. No entanto, falo com sinceridade: nós somos um povo diferente. Primeiro, porque não queremos estar sempre atrelados à política. Estamos, sim, a alguns minutos do Congresso Nacional, da Esplanada dos Ministérios, dos Tribunais Superiores e, claro, da Presidência da República, mas temos nossa identidade. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Somos um povo que respeita muito a privacidade alheia e, se pecamos por tal característica, fiquem tranquilos, após a amizade formada pode-se contar com ela para toda a vida.  É comum a nós brasilienses encontrarmos um amigo após dez anos e começarmos a conversar como na semana passada tivéssemos almoçados juntos. Assim somos nós. Por opção pessoal decidi nunca me mudar de Brasília. Cresci, me formei, construí minha rede de amigos, minha amada família e desejo que meus filhos possam desfrutar dessa cidade também fazendo o mesmo. Como tudo na vida é cíclico, espero que voltem a dar atenção à arborização da cidade para que seu clima volte a ser como antes; que a segurança de voltar para casa de madrugada após uma festa seja frequente; que os amigos que meus filhos façam sejam eternos, assim como os meus; e que a vida econômica da cidade seja ascendente. Fabiana Kelly Ferraz, 46 anos, servidora pública, mora em Águas Claras Depoimento concedido ao jornalista Freddy Charlson

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Cibele Amaral: a capital é uma tela de cinema

[Numeralha titulo_grande=”13″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Cibele mora em Brasília há 13 anos. Dois anos depois. em 2009, nasceu seu filho Erik, um garoto cheio de energia, conta. Foto: Arquivo pessoal “Meu nome é Cibele Amaral. Nasci em Brasília. Meus pais vieram para a cidade em busca de oportunidades. Minha mãe não conseguia ter filhos, mas em Brasília ela conseguiu realizar esse sonho e teve o meu irmão, Herbert, e depois eu. Morei em Brasília até os 19 anos e depois parti em busca de aventuras! Morei na Itália, morei no Rio de Janeiro, voltei pra cá, voltei pra Itália, passei uns 10 anos pra lá e pra cá. Depois, conheci o Patrick, meu marido. Ele é metade brasileiro e metade holandês, também morou fora muito tempo, mas nos conhecemos aqui em Brasília. Em 2009 nasceu nosso lindo filho Erik. Um garoto alegre, cheio de energia! Já tem 13 anos que estou morando em Brasília. Moramos numa chácara no Córrego do Urubu. Tem cachoeiras, trilhas ecológicas, fauna e flora ricas. [Olho texto=”O que mais gosto de Brasília é o espaço amplo, o céu azul sempre à vista, o verde na época da chuva, as lembranças que tenho da minha mãe.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Aqui na cidade eu comecei, muito cedo, a fazer teatro. Tinha 12 anos e já me apresentava nos palcos brasilienses. Com 15 anos fiz o primeiro espetáculo profissional. Na Itália, comecei a fazer cinema como atriz e quando voltei pra cá continuei atuando nas produções brasilienses. Tempos heroicos de muita coragem e determinação, pois se filmava em película e era tudo caro e difícil. Em 1998, comecei a aventura atrás das telas, fiz cursos e comecei a escrever e depois dirigir para cinema. Os meus amigos aqui são basicamente meus colegas de profissão. Faço parte de associações de audiovisual, participo dos eventos. Não acho que Brasília ajude muito minha carreira, pelo contrário. Brasília tem uma característica xenófila que precisa mudar. Os brasilienses amam o que vem do eixo Rio/São Paulo. Até mesmo os artistas consagrados daqui precisaram primeiro ser validados pelo eixo. Ficar em Brasília é uma decisão complexa. Na última década, os artistas locais se uniram para mudar esse cenário e conseguimos conquistar recursos para nossas produções. Isso sim, ajuda! [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Também me formei em Psicologia aqui em Brasília e é uma segunda carreira que tento conciliar com a de cineasta. Surgiram novos amigos entre os colegas e professores. Não nos encontramos muito, mas nos vemos nas redes sociais. Meus irmãos Herbert e Rubens moram aqui e minhas lindas sobrinhas Ana Clara e Isabela, também. Amo nossos encontros! O que mais gosto de Brasília é o espaço amplo, o céu azul sempre à vista, o verde na época da chuva, as lembranças que tenho da minha mãe. Me considero do Plano, mas na infância morei em Sobradinho e no Guará. Não tenho muitas lembranças, porém. Minhas lembranças maiores são da 416 Sul, da 102 Sul, do Park Way e, agora, do Córrego do Urubu, que fica no Lago Norte. Cibele Amaral, 48 anos, cineasta e psicóloga, mora no Córrego do Urubu (Lago Norte)

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Oficinas de saber fazer mantêm viva a arte trazida pelos candangos

Abril é o mês de Brasília. A capital que celebra 60 anos no próximo dia 21 preserva sua característica ímpar de reunir povos de todos os cantos do país e do mundo. Presentes na narrativa das homenagens aos que fizeram a cidade nascer e crescer, os candangos são lembrados e homenageados em um local especial, o Museu Vivo da Memória Candanga (MVMC). Regido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), o Museu Vivo, localizado entre as regiões administrativas de Candangolândia e Núcleo Bandeirante, comemora seus 30 anos no próximo dia 26, um domingo. O espaço abriga a exposição permanente “Poeira, Lona e Concreto”, que conta a história dos primeiros artistas de Brasília, assim como as primeiras fotos da construção da capital e o conjunto arquitetônico, que leva o visitante a passear pelas ruas que foram habitadas pelos construtores anônimos à época. [Olho texto=”“O Museu Vivo é um ambiente responsável por transformar vidas, além de contar uma história cheia de garra e otimismo escrita pelos candangos”” assinatura=”Guaraciaba Monteiro, tecelã e instrutora do Museu Vivo” esquerda_direita_centro=”direita”] Propositalmente tomado pela atmosfera interiorana, cenário habitual dos povos saídos de vários estados brasileiros para erguer a nova capital federal, o Museu Vivo ocupa as dependências do primeiro centro de saúde do Distrito Federal, o extinto Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira (HJKO). Construído em apenas 60 dias, o centro de saúde composto por edificações de madeira seguiu a mesma linha arquitetônica da primeira morada de JK na época da construção de Brasília, o Catetinho. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Inaugurado em 1990, o MVMC nasceu dentro dessas casas que abrigavam o antigo hospital para um projeto totalmente novo. Diante de uma demanda antiga da população do Distrito Federal em relação à memória da construção da cidade, o espaço foi ressignificado com o intuito de valorizar e preservar as tradições dos operários que ergueram o coração do Brasil. A alameda – composta de casa simples e coloridas, cercada por árvores frutíferas – faz parte do cenário que torna o museu “vivo”. Os cenários das exposições permanentes, retratados a partir de roupas, objetos, ferramentas e fotos, carregam as memórias dos trabalhadores otimistas que vieram de longe, cheios de esperança, em busca de uma vida nova. A gerente do Museu Vivo da Memória Candanga, Eliane Falcão, destaca a particularidade do centro cultural, onde os visitantes podem observar a convivência pacífica entre o passado e o presente. “O conceito do museu une o passado com os dias atuais, em momentos que filhos apontam as histórias e emoções vividas por seus pais e avós, despertando assim o interesse em aprender costumes da época em que surgiu Brasília”, ressalta. Além das exposições permanentes e itinerantes, o equipamento cultural oferece à comunidade as “Oficinas do Saber Fazer”, cursos de artesanato que resgatam os saberes populares e incentivam a interação com as novas tecnologias e possibilidades criativas. Responsáveis pela geração de emprego e renda de boa parte da população do DF, as aulas de tecelagem, artesanato produzido com barro e argila, costura, gravura, pintura, cerâmica e fotografia oferecidas pelo MVMC já capacitaram cerca de 10 mil profissionais. Referência Um dos cursos mais procurados é o de tecelagem, que se tornou um referencial de cultura e de troca de saberes para os profissionais locais. As peças produzidas, que vão desde colchas, redes e panos diversos, representam um misto da tecelagem nordestina – rica no colorido dos listrados – e das tecelagens mineira e goiana, que tem nos “repassos” sua maior expressão. A antropóloga e tecelã Ana Pina teve sua vida profissional marcada pelo Museu Vivo, onde iniciou seu processo de aprendizagem e chegou a ser coordenadora da oficina de tecelagem. “Foi o Museu Vivo que me apresentou o mundo da tecelagem manual, um universo totalmente desconhecido pra mim”, revela. Segundo a antropóloga, a criação dos cursos coincidiu com um período de efervescência cultural no Distrito Federal, em que os cursos eram bastante movimentados. Ela fala sobre a importância cultural e pedagógica da capacitação realizada no Museu. “Dei aula para homens, mulheres, pessoas que aprenderam a tecer ainda na infância.” Já a tecelã e instrutora do Museu Vivo, Guaraciaba Monteiro, conta que sua experiência durante uma despretensiosa visita em 1994 rendeu não só o passeio, mas construiu sua carreira profissional. Na oficina de tecelagem e barro, ela conheceu um modo descontraído de produzir. Hoje, Guaraciaba faz peças que vão desde vestuário até itens de decoração, como tapetes e redes. A moradora de Ceilândia destaca que o Museu Vivo possui ainda o papel de salvar vidas. “Ministrei cursos para muitos jovens com problemas psiquiátricos, que se encontraram e se reinventaram por meio do ofício do artesanato. O Museu Vivo é um ambiente responsável por transformar vidas, além de contar uma história cheia de garra e otimismo escrita pelos protagonistas do espaço, os candangos”, celebra.   * Com informações da Secretaria de Cultura

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Enildo Gomes e a clássica frase: “Me vê uma dupla aí!”

[Numeralha titulo_grande=”15″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Seu Enildo diz que 80% da sua vida foi passada aqui. “Já moro em Brasília há mais tempo do que morei em Minas. Nunca mais saí de Brasília, nem vou”, garante. Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília “Naquela época todo mundo veio para Brasília em busca de serviço. Oportunidades eram muitas e eu agarrei uma. Trabalho não faltava, o cara só tinha que ter coragem de ficar aqui e enfrentar a poeira. Brasília não tinha nada. Eu já trabalhava no ramo de lanchonetes em Araxá (MG), desde os 12 anos. Meu primeiro emprego aqui foi na cantina do Congresso Nacional. Depois, tive um trailer de lanches no Setor Bancário Sul. Até que surgiu a oportunidade de comprar a loja na 107 Sul, onde montei a Pizzaria Dom Bosco, em 1960. Em Araxá, onde eu trabalhava, a pizza era só de queijo e era servida no balcão mesmo. Essa receita é fácil de fazer e de ser guardada também, não resseca como calabresa, frango. Decidi repetir a experiência e deu certo. Também não tinha nada aqui… Não tinha dinheiro na época, eu morava em um barraco de fundos em Taguatinga. Tive que procurar um lugar pra morar.  Saía de casa, às cinco da manhã para pegar o primeiro ônibus e abrir a loja às 7h. Com o tempo, as coisas foram melhorando e, em 1985, me mudei para a Asa Sul. Ficava mais perto, era mais fácil. Vi Brasília nascer. Naquela época era tudo muito difícil, tinha praticamente só a Asa Sul e Taguatinga, de cidade-satélite. O pessoal se assustava com a quantidade de trabalhadores na rua. Eles foram meus primeiros clientes. Gostavam de comer em pé para ganhar tempo. Naquela época, quanto mais se trabalhava, mais se ganhava. Naquele tempo tudo se chamava Dom Bosco. Tinha mercearia Dom Bosco, sapataria Dom Bosco, lanchonete Dom Bosco e a nossa pizzaria, que era a única da cidade. Eu me considero candango, afinal 80% da minha vida foi aqui. Já moro aqui há mais tempo do que morei em Minas. Só vivi a juventude lá. Nunca mais saí de Brasília, nem vou. Vou em Araxá passear só. Gosto de tudo em Brasília, isso daqui é um paraíso, um pedacinho do céu. Temos muita qualidade de vida, apesar de ela já ter sido maior. Mas Brasília é o melhor lugar do mundo para se viver e trabalhar. Ainda é a melhor capital. Tudo aqui é bem-feito, temos espaços, a gastronomia é muito boa. Temos tudo, não perde para capital nenhuma. O padrão de vida é outro. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Brasília me deu tudo. Aqui me casei e tive dois filhos. São eles, e dois sobrinhos, que tomam conta das outras lojas. Eu ensinei meus filhos a gostarem desde pequenos do negócio. Trazia eles pra loja fora do período escolar para eles aprenderem, ver como funciona. Porque comércio não é fácil, só tem hora pra entrar e tem trabalho sábado, domingo, feriados e dias santos. Eles que levaram o negócio pra frente e vão continuar a tradição, que virou marca de Brasília. O brasiliense tem um carinho especial pela Pizzaria Dom Bosco. Começamos juntos com Brasília. São sempre as mesmas pessoas que vão na loja. Já estamos na oitava geração de clientes.” Enildo Veríssimo Gomes, 74 anos, criador da Pizzaria Dom Bosco, mora na Asa Sul – Depoimento concedido à jornalista Gizella Rodrigues

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Ciro Marcondes e o quadradinho em forma de quadrinhos

[Numeralha titulo_grande=”16″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Ciro Marcondes diz que em Brasília estamos constantemente dentro de um filme. “De um filme construtivista russo, pensado por Lucio Costa e pelo comunista Oscar Niemeyer”, completa | Foto: Arquivo pessoal “Minha mãe é goiana e meu pai, paulistano. Eles já tinham dois filhos, nascidos em São Paulo, antes de virem buscar uma nova aventura do viver em Brasília, no ano de 1978. Eu nasci pouco depois, em 1981. Até hoje guardo minhas fotos de quando ainda era quase um bebê, caminhando pelos azulejos pretos do chão do Bloco C da 308 Sul, a ‘quadra modelo’. Daí deriva também minha vida no jardim de infância (com araras!), na Escola Classe e na Escola Parque dessa quadra, onde tive experiências cristalizadas na memória, e onde conheci pessoas que hoje são velhos e inseparáveis amigos. É difícil pensar num brasiliense mais típico do que eu. Discreto, pacato, gosto de pensar que tenho apreciação estoica da vida. A matematização do espaço na cidade, com sua ordem cartesiana, se inocula também na mentalidade do cidadão daqui, tornando-o, de certa forma (ainda que isso seja apenas um véu), ordeiro. Cidades caóticas e com nomes de ruas sempre me deixaram um pouco apavorado. Quando morei em duas delas (Vitória e Paris), tive de reaprender o caminhar e a orientação cardinal. Gosto de calcular e aferir o espaço. Gosto de organizar as informações e apresentá-las. Sou brasiliense, virei professor. [Olho texto=”A matematização do espaço na cidade, com sua ordem cartesiana, se inocula também na mentalidade do cidadão daqui, tornando-o, de certa forma (ainda que isso seja apenas um véu) ordeiro.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Desde muito pequeno eu gostava de desenhar histórias em quadrinhos. Tratava-se de uma família de personagens abobalhados que moravam em Brasília (mais especificamente, no Gama, sabe-se lá por que, já que eu nunca pisara lá) e, como se a cidade fosse o centro do universo, tudo acontecia no DF: invasões alienígenas, aventuras de super-heróis, terremotos. Durante um certo tempo, Brasília era para mim o mundo – escrevi contos, poemas e até um romance (inacabado) sobre a cidade. Existe aqui também uma horizontalidade de cinemascope, com faixas e frequências de percepção (o céu, os prédios, a pista etc.). Olhar para esse ambiente, de certa forma, é se alojar na famosa ‘câmera-olho’, proposta pelo antigo cineasta soviético Dziga Vertov. Estamos constantemente dentro de um filme. De um filme construtivista russo pensado por Lucio Costa e pelo comunista Oscar Niemeyer.  Meu interesse pelo cinema cresceu muito na adolescência. Devorava três, quatro filmes por dia e fui criando um repertório em VHS que me formou professor de cinema. Lembro-me de ter 19 anos quando vi Lavoura Arcaica vencer o Festival de Brasília, em 2001. Hoje, bate uma certa vergonha de ter cumprimentado Selton Mello com lágrimas nos olhos, após o arrebatamento causado por aquela obra-prima. Esse evento rendeu minha primeira crítica cinematográfica, no saudoso site Candango. Já produzi centenas de críticas de cinema e quadrinhos, dei aula em várias instituições diferentes e ajudei a formar milhares de alunos. A turma da qual mais me orgulho é a que chamo de ‘classe de 2013’, quando ministrava ensino orientado na UnB, com a disciplina Oficina de Histórias em Quadrinhos. Alunos de artes, comunicação, filosofia, desenho industrial e outros cursos correram para fazê-la, já que não era oferecida havia anos.  [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Criamos um ambiente contagiante e afetivo para investigar e produzir quadrinhos. Boa parte desses alunos seguiu profissionalmente como quadrinista (com projeção nacional) – uma carreira difícil e mal remunerada –, perseguindo sonhos, julgo eu, germinados naquele ambiente. Tenho orgulho de pensar que a cena brasiliense em HQs teria sido muito diferente, sem aquela turma, nos dias de hoje. É neste ethos, portanto, que gosto de situar o brasiliense: uma mistura de sonho e resignação. Como o velho sonho de Dom Bosco: situado entre o que nunca foi e o que sempre será.” Ciro Inácio Marcondes, 38 anos, professor universitário e crítico de cinema e histórias em quadrinhos, é morador da Asa Sul  

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Vladimir Carvalho e sua Brasília velha de guerra

[Numeralha titulo_grande=”17″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Vladimir Carvalho conta que Brasília foi, para ele, uma dádiva dos deuses, sobretudo a partir dos anos 1980, com a derrota do regime de exceção e com o start para a redemocratização. Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília Quando baixei em Brasília, em 1970, a nova capital não era mais o ermo que Vinícius de Morais vislumbrou antes das intervenções de Niemeyer e Lucio Costa. Já dobrara a esquina da história, deixando para trás a epopeia de JK e enfrentando a face sombria de feroz ditadura militar. Vim por conta de minha atividade no cinema para uma experiência de dois meses com o compromisso de montar, com Fernando Duarte, um núcleo de produção de documentários junto à UnB. Esse sonho compartilhado jamais se concretizou e neste ano já contabilizo meio século de permanência em Brasília, desde uma paixão à primeira vista até o desconforto do ódio, como acontece em toda paixão. [Olho texto=”Neste ano já contabilizo meio século de permanência em Brasília, desde uma paixão à primeira vista até o desconforto do ódio, como acontece em toda paixão.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Aqui desfrutei de uma relação lírica com a natureza, interessando-me pelo cerrado de recôndita beleza, o que resultou em venturosas filmagens de alguns documentários, válvula de escape, talvez, para compensar o doloroso clima de perseguição e repressão atingindo em cheio a nossa UnB, que por pouco não sucumbiu no curso de tantas agressões. Ao mesmo tempo, descobri uma chacina de trabalhadores num canteiro de obras durante a construção da cidade, o que resultou em filme jamais tolerado pelo oficialismo. Nesse contexto também vivi amargura de ver meu longa O País de São Saruê (1971) ser proibido e interditado pela censura por quase uma década. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] A travessia foi longa e só amenizada pelos lances de nossas lutas, bem dizer subterrâneas, para fazer a parte que nos cabia como educadores e cidadãos cônscios de suas tarefas. Tudo somado, mesmo na perspectiva de hoje, com todas as ameaças que nos cercam, com uma espada suspensa sobre nossas cabeças, a sensação é de que valeu a pena aqui ter vivido. Brasília foi para mim uma dádiva dos deuses, sobretudo a partir daqueles distantes anos de 1980, com a derrota do regime de exceção e com o start para a redemocratização do país. Esta foi a maior alegria de minha vida, o que contribuiu para vestir para sempre a camisa de Brasília, como se fosse o time do meu coração.”

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Mikael Omik e a arte do grafite brasiliense

[Numeralha titulo_grande=”18″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Omik considera Brasília uma “galeria de inspirações”. Segundo ele, há vários artistas em atividade, o que mostra que existe vida na cidade. “Existem vários trabalhos de qualidade, tanto na questão técnica quanto em relação à personalidade”, avalia. Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília “Eu sou o Mikael Guedes de Oliveira. Nas ruas, sou mais conhecido como Mikael Omik. Nasci em Brasília, em Ceilândia. Vivi lá quase minha vida inteira. Me mudei há seis anos por conta do grafite, que comecei há oito anos. Hoje moro no Guará, em um ateliê que divido com cinco amigos. Eu desenho desde os 6 anos, mas quando terminei o ensino médio passei a ter contato maior com a arte e me deu vontade de expor o que eu fazia. Tudo começou quando eu tinha uns 18 anos e estava passando de ônibus por um lugar quando vi um artista que eu admirava muito na rua – o Snoopy –, e ele estava pintando. Eu desci do ônibus e fiquei observando ele pintar do início ao fim. No caminho para casa, decidi que era isso que queria fazer. Chequei em casa, peguei umas tintas de parede, uns pincéis, e fui fazer meu primeiro grafite, em Ceilândia mesmo. Fiquei o dia todo na rua. [Olho texto=”Existe em Brasília um trabalho com estética autoral, o que é muito importante. Brasília é uma cidade moderna e daqui a 30 anos vai continuar sendo. Essa característica meio atemporal me chama muito a atenção.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] No começo, quando eu comecei a pintar, eu fazia meus painéis em locais mais escondidos porque eu não sentia confiança no meu trabalho. Pintava mais perto de casa. Acabei conhecendo outras pessoas que pintavam e acabamos fazendo com que essa atmosfera do grafite mudasse nossa cidade. A gente usava o grafite como se fosse um refúgio. As pessoas conheciam somente a pichação, algumas tinham até problemas com a polícia, e mostramos que é possível fazer arte com o grafite, que usa a mesma ferramenta, até para as crianças. Após o alto índice de trabalhos urbanos nas ruas, o grafite foi ganhando espaço na sociedade. O grafite mudou a cara de Ceilândia. Tanto é que grandes nomes do grafite brasiliense são da cidade. Esse movimento era muito forte lá. As pessoas queriam entender o que era, aprender e acabamos convertendo muitas crianças que iam para o caminho errado. Demos uma atividade para elas e elas fizeram boas escolhas.     Brasília é uma galeria de inspirações porque existem vários artistas em atividade, o que mostra que existe vida na cidade, o que é bem legal. Atualmente têm surgido vários trabalhos de qualidade, tanto na questão técnica quanto em relação à personalidade. Existe em Brasília um trabalho com estética autoral, o que é muito importante. Brasília é uma cidade moderna e daqui a 30 anos vai continuar sendo. Essa característica meio atemporal me chama muito a atenção. Você conseguir fazer uma coisa hoje que continue sendo atual lá na frente… [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Todo lugar que a gente vai, São Paulo, por exemplo, tem muito da arte europeia inserida na cidade, Brasília, não. Tem uma originalidade que é só dela. Tanto que todo mundo que vem aqui fala isso. ‘Ah, é uma cidade futurista’. É bom ouvir as pessoas elogiando a cidade. E esse céu… Essa coisa de você olhar 360 graus e conseguir olhar o horizonte. A arquitetura não interfere, mas ela compõe com a questão natural. Brasília tem me construído como artista. Eu desejo não ter que sair daqui, mas, também, que eu possa levar as coisas boas para fora. Mostrar pro mundo todo o valor que a gente tem.” Mikael Omik, 26 anos, artista plástico, mora no Guará Depoimento concedido à jornalista Gizella Rodrigues

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A origem da saúde em Brasília

Tudo começou nos anos 50 do século passado | Foto:  Edson Porto / Arquivo pessoal Em evidência nestes tempos sombrios que parecem ter emergido das páginas do romance existencialista A Peste, do escritor franco-argelino Albert Camus, os aguerridos profissionais da saúde do DF têm muito do que se orgulhar quando se trata da história do sistema hospitalar surgido na nova capital. Trata-se de passado marcado pela vanguarda, empenho e dedicação de pioneiros do setor que fizeram e, como mostram os dias atuais, fazem toda a diferença. Tudo começou em meados dos anos 50. Com aquele que foi oficialmente o primeiro médico a pisar solo candango, o carioca Ernesto Silva (1914-2010). E, por ostentar condição tão peculiar – ou seja, a de ser um dos exploradores da região – até o final de seus 95 anos de vida, ele seria lembrado pela alcunha de o “pioneiro do antes”. Cabe o registro de que Dr. Ernesto, também militar, de fato só iria arregaçar as mangas em prol da saúde no DF em meados dos anos 50, quando assumiu uma das diretorias da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). Homem de confiança de JK, fora encarregado pelo presidente de implantar as diretrizes não apenas da saúde na cidade surgida do nada, no meio do Cerrado, mas também do plano educacional. [Olho texto=”“Como Brasília era realmente um famoso terreno de obras, os acidentes de trabalho começavam a surgir diária e assustadoramente”” assinatura=”Edson Porto, pioneiro do setor de saúde pública no DF, sobre o HJKO” esquerda_direita_centro=”direita”] “Assumi o cargo por mérito, sem indicação política, já que Juscelino sabia que eu conhecia bem a região”, lembraria anos depois. Nascida sob a égide da modernidade, o Plano de Saúde do DF, assim como outros elementos sociais indispensáveis para o funcionamento de uma cidade, era para ter sido essencialmente “uma obra original, isenta de erros e vícios, adaptada à rápida transformação por que passa o mundo”, como Ernesto Silva escreveu no livro História de Brasília – Um sonho, uma esperança, uma realidade. Modernismo “assustador” Gaúcho de Pelotas que chegou a Brasília no final dos anos 60 para fazer parte do quadro do Hospital de Base – na época chamado de Hospital Distrital –, o médico aposentado Cláudio Luiz Viegas, hoje com 74 anos, recorda que o conceito modernista da então nova capital do país assustou um bocado de gente. Para ele, a cidade estava muito à frente de muitos governantes que a tiveram sob comando, bem como dos profissionais que chegaram à nova cidade para trabalhar em diversos segmentos. “Muitos não estavam preparados”, avalia o profissional da saúde, que chegou aos 24 anos à capital federal. Ele atuou primeiro como clínico geral e, depois, passou a se dedicar à pneumologia. Os primeiros postos e atendimentos Assim como quase tudo no começo de Brasília, a saúde no DF teve início com um empurrão da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), a partir da criação de um departamento que prestou relevantes serviços à coletividade. Resumia-se a um mero barraco de madeira construído no acampamento da empresa, o que viria a ser o primeiro núcleo hospitalar do Planalto Central. “Hospital Distrital”: o Base em seus primórdios | Foto: Arquivo Público Em tempos de coronavírus, o Departamento de Saúde da Novacap, sob direção do Dr. Jairo de Almeida, ainda nos primórdios da cidade prestou inúmeros serviços de natureza preventiva junto à jovem população que se formava. A partir de um convênio firmado com o Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Endemias Rurais (DNERu), manteve em sua sede um intenso serviço de vacinação contra variólica, paralisia infantil e combate a viroses como sarampo, caxumba e rubéola. E não apenas isso. Um ambulatório oferecia medicamentos de urgência, aplicação de injeções e até pequenas cirurgias. No acampamento do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (Iapi), localizado entre a Candangolândia e a então Cidade Livre (hoje, Núcleo Bandeirante), seria montado também em madeira outro posto pioneiro de saúde que atendia os trabalhadores em peso. “Havia um só médico, recém-formado, mas dedicado e prestativo”, lembraria Ernesto Silva em suas memórias. Era o jovem médico mineiro Edson Porto, mineiro de Araguari, que acabara de chegar de Goiânia, aos 26 anos. “Brasília foi uma necessidade de sobrevivência, força de contingência, não pelo fato de acreditar na cidade”, admitiria o médico ao Programa de História Oral do Arquivo Público, gravado em fevereiro de 1989. “Como todo médico, ou qualquer iniciante de uma carreira, eu tinha ambição de me projetar, de me realizar dentro daquela atividade. Como não havia a possibilidade de trabalhar em Goiânia naqueles primeiros anos, me ofereci para dar assistência em Brasília”, confessaria. O Hospital Juscelino Kubistchek de Oliveira, primeira grande estrutura de saúde do DF, na década de 1950 | Foto: Arquivo Público E foi bem ali, no acampamento do Iapi, que em julho de 1957 seria inaugurado o Hospital Juscelino Kubistchek de Oliveira (HJKO), a primeira unidade hospitalar robusta do gênero na cidade, que prestaria inestimáveis “serviços durante a construção da cidade”, como o próprio Ernesto Silva recordaria. Visitado pouco antes de sua inauguração pelo presidente de Portugal, Craveiro Lopes, o hospital prestava assistência médica, cirúrgica e odontológica a particulares, servidores e operários que precisavam fazer o exame médico para a admissão ao serviço. “Nenhuma empresa podia dar emprego sem a apresentação da Carteira de Saúde”, registra Ernesto, também em suas memórias. Convergência médica Estrategicamente localizado no DF, o HJKO cuidava dos milhares de candangos que chegavam à cidade todos os dias para trabalhar nas obras da nova capital. Em 1968, com a inauguração do Hospital Distrital (atual Hospital de Base), o espaço viraria um posto de saúde. Em 1974, o antigo hospital de madeira parou de funcionar. “O hospital HJKO foi feito realmente como um projeto interessante, na linha hospital de campanha, com 40 leitos, funcionando as quatro clínicas básicas: médica, cirúrgica, pediatria e gineco-obstetríca”, conta o pioneiro Edson Porto no depoimento ao ArPDF. “Como Brasília era realmente um famoso terreno de obra, os acidentes de trabalho começavam a surgir diariamente e assustadoramente. Foi então que, quando inaugurado o hospital, foi providenciado imediatamente a instalação de um serviço de ortopedia para atendimento nesses casos”, relata. Vale destacar o que todos os pioneiros da área de saúde gostam de frisar: o extraordinário serviço prestado pelo Hospital Volante das Pioneiras Sociais, entregue à população em 26 de outubro de 1957. “Sua atuação foi muito valiosa quando, em 7 de junho de 1958, a Novacap iniciou o assentamento em Taguatinga da enorme população que se havia instalado ao longo da estrada Brasília-Anápolis, junto ao Núcleo Bandeirante”, reconhece Ernesto Silva. “Até que se inaugurasse o Hospital São Vicente de Paulo, em 1959, o Hospital Volante das Pioneiras resolvia todos os casos simples naquela cidade-satélite”, acrescenta. O hospital-base Inaugurado em 12 de setembro de 1960, quando se comemora o nascimento de JK, o Hospital de Base (na origem chamado de Hospital Distrital, vale lembrar) surgiu para ser, como o próprio nome entrega, a base de todo o “Plano Médico-Hospitalar” do DF, atendendo os habitantes do Plano Piloto. Dotado de equipamentos de ponta e todas as especialidades, fazia parte de um moderno e avançado modelo de instituição idealizado pelo médico Bandeira de Mello, um funcionário do Ministério da Saúde contratado pela Novacap àquela época. O sistema de atendimento médico previa ainda a construção de outros onze hospitais gerais e seis instituições rurais espalhados pela cidade e suas satélites, hoje denominadas de regiões administrativas do Entorno. “Era um sistema bem organizado e centralizado, com ramificações para todos os hospitais, mas que ficou prejudicado, de certa forma, pelo inchaço da cidade, dez anos depois de sua inauguração – o que aconteceu, com a determinação definitiva da vinda das embaixadas e de todos os ministérios nos anos 70”, lamenta o médico aposentado Claudio Luiz Viegas, autor do livro Fragmentos – Cinquenta anos de residência médica no Hospital de Base. Hospital de Base em seus primeiros dias, na década de 1960 | Foto: Arquivo Público Referência na região central do país, com mais de 600 mil atendimentos anuais no pronto-socorro e no ambulatório, o Hospital de Base marcou e norteou toda uma geração de profissionais da saúde  que vieram de várias partes do Brasil tentar a sorte no Cerrado. Foi o que aconteceu com o paulista de origem árabe Hélcio Luiz Miziara, o primeiro patologista de Brasília e um dos primeiros médicos legistas do DF. “Assinei contrato com a FHDF [Fundação Hospitalar do Distrito Federal] em janeiro de 1961, depois de ser escolhido entre três candidatos de alto nível”, conta o pioneiro, que está prestes a completar 86 anos. “O Hospital de Base contava com um staff de alta qualidade, onde trabalhavam profissionais de alta qualidade, com passagem pelos Estados Unidos e Europa. O Hospital de Base era onde todo mundo queria ficar”, recorda o médico, ele próprio aluno residente em Anatomia Patológica no Hospital Mercy, em Pittsburgh (Pennsylvania, EUA). [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Muito de sua experiência de mais de 40 anos como profissional de relevante unidade hospitalar do DF está relatado, agora, no livro Hospital que nós amamos – Hospital Distrital, que acaba de concluir. Ele pretende lançar a obra após o surto de pandemia que assola o DF e todo o país. São histórias de exemplo e passagens curiosas, como o período em que trabalhou na formação técnica de auxiliares de saúde do hospital – entre eles um jovem tímido que explodiria nacionalmente, anos depois, chamado Ney Matogrosso. “Eu estava lá quando o presidente Tancredo Neves foi hospitalizado… São muitas histórias que narro como forma de agradecimento à cidade”, arremata.

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Dilma Lima, uma goiana que se encontrou em Brasília

[Numeralha titulo_grande=”19″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Dilminha (como é conhecida) ama atravessar o Lago Paranoá e a tesourinha que leva à W3 Norte. “Ela me mostra a Esplanada dos Ministérios linda e plena, mesmo que, muitas vezes, sofrida e habitada por pessoas que não merecem estar lá” avalia. Foto: Arquivo pessoal “Brasília, nossa capital. Ela é um verdadeiro monumento encravado no meio no Planalto Central. Eu, goiana da gema, encontrei em Brasília asas que abriram meu mundo. Aqui, por exemplo, descobri que é possível viver em harmonia com tanta diversidade de gênero, gastronomia e sotaques.  Viver em Brasília, acreditem, é ter a tranquilidade de uma cidade do interior. Mas, se quiser, também há a intensidade típica de uma metrópole. Com parcimônia, porém: a lei do silêncio é respeitada por aqui, ora.   [Olho texto=”É até difícil dizer o que mais gosto na cidade, mas tenho a certeza absoluta que Brasília é sempre o lugar para onde quero voltar. Ela se tornou o meu lar. ” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Em Brasília, tem música para gregos e goianos, tem calor e tem secura. Tem uma terra farta em oportunidades.  E para quem acha que só concurseiros têm vez nessas bandas, eu consegui ver outras possibilidades profissionais e me encontrei na Publicidade.   Amo atravessar o Lago Paranoá, por exemplo, e, também, a tesourinha da W3 Norte, que me mostra a Esplanada dos Ministérios linda e plena, mesmo que, muitas vezes, sofrida e habitada por pessoas que não merecem estar lá.    É até difícil dizer o que mais gosto na cidade, mas tenho a certeza absoluta que Brasília é sempre o lugar para onde quero voltar. Ela se tornou o meu lar. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”]  É, por exemplo, a cidade onde acordo e vejo um céu inexplicavelmente azul. E onde ainda consigo dormir com o som das cigarras.  Brasília é a terra onde fiz amigos, família e encontrei o amor (nesta sexta-feira, dia 2 de abril, por exemplo, é o aniversário dele). Brasília é difícil de ser explicada, mas é facilmente amada por quem, como eu, é grata por tudo que este Quadradinho me proporcionou.” Dilma Lima, 40 anos, publicitária, moradora de Arniqueiras Depoimento concedido ao jornalista Freddy Charlson

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Lucília Garcez construiu-se junto à capital

[Numeralha titulo_grande=”25″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Lucília Garcez conta que adotar Brasília misturou-se com definir rumos da vida, fazer outras escolhas . “Tudo está enraizado naquelas manhãs ensolaradas nos gramados da UnB”, confessa. Foto: Arquivo pessoal Não nasci aqui, mas sou brasiliense. Ao acompanhar Brasília se construir como cidade, fui me construindo como sou hoje. Normalmente, as pessoas estão ligadas a uma cidade por meio dos ancestrais, das famílias, da sua história individual desde o nascimento. No caso de Brasília, principalmente para minha geração, é diferente. Nós nos ligamos à cidade em que vivemos por opção, por um vínculo simbólico genuíno, autêntico, voluntário. Em algum momento de nossas vidas escolhemos viver aqui e passamos a nos sentir mais de Brasília que de qualquer outro Estado. E essa escolha se renova todos os dias. Esse vínculo com Brasília não foi imediato. Em 1965, quando cheguei aqui, naquele julho frio e empoeirado de um talco vermelho, meu coração dilacerado de saudades se recusava a encontrar aconchego na paisagem horizontal. Eu procurava, sem encontrar, as encostas de Minas, os horizontes de Minas, os mistérios das serras indevassáveis. [Olho texto=”Sorvete na Pigalle, namorar na fonte sonora e luminosa em frente à Torre, pizza no Casebre ou no Roma, doces da confeitaria Flamingo, volta turística ao lago com parada obrigatória na Ermida – tão longe – tão perto, chá dançante nas tardes de domingo na Torre, Congressinho, Gilberto Salomão, festa dos Estados, cineminha no Bruni, Cultura ou Escola-Parque…” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Mas aqui a linha do pôr-do-sol era desnuda, extravagante, aberta ao infinito. Como se a vida se oferecesse descarnada de obstáculos, como se o espectro de opções para o que viria estivesse inteiramente exposto, como se todos os caminhos estivessem disponíveis e se mostrassem sem subterfúgios. Minha melancolia inicial e meu recolhimento foram pouco a pouco se iluminando com esse sol desinibido e franco. E fui aprendendo a amar o cerrado, a reconhecer suas cores, suas árvores, suas flores, seus pássaros, seus movimentos, suas cachoeiras escondidas. Deslumbrei-me com as surpresas da convivência com amigos vindos de lugares tão diversos, com sotaques tão exóticos para meus ouvidos caipiras, com interesses tão diferentes e múltiplos. Na minha turma de segundo grau encontrei o Brasil e a vontade – que nunca mais me deixou e que me mobiliza ainda – de conhecer mesmo o meu País. O colégio de freiras era um catálogo de falares e de costumes que tornava a rotina escolar uma sequência saborosa de descobertas. Sorvete na Pigalle, namorar na fonte sonora e luminosa em frente à Torre, pizza no Casebre ou no Roma, doces da confeitaria Flamingo, volta turística ao lago com parada obrigatória na Ermida – tão longe – tão perto, chá dançante nas tardes de domingo na Torre, Congressinho, Gilberto Salomão, festa dos Estados, cineminha no Bruni, Cultura ou Escola-Parque… Depois a Universidade, próxima, acolhedora, convidativa, amigável e ao mesmo tempo catalisadora de tudo o que deveríamos aprender sobre a repressão e a truculência do arbítrio. O fim da inocência social e as experiências inaugurais da cidadania e da política. A consciência da ética. Os primeiros amores e os que viriam no futuro, as primeiras perdas – os amigos desaparecidos, os primeiros sucessos, os primeiros fracassos, as primeiras decepções, os livros fundamentais, os primeiros sonhos e esperanças compartilhados. E o mitológico Beirute: testemunha-cúmplice de paixões arrasadoras, flertes, mortes e ressurreições do amor, casamentos e separações, finais e recomeços. Não sei bem quando, nesses anos de juventude, eu fui me desligando de tudo o que ainda me prendia à infância remota e abraçando o novo, o desafio, a indagação sobre o futuro, o questionamento do mundo. Adotar Brasília como minha cidade misturou-se com definir os rumos da vida, fazer outras escolhas fundamentais. Tudo está enraizado naquelas manhãs ensolaradas nos gramados da UnB. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”]toys E então veio o trabalho, minha primeira sala de aula numa cidade-satélite. Os contrastes e as injustiças sociais, que se perpetuariam e se acentuariam nesta cidade-espelho do Brasil, já estavam colocados para mim, mal saía da adolescência. As reflexões e as decisões assumidas no interminável trajeto diário da Asa Sul para o Gama, naquele ano emblemático de 1968, galvanizaram um destino inarredável de educadora, que nunca me abandonou. Mais que nunca “o passado e o futuro convergem a um ponto que é sempre presente”. Todos os dias, na sala de aula, nas palestras, nas reuniões de trabalho, ou quando venho para o computador produzir meus textos, vem comigo aquela menina de dezessete anos que acordava de madrugada, deixando para trás a doce despreocupação burguesa, para ir, cheia de sonhos, esperanças, coragem e entusiasmo, encontrar seus alunos na escolinha de madeira encravada na terra vermelha, perto do hospital do Gama. Lucília Helena do Carmo Garcez, 69 anos, doutora em Linguística e professora aposentada da UnB, mora no Lago Norte

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Sérgio Maggio e um palco chamado “Brasília”

[Numeralha titulo_grande=”21″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Maggio é diretor e dramaturgo de teatro. Ele estreou em Brasília. “A cidade me deu a oportunidade de buscar sonhos engavetados e soltá-los ao ar como borboletas que hibernavam num longo casulo”, conta. Foto: Arquivo pessoal Quando cheguei em Brasília, em 1995, pisei pela primeira vez no Minhocão da Universidade de Brasília. Vim de ônibus de Salvador para o Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação. Discutir a profissão, dormir no chão em colchonetes, comer na hora errada e ir para todas as festas nos endereços mais mirabolantes.  Foram 10 dias ao lado de estudantes de todo o Brasil entre debates, aulas de rádio e muitas descobertas. Era tão bom que não queria sair do mundo UnB para conhecer turisticamente a capital federal.  Até que meu amigo André Manta me fez um convite: encontrar nossa colega Maíra Cristina, que estava temporariamente na cidade, hospedada num cinco estrelas do Setor Hoteleiro Norte e com um carro alugado na garagem.  [Olho texto=”Saímos em tour pela cidade monumental. Parecia uma cena de filme europeu. Posso me lembrar de cada detalhe daquele passeio de ruas retas e paisagens curvas.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Saímos em tour pela cidade monumental. Parecia uma cena de filme europeu. Posso me lembrar de cada detalhe daquele passeio de ruas retas e paisagens curvas. Sob as nossas cabeças, havia aquele céu que mais parecia uma projeção cinematográfica. Gritei pela janela: “Oh, Brasília, quero morar aqui”. Seis anos depois, Brasília mandou me chamar. Chegava de Salvador para trabalhar na cidade num convite que veio de forma completamente enviesada. Não conhecia ninguém. Quase 20 anos depois, tenho ao meu redor um patrimônio de amigos e sete gatinhos adotados. Brasília me ensinou a me encontrar com o outro, a recebê-lo em casa, ir pro fogão para cozinhar, dividir o prato, as dores e as alegrias.   Quase 20 anos depois, não me dedico unicamente à apaixonada função de jornalista. Sou também um diretor e dramaturgo de teatro com produção continuada. Estreei em Brasília, que me deu a oportunidade de buscar sonhos engavetados e soltá-los ao ar como borboletas que hibernavam num longo casulo. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”]  Quase 20 anos depois, descobri a delícia e a diversidade de morar e correr pelas cidades do DF. Brasília me deu esse salvo-conduto de transitar por entre os tantos territórios e testemunhar essa mistura de brasilidades e de outras nacionalidades.   O maior patrimônio que herdei de Brasília foi mesmo a coragem. A cidade nasceu sob esse signo e acredito que, numa conexão mágica, quase espiritual, aspirei esse sentimento-fé. Brasília, a única forma sincera de retribuir a esses quase 20 anos depois é te dizer que “corajosamente, te amo.” Sérgio Maggio é jornalista, diretor-dramaturgo do coletivo Criaturas Alaranjadas Núcleo de Criação Continuada

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Nicolas Behr: um poeta e sua musa

[Numeralha titulo_grande=”22″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Nicolas Behr deseja que as pessoas tenham mais amor pela cidade e estudem mais sobre sua criação. “Se elas conhecessem um pouco mais da história de Brasília valorizariam esse patrimônio”, fala | Foto: Paulo H Carvalho / Agência Brasília   “A última coisa que quero fazer em Brasília é morrer. Essa cidade me inspira. Eu tive a sorte de chegar aqui e a cidade ser (ainda é um pouco), uma folha em branco. Quase não tem tradição poética ou literária aqui. Se escreve pouco sobre Brasília, que é uma cidade instigante, que provoca. Brasília é minha obsessão. Eu já escrevi sete livros sobre Brasília, tô indo pro oitavo. Eu adoro Brasília. Brasília abriu um leque de oportunidades muito grande para minha família e eu agradeço sempre à minha mãe por ela ter tido a ideia de se mudar para cá. Cheguei em Brasília em 1974, a cidade tinha 14 anos e eu também. Meus pais são alemães, nasci em Cuiabá, mas imigramos para cá porque minha mãe queria mais oportunidades. Ela fala inglês, alemão, polonês, veio trabalhar nas embaixadas, meu pai também falava outras línguas e veio trabalhar com tradução e com turismo. [Olho texto=”Quando cheguei, Brasília era muito pequena ainda. Foi um choque sair do mato e cair na maquete. Brasília era uma cidade artificial. Naturalmente tornou-se essa Brasília que temos hoje: orgânica, viva.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Quando cheguei, Brasília era muito pequena ainda. Foi um choque sair do mato e cair na maquete. Brasília era uma cidade artificial. Naturalmente tornou-se essa Brasília que temos hoje: orgânica, viva. O tempo, a arborização, a arte, as pessoas humanizaram a maquete. Brasília hoje é uma cidade que tem uma vida própria, muito dinâmica principalmente na parte artística. Desejo que as pessoas tenham mais amor por Brasília e estudem mais sobre a criação da cidade. Porque a gente só ama o que conhece. Eu acho que se as pessoas conhecessem um pouco mais da história de Brasília valorizariam esse patrimônio que temos. Isso aqui é a grande epopeia brasileira do século XX. Todos devem conhecer o esforço heroico que foi construir uma cidade no meio do Cerrado. Brasília é a maior realização coletiva do povo brasileiro, que nunca fez nada tão criativo e ousado. Eu espero que a gente tenha também ousadia para enfrentar problemas que estamos enfrentando, como a mobilidade. E não só o governo, nós também somos responsáveis. Brasília foi construída para ser uma vitrine da indústria automobilística que estava chegando no Brasil com o JK. Mas a falta de um transporte público, integrado e dinâmico, me faz muita falta. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Eu gosto muito de andar de ônibus, se eu pudesse não teria carro. Acho que minha relação com a cidade mudou muito quando eu adquiri um carro. Antes eu andava de ônibus e tinha mais contato com a cidade, com as pessoas. No volante você está preocupado com o carro, com o sinal, o trânsito. De ônibus você dá uma relaxada, aprecia a paisagem, conversa com as pessoas.    Mas isso daí a gente vai resolver com o tempo. Parabéns, Brasília, vamos cuidar mais e amar nossa cidade.” Nicolas Behr, 61 anos, é poeta e mora no Lago Norte Depoimento concedido à jornalista Gizella Rodrigues

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Carmem Moretzsohn e sua capital efervescente

[Numeralha titulo_grande=”23″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Carmem diz que Brasília é a cidade-parque onde ela construiu uma família de irmãos e irmãs escolhidos. Foto: Arquivo pessoal   Nunca achei que criaria raízes. Nasci em Belo Horizonte. Com pouco mais de um ano fiz minha primeira mudança, para o Rio de Janeiro. E foi assim durante bastante tempo: pulando de um lugar para outro. Morei em vários bairros do Rio, em Resende, vivi dois anos em Caracas, na Venezuela, e quando cheguei a Brasília, em 1977, achei que seria mais uma passagem. Ainda estava no ensino médio e quem neste momento não considera que tem o mundo inteiro pra conquistar? Mas Brasília me conquistou. Vivi a juventude numa época rara: tempos do nascimento do rock brasiliense, do teatro do Grupo Pitu, dos Teatros Galpão e Galpãozinho, Escola Parque, Centro de Criatividade, Concertos Cabeças, shows no Karim, UnB vivendo greves contra o reitor almirante e por aí vai. A cidade efervescia. Beirute, Cafofo, política estudantil, poesia e música. [Olho texto=”Brasília, hoje, são muitas! Nem todas acolhedoras, nem todas belas. Uma senhora com imenso vigor e ainda com espírito jovem para se reinventar. Quero estar ao lado dela.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Comecei como atriz no susto, em 1980, substituindo outra pessoa. Nunca mais passei um só ano sem subir ao palco! Participei de momentos referentes: cantando no Pessoal do Beijo e atuando no Vidas Erradas, na Companhia dos Sonhos e no Grupo Cena, entre outros. Meus dias eram divididos entre a UnB, ensaios e redações de jornal. Brasília era (também) minha! Gostava de dizer que a cidade tinha meu cheiro. O mundo era uma promessa e a cidade era nossa, com seus horizontes, seu céu imenso, seu ar puro; cidade-parque onde construí uma família de irmãos e irmãs escolhidos. Hoje, Brasília segue sendo minha casa, mas essa senhora de 60 anos cresceu muito, para o bem e para o mal. Brasília é a cidade-parque, mas é também a Brasília da minha amiga Genésia, que leva horas de ônibus para trabalhar no Plano Piloto. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] E da amiga Ana, que enfrenta longos congestionamentos na região de Arniqueira. Ou da amiga Jô, que não deixa os netos brincarem na rua por causa da violência e do amigo Gilson, que deixa o celular em casa para não ser assaltado no ônibus. Brasília, hoje, são muitas! Nem todas acolhedoras, nem todas belas. Uma senhora com imenso vigor e ainda com espírito jovem para se reinventar. Quero estar ao lado dela. Carmen Moretzsohn, 59 anos, atriz e jornalista, mora no Plano Piloto

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Alex Vidigal e a louca vida do Conic

[Numeralha titulo_grande=”24″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Além de gostos culturais, o professor universitário encontrou no Conic amigos e amores de todo o Distrito Federal. Resultado: boas e incríveis lembranças. Foto: Arnon Gonçalves “Minhas lembranças de lar em Brasília não são dos inúmeros apartamentos os quais morei. Seja nas 400, 300 ou 100 da Asa Sul. Nem em um condomínio nas 200 da Asa Norte. Inclusive, hoje em dia, não vejo mais o prédio quando passo de ônibus pelo local: construíram um novo edifício em frente. A memória de um lugar como casa sempre foi o Setor de Diversões Sul, o Conic. Nascido em uma família que não era de funcionários públicos, o comum na minha infância, e parte da adolescência, era ficar no comércio do meu pai. Ou melhor, trabalhar ali boa parte do tempo. [Olho texto=”O espaço que vos falo é um Conic das reminiscências. Ainda um lugar de todos os lugares do DF, mas que se transforma como tudo o que é verdadeiramente vivo nas cidades, em qualquer lugar.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Nas horas livres, eu frequentava as salas de cinema: Atlântida, Bristol, Miguel e Badya (anos depois o Ritz, por mim mesmo). Eu entrava de graça, pois meu pai conhecia todos dali. Essas tardes (e noites) de filmes me fizeram o professor e diretor de audiovisual que sou, por obras como Batman, de Tim Burton ou Inferno no Gama, de Afonso Brazza. E como não resgatar as conversas escorado no balcão da Kingdom Comics sobre quadrinhos de Jack Kirby, Laerte e da Revista Samba. No final do expediente, tomar uma cerveja no Fliperama e, quem sabe?, jogar uma partida de Pinball ou mesmo Street Fighter esperando o começo das “diversões noturnas” que o setor oferece. Também lembro de um Conic de descobertas musicais nas lojas. Seja na Discovery, onde ouvi pela primeira vez Racionais e Câmbio Negro. Na Berlin Discos, com Ratos de Porão e Raimundos. Na Megatribe, ao som de Kraftwerk e Isn’t & The Six. E na Fun House, terra de Stooges e Prot[o]. Devido a essas lojas, encontrei o que gostaria de ouvir e futuramente tocar nas festas do próprio local, como: Frenética, Birosca e Toranja, além de tantas outras. Foram e ainda são noites de muitas descobertas musicais e pessoais. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Além de gostos culturais, encontrei no Conic amigos e amores de todo o Distrito Federal (poderia tentar parafrasear aqui o trecho da Letra Rios, Pontes e Overdrives para tentar falar desses lugares, mas não conseguiria). Porém, o espaço que vos falo é um Conic das reminiscências. Ainda um lugar de todos os lugares do DF, mas que se transforma como tudo o que é verdadeiramente vivo nas cidades, em qualquer lugar. E, no fim, ainda sei que posso ter o Mercadinho do Natinho pra encontrar uma camiseta de Brasília que pareça com a cidade que conheço. Não a dos cartões-postais da Rodoviária. Alex Vidigal, 40 anos, professor universitário, discotecário e cineasta, mora na Asa Sul

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José Edson ajuda a deixar a capital ainda mais verde

[Numeralha titulo_grande=”25″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   José Edson é direto: “É uma cidade que tem história bonita, né?, com oportunidade para as pessoas que chegam em busca de vida melhor”, diz. “Sobretudo as com algum tipo de deficiência”, conclui. Foto: Arquivo/Agência Brasília “A primeira vez que cheguei em Brasília foi em 1984. Eu era bem jovem, vim para estudar e trabalhar e fiquei na casa do meu tio. Como já tinha deficiência visual num dos olhos, só deu para trabalhar mesmo. Minha família viria depois, meu pai e irmãos. Na verdade, eu não enxergava do olho esquerdo e tinha baixa visão no olho direito e quando trabalhava numa empresa, acabei perdendo minha visão completamente ao me acidentar, em 1992. Mas cheguei a enxergar Brasília, o centro da cidade, o Plano Piloto, as cidades-satélites, onde sempre morei. Lembro como era o transporte, que melhorou um pouco porque, antigamente, quem vinha de Planaltina para o Plano Piloto, não fazia ultrapassagem de jeito nenhum, era aquela fileira de carro. Só tinha uma pista. Hoje melhorou, realmente. É uma cidade que tem uma história bonita, né?, com muita oportunidade para as pessoas que chegam em busca de uma vida melhor. Sobretudo aquelas com algum tipo de deficiência.   [Olho texto=”E Brasília sempre foi bonita, né? Então, vindo para cá e trabalhando no viveiro da Novacap, eu tive essa oportunidade. Até de ajudar para que a cidade ficasse sempre bonita, já que ela é um dos cartões-postais do País.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] E Brasília sempre foi bonita, né? Então, vindo para cá e trabalhando no viveiro da Novacap, eu tive essa oportunidade. Até de ajudar para que a cidade ficasse sempre bonita, já que ela é um dos cartões-postais do País. Porque é isso que essa empresa faz, cuidar do bem-estar da população zelando dos jardins, dos canteiros, das árvores, da paisagem dessa cidade. Então, espero que todos os governantes nunca deixem de valorizar as pessoas que trabalham nessa área. Que a beleza da cidade nunca se perca. E eu me sinto parte desse projeto nesses dez anos que estou na Novacap. Gosto muito do que faço, é um lugar bom para trabalhar. É muito gratificante estar aqui fazendo esses serviços para que a cidade fique bonita. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Basicamente o que fazemos é reciclar as plantas que chegam do campo e que não servem mais. Aí, elas embelezam a cidade. Dá para aproveitar tudo, até os substratos, os resíduos. A natureza agradece porque não vai para o lixo. Às vezes, conseguimos recuperar até 12 metros de resíduos e substratos. É o lixo, o adubo. Minha esperança, nesses 60 anos que Brasília está fazendo, é que ela possa continuar recebendo melhorias.” José Edson Vieira da Silva, 50 anos, auxiliar de serviços gerais da Novacap, morador do Vale do Amanhecer, Planaltina

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Naná, da Torre de TV para o mundo

[Numeralha titulo_grande=”26″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Naná veio, viu e não gostou. Convencida pelo pai, deu uma chance à cidade. Hoje, essa pessoa carismática não vive sem Brasília. Que tal ir lá na Torre de TV trocar uma prosa com ela? Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília   “Eu vim morar em Brasília em setembro de 1977 para assumir um cargo público. Sou paraense, mas vivia em João Pessoa na época. Eu tinha 24 anos e tive uma difícil adaptação em Brasília. Eu morava em uma cidade de praia, fazia mestrado, tinha uma outra vida. Cheguei aqui sozinha, sem quase conhecer ninguém, embora eu tivesse uma tia e alguns primos que moravam aqui, e estranhei demais a cidade. O governo ainda era militar e eu fui trabalhar na auditoria do Ministério do Exército. Foi um choque trabalhar em um lugar com toda aquela rigidez. Eu era muito diferente, não tinha nada a ver comigo aquilo ali. Eu fui morar em uma quadra militar porque eu tinha direito a um apartamento funcional, na 209 Sul. Todo mundo trabalhava junto e morava na mesma quadra. Eu era a única civil e ainda por cima mulher. Era difícil fazer amizade.   Minha pele ressecava, tive caspa. Cheguei a ir no médico e ele disse: ‘minha filha, sua pele é muito seca, você vai sofrer muito’. Passava milhões de cremes, pensava que não ia me acostumar. Eu queria ir embora daqui, ‘essa cidade não tem água, socorro’, dizia. [Olho texto=”Gosto tanto de Brasília que não suporto que falem mal dela. O amor chegou a esse ponto. Você pode até reconhecer os defeitos, mas ninguém pode falar deles.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Telefonei pra casa e disse que ia pedir demissão. Meu pai mandou minha mãe para cá pra ver se eu desistia e acabei ficando. Um ano depois minha irmã fez uma cirurgia no Rio de Janeiro e veio se recuperar aqui. Eu sei que nessa história meu pai veio depois e todos morávamos na 209 Sul. Viver em Brasília melhorou um pouco, mas ficou bom mesmo quando eu me apaixonei. A vida é maravilhosa quando você ama. Comecei a me relacionar com o pai dos meus filhos, caiu a ficha de que eu morava em Brasília e essa era minha realidade. Eu tinha um bom emprego, algo que talvez não conseguisse morando em Belém. E comecei a viver a cidade. Eu morava em frente ao Beirute, era só atravessar a rua. Tinha o movimento todo dali. Tinha vários bares legais em Brasília. Tinha o Poeta, que já fechou, na Asa Norte. Eu comecei a conhecer gente de fora, colegas meus de auditoria que vieram de outros lugares. E fui me adaptando. Brasília me deu muito. Meu pai faleceu uns dois anos depois que se mudou para cá e minha mãe ficou muito abalada. A gente já estava muito ligada nos movimentos regionais, eu fui líder da barraca do Pará na Festa dos Estados, e falei para minha mãe: ‘por que a gente não monta alguma coisa do Pará?’. Já tinha alguns restaurantes, mas todos fechavam. E pensei em montar na Torre de TV. Eu queria que minha mãe se distraísse, fizesse novas amizades, que foi o que aconteceu. O Delícias do Pará está na Feira da Torre de TV há 39 anos. No início era uma trabalheira, a gente montava e desmontava a barraca todos os dias, a Torre não tinha nenhuma estrutura. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Minha mãe, dona Jacirema, foi felicíssima nesse empreendimento dela. Ela era uma mulher muito forte, tenho um orgulho danado de ser filha dela. Ela morreu ano passado, aos 92 anos. Eu, já aposentada do serviço público, estava administrando o box há quatro anos. Quando ela morreu, eu sentia muita falta dela e pensei em vender a barraca, mas acabei assumindo o negócio. E acho que deu certo, o pessoal fala que a qualidade da comida não mudou. Parece que eu herdei o dom de cozinhar dela. Gosto tanto de Brasília que não suporto que falem mal dela. O amor chegou a esse ponto. Você pode até reconhecer os defeitos, mas ninguém pode falar deles. A cidade cresceu muito, mas pra mim o maior defeito é a falta de atividades culturais. Brasília está se tornando uma cidade chata. Não pode falar alto, ficam medindo os decibéis dos bares, não se pode escutar uma música. Brasília está ficando careta demais. Mas sou muito feliz aqui, eu devo demais a Brasília. Eu não sei imaginar como seria minha vida sem ela. Agradeço muito ao meu pai por ter insistido tanto para a minha permanência aqui.” Maria de Nazaré Lima de Almeida, a Naná, 66 anos, mora no Jardim Botânico Depoimento concedido à jornalista Gizella Rodrigues

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No tempo em que o ronco dos motores abalava Brasília… vrum, vrum!

Os circuitos de rua dominaram as primeiras provas na cidade, desde o dia 23 de abril de 1960, quando três provas já mostravam a vocação da capital para a velocidade. Foto: Arquivo Público do DF Nos anos 1960, com a nova capital do país prestes a ser inaugurada, o Brasil reunia números interessantes. Um deles dizia que a frota de carros licenciados era de 310 mil veículos. O que dava uma média de um carro para cada 226 pessoas. Uma quantidade relevante para a época. Empolgado com os dados, não demoraria para o empresário Victor Civita, do Grupo Abril, criar, em agosto daquele ano, a primeira revista sobre veículos do país, a Quatro Rodas. Uma revolução editorial. Eram os reflexos da indústria automobilística que também havia contaminado Brasília. Tanto que, durante as festividades da criação da cidade, seria realizada a primeira corrida no local, no dia 23 de abril, às 8h30. Na verdade, uma corrida, não. Três. “Eu estava lá e me lembro como se fosse hoje, apesar de ter apenas oito anos”, conta Alex Dias Ribeiro, um dos pilotos pioneiros da cidade. “Nunca tinha visto nada igual, fiquei alucinado, imagina como era para um garoto que adorava ônibus, caminhão, motores, estar num ambiente como aquele. Saí dali com o meu destino traçado, queria ser piloto”, conta Ribeiro, filho do primeiro médico particular a se estabelecer no Núcleo Bandeirante, na época chamado de Cidade Livre. Então organizado pelo Automóvel Clube do Brasil (ACB) – entidade criada em 1958, antes da inauguração de Brasília, e com o apoio de JK -, o Grande Prêmio Presidente Juscelino Kubistchek contou com a participação de competidores de várias partes do país. Alguns deles, figuras de renomes no segmento, como o piloto paulista Eugênio Martins, pilotando um DKV Vemag, e a lenda do esporte na época, Francisco Sacco Landi, o Chico Landi. “A vocação de Brasília para o automobilismo nasceu com a cidade. O desenvolvimentismo de JK, a aposta do país na indústria automobilística e as avenidas largas de Brasília desembocaram numa espécie de paixão pela velocidade e na revelação, já nos anos 1970, de nomes como Nelson Piquet, Roberto Pupo Moreno e Alex Dias Ribeiro”, explica o jornalista e pesquisador Paulo Rossi, autor, com o também jornalista Luiz Roberto Magalhães, de Ponto de Partida, livro que conta a origem de todo o segmento esportivo na nova capital brasileira. A primeira prova Oito carros participaram da primeira prova, com largada no Eixo Monumental, ao lado da Rodoviária. Na segunda bateria, foram 25 pilotos. Na terceira, a mais importante, trinta bólidos disputaram o Prêmio Juscelino Kubitschek. Foto: Arquivo Público do DF E, assim, oito carros participaram da primeira prova, num circuito improvisado com largada no Eixo Monumental, ao lado da Rodoviária do Plano Piloto. Na segunda bateria, foram 25 pilotos. Na terceira etapa, a mais importante do evento, trinta bólidos disputaram o “Prêmio Juscelino Kubistchek”, vencido por Jean Louis de Lacerda, um brasileiro nascido na França. “Essa foi uma das mais difíceis vitórias que consegui. Uma vitória suada”, relatou o vencedor em entrevista ao jornal Correio Braziliense. Somente no segundo ano do aniversário de Brasília, em 1962, numa cidade ainda ofuscada pelas sombras das construções, um novo traçado seria desenhado para carros velozes e seus pilotos ousados. Nasceria assim, no dia 29 de abril daquele ano, “Os 1000 Quilômetros de Brasília”, cujo circuito passava por trechos como o Setor Comercial Norte, Hotel Nacional, Setor Comercial Sul, Banco do Brasil, Vale do Rio Doce. A maratona no asfalto foi disputada por 33 competidores. A corrida, com largada às 4h da manhã, tinha quase 10h de duração. Era uma espécie, guardadas as devidas proporções, do circuito de Mônaco (um dos mais tradicionais da Fórmula 1), no coração do Cerrado. Só que sem príncipe. E sem Grace Kelly. E, naquele ano de 1962, também sem JK. “Os carros passavam bem na frente da minha casa. Naquela madrugada, eu, meu pai e meu irmão ficamos na janela de casa assistindo, maravilhados”, lembraria, anos depois, Napoleão Augusto Ribeiro, presidente da Federação de Automobilismo do Distrito Federal (FADF), que morava na 403 Norte, em depoimento ao livro Ponto de Partida. Uma sensação do esporte na cidade na década de 1960, “Os 1000 Quilômetros de Brasília” seriam realizados pelas ruas espaçosas da capital até abril de 1970, quando foi proibido pelas autoridades visando a segurança da população. A última prova, disputada em 1970, debaixo de muita chuva, seria vencida pela dupla Marivaldo Fernandes e Emílio Zambello, pilotando um Alfa Romeo GTA, da equipe Jolly. Só assim, após três anos de corridas numa pista improvisada no estacionamento do Estádio Rei Pelé, finalmente foi inaugurado, em fevereiro de 1974, o hoje Autódromo Internacional Nelson Piquet. O circuito seria inaugurado com uma disputa extracampeonato de Fórmula 1, vencida pelo piloto brasileiro Emerson Fittipaldi, guiando uma McLaren Ford. “Quando, por razões de segurança, os circuitos de rua foram proibidos, era natural que a jovem e veloz capital da República ganhasse um autódromo capaz de receber inclusive GPs da Fórmula 1. E, assim, o circuito brasiliense foi inaugurado”, comenta Paulo Rossi. “À época, era o mais moderno circuito do país”, assegura o jornalista. Ídolos do volante no DF Numa cidade onde as ruas e avenidas largas e espaçosas são abundantes como as grossas raízes árvores do Cerrado – pelo menos nos traços desenhados por Lucio Costa no Plano Piloto -, mais do que natural que uma geração de pilotos de corridas brotasse pela cidade como ouro em mina. O primeiro deles seria o gaúcho de Pelotas, Ênio Garcia, convidado pela Willys Interlagos para disputar a prova dos “1000 Quilômetros de Brasília” já no início da cidade, em 1962. [Olho texto=”Acho essa uma das melhores histórias de Brasília, creio que ela é mais relevante mundialmente para a Capital, que a história do Rock Brasília.” assinatura=”Denílson Félix, cineasta” esquerda_direita_centro=”direita”] “Ênio foi o primeiro nome da capital a conquistar resultados expressivos no automobilismo nacional, orgulhava-se de ter aberto as portas da velocidade para talentos que levaram o nome de Brasília para o mundo”, frisa Rossi. Na segunda metade dos anos 1970, o talento de um jovem criativo de sobrenome francês, fora e dentro das pistas, deu o que falar no Brasil e no mundo. Filho de pais pernambucanos e nascido no Rio de Janeiro, o Piquet foi surrupiado do nome de solteira da mãe. Uma tática matreira para enganar o pai, um respeitado médico, ex-ministro da Saúde, que o queria ver trocando bola nas quadras de tênis. “Ninguém imaginava que o Nelson fosse chegar à Fórmula 1. Nem ele”, recordaria anos depois, no livro Ponto de Partida, José Luiz Faria, um dos mais respeitados mecânicos da mítica oficina de automóveis da capital, Camber, e um dos mentores de Nelson Piquet. “Ele já era bom de volante e tinha ficado muito bom na mecânica. Era inventivo e sempre foi fuçador”, disse Faria. O resto é história, que o transformaria em lenda do automobilismo brasileiro e mundial, com três títulos de Fórmula 1 nas costas, conquistados em 1981, 1983 e 1987. “Nunca sonhei em ser piloto. Nunca achei que seria capaz. Queria apenas saber mais sobre mecânica. Acabei com mais gasolina do que hemoglobina em meu sangue”, admitiria o ídolo, no livro, De Volta Para o Futuro – Camber Uma Escola de Vida, que conta a trajetória da oficina mecânica que consolidou a carreira, também, de Roberto Pupo Moreno. “A Camber física é coisa do passado, mas marcou uma geração de fãs de automobilismo na cidade e o seu legado está vivo na memória dos apaixonados pelo tema”, garante Alex Dias Ribeiro, hoje morando em São Paulo. Quando éramos jovens O ano era 1967. Os Beatles tinham acabado de lançar Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, no Reino Unido, e no sudoeste asiático, a Guerra do Vietnã estava longe de ter um fim. No Brasil, o povo dançava ao som dos festivais da canção sob a sombra da ditadura. Enquanto isso, em Brasília, quatro jovens apaixonados por automobilismo, bons de volantes e antenados em motores alimentavam um sonho quase utópico. “A gente queria ter o nosso próprio carro de corrida”, revela Alex Dias Ribeiro, que, a bordo de um March 761 Ford, chegaria a Fórmula 1 em 1973. E foram o que ele e os amigos Helládio Toledo, João Luiz da Fonseca e José Álvaro Vassalo fizeram, dando origem a uma das mais respeitadas e requisitadas mecânicas de automóveis da capital, a Camber, que até 1975, tinha dois endereços na cidade. Um na Asa Norte e outro na Asa Sul. O nome não podia ser mais apropriado e técnico. Fazia referência ao ângulo de inclinação das rodas de um automóvel. Por ali trabalharam como mecânicos Nelson Piquet e Roberto Pupo Moreno. E ali foi construído o primeiro carro de corrida de Brasília. “Nós conseguimos nosso protótipo”, exulta, Alex. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Dos que tiveram privilégio de pilotar a caranga, vermelha como uma Ferrari e esquisita como um patinho feio, tal qual o personagem da fábula do dinamarquês Hans Christian Andersen – apelido que ganhou após uma reportagem do Correio Braziliense -, o bólido construído improvisadamente em 25 dias conseguiu a façanha de conquistar o segundo lugar nos “500 Quilômetros de Brasília”. Um feito que chamaria a atenção do cineasta Denílson Félix, realizador de um documentário que conta a história desses quatro pilotos sonhadores e sua máquina voadora. O filme foi vencedor da mostra paralela do Festival de Brasília do Cinema de Brasileiro de 2018. “Eu simplesmente achava que levar aquela história para os cinemas era uma necessidade histórica e uma obrigação cinematográfica”, justifica hoje Félix, que pretende lançar uma continuação do projeto. “Acho essa uma das melhores histórias de Brasília, creio que ela é mais relevante mundialmente para a Capital, que a história do Rock Brasília. Estamos ainda trabalhando na segunda parte da história, que agora vai tratar especificamente da oficina Camber, da rotina da oficina Camber, que para muitos, foi o ‘Facebook’ da época”, afirma.  

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Patrícia Calmon, um pastel e um caldo de cana, por favor?

[Numeralha titulo_grande=”29″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Patrícia nasceu e foi criada em Brasília. Depois, morou um tempo fora para estudar, mas sua referência sempre foi a cidade. “Quando criança, morei na Asa Sul e logo que começaram a criar o Lago Sul, na década de 1970, nos mudamos para lá”, conta. Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília “Meu pai, Sebastião Gomes, estava saindo de lua de mel com minha mãe, Ivanildes Rosa da Silva, da Rodoviária do Plano Piloto (na época os ônibus interestaduais saíam de lá) e perderam o ônibus. Ficaram lá sentados enquanto resolviam o que fazer e passou um senhor, que se chamava Eugênio Apolônio, vendendo pastéis em uma cesta. Não tinha nada ali na Rodoviária e, com fome, eles compraram o pastel. Meu pai gostou do produto e disse: ‘olha, eu vou sair de lua de mel e, assim que eu voltar, vou te procurar pra gente fazer negócio’. E assim surgiu a Pastelaria Viçosa. Eles voltaram, montaram a fábrica que era na Asa Sul e, em seguida, conseguiram as concessões da Rodoviária. Isso foi na década de 1960, não sei o ano exato, mas foi logo que a Rodoviária foi inaugurada. Os registros que tenho aqui são de 1968, mas pelas fotos que tenho aqui, acredito que, quando inaugurou a Rodoviária, a Viçosa abriu em seguida. Meu pai esteve à frente dos negócios por 35 anos. Ele anda é vivo, tem 87 anos, mas passou a administração para os filhos há uns 15 anos. Cada vez que penso na história da Viçosa eu fico impressionada. Era para não dar nada, um pastel e um caldo de cana como outro qualquer. A Viçosa se tornou marca de Brasília, acho que essa coisa de a pastelaria ter nascido e crescido com a cidade fez com que o brasiliense, nascido aqui ou não, tivesse um carinho muito grande pela empresa. [Olho texto=”Cada vez que penso na história da Viçosa eu fico impressionada. Era para não dar nada, um pastel e um caldo de cana como outro qualquer.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Costumo dizer que Brasília e a Viçosa são duas amigas de infância inseparáveis que cresceram juntas. Brasília foi crescendo e a Viçosa foi vendo a necessidade de crescer junto. Sou nascida e criada em Brasília, morei fora um tempo para estudar, mas minha referência é Brasília. Quando criança morei na Asa Sul e logo que começaram a criar o Lago Sul, na década de 1970, nos mudamos para lá. O Lago não tinha nada. Quando meu pai falou que a gente ia morar lá eu quase morri. Meus amigos todos moravam no Plano Piloto. A gente morava na 705 Sul e mudamos para a 111 Sul. Íamos e voltávamos a pé, não tinha perigo. Brasília tinha uma coisa interessante que eram as bancas de jornal na entrada das quadras. Então, a gente ia da 111 para a 705 parando em todas as banquinhas para comprar gibis.     O Lago Sul era um mato danado e como é bonito hoje aquela orla. Ter participado da história de Brasília, ter visto esse crescimento, é muito bacana. Uma cidade que não era nada, uma terra vermelha, dizem os pioneiros. E depois de 60 anos você vê uma cidade tão estruturada, um patrimônio cultural, tombado. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] E linda, né? A parte que eu mais gosto de Brasília é o cruzamento dos eixos, o Rodoviário (Eixão) com o Monumental. Em nenhum outro lugar do mundo a gente tem uma avenida tão grande como as nossas. É muito característico de Brasília. O nosso aeroporto é dentro da cidade, a rodoviária no coração dela. Brasília tem peculiaridades que nenhuma cidade tem, foi uma cidade planejada, o que nos deu muita qualidade de vida. Só acho que eles não imaginaram que a cidade ia crescer tanto. Meu pai disse uma vez que Brasília uniu o Brasil e realmente foi. A gente virou um ponto de referência. Brasília já tem a segunda e terceira geração, as pessoas já moram fora e vêm visitar os pais ou os pais vêm visitar os filhos. Antes, a gente não tinha isso. Eram os pioneiros e a minha geração. Dava janeiro e julho, a cidade ficava vazia, todo mundo saía. A cidade está cheia de turistas o tempo todo, ganhou vida nesses 60 anos. Tenho muito orgulho da história do meu pai e de poder fazer parte disso de uma forma ou de outra.”  Patrícia Rosa Calmon, empresária, mora no Lago Sul Depoimento concedido à jornalista Gizella Rodrigues

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Alba Albuquerque, feliz com o passado e o presente da capital

[Numeralha titulo_grande=”30″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.     Alba é encantada pela capital, gosta da diversidade da culinária, dos sotaques. “Espero que Brasília continue acolhendo os que para cá vieram”, fala. Foto: Arquivo pessoal “Sou formada em Letras e professora da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal. Tenho 50 anos e há 25 moro aqui no ‘quadradinho’. Vim de Santarém, no Pará, para buscar melhores condições de vida, tanto pessoais quanto profissionais.  Quando aqui cheguei senti logo que era o meu lugar. Arquitetura impressionante, espaços verdes, ruas largas, o céu mais lindo que já vi, os ipês… Ah, os ipês! Me apaixonei! Sem falar nas oportunidades de crescimento intelectual e profissional. Sou casada e tenho três filhos.  [Olho texto=”Quando aqui cheguei senti logo que era o meu lugar. Arquitetura impressionante, espaços verdes, ruas largas, o céu mais lindo que já vi, os ipês…” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] O primeiro filho já é formado em Pedagogia pela Universidade de Brasília (UnB). Outro, está estudando o mesmo curso na mesma instituição e a terceira filha cursa o ensino médio no Centro de Ensino Escola Industrial de Taguatinga (Cemeit).  Alguns lugares da capital são meus preferidos, como o Parque da Cidade Sarah Kubitschek, o Jardim Botânico de Brasília e a Praça dos Cristais, no Setor Militar Urbano. Lugares espaçosos dão ideia de liberdade, aqui temos esse privilégio.  Sinto falta do Teatro Nacional e dos pés de eucalipto na Estrada Parque Taguatinga (EPTG), pura nostalgia… Brasília é isso, é ser feliz com o passado e com o presente. Sou encantada pela capital, gosto da diversidade da culinária, dos sotaques, dessa mistura de saberes e cultura. Espero que Brasília continue acolhendo os que para cá vieram.” Alba Veridiana Correa Albuquerque, 50 anos, professora, mora em Taguatinga Norte

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Gustavo Chauvet, história viva do Plano Piloto

[Numeralha titulo_grande=”31″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Gustavo Chauvet morou em muitos lugares do “avião” e curtiu a vida nesses locais. Quer saber algo sobre Brasília? É só perguntar para ele. Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília   “Meus pais se mudaram do Rio de Janeiro, para Brasília em 1961. Minha mãe era professora de artes na Escola Parque da 307/308 Sul. Meu pai era professor de inglês, no Centro de Ensino Médio Elefante Branco, hoje localizado na 908 Sul. Nasci em janeiro de 1963, na cidade de Niterói (RJ), interrompendo as férias dos meus pais. Com 15 dias, voltei com eles para Brasília, a bordo do automóvel DKW/Vemag. Vivi até os 11 anos na 406 Norte, com muitas boas lembranças. Estudava na Escola Classe 305 Sul, e todos os dias, à tarde, “descíamos para brincar embaixo do bloco”. Sim, a maior parte das crianças e adolescentes brincava debaixo dos blocos e nos arredores, de pique-pega, pique-esconde, de finca, de bolinha de gude, de bete, de futebol, de queimada etc… E, às vezes, aos sábados e domingos, saíamos em pequenas expedições para conhecer o cerrado, comer cajuzinho, pitanga, tomar banho e brincar com argila no riacho da 413/414 Norte, muito antes da criação do Parque Olhos d’Água, na década de 1990. [Olho texto=”A maior parte das quadras ainda não tinha nenhum bloco de alvenaria construído, nem comercial, nem residencial. Aqui e ali, apenas algumas farmácias e mercearias, de madeira. Algumas vias ainda eram de terra. Por esse motivo, esta região do Plano era chamada de ‘Asa Morte’.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] A maior parte das quadras ainda não tinha nenhum bloco de alvenaria construído, nem comercial, nem residencial. Aqui e ali, apenas algumas farmácias e mercearias, de madeira. Algumas vias ainda eram de terra. Por esse motivo, esta região do Plano era chamada de “Asa Morte”. A partir de 1974, passamos a morar na 309 Sul. Terminei o ensino fundamental nas escolas da 107 Sul, da 106 Sul e no Ginásio do Setor Oeste. Tenho ótimas lembranças dessas escolas, inclusive, quando estudei na Escola Parque, todas as tardes, com aulas de educação física, música, teatro, artes industriais, Práticas Integradas do Lar. Até hoje, faço a barra das minhas calças e prego meus botões, seguindo o que aprendi nessa disciplina. Que saudade do tempo em que a educação era pública, gratuita e de qualidade! E a liberdade de poder ir para a escola e voltar para casa a pé, sem nenhuma preocupação, passando pela Pizzaria Dom Bosco na 107 Sul, ou na primeira banquinha de jornais e revistas do Plano, na 108 Sul ou pela Igrejinha da 307/308 Sul. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Aos domingos, a família toda frequentava o Clube Unidade de Vizinhança, entre as quadras 108/109 Sul. E depois, almoçávamos no Roma, na 511 Sul, ou no Xique Xique, na 107 Sul. Mais tarde, no final dos anos 1970, no ensino médio, e na UnB, no início dos anos 1980, fui descobrindo que sensação de liberdade que sentia era restrita, pois não havia a participação popular nos processos decisórios do país. São muitas lembranças, desta Brasília em Construção, que previa ser inclusiva, mas que não possibilitou, com o passar dos anos, que todas as pessoas que para cá vieram, com esperança de um futuro melhor, pudessem viver nas diversas regiões de Brasília, como os mesmo direitos, serviços e equipamentos públicos do Plano Piloto.” Gustavo Chauvet, 56 anos, escritor e pesquisador sobre a História Ambiental de Brasília, mora no Park Way Depoimento concedido ao jornalista Lúcio Flávio

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Violeta Bucar e uma bolsa chamada “Brasília”

[Numeralha titulo_grande=”32″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Violeta sempre amou Brasília e esse amor lhe foi passado pela família. O avô, Olindo, veio com a família para a cidade, logo após a inauguração. “Meus pais, Lúcia e Guima, mesmo com convites para trabalhos no exterior, preferiram ficar em Brasília. E tiveram outro filho, Diego”, conta. Foto: Arquivo pessoal   “Vim ao mundo em 6 de setembro de 1980. Meus pais haviam acabado de retornar de um período de trabalho em Madri, na Espanha. Minha mãe, muito ligada à família, preferiu dar à luz no Brasil, cercada do amor dos seus pais e familiares e na cidade onde ela cresceu. Sempre amei Brasília e esse amor me foi passado pela minha família. Meu avô, Olindo Costa Nunes, era gerente-geral do Banco do Brasil, e veio com a família para Brasília, logo após a inauguração. Minha avó, Assibe Bucar Nunes, abriu uma agência de Turismo em Brasília e organizou excursões para a Europa e Estados Unidos. Ele foi homenageado recebendo o prêmio de Pioneiro de Brasília e ela recebeu o Prêmio de Mulher Empreendedora. Meus pais, Lúcia Bucar e Guima Guimarães, mesmo com convites para trabalhos no exterior, preferiram permanecer em Brasília. E tiveram, além de mim, outro filho, Diego.  [Olho texto=”Meu irmão e eu tivemos uma infância e adolescência maravilhosas, morando no Park Way e curtindo ar puro, parque, campo de futebol, piscina e muita natureza a poucos quilômetros do burburinho do Plano Piloto.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Meu irmão e eu tivemos uma infância e adolescência maravilhosas, morando no Park Way e curtindo ar puro, parque, campo de futebol, piscina e muita natureza a poucos quilômetros do burburinho do Plano Piloto. O maravilhoso é que posso proporcionar à minha única filha Sophia as mesmas alegrias que tive, vivendo num espaço tão privilegiado do Planalto Central.    Sou bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, assim como minha mãe e meu pai. Desde pequena, amava estar à frente das câmeras, e já aos 8 anos, apresentava um a programa na televisão local, “Bebê Fofinho”,  onde eu podia dançar, cantar e contar histórias sobre os bebês que iam ao programa. Durante muitos anos, atuei como atriz em documentários e videoclipes, além de participar de espetáculos de balé clássico e audições de canto lírico. Desfilando em passarelas durante muitos anos e trabalhando como atriz em filmes publicitários, tomei muito gosto pela Moda. E então, fiz pós-graduação sobre a área, me especializando.  [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Em 2018, junto com meu marido Tiago Liporoni, criamos uma marca brasiliense de acessórios femininos e masculinos, como óculos, bolsas e sandálias.  As bolsas recebem nomes de algumas das metrópoles mais famosas do mundo, de acordo com o seus designs, materiais e formatos. Uma singela forma de homenagear as cidades que admiramos seja por suas culturas, pelas belezas naturais, ou suas arquiteturas. E é claro que Brasília foi homenageada, dando o nome a uma linda bolsa que possui design moderno e remete ao seu traçado arquitetônico. Quero que a minha marca cresça em Brasília, como eu cresci – e sendo referência de estilo da beleza da capital do Brasil para o mundo todo.”   Violeta Bucar, 39 anos, empresária, moradora do Park Way

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Giséle Santoro, um “Pas de Deux” com a capital

[Numeralha titulo_grande=”32″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Gisèle Santoro sempre adorou a cidade, o verde, a possibilidade de ter um beija-flor na varanda. “A gente sai ali embaixo, pega manga e vem comer em casa. A gente se sente ligado à natureza. Eu me sinto como se estivesse no campo, mas ao mesmo tempo na cidade”, diz. Foto: Paulo H. de Carvalho/Agência Brasília   “Minha história com Brasília é muito longa porque eu dancei na inauguração da cidade, em cima do Congresso. Minha mãe era diretora da Câmara dos Deputados, e meu tio era vice-presidente da Casa. Depois, minha mãe, com a mudança da capital, teve que vir para cá. Em 1962, deixei o corpo de baile do Municipal (no Rio de Janeiro) porque a diretora saiu de lá e revolveu montar uma companhia de dança particular. O (maestro) Cláudio Santoro era muito amigo dela e tinha acabado de chegar em Brasília para montar o Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB). No começo, naquela primeira fase, ele ficou encarregado de criar uma vida cultural na cidade, organizava concerto e tudo o mais. Eu dançava balé com músicas do Cláudio. Ele morava naquela época junto com outros professores na UnB, num prédio chamado Centro de Dança, na época chamado alojamento da Petrobrás. Foi assim que o conheci e aí começou um romance de amor. Eu era casada com o Oscar Castro Neve, precursor da bossa nova, que disse para mim: ‘Se eu fosse mulher eu também me apaixonaria por ele’. Ele era fã do Cláudio total, da música do Cláudio. [Olho texto=”Aqui você olha para o horizonte e está olhando desde o nascente até o pôr do sol. Vê a Lua nascer que nem um queijo e depois ficar linda de morrer lá em cima. Aqui você abre a porta e já está no jardim, está na piscina, está no lago. Essa é a qualidade de Brasília.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Fizemos uma viagem pela Europa e viemos para Brasília em 1963, mas não durou muito tempo, não, porque com a revolução de 1964 fomos para o exílio na Alemanha, retornando só em 1978. Retornarmos porque o Cláudio era apaixonado por Brasília. Ele voltou cinco anos depois de ele se aposentar na Alemanha. Eu, na verdade, não queria voltar. Foi a época mais feliz da minha vida os anos que eu passei na Alemanha. A gente estava maravilhosamente bem lá, éramos muito respeitados, mas Cláudio, muito mais do que eu, era totalmente ligado a Brasília, como se fosse um filho que ele não tinha conseguido levar adiante, a obra que ele começou aqui e tinha que continuar. Eu sempre adorei a cidade, sendo o que ela é, o verde que ela tem, a possibilidade de você ter um beija-flor na sua varanda, um morcego… coruja, gavião, tudo aparece aqui. A gente sai ali embaixo, pega manga e vem comer em casa. A gente se sente muito ligado à natureza. Eu me sinto como se estivesse no campo, mas ao mesmo tempo na cidade. Eu detesto uma cidade que você tem que olhar para cima para ter que olhar o céu, como São Paulo ou Nova York. Aqui você olha para o horizonte e está olhando desde o nascente até o pôr do sol. Vê a Lua nascer que nem um queijo e depois ficar linda de morrer lá em cima. Aqui você abre a porta e já está no jardim, está na piscina, está no lago. Essa é a qualidade de Brasília. O único drama para mim e que não deixa a cidade ser perfeita é porque a parte cultural dela, assim como é no Brasil, é jogada pras cucuias. Se essa cidade fosse criada na Alemanha, o que seria em material de cultura… [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Um dos prazeres que Brasília me deu foi ter criado o Seminário Internacional de Dança, que este ano vai para a 30ª edição e que já mandou quase nove mil bailarinos para o exterior com bolsas de estudos e contratos. Tem um menino de Samambaia que hoje é diretor de uma cia de dança no Canadá. Tem uma menina de 16 anos que trabalha num teatro na Alemanha que ganha uns mil euros por mês. Tudo isso, mais do que orgulho, representa uma missão de vida. Porque eu sou único, você é único, ele é único, talento não se joga fora, quando não aproveito você é o planeta que perde, a cidade que perde e a gente faz isso aos milhões. O que espero para Brasília e para o Brasil é que a educação seja mais valorizada. Ela é tudo para o ser humano, tudo.”  Gisèle Santoro, bailarina,  Depoimento concedido ao jornalista Lúcio Flávio

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Toys, um grafiteiro que enche a capital de cor

[Numeralha titulo_grande=”33″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Toys conheceu dez países graças ao seu trabalho. Segundo conta, Brasília é diferente de tudo o que conheceu. “É peculiar na forma arquitetônica e na forma de se espalhar. O que eu mais gosto daqui é que Brasília é uma geometria e meu trabalho é muito geométrico”, fala. Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília   “Eu sou o Daniel, mais conhecido como Toys, sou nascido e criado em Brasília, sempre morei no Guará e faço grafite há 15 anos. Nessa caminhada, eu tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas e de viver minha cidade, porque estou sempre nas ruas de Brasília. Meu caráter e meus valores foram moldados aqui. Também pude conhecer dez países graças ao meu trabalho. Brasília é diferente de tudo o que conheci. É peculiar na forma arquitetônica e na forma de se espalhar. O que eu mais gosto daqui é que Brasília é uma geometria e meu trabalho é muito geométrico. Apesar de ter os bonecos, os personagens, tudo parte do princípio da geometria, dos ângulos curvos, retos. Então, querendo ou não, tem tudo a ver essa conversa entre a minha geometria e a geometria da cidade. A própria planta da cidade ser um avião, eu acho muito legal. Eu enxergo Brasília como módulos de informação geométricos, tanto o Plano Piloto que é mais bem desenhado, quanto as satélites, que é algo mais orgânico. [Olho texto=”Se eu pudesse grafitar algum monumento de Brasília, escolheria o Museu da República, aquele círculo de concreto, até pelo formato dele. Ele é muito branco, daria pra fazer um trabalho bem legal.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Esteticamente, Brasília me chama a atenção porque ela é muito padronizada nas cores. Tem o azul do céu, o branco do concreto das construções, que na seca vira aquele vermelho, aquele barro que gosto muito. Esse contraste de ser seis meses vivo e seis meses no deserto é bem legal pra mim. Daí eu inseri muita cor, meu trabalho é coloridaço e cheio de informação. Nada melhor que jogar muita cor nesse concreto e nesse azul pra dar uma quebrada. Meu trabalho chama muita atenção por isso, foge do padrão da cidade.   Brasília é muito nova, são só 60 anos, é uma tela em branco. As gerações que estão vindo, nascendo em Brasília, é que estão começando a dar a cara da cidade. Eu, por exemplo, tenho 28 anos, peguei a cidade já formada, mas agora ela está crescendo e eu estou crescendo junto com ela. É como se meu trabalho, que está em vários lugares, já fizesse parte da cidade. E é o que eu desejo, que meu traço vire identidade visual de Brasília. Já perdi as contas de quantos painéis pintei nesses 15 anos. Mais de mil, acho. Quando comecei a pintar, até alguns anos atrás, focava muito no Plano Piloto porque eu acreditava que era o ponto de encontro de todas as cidades satélites. Mas agora quero fazer o caminho inverso, quero sair do Plano e pintar mais nas regiões administrativas, até em lugares que ninguém vai ver, como uma tampa de esgoto ou embaixo de uma ponte que ninguém passa. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Se eu pudesse grafitar algum monumento de Brasília, escolheria o Museu da República, aquele círculo de concreto, até pelo formato dele. Ele é muito branco, daria pra fazer um trabalho bem legal. A Catedral é linda, mas acho que ela é perfeita. Não precisaria pintar ela, até por causa daquela geometria. Eu espero que Brasília dê cada vez mais oportunidades, tanto pra mim quanto para essa nova geração de brasilienses. E desejo que as pessoas daqui comecem, cada vez mais, a criar a cara de Brasília. A gente é muito novo, tem muito para crescer.” Toys Daniel, 28 anos, artista plástico, mora no Guará

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Adriano Siri e a graça candanga espalhada pelo Brasil

[Numeralha titulo_grande=”34″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Em Brasília, Adriano Siri fez grandes amigos, construiu família, se estabeleceu profissionalmente. “Brasília me deu tudo. E até hoje me encanto com o céu tão azul e as manhãs frias e vastas da nossa capital”, confessa. Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília   “Brasília me encanta desde minhas primeiras lembranças daqui. Quando cheguei com meus pais, prestes a completar doze anos, em meados de 1980, me impressionou o céu tão azul e as manhãs muito frias. O grande vazio, os enormes espaços, o horizonte de quase 360 graus… Andar criança entre os blocos, brincar nas entrequadras, fazer novos caminhos por diferentes pilotis… isso me dava uma liberdade que nunca tinha experimentado. [Olho texto=”Com a Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo tive a oportunidade de estar em cartaz na maioria dos espaços culturais da Capital e, mais, levar com enorme orgulho e alegria o nome da nossa cidade por todo o Brasil e para o exterior” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] E assim chegou a adolescência. Amigos queridos, lugares novos, música feita aqui e a vastidão nos davam uma identidade que nenhuma outra cidade tinha. Podíamos nos orgulhar de sermos esse povo diferente da Capital.  De alguma maneira, me parece ter sido esse encanto pela diferença em todas as coisas da cidade que me levou a cursar Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Brasília. Mais do que uma necessidade profissional, o curso – o contato com colegas e mestres que, assim como eu, buscavam decifrar Brasília – me fez admirar e usufruir ainda mais e melhor nossa cidade. Formado, exerci a profissão, mas logo fui levado para o cenário cultural que não as artes da prancheta. Fui músico e, no susto, fui alçado à condição de ator. Com a Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo tive a oportunidade de estar em cartaz na maioria dos espaços culturais da Capital e, mais, levar com enorme orgulho e alegria o nome da nossa cidade por todo o Brasil e para o exterior, mostrando que Brasília é muito mais que uma cidade fria da política, é um polo de produção cultural, berço de grandes nomes da arte contemporânea, nos mais variados segmentos. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Apesar das oportunidades e desafios, quis viver aqui. Meus filhos nasceram aqui e há 20 anos moro na quadra modelo de Brasília. Andar entre as quadras do Plano me dá a perfeita sensação que somos privilegiados por viver num grande parque. As árvores que florescem ao longo do ano inteiro, carcarás, curicacas, pica-paus e almas-de-gato, entre tantos outros pássaros e representantes da fauna e flora do Cerrado, coabitam conosco. Fiz grandes amigos, construí minha família, me estabeleci profissionalmente. Brasília me deu tudo. E até hoje me encanto com o céu tão azul e as manhãs frias e vastas da nossa capital.” Adriano Siri, 51 anos, ator da Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo. Mora na 308 sul desde 2001 e desde 1980 em Brasília Depoimento concedido a Freddy Charlson

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Dona Sarah Kubitschek, o braço direito de JK

A ex-primeira-dama do Brasil (entre 1956 e 1961) desempenhou importante papel na construção de Brasília e foi idealizadora do Memorial JK. Foto: Divulgação Elegante, perfeccionista, carismática, acessível, extrovertida, determinada, corajosa. Essas são algumas das qualidades que Sarah Kubitschek arranca de familiares, amigos e ex-funcionários. A ex-primeira-dama do Brasil (entre 1956 e 1961) desempenhou importante papel na construção da nova capital e foi idealizadora do museu mais famoso de Brasília, o Memorial JK. Dona Sarah, como era conhecida, também dedicou sua vida a projetos sociais que mudaram a vida de milhares de pessoas carentes.  Sarah Luiza Gomes de Lemos nasceu em 5 de outubro de 1908, em Belo Horizonte. Integrante de uma das famílias mais tradicionais de Minas Gerais, a política começou a fazer parte de sua vida desde a infância. O pai foi deputado federal e, aos 18 anos, ela conheceu o jovem médico Juscelino Kubitschek em uma festa. Noivaram, terminaram – devido a um curso de especialização que JK faria na Europa – e reataram. Em 31 de dezembro de 1930, eles se casaram e anos depois tiveram uma filha, Márcia e adotaram Maria Estela.  Algum tempo depois Juscelino disse a ela que recebera um convite para entrar na política. Mesmo não gostando da área, incentivou o marido a aceitar a proposta e, aos poucos, foi inserindo-se no meio. “Ela não gostava de política. Quando casou com o meu bisavô pediu para que ele nunca entrasse no meio”, lembra André Kubitschek, bisneto de Sarah.  Há quem diga que sem dona Sarah, a nova capital não existiria. André não só concorda, como lembra que a bisavó teve papel fundamental na concepção de Brasília. “A mudança que ele (JK) estava fazendo não era uma transformação qualquer. Era o progresso do Brasil. Meu bisavó sofreu muito com isso e minha bisavó esteve presente em todos os momentos. Ela sabia que o papel dela era muito importante nos anos de mandato dele”, conta.     Trabalho social  O trabalho social na vida da ex-primeira-dama da República começou quando JK assumiu o governo de Minas Gerais. A ideia da esposa de Juscelino era dar assistência social à crianças, mães, grávidas e famílias menos favorecidas da sociedade. Ela criou a Associação das Pioneiras Sociais e, tão logo o marido conquistou à Presidência da República, o projeto ganhou força.  O bisneto André Kubitschek acredita que se tivesse tido a chance de conviver com a bisavó a relação dos dois seria ótima. Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília Um dos maiores feitos da associação foi a criação do Centro de Reabilitação Sarah Kubitschek, em 1960 – referência no atendimento de reabilitação no país. Atualmente, além da unidade em Brasília, há hospitais em outras capitais: Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Macapá, Salvador, São Luís e Rio de Janeiro. Dona Sarah decidiu criar o centro após os problemas de coluna da filha Márcia.  Outro pedido dela foi a construção da Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, localizada na 307/308 Sul. O bisneto André relembra que o primeiro templo religioso faz parte de uma promessa de cura que a bisavó fez, caso a avó Márcia melhorasse da coluna. O local, projetado por Oscar Niemeyer e revestido com azulejos de Athos Bulcão, é um dos principais pontos turísticos de Brasília.    Outro ponto da capital que carrega o nome da ex-primeira-dama do Brasil é o Parque da Cidade Sarah Kubitschek, antes nomeado Rogério Pithon de Faria, filho do ex-governador Elmo Serejo Farias. Localizado na Asa Sul, o espaço é um dos centros de lazer ao ar livre de Brasília e conta com quadras de esportes; centro hípico; pistas de caminhada, patinação e ciclismo; e parque de diversões, entre outros.         Memorial JK Um mês após a morte de JK em um acidente de carro, Sarah decidiu que construiria um memorial que perpetuasse a história daquele que ousou erguer Brasília no meio do Cerrado. Mesmo durante o regime militar, ela percorreu o país para arrecadar recursos e doações em prol da obra. O ato contou com o apoio de políticos, amigos e familiares. O então presidente João Figueiredo cedeu o terreno e Oscar Niemeyer fez o projeto. A obra foi feita em 17 meses. São 120 metros de comprimento, 32 metros de largura e um pedestal de concreto armado de 28 metros de altura, de onde sai uma grande mão em forma de concha e protege a estátua em bronze, feita por Honório Peçanha, de onde JK acena para a cidade.  [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Em 12 de setembro de 1981, data do aniversário de Juscelino, o Memorial JK foi inaugurado. O local reúne um acervo de relíquias que contam a história por trás da epopeia da cidade, da vida e obra do ex-presidente da República, uma reconstrução da biblioteca pessoal, a sala de metas para seu governo, maquetes, vestes e imagens da construção e inauguração da capital que no próximo mês completa 60 anos.  Os espelhos d’água, as rampas de acesso, e o verde do gramado e dos jardins emolduram o edifício monumental, todo em mármore branco contrastando com o céu da capital. No jardim, uma escultura de Dona Sarah abraçada ao presidente convida o visitante a conhecer um pouco da história do Brasil. Um pequeno monumento de granito negro reproduz uma das frases do ex-presidente. Às vésperas do aniversário do ano passado, o local passou por manutenção externa que deixou a fachada com cara de nova.   Eurícles Antônio de Oliveira, 65 anos, foi um dos primeiros funcionários e conviveu com Dona Sarah durante os anos de gestão dela à frente do Memorial. Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília Eurícles Antônio de Oliveira, 65 anos, foi um dos primeiros funcionários do monumento e conviveu com Dona Sarah durante os anos de gestão da ex-primeira-dama à frente do Memorial. “Ela sempre falava com a gente quando chegava e saía, à tarde, quando costumava vir. Muito chique e simpática, fazia questão de dar atenção especial aos funcionários. No final do ano reunia a gente no gabinete dela para desejar Feliz Natal e Ano Novo”, lembra o recepcionista.  Também na sala de Sarah, com jardim de inverno feito pelas mãos de Roberto Burle Marx e que guarda objetos pessoais e fotografias da época, é que os empregados do Memorial preparavam religiosamente uma festa surpresa para comemorar o aniversário da ex-primeira dama. “Encomendávamos bolo, salgados, docinhos e refrigerantes para cantar parabéns para ela. Sabíamos que ela ficava muito feliz com esse carinho”, garante Eurícles, que também foi motorista dela.  Despedida Sarah Kubitschek morreu em 4 de fevereiro de 1996 e sua partida deixou saudades. O bisneto André Kubitschek acredita que se tivesse tido a oportunidade de conviver com a bisavó a relação dos dois seria ótima. “Diziam que ela era uma pessoa bem humorada e eu também sou assim. Ao mesmo tempo que ela era super elegante, formal e alinhada, ela também era carismática, super família. Minha bisavó unia a imagem pessoal e social”, comenta.  Outro ponto que chamava a atenção, segundo André, era o sexto sentido para a política. “Ela sabia fazer essas leituras. Naquela época, infelizmente, a mulher ocupava papéis secundários nessa área, mas ela estava sempre ali advertindo riscos para o meu bisavô”, explica.   Autora do livro Todas as mulheres dos presidentes, junto com Murilo Fiuza, Ciça Guedes afirma que a atuação da ex-primeira-dama da República foi fundamental para que Juscelino conseguisse tirar suas propostas do papel. “Ele conseguiu cumprir 70% do plano de metas do seu governo. Isso é um feito histórico graças ao senso de cumprimento de prazo dela. Ela pegava no pé dele para que o que foi prometido fosse cumprido”, conta.   

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Camilla Mendes: “Brasília é o meu café de cada dia”

[Numeralha titulo_grande=”35″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Camilla Mendes diz que ninguém conhece Brasília como pensa, que todo dia é uma nova descoberta. “Brasília é uma pessoa. My favorite person”, abre o coração. Foto: Arquivo pessoal   “Brasília é uma pessoa. De natureza e concreto. Como qualquer relação longa, vivemos altos e baixos. A gente se entende, desentende. Muitas vezes, quis ir embora. Depois, ficar. Nas nossas brigas, prometo que vou mudar e não voltar, que ela é ingrata, que não sabe reconhecer talentos.  Me esforço tanto! Eu quero fazer mais por você, pelos seus! Mas você fica aí, imóvel, fria. Nem deve saber o nome dos vizinhos!, grito. Ela, calada permanece. Às vezes, por meses. Seca meu gramado, leva minhas flores… Eu reinicio os planos de ir embora. [Olho texto=”E, ó, se tem uma coisa que Brasília me ensinou foi a recomeçar. A vida é dinâmica e, como no Eixão, se a gente parar, todo mundo para.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Aí, sem mais nem menos, numa tarde de outubro, ela traz uma chuvinha. Sobe aquele cheiro de terra, de vida que me amolece… Lá vem Brasília me mostrando novos caminhos, novas maneiras de recomeçar. Um pedido silencioso de desculpas. É que a gente ainda tá se entendendo, ela diz. E, ó, se tem uma coisa que Brasília me ensinou foi a recomeçar. A vida é dinâmica e, como no Eixão, se a gente parar, todo mundo para. Brasília é tímida. Demora a se abrir, mas se você cai nas suas graças, os setembros serão floridos. Ela é generosa. Quando chove, chove, e quando seca, ô… [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Nesse sobe e desce das tesourinhas, eu escolhi ficar, fazer daqui meu lar e ganha-pão. Ganha café, no caso. Brasília tem isso na lista de prós. Me apresentou um amor que é sempre o mesmo e sempre novo: o café. E, com ele, construo outra relação. Apresentar aos outros uma nova visão, um novo sabor, uma maneira de se degustar o que se achava conhecer.  Meu café é como Brasília. Ninguém a conhece como pensa, todo dia é descoberta. Brasília é uma pessoa. My favorite person. Camilla Mendes, 37 anos, barista, moradora de Águas Claras Depoimento concedido ao jornalista Freddy Charlson

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Ana Saggese vive um roteiro de sonho na cidade

[Numeralha titulo_grande=”36″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Ana Saggese diz que muitas cidades se parecem com outras, mas que Brasília “se parece com Brasília”. “Você pode gostar ou não, mas ela tem sua própria personalidade”, diz. Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília   Se alguma vidente tivesse me dito que eu moraria em Brasília, eu teria dado risada. Minha vinda de São Paulo para cá foi decidida de forma muito rápida e em um mês eu já estava morando aqui. No caminho do aeroporto para o hotel, olhando pela janela do táxi, eu fiquei encantada com a beleza da paisagem.  Para quem vem de uma realidade mondrianesca como São Paulo, as árvores floridas, o recuo dos prédios e a escala dos edifícios são como um respiro. O desenho limpo e organizado da cidade é, ao mesmo tempo, estranho e sedutor. Tudo isso embalado por um céu azul imenso. Em São Paulo não se vê céu, mas outdoor, balão de propaganda, poste de iluminação – que às vezes até se confunde com uma lua cheia. [Olho texto=”Aqui, a natureza é generosa e alivia qualquer tensão. Na minha quadra, a SQN 108, tem abacateiro, amoreira, goiabeira, e… acabaram de fazer uma horta. ” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Poucas cidades têm um Parque Nacional com piscinas de água mineral. Já vi bandos de macacos e uma infinidade de pássaros por lá. Aqui, a natureza é generosa e alivia qualquer tensão. Na minha quadra, a SQN 108, tem abacateiro, amoreira, goiabeira, e… acabaram de fazer uma horta.  Da janela, posso ouvir as crianças brincando e até chamá-las. Minha filha desce e anda de patins entre os pilotis. Ela chegou aqui com sete anos e se adaptou tão bem, que não podemos falar em voltar. Muitas cidades se parecem com outras, mas Brasília se parece com Brasília. Você pode gostar ou não, mas ela tem sua própria personalidade.  [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Aos poucos fui conhecendo o Plano e os problemas foram aparecendo. Não acho que seja um lugar fácil para quem não é funcionário público. É caro e, em muitos aspectos, os encontros são difíceis. Quase não se vê gente na rua e a vida para quem não tem carro é complicada. Mas posso me programar. Levo pouco tempo de um lugar a outro. E consigo fazer mais de uma coisa por dia, o que seria impossível em São Paulo. Quando eu conheci a UnB, minha vida tomou um rumo inesperado. Comecei a fazer mestrado em Comunicação e um novo mundo se abriu. A universidade é um lugar de encontro e ainda há um clima de utopia muito presente. É impossível não se lembrar de Darcy Ribeiro e do que o Brasil poderia ter sido. E, talvez, algum dia, ainda possa vir a ser.  Ana Saggese, 53 anos, é roteirista e mora na 108 Sul

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Mayra Alice e seu amor incondicional pela Asa Sul

[Numeralha titulo_grande=”37″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Mayra Alice conta que conheceu muitos amores em Brasília, que construiu muitos afetos. “A minha história só existe graças a essa cidade, que não foi um amor à primeira vista, mas, com certeza, é um amor para a vida toda”, confessa. Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília   “Eu nasci em Brasília, mas fui criada em outro lugar. Então, eu sei como os, digamos, forasteiros se sentem. Pois quando voltei, eu era uma. Brasília pode ser um lugar frio. Todo esse concreto, todo esse planejamento, esses espaços verdes – porém vazios – entre uma quadra e outra… acho que isso causa um certo distanciamento entre as pessoas. Um desconforto. E cada um vem de um canto, né? Tem isso, também. Cada um com seu jeito. Por um tempo, todo esse frio e essa distância me fizeram querer ir embora daqui. O que eu mais queria era ir para outro canto, para qualquer lugar.  [Olho texto=”Mas a vida acontece apesar da gente, através da gente. Eu dei uma chance pra cidade (ou a cidade deu uma chance pra mim?) e aqui eu conheci os melhores amigos que alguém pode ter.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Mas a vida acontece apesar da gente, através da gente. Eu dei uma chance pra cidade (ou a cidade deu uma chance pra mim?) e aqui eu conheci os melhores amigos que alguém pode ter.  E a gente curtia nos melhores lugares que alguém poderia curtir: Beira, Libanus, Espaço Cultural Renato Russo, complexo de bares da Asa Norte, festinhas da UnB, cinema no Pátio Brasil, boliche no ParkShopping e os shows de rock na Concha Acústica, no Nilson Nelson e no Skate Park. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Perambulei muito pela W3 Sul – entre as paradas de ônibus, a escola e as casas de amigos –, o que gerou em mim um amor incondicional pela Asa Sul. Não há igreja mais linda que a Igrejinha da 308, cachorro-quente mais saboroso que o da 213 Sul, torta alemã melhor que a da Praliné.  Aqui eu conheci tantos amores, construí muitos afetos. E desfiz alguns, porque faz parte. A minha história só existe graças a essa cidade, que não foi lá um amor à primeira vista, mas, com certeza, é um amor para a vida toda.”  Mayra Alice Morais, 36, servidora pública, moradora de Águas Claras Depoimento concedido ao jornalista Freddy Charlson

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Reunião define data de lançamento do selo dos 60 anos de Brasília

| Foto: Vinícius de Melo / Agência Brasília Para a comemoração dos 60 anos de Brasília, o Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Turismo, tem realizado uma série de ações conjuntas em parceria com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Uma delas transcorreu na manhã desta segunda-feira (16), na sala de reuniões da vice-governadoria, onde se discutiu o lançamento oficial do selo comemorativo dos 60 anos da capital federal, previsto para 17 de abril, às 10h, no Palácio do Buriti. O pedido de lançamento do selo foi feito pelo vice-governador Paco Britto, em 8 de março, ao superintendente estadual de Operações dos Correios, Luís Fernando Castilho Lavoyer, durante a festa de comemoração dos 35 anos do Jardim Botânico. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Durante o encontro com a equipe da superintendência da instituição, o vice-governador falou sobre a importância da padronização da arte, alusiva à data comemorativa dos 60 anos, sugerindo como esboço a Catedral de Brasília, um dos principais símbolos da cidade. “Mas será um evento fechado ao público”, ressaltou Paco, em referência aos decretos do Executivo local que reúnem medidas de enfrentamento ao novo coronavírus (Covid-19) no Distrito Federal. Ficou definido, por enquanto, que serão distribuídos kits de lembranças a cerca de 120 personalidades que contribuíram para o DF, que deverão participar das comemorações, além de um agradecimento, em especial, ao artista responsável pela arte do selo, entre outras medidas. Novas reuniões deverão ser efetivadas para a conclusão das medidas. A secretária de Turismo, Vanessa Mendonça, que também participou da reunião, reforçou a celebração dessa parceria com os Correios, lembrando sobre a primeira ação ocorrida na semana passada (7), no Planetário de Brasília, também fechado ao público, quando a instituição lançou o bloco de selos com o tema “Sistema Solar” – evento que integra também o calendário oficial das comemorações da data sexagenária da capital federal. Participaram desta cerimônia autoridades nacionais e estrangeiras, filatelistas e comerciantes filatélicos. Sem citar as datas, Vanessa informou ainda que mais duas ações neste sentido deverão ser realizadas nas próximas semanas.

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Alexey e a cidade que foi essencial para o progresso dele

[Numeralha titulo_grande=”38″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Alexey é grato a Brasília. “Tive estrutura, amor e compreensão dos amigos e colegas, sem os quais, sem Brasília, não conseguiria superar esses momentos”, diz. Foto: Arquivo pessoal Foto: Arquivo pessoal “Sou mineiro de nascimento e coração. A minha família está quase toda por lá. Já vivi em vários lugares: de Bocaiúva, onde nasci, a Lisboa, em Portugal, onde tive uma curta, porém, intensa experiência de vida e estudos.  Brasília não foi uma decisão fácil e não necessariamente voluntária. Passei em um concurso público para um cargo federal. Sem vaga em Belo Horizonte, fui para Uberaba. Com poucas chances de voltar, tive Brasília como oportunidade. E achado.  [Olho texto=”A cidade continuará sendo um lar e referência de generosas e cuidadosas amizades, segurança, tranquilidade, o céu que transporta para o infinito, e das corridinhas despretensiosas pelos parques e áreas verdes que dominam Brasília.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Fui recém-casado, mas muito apaixonado, e juntos, eu e o meu marido, encantamo-nos pela cidade. Diferentemente do que normalmente acontece com os (ainda) não candangos, fomos bem recebidos. Tenho tios e primas no Distrito Federal e isso acabou mostrando-se fundamental, até mesmo para gentilmente compartilhar conosco os amigos de coração. Há mais de 14 anos estou em Brasília. Nesse intervalo, foram várias as oportunidades de voltar a morar em Belo Horizonte. Deliberei, no entanto, por ficar. Embora continue longe dos meus pais e irmãos, não me arrependi. Brasília foi essencial para o meu progresso pessoal e profissional.  Tive aqui possibilidades de trabalho que não conseguiria em qualquer outro lugar do Brasil, mesmo em metrópoles como São Paulo ou Rio. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Descasei-me, sofri, tive momentos de solidão, mas tive, acima de tudo, estrutura, amor e compreensão dos amigos e colegas, sem os quais, sem Brasília, não conseguiria superar esses poucos momentos difíceis. No final, tudo foi decisivo para o meu crescimento. Mas chegou a hora de dizer um até breve ao Quadradinho. Estou mais uma vez de partida. Comecei a fazer trabalho remoto e decidi estar mais perto do meu novo amor. Deixo em Brasília parte do meu coração. A cidade continuará sendo um lar e referência de generosas e cuidadosas amizades, segurança, tranquilidade, o céu que transporta para o infinito, e das corridinhas despretensiosas pelos parques e áreas verdes que dominam Brasília.” Alexey Maia, 47 anos, procurador da Fazenda Nacional, mora no Park Sul  

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Cecéu e o amor pelo céu da capital

[Numeralha titulo_grande=”39″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.   Em 1966, na chegada a Brasília, com a família, Cecéu viu o surgimento das primeiras escolas e dos primeiros comércios locaisna ainda inacabada Asa Norte. Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília   Minha história de amor com Brasília começa com a corajosa decisão de um casal de funcionários públicos paraibanos – à época radicados na cidade de Fortaleza – de se mudarem para a Capital Federal, motivados por melhores condições de trabalho e na esperança de um futuro melhor para seus filhos. Apesar das dificuldades e desafios em viver quase como desbravadores no meio do Cerrado do Planalto Central, só quem viveu naquela época sabe o quanto foi impactante acompanhar cada etapa da construção da cidade idealizada por JK. Foi quando os nominados Candangos ou Pioneiros deixaram as diversas regiões do país para, literalmente, erguerem a Nova Capital. [Olho texto=”Apesar das dificuldades e desafios em viver quase como desbravadores no meio do Cerrado do Planalto Central, só quem viveu naquela época sabe o quanto foi impactante acompanhar cada etapa da construção da cidade idealizada por JK.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Com minha família não foi diferente. Em 1966, com meus pais e três irmãs desembarcamos na emblemática 312 Norte, uma das primeiras Superquadras do Plano Piloto. À época foi possível testemunhar o surgimento das primeiras escolas, dos primeiros comércios locais com suas padarias, bares, açougues, farmácias e a construção de novas quadras da ainda inacabada Asa Norte – dando forma ao projeto idealizado pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa – usufruindo intensamente das áreas verdes e pilotis dos blocos. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Por sua vez, o convívio ao longo dos anos com mineiros, baianos, goianos, piauienses, cariocas, paraibanos e cearenses – com suas diferentes características e tradições – contribuiu na formação de minha personalidade e no jeito brasiliense de ser, caracterizado pelo respeito às diferenças, à pluralidade e à diversidade cultural. A cidade que acolheu meus pais, tios e avós paternos oportunizou que parte da família entrasse para o serviço público. Hoje, aposentado, casado com uma brasiliense da gema e com dois filhos, tenho me dedicado ao hobby da fotografia o qual não tenho dúvida de que fui influenciado pela “Cidade Céu” e, como diz seu hino, a cidade “Rainha do Planalto”, que, com suas silhuetas e singularidades, me encanta e inspira. Carlos Cezar Soares Batista, o Cecéu, 58 anos, servidor público aposentado, mora na 715 Sul

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Francisco Ansiliero e seu apreço pelos temperos

[Numeralha titulo_grande=”40″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Francisco Ansiliero mora em Brasília desde 1987. É do sul de Santa Catarina, mas morou em várias partes do país. Eu vinha voltando para o Sul e recebi um convite para trabalhar em Brasília. Foto: Renato Araújo/Agência Brasília   “Hoje, quando eu olho para trás, vejo como a gastronomia ajudou no crescimento de Brasília. Quando eu abri o restaurante, em 1988, só tínhamos o básico. Os restaurantes fechavam no fim de dezembro, janeiro e fevereiro. Abriam quando o Congresso Nacional voltava de recesso. Não tinha ninguém em Brasília. O Ceasa era um empório de secos e molhados e, gradativamente, começamos a pedir e os comerciantes começaram a trazer de São Paulo salsão, alho-poró, erva-doce, tomilho, sálvia, brócolis… Não tinha alface americana aqui na época, por exemplo. E os japoneses rapidamente começaram a produzir essas coisas que não tinha em Brasília, acho que em um ano estavam produzindo. Atualmente se acha tudo aqui. Me sinto feliz de poder, no sábado, me levantar às 5h e ir pro Ceasa. Tudo que eu preciso eu encontro lá, não trago mais nada de fora, só o que é importado. O que é produzível no Brasil se produz em Brasília e com ótima qualidade. É impressionante a mudança que aconteceu nesses 30 anos.   O Ceasa prestou grande serviço nesse sentido. A pedido dos donos de restaurantes, ampliou rapidamente o parque de frutas e legumes. Mais tarde veio a agricultura orgânica. O Ceasa foi o grande vetor de transformação e da melhoria da gastronomia de Brasília. A Embrapa, também. No final dos anos 90, a Embrapa desenvolveu um tomate chamado san marzano, que é o típico tomate de Nápoles, aquele tomate comprido, doce. E entregou para os produtores do Pipiripau, mas a Embrapa esqueceu que deveria haver mercado, para onde iam levar? [Olho texto=”Morar em Brasília é bom. Tudo que tem em São Paulo e no Brasil inteiro temos aqui. Brasília é a grande vitrine nacional, todo mundo quer ver aqui o produto do seu estado e da sua região. Hoje você tem em Brasília restaurantes de todas as regiões e todas as etnias.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Na época, os produtores precisavam vender a caixa do tomate a R$ 12 para ter algum retorno – custava quase R$ 10 para eles produzirem. E a turma vendia o tomate normal a R$ 5.  Ninguém queria comprar. Então, reunimos um grupo de cinco, seis donos de restaurante, íamos lá buscar o tomate e pagávamos R$ 12 para eles continuarem plantando. Em três anos vencemos a guerra, eles foram aos poucos colocando nas feiras, no Ceasa e a turma viu que o tomate era diferente. Moro em Brasília desde 1987. Sou do sul de Santa Catarina, mas morei no sudoeste do Paraná, sul do Mato Grosso, sul de Rondônia e Porto Velho. Eu ia voltando para o Sul e parei em Brasília (trabalhava na época para o Ministério do Interior e recebi um convite para vir trabalhar aqui). Minha ideia era voltar para Santa Catarina em menos de um ano e continuar minha carreira de professor universitário, mas minhas duas filhas mais velhas – uma tinha 12 para 13, a outra 13 para 14 –, disseram: ‘mas toda vez que a gente faz um grupo de amigos vocês se mudam’. Aí dona Carmélia e eu começamos a pensar nisso e decidimos ficar. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Aí, surgiu uma oportunidade e abrimos o restaurante, profissionalizamos meu hobby. Tinha o hobby de cozinhar desde os 11, 12 anos. Eu fazia o frango da família em casa nas refeições de domingo e, aqui, os amigos me chamaram atenção elogiando minha comida. Na minha história, eu tinha aprendido a fazer três pratos importantes que até hoje são nosso carro-chefe. Quando eu morei no Sul aprendi a assar carne. Na adolescência morei em São Paulo e aprendi a fazer bacalhau com os portugueses transmontanos. Quando morei na Amazônia aprendi a trabalhar com tambaqui e pirarucu. Assim, fui montando minhas próprias receitas e resolvi fazer o restaurante basicamente com esses três pratos. Era salada de entrada, que fiz em homenagem ao meu pai (para ele não havia refeição sem salada) e picanha, bacalhau ou tambaqui. A sobremesa era o mousse de chocolate da dona Carmélia, que ela fazia nas refeições de família. Moro na 304 Sul, moro na Asa Sul desde que me mudei para cá. Brasília já foi muito melhor de se morar. Como todo o Brasil, sofreu uma depreciação da qualidade de vida. Mas, com certeza, ainda é um dos melhores lugares do Brasil para se viver. Morar em Brasília é bom. Tudo que tem em São Paulo e no Brasil inteiro temos aqui. Brasília é a grande vitrine nacional, todo mundo quer ver aqui o produto do seu estado e da sua região. Hoje você tem em Brasília restaurantes de todas as regiões e todas as etnias. Tudo que você quer de restaurante você tem em Brasília e com qualidade.” Francisco Ansiliero, 80 anos, chefe de cozinha, mora na Asa Sul Depoimento concedido à jornalista Gizella Rodrigues

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Neno e seus sonhos, no ritmo da capoeira

[Numeralha titulo_grande=”41″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Neno acredita que o fato de Brasília ter sido planejada fez com que as pessoas aprendessem a ter mais educação, a serem mais organizadas. “Essa coisa do planejamento nos proporcionou mais qualidade de vida”, diz | Foto: Renato Araújo/Agência Brasília   “Nasci em Fortaleza, mas moro em Brasília desde quando tinha um ano de idade. Sou apaixonado por Brasília, gosto da cultura, dessa coisa de ter sido uma cidade formada pela mistura de povos, por essa miscigenação do país inteiro. Quando era criança, tinha amigos do Pará, do Sul, de todo o Brasil, aqui. Aí tinha aquela coisa de passar o dia na casa de um colega e aí você almoçava um pato no tucupi na casa de um, um churrasco na casa do outro… Acho que essa geração que cresceu em Brasília foi criada sem esse xenofobismo, sem o bairrismo característico de tantas cidades. Ter convivido com pessoas de diferentes estados nos ensinou a ser mais tolerantes às diferenças, isso é sensacional. Sem falar na configuração da cidade, na educação, no trânsito apesar de estar um pouco insustentável porque a cidade cresceu muito. [Olho texto=”Quero que as crianças cresçam com essa vontade de fazer amigos, ter acesso a outras culturas, outras pessoas, sem discriminar ninguém, todo mundo junto.” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Mas acho que a essência se mantém, principalmente no Plano Piloto. Você consegue escutar pouca buzina, não sofre tanto com os engarrafamentos, tem trânsito em certos horários, mas nem se compara com as regiões administrativas. O fato de Brasília ter sido formada por gente do Brasil inteiro nos fez crescer tendo contato com diferentes culturas. Veio gente do Rio de Janeiro, da Bahia, de todo lugar e, graças a Deus, trouxeram a capoeira pra cá. Sou capoeirista há 25 anos. Aprendi a jogar na Escola Classe 206 Sul, em 1994, e estou aqui até hoje. Faço parte de um grupo, que se chama Arte Monumental Capoeira, e dou aulas de graça para adultos e crianças na 206 Sul. Tenho uns 20 alunos. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Vivi tanta coisa boa na capoeira, me acrescentou tanto como pessoa e como esportista, atleta. Aprendi a ter disciplina, vi que as pessoas são iguais, não faz diferença se o cara é rico ou pobre, homem ou mulher. As diferenças ficam do lado de fora, dentro da roda todo mundo é igual. Inclusive, andei vendo pesquisas que dizem que a primeira roda de capoeira em Brasília aconteceu no bloco A da 206 Sul em 1964. Então, mais uma honra para mim estar aqui passando o que aprendi para os alunos. Quero que as crianças cresçam com essa vontade de fazer amigos, ter acesso a outras culturas, outras pessoas, sem discriminar ninguém, todo mundo junto.” Franklin Moreno de Queiroz, o Neno, 41 anos, é empresário e mora no Lago Sul Depoimento concedido à jornalista Gizella Rodrigues

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Uma escola que oferece oportunidade a quem não tem

Ao ser tornar a capital do Brasil, em 1960, Brasília virou “a galinha dos ovos de ouro” do país, atraindo todo tipo de gente. Primeiro vieram os políticos, depois foram chegando os empresários, os funcionários públicos e até diplomatas. A maioria desembarcava na terra sonhada de JK já com certas garantias de um futuro melhor. Mas, à cidade, que está a caminho de completar 60 anos, chegaram também pessoas – e não foram poucas – que lançaram a sorte ao universo e aterrissaram no “quadradinho das oportunidades” sem qualquer salvaguarda. Foi o caso de alguns artistas de circo que, nas décadas de 1980 e 1990, se multiplicaram no Distrito Federal. Diante de número tão expressivo, foi preciso arranjar um lugar que oferecesse o mínimo de condições para esses nômades que faziam das ruas da cidade o local de trabalho. Então, não por acaso, foi criado o Gran Circo Lar, uma espécie de centro de atendimento especial para artistas transeuntes. Lá se concentravam as secretarias de Trabalho, Serviço Social e Educação. Muitos desses trabalhadores informais tinham talento de sobra, mas faltava traquejo até para contar o próprio dinheiro que ganhavam na labuta. A escola, que funciona no Estacionamento 6 do Parque da Cidade, completa 25 anos em 18 de abril| Foto: Renato Araújo / Agência Brasília Foi o primeiro passo para dar melhorias à profissão informal que exerciam. Então, em 18 de abril de 1995, por força do Movimento Nacional Meninas e Meninos de Rua, foi fundada a primeira escola voltada exclusivamente para aperfeiçoar artistas de rua. Passou a ser chamada de Escola dos Meninos e Meninas do Parque. Levou esse nome porque funciona dentro do Parque da Cidade, no Estacionamento nº 6. “Os movimentos sociais passaram a se preocupar com essas pessoas”, explica a pedagoga Amélia Cristina Araripe, que trabalha na escola desde março de 2002. “Elas eram inteligentes, mas necessitavam de uma educação formal. Porém, essa educação não podia ser convencional; tinha de se adaptar à vocação do aluno. Então, trabalhamos com o currículo da Secretaria de Educação. A diferença é que adaptamos as aulas à história e ao perfil de cada um.” Amélia, natural do Rio de Janeiro, chegou a cursar ciências sociais, embora seu pai quisesse vê-la formada em direito ou contabilidade. Uma palestra do educador Paulo Freire, porém, foi determinante para ela se apaixonar pela área da educação. “Ele [Paulo Freire] me tocou muito. Mudei o curso para pedagogia”, conta. “Na época, falei para o meu pai que seria uma contadora, mas de histórias. Eu sou uma apaixonada pela educação”. A pedagoga Amélia Araripe está na Escola dos Meninos e Meninas do Parque desde março de 2002 | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília Para ela, a diferença entre a Escola dos Meninos e Meninas do Parque e as instituições convencionais é que estas são muito “amarradas” à grade escolar – na avaliação da diretora, não sabem compreender a aptidão dos alunos. “Recebo alunos de escola convencional, que abandonaram os estudos porque não aguentavam mais, mas aqui eles ficam, porque a gente valoriza o aprendizado que eles dão conta”, ensina Amélia. Quando o aluno procura a escola, ele passa por avaliações para saber em qual grau de estudo e em qual turma será encaixado. Durante essa triagem, chamada Turma de Integração, o estudante enfrenta atividades de sondagem do conhecimento para que seja feito um esboço do que que já aprendeu e, assim, possa ser encaminhado a mais uma etapa. Feito isso, é a hora de decidir o nível escolar. A escola possui três categorias. A primeira e a segunda etapas correspondem à fase de alfabetização. A terceira e quarta abrangem os alunos já alfabetizados. Já o período compreendido entre a quinta e a oitava etapa equivale ao quinto e oitavo ano do ensino fundamental. São etapas da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ao ser aceito, o aluno recebe um kit banho – toalha, sabonete, escova, creme dental –, além de uniforme. Na grade curricular há aulas de matemática, português, ciências e higiene pessoal. A escola possui atualmente 202 alunos de oito a 45 anos. “A gente recebe a pessoa. Alguns chegam sem documento. Outros, afastados do ensino. Há alunos esquizofrênico, com dificuldade de aprendizagem e até superdotados”, conta Amélia. Eles são distribuídos em 14 salas de aula e mais uma de informática. As turmas são matutinas e vespertinas, e todos são alimentados. Ganham café da manhã, almoço e lanche da tarde. As refeições são reforçadas com doações da iniciativa privada, por intermédio do Programa Mesa Restaurante, do Ministério da Cidadania. Além disso, os alunos recebem tratamento odontológico de uma universidade privada da cidade, por meio do Projeto UDF é Pop. “Quero fazer faculdade de administração, quero mostrar para todo mundo que eu posso”, diz Hélio Magalhães | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília Por opção, Hélio Pereira Magalhães mora na rua. Natural de Montalvania (MG), ele chegou com nove anos a Brasília. Veio acompanhar a avó numa consulta no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e nunca mais voltou para casa. Morou com uma tia até os 16 anos. Depois, casou, passou a trabalhar como engraxate e alugou uma casa em Samambaia. Em 1993, conta, sofreu uma desilusão amorosa: “Ela me traiu com meu vizinho. Hoje está casada com ele. Fui morar na rua. Sem emprego, não pude nem ver mais meu filho”. Hélio está no oitavo ano e, atualmente com 43 anos de idade, tem o sonho de dar a volta por cima. “Quero fazer faculdade de administração, quero mostrar para todo mundo que eu posso”. Para ele, a sua família são as professoras. A história de Natália Nascimento de Oliveira, 24 anos, é parecida. Ela também saiu de casa por um problema conjugal. Em 2002, veio de Goiânia (GO) com a mãe, que queria tentar a sorte na capital. Mas ela não aguentava mais conviver com o padrasto e, aos 13 anos, resolveu morar com o namorado. Aos 15, se separou, relata, porque ele era dependente químico. Mesmo com o coração partido, deixou aos cuidados da avó a filha que teve com o companheiro e foi viver nas ruas. Depois de muito andar por aí, descobriu a escola e voltou a estudar. Está na sétima série. “Aqui dá oportunidade para quem mora na rua”, observa. O ensino desenvolvido na Escola dos Meninos e Meninas do Parque é conhecido mundialmente. Em 2005, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) doou uma Kombi para buscar os estudantes na rua. “Eles marcavam o lugar onde queriam ser apanhados e a gente ia lá pegá-los”, conta Amélia. Esse transporte não existe mais. O veículo foi vendido depois que uma árvore caiu em cima do capô. Com o dinheiro, foram feitas benfeitorias na própria escola. “Tivemos de vender e investir na Amigos e Amigas da Escola dos Meninos e Meninas do Parque (Amame), que é a entidade que nos ajuda”, disse a diretora. Meire Romão: “Penso em fazer faculdade de veterinária. Melhor mexer com bicho que com gente” | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília Meire Romão Reis, 61 anos, foi abandonada em São Paulo com apenas três dias de vida. Em 13 de dezembro de 1982, veio para Brasília trabalhar em casa de família como doméstica. Casou e teve filho com o caseiro da mesma residência. Em 1994, o marido foi embora e a deixou com o filho de quatro dias. A dona da propriedade pediu a criança, mas disse que não podia ficar com Meire. Então, ela pediu demissão. Trabalhou numa empresa e casou de novo. Morou com o novo companheiro por 13 anos, mas se separou porque ele era violento. Fugiu de sua casa, no Recanto das Emas, e foi para a rua. Em 2013, tinha cursado apenas até a quarta série quando descobriu a escola. Estudou até o oitavo ano e fez supletivo. Hoje, estuda espanhol e quer aprender francês. Por opção, Meire é educadora social na escola, uma forma que encontrou para “retribuir” o que recebeu. Só não conseguiu ainda ter uma casa. Dorme todas as noites nas cadeiras de espera de atendimento do Hospital Regional da Asa Norte (Hran). “Penso em fazer faculdade de veterinária”, diz. “Melhor mexer com bicho que com gente”.  Mesmo com a vida difícil, não tem e nunca teve vícios. “Nem todo mundo que está na rua mexe com isso”, analisa.

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Pedro Paulo e sua infância “debaixo do bloco sem ter o que fazer”

[Numeralha titulo_grande=”42″ texto=”dias para os 60 anos de Brasília” esquerda_direita_centro=”centro”] Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade. Pedro Paulo diz que Brasília nasceu predestinada a ser grande. “Era a nova capital, a da esperança. Uma cidade planejada – mas assim como o brasileiro, cheia de jeitinhos”, considera. Foto: Arquivo pessoal   “Sou filho de uma brasiliense com um sul-mato-grossense, dessas misturas que você só encontra em Brasília. Aqui é possível encontrar a mistura do Brasil com o Egito (sim, tem diversas semelhanças com aquela teoria) e do Brasil com seus diversos Brasis. Muita gente batalhou para construir essa cidade, muita gente do país inteiro veio para cá, para construir Brasília e um futuro. São diversas comunidades, cariocas, gaúchos, paulistas, nordestinos, paraenses e estrangeiros. Tudo e todos se alinham nessa cidade futurista que recebeu a todos. [Olho texto=”Ia para o cursinho a pé, amava andar pelas calçadas das superquadras. Claro, vez ou outra entrava no supermercado para comprar um doce, porque as frutas eu pegava no pé ao longo do caminho. Eram muitas!” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Sou jornalista, nascido e criado em Brasília, como gosto de deixar claro para todos a quem me apresento. Orgulho define. Vivi uma infância tão comum que virou música de roqueiro famoso ‘debaixo do bloco sem ter o que fazer’. Ia para o colégio de baú, pegava na L2 e ia de uma ponta a outra. Quando entrava na W3 já sabia que estava próximo do meu ponto. ‘Na próxima, desce, motora!’ Ia para o cursinho a pé, amava andar pelas calçadas das superquadras. Claro, vez ou outra entrava no supermercado para comprar um doce, porque as frutas eu pegava no pé ao longo do caminho. Eram muitas! [Relacionadas esquerda_direita_centro=”centro”] Brasília nasceu predestinada a ser grande. Era a nova capital, a da esperança. Uma cidade planejada – mas assim como o brasileiro, cheia de jeitinhos. E teve que se reinventar nesses sessenta anos, onde já se viu as superquadras, cada uma com uma banca de jornais para chamar de sua, tendo agora bancas de pizzas, bancas de quentinhas e bancas que – pasmem, ainda vendem jornais. É isso que Brasília é por definição, uma cidade de reinvenção e oportunidades, uma cidade que abre portas, uma cidade única que chama atenção pela sua ordenação no caos e pela arquitetura. Brasília vai ser outra daqui a 10, 20, 30 anos, porque é isso, Brasília é predestinada a se recriar.” Pedro Paulo Souza, jornalista, 29 anos, mora na Asa Sul

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