Pesquisa internacional avalia saúde escolar no Brasil e em Portugal
A Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs), mantida pela Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), integra um importante projeto internacional voltado para a avaliação das políticas e práticas de saúde escolar no Brasil e em Portugal. A instituição atua como participante, no Distrito Federal, da pesquisa “Adaptação e validação da versão brasileira e portuguesa do Global School Health Policy and Practices Survey (G-SHPPS) avaliação e comparação de políticas e práticas de saúde escolar no Brasil e Portugal”. Coordenação do estudo no DF fica a cargo de uma equipe do curso de enfermagem da Escs | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF O estudo, que no Brasil é coordenado pela professora Bruna Martins de Freitas, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), reúne instituições de ensino superior brasileiras e portuguesas com o objetivo de fortalecer a produção de evidências científicas sobre saúde escolar e contribuir para o aprimoramento de políticas públicas voltadas a crianças e adolescentes. [LEIA_TAMBEM]Na Escs, a coordenação local é conduzida pela especialista do curso de enfermagem Manuela Costa Melo, que lidera uma equipe formada pelas estudantes Letícia de Oliveira Martins, Manuela Costa Lima e Paloma Marques Sousa, participantes do Programa de Iniciação Científica Voluntária (PICV), e Anndreya Marques de Souza Rodrigues, ex-aluna da instituição e atualmente vinculada ao programa de mestrado profissional em ciências para a saúde da Escola de Saúde Pública do Distrito Federal (ESP/DF). O projeto, aponta Manuela Costa Melo, está estruturado em três etapas. “A primeira, já concluída e com artigo publicado, envolveu a adaptação e validação transcultural do instrumento G-SHPPS para os contextos brasileiro e português”, explica. Saúde escolar “Atualmente, os pesquisadores realizam a coleta de dados das etapas seguintes, que incluem a avaliação das políticas e práticas de saúde escolar com profissionais da educação e da enfermagem, além de uma pesquisa participativa com adolescentes por meio da metodologia photovoice, baseada em registros fotográficos e narrativas produzidas pelos próprios estudantes”, detalha a professora. “Os resultados da pesquisa poderão auxiliar os países na definição de prioridades, no estabelecimento de programas e normas e na viabilização de recursos para essa área” Manuela Costa Melo, especialista do curso de enfermagem da Escs Alinhado às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), o projeto vai ao encontro do que a organização defende em relação ao fortalecimento da promoção da saúde no ambiente escolar. A publicação Guideline on School Health Services, da OMS, avalia que os serviços de saúde escolar existentes em muitos países são frequentemente insuficientes, não baseados em evidências científicas, subfinanciados e implementados de forma limitada. “Os resultados da pesquisa poderão auxiliar os países na definição de prioridades, no estabelecimento de programas e normas e na viabilização de recursos para essa área”, enfatiza Manuela. “O estudo é fundamental para disponibilizar as versões brasileira e portuguesa do G-SHPPS para uso posterior em outras regiões, permitindo avaliar as características das políticas e práticas de saúde escolar desenvolvidas no Brasil e em Portugal, bem como mapear os tipos de ações realizadas pelos profissionais de enfermagem”, explica a coordenadora. *Com informações da Fepecs
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DF é referência nacional em aleitamento materno
No Dia Mundial do Aleitamento Materno, comemorado nesta quinta (21), os serviços da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) destacam-se como uma referência para o Brasil. “É devido ao empenho de uma enorme rede de profissionais e do reconhecimento da população que o DF ocupa o posto onde está”, avalia Graça Cruz, integrante da Coordenação de Políticas de Aleitamento Materno da SES-DF. Graça Cruz, da Coordenação de Políticas de Aleitamento Materno da SES-DF: “Quando a gente protege o aleitamento materno, estamos contribuindo para a formação de um adulto mais saudável” | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF A primeira versão da política de amamentação na capital tem origem em 1993, com a Lei nº 454, de 14 de junho de 1993. De lá para cá, foram diversas iniciativas públicas na área. As medidas mais recentes incluem a implantação das salas douradas e do Selo Dourado e a dispensa da taxa de inscrição em concursos públicos para doadoras de leite materno. No rol de ações da SES-DF, estão entre os destaques o método Canguru, que incentiva o contato pele a pele entre os pais e a criança recém-nascida; a regulação da atuação de doulas nas unidades de saúde desde 2020 e a classificação do trabalho dos 14 bancos de leite humano como Padrão-Ouro pela Fiocruz e pela Rede Nacional de Bancos de Leite Humano. Cuidado de décadas O Dia Mundial do Aleitamento Materno remonta a 1981, quando os Estados-membros da Assembleia Mundial da Saúde (AMS), órgão deliberativo supremo da Organização Mundial da Saúde (OMS), aprovaram o Código Internacional de Marketing de Substitutos do Leite Materno. No Brasil, cuja política de aleitamento materno é exemplo para o mundo, outro marco completou duas décadas em 2026: a Lei nº 11.265, de 3 de janeiro de 2006, que destaca a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (Nbcal). Ambos os textos regulam produtos e alimentos que podem ser utilizados como substitutos do aleitamento materno. De acordo com os documentos, são vedadas a distribuição de amostras de mamadeiras, bicos, chupetas e suplementos nutricionais indicados para recém-nascidos de alto risco e a atuação de representantes comerciais nas unidades de saúde. As medidas buscam enfatizar a importância da amamentação como forma de melhorar a nutrição e a saúde materno-infantil. [LEIA_TAMBEM] “Quando a gente protege o aleitamento materno, estamos contribuindo para a formação de um adulto mais saudável, com menor possibilidade de doenças crônicas e adequado desenvolvimento cognitivo”, explica Graça Cruz. “Buscamos a formação de um cidadão pleno.” Resultados Essa atuação no âmbito das políticas públicas garante bons resultados. De acordo com o mais recente boletim sobre o estado nutricional e consumo alimentar da população acompanhada pela Atenção Primária à Saúde (APS) do DF, mais de 68% das crianças menores de 6 meses receberam aleitamento materno exclusivo (AME). Desse público, 90,5% apresentaram peso adequado. O resultado representa avanço em relação ao ano anterior, supera a média nacional em mais de 20% e cumpre com a meta da OMS de alcançar pelo menos 50% de AME até 2025. No que se refere ao aleitamento materno continuado (AMC), até os dois anos ou mais, 72,5% das crianças acompanhadas no DF estavam sob tal condição. O percentual é quase 30% superior à média nacional de 43,4%. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Capacitação gratuita reforça combate a infecções e uso seguro de antibióticos
Em um cenário no qual a segurança do paciente se torna cada vez mais importante, a qualificação dos profissionais de saúde ganha papel decisivo. Com esse foco, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) promove, na quarta (8) e na quinta-feira (9), o 25º Curso de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde e Uso Racional de Antimicrobianos. Aberta ao público e gratuita, a capacitação será ministrada no auditório da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), reunindo residentes, profissionais da saúde e demais interessados em aprimorar práticas fundamentais para um cuidado mais seguro. As infecções relacionadas à assistência à saúde (Iras) estão entre os principais desafios enfrentados pelos serviços de saúde em todo o mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que um em cada dez pacientes hospitalizados pode adquirir uma infecção durante o cuidado. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, esse índice pode chegar a 15%. Qualificação [LEIA_TAMBEM]Apesar do cenário, grande parte desses casos pode ser evitada. Estima-se que até 70% das infecções sejam preveníveis com medidas simples, como a higienização adequada das mãos, o cumprimento de protocolos assistenciais e a adoção de boas práticas clínicas. É nesse contexto que o curso se apresenta como uma estratégia de qualificação, ao promover atualização técnica, troca de experiências e fortalecimento de práticas seguras dentro dos serviços de saúde. A iniciativa é conduzida pelo Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), com apoio do Núcleo de Educação Permanente da Diretoria de Inovação, Ensino e Pesquisa do IgesDF. Serviço ♦ 25º Curso de Prevenção e Controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde e Uso Racional de Antimicrobianos ⇒ Data: quarta-feira (8), das 8h às 17h; e quinta-feira (9), das 8h30 às 16h30 ⇒ Local: auditório da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs) — Setor Hospitalar Norte, Quadra 3, Asa Norte, Brasília-DF ⇒ As inscrições podem ser feitas neste link. *Com informações do IgesDF
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Conferência apresenta aplicações de inteligência artificial para fortalecer a segurança pública
Durante a II Conferência de Segurança Pública – iLab-Segurança 2026, na manhã da última quinta-feira (5), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), o professor Edson Mintsu Hung, da Universidade de Brasília (UnB), apresentou aplicações de inteligência artificial voltadas à segurança pública e ao apoio à tomada de decisão. Engenheiro, mestre e doutor pela UnB, Edson Hung apresentou estudos que apoiam a análise estratégica de dados | Foto: Divulgação/FAPDF A apresentação integrou o painel “Momento FAPDF”, dedicado ao Centro Integrado de Inteligência Artificial (CIIA), iniciativa voltada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas capazes de apoiar a análise de dados, ampliar a eficiência operacional e fortalecer a atuação estratégica das instituições públicas, com fomento da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). O pesquisador demonstrou duas provas de conceito desenvolvidas para a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), evidenciando o potencial da tecnologia para ampliar a eficiência operacional e apoiar a análise estratégica de dados. Atendimento de emergências A primeira prova tem como objetivo aumentar a eficiência e a rapidez no atendimento às chamadas de emergência. A segunda busca identificar padrões e possíveis anomalias nos dados coletados pela secretaria, contribuindo para análises estratégicas e prevenção de ocorrências. Na solução voltada às chamadas de emergência, um modelo de IA faz a transcrição automática do áudio das ligações. Em seguida, um modelo de linguagem (LLM) organiza o conteúdo da conversa, transformando-o em um texto claro, padronizado e resumido. [LEIA_TAMBEM]O sistema também identifica e separa informações relevantes — como nome do solicitante, endereço, tipo de ocorrência e nível de urgência — estruturando esses dados em um banco de informações que pode apoiar o atendimento e o registro das ocorrências. O resumo gerado pode ser reproduzido em formato de áudio para equipes operacionais por meio de telefone, funcionalidade desenvolvida a partir de uma demanda da Polícia Militar (PMDF). Já a segunda solução utiliza técnicas de análise de dados e inteligência artificial para identificar padrões de comportamento que possam indicar atividades suspeitas ou ilícitas. A ferramenta busca detectar anomalias nos conjuntos de dados, como a movimentação coordenada de veículos em determinadas regiões associada à ocorrência de crimes. Com isso, o sistema pode auxiliar na geração de alertas e no apoio à análise estratégica das forças de segurança. Sobre o pesquisador Edson Mintsu Hung é engenheiro, mestre e doutor pela Universidade de Brasília (UnB), onde atua como professor desde 2010. Com trajetória internacional na área de tecnologia, foi precursor da técnica wedge partition, posteriormente padronizada no codec AV1 (Alliance for Open Media), atualmente implementado em processadores e plataformas globais como Intel, Apple, Google, Netflix e Playstation. Hung também já atuou no Centro de Estudos, Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico em Saúde Coletiva (Cepesc), da Associação Brasileira de Inteligência (Abin). Também foi bolsista de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), recebeu o Google Faculty Research Award e integra grupos técnicos internacionais ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS). *Com informações da FAPDF
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Saúde reforça importância do cuidado contínuo com o bem-estar
Nesta quinta-feira (29), representantes da Secretaria de Saúde (SES-DF) marcaram presença no CB Debate, evento online com o tema “Janeiro Branco: diálogos sobre a saúde mental no Brasil”. A subsecretária de Saúde Mental, Fernanda Falcomer, alertou que, apesar de ser importante celebrar um mês dedicado à conscientização do assunto, o debate sobre os agravos na saúde mental deve ser incentivado durante todo ano. “Esta data integra o nosso calendário oficial, mas se estende por todos os 365 dias do ano”, afirmou a subsecretária de Saúde Mental do DF, Fernanda Falcomer | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF “É um desafio levar para todas as pessoas do Distrito Federal essa reflexão sobre a importância de cuidar da saúde mental, e o Janeiro Branco nasceu desse movimento”, afirmou. “Esta data integra o nosso calendário oficial, mas se estende por todos os 365 dias do ano. Estamos finalizando o mês, mas esse tema e esse cuidado demandam o investimento das pessoas durante todos os dias.” A subsecretária também enfatizou que o trabalho na saúde mental envolve a integração de diferentes áreas. “É importante trabalhar nesta perspectiva integrada de políticas, então é preciso intervir nas condições de vida, de renda, trabalho, no fim das violências, nas relações interpessoais, nas violências urbanas e nas desigualdades estruturais”, disse. Estigma Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas do mundo vivem com algum agravo de saúde mental, e a perspectiva é que uma a cada oito pessoas desenvolvam algum tipo de agravo ao longo da vida. No Brasil, o perfil epidemiológico aponta que os transtornos como ansiedade e depressão estão entre os mais frequentes. Para Fernanda Falcomer, os dados demonstram a importância da quebra de estigmas em relação ao cuidado com a saúde da mente: “Somos pessoas e vivemos um processo de sofrimento ao longo da vida. Reconhecer isso é também quebrar barreiras do estigma de que só tem sofrimento mental aquela pessoa, popularmente chamada de louca ou doida, mas não é assim”. [LEIA_TAMBEM]A subsecretária reforçou que a busca por ajuda deve ser feita diante dos primeiros sinais de danos: “Precisamos estar atentos a isso, aceitar essa inflexão e compreender que o momento de buscar ajuda é quando esse processo de sofrimento começa a trazer prejuízos à pessoa”. Atendimento As unidades básicas de saúde (UBSs) são a principal porta de entrada para esse serviço. Os atendimentos em saúde mental oferecidos pela UBSs são voltados, principalmente, a casos leves e situações iniciais. As equipes fazem o acolhimento e a avaliação, além de acompanhar outras demandas. As unidades também realizam o encaminhamento para serviços especializados por meio da regulação. Já as unidades do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) oferecem cuidado para pessoas com sofrimento mental grave e persistente, ou com uso abusivo ou dependência de substâncias psicoativas (como álcool e outras drogas), que impactam de forma significativa sua vida e rede de apoio. Atualmente, são 18 Caps de todas as modalidades, e cada tipo presta um atendimento específico. O acesso ocorre por demanda espontânea — sem necessidade de encaminhamento ou agendamento. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Quer parar de fumar? Saiba como cumprir a promessa em 2026
É hora de colocar em prática todas as promessas para o novo ano. E, se entre as suas metas estiver a de parar de fumar, a Secretaria de Saúde (SES-DF) tem mais de 70 locais onde é possível fazer o tratamento contra o vício. O serviço é gratuito, não sendo exigido encaminhamento médico para todos os interessados, de adolescentes a idosos. Tratamento antitabagismo inclui diferentes abordagens e pode ser acessado por qualquer pessoa interessada | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF No local escolhido, as equipes multidisciplinares fazem a avaliação e convidam o paciente para atividades que vão de conversas em grupo a atendimentos individualizados. A principal estratégia é a do tipo cognitivo-comportamental, mas pode haver uso de medicamentos, como a terapia de reposição de nicotina. O tratamento ofertado nas unidades da SES-DF segue protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). Há encontros estruturados que têm como foco o processo de parar de fumar. Em caso de sucesso, o paciente continua a ser acompanhado para manter fora da rotina o antigo vício. A duração depende de pessoa para pessoa. Números no DF Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco é uma das maiores ameaças à saúde pública global e a principal causa de morte evitável no mundo, matando mais de 8 milhões de pessoas por ano. No DF, o último boletim epidemiológico sobre o tema, com dados de 2023, estima que cerca de 8,4% da população acima de 18 anos seja fumante, representando mais de 200 mil pessoas. Apenas em 2024, o programa de controle do tabagismo da SES-DF atendeu 1,7 mil pacientes. *Com informações da Secretaria de Saúde
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Paciente também é protagonista na prevenção de infecções hospitalares e proliferação de superbactérias
A resistência bacteriana é um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea, e enfrentá-la depende não apenas dos profissionais de saúde, mas também dos pacientes, acompanhantes e da sociedade como um todo. No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), uma das unidades administradas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o Núcleo de Controle de Infecção Hospitalar (Nucih) tem adotado estratégias inovadoras para ampliar essa conscientização, com foco na educação, no comportamento e na prevenção. Publicação elaborada pelo Hospital de Base orienta as pessoas sobre a importância da prevenção à transmissão de microorganismos | Foto: Divulgação/IgesDF “Pequenos gestos, como a correta lavagem das mãos, podem salvar vidas” Julival Ribeiro, infectologista do Hospital de Base “O paciente tem papel fundamental no controle das infecções”, indica o infectologista Julival Ribeiro, coordenador do Nucih. “Pequenos gestos, como a correta lavagem das mãos, podem salvar vidas.” Para aproximar esse tema do público, o Nucih desenvolveu um folheto educativo que explica, de forma simples, a importância da higiene das mãos e dos cuidados com a transmissão de microrganismos. O material é distribuído a pacientes, acompanhantes, voluntários e à equipe do projeto Humanizar, que recebe treinamento específico. “Esses voluntários têm uma atuação muito importante no acolhimento, mas é essencial que saibam como evitar, ainda que inadvertidamente, a disseminação de bactérias resistentes”, aponta o infectologista Lino Silveira. “Embora ajam com as melhores intenções, como cumprimentar ou abraçar um paciente, podem atuar como vetores dessas bactérias. O treinamento garante que as boas intenções se somem à segurança do paciente.” O impacto das infecções hospitalares As infecções em ambiente hospitalar, especialmente em pacientes com trauma grave, câncer ou outras doenças críticas, podem ter impacto direto no desfecho clínico. Mesmo um paciente que se recupera de uma hemorragia ou fratura pode evoluir para óbito em decorrência de uma infecção multirresistente adquirida durante a internação. Segundo Julival Ribeiro, o avanço da resistência bacteriana ameaça a efetividade dos tratamentos. “Estamos vendo bactérias que não respondem mais aos principais antibióticos disponíveis, e isso aumenta o tempo de internação, eleva os custos hospitalares e, sobretudo, compromete a vida dos pacientes”, alerta. Da hospitalização ao meio ambiente A atuação do Nucih ultrapassa os limites do hospital. Uma análise elaborada em parceria com a engenharia sanitária da unidade avaliou o esgoto de Brasília e identificou indícios da presença de bactérias resistentes no meio ambiente. O achado reforça a necessidade de uma visão integrada sobre o problema. “Falamos de uma questão que envolve não apenas a saúde humana, mas também a saúde animal e ambiental”, atenta o infectologista Tazio Vanni. “É o conceito de saúde única, que é entender que tudo está interligado.” Saúde única e uso racional de antibióticos [LEIA_TAMBEM]A resistência bacteriana também está ligada ao uso indiscriminado de antibióticos na agropecuária, prática que acelera a seleção de microrganismos resistentes e traz reflexos para a saúde pública. O Plano de Ação Nacional para o Controle da Resistência aos Antimicrobianos, implementado pelo governo federal e alinhado às diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), busca justamente frear esse avanço. “Desde 2013, a OMS recomenda que todos os países adotem estratégias integradas para controlar a resistência antimicrobiana”, situa Tazio. “O Brasil está na segunda versão do seu plano, o que demonstra o compromisso em tratar o tema como prioridade nacional.” Inovação e futuro Além das medidas de prevenção e controle, novas abordagens vêm sendo estudadas — é o caso do uso de recursos biológicos como vírus bacteriófagos, que atacam bactérias específicas, representando uma alternativa promissora à antibioticoterapia tradicional. “Compreender a complexidade dessa interação entre diferentes formas de vida é o que chamamos de saúde planetária”, conclui Julival Ribeiro. “Precisamos aprender com a natureza para encontrar soluções sustentáveis no combate à resistência bacteriana.” *Com informações do IgesDF
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DF reforça combate à transmissão da sífilis de mãe para filho
O Distrito Federal está perto de atingir um marco importante na saúde pública: a eliminação da transmissão vertical da sífilis, quando a doença é passada da gestante para o bebê durante a gravidez ou o parto. Em 2024, a taxa de incidência de sífilis congênita foi de nove casos por mil nascidos vivos, abaixo da média nacional de 9,6. Em relação ao ano anterior, houve queda de 13,5%, uma das maiores reduções do país. O resultado reflete ações de testagem precoce no pré-natal, tratamento adequado de gestantes e parceiros e integração entre a Atenção Básica e a Vigilância em Saúde. Este ano, Brasília está entre as capitais com taxas mais baixas de detecção de sífilis adquirida, com 119,1 casos por 100 mil habitantes | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF O Brasil adaptou o modelo internacional para certificar estados e municípios com mais de 100 mil habitantes A taxa de detecção de sífilis em gestantes ficou em 34,6 por mil nascidos vivos, também inferior à média nacional, que foi de 35,4. Esses indicadores mostram que o DF tem conseguido interromper a cadeia de transmissão da doença por meio de diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo. Neste ano, Brasília está entre as capitais com taxas de detecção de sífilis adquirida mais baixas que a média nacional, com 119,1 casos por 100 mil habitantes. Também aparecem nesse grupo Aracaju (SE), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE), Macapá (AP), Belém (PA) e Teresina (PI). A transmissão vertical ocorre principalmente por via transplacentária, podendo acontecer também no parto, por contato direto com lesões. A falta de tratamento adequado durante a gestação pode causar aborto, natimorto, parto prematuro, morte neonatal e sequelas congênitas. O processo de certificação da eliminação da transmissão vertical faz parte de uma iniciativa global liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O Brasil adaptou o modelo internacional para certificar estados e municípios com mais de 100 mil habitantes, abrangendo também HIV, hepatite B, doença de Chagas e, futuramente, HTLV. Controle do HIV [LEIA_TAMBEM]O Distrito Federal já está entre os estados certificados pela eliminação da transmissão vertical do HIV. No país, 151 municípios e sete estados receberam algum tipo de certificação ou selo. No total, são 228 certificações municipais vigentes, sendo 139 relacionadas ao HIV. “Nos últimos anos, conseguimos manter a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde e pela Opas, que é manter em zero o número de crianças infectadas. As crianças nascem expostas”, afirma Daniela Magalhães, referência técnica distrital em vigilância da sífilis no DF. “A transmissão só acontece quando a gestante não realiza o tratamento ou quando há amamentação em casos ativos. A redução é fruto de um trabalho intenso de qualificação do pré-natal, ampliação da testagem rápida e tratamento oportuno.” O Brasil registrou em 2023 a menor taxa de mortalidade por aids desde 2013, com 3,9 óbitos por 100 mil habitantes. A cobertura de pré-natal também atingiu níveis recordes: mais de 95% das gestantes fizeram ao menos uma consulta e foram testadas para HIV, enquanto aquelas que vivem com o vírus tiveram acesso ao início imediato do tratamento. *Com informações da Secretaria de Saúde
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