Hábitos simples ajudam a preservar a saúde do cérebro ao longo da vida
Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada. O cérebro comanda pensamentos, emoções, movimentos, memórias e diversas funções essenciais para a vida. No Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, especialistas do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) reforçam que cuidar desse órgão vai muito além de estimular a mente: começa com escolhas diárias capazes de prevenir doenças e preservar a qualidade de vida. Embora o envelhecimento seja um processo natural, grande parte das doenças neurológicas pode ter o risco reduzido com medidas simples adotadas ao longo da vida. Para a neurologista Letícia Costa Rebello, proteger o cérebro passa, antes de tudo, pelo controle dos fatores de risco cardiovasculares. "Pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade e sedentarismo são fatores que podem ser prevenidos e controlados. Cuidar da saúde do coração também é cuidar da saúde do cérebro", destaca. Embora o envelhecimento seja um processo natural, grande parte das doenças neurológicas pode ter o risco reduzido com medidas simples adotadas ao longo da vida | Fotos: Divulgação/IgesDF Entre as doenças que mais preocupam os especialistas está o acidente vascular cerebral (AVC), uma das principais causas de morte e incapacidade no país. Apesar da gravidade, a neurologista lembra que a maioria dos casos pode ser evitada. "Entre 80% e 90% dos AVCs podem ser prevenidos com o controle adequado dos fatores de risco. Quanto mais cedo esses cuidados começam, maiores são as chances de manter uma boa saúde cerebral ao longo da vida", explica. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, as doenças cerebrovasculares não atingem apenas idosos. Embora o risco aumente com a idade, a exposição prolongada a hábitos inadequados favorece o surgimento de problemas muito antes do envelhecimento. Por isso, segundo Letícia, a prevenção deve começar ainda na juventude. "O AVC pode acontecer em qualquer faixa etária. Quanto mais cedo controlamos os fatores de risco, menor é o impacto deles sobre o organismo ao longo dos anos", afirma. Reconhecer rapidamente os sinais de um AVC também pode fazer toda a diferença. A médica orienta que sintomas como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar e desvio da boca devem ser tratados como uma emergência. "A palavra Samu ajuda a lembrar dos principais sinais. Se a pessoa apresentar qualquer um deles, é fundamental acionar imediatamente o 192. Tempo é cérebro, e cada minuto faz diferença para reduzir sequelas e aumentar as chances de recuperação", ressalta. AVC não tem idade A experiência da jornalista Pollyana Cabral mostra que o AVC também pode atingir pessoas jovens e reforça a importância de reconhecer rapidamente os sinais da doença e buscar atendimento imediato. “Eu tinha 22 anos. Era um domingo quando tudo começou com uma dor de cabeça fora do normal e a visão escurecendo aos poucos. Pensei que fosse apenas uma enxaqueca. Dormi mal e, na manhã seguinte, acordei com o lado esquerdo dormente, o olho avermelhado e a fala enrolada. Tentei seguir o dia, fui para o trabalho e, ao tentar conversar, percebi que a língua não obedecia. Procurei socorro imediatamente. O diagnóstico veio rápido: acidente vascular cerebral isquêmico, algo que jamais imaginaria viver tão jovem. Perdi parte da memória e a fluência em idiomas que dominava. Fiquei com paralisia no lado esquerdo do rosto e no braço por cerca de seis meses. A fisioterapia e o apoio da família foram essenciais. Hoje, com a memória reconstruída, entendo a importância de agir rápido", conta. Além da prevenção das doenças vasculares, manter a saúde cerebral envolve um conjunto de hábitos que influenciam diretamente o funcionamento do organismo Além da prevenção das doenças vasculares, manter a saúde cerebral envolve um conjunto de hábitos que influenciam diretamente o funcionamento do organismo. A neurologista e pesquisadora Júlia Carolina Ribeiro explica que o cérebro envelhece em conjunto com o restante do corpo. "Os cuidados mais eficazes não são soluções milagrosas para a memória, mas hábitos que preservam a saúde como um todo, incluindo controle da pressão arterial, alimentação equilibrada, atividade física, saúde mental, audição, visão e uma vida social ativa", pontua. O descanso adequado também ocupa um papel essencial nesse processo. Durante o sono, o cérebro realiza mecanismos importantes de limpeza e consolidação da memória, enquanto o estresse prolongado e o excesso de telas podem comprometer essas funções. Para a pesquisadora, estabelecer limites no uso da tecnologia e preservar uma rotina saudável fazem diferença no longo prazo. "Dormir bem, reduzir o estresse crônico e evitar que as telas substituam o sono ou o convívio social são medidas respaldadas pela ciência para proteger a saúde cerebral", explica. Quando o assunto é manter a mente ativa, a especialista destaca que os maiores benefícios não estão em soluções rápidas, mas na combinação de diferentes estímulos ao longo da vida. Aprender um novo idioma, tocar um instrumento musical, praticar dança, manter vínculos sociais e realizar atividades físicas regularmente fortalecem a chamada reserva cognitiva, que ajuda o cérebro a enfrentar melhor o processo de envelhecimento. "O conjunto de hábitos saudáveis tem um impacto muito maior do que qualquer estratégia isolada para preservar a cognição", afirma Júlia. Em caso de sintomas que possam indicar um AVC, a orientação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192. Para prevenção e controle dos fatores de risco, a população deve procurar uma unidade básica de saúde (UBS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). *Com informações do IgesDF
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Hospital Regional de Santa Maria fez quatro trombólises para AVC isquêmico em 2024
O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) está implementando um novo procedimento para tratamento de acidente vascular cerebral isquêmico (AVC). Trata-se da terapia trombolítica, também conhecida como trombólise, aplicação de uma medicação na veia, que serve para dissolver coágulos no cérebro. A medicação é usada desde 1995, tendo perfil de segurança bem conhecido. Vale destacar que a alteplase, como é chamada a técnica, é capaz de agir apenas no AVC isquêmico. O neurologista do HRSM, João Fellipe Santos Tatsch, explica que, se o paciente conseguir chegar ao hospital até 4h30 depois do momento em que os sintomas do AVC começaram, a alteplase é capaz de reduzir ou mesmo de reverter as sequelas. A técnica chamada alteplase é capaz de reduzir e até mesmo reverter as sequelas de um AVC isquêmico | Fotos: Divulgação/ IgesDF “Como em muitas ocasiões o paciente leva muito tempo para se deslocar até o hospital, a janela de oportunidade para aplicar a medicação é muito curta, de modo que temos 1 hora ou menos para executar todo o processo a contar do momento em que o paciente põe os pés no hospital. Isso exige treinamento e agilidade de toda a equipe, desde os recepcionistas até os médicos plantonistas”, explica o neurologista. Segundo Tatsch, apesar de muito eficiente, o procedimento de trombólise pode ser muito perigoso se aplicado de maneira errada. Por isso, a implementação em larga escala é difícil. Atualmente, o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) é a única unidade de saúde pública no DF que fornece o serviço. A capacidade do HRSM de fazer trombólise nos pacientes deve aumentar, mas depende de fatores como reformas estruturais e contratação de pessoal “Já fizemos quatro procedimentos de trombólise aqui no HRSM, em situações específicas, necessitando ser durante o dia, nos períodos em que temos neurologistas de plantão. Nas demais ocasiões, é preciso enviar o paciente de ambulância até o Hospital de Base”, informa o especialista. A intenção é expandir a capacidade do HRSM, mas para isso, será necessário fazer adaptações no serviço inteiro do hospital, desde reformas estruturais e aquisição de novos materiais até o redimensionamento do quadro de profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, analistas de laboratório, farmacêuticos clínicos, fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. O AVC é uma doença dos vasos sanguíneos cerebrais em que o cérebro sofre em decorrência de sangramento (AVC hemorrágico) ou por falta de sangue devido a uma obstrução (AVC isquêmico). Os sintomas principais são fraqueza em um dos lados do corpo, alteração da fala ou compreensão, perda da visão e entortamento da face. Quando suspeitar de AVC (derrame)? Rosto: Peça para a pessoa sorrir. Se o rosto ficar torto, é sinal de AVC Fala: Qualquer alteração de fala, inclusive falar “embolado” pode ser por AVC Visão: Alterações repentinas na visão podem indicar AVC Braços: Peça para a pessoa levantar os dois braços, como quem segura uma bandeja. Se ela não conseguir manter um dos braços erguidos, é sinal de AVC Desequilíbrio: Se antes a pessoa conseguia andar e de repente não consegue mais, suspeite de AVC Busque ajuda. Quanto mais rápido o atendimento, menores as sequelas *Com informações do IgesDF
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