Resultados da pesquisa

Cabo Verde

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Pesquisa conecta Brasil e África para entender como manifestações culturais se tornam patrimônio

Uma língua falada por gerações, uma música que se torna símbolo de um país ou uma festa que reúne uma comunidade todos os anos. Em que momento essas manifestações deixam de ser vistas apenas como parte do cotidiano e passam a ser reconhecidas como patrimônio cultural? É essa questão que orienta o projeto “Rotas entre Brasil e África: formas de expressão e os caminhos do patrimônio cultural”, desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB) com incentivo da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). Manifestações culturais em Moçambique fazem parte da pesquisa do projeto “Rotas entre Brasil e África: formas de expressão e os caminhos do patrimônio cultural” | Fotos: Divulgação/FAPDF A pesquisa ganha destaque no Dia da Cultura e da Ciência, celebrado em 5 de novembro, por aproximar justamente esses dois campos. Por meio da investigação científica, o projeto busca compreender manifestações culturais e os caminhos que levam ao seu reconhecimento, valorização e preservação no Brasil e em países africanos. Coordenada pela professora Juliana Braz Dias, doutora em antropologia social e docente do Departamento de Antropologia da UnB, a pesquisa reúne especialistas das áreas de antropologia e linguística para estudar manifestações culturais no Brasil, em Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e na África do Sul. Contemplado pelo edital Demanda Espontânea (2024), da FAPDF, o projeto recebeu R$ 90 mil para o desenvolvimento das atividades de pesquisa. A proposta tem duração prevista de 24 meses e contempla, entre outras ações, trabalhos de campo, bolsas de iniciação científica, aquisição de material bibliográfico e realização de um seminário para divulgação dos resultados. Patrimônio cultural Não basta uma manifestação ser antiga, popular ou transmitida entre gerações para que seja oficialmente reconhecida como patrimônio cultural. O processo, chamado de patrimonialização, envolve a atribuição de valor a determinado bem cultural e pode reunir comunidades, artistas, pesquisadores, instituições públicas e organismos nacionais ou internacionais. Juliana Dias, coordenadora da pesquisa na UnB: “O processo de patrimonialização é, acima de tudo, um processo de classificação em que determinados bens culturais têm seu valor reconhecido, enquanto outros lutam ainda por esse reconhecimento”  Em muitos casos, esse reconhecimento começa antes mesmo da atuação do poder público. São as próprias comunidades que atribuem importância a uma língua, uma música, uma festa ou um saber e os reconhecem como parte de sua história e identidade. A partir daí, podem surgir movimentos para que esse valor também seja reconhecido institucionalmente. Cada país possui seus próprios órgãos e mecanismos para esse processo. No Brasil, atua o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em Cabo Verde, uma das instituições responsáveis é o Instituto do Patrimônio Cultural (IPC). Em escala internacional, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) também pode conceder títulos de reconhecimento a manifestações consideradas patrimônio cultural da humanidade. “O processo de patrimonialização é, acima de tudo, um processo de classificação em que determinados bens culturais têm seu valor reconhecido, enquanto outros lutam ainda por esse reconhecimento”, resume Juliana Dias. Quando uma manifestação recebe o título de patrimônio, o reconhecimento também reforça a necessidade de salvaguarda — conjunto de ações voltadas à continuidade e à transmissão daquela herança cultural para as próximas gerações. Isso pode envolver políticas públicas, ações de preservação, incentivo às comunidades e estratégias de valorização. Mas o reconhecimento não encerra a discussão. As pesquisas desenvolvidas pelo projeto mostram que a patrimonialização também pode revelar conflitos: diferentes grupos podem disputar qual versão de uma manifestação seria considerada mais “autêntica”, ter acesso desigual às políticas de preservação ou criar expectativas que não são atendidas após a concessão do título. A morna  Um dos exemplos que ajudam a compreender esse processo é a morna, gênero musical de Cabo Verde reconhecido em 2019 pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Show de morna, gênero musical de Cabo Verde: estilo foi estudado pela pesquisadora O tema acompanha a trajetória acadêmica de Juliana há quase três décadas. A pesquisadora iniciou trabalhos em Cabo Verde em 1998 e, em sua tese de doutorado, defendida em 2004, estudou identidade nacional e música popular cabo-verdiana com foco justamente na morna. [LEIA_TAMBEM]Segundo a professora, o reconhecimento internacional foi resultado de um processo que reuniu músicos, pesquisadores, representantes políticos e agentes do Estado, mas encontrou sua base na valorização que os próprios cabo-verdianos historicamente atribuem à morna e à língua crioula como símbolos nacionais. A patrimonialização contribuiu para investimentos relacionados à economia criativa, com incentivos a feiras e festivais. Os efeitos, entretanto, não correspondem necessariamente a todas as expectativas. “Embora esteja vinculada ao intenso fluxo de turistas, a patrimonialização da morna não chega a fortalecer significativamente a geração de renda”, explica. Ao mesmo tempo, músicos associados a outros gêneros passaram a reivindicar maior reconhecimento. Para a pesquisadora, o caso mostra que o patrimônio pode funcionar simultaneamente como instrumento de valorização e como espaço de disputas sobre quais manifestações representam uma sociedade. Herança cultural Entre os temas que ganharam destaque durante a pesquisa está a valorização das línguas maternas, especialmente o crioulo cabo-verdiano e as diversas línguas faladas em Moçambique. “Reconhecer e valorizar uma manifestação cultural é um modo de reforçar o sentimento de pertença entre os membros do grupo que criaram e que dão continuidade a esse bem cultural” Juliana Dias, pesquisadora A língua é tratada pelo projeto não apenas como instrumento de comunicação, mas como uma forma de expressão cultural ligada à memória, às identidades e aos sentimentos de pertencimento. “Reconhecer e valorizar uma manifestação cultural é um modo de reforçar o sentimento de pertença entre os membros do grupo que criaram e que dão continuidade a esse bem cultural”, afirma Juliana. Além das línguas, integrantes da equipe realizaram trabalhos de campo relacionados à música, arte de rua, festas populares e ritos de iniciação. Para desenvolver as pesquisas, são utilizadas metodologias como etnografia, entrevistas, observação, análise de documentos e registros sonoros e produção audiovisual. A comparação entre diferentes países permite identificar tanto pontos em comum quanto particularidades nas formas de reconhecer e preservar manifestações culturais. Ciência e cultura Para Juliana, estudar cientificamente essas manifestações também ajuda a mostrar que a cultura não é apenas reflexo da sociedade: “As manifestações culturais não são só um reflexo de outros aspectos do mundo social. Devemos perceber as manifestações culturais como um campo importante de produção de relações, valores, sentimentos e formas de viver”. O conhecimento produzido também pode contribuir para políticas públicas de preservação cultural. No Distrito Federal, a equipe espera que a comparação com experiências brasileiras e africanas ajude a ampliar as reflexões sobre os instrumentos de reconhecimento e proteção do patrimônio. Outro possível desdobramento está na educação. Os estudos sobre contextos africanos podem contribuir para aproximar estudantes brasileiros de realidades diversas do continente e subsidiar materiais voltados ao ensino das histórias e culturas africanas e afro-brasileiras. Pesquisa atravessa fronteiras “O apoio da FAPDF foi fundamental ao possibilitar a realização de trabalho de campo, principalmente fora do Brasil”, ressalta a pesquisadora. “Não apenas docentes, mas também discentes de pós-graduação puderam realizar pesquisas de campo em Cabo Verde e em Moçambique.” Segundo Juliana, essa experiência contribui tanto para a formação dos estudantes quanto para a produção de conhecimento e para a internacionalização das instituições de ensino e pesquisa do Distrito Federal. O projeto está atualmente na fase de consolidação dos resultados. A equipe já produz artigos científicos, capítulos de livros e trabalhos apresentados em eventos no Brasil e no exterior. Também estão em elaboração ensaios fotográficos, e um seminário final deverá reunir e apresentar os resultados da pesquisa ao público. “Festas populares, formas artísticas e a própria língua materna criam relações sociais, sentimentos e valores fundamentais para que cada um se sinta parte de uma coletividade da qual se orgulha”, resume Juliana.    *Com informações da FAPDF  

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Plano de negócios mira o comércio do DF com países da África Ocidental

Com objetivo de fortalecer relações comerciais entre o Distrito Federal e países da África, o secretário de Relações Internacionais, Paco Britto, e o presidente do Sistema Fecomércio DF, José Aparecido Freire, discutiram os últimos detalhes do Plano de Negócios da pasta que será executado em parceria com o setor de comércio de bens, serviços e turismo da capital. A primeira edição do projeto terá foco na Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao). O presidente do Sistema Fecomércio DF, José Aparecido Freire, e o secretário de Relações Internacionais, Paco Britto, discutiram os últimos detalhes do Plano de Negócios da pasta para o setor de comércio de bens, serviços e turismo da capital com a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental | Fotos: Cristiano Costa/FecomércioDF “Está na hora de colocarmos o plano em prática”, enfatizou Freire. No encontro, foram pontuadas as primeiras ações do documento que serão executadas, como a criação de um selo de origem para produtos brasilienses, realização de caravanas internacionais de negócios e criação de uma plataforma online com dados econômicos e precificação de mercadorias. “Vencemos o período de discussão sobre as melhores estratégias a serem adotadas, agora vamos executá-las”, frisou. [Olho texto=”“Tenho certeza de que, em breve, os produtos, os serviços e as tecnologias do Distrito Federal terão seu potencial reconhecido e prontos para ganharem o continente africano”” assinatura=”Paco Britto, secretário de Relações Internacionais” esquerda_direita_centro=”esquerda”] O plano de negócios foi formalizado em abril deste ano por meio da assinatura de um memorando de entendimento. Uma das ações saiu do papel em maio e celebrou o Dia Internacional da África em parceria com 33 embaixadas, com encontro de negócios e evento cultural que reuniu mais de mil pessoas no Museu de Arte de Brasília (MAB). “Tenho certeza de que, em breve, os produtos, os serviços e as tecnologias do Distrito Federal terão seu potencial reconhecido e prontos para ganharem o continente africano”, reforçou o secretário Paco Britto. Segundo ele, o escoamento de mercadoria brasileiras por meio da Cedeao é estratégica, pela facilidade logística de entrada de produtos pelo Atlântico. Entre os estados membros encontram-se Cabo Verde, Gana, Libéria, Nigéria, Senegal, Togo, entre outros, muitos do quais já realizam negócios com o DF. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Segundo dados da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Distrito Federal exportou U$ 26 milhões para o continente africano em 2022. Entre os principais produtos estão pedaços e miudezas de aves e bovinos, aparelhos de filtragem de água, peças e maquinários agrícolas, motores a diesel e semidiesel, querosene de aviação, livros, entre outros. Em contrapartida, países africanos venderam U$ 121 mil para a capital federal. Entre as mercadorias estão tecidos, itens de vestuário, aparelhos elétricos de telefonia, móveis de madeira e produtos de cristal. “Nosso objetivo é expandir essa lista de produtos em ambos os lados. Já detectamos, por exemplo, o grande potencial de exportação do DF em relação a serviços, como softwares e jogos eletrônicos, que possuem empresas renomadas no DF”, explica Aparecido. Além do foco na internacionalização de empresas do DF, a parceria viabilizará pesquisas, projetos em diversas áreas como turismo, educação, ciência, tecnologia e inovação. *Com informações da Serinter-DF

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Programa do GDF leva mais de 150 estudantes a visitas em embaixadas

A Embaixada do Bahrein – pequeno território localizado no Oriente Médio, próximo à Arábia Saudita e ao Catar – abriu suas portas, nesta terça-feira (9), para 21 estudantes da Escola Classe 111 Sul. A manhã foi de diversão e muito aprendizado para a garotada que participou do Programa Embaixada de Portas Abertas (Pepa), realizado pela Secretaria de Relações Internacionais (Serinter). Na Embaixada do Bahrein, os estudantes conheceram as atividades de um diplomata. Para o conselheiro Fahad Alfaihani, a oportunidade criada pelo projeto foi muito importante para divulgar a história do país, que tem mais de 5 mil anos | Fotos: Maria Luiza Lourenço/Serinter-DF O conselheiro da embaixada, Fahad Alfaihani, responsável por receber os alunos, destacou a oportunidade criada pelo projeto de mostrar o país aos brasileiros e também de explicar aos estudantes o papel de um diplomata. “Uma grande oportunidade para apresentar meu país que, embora geograficamente pequeno, é grande em sua história, com uma civilização que se estende por mais de 5 mil anos”, contou. [Olho texto=”“O Pepa promove um intercâmbio importante com ganhos para todos: tanto os estudantes, que têm a oportunidade de conhecer outras culturas, quanto os embaixadores, que conhecerão mais sobre a educação brasileira, principalmente a aplicada no Distrito Federal”” assinatura=”Paco Britto, secretário de Relações Internacionais” esquerda_direita_centro=”esquerda”] As crianças se divertiram, aprenderam sobre a história do Bahrein e até arriscaram algumas palavras ensinadas a eles durante a visita. Mas, certamente, a hora do lanche, repleto de comidas típicas como quibe, esfirra e falafel (bolinho de grão de bico), foi um dos momentos que mais fizeram sucesso com a garotada. A visita desta terça foi a última promovida, neste semestre, dentro da primeira fase do Pepa, que contemplou sete instituições de ensino em sete embaixadas, promovendo o intercâmbio cultural para cerca de 150 estudantes do DF. A segunda fase terá início em 11 de maio e fará o caminho inverso: levar os embaixadores das missões diplomáticas para visitar as escolas. Além de conhecerem o país africano, os alunos do CEF 4 de Sobradinho também provaram na Embaixada de Cabo Verde a tradicional sopa de milho e carnes, a cachupa rica “O Pepa promove um intercâmbio importante com ganhos para todos: tanto os estudantes, que têm a oportunidade de conhecer outras culturas, quanto os embaixadores, que conhecerão mais sobre a educação brasileira, principalmente a aplicada no Distrito Federal”, destacou o secretário de Relações Internacionais, Paco Britto. Viagens em minutos Na semana passada, outras duas embaixadas foram visitadas. Na primeira, 22 estudantes do Centro de Ensino Fundamental 4, de Sobradinho, tiveram a oportunidade de aprender um pouco mais sobre Cabo Verde, país africano que também fala português, e até provar da tradicional sopa de milho e carnes, a cachupa rica. “É um momento único para a embaixada porque é muito importante ter essa troca com o país onde estamos inseridos, manter a conectividade, e fazer com que estudantes, mesmo sem entrar em um avião, estejam em Cabo Verde, ainda que por alguns minutos”, ressaltou a ministra da Missão Diplomática, Maria Goretti Santos. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Já o Centro de Ensino Fundamental 15, de Taguatinga, levou 22 alunos para aprender sobre a Indonésia, país que é considerado o maior arquipélago do mundo. “Sejam todos bem-vindos nesta viagem à Indonésia”, disse o embaixador Edi Yusup às crianças, antes da apresentação de um vídeo mostrando a história, os costumes e a cultura do país. A culinária – que foi servida aos alunos como o famoso bolinho de gergelim e o macarrão frito -, e as vestimentas tradicionais do país asiático foram o que mais chamaram a atenção dos estudantes. *Com informações da Serinter-DF

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