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Adultos do DF morrem menos de diabetes e AVC; câncer ainda demanda atenção

Dados de 2014 e 2024 mostram que adultos do Distrito Federal, entre 30 e 69 anos, morreram menos de diabetes, disparo de arma de fogo e acidente vascular cerebral (AVC). Câncer e dengue, contudo, tiveram crescimento. Infarto agudo do miocárdio liderou tanto em 2014 quanto em 2024. É o que mostra o Informativo Epidemiológico da Secretaria de Saúde (SES-DF), com dados de 5.240 certidões de óbito de 2014 e 6.397 de 2024.  Uma das ações de destaque da Secretaria de Saúde é o mutirão de atendimento a casos de câncer | Foto: Jhonatan Cantaelle/Agência Saúde-DF “O aumento no ranking de algumas doenças é um alerta para sensibilizar as pessoas a buscar os serviços de saúde e para a necessidade de qualificar a rede na detecção precoce e no tratamento em tempo oportuno, como é o caso dos cânceres de mama, de brônquios e pulmões e cólon, bem como da doença isquêmica crônica do coração” Mélquia Lima, gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção à Saúde da SES-DF Um dos destaques foi a redução de mortes causadas por agressão com disparo de arma de fogo. De 2014 para 2024, o número caiu de 211 para 62 ocorrências na faixa etária de 30 a 69 anos, o suficiente para fazer essa causa de morte ir do segundo lugar para a 29ª posição. Também chama a atenção o registro dos óbitos decorrentes de diabetes mellitus: em 2014, foram 166 casos, ocupando o terceiro lugar; dez anos depois, 129 ocorrências fizeram a doença cair para a oitava posição.  Populares no ranking Mélquia Lima, gerente de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção à Saúde da SES-DF, cita a redução dos casos de óbitos por diabetes, mostrando que o cuidado em saúde oferecido pelos serviços da rede pública pode ter contribuído. É preciso, também, avaliar os casos em que as doenças causaram mais óbitos. “O aumento no ranking de algumas doenças é um alerta para sensibilizar as pessoas a buscar os serviços de saúde e para a necessidade de qualificar a rede na detecção precoce e no tratamento em tempo oportuno, como é o caso dos cânceres de mama, de brônquios e pulmões e cólon [intestino], bem como da doença isquêmica crônica do coração”, explica a médica. Em 2014, o câncer de mama estava na quarta colocação do ranking; em 2024, apareceu na segunda posição. Já o câncer dos brônquios e dos pulmões subiu da sexta para a terceira colocação. Em 2024, o câncer de intestino (cólon) entrou para a lista das dez doenças com maiores causas de óbito, saindo da 19ª posição para a décima. O maior crescimento, porém, ficou com a dengue: saltou da 146ª posição, em 2014, para a 9ª em 2024. Ações concretas  No caso da dengue, a epidemia registrada no DF entre 2023 e 2024 foi combatida com ações para tratamento de pacientes, como tendas de atendimento, e de ações contra o mosquito transmissor da doença. A SES-DF promoveu desde visitas domiciliares ao uso de tecnologias como armadilhas, drones e mosquitos inoculados com uma bactéria para reduzir a capacidade de transmissão da doença. O resultado foi visível: em 2025, houve uma queda de 96% nos casos prováveis de dengue no DF. [LEIA_TAMBEM]Já o câncer tem sido foco de ações consistentes. O destaque é o programa “O Câncer não espera. O GDF também não”, criado em 2025 para agilizar a realização de exames e de consultas, com mudanças no fluxo de pacientes. “É uma iniciativa que atua diretamente sobre os principais gargalos da rede, reduz tempos de espera, promove equidade e fortalece a integralidade do cuidado”, avalia a coordenadora do comitê de planejamento da SES-DF, Paula Muraro.  No âmbito do programa, é possível mensurar as reduções: de março de 2025 a janeiro de 2026, a lista para consulta de oncologia caiu 52,3%, de 889 para 424 pessoas, considerando a inserção de mais de 300 novos casos por mês. O tempo de espera também caiu de 81 para 25 dias, 69,1% menor. Na radioterapia, por sua vez, a lista diminuiu 35,39%, passando de 630 para 407 pacientes, enquanto o tempo de espera caiu de 87 para 36 dias, 58,6% a menos.  Mortes prematuras Mélquia Lima explica que esse tipo de informativo epidemiológico, com recorte da população de 30 a 69 anos, é feito em vários países a fim de compreender melhor os óbitos de pessoas em faixas etárias abaixo da expectativa de vida da população. Por esse motivo, tratam-se de mortes chamadas prematuras. “Vale ressaltar que o DF possui a maior expectativa de vida do Brasil, com média de 79,7 anos, superando a média nacional [76,6 anos]”, detalha Mélquia. “Segundo dados do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], as mulheres têm expectativa de 82,9 anos e os homens 76,3 anos no DF.” Além de embasar a tomada de decisões sobre políticas públicas, o informativo epidemiológico também serve de alerta para a própria população. Os dados mostram a importância de adotar hábitos de vida saudáveis, como atividade física, alimentação equilibrada, controle do estresse e sono de qualidade e realização de exames de rotina frequentemente.   *Com informações da Secretaria de Saúde

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Aumenta número de alunos selecionados para estágios

Com 2.283 alunos em cursos de eletrônica, unidade vira porta de entrada no mercado de trabalho | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília Com o desemprego entre jovens de 18 a 24 anos batendo a casa do 3,6 milhões, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do último trimestre de 2019, as escolas técnicas têm se transformado em importante aliado contra a desocupação juvenil. É também por intermédio dessas unidades especializadas que os mais novos ingressam no mercado de trabalho. Basta estar matriculado em algum curso técnico e se inscrever para uma vaga nos diversos tipos de estágio oferecidos. A Escola Técnica de Brasília (ETB) é um exemplo. Com 2.283 alunos matriculados nos cursos de eletrônica, a unidade tem se caracterizado como uma porta de entrada de seus alunos no mercado de trabalho. Do primeiro para o segundo semestre do ano passado, o número de estudantes egressos da ETB que estagiam em empresas aumentou 67,6%. Até junho de 2019, 263 alunos estão no exercício de estágios; na outra metade do mesmo ano, esse número cresceu para 441. Eles atuam nas áreas de eletrotécnica, informática, telecomunicações, nos turnos da manhã, da tarde e da noite. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Bruno de Jesus Pereira Meireles, 21 anos, e Roberto Marcos Rocha, 38, são alunos do turno vespertino na ETB. Eles têm em comum também o fato de já serem formados no ensino médio e voltaram a estudar para conseguir um estágio e tentar serem contratados em definitivo. Somente em 2019 o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) encaminhou para estágio supervisionado um total de 1.826 estudantes de escolas técnicas do Distrito Federal. Cerca de 200 alunos a mais que no ano anterior, quando foram contratados 1.624 alunos de entidades públicas com esse perfil técnico. Experiências Bruno mora em Luziânia e está na escola desde 2019. Aluno do terceiro semestre de eletrotécnica, estava atrás de emprego e viu na ETB uma oportunidade de começar a trabalhar. Hoje ele estagia em um grupo que presta serviços de manutenção predial e de tecnologia da informação (TI). Entre os clientes estão o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. “Foi uma ótima ter vindo para cá. A empresa é maravilhosa”, elogia o agora empregado estudante. Oportunidade estampada: mural da ETB sempre está repleto de anúncios de estágio | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília Roberto Marcos mora no Gama e faz eletrotécnica. Está no quarto semestre. Na segunda-feira (2) recebeu um convite de estágio para trabalhar em sua área, em uma empresa de refrigerante. Mas recusou porque teria que mudar de horário e de turma.  “Eles se interessaram, mas só tinha vaga de estágio para a tarde. Eu estudo neste horário, por isso não me interessei. Não queria sair da minha turma”, afirmou o aluno. As empresas, por sua vez, também têm buscado cada vez mais estagiários nas escolas técnicas. O diretor da ETB, Jackes Ridan da Silva Guedes, possui uma lista de 56 entidades privadas conveniadas com a escola. Além disso, o mural do pátio é recheado de propostas de estágio. Mas Jackes faz uma ressalva. Não são todos os alunos que estão liberados para tentar uma vaga na escola. “O aluno interessado em vir para cá precisa estar, pelo menos, no segundo ano do ensino médio para se matricular aqui”, explicou. Não há prova para seleção. Basta participar de um sorteio realizado sempre aos finais de semestre. São oferecidas 890 por semestre. Organização, bons serviços e ótimo estado de conservação têm caracterizado a atual gestão da ETB | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília Imponência Não é somente a oportunidade de estágio que atrai os estudantes para a Escola Técnica de Brasília (ETB). A estrutura da escola é nota 10. Dá para notar só pela fachada, que se assemelha à de uma universidade, mas em melhor estado de conservação. São 47 salas e 35 laboratórios. Em cada sala há projetor, ar-condicionado, internet liberada. Sobre os professores, o próprio Jackes pode dizer melhor, já que está na função há sete anos. “São todos engenheiros formados e concursados.” A confiança no ensino oferecido em sua unidade de ensino é tanta que ele matriculou o filho lá. “Meu filho fez curso de técnico de informática aqui. Hoje ele faz engenharia de software”, acrescentou o diretor da ETB.

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