Calor e tempo seco exigem cuidados redobrados com a saúde das crianças
Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada. Manter as crianças hidratadas, o calendário de vacinação em dia e redobrar os cuidados com o preparo e a conservação dos alimentos estão entre as principais medidas para proteger a saúde infantil durante períodos de calor intenso e baixa umidade. Pais e responsáveis também devem ficar atentos aos sinais de desidratação e procurar atendimento caso a criança apresente sintomas de alerta. Uma das medidas mais eficazes para proteger o público infantil é manter o calendário de vacinação em dia. Exemplo disso é a vacina rotavírus humano (VRH), imunizante oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que previne formas graves de diarreia. O esquema é composto por duas doses: a primeira deve ser aplicada aos dois meses e a segunda aos quatro meses de idade. O cardápio das crianças também exige cuidados especiais, como detalha a referência técnica distrital (RTD) de pediatria da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Juliana Araújo. “Com o calor na faixa entre 20° C e 50° C, os alimentos entram em uma zona propícia para a rápida multiplicação de bactérias e vírus. Por isso, é fundamental atentar-se às condições de preparo, higiene e acondicionamento”, explica. Refeições e lanches deixados fora de refrigeração por mais de duas horas ou preparados com muita antecedência oferecem riscos de contaminação. A orientação é manter alimentos quentes acima de 60° C e refrigerados abaixo de 5° C. Também é recomendável evitar ambientes muito quentes ou com aglomeração de pessoas. Se for necessário frequentar esses locais, a orientação é reforçar continuamente a ingestão de água. Por que o cuidado deve ser redobrado O período de calor intenso e baixa umidade relativa do ar favorece o aumento de infecções por vírus gastrointestinais, como norovírus, adenovírus e rotavírus. O ressecamento do solo facilita a suspensão de poeira com esses agentes infecciosos no ar. Além disso, o tempo seco causa o ressecamento das mucosas nasais e inibe o mecanismo natural que varre as impurezas das vias aéreas, reduzindo a proteção contra microrganismos. Por estarem em desenvolvimento, os bebês e as crianças são impactados de maneira especial por essas condições. Outro problema crítico é a desidratação, que ocorre de forma muito mais rápida nos pequenos. Como eles têm uma taxa metabólica elevada, a perda de líquidos pela transpiração e por eventuais diarreias ou vômitos pode evoluir rapidamente para quadros mais graves. Sinais de alerta e atendimento Os pais e responsáveis devem observar atentamente os sinais de desidratação infantil. É preciso buscar assistência médica imediata caso a criança apresente: diminuição perceptível ou ausência de urina; febre; boca, lábios e mucosas ressecados; olhos fundos e ausência de lágrimas ao chorar; letargia, prostração ou sonolência excessiva. As unidades básicas de saúde (UBS) são a principal porta de entrada para essa assistência. Na UBS, as equipes de Saúde da Família realizam o acolhimento, a classificação de risco e iniciam os procedimentos de reidratação, que buscam favorecer a absorção intestinal de água e eletrólitos. Caso haja necessidade, o paciente é encaminhado a um serviço de emergência. Clique aqui e confira o horário de funcionamento da UBS mais próxima da sua residência ou veja a lista completa de UBS do DF. *Com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF)
Ler mais...
Mudanças após os 40 anos podem afetar a qualidade de vida da mulher
Aos 57 anos, a assistente administrativa Ieda Soares percebeu que a menopausa trouxe mudanças que ela não esperava. Cansaço, dificuldade de concentração e alterações no corpo passaram a fazer parte da rotina. O que parecia ser apenas uma fase passageira mostrou a importância de compreender as transformações do organismo e buscar orientação médica. Ieda Soares, assistente administrativa: no início, ela sentiu cansaço, dificuldade de concentração e alterações no corpo | Fotos: Divulgação "No início, achei que seria um alívio, mas vieram outros desafios: cansaço, dificuldade de concentração e mudanças no corpo. É uma fase em que você precisa se conhecer de verdade e buscar orientação médica adequada", relata Ieda. A experiência dela é semelhante à de milhões de mulheres. Ondas de calor repentinas, alterações no sono, diminuição da libido e dificuldade de concentração estão entre os sintomas que podem surgir a partir dos 40 anos. Muitas vezes, eles são confundidos com estresse, excesso de trabalho ou até depressão, quando, na verdade, podem indicar o início do climatério, período de transição que antecede a menopausa. "É semelhante à adolescência. Assim como a puberdade não acontece de um dia para o outro, essa transição também ocorre ao longo de vários anos. A menopausa, que é a última menstruação, é apenas um evento dentro desse processo" Ana Carolina Ramiro, ginecologista e obstetra do Hospital Regional de Santa Maria A ginecologista e obstetra Carolina Ramiro, do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), explica que climatério e menopausa não são sinônimos. O climatério corresponde a todo o processo de transição hormonal vivido pela mulher, enquanto a menopausa é a última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem ciclo menstrual. "É semelhante à adolescência. Assim como a puberdade não acontece de um dia para o outro, essa transição também ocorre ao longo de vários anos. A menopausa, que é a última menstruação, é apenas um evento dentro desse processo", esclarece. Reposição hormonal pode ser uma aliada Segundo a médica, a redução da produção hormonal costuma começar entre os 40 e 45 anos e pode provocar diferentes sintomas. O mais importante é que a mulher não normalize esse desconforto e procure atendimento médico quando as alterações começarem a interferir na qualidade de vida. Durante muitos anos, a terapia de reposição hormonal foi cercada por dúvidas e receios. Atualmente, as evidências científicas mostram que, para a maioria das mulheres, o tratamento pode ser feito com segurança, desde que seja indicado e acompanhado por um profissional. "Hoje sabemos que é um protocolo seguro para a grande maioria das pacientes. Existem contraindicações específicas, como casos de câncer de mama ativo ou histórico da doença, mas cada mulher deve ser avaliada individualmente", explica Ana Carolina. Além de aliviar sintomas como ondas de calor, insônia e alterações de humor, a reposição hormonal também contribui para a proteção da saúde óssea e cardiovascular. Outro benefício é a prevenção da síndrome geniturinária da menopausa, condição que provoca ressecamento e afinamento dos tecidos da região genital e urinária. Ana Carolina Ramiro, ginecologista e obstetra do HRSM: "Atividades como musculação, pilates e exercícios de resistência são muito importantes. Elas ajudam a preservar a massa muscular e a fortalecer os ossos" Reposição hormonal não substitui hábitos saudáveis Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de mulheres estarão na fase pós-menopausa até 2030. O dado reforça a importância de ampliar o acesso à informação e ao acompanhamento médico para que essa etapa da vida seja vivida com mais saúde e qualidade. Apesar dos benefícios da reposição hormonal, Ana Carolina Ramiro ressalta que o tratamento deve estar associado à adoção de hábitos saudáveis. "Atividades como musculação, pilates e exercícios de resistência são muito importantes. Elas ajudam a preservar a massa muscular e a fortalecer os ossos. Ter uma alimentação equilibrada também desempenha papel essencial para a saúde e o bem-estar", destaca. Além da prática regular de atividade física e de uma alimentação equilibrada, manter o acompanhamento ginecológico permite identificar precocemente as mudanças hormonais e definir, de forma individualizada, o tratamento mais adequado para cada mulher.
Ler mais...
Azia frequente exige atenção para evitar complicações
Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada. A sensação de queimação no peito ou na garganta após uma refeição pesada é comum e, na maioria das vezes, passageira. Quando a azia passa a ocorrer várias vezes por semana, prejudica o sono, interfere na rotina ou leva ao uso frequente de medicamentos, deixa de ser apenas um desconforto ocasional e pode indicar problemas de saúde que exigem avaliação médica. Segundo o clínico geral e gastroenterologista do Hospital Cidade do Sol (HSol), Álvaro Modesto, a principal doença associada à azia frequente é a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), caracterizada pelo retorno repetido do conteúdo do estômago para o esôfago. O médico alerta, entretanto, que nem toda sensação de queimação no tórax tem origem no sistema digestivo. “Algumas doenças cardíacas também podem causar desconforto ou queimação no peito. Por isso, o sintoma não deve ser automaticamente atribuído à azia, especialmente quando aparece acompanhado de outros sinais”, esclarece. Sinais que exigem atenção Além da frequência, algumas manifestações associadas à azia indicam a necessidade de procurar avaliação médica. Dificuldade ou dor para engolir, sensação de alimento parado, perda de peso sem explicação, vômitos persistentes, sangue no vômito, fezes muito escuras, anemia e piora progressiva dos sintomas estão entre os principais sinais de alerta. Quando a queimação no peito ocorre junto com falta de ar, suor frio, náuseas, tontura ou dor que se espalha para o braço, as costas ou a mandíbula, a orientação é buscar atendimento de urgência. Nesses casos, o desconforto pode ter origem cardíaca. Quando a queimação no peito ocorre junto com falta de ar, suor frio, náuseas, tontura ou dor que se espalha para o braço, as costas ou a mandíbula, a orientação é buscar atendimento de urgência | Foto: Divulgação/IgesDF “Um sintoma frequente não deve ser simplesmente incorporado à rotina. Conviver com azia recorrente ou depender constantemente de medicamentos são sinais de que vale a pena procurar avaliação”, orienta Álvaro. Automedicação pode mascarar o problema Os antiácidos podem aliviar episódios pontuais de azia, queimação e má digestão. Como são facilmente encontrados nas farmácias e podem ser adquiridos sem receita médica, muitas pessoas recorrem a esses medicamentos com frequência. No entanto, o uso contínuo e sem acompanhamento profissional pode mascarar doenças, atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de efeitos adversos e de interações medicamentosas. De acordo com o especialista, quando existe a necessidade constante de medicação, o mais adequado é investigar a causa da azia, em vez de apenas aliviar temporariamente o desconforto. A experiência de Fernando Campos, de 56 anos, reforça a importância de associar o tratamento às mudanças de hábitos. “Precisei recorrer a medicamentos e percebi uma melhora gradual na qualidade de vida. Hoje, consigo controlar melhor os sintomas ao equilibrar a alimentação”, relata. Mudanças de hábitos ajudam no controle Evitar refeições muito volumosas, não se deitar logo após comer e manter um intervalo de algumas horas entre a última refeição e o horário de dormir são medidas que podem reduzir os episódios de azia. Também é importante observar quais alimentos e bebidas desencadeiam o desconforto, já que essa resposta varia de pessoa para pessoa. Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e alimentos muito gordurosos, parar de fumar e controlar o peso, quando necessário, também podem contribuir para a melhora. Para quem apresenta sintomas principalmente à noite, a elevação adequada da cabeceira da cama pode ser recomendada após avaliação profissional. “Na maioria das vezes, é possível controlar os sintomas com mudanças de hábitos e, quando necessário, tratamento medicamentoso. A avaliação permite identificar a causa, prevenir complicações e garantir um cuidado seguro”, conclui Álvaro. Em caso de azia recorrente ou de dúvidas sobre os sintomas, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos quadros acompanhados de sinais que possam indicar alterações cardíacas, o atendimento de urgência deve ser buscado imediatamente. *Com informações do IgesDF
Ler mais...
Saiba como evitar a presença de escorpiões dentro de casa
Um sapato deixado no chão, um ralo sem vedação ou uma pilha de entulho no quintal podem servir de abrigo para escorpiões. Com o aumento dos acidentes no Distrito Federal, a Secretaria de Saúde (SES-DF) reforça os cuidados para evitar a presença desses animais nas residências e reduzir o risco de picadas. A recomendação é investir na prevenção e buscar atendimento médico imediato. De janeiro a maio deste ano, acidentes com escorpiões passaram de 1.800 no DF | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF O último boletim epidemiológico da pasta indica que, de janeiro a maio deste ano, foram registrados 1.856 acidentes com escorpiões no DF. No mesmo período de 2025, foram 1.594 ocorrências. Ao longo de todo o ano passado, o total chegou a 4.640 notificações. Adaptados ao ambiente urbano, os escorpiões procuram locais escuros e úmidos. Os tipos mais encontrados na capital federal são escorpião-amarelo, escorpião-de-patas-rajadas e escorpião-preto. Pilhas de roupas, caixas de papelão e áreas atrás dos móveis são locais atrativos para os escorpiões A bióloga Camila Cibeli Soares, da SES-DF, explica que esses animais podem entrar nas casas por diferentes estruturas: “É muito comum encontrá-los adentrando as residências por meio de ralos — de chão ou de pia —, bueiros, dutos que protegem os cabos e condutores de energia elétrica e até por lâmpadas frouxas. Por isso, esses locais precisam estar sempre muito bem vedados”. Escorpiões também costumam se esconder atrás de móveis, em rodapés soltos, pilhas de roupas, caixas de papelão e materiais acumulados. Nas áreas externas, entulhos e restos de construção favorecem a presença deles. Como prevenir Manter os ambientes limpos e organizados é uma das formas mais eficazes de evitar abrigos. Recomenda-se, ainda, checar roupas e calçados antes de usá-los e manter camas e berços afastados das paredes, impedindo que lençois e cortinas encostem no chão. Do lado de fora, é importante utilizar luvas grossas ao limpar jardins ou manusear materiais de construção. A vedação de frestas, ralos e rodapés também ajuda a bloquear possíveis entradas. “Uma das recomendações é que, ao se levantar da cama, a pessoa calce um chinelo para evitar pisar em um desses animais” Camila Soares, bióloga da Secretaria de Saúde Camila Cibeli ressalta que o controle de insetos dentro de casa é, igualmente, fundamental. “As baratas são a principal fonte de alimento dos escorpiões, por isso deve-se manter o ambiente sempre limpo”, indica. Os escorpiões-amarelos, espécie mais associada aos acidentes graves, têm hábitos noturnos. Por isso, muitos casos ocorrem durante o dia, quando os animais já estão escondidos em diferentes pontos da casa. “Uma das recomendações é que, ao se levantar da cama, a pessoa calce um chinelo para evitar pisar em um desses animais”, alerta a especialista. Orientações Em caso de picada por escorpião, orienta-se lavar o local com água e sabão, elevar o membro afetado e procurar atendimento médico imediatamente. “A pessoa não pode espremer a picada nem tentar sugar o veneno; se possível, fotografe o animal para auxiliar na identificação”, reforça a bióloga. [LEIA_TAMBEM]De acordo com o Ministério da Saúde, a dor intensa no local da picada é o sintoma mais comum. Também podem ocorrer vermelhidão, formigamento e sudorese. Nos casos mais graves, especialmente em crianças, podem surgir náuseas, vômitos, suor excessivo, taquicardia e dificuldade respiratória. A aplicação do soro antiescorpiônico depende da gravidade do caso, isto é, nem todas as vítimas precisam receber o antiveneno. Contudo, qualquer pessoa picada deve ser avaliada por profissionais de saúde para a definição da conduta adequada. Na rede pública, há soro no Hospital Regional da Região Leste (HRL), no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), no Hospital Regional de Brazlândia (HRBz), no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), no Hospital Regional do Gama (HRG), do Guará (HRGu), no Hospital Regional de Planaltina (HRPL), no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), no Hospital Regional de Sobradinho (HRS) e no Hospital Regional de Taguatinga (HRT) A população também pode acionar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), que funciona 24 horas, pelos telefones 0800 644 6774 e 0800 722 6001. Para solicitar inspeção em casos de aparecimento de escorpiões, o contato com a Vigilância Ambiental pode ser feito pelo número 162 ou pelo e-mail gevapac.dival@gmail.com. Em situações de emergência, a orientação é ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-DF 192) ou para o Corpo Militar de Bombeiros do DF (193). *Com informações da Secretaria de Saúde
Ler mais...
Quarta idade avança no Brasil e desafia rede de saúde a se adaptar
O brasileiro está vivendo mais, e, no Distrito Federal, essa mudança já impacta diretamente a organização dos serviços de saúde. O envelhecimento populacional vem avançando nas últimas décadas e evidencia um fenômeno cada vez mais presente: o aumento do número de pessoas com 80 anos ou mais, a chamada quarta idade. O termo é utilizado por especialistas para designar essa etapa da vida em que a longevidade se intensifica, mas também traz novos desafios sociais e de saúde, exigindo acompanhamento mais próximo e contínuo. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022, indicam que o Brasil já conta com cerca de 4,6 milhões de pessoas com mais de 80 anos. Entre os idosos, a faixa etária mais numerosa é de 65 a 69 anos, com 7,9 milhões de brasileiros, mas o grupo que mais cresce é justamente o de idade mais avançada. Na contramão, a população mais jovem vem diminuindo. Pessoas com 0 a 14 anos somam 40,1 milhões, 19,7% da população. Já a expectativa de vida no país chegou a 77 anos, sendo maior entre as mulheres (80,5 anos) do que entre os homens (73,6 anos). Esse cenário reflete uma mudança marcada pela redução das taxas de natalidade e pelo aumento da longevidade, tendência observada em diversos países e que amplia a presença de idosos em idades cada vez mais avançadas. Realidade que já impacta a rede de saúde No Distrito Federal, essa transformação já é percebida na rotina das unidades de saúde. Hospitais administrados pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), como o Hospital Cidade do Sol, convivem com o aumento do número de pacientes em idades mais avançadas, muitos deles em situação de internação prolongada. Gilberto Gomes Barbosa tem quase 70 anos de idade, está internado há três meses no HSol por problemas cardíacos, e dedica tempo à produção literária e musical | Foto: Ualisson Noronha/IgesDF Para o médico Álvaro Modesto, chefe de Núcleo Médico do HSol, esse novo perfil exige mudanças na forma de cuidar. “Na prática, isso já aparece no dia a dia dos hospitais. Temos mais pacientes acima dos 80 anos, muitos com necessidade de acompanhamento contínuo e apoio para atividades básicas. Isso muda a forma como organizamos o cuidado”, explica. Com mais pessoas vivendo por mais tempo, cresce também a necessidade de acompanhamento por parte de familiares, como filhos e cônjuges, além do suporte da rede de saúde. “As famílias também precisam se adaptar a essa realidade. Pais e avós estão vivendo mais e, muitas vezes, precisam de um cuidado mais próximo na rotina”, acrescenta o médico. Cuidado contínuo e qualidade de vida O aumento da chamada quarta idade também exige uma abordagem mais integrada dentro dos serviços de saúde. Questões como mobilidade, uso correto de medicamentos, alimentação e acompanhamento clínico ganham ainda mais importância. Para o ortopedista Rodrigo do Carmo, chefe do serviço de ortopedia do Hospital de Base do Distrito Federal, o cuidado adequado faz diferença na autonomia dos pacientes. “Depois dos 80 anos, o acompanhamento ajuda a reduzir riscos e contribui para que o idoso mantenha autonomia e qualidade de vida”, explica. Em unidades do IgesDF, o atendimento a esse público envolve equipes multiprofissionais e, em muitos casos, acompanhamento contínuo ou internações prolongadas, especialmente entre pacientes com maior grau de dependência. Gilberto Gomes Barbosa é um desses exemplos. Aposentado e com quase 70 anos de idade, está internado há três meses no HSol por problemas cardíacos. Mesmo durante a internação, ele mantém a independência e não precisa de acompanhante permanente. Ainda assim, recebe visitas frequentes de irmãos e amigos, que passam pelo hospital sempre que a rotina de trabalho e estudos permite. A família, segundo ele, fica tranquila ao saber que está bem assistido pela equipe de saúde. “Tenho sido muito bem tratado. Minha família fica tranquila e eu procuro aproveitar o tempo me mantendo ocupado enquanto estou aqui”, ressalta Gilberto Gomes Barbosa. Além da rotina de cuidados com a saúde, o paciente também dedica tempo à produção literária e musical. Ele é escritor e compositor e afirma que sempre gostou de escrever. Atualmente, já tem cinco livros publicados e trabalha em uma nova obra inspirada na própria experiência durante a internação no Hospital Cidade do Sol. Desafio que tende a crescer O crescimento da população com mais de 80 anos segue uma tendência global. Projeções indicam que, até 2050, o mundo terá cerca de 2 bilhões de pessoas com 60 anos ou mais, ampliando o debate sobre políticas públicas, cuidados de longo prazo e organização do apoio familiar. No Distrito Federal, o desafio já é presente: não se trata apenas de viver mais, mas de garantir que essa longevidade venha acompanhada de qualidade de vida, autonomia e acesso a uma rede de saúde preparada para atender uma população cada vez mais envelhecida. *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)
Ler mais...
Micose: verão exige atenção redobrada com a saúde da pele
Marcado por temperaturas elevadas, aumento da umidade e maior exposição a ambientes coletivos, o verão cria condições favoráveis para o surgimento das micoses, infecções causadas por fungos que se multiplicam com mais facilidade nessa estação. Atenta a esse período, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) reforça a importância dos cuidados diários para reduzir o risco de contaminação e evitar complicações. “Com o aumento da transpiração, o uso de roupas sintéticas que dificultam a ventilação da pele e a maior frequência a praias e piscinas, os fungos passam a ter condições ideais para crescer e se espalhar”, explica a dermatologista e coordenadora dos ambulatórios de Psoríase e Cosmiatria do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), Letícia Oba. Entre as micoses mais comuns estão a tinea pedis, conhecida como pé de atleta, que provoca frieiras entre os dedos; a onicomicose, que atinge as unhas, deixando-as mais espessas, frágeis ou amareladas; a pitiríase versicolor, popularmente chamada de pano branco, caracterizada por manchas claras ou escuras no tronco e nos braços; e a candidíase cutânea, frequente em áreas de dobras, como axilas e virilhas, onde há atrito e umidade constante. Manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, que descamam e causam coceira intensa, são os principais sintomas de micose | Foto: Divulgação/Agência Saúde DF Sinais de alerta Na pele, os principais sinais são manchas avermelhadas ou esbranquiçadas que descamam e causam coceira intensa. Nas unhas, a infecção pode causar alteração de cor, descolamento da borda ou aumento da espessura. Já no couro cabeludo, é comum o aparecimento de áreas de falha de cabelo (alopecia), descamação semelhante à caspa e coceira. As micoses são contagiosas e podem ser transmitidas tanto por contato direto com pessoas ou animais infectados quanto de forma indireta, por meio de objetos contaminados. “Toalhas, calçados, roupas, instrumentos de manicure mal esterilizados e até o piso de banheiros e vestiários podem servir como fonte de contaminação”, alerta a especialista. Idosos, pessoas com diabetes, pacientes com imunidade reduzida e atletas ou profissionais que permanecem muito tempo com calçados fechados formam o grupo de maior risco. Em caso de suspeita, o usuário deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) de sua referência, onde ocorre a avaliação inicial e, se necessário, o encaminhamento para atendimento especializado com dermatologista em hospitais da rede pública do DF. Arte: Agência Saúde DF A médica ressalta que, quando não tratada corretamente, a micose pode abrir porta para infecções bacterianas mais graves, além de provocar perda permanente de unha ou cabelo e facilitar a transmissão para outras áreas do corpo e para outras pessoas. Prevenção diária Manter a pele bem seca após o banho, especialmente entre os dedos e nas dobras, evitar andar descalço em locais úmidos e públicos, dar preferência a roupas e meias de algodão e não compartilhar objetos de uso pessoal são atitudes simples que fazem a diferença. “Ficar muito tempo com roupa de banho molhada, repetir a mesma meia ou sapato sem deixar arejar, compartilhar toalhas ou calçados são alguns dos hábitos que favorecem a micose e precisam ser evitados”, orienta a médica. *Com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF)
Ler mais...
Vigilância Sanitária adverte sobre cuidados com limpeza e manutenção de piscinas no DF
Episódios recentes de intoxicação por produtos químicos quando banhistas utilizavam a piscina de uma academia em São Paulo acenderam o alerta da população sobre os cuidados necessários ao frequentar esses espaços. Embora os casos ainda estejam sob investigação, a Diretoria de Vigilância Sanitária (Divisa) da Secretaria de Saúde (SES-DF) adverte sobre as precauções exigidas no manuseio do cloro, elemento mais utilizado na limpeza de piscinas e tanques d’água. A Vigilância Sanitária recomenda que a qualidade da água deve ser averiguada com frequência enquanto houver banhistas na piscina | Foto: Yuri Freitas/Agência Saúde-DF “Em piscinas de uso coletivo, há a obrigatoriedade de verificar a qualidade da água”, orienta a diretora da Divisa, Márcia Olivé Roseno. “O parâmetro de pH deve estar entre 7,2 e 8,4. Também é importante aferir o nível de cloração [adição de cloro à água], que deve estar no mínimo em 0,5 mg/l e no máximo em 1,5 mg/l.” Esse controle, reforça ela, deve ser feito pelo menos três vezes ao dia por um especialista operador de piscinas. Por ser altamente volátil, o cloro, quando misturado de forma inadequada a outros elementos, especialmente em áreas fechadas, pode levar à intoxicação. “O produto é utilizado para eliminar micro-organismos patogênicos, incluindo bactérias e vírus”, explica a gestora. "Acima de 1,5 mg/l, há riscos aos banhistas, como tosse, alergia e irritação nos olhos; e até reações mais graves, como confusão mental, edema pulmonar [acúmulo de líquido nos pulmões], queimadura nas vias aéreas e insuficiência respiratória”. Precauções ao entrar na água [LEIA_TAMBEM]Como medida preventiva, é preciso observar a aparência da água antes de entrar. É melhor evitar o banho se ela estiver turva, esverdeada, com muito material suspenso ou depositado no fundo da piscina, com sujidade nas bordas e um cheiro intenso de cloro. A Diretoria de Vigilância Sanitária em Saúde tem por atribuição fiscalizar todos os estabelecimentos que possuam piscina, tanto por demanda da população quanto dos órgãos de controle e licenciamento, seja em operações de rotina. Caso o cidadão encontre irregularidades, pode acionar a Ouvidoria do Governo do Distrito Federal (GDF), por meio do ParticipaDF, ligando para a Central 162 ou ir presencialmente aos órgãos governamentais. A Divisa fica no prédio da Subsecretaria de Vigilância à Saúde (EQS 712/912, Bloco D, Asa Sul). *Com informações da Secretaria de Saúde
Ler mais...
Vai curtir o Carnaval? Saiba como evitar bolhas e calos nos pés
A temporada de Carnaval de 2026 começa nesta sexta-feira (13), e muita gente já está com fantasia pronta e glitter na bolsa. Mas, no meio da animação, um problema comum pode fazer a festa terminar antes do esperado: dor nos pés, bolhas, calos e feridas causadas pelo excesso de caminhada e pelo uso de calçados inadequados. Recomendação de especialistas é que, em meio às festividades, foliões atentem à importância da proteção do corpo | Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília “Sandálias e chinelos deixam os pés expostos e não oferecem amortecimento suficiente. Além disso, existe o risco de alguém pisar ou chutar seus dedos, por isso um calçado fechado oferece mais proteção” Glênio Minoru, ortopedista do Hospital de Base Durante os dias de folia, é comum que os foliões andem longas distâncias, enfrentem sol forte, chuva e passem horas em pé. E, nesse cenário, os pés acabam sendo os primeiros a sofrer. Para evitar desconforto e conseguir aproveitar os blocos até o fim, alguns cuidados simples podem fazer toda a diferença. O ortopedista Glênio Minoru, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), lembra que a escolha do calçado é um dos pontos mais importantes para quem quer curtir o Carnaval com segurança. “Sandálias e chinelos deixam os pés expostos e não oferecem amortecimento suficiente” orienta. “Além disso, existe o risco de alguém pisar ou chutar seus dedos, por isso um calçado fechado oferece mais proteção”. Conforto dos pés De acordo com o médico, o ideal é usar tênis confortável, firme no pé, que não aperte e que já esteja amaciado. “Tênis novo costuma causar mais atrito e aumenta o risco de bolhas”, alerta. Ele compara o esforço do Carnaval a uma maratona, já que muitas pessoas passam horas caminhando e dançando sem descanso. “O tênis reduz o risco de imprevistos, como correias arrebentadas e solado quebrado”, reforça. “Já saltos altos não são recomendados, porque aumentam muito o risco de torções em terrenos irregulares.” Além do sapato certo, a recomendação é preparar o corpo antes da festa. Alongamentos e aquecimento ajudam a reduzir dores musculares e diminuir o risco de lesões. “Um aquecimento simples e alongamento das articulações já é um bom preparo; uma compressa morna antes de sair também pode ajudar”, indica Minoru. Hidratação A hidratação e a alimentação igualmente não devem ser esquecidas. Beber água regularmente e comer bem antes de sair são atitudes que ajudam a manter o corpo firme e evitam queda de pressão, cansaço extremo e mal-estar. Depois da folia, algumas medidas podem aliviar o desconforto nos pés. Caso estejam inchados, a recomendação é mantê-los elevados e, se possível, fazer compressa com gelo. Isso ajuda a reduzir o inchaço e melhora a circulação. Quando surgem bolhas, o alerta é claro: não as estoure. Isso porque a bolha funciona como uma proteção natural do corpo e, ao romper a pele, aumenta o risco de infecção. “O importante é proteger a região e eliminar a causa do problema, que normalmente é o atrito do calçado”, orienta o ortopedista. “O ideal é corrigir o sapato e cobrir a área”. Atenção aos sinais [LEIA_TAMBEM]Em geral, bolhas e calos não evoluem para algo grave, explica o especialista; contudo, se houver vermelhidão intensa, escurecimento ou sinais de pus, é importante procurar orientação médica. Esse cuidado deve ser ainda maior em pessoas com doenças como diabetes ou varizes. “Essas pessoas são mais suscetíveis a desenvolver lesões que podem evoluir para quadros mais graves, então precisam redobrar os cuidados e não exagerar”, explica o ortopedista Wladimir Querubino, do Hospital de Base do DF. Segundo ele, o ideal é não ficar muitas horas seguidas com as pernas para baixo. “Depois de dançar, sente-se um pouco, descanse e alongue as pernas”, indica. Se houver dor intensa, inchaço persistente ou sinais de infecção, como vermelhidão forte, aumento da temperatura no local, presença de secreção ou feridas que não cicatrizam, principalmente em pessoas com diabetes ou varizes, a recomendação é buscar atendimento médico o quanto antes. Durante o Carnaval, a orientação é procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou um hospital, caso os sintomas sejam mais graves. Fora do período de feriado, a população também pode buscar orientação na Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. *Com informações do IgesDF
Ler mais...
Dezembro Laranja reforça importância do protetor solar no combate ao câncer de pele
Responsável por cerca de 30% de todos os tumores malignos no Brasil, o câncer de pele gera impacto crescente na rede pública de saúde. No Distrito Federal, os efeitos desse cenário aparecem na rotina do Hospital de Base (HBDF), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). Nessa unidade foram registrados, este ano, 207 procedimentos de quimioterapia para tratamento de melanoma. Protetores solares são fundamentais para assegurar a saúde e prevenir câncer de pele | Foto: Divulgação/IgesDF “Apesar de ser um câncer comum, muitos casos exigem tratamentos complexos e acompanhamento contínuo”, lembra a gerente de Operações do Centro de Infusão do HBDF, Larissa Dias. “Essa realidade impacta diretamente a utilização dos serviços hospitalares, especialmente no Hospital de Base, que é referência no tratamento oncológico no DF.” Uma estratégia simples, o uso diário de protetor solar, pode reduzir significativamente os casos da doença e economizar mais de R$ 2,5 bilhões em recursos hospitalares nos próximos cinco anos. A exposição prolongada ao sol ao longo do ano coloca o Brasil entre os que apresentam maior incidência de câncer de pele, atrás apenas da Austrália. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), quase 200 mil brasileiros são diagnosticados com câncer de pele todos os anos. Esse número corresponde à soma dos dois principais tipos da doença: melanoma e não melanoma. “O câncer de pele tem altas chances de cura quando identificado no início, por isso o autoexame é fundamental. Caso surja alguma lesão que não cicatrize em dez a 15 dias, é importante procurar atendimento médico” Danielle Aquino, médica dermatologista do Hospital de Base O melanoma tem origem nos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, pigmento que dá cor à pele e atua como proteção natural contra a radiação solar. Já os tumores não melanomas se desenvolvem na camada mais superficial da pele, são mais frequentes em pessoas acima dos 40 anos e representam cerca de 95% dos casos de câncer de pele no Brasil. Sinais de alerta Pintas ou sinais que mudam de cor, formato ou tamanho merecem atenção na detecção do câncer de pele. Manchas ou feridas que não cicatrizam, apresentam coceira, crostas ou sangramento também podem indicar alterações suspeitas. “O câncer de pele tem altas chances de cura quando identificado no início, por isso o autoexame é fundamental”, orienta a médica dermatologista Danielle Aquino, do Hospital de Base. “Caso surja alguma lesão que não cicatrize em dez a 15 dias, é importante procurar atendimento médico.” Dezembro Laranja e os cuidados no verão [LEIA_TAMBEM]Este mês marca a campanha Dezembro Laranja, dedicada à conscientização e ao combate ao câncer de pele. A chegada do verão, período de maior exposição solar, férias e atividades ao ar livre, exige redobrar os cuidados com a proteção da pele, reforçando a importância do uso diário de filtro solar e outras formas de prevenção. A boa notícia é que, quando descoberto precocemente, o câncer de pele tem taxa de cura superior a 90%. Histórico familiar, pele clara e exposição solar excessiva estão entre os principais fatores de risco. Entre as 10h e as 16h, há maior incidência de raios ultravioleta, mais agressivos à pele e associados ao surgimento do câncer, além de causarem manchas e envelhecimento precoce. Danielle Aquino reforça a importância da adoção de hábitos de proteção, como uso de óculos escuros, bonés, chapéus e até guarda-sol, além da aplicação diária de protetor solar com FPS mínimo de 30. “Muita gente tem dúvida sobre a quantidade correta”, aponta a dermatologista. “A orientação é usar o equivalente a uma colher de sopa cheia ou o volume que caiba na palma da mão para todo o corpo, com reaplicação a cada duas horas ou sempre após contato com a água.” *Com informações do IgesDF
Ler mais...
Alergia: quando o medicamento vira risco
Uma dor de cabeça poderia ter sido apenas um incômodo para Vinícius Couto, 55 anos, não fossem outras reações que ele passou a apresentar ao tomar remédios para dor. Ainda jovem, ele começou a perceber que algo não estava certo sempre que usava esse tipo de medicamento. Primeiro surgiu um formigamento discreto, depois manchas vermelhas espalhadas pela pele. “Por volta de 1992, quando eu tinha 22 anos, comecei a sentir um formigamento estranho sempre que tomava remédio para dor”, lembra. A comparação entre os medicamentos que usava revelou o gatilho da reação: a dipirona. “Com paracetamol não acontecia nada. Já com dipirona, a reação surgia e ficava cada vez mais intensa.” Cerca de 7% da população apresenta alergia a algum medicamento; no último ano, 32,4% das reações alérgicas graves no Brasil foram desencadeadas por remédios | Fotos: Divulgação/IgesDF Mesmo atento, acabou ingerindo o medicamento sem querer algumas vezes, e os sintomas retornavam imediatamente. O episódio mais grave aconteceu anos depois, durante uma viagem de carro. Para aliviar uma dor de cabeça, ele tomou um comprimido sem verificar a composição. Minutos após o uso, a reação começou, e não havia farmácia por perto. “Demorei mais de uma hora para achar um antialérgico, e a reação evoluiu. Tive erupção, bolhas e descamação pelo corpo. Algumas manchas permanecem até hoje”, relata. Desde então, a prevenção passou a ser regra. “Nunca mais tomei nenhum medicamento sem verificar antes. E sempre confirmo com os médicos os componentes do que me prescrevem”, afirma. Casos como o de Vinícius são mais frequentes do que se imagina. O alergologista do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), Vítor Pinheiro, alerta que cerca de 7% da população apresenta alergia a algum medicamento. Dados do Registro Brasileiro de Anafilaxia mostram que, no último ano, 32,4% das reações alérgicas graves foram desencadeadas por remédios, o que reforça a gravidade do tema. A data de 14 de dezembro, Dia do Alergista, funciona como um lembrete da importância desses profissionais no cuidado diário, especialmente em um cenário em que a automedicação e a falta de informação ainda colocam vidas em risco. Vítor Pinheiro, alergologista do IgesDF: "Entre os sintomas mais frequentes estão coceira, vermelhidão e inchaço, mas podem ocorrer também alterações respiratórias, gastrointestinais, cardiovasculares e até neurológicas" O que é alergia a medicamentos? Segundo Vítor Pinheiro, as reações de hipersensibilidade a medicamentos, popularmente chamadas de alergias medicamentosas, são respostas adversas inesperadas que podem ocorrer mesmo quando o remédio é utilizado na dose correta. “Essa reação pode surgir com medicamentos comuns, como antibióticos e anti-inflamatórios. Entre os sintomas mais frequentes estão coceira, vermelhidão e inchaço, mas podem ocorrer também alterações respiratórias, gastrointestinais, cardiovasculares e até neurológicas”, explica. [LEIA_TAMBEM]Pacientes que já tiveram algum episódio de alergia apresentam maior probabilidade de desenvolver novas reações com outros medicamentos. O especialista reforça que o uso contínuo de várias medicações aumenta o risco de interações e efeitos colaterais inesperados. Medicamentos que mais causam reações Entre os fármacos mais associados a quadros de hipersensibilidade estão: • Antibióticos, como penicilinas, sulfonamidas e macrolídeos; • Anti-inflamatórios não esteroidais, como dipirona, paracetamol e aspirina; • Quimioterápicos utilizados no tratamento do câncer; • Anestésicos. Arte: IgesDF Como é feito o diagnóstico? O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada, que considera os sintomas e o histórico do paciente. Primeiro, são verificados os medicamentos suspeitos e o tipo de reação. Depois, podem ser necessários exames complementares. “Os testes cutâneos são hoje o principal método para avaliar sensibilização, mas, em muitos casos, é necessário realizar testes de provocação para confirmar o medicamento responsável e apontar alternativas seguras. Esses exames devem ser feitos em centros especializados e por profissionais capacitados”, orienta o especialista. Os testes permitem identificar o princípio ativo que desencadeou a reação e evitam que o paciente seja exposto novamente ao agente causador. Vítor reforça que reconhecer e comunicar a alergia é parte essencial do cuidado. “Em caso de suspeita, é importante registrar tudo o que ocorreu. Guardar as caixas dos medicamentos usados, fotografar as lesões, anotar o início e a duração dos sintomas e levar essas informações para a consulta. Orientar a rede de apoio também é fundamental, porque, em uma emergência, isso pode salvar vidas.” Testes cutâneos são o principal método para avaliar sensibilização, mas, em muitos casos, é necessário realizar testes de provocação para confirmar o medicamento responsável e apontar alternativas seguras Fique atento Se você ou alguém da sua família já apresentou alguma reação suspeita após o uso de um medicamento, procure um alergologista. Apenas esse especialista pode avaliar os riscos e indicar os testes adequados. Quando a alergia é confirmada, evitar a automedicação torna-se indispensável. Uma vez estabelecido o diagnóstico, é importante lembrar que a alergia a determinado medicamento costuma acompanhar o paciente por toda a vida. “Por isso, é essencial evitar qualquer produto que contenha o mesmo princípio ativo, seja em creme, colírio, comprimido, solução oral ou injetável. Informar sua condição aos profissionais de saúde pode ser a diferença entre um tratamento seguro e uma reação grave”, alerta o médico. *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)
Ler mais...