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Com a baixa umidade do ar, nariz e garganta estão entre as regiões que mais sofrem com o ressecamento. Ardência, irritação, formação de crostas, obstrução nasal e até sangramentos podem se tornar mais frequentes. Nesse período, a higiene com soro fisiológico é uma das medidas que ajudam a manter a mucosa hidratada e aliviar o desconforto. A mudança de Barra do Garças (MT) para Brasília fez o analista administrativo, Yan Salem, sentir de perto os efeitos do clima seco. Nariz e garganta foram os mais afetados, com sintomas que chegaram a interferir no sono, na concentração e na prática de atividades físicas. “O nariz ficava extremamente sensível e ressecado por dentro, a ponto de sangrar com frequência, e a garganta parecia constantemente arranhada”, relata. Para amenizar o incômodo, água e soro fisiológico passaram a fazer parte da rotina. “Eu andava com garrafa de água para todo lado e usava soro no nariz várias vezes ao dia. Era praticamente um ‘kit de sobrevivência’”, recorda. Com a baixa umidade do ar, nariz e garganta estão entre as regiões que mais sofrem com o ressecamento | Fotos: Divulgação A estratégia adotada por Yan é recomendada pelo médico otorrinolaringologista e preceptor da residência médica de Otorrinolaringologia do Hospital de Base, João Henrique Zanotelli dos Santos. “Para o nariz, a higiene nasal com soro fisiológico ajuda a remover partículas, secreções e crostas e a manter a mucosa hidratada”, explica. Por que o nariz sofre tanto? Nariz e garganta são revestidos internamente por uma mucosa que precisa permanecer hidratada para funcionar adequadamente. Quando o ar perde umidade, essa camada fica mais seca e suscetível a irritações. “Quando o ar está muito seco, ele desidrata essa mucosa, deixando-a mais ressecada e irritada. Podem surgir crostas nasais e pequenas fissuras, que facilitam o sangramento, principalmente quando a pessoa assoa ou cutuca o nariz”, esclarece João. Além da ardência, podem surgir obstrução. Pessoas com rinite também podem perceber piora de sintomas como espirros, coriza, coceira e nariz entupido. Yan lembra que, nos períodos de maior desconforto, os sintomas iam além de um incômodo passageiro. “Não tem como focar direito no trabalho ou nos estudos se você precisa parar a todo momento para beber água ou usar soro no nariz, tentando aliviar a ardência”, conta. Os episódios de sangramento foram o que mais o preocuparam no início. “Cheguei a acordar de madrugada com a garganta muito seca e encontrar marcas de sangue no travesseiro. No começo, era assustador porque eu não estava acostumado. Cheguei a perder camisetas e lençóis manchados de sangue”, relembra. A hidratação ao longo do dia serve para reduzir os efeitos da baixa umidade Cuidados vão além da lavagem nasal A hidratação ao longo do dia serve para reduzir os efeitos da baixa umidade. Como referência geral, o médico cita cerca de dois litros de líquidos por dia, mas ressalta que a necessidade varia conforme as características de cada pessoa. Quem já convive com doenças respiratórias merece atenção adicional. Rinite, asma e enfisema podem apresentar piora durante períodos mais secos. Por isso, é importante manter os cuidados habituais e seguir corretamente o tratamento prescrito. “É importante manter especialmente a higiene e a hidratação da mucosa nasal e seguir corretamente o tratamento indicado para a doença preexistente”, orienta. A exposição à poeira e à fumaça também pode aumentar a irritação das vias respiratórias. Nos dias de umidade muito baixa, o otorrinolaringologista recomenda priorizar exercícios ao ar livre no início da manhã ou no fim da tarde, evitando os horários mais quentes e secos. Cuidados caseiros exigem atenção Na tentativa de aliviar rapidamente o desconforto, algumas pessoas recorrem a soluções caseiras. É preciso cautela, pois determinados produtos podem irritar ou até lesionar a mucosa nasal. “Não devemos colocar dentro do nariz produtos que não foram formulados para uso nasal, como óleos, pomadas, água oxigenada ou outras soluções caseiras”, alerta João. O uso prolongado de descongestionantes nasais vasoconstritores também requer cuidado. Segundo o especialista, esses medicamentos podem provocar efeito rebote e agravar a própria obstrução. A atenção também se estende à umidificação dos ambientes. Métodos improvisados, como toalhas molhadas ou recipientes com água, são pouco controláveis. Caso seja necessário aumentar a umidade do cômodo. João orienta dar preferência a um umidificador próprio, mantido corretamente higienizado e sem deixar o ambiente excessivamente úmido. “Um sangramento pequeno, isolado e que para espontaneamente em pouco tempo geralmente não é motivo para preocupação. É importante evitar cutucar ou assoar o nariz com força” João Henrique Zanotelli dos Santos, médico otorrinolaringologista Quando procurar atendimento Pequenos episódios de sangramento nasal podem ocorrer em razão do ressecamento e, isoladamente, nem sempre representam motivo para preocupação. A intensidade, a frequência e a duração do quadro, porém, precisam ser observadas. “Um sangramento pequeno, isolado e que para espontaneamente em pouco tempo geralmente não é motivo para preocupação. É importante evitar cutucar ou assoar o nariz com força”, explica o especialista. A recomendação é procurar avaliação profissional quando o sangramento for volumoso, ocorrer repetidamente, surgir sem causa aparente ou não cessar após a compressão adequada. Pessoas que utilizam medicamentos anticoagulantes também precisam de atenção especial. Outros sintomas não devem ser atribuídos automaticamente ao clima. Falta de ar, dificuldade para respirar, febre persistente, dor intensa, secreção nasal persistente ou piora progressiva do quadro são sinais de alerta. “De maneira geral, quando os sintomas fogem do padrão habitual ou começam a interferir significativamente na rotina, é importante buscar avaliação profissional”, reforça o médico. Em caso de sintomas persistentes ou agravamento do quadro, a população pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação e orientação. Em situações de urgência, como falta de ar ou dificuldade para respirar, a recomendação é buscar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou um serviço de emergência.
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