No Dia Mundial do Lúpus, especialista reforça importância de reconhecer os sintomas
O inchaço nas pernas parecia algo passageiro. Depois vieram a coceira no corpo e as manchas na pele em áreas expostas ao sol. Durante um ano inteiro, Mateus Gustavo Amaral, de 31 anos, conviveu com os sintomas sem imaginar que havia algo mais sério por trás. Há três anos, durante uma crise mais intensa, ele procurou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e foi encaminhado ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Após dias de internação e uma série de exames, recebeu o diagnóstico de lúpus. “Eu não fazia ideia do que poderia ser. Nunca tinha ouvido falar nessa condição”, relembra. A história de Mateus não é incomum. O lúpus é uma doença autoimune que pode se manifestar de diferentes formas e atingir várias partes do corpo, o que muitas vezes dificulta a identificação precoce. Neste dia 10 de maio, quando é celebrado o Dia Mundial do Lúpus, especialistas reforçam a importância de reconhecer os sinais e procurar avaliação médica o quanto antes. De acordo com o reumatologista do HBDF Carlos Lins, o sistema imunológico, responsável por proteger o organismo contra vírus e bactérias, passa a atacar tecidos saudáveis nos pacientes com lúpus. As causas da doença ainda não são totalmente conhecidas, mas as consequências podem ser graves quando o tratamento demora a começar. “O lúpus pode comprometer praticamente qualquer órgão do corpo, da pele aos rins. Existem formas mais leves e outras mais graves, com risco de morte. Por isso, o diagnóstico exige uma avaliação ampla do paciente”, explica. Por atingir diferentes regiões do corpo, o lúpus pode apresentar manifestações variadas, muitas vezes confundidas com outros problemas de saúde | Fotos: Divulgação/IgesDF Sinais costumam ser confundidos Por atingir diferentes regiões do corpo, o lúpus pode apresentar manifestações variadas, muitas vezes confundidas com outros problemas de saúde. Entre os sinais mais comuns estão dores nas articulações, fadiga intensa, febre, queda de cabelo, manchas na pele, falta de ar e dor no peito ao respirar profundamente. Sem o acompanhamento adequado, a inflamação provocada pela doença pode causar danos progressivos, principalmente nos rins. “Quanto mais tempo o lúpus permanece sem controle, maiores são os riscos de complicações. Identificar cedo faz toda a diferença”, reforça o especialista. Atualmente, o HBDF, unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), acompanha cerca de 70 pacientes por semana no ambulatório especializado. No Distrito Federal, a estimativa é de que entre duas e três mil pessoas convivam com a condição. Exposição ao sol exige atenção Embora ainda não exista uma causa definida para o lúpus, alguns fatores podem desencadear crises em pessoas predispostas, como exposição solar inadequada, infecções e uso de determinados medicamentos. Foi o que aconteceu com Fábia Ferreira Lima, de 49 anos. Há cerca de dez anos, ela começou a sentir dores no pescoço, inchaço nos membros e uma sensação constante de peso no corpo. “No começo, achei que era algo simples, como um torcicolo. Mas foi piorando até eu não conseguir mais caminhar”, conta. Fábia Ferreira Lima foi diagnosticada com a doença. Com acompanhamento médico e o uso correto dos medicamentos, os sintomas desapareceram Após procurar atendimento em uma UPA, ela foi encaminhada ao HBDF, onde ficou internada por um mês até descobrir o lúpus. Com o início do acompanhamento médico e o uso correto dos medicamentos, os sintomas desapareceram e hoje ela mantém apenas as consultas de rotina. Qualidade de vida é possível com acompanhamento Apesar de não ter cura, o lúpus pode ser controlado com medicamentos e hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e acompanhamento contínuo. “Antes do avanço dos tratamentos, muitos pacientes com formas graves morriam poucos anos após o diagnóstico. Hoje, com acompanhamento adequado, é possível viver com qualidade e manter uma rotina praticamente normal”, afirma Carlos Lins. Pessoas com sintomas persistentes, como dores nas articulações, manchas na pele, fadiga intensa e inchaços frequentes, devem procurar atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Caso haja suspeita de lúpus, o paciente pode ser encaminhado para acompanhamento especializado na rede pública. A principal mensagem do Dia Mundial do Lúpus é clara: informação, atenção aos sinais e diagnóstico precoce são fundamentais para evitar complicações e garantir mais qualidade de vida aos pacientes. Onde procurar atendimento Em caso de sintomas, a orientação é procurar atendimento médico em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Nessas unidades, é feita a avaliação inicial e, se necessário, o encaminhamento para atendimento especializado em hospitais de referência, como o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). *Com informações do IgesDF
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Fevereiro Roxo: campanha mobiliza cuidados sobre doenças crônicas
Neste mês, a campanha Fevereiro Roxo convida a população a olhar com mais atenção para o lúpus, a fibromialgia e a doença de Alzheimer. Como forma de alertar sobre a importância do diagnóstico precoce, do tratamento contínuo e do autocuidado, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) reforça a necessidade de buscar orientação médica ao perceber os primeiros sinais. O lema deste ano é “Se não houver cura, que no mínimo haja conforto". Embora sejam doenças incuráveis, é possível que o paciente tenha qualidade de vida. O acompanhamento começa nas unidades básicas de saúde (UBSs), com encaminhamento para serviços especializados quando necessário. O Lúpus pode ocorrer em pessoas de qualquer idade e etnia, porém é prevalente em mulheres, principalmente na faixa etária entre 20 e 45 anos | Imagem: Freepik Lúpus Doença inflamatória autoimune, o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES ou apenas lúpus) ocorre quando o sistema imunológico ataca, por engano, tecidos saudáveis do corpo. Pode se manifestar de forma cutânea, com manchas avermelhadas em áreas expostas ao sol, como rosto, colo e braços, ou sistêmica, quando órgãos internos são afetados. [LEIA_TAMBEM]De acordo com o reumatologista da SES-DF e referência no assunto Rodrigo Aires, a doença não tem causa única nem é contagiosa. “Existe uma combinação de fatores genéticos, hormonais, ambientais e imunológicos que contribuem para o desenvolvimento do lúpus, o que explica por que ele se apresenta de formas tão diferentes entre os pacientes”, afirma. Os sintomas mais comuns são fadiga intensa, dores articulares e musculares, febre, inflamações e alterações na pele. Sem controle desses sinais, a enfermidade pode comprometer rins, coração e sistema nervoso. “Embora não tenha cura, o tratamento adequado permite controlar a atividade do lúpus, prevenir complicações e garantir mais qualidade de vida”, enfatiza Aires. Secretaria de Saúde oferece diversas práticas integrativas gratuitas que podem auxiliar no tratamento da fibromialgia e controle da dor | Foto: Breno Esaki/Arquivo Agência Saúde DF Fibromialgia A fibromialgia é caracterizada por dor muscular generalizada e crônica, provocando fadiga, distúrbios do sono, ansiedade, alterações de memória, cansaço excessivo e depressão. Dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) indicam que cerca de 3% da população brasileira convivem com a síndrome, mais comum entre mulheres de 30 e 50 anos. O tratamento é individualizado e envolve medicamentos, atividade física e outras abordagens não medicamentosas. “O cuidado precisa ser multiprofissional e contínuo, com foco na redução da dor, melhora do sono e da funcionalidade”, explica o reumatologista. Na rede pública, um exemplo é o Grupo Supera Dor, da UBS 17 de Ceilândia, voltado a pessoas com dor crônica. A iniciativa trabalha o autocuidado e estratégias para melhorar a qualidade de vida. O residente em fisioterapia Gabriel Freitas Cândido destaca os benefícios da atividade coletiva: “As ações do grupo contribuem para o controle da dor, melhora da mobilidade e da funcionalidade, além de oferecer apoio psicossocial. Apresentamos ferramentas que possibilitem ao indivíduo manter a realização das atividades básicas de vida diária, mesmo na presença da dor, evitando a piora do quadro clínico." Tratamento do Alzheimer pode contribuir para a redução da evolução dos sintomas e proporcionar qualidade de vida | Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF Alzheimer Por sua vez, a doença de Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo, marcado inicialmente pela perda de memória recente. De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), a condição é responsável por 60% a 70% dos casos de demência. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que cerca de 1,2 milhão de brasileiros convivem com a enfermidade, muitos sem diagnóstico. Com a progressão do Alzheimer, surgem sintomas como perda de memória remota (do passado), irritabilidade, falhas na linguagem e dificuldade de orientação no tempo e no espaço. O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica, em exames físicos e neurológicos e na análise das funções cognitivas. O tratamento adequado, iniciado precocemente, contribui para aliviar sintomas e estabilizar ou retardar a progressão da doença. *Com informações da Secretaria de Saúde (SES-DF)
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Dia Mundial do Lúpus chama a atenção para a conscientização sobre a doença
O Dia Mundial do Lúpus, estabelecido em 10 de maio, visa aumentar a conscientização sobre essa doença autoimune crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O Hospital de Base do DF é uma das unidades da rede pública de saúde que oferecem atendimento especializado a pacientes com lúpus | Foto: Tony Oliveira/Agência Brasília O lúpus provoca inflamação e danos a diversos órgãos, como a pele, as articulações e os rins. Viver com a condição pode ser desafiador, não apenas pelos sintomas debilitantes, mas também pelas dificuldades no diagnóstico e no acesso a tratamentos adequados. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, em 2024, a estimativa era que existiam cerca de 150 mil a 300 mil pessoas com a enfermidade no país. No Distrito Federal, os pacientes com suspeita ou diagnóstico de lúpus têm atendimento prioritário nos serviços de reumatologia no DF, como no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), nos hospitais regionais da Asa Norte (Hran) e de Taguatinga (HRT), no Hospital Universitário de Brasília (HUB), dentre outras unidades de saúde. Para ter acesso aos ambulatórios de reumatologia da Secretaria de Saúde (SES-DF), é necessário ter o encaminhamento da Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. “É muito bom ver o envolvimento do governo na nossa luta", diz o servidor Fabiano da Silva, ao lado da vice-governadora Celina Leão | Foto: Arquivo pessoal A vice-governadora Celina Leão destaca a importância de chamar a atenção para a doença. “É uma data importante em que reforçamos para a população a importância de buscar o atendimento, que é disponibilizado em nossa rede pública de saúde do DF. Os pacientes não estão sozinhos. Estamos cuidando com carinho, atenção e investimentos para garantir que recebam o acolhimento e os atendimento que merecem”, ressalta Celina. O servidor público Fabiano da Silva conhece de perto os desafios enfrentados por quem convive com o lúpus. Ele já passou por momentos críticos, incluindo uma internação em UTI, e ressalta a importância do engajamento do poder público na causa. [LEIA_TAMBEM]“É muito bom ver o envolvimento do governo na nossa luta. O lúpus ainda é uma doença pouco conhecida por grande parte da pessoas, e isso alimenta muito o preconceito. Há quem pense que é contagiosa apenas pelo toque, o que só aumenta ainda mais a discriminação com quem vive essa realidade”, elogiou. Sintomas e tratamento O lúpus é uma doença de múltiplas faces. Os sintomas podem surgir de forma lenta e progressiva, e afeta diferentes regiões do corpo. Alguns sintomas da doença são fadiga intensa, febre persistente, dores articulares e problemas renais. Em alguns casos, os sintomas podem surgir como dor no peito, causada por inflamações que envolvem o coração e os pulmões. Embora o lúpus ainda não tenha cura, a medicina já dispõe de tratamentos capazes de controlar os sintomas, evitar o avanço da doença e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes. Entre as opções terapêuticas mais utilizadas estão os antimaláricos, anti-inflamatórios, corticoides, imunossupressores e medicamentos biológicos. *Com informações da Vice-Governadoria
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Fevereiro Roxo aborda a importância de tratar o lúpus
Campanha alerta sobre a doença | Arte: Divulgação/SES A campanha Fevereiro Roxo é voltada à conscientização e prevenção do lúpus, doença inflamatória e autoimune que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos – como pele, articulações, rins, cérebro e outros órgãos –, causando fadiga, febre e dor nas articulações. Seu nome científico é Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). São reconhecidos dois tipos principais de lúpus. O primeiro é o cutâneo, que se manifesta apenas com manchas na pele, geralmente avermelhadas ou eritematosas (daí o nome lúpus eritematoso), principalmente nas áreas que ficam expostas à luz solar como rosto, orelhas, colo (“V” do decote) e nos braços. O outro é o sistêmico, no qual um ou mais órgãos internos são acometidos. [Olho texto=”“Por ser uma doença do sistema imunológico, quando a pessoa tem lúpus, ela pode ter diferentes tipos de sintomas em vários locais do corpo”” assinatura=”Rodrigo Aires, RTD em reumatologia” esquerda_direita_centro=”esquerda”] “Por ser uma doença do sistema imunológico, que é responsável pela produção de anticorpos e organização dos mecanismos de inflamação em todos os órgãos, quando a pessoa tem lúpus, ela pode ter diferentes tipos de sintomas em vários locais do corpo”, explica o médico Rodrigo Aires, Referência Técnica Distrital (RTD) em reumatologia. “Alguns sintomas são gerais, como febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo. Outros, específicos de cada órgão como dor nas juntas, manchas na pele, inflamação da pleura, hipertensão ou problemas nos rins.” O lúpus pode ocorrer em pessoas de qualquer idade – principalmente entre 20 e 40 anos –, raça e sexo. As mulheres, porém, são muito mais acometidas. Além de ser registrado em pessoas muito jovens e economicamente ativas, o LES é responsável pelo maior número de internações hospitalares na rede dentro da reumatologia. No Brasil, estimativas indicam que existem cerca de 65 mil pessoas com lúpus, sendo a maioria mulheres. Acredita-se, assim. que uma a cada 1,7 mil mulheres no país tenha a doença. “No Distrito Federal, levando em consideração também a Ride [Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno], podemos supor que tenhamos entre mil a duas mil pessoas com lúpus”, complementa Rodrigo Aires. [Numeralha titulo_grande=”65 mil” texto=”Número estimado de pessoas no Brasil que têm lúpus” esquerda_direita_centro=”centro”] Sintomas da doença Os sintomas do lúpus são diversos e variam em intensidade, de acordo com a fase de atividade ou remissão da doença. É muito comum que a pessoa apresente manifestações cansaço, desânimo, febre baixa (em raros casos, pode ser alta), emagrecimento e perda de apetite. São sinais que podem ocorrer devido a inflamações na pele, articulações (juntas), rins, nervos, cérebro e nas membranas que recobrem o pulmão (pleura) e o coração (pericárdio). Outras manifestações costumam ocorrer, devido à diminuição das células do sangue (glóbulos vermelhos e brancos). Esses sintomas podem surgir isoladamente ou em conjunto, simultaneamente ou de forma sequencial. Segundo Aires, há tratamentos efetivos que, além de aliviar os sintomas, também previnem as complicações decorrentes do processo inflamatório causado pela doença. Os procedimentos, explica ele, são eficazes e proporcionam ao paciente com lúpus retornar às suas atividades de vida normais. São usados basicamente imunorreguladores/imunossupressores do sistema imunológico, a depender de qual e de que intensidade o órgão interno está envolvido. O diagnóstico do lúpus, complementa o especialista, é feito por meio do reconhecimento pelo médico de um ou mais sintomas. Existem critérios internacionais que também são utilizados, analisando o conjunto de sinais e sintomas e alterações laboratoriais que ocorrem na doença. Tratamento Na dermatologia, o diagnóstico é feito pelas características clínicas das lesões cutâneas (aspecto clínico, caracteristicamente pioram à exposição solar). De acordo com a RTD em dermatologia Ana Carolina Igreja, o diagnóstico pode ser confirmado por meio de biópsia. Alguns pacientes também podem desenvolver, no couro cabeludo, lesões que geram alopecia cicatricial e devem ser tratadas precocemente. O tratamento é feito com medicações sistêmicas, na maioria dos casos, mesmo apenas os cutâneos. Medicamentos tópicos podem ser associados e eventualmente utilizados isoladamente, caso o paciente apresente pequenas lesões. [Olho texto=”“A proteção solar é essencial, porque caracteristicamente as lesões pioram com a exposição”” assinatura=”Ana Carolina Rocha, RTD em dermatologia” esquerda_direita_centro=”direita”] “A proteção solar é essencial, porque caracteristicamente as lesões pioram com a exposição”, esclarece a dermatologista. “Não há prevenção possível para a doença, mas evitar a exposição solar evita a piora das lesões. Os quadros cutâneos podem gerar lesões cicatriciais e alopecia cicatricial. São muito mais frequentes em mulheres, em quem o impacto da alopecia cicatricial é habitualmente maior.” Além do lúpus, doenças como mal de Alzheimer e fibromialgia também são associadas à campanha Fevereiro Roxo. *Com informações da Secretaria de Saúde (SES)
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