Resultados da pesquisa

obesidade

Thumbnail

Dia Mundial da Obesidade: diagnóstico vai além da balança

Neste 4 de março, Dia Mundial da Obesidade, especialistas alertam que o diagnóstico da doença não pode mais ser baseado apenas no Índice de Massa Corporal (IMC). Um novo conjunto de recomendações amplia os parâmetros de avaliação e passa a considerar o impacto real do excesso de gordura na saúde, propondo uma análise mais completa e individualizada de cada paciente.  Especialistas alertam: o diagnóstico de obesidade não pode mais ser baseado apenas no Índice de Massa Corporal (IMC) | Fotos: Divulgação/IgesDF Em 2025, a Comissão para Definição de Obesidade Clínica da revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology, composta por 56 especialistas de diferentes países, publicou um artigo que reformula os critérios para identificação da condição e propõe uma abordagem mais precisa e personalizada. Até então, o diagnóstico era baseado principalmente no IMC, calculado pela divisão do peso pela altura ao quadrado. Valores iguais ou superiores a 30 indicam obesidade. No entanto, segundo o documento, o uso isolado desse indicador pode não refletir com exatidão a composição corporal e os riscos metabólicos associados ao excesso de gordura. [LEIA_TAMBEM]Pessoas com elevada massa muscular, por exemplo, podem apresentar IMC acima de 30 sem acúmulo excessivo de gordura. Por outro lado, indivíduos com IMC inferior a 30 podem ter alto percentual de gordura corporal e alterações metabólicas relevantes. Essa limitação motivou a atualização das diretrizes internacionais. Para a endocrinologista Tatiana Wanderley, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), unidade administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), a mudança representa um avanço importante na prática clínica. “Já acompanhei atletas com alta massa muscular que apresentavam IMC na faixa de obesidade, mas sem excesso de gordura. Também atendi pacientes com IMC abaixo de 30 e percentual de gordura elevado. O novo formato permite uma avaliação mais precisa e individualizada”, explica a médica. A analista executiva Beatriz Duarte relata que vivenciou situação semelhante antes da atualização dos critérios: “Quando comecei o acompanhamento médico, meu IMC estava em 29, o que indicava sobrepeso. Mas, ao realizar um exame de avaliação corporal, descobri que meu percentual de gordura estava alto. Hoje entendo que havia risco e que a avaliação mais detalhada fez diferença para buscar orientação adequada”. Segundo a especialista, a ampliação dos parâmetros contribui para diagnósticos mais precisos, intervenções mais oportunas e redução do estigma associado à obesidade. A proposta é direcionar o cuidado às necessidades específicas de cada paciente, com base em evidências clínicas e no impacto do excesso de gordura sobre órgãos e sistemas. A medição da circunferência da cintura, a relação cintura-quadril e a avaliação do percentual de gordura corporal também devem ser levados em consideração no diagnóstico da doença Novos critérios Entre as recomendações estão a medição da circunferência da cintura, a relação cintura-quadril e a avaliação do percentual de gordura corporal. O diagnóstico também passa a considerar a presença de doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e distúrbios respiratórios, além de possíveis comprometimentos funcionais decorrentes do excesso de gordura. O modelo estabelece ainda duas classificações: obesidade clínica, quando já há doença instalada ou prejuízo funcional relacionado ao acúmulo de gordura; e obesidade pré-clínica, caracterizada pela ausência de sintomas, mas com risco elevado à saúde. De acordo com a especialista, a obesidade é considerada um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo, associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outras condições crônicas. “A adoção de parâmetros mais abrangentes busca fortalecer a prevenção e qualificar o cuidado oferecido à população”, avalia. No fim de 2025, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), em parceria com outros órgãos, publicou um artigo que reforça a definição apresentada pela The Lancet e acrescenta a avaliação do risco cardiovascular individual como critério relevante para definição do tratamento. *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

Ler mais...

Thumbnail

Movimente mais seu corpo, e a saúde agradece

Todo início de ano traz oportunidades para mudanças. Quando o assunto é saúde, as promessas tendem ao movimento do corpo e a largar de vez o sedentarismo. Tendo como foco que o estilo de vida tem impactos importantes nos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) — como hipertensão, diabetes e cânceres —, a Secretaria de Saúde (SES-DF) oferece atividades e orientações para quem quer reconhecer hábitos nocivos e tirar a meta do papel.  Atividades físicas altrernativas, como yoga, tai chi chuan, cirtuido muiltissensorial e ginástica coletiva, são oferecidas nas unidades básicas de saúde | Foto: Arquivo/Agência Saúde-DF “Se os compromissos são próximos de casa, vale programar-se para ir a pé ou de bicicleta” Helga Lins, fisioterapeuta do Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial (Cedoh)   Nas unidades básicas de saúde (UBS), é possível encontrar ações que estimulam a atividade física. Nesses locais, há profissionais que lideram grupos de caminhada, ginástica coletiva, circuito multissensorial e práticas corporais (yoga, tai chi chuan, entre outras), variando de acordo com as necessidades da população local. Encontre aqui a sua unidade de referência, a partir do endereço de moradia. Parte da rotina Junto ao tabagismo, ao consumo excessivo de álcool e à alimentação não saudável, a inatividade física é um dos principais fatores de risco para o adoecimento por DCNT. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda para adultos entre 18 e 64 anos pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada ao longo da semana. Atividades de fortalecimento muscular devem ser praticadas em dois ou mais dias. [LEIA_TAMBEM]A fisioterapeuta Helga Lins, que atua no Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial (Cedoh), alerta que, diferentemente do que se costuma pensar, o sedentarismo não é definido apenas pela falta de exercícios físicos, mas principalmente pelo excesso de tempo parado. Durante o expediente de trabalho, recomenda-se que as pessoas façam pausas de cinco ou dez minutos para ficar em pé, dar uma volta, subir e descer escadas. “Se os compromissos são próximos de casa, vale programar-se para ir a pé ou de bicicleta”, orienta Helga. “Caso utilizem transporte público, às vezes é possível descer algumas paradas antes para terminar o trajeto caminhando.” Segundo ela, até mesmo fazer faxina na própria casa ou dar banho no animal de estimação já são algumas opções. Uma outra dica é consultar o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, que traz as primeiras recomendações e informações do Ministério da Saúde sobre atividade física. É um documento para que a população tenha uma vida ativa, promovendo a saúde e a melhoria da qualidade de vida. *Com informações da Secretaria de Saúde

Ler mais...

Thumbnail

Reconhecida como doença crônica pela OMS, a obesidade encontra tratamento de qualidade na rede pública do DF

A assessora administrativa Ana Paula Silva conviveu durante anos com a obesidade e suas complicações. Entre dores nos joelhos, gordura no fígado, depressão e apneia do sono, ela se acostumou a ser “a mais gordinha da família”. Aos 34 anos e pesando 109 kg, decidiu mudar o próprio percurso. “Fiz a bariátrica e, hoje, olhando para trás, me arrependo de não ter feito antes. Tenho mais disposição, qualidade de vida… tudo melhorou”, afirma. A transformação também alcançou a rotina do marido, Rômulo Gomes, que optou por não realizar a cirurgia, mas aderiu à reeducação alimentar para acompanhar a nova fase da esposa. Ele perdeu 43 kg apenas com ajustes na dieta e prática diária de atividade física. “Além da mudança na alimentação, ele vai à academia todos os dias”, relata Ana Paula. O casal Ana Paula Silva e Rômulo Gomes comemora o resultado de tratamento contra a obesidade | Fotos: Divulgação/IgesDF Histórias como a de Ana Paula e Rômulo refletem um movimento que vem sendo reconhecido em escala global. Diante do impacto crescente da obesidade e do aumento dos casos em todas as faixas etárias, a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou, pela primeira vez, suas diretrizes internacionais para o tratamento da doença. O avanço ocorre em um cenário em que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo, e a estimativa é de que esse número possa dobrar até 2030 sem intervenções eficazes. A OMS reforça o entendimento de que a obesidade é uma doença crônica, progressiva e com tendência à reincidência. A entidade destaca que a condição está na base de mais de 200 doenças já conhecidas e incluiu, nas recomendações globais, medicamentos modernos das classes GLP-1 e GIP, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, como ferramentas eficazes no tratamento, desde que utilizados com critérios médicos bem definidos. Serviços de referência O Hran é o único hospital do DF a fazer cirurgia bariátrica pelo SUS | Foto: Paulo H Carvalho/Agência Brasília Em Brasília, o tratamento da obesidade, especialmente nos casos de maior complexidade, e dos transtornos alimentares é estruturado por unidades de referência na rede pública. Para os pacientes que necessitam de intervenção cirúrgica, o Hospital Regional da Asa Norte (Hran) é o único do SUS no Distrito Federal habilitado para realizar a cirurgia bariátrica, atuando como um centro pioneiro com equipe multiprofissional. Paralelamente, os casos graves de comorbidades relacionadas, como diabetes e hipertensão, são direcionados para o Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial (CEDOH), referência ambulatorial que oferece um vasto leque de especialidades como endocrinologia, nutrição e psicologia. Por outro lado, o tratamento dos transtornos alimentares específicos, como anorexia, bulimia e compulsão alimentar, é centralizado no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), que possui um ambulatório multidisciplinar onde os pacientes têm acesso a consultas com nutricionistas, psicólogos e psiquiatras no mesmo dia. Para acessar qualquer um desses serviços especializados, a porta de entrada obrigatória para o cidadão é a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a avaliação inicial e o posterior encaminhamento via Sistema de Regulação do DF são realizados. Impacto para a saúde pública Ao reconhecer formalmente a obesidade como doença crônica e ampliar as possibilidades terapêuticas, a OMS reforça a necessidade de estruturar linhas de cuidado contínuas, com foco na prevenção, no acompanhamento a longo prazo e na redução de complicações associadas. Para a saúde pública esse avanço representa a oportunidade de fortalecer uma abordagem mais integrada, capaz de reduzir internações evitáveis e a sobrecarga sobre os serviços de média e alta complexidade. A endocrinologista Martha Sanjad comemora o reconhecimento da gravidade da obesidade pela OMS: "Isso evita tratamentos pontuais, reduz complicações futuras e melhora a qualidade de vida do paciente ao longo dos anos" De acordo com a endocrinologista do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), Martha Sanjad, a mudança de diretriz consolida uma visão mais realista da doença. “Quando a obesidade é reconhecida como condição crônica, o sistema de saúde passa a entender que o cuidado precisa ser contínuo, planejado e integrado. Isso evita tratamentos pontuais, reduz complicações futuras e melhora a qualidade de vida do paciente ao longo dos anos”, destaca. A médica explica que não há resultado consistente sem a integração entre diferentes frentes de cuidado. “O tratamento só é eficaz quando há associação entre medicação, alimentação equilibrada, acompanhamento contínuo e prática regular de atividade física”, reforça. "É uma política pública que olha para o presente, mas principalmente para o futuro" Cleber Monteiro, presidente do IgesDF Para o presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, a decisão da OMS fortalece o planejamento da rede pública e aponta para uma agenda estratégica de longo prazo. “Tratar a obesidade de forma estruturada é investir na sustentabilidade do sistema de saúde. Ao prevenir complicações como infartos, AVCs, insuficiência renal e doenças neurodegenerativas, reduzimos internações, custos e sofrimento. É uma política pública que olha para o presente, mas principalmente para o futuro”, avalia. Segundo o presidente, enfrentar a obesidade com base em evidências científicas contribui para organizar melhor a atenção primária, qualificar o acompanhamento especializado e diminuir a pressão sobre os hospitais. Obesidade e cérebro Além dos efeitos já conhecidos sobre o metabolismo e o sistema cardiovascular, pesquisas recentes mostram que os impactos da obesidade ultrapassam essas fronteiras e atingem diretamente a saúde cerebral. Um estudo da Universidade de Washington identificou que o excesso de gordura corporal pode acelerar em até 95% os marcadores sanguíneos associados ao Alzheimer, indicando que o processo de neurodegeneração pode avançar mais rapidamente em pessoas acima do peso. João Tatsch: “Mesmo após os 40 ou 50 anos, mudanças no estilo de vida trazem benefícios concretos" [LEIA_TAMBEM]Para o neurologista do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), João Tatsch, os achados reforçam uma relação já conhecida entre distúrbios metabólicos e doenças neurodegenerativas. “Alterações no metabolismo dos lipídios aumentam a predisposição ao desenvolvimento de condições como Alzheimer e Parkinson. Quando tratamos a obesidade, estamos protegendo o cérebro ao reduzir a inflamação sistêmica, melhorar a resistência à insulina e fortalecer a saúde vascular e o metabolismo cerebral, fatores centrais para prevenir demências”, explica. O especialista lembra que sempre há tempo para iniciar uma mudança real. “Mesmo após os 40 ou 50 anos, mudanças no estilo de vida trazem benefícios concretos. A consistência é o que determina a diferença ao longo do tempo”, conclui. *Com informações do IgesDF  

Ler mais...

Thumbnail

Obesidade: Hran é referência no tratamento no Distrito Federal

A obesidade é uma doença crônica que pode trazer graves problemas de saúde, como diabetes, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer. Entre 2020 e 2024, foram registradas mais de 291 mil cirurgias bariátricas no Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Do total de procedimentos, cerca de 10,8% foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados também apontam que, apenas de janeiro a junho de 2025, mais de 6,3 mil pessoas realizaram a cirurgia na rede pública de saúde. No Distrito Federal, a unidade de referência é o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), que realiza mais de 700 atendimentos mensais relacionados à cirurgia bariátrica — entre consultas, pré-operatórios, retornos e acompanhamentos. Hospital Regional da Asa Norte é referência em cirurgia bariátrica na rede pública do DF, com mais de 700 atendimentos | Fotos: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF Conscientização Neste mês, celebra-se o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, data criada para reforçar a conscientização sobre a doença grave e incentivar hábitos de vida saudáveis. Como parte das ações alusivas à data, a SBCBM, em parceria com os hospitais da rede pública, promoveu uma série de atividades. No Hran, duas cirurgias adicionais foram feitas. A chefe da unidade de cirurgia bariátrica do Hran, Ana Carolina Fernandes, reforça a importância de tratar a obesidade com acolhimento humanizado. “A obesidade é uma das doenças mais prevalentes hoje, inclusive em crianças. Devem ser considerados vários fatores e tratamentos. A cirurgia é indicada ao paciente que não consegue perder peso com tratamento clínico e medicação”, destacou. É o caso de Hagaelma Pereira, 39, que trava uma luta contra a obesidade desde a primeira gestação, ocorrida aos 14 anos. “No ano retrasado, comecei a ter apneia e muita crise de ansiedade. Então, fiz alguns exames e vi que estava com diabetes e hipertensão. Eu não conseguia emagrecer de jeito nenhum”, contou. Após ser atendida em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no Riacho Fundo, Hagaelma foi indicada à cirurgia bariátrica e, atualmente, realiza o pré-acompanhamento na unidade do Hran para realizar o procedimento. “Quando eu fizer bariátrica, vou ter uma melhor qualidade de vida. Não foi por conta da baixa autoestima, mas por conta da saúde. Minha mãe me contou que muitas pessoas da nossa família faleceram por problemas por conta da obesidade, não quero viver isso”, completou. Hagaelma Pereira, 39, trava uma luta contra a obesidade desde a primeira gestação: “Quando eu fizer bariátrica, vai ser uma melhor qualidade de vida. Não foi por conta da baixa autoestima, mas por conta da saúde" Cirurgia segura e menos invasiva A cirurgia bariátrica consiste na redução do tamanho do estômago, indicada para tratar casos de obesidade grave. No Hran, o procedimento é feito por meio da técnica de videolaparoscopia, uma técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões no abdômen, reduzindo o tempo de cirurgia e de internação. A Unidade de Cirurgia Bariátrica do Hran conta com seis consultórios e uma equipe multiprofissional formada por nove cirurgiões, dois psicólogos, uma endocrinologista, duas técnicas de enfermagem e três nutricionistas. O espaço foi equipado com 16 cadeiras especiais para pessoas com obesidade, além de armários e ares-condicionados, proporcionando mais conforto e acessibilidade. Luciana Karym Tavares, 38, realizou a bariátrica na última semana. O marido, Jarbas Silva de Oliveira, 39, a esperava do lado de fora do centro cirúrgico e contou que os problemas de saúde foram a principal motivação da esposa. “Ela sofria com muita dificuldade de locomoção, cansaço, os joelhos doíam”, contou. Após descobrirem por um familiar que o Hran realizava a bariátrica, decidiram ir atrás e realizar todas as consultas e exames necessários. “O objetivo é realizar a cirurgia e conseguir melhorar a qualidade de vida”, declarou. Atendimento A porta de entrada para o serviço são as Unidades Básicas de Saúde (UBS), que já oferecem acompanhamento a pessoas acima do peso indicado. Constatada a necessidade, o paciente é encaminhado às unidades especializadas, como o Centro Especializado em Obesidade, Diabetes e Hipertensão (Cedoh) e o Centro de Atenção ao Diabetes e Hipertensão Adulto (CADH). Se houver indicação para a cirurgia bariátrica, ele é atendido pela equipe do Hran. *Com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF)

Ler mais...

Thumbnail

Especialista alerta para os desafios da obesidade em evento com servidores

“Se você ainda acha que obesidade se resolve com força de vontade, dieta e academia, chegou a hora de rever seus conceitos.” A frase do cirurgião geral e gastroenterologista Orlando Faria impactou os colaboradores que participaram da palestra promovida pela Cipa na sede administrativa do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), nesta sexta-feira (30). Com o tema Obesidade e Cirurgia Bariátrica, o encontro fugiu do tradicional. Em vez de fórmulas prontas, o médico convidou à reflexão. “Essa história de que basta comer menos e se exercitar mais é, talvez, a maior mentira já contada para quem convive com obesidade”, afirmou, citando pesquisas que mostram pacientes ativos fisicamente que, mesmo assim, não conseguem emagrecer. Durante uma hora, Orlando Faria conduziu uma aula sem slides ou termos difíceis, mas com dados, histórias reais e exemplos que despertaram reflexão. Para ele, a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e perigosa. Durante uma hora, Orlando Faria conduziu uma aula sem slides ou termos difíceis, mas com dados, histórias reais e exemplos que despertaram reflexão | Foto: Alberto Ruy/IgesDF Segundo o médico, a obesidade está associada a mais de 200 doenças, entre elas diabetes, hipertensão, apneia do sono, refluxo, colesterol alto e até 60 tipos de câncer. Ele mencionou o caso recente de uma paciente com câncer de mama que passou por cirurgia bariátrica como estratégia complementar. “A perda de peso melhora o prognóstico de várias doenças. Essa é uma realidade que muitos ainda não enxergam”, explicou. Faria destacou que medicamentos injetáveis, como os populares “canetinhas” (ex: Ozempic e Mounjaro), têm revolucionado o tratamento da obesidade, mas não substituem a cirurgia bariátrica, que permanece necessária em muitos casos. “A cirurgia é uma estratégia, assim como o uso de remédio para controlar a pressão”, comparou. Na palestra, o médico também explicou o conceito de “set point”, um ponto metabólico que determina a quantidade de gordura que o corpo tende a acumular, independentemente da ingestão calórica. Esse marcador é influenciado por fatores como genética, idade, estresse, sedentarismo, ritmo circadiano, cultura alimentar e ambiente familiar. [LEIA_TAMBEM]“Se fosse tão simples como comer menos e se mexer mais, ninguém seria obeso. Essa teoria não se sustenta diante da diversidade humana. Precisamos de estratégias personalizadas e sustentáveis”, ressaltou. Ele aconselhou: “Evite ultraprocessados e prefira alimentos naturais. Faça atividade física não para emagrecer, mas para viver melhor. Mantenha os músculos ativos, durma bem. E saiba que o ambiente onde você vive influencia muito mais do que imagina.” Ciclo de palestras A palestra foi a última da programação especial de maio da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) do IgesDF, que durante o mês abordou temas como doenças respiratórias, queimaduras, saúde mental e prevenção de acidentes. Quem participou aprovou. Betânia Oliveira, da Corregedoria do instituto, afirmou que o encontro foi mais que informativo. “Ele esclareceu muitas dúvidas com uma didática impressionante. Saímos daqui com conhecimento para a vida”, disse. A vice-presidente da Cipa, Juliana von Sperling, celebrou o encerramento do ciclo com sentimento de missão cumprida. “A ideia foi essa: uma conversa informal, mas com conteúdo técnico e humano, para cuidar da saúde de forma integral”, afirmou. O médico encerrou o bate-papo com uma provocação otimista: “Se você vai enfrentar um inimigo poderoso, precisa de boas estratégias. Viver é arriscado, mas viver bem é uma escolha. Tratar a obesidade com seriedade faz parte disso.” *Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

Ler mais...

Thumbnail

Centro especializado promove dia de conscientização sobre obesidade com atividades educativas

Concurso de cardápios saudáveis, oficinas de culinária, degustação de alimentos às cegas, conversas e desafios para adotar hábitos mais saudáveis. Essas foram algumas das atividades promovidas pelo Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial (Cedoh) nesta semana, em alusão ao Dia Mundial da Obesidade, comemorado no último dia 4. Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial reuniu pacientes para realização de atividades educativas | Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF O evento reuniu pacientes em tratamento no Cedoh e profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Uma das iniciativas foi a troca simbólica de alimentos ultraprocessados por frutas e vegetais, incentivando escolhas mais saudáveis. A gerente substituta do Cedoh, Cássia Nery, destaca que a promoção da saúde e o combate à obesidade envolvem mudanças tanto nas políticas públicas quanto no meio social em que o indivíduo está inserido, especialmente em ambientes obesogênicos — que favorecem escolhas alimentares não saudáveis e comportamentos sedentários. Alexandra Lima, que realiza tratamento na unidade de saúde, elogiou a iniciativa: “A equipe do centro especializado é excelente, e o evento me fez enxergar a obesidade por um novo ângulo” “Percebemos, por exemplo, que os alimentos ultraprocessados — grandes responsáveis pelo aumento das taxas de obesidade no mundo — são mais baratos e de mais fácil acesso do que frutas e vegetais. Então, a proposta deste ano é tirar o foco apenas do indivíduo e refletir sobre o sistema e o ambiente obesogênico em que vivemos”, explica. A psicóloga do Cedoh, Maria Fernanda de Carvalho, que palestrou no evento, reforçou que diversos fatores sociais influenciam diretamente os hábitos da população. “A obesidade, por ser uma doença complexa, crônica e de alta reincidência, é influenciada pelo sistema familiar e social, pela baixa taxação dos alimentos ultraprocessados em comparação com os hortifrutigranjeiros e pela dificuldade de acesso da população a espaços adequados para a prática de exercícios físicos”, pontua. A empregada doméstica Alexandra Lima, que realiza tratamento no Cedoh há dois anos, elogiou a iniciativa. “A equipe do centro especializado é excelente, e o evento me fez enxergar a obesidade por um novo ângulo. É uma doença que resulta de vários fatores combinados”, afirma. Criado em 2017, o Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial (Cedoh) é uma unidade de Atendimento Ambulatorial Secundário Especializado (AASE), que atende moradores da Região Central de Saúde — abrangendo Asa Sul, Asa Norte, Cruzeiro, Lago Norte, Varjão e Vila Planalto. O centro conta com uma equipe multiprofissional composta por endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros, entre outros especialistas. De 2018 a 2024, aproximadamente 1.150 pacientes adultos passaram pelo programa de tratamento da obesidade do Cedoh, distribuídos em 40 grupos de acompanhamento, além de 150 crianças e adolescentes. *Com informações da SES-DF  

Ler mais...

Thumbnail

Especialistas alertam sobre o uso de adoçantes em dietas

O adoçante, erroneamente visto como uma alternativa saudável ao açúcar, não deve ser usado em dietas para emagrecimento. A orientação é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que publicou, em 2023, uma nova diretriz sugerindo que o produto não seja consumido com a finalidade de controle de peso e/ou redução do risco de doenças crônicas, como o diabetes. No lugar dos adoçantes, as frutas podem ser usadas para conferir um sabor mais doce a bolos e vitaminas | Foto: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília Para a referência técnica distrital (RTD) de endocrinologia da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), Flávia Franca, a recomendação da entidade busca evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e processados, que possuem alto índice de adoçantes, como acesulfame, aspartame, ciclamatos, sacarina, sucralose, estévia e seus derivados, entre outros. Ela reforça que o ideal é consumir os alimentos com seu sabor natural e utilizar frutas como uma forma de adoçar vitaminas, sucos e bolos. “Essa recomendação veio para reforçar a importância de uma vida mais saudável. De acordo com a nova diretriz, para evitar a obesidade e o diabetes, não se devem consumir alimentos processados ou ultraprocessados, mas na sua forma natural – o que não quer dizer que a pessoa deva substituir o adoçante por açúcar, que, em excesso, realmente traz riscos à saúde”, destaca a endocrinologista. “Alguns estudos em animais apontam que o aspartame teve relação com o aumento do risco de câncer. Isso mostra que esses produtos não trazem benefício nutricional nenhum à saúde” Flávia Franca, endocrinologia da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) Risco de câncer Outra questão também abordada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e a Associação Brasileira do Estudo da Obesidade (Abeso), foi a relação de alguns tipos de adoçante com o risco de câncer. “Alguns estudos em animais apontam que o aspartame teve relação com o aumento do risco de câncer. Isso mostra que esses produtos não trazem benefício nutricional nenhum à saúde. A recomendação é que se evite o consumo”, reforça França. Apesar de existir uma recomendação segura aceitável, a médica da SES-DF observa que, com o uso regular dessas substâncias, há prejuízo de respostas glicêmicas, maior risco de doenças metabólicas e aumento do ganho de peso. A recomendação da OMS, no entanto, não abrange as pessoas com diabetes pré-existente, que se beneficiam do uso de adoçantes porque a ingestão de açúcar pode levar ao aumento da glicose no sangue. Um estudo publicado no ano passado na revista científica Plos Medicine associou o constante consumo de aspartame, um dos adoçantes artificiais mais comuns e utilizados em bebidas zero ou diet, principalmente refrigerantes, ao aumento de 15% do risco de todos os tipos de cânceres. Outro prejuízo à saúde avaliado foi a maior incidência de tumores relacionados à obesidade. Estudos associam o constante consumo de aspartame ao aumento de 15% do risco de câncer | Foto: Geovana Albuquerque/ Agência Brasília Valor nutricional Nutricionista da SES-DF e consultora na área de rotulagem de alimentos, Tatiane Cortes lembra que os adoçantes dietéticos são substâncias utilizadas para conferir sabor doce. Porém, ainda que sejam considerados seguros quando consumidos dentro dos limites estabelecidos, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o Instituto de Saúde (IS) de São Paulo sugere que o uso excessivo desses produtos pode gerar efeitos negativos à saúde. “Essas substâncias são formuladas para pessoas que têm alguma restrição ao consumo de açúcar, como no caso de quem tem diabetes mellitus. Atualmente, existem adoçantes artificiais e naturais, e os últimos são vistos como menos nocivos por serem extraídos da natureza, como estévia e xilitol”, aponta a especialista. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável por regulamentar e autorizar a utilização dos adoçantes. Hoje existem alguns tipos liberados, como sorbitol, manitol isomaltitol, maltitol, sacarina, ciclamato, aspartame, estévia, acessulfame K, sucralose, neotame, taumatina, lactitol, xilitol e eritritol. Segundo a nutricionista Tatiana Cortes, o melhor caminho para perder peso é a reeducação do paladar | Foto: Divulgação/ Agência Saúde Cortes ressalta que, no país, o crescimento da oferta de adoçantes, produtos diet e light com os rótulos “zero caloria” e “zero açúcar” se deve à busca por opções de alimentos ditos “mais saudáveis”. Essa procura é motivada pelo aumento da população com sobrepeso, obesidade e diabetes, bem como pela conscientização sobre os efeitos negativos do consumo excessivo de açúcar. Entretanto, algumas publicações internacionais citam potenciais malefícios associados ao consumo excessivo de adoçantes, como desregulação do apetite, alterações na microbiota intestinal, ganho de peso, intolerância gastrointestinal, desenvolvimento de preferência por sabores doces e possíveis efeitos na saúde metabólica. “Esses produtos podem afetar negativamente a composição e a função de nossa microbiota intestinal, causando um quadro de disbiose que pode trazer diarreia, prisão de ventre, distensão abdominal, náuseas e azia”, elenca a nutricionista. Uma alternativa, segundo a especialista, é a substituição dos adoçantes por mel, açúcar de coco, açúcar mascavo e melado de cana, desde que sejam consumidos em pequenas quantidades e sob orientação profissional. “O melhor caminho para perder peso é a reeducação do paladar. Precisamos aprender a saborear o alimento sem precisar adoçá-lo. Comece devagar, diminuindo aos poucos o consumo dos adoçantes e alimentos com essas substâncias. Dê ao seu corpo substratos naturais, frutas, desembalando menos e descascando mais”, recomenda. Mudança de hábitos O servidor público Renato Santos conta que, durante exames de rotina, em outubro de 2023, foi diagnosticado com um quadro de pré-diabetes. Com a notícia, resolveu optar por uma alimentação mais saudável, cortando açúcar e adoçantes. “Fiquei bastante preocupado com o diagnóstico, então resolvi não comer mais açúcar e diminuir significativamente o consumo de alimentos derivados do trigo. No começo foi difícil, pois em minha rotina comia chocolate e doces diariamente, após o almoço”, relata. “Para tentar equilibrar, comecei a consumir muitos produtos industrializados com adoçantes, mas não me adaptei. Sentia que a comida ficava amargando e que, apesar de não comer mais açúcar, continuava ingerindo bastante produtos industrializados, com alto teor calórico.” Com o corte dos adoçantes, os novos hábitos alimentares já surgiram efeito. Ele pesava 137 kg, e agora está com 123 kg. “Resolvi adoçar os alimentos que consumo com frutas. Hoje, produzo os bolos e doces usando frutas como banana e tâmara para adoçar. Foi necessário adaptar meu paladar para uma nova rotina. Em três meses, perdi mais de 10 kg de gordura, e minhas taxas melhoraram”, conclui.

Ler mais...

Thumbnail

Pesquisa aponta que obesidade atinge 22% da população do Distrito Federal

O mundo alcançou a marca de 1 bilhão de pessoas obesas. Quem deu o alerta foi a Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 1º deste mês, quando apontou que uma em cada oito pessoas do planeta, o equivalente a 12,5% de uma população estimada em 8 bilhões de indivíduos, está muito acima do peso. A pesquisa, considerada uma das mais completas sobre o tema, entrevistou 220 milhões de pessoas em 190 países e deixou médicos e governantes em estado de tensão. Cedoh também faz o acompanhamento de pacientes que não atingiram o resultado satisfatório em tratamentos anteriores | Foto: Arquivo/Agência Brasília “Quanto maior o grau de obesidade, maior a chance de aparecimento de outras complicações” Flávia Franca Melo, referência técnica distrital em endocrinologia da Secretaria de Saúde No Distrito Federal, a preocupação com o tema é ainda mais urgente. Levantamento feito pelo Ministério da Saúde aponta que 22% da população da capital se autodeclara obesa, percentual que representa um em cada cinco habitantes. O número coloca a obesidade entre as doenças crônicas mais prevalentes em toda a população do chamado “quadradinho”, um motivo de atenção para o Governo do Distrito Federal (GDF). Parâmetros Mas, afinal, quando uma pessoa passa a ser considerada obesa? “Quando o índice de massa corporal está acima de 30”, responde a endocrinologista Flávia Franca Melo, referência técnica distrital (RTD) na especialidade. A medida internacional é calculada dividindo-se o peso pelo quadrado da altura. Uma pessoa que mede 1,70 metro, por exemplo, é considerada obesa quando o ponteiro da balança ultrapassa os 86,7 kg. ‌Existem três graus de obesidade, que variam de acordo com o índice de massa corporal (IMC) do indivíduo: -> Obesidade 1 – IMC de 30 a 34,9; -> Obesidade 2 – IMC de 35 a 39,5; -> Obesidade 3 – IMC de 40 para cima. “Quanto maior o grau de obesidade, maior a chance de aparecimento de outras complicações”, alerta Flávia. “Problemas articulares; resistência à ação da insulina, podendo levar à diabetes; pressão alta; problemas cardiovasculares… tudo isso está relacionado à obesidade. E pelo menos 50% dos casos de câncer de endométrio também. É uma doença que prejudica o funcionamento do organismo como um todo.” Tratamentos Todas as sete regiões abarcadas pela rede pública de saúde do Distrito Federal contam com endocrinologistas, que recebem pacientes mediante encaminhamento dos médicos da família. “Por enquanto, os cuidados são baseados principalmente em mudanças de estilo de vida”, afirma Flávia. “Mas já aprovamos o uso no SUS [Sistema Único de Saúde] de uma substância chamada liraglutida, que tem se mostrado eficaz no tratamento contra a obesidade”. O medicamento será usado em obesos que tenham diabetes tipo 2 associada a problemas cardiovasculares e também em adolescentes entre 12 e 18 anos. “No momento, a licitação para a compra da substância está em andamento. Em breve, teremos mais essa opção de tratamento”, garante a médica. Após dois anos de acompanhamento multiprofissional, o paciente pode ser encaminhado para a cirurgia bariátrica, caso se enquadre nos graus 2 ou 3 de obesidade e não tenha obtido resultados positivos Além do acompanhamento com endocrinologista, a rede pública de saúde do DF oferece aproximadamente 55 nutricionistas que investem na mudança de hábitos dos pacientes para vencer a obesidade. A porta de entrada para o serviço também são os médicos da família, lotados nas unidades básicas de saúde. “Promovemos atendimentos individuais e em grupo, além de trabalharmos com uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais”, explica a gerente de Serviços de Nutrição da Secretaria de Saúde (SES-DF), Carolina Gama. “Quando os objetivos não são alcançados, o paciente pode ser encaminhado ao Cedoh [Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão] para um atendimento mais particularizado.” O paciente passa por dois anos de acompanhamento multiprofissional. Caso não obtenha resultados positivos, a cirurgia bariátrica pode ser recomendada. Para fazer o procedimento pela rede pública de saúde, é preciso ter obesidade grau 2 com comorbidades ou ser diagnosticado com obesidade grau 3. Prevenção Mais do que oferecer tratamento contra a obesidade, o GDF tem investido na prevenção da doença. “Em parceria com a Secretaria de Educação, procuramos incentivar hábitos saudáveis desde a infância”, relata Carolina. “A orientação é que a alimentação da criança seja composta principalmente por alimentos in natura ou minimamente processados”. Frutas, verduras, legumes, ovos, leite, carnes e grãos devem ser a base do cardápio dos pequenos. Alimentos processados precisam ser consumidos com moderação. Já os ultraprocessados devem ser evitados, por serem ricos em aditivos, corantes e conservantes. As bebidas açucaradas também devem ser dispensadas. “Estimulamos, ainda, a prática de atividade física – pelo menos 150 minutos por semana, se a intensidade do exercício for moderada; para isso, contamos com o apoio da Secretaria de Esporte e Lazer”, recomenda Carolina. “Todo esse engajamento mostra que a obesidade é um problema muito mais amplo, que não se restringe à Secretaria de Saúde.”

Ler mais...

Thumbnail

Atendimento oferece indicação correta do uso de remédios para emagrecer

“Tomei o ‘medicamento da moda’ por conta própria. Estava com quase 130 kg e emagreci 40 kg, mas logo ganhei novamente”. Esse é o relato da advogada Márcia Neri, de 52 anos, que se automedicou na busca rápida pela perda de peso. “À época, minhas amigas estavam perdendo peso com facilidade. Eu consegui o contato de uma pessoa que vendia e encomendei”, relata. Histórias como a de Márcia são comuns e preocupam especialistas que tratam a obesidade. Profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES) alertam sobre os perigos do uso de remédios para emagrecimento sem prescrição médica, como comprimidos, chás e, em especial, remédios injetáveis. A endocrinologista Anita Laboissière Villela destaca que a obesidade é uma doença crônica e complexa | Fotos: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF Endocrinologista do Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão Arterial (Cedoh), a médica Anita Laboissière Villela destaca que a obesidade é uma doença crônica e complexa, sendo essencial a abordagem de uma equipe multiprofissional no tratamento, que requer, além de medicamentos, mudança de estilo de vida, com alimentação saudável e em quantidade adequada, atividade física regular, relacionamentos saudáveis e sono reparador. Para desmistificar o uso de remédios, existem medicamentos extremamente úteis e necessários no tratamento da obesidade, mas pode haver contraindicação de acordo com o perfil de cada paciente. “Tem medicação que é absolutamente proibida para alguns pacientes e que para outros vai ser ótima. Os efeitos colaterais dependem do medicamento”, explica a especialista. Remédio, só com prescrição Após se automedicar para emagrecer e enfrentar os efeitos colaterais, a advogada Márcia Neri buscou acompanhamento especializado e passou a ser atendida na rede pública do DF A médica dá o exemplo da sibutramina, que aumenta a frequência cardíaca e pode elevar a pressão. “Se uma pessoa com hipertensão arterial descontrolada tomar, pode ter um AVC ou um infarto”. Já em pacientes que possam utilizar a substância e recebam a correta orientação e acompanhamento médico, o emagrecimento é de cerca de 15% do peso inicial. “Ou seja, para uns é remédio, para outros é veneno”, enfatiza. Outro ponto de atenção é sobre a dosagem. Algumas medicações necessitam de escalonamento de dose, o que o paciente, por conta própria, não terá conhecimento, aumentando o risco de efeitos colaterais. [Olho texto=”“O caminho para perder peso é um processo difícil, mas a parte mais difícil é a manutenção do peso perdido. Por isso a importância da mudança de vida, ou o resultado vai durar pouco”” assinatura=”Flávia Franca, referência técnica distrital (RTD) de endocrinologia” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Em relação à semaglutida, medicamento bastante conhecido, a referência técnica distrital (RTD) de endocrinologia Flávia Franca ressalta que há importantes critérios para indicação – entre eles, ter um bom funcionamento do fígado e não possuir histórico de câncer de tireoide, pancreatite ou pedra na vesícula. “Medicamentos prescritos contra a obesidade vieram para ajudar, não são vilões, mas devem ser utilizados só por quem tem excesso de peso e com indicação médica. O caminho para perder peso é um processo difícil, mas a parte mais difícil é a manutenção do peso perdido. Por isso a importância da mudança de vida, ou o resultado vai durar pouco”, alerta. Mudança de hábitos A nutricionista Cássia Regina de Aguiar Nery Luz observa que, por mais efetiva que a medicação seja, não cumpre o papel de tratar a obesidade em todos os fatores causadores da doença Sem associar o tratamento a uma mudança no estilo de vida, é muito comum que a pessoa volte a ganhar peso. É importante ter ciência que os cuidados, na obesidade, são a longo prazo. “Sem uma boa alimentação, uma prática de atividade física, um cuidado com a saúde mental, a gente não consegue atingir os fatores causais da doença, e ela acaba se tornando uma doença recidivante [recorrente]”, pontua a nutricionista Cássia Regina de Aguiar Nery Luz, que também integra a equipe do Cedoh. Por isso, a orientação das profissionais é que o primeiro passo seja buscar uma equipe de saúde e iniciar atividade física com acompanhamento. Para evitar frustrações, usuais em quem enfrenta o excesso de peso, é aconselhável ter em mente que o medicamento, se indicado, será apenas um dos pilares do tratamento. [Olho texto=” “É necessário explorar diversas áreas. Fazer aula de dança, natação, caminhada. Experimentar e ver o que vai gostar para dar continuidade” assinatura=”Angelina Freitas Siqueira, fisioterapeuta” esquerda_direita_centro=”direita”] Para começar um exercício físico e criar um hábito saudável, a sugestão é que o paciente busque algo prazeroso. “É necessário explorar diversas áreas. Fazer aula de dança, natação, caminhada. Experimentar e ver o que vai gostar para dar continuidade”, opina a fisioterapeuta Angelina Freitas Siqueira. Após sentir na pele os efeitos colaterais da automedicação para emagrecer e perder um irmão de 31 anos por causa da obesidade, Márcia Neri adotou essas dicas. “De lá para cá, me cuido por questão de saúde mesmo. Estou diabética e preciso ter qualidade de vida”, conta. Quem procurar? [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Pessoas interessadas devem buscar uma unidade básica de saúde (UBS) para mais informações. No site InfoSaúde, é possível localizar o local de referência de acordo com a residência do usuário. Na UBS, o paciente é avaliado. Alguns casos podem ter indicação de acompanhamento na própria unidade, enquanto outros são encaminhados para a atenção secundária. *Com informações da Secretaria de Saúde

Ler mais...

Thumbnail

Divulgadas novas orientações sobre consumo de gorduras e carboidratos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou as recomendações alimentares sobre o consumo de carboidratos e gorduras para adultos e crianças. As novas diretrizes visam à limitação do consumo para a redução de ganho de peso prejudicial à saúde. Evidências científicas mostram a relação entre a ingestão excessiva desses produtos e os riscos de doenças. “As orientações buscam reduzir o excesso de peso e de doenças não transmissíveis relacionadas com a alimentação, como o diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer”, explica a gerente de Nutrição da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), a nutricionista Carolina Gama. De acordo com as recomendações da OMS, o ideal é que o consumo diário abranja, no mínimo, 400 gramas de frutas e vegetais e 25 gramas de fibras | Foto: Tony Winston/Agência Brasília A alimentação saudável é fundamental para prevenir contra doenças crônicas. Uma dieta rica em alimentos ultraprocessados, além de aumentar o risco de desenvolver diabetes, obesidade, hipertensão e câncer, pode intensificar os sintomas relacionados à má digestão, à inflamação e a transtornos de neurodesenvolvimento. [Olho texto=”A SES-DF disponibiliza atendimento nutricional por meio da Atenção Primária, nas unidades básicas de saúde (UBSs), que são a porta de entrada do cidadão ao Sistema Único de Saúde (SUS)” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”direita”] Comer bem impacta positivamente não apenas a saúde, como também a sustentabilidade e a conservação do meio ambiente, seja na cadeia produtiva ou na possibilidade de utilizar o alimento como um todo, sem desperdício e menos plástico. A qualidade e a quantidade são importantes para uma boa saúde, conforme indica a OMS. Os adultos devem limitar a ingestão total de gordura a 30% da ingestão total de energia ou menos. Ainda para esse público, o ideal é que o consumo diário abranja, no mínimo, 400 gramas de frutas e vegetais e 25 gramas de fibras. No caso dos carboidratos, em vez de focar em produtos refinados e ricos em açúcar, a orientação da OMS é optar por alimentos que contenham fibras. As orientações da OMS buscam reduzir o excesso de peso e de doenças não transmissíveis relacionadas com a alimentação, como o diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer | Foto: Matheus Oliveira/Agência Saúde-DF Em crianças com 2 anos ou mais, a gordura consumida precisa ser composta, principalmente, de ácidos graxos insaturados (alimentos de origem vegetal e alguns peixes, como oleaginosas, coco, abacate e salmão). Em termos de consumo, a OMS indica: Frutas e legumes ? 2-5 anos: 250 g no mínimo por dia ? 6-9 anos: 350 g no mínimo por dia ? 10 anos ou mais: 400 g no mínimo por dia Fibras ? 2-5 anos: 15 g no mínimo por dia ? 6-9 anos: 21 g no mínimo por dia ? 10 anos ou mais: 25 g no mínimo por dia A ciência demonstra a importância da alimentação saudável e da nutrição de crianças antes mesmo do nascimento, isto é, da concepção aos primeiros anos de vida. “O período é fundamental para o desenvolvimento físico e neurológico infantil e pode estar relacionado a fatores protetores ou de risco em relação a doenças em outras fases da vida”, relata Gama. [Olho texto=”“Passei a entender o que é comida. Quando eu estou com fome de verdade ou somente com vontade de comer, aprendi a fazer escolhas saudáveis. Passei por uma reeducação, uma conscientização”” assinatura=”Débora Ribeiro de Santos, participante do projeto Hábitos de Vidas Saudáveis” esquerda_direita_centro=”esquerda”] De acordo com a especialista, uma alimentação equilibrada fornece todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo, tanto do corpo quanto da mente. “Esse hábito é capaz de elevar a expectativa de vida, além de auxiliar no desenvolvimento do cérebro e no crescimento adequado. Fora que aumenta a imunidade, mantém a pele, os dentes e os olhos saudáveis, fortalece os ossos e os músculos, e reduz o risco de doenças cardíacas. Motivos mais do que convincentes”, elenca. Iniciativa no DF Para incentivar a adoção de práticas saudáveis junto a residentes da Unidade Básica de Saúde (UBS) 5 do Arapoanga, a nutricionista Camila da Silva Reis encabeça o projeto Hábitos de Vidas Saudáveis, de orientação e acompanhamento nutricional para a população da região. Na UBS 5 do Arapoanga, o grupo Hábitos de Vidas Saudáveis identifica problemas, prioridades e motivação para os pacientes que decidiram mudar os hábitos alimentares | Foto: Arquivo pessoal “Geralmente, são 15 pessoas por grupo e o primeiro atendimento é coletivo. Nesse contato inicial, identificamos o problema, as prioridades e a motivação, para, então, lançar metas e reflexões sobre os possíveis obstáculos. Em cima dessa dinâmica, construímos os retornos”, explica a especialista. “A gente tenta entender a pessoa integralmente, para, então, medir a dificuldade que ela terá na hora de aderir o que sugerimos.” O grupo é orientado não somente sobre hábitos alimentares, mas de vida, como exercícios físicos, saúde mental e sono. “Mesmo sendo uma atividade coletiva, nós sempre buscamos nos basear na realidade deles, por exemplo, na questão do acesso financeiro”, detalha Reis. [Olho texto=” “Mesmo sendo uma atividade coletiva, nós sempre buscamos nos basear na realidade deles, por exemplo, na questão do acesso financeiro”” assinatura=” Camila da Silva Reis, nutricionista que atende pacientes da UBS 5 do Arapoanga” esquerda_direita_centro=”esquerda”] Os pacientes atendidos pelo projeto são encaminhados pela equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) da região. A maior parte enfrenta diabetes, pressão alta, obesidade e/ou colesterol alto. Após o encontro coletivo, os usuários passam por acompanhamentos e retornos individuais, que, inicialmente, são mensais, podendo chegar a visitas semestrais. O trabalho é complementado pela atuação das residentes, uma em nutrição e outra em psicologia. Segundo a residente em nutrição que atua na iniciativa, Josicleia da Gomes de Silva, os retornos são muito importantes, pois permitem avaliar em quais pontos o paciente tem mais dificuldade. “Nós não trabalhamos com o peso, porque ele não é mensurador de saúde. Focamos nos indicadores e nos resultados, como percentual de gordura e de massa muscular.” Experiência Apesar de o foco do grupo não ser, obrigatoriamente, perder peso, Débora Ribeiro de Santos, de 35 anos, comemorou a redução de 5 kg e de oito centímetros na circunferência abdominal desde que começou a participar do grupo há quatro meses. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] “Comecei a participar do grupo por causa do meu sobrepeso, que já estava afetando a minha saúde. Eu estava com problemas de refluxo, azia e até passei pela situação de acordar me sentindo sufocada”, explica Débora. No grupo, ela recebeu orientações para reeducação alimentar, como preparar os alimentos e sobre a importância do exercício físico. “Outra questão trabalhada é a compulsão alimentar, que era um problema para mim.” Agora, Débora avalia que seus hábitos melhoraram consideravelmente: “Passei a entender o que é comida, quando eu estou com fome de verdade ou somente com vontade de comer, aprendi a fazer escolhas saudáveis. Passei por uma reeducação, uma conscientização”. Serviço A SES-DF disponibiliza atendimento nutricional por meio da Atenção Primária, nas unidades básicas de saúde (UBSs), que são a porta de entrada do cidadão ao Sistema Único de Saúde (SUS). É possível encontrar a UBS de referência por meio do site InfoSaúde, adicionando o CEP. *Com informações da Secretaria de Saúde  

Ler mais...

Ordenar

Ordenar

Faceta do tipo

Tipo

Filtro personalizado

Faceta da marca

Marcador