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Segurança reúne lideranças religiosas em Planaltina e amplia rede de proteção às mulheres

Com foco na prevenção e no enfrentamento à violência contra a mulher, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) realizou, nesta quarta-feira (4), mais uma edição do Programa Aliança Protetiva. Desta vez, o encontro ocorreu em Planaltina e reuniu lideranças religiosas e comunitárias para fortalecer a atuação conjunta na identificação de situações de violência, no acolhimento das vítimas e no encaminhamento aos serviços especializados da rede de proteção. Realizado na Coordenação Regional de Ensino de Planaltina, o encontro teve como um dos principais destaques a apresentação do Protocolo de Acolhimento e Encaminhamento. O documento estabelece orientações para que instituições religiosas e sociais possam reconhecer sinais de violência, oferecer uma escuta acolhedora, identificar situações de risco e encaminhar as mulheres, de forma segura, aos serviços de atendimento e proteção. A iniciativa parte do reconhecimento de que igrejas, templos e organizações comunitárias estão presentes no cotidiano das famílias e, muitas vezes, representam o primeiro espaço de confiança procurado por mulheres que enfrentam situações de violência. Para o secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury, ampliar a rede de proteção exige a participação de diferentes setores da sociedade. “O enfrentamento à violência contra a mulher não pode ficar restrito à atuação das forças de segurança. Precisamos estar presentes também nos espaços onde essas mulheres buscam apoio e encontram pessoas em quem confiam. Ao preparar lideranças religiosas e comunitárias para reconhecer sinais de violência e orientar o encaminhamento adequado, fortalecemos a prevenção e ampliamos as possibilidades de proteção”, destacou.  Informação Durante a programação, os participantes receberam o Guia Prático de Acolhimento e Encaminhamento, material elaborado pela SSP-DF para facilitar a aplicação do protocolo no cotidiano das instituições | Foto: Divulgação/SSP-DF Durante a programação, os participantes receberam o Guia Prático de Acolhimento e Encaminhamento, material elaborado pela SSP-DF para facilitar a aplicação do protocolo no cotidiano das instituições. A publicação reúne orientações sobre como identificar situações de violência, realizar uma escuta respeitosa, evitar a revitimização e buscar os serviços especializados. A secretária-executiva institucional e de Políticas de Segurança Pública, Regilene Siqueira, ressaltou a importância de transformar a proximidade das lideranças com a comunidade em uma oportunidade de acolhimento e proteção. “Muitas mulheres procuram primeiro alguém de sua comunidade religiosa, uma pessoa em quem confiam, antes mesmo de buscar um serviço público. Nosso objetivo é preparar essas lideranças para que saibam acolher sem julgar, ouvir com respeito e orientar com segurança. Não se trata de substituir os serviços especializados, mas de construir pontes para que essas mulheres tenham acesso à proteção de que precisam”, explicou. “Muitas mulheres procuram primeiro alguém de sua comunidade religiosa, uma pessoa em quem confiam, antes mesmo de buscar um serviço público. Nosso objetivo é preparar essas lideranças para que saibam acolher" Regilene Siqueira, secretária-executiva Institucional e de Políticas de Segurança Pública A programação contou com palestra da subsecretária Elizabeth Cristina Frade, que abordou as diferentes formas de violência contra a mulher e apresentou as diretrizes do protocolo. A delegada Mariana Araújo Almeida, da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher II (Deam II), tratou do atendimento policial especializado e dos mecanismos legais de proteção às vítimas. O encontro também promoveu um painel de diálogo inter-religioso e social, reunindo representantes de diferentes tradições para discutir o papel das comunidades na prevenção da violência e no fortalecimento da rede de apoio. Conhecimento que chega à comunidade Entre os participantes, a percepção foi de que a formação oferece instrumentos para lidar com situações que já fazem parte da realidade de muitas famílias. A participante Celeste Barbosa Pinheiro, da creche Criança Cidadã, em Planaltina, que acompanha de perto situações de violência vivenciadas por mulheres de sua comunidade, destacou a importância de receber orientações práticas e também chamou a atenção para as dificuldades enfrentadas pelas vítimas após a prisão do agressor. “A palestra é muito boa. Algumas coisas eu já sabia, outras ainda não. Temos pessoas na comunidade que estão passando por essa situação. Com esse guia, posso levar o que aprendi para outras pessoas e acolher alguém da forma certa”, contou. Para Francisco Muniz, que atua em um centro de recuperação, o conhecimento adquirido também poderá contribuir para o trabalho de conscientização desenvolvido com os internos. “Eu trabalho com recuperação e sempre procuro orientar as pessoas a se colocarem no lugar do outro. É preciso pensar no respeito que queremos para nossa mãe, nossa família e para nós mesmos. Essa formação é muito importante porque posso levar essas orientações para o trabalho que já desenvolvo”, afirmou. Aliança pela proteção O Aliança Protetiva integra as ações de prevenção da secretaria e tem como proposta mobilizar instituições religiosas, organizações sociais e lideranças comunitárias para fortalecer uma cultura de respeito, acolhimento e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas. O programa está estruturado em ações de formação, mobilização, articulação institucional e produção de materiais orientativos, buscando aproximar a rede de proteção dos espaços de convivência da população.   *Com informações da SSP-DF

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Programa Aliança Protetiva é regulamentado

Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada. A atuação de lideranças religiosas e sociais na prevenção e no enfrentamento à violência contra mulheres e meninas passa a contar com regulamentação própria no Distrito Federal. Publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta segunda-feira (17), a portaria publicada formaliza o programa Aliança Protetiva, iniciativa que já vinha sendo desenvolvida pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) por meio de encontros formativos e ações de orientação junto às comunidades. A formalização é resultado do amadurecimento de um trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos, a partir da experiência dos encontros formativos realizados em diferentes regiões administrativas e do diálogo com lideranças religiosas e sociais. A regulamentação dá caráter permanente ao trabalho e estabelece diretrizes para capacitação das lideranças, mobilização comunitária, articulação com a rede de proteção e produção de materiais educativos. Também passam a integrar formalmente o programa um termo de adesão para as instituições interessadas e um protocolo de acolhimento e encaminhamento de pessoas em situação de violência doméstica e sexual. A participação das instituições é voluntária. A proposta é ampliar o acesso da população às informações e aos serviços especializados, aproveitando a proximidade que igrejas, organizações sociais e lideranças comunitárias mantêm com moradores de diferentes regiões do Distrito Federal. A atuação tem caráter preventivo e complementar e não substitui as atribuições das forças de segurança, dos órgãos do sistema de justiça ou dos demais serviços que integram a rede de proteção. Capacitação O programa prevê encontros formativos, seminários, palestras e oficinas destinados a preparar lideranças religiosas e sociais para reconhecer situações de violência | Fotos: Divulgação/SSP-DF O Aliança Protetiva prevê encontros formativos, seminários, palestras e oficinas destinados a preparar lideranças religiosas e sociais para reconhecer situações de violência e orientar corretamente mulheres que procurem essas instituições. As atividades também abordam formas adequadas de acolhimento, cuidados para evitar a revitimização e os canais disponíveis para atendimento e proteção. Com a formalização, o programa passa a ser organizado em quatro eixos: Formação e capacitação, Mobilização comunitária, Articulação com a rede de proteção e Produção de conhecimento e materiais educativos. As instituições que aderirem poderão atuar como pontos de apoio comunitário na prevenção da violência, desde que observem as orientações e os limites definidos pelo programa. Protocolo orienta o acolhimento Uma das principais medidas formalizadas pela portaria é o Protocolo de Acolhimento e Encaminhamento de Pessoas em Situação de Violência Doméstica e Sexual, destinado a orientar as instituições participantes diante de relatos ou indícios de violência. O documento estabelece que o atendimento deve priorizar respeito, discrição, proteção e cuidado. Entre as orientações estão realizar a escuta em ambiente reservado e seguro, evitar julgamentos ou questionamentos que atribuam culpa à vítima e não incentivar reconciliação ou mediação enquanto houver situação de risco ou violência ativa. O protocolo também reforça que argumentos religiosos não devem ser utilizados para justificar a permanência da mulher em contexto de violência. Níveis de risco Para facilitar a adoção das providências adequadas, o protocolo organiza as situações em três níveis: risco iminente, violência contínua e sem risco atual. São considerados indicativos de risco iminente, entre outros fatores, ameaça de morte, presença do agressor nas proximidades, posse ou acesso a arma e descumprimento de medida protetiva. Nessas situações, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190 e não tentar realizar mediação ou contato com o agressor. Nos casos de violência contínua, a mulher poderá ser orientada sobre o registro de ocorrência, a solicitação de medida protetiva de urgência e o acesso aos serviços especializados Nos casos de violência contínua, a mulher poderá ser orientada sobre o registro de ocorrência, a solicitação de medida protetiva de urgência e o acesso aos serviços especializados. Quando não houver risco atual, a atuação poderá envolver orientação, encaminhamento aos serviços da rede e, se houver interesse da mulher, acompanhamento comunitário ou espiritual responsável. Rede de Proteção As instituições participantes deverão manter atualizadas as informações sobre os serviços públicos disponíveis para facilitar o encaminhamento das mulheres atendidas. Entre os canais previstos no protocolo estão a Central de Atendimento à Mulher, pelo 180; a Polícia Militar, pelo 190; e a Polícia Civil, pelo 197, além dos centros especializados de atendimento à mulher (Ceams), Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e serviços de saúde. Nos casos de violência sexual recente, a orientação é buscar imediatamente atendimento em uma unidade de saúde ou hospitalar para os cuidados necessários e eventual coleta de vestígios. Quando houver criança ou adolescente envolvido, o protocolo prevê, ainda, comunicação ao Conselho Tutelar da respectiva região administrativa e, quando cabível, à Polícia Civil do DF.   *Com informações da SSP-DF

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