Encontro reforça enfrentamento ao feminicídio como política de Estado
Autoridades, especialistas e lideranças femininas participaram, nesta quinta-feira (26), do evento “O Brasil pelas Mulheres — Proteção a Todo Tempo”, promovido pelo jornal Correio Braziliense em parceria com a TV Brasília para ampliar o debate sobre o enfrentamento à violência de gênero, às vésperas do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. O encontro contou com a presença da vice-governadora Celina Leão, e da secretária da Mulher, Giselle Ferreira, e do secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar. Durante o encontro, o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, ressaltou: “Combater o feminicídio exige envolver toda a sociedade civil” | Foto: Divulgação/SSP-DF O evento integra uma série de iniciativas do jornal voltadas à ampliação do diálogo sobre violência contra a mulher e à construção de soluções coletivas. Celina Leão reforçou: “O enfrentamento à violência contra a mulher no DF é uma política de Estado sólida. Estruturamos uma rede de proteção que é referência nacional por integrar prevenção, capacitação e acolhimento. Para o nosso governo, garantir a segurança das mulheres é um compromisso diário traduzido em investimentos e ações reais, pois proteger as mulheres deve ser um compromisso de toda a sociedade”. Luta de todos Para a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), espaços como esse promovido pelo jornal fortalecem a articulação entre poder público, imprensa e sociedade civil, consolidando uma rede de proteção que deve atuar o tempo todo — na prevenção, na denúncia, na investigação e na responsabilização. “Quando o assunto é feminicídio, não há o que comemorar enquanto houver uma única mulher assassinada por razão de gênero”, declarou Sandro Avelar. “Todos os estados estão buscando formas de enfrentar essa realidade, e aqui no DF trabalhamos de forma integrada, com protocolo específico que determina que toda morte violenta de mulher seja inicialmente investigada como feminicídio. Isso evita a subnotificação, fortalece a investigação e demonstra que essa é uma política de Estado, não uma pauta que possa ser politizada. É uma luta de todos nós.” “Para o nosso governo, garantir a segurança das mulheres é um compromisso diário traduzido em investimentos e ações reais, pois proteger as mulheres deve ser um compromisso de toda a sociedade” Celina Leão, vice-governadora O secretário também enfatizou o papel da sociedade no enfrentamento à violência: “É triste saber que, muitas vezes, vizinhos e familiares tinham ciência de que aquela mulher sofria violência e ninguém denunciou. Combater o feminicídio exige envolver toda a sociedade civil”. Giselle Ferreira falou sobre o programa Acolher Eles e Elas, destinado aos órfãos do feminicídio: “É um benefício de um salário mínimo. Hoje cuidamos de mais de 207 órfãos. Além do apoio financeiro, os órfãos e as famílias são acompanhados pelos especialistas da SMDF para amenizar os impactos psicológicos das crianças e jovens. É mais uma política pública de assistência às vítimas realizada pelo Governo do Distrito Federal”. Denuncie [LEIA_TAMBEM]Além do registro presencial de ocorrências em delegacias, a Polícia Civil (PCDF) disponibiliza o registro de ocorrência por meio da plataforma Maria da Penha Online. A comunicante pode enviar provas com fotos, vídeos e requerer acolhimento. Outros canais de denúncia são o e-mail denuncia197@pcdf.df.gov.br; o telefone 197, opção zero; e o WhatsApp (61) 98626-1197, além do 190, da Polícia Militar (PMDF), disponível para atendimento emergencial. *Com informações da Secretaria de Segurança Pública
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Espaços para reeducar os autores de violência doméstica e familiar
Núcleo de Atendimento, que busca recuperar os agressores, vai ganhar sede própria. Atualmente conta com espaços no Ministério Público e no Judiciário do DF | Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília [Olho texto=”“Encontrei profissionais preparados, que sabem falar da maneira certa com a gente e nos ensinam como resolver as situações, sem precisar extrapolar” ” assinatura=”José (nome fictício), 39 anos, sobre experiência no Núcleo de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (Nafavd)” esquerda_direita_centro=”esquerda”] O desentendimento com a esposa fez com que José (nome fictício), 39 anos, fosse denunciado por violência doméstica. Ele não tinha ideia de que a agressão verbal também poderia causar à sua companheira uma série de danos psicológicos. Durante o processo na Justiça, o pintor foi encaminhado para o Núcleo de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (Nafavd) da cidade do Distrito Federal onde mora e começou a escrever um novo capítulo de sua vida matrimonial. “Tenho 21 anos de casado e 2 filhos com a minha esposa. São muitas histórias vividas juntas”, lembra José. “Eu ficava cego em certas situações e não sabia como resolver. Ir para o Nafavd foi a melhor coisa que eu já fiz. Encontramos profissionais preparados, que sabem falar da maneira certa com a gente e nos ensinam como resolver as situações, sem precisar extrapolar”, elogia. Ao todo, a capital tem 9 unidades (confira abaixo) que acompanham mulheres e homens envolvidos em situações de violência doméstica e familiar contra elas, tipificadas pela Lei Maria da Penha. Ericka Filippelli, secretária da Mulher: nova meta é atender demandas espontâneas, sem precisar de encaminhamento judicial | Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília Sede própria Nos espaços cedidos aos núcleos, em sedes do Ministério Público do DF e do Tribunal do DF, há acompanhamento interdisciplinar a partir das perspectivas de gênero e de Direitos Humanos, por meio de espaços de escutas, reflexão e empoderamento das mulheres, assim como o trabalho de responsabilização, reeducação e reflexão com os autores. A secretária da Mulher, Ericka Filippelli, adianta que o Nafavd vai ganhar sede própria. A pasta ainda estuda onde será a nova unidade. “A assistência aos autores contribui para a diminuição da reincidência de casos. É uma das formas de combater a violência contra mulher. Agora, vamos implantar um espaço para atender demandas espontâneas, sem a necessidade de ser um caso judicializado”, explica. “Precisamos entender as diferenças de gênero. Os homens são fruto de uma sociedade machista. Eles acham que não precisam pedir e receber ajuda. Com os nossos servidores de excelência, podemos fazer com que eles reconheçam e se responsabilizem por essas ações. Dessa forma, transformando o número de reincidência a quase zero”, destaca a secretária. [Olho texto=”“Não podemos colocar essa mudança deles nas costas das mulheres. O homem não é a vítima. É um processo de reflexão para que eles entendam os privilégios e as diferenças”” assinatura=”Victor Valadares, psicólogo do Nafavd de Samambaia” esquerda_direita_centro=”direita”] Atendimento remoto Devido à pandemia do novo coronavírus, o atendimento tem acontecido de forma remota. João (nome fictício), 50 anos, é um dos autores que está recebendo essa assistência na segurança de sua casa. Ele conta que teve uma briga com a filha quando ela fugiu para ir a uma festa. “Ela estava embriagada. Meu intuito era protegê-la e levá-la para casa. Os vizinhos acharam que eu exagerei e me denunciaram. Além de usar a tornozeleira eletrônica, também fui orientado a ter esse acompanhamento no núcleo”, lembra o almoxarife. “Foi muito importante para mim. Lá aprendemos a lidar com vários sentimentos, como a raiva, o medo, a angústia. Também conversamos e trocamos experiência com outras pessoas que passaram por situações parecidas”, comenta João. “Agora eu sei como lidar com esse episódios, que há outras maneiras de resolver sem violência”, afirma. As reuniões virtuais ocorrem uma vez por semana por cerca de 1h30 com até 12 pessoas. Psicólogo do Nafavd de Samambaia, Victor Valadares, explica que o atendimento vai desde o acolhimento da pessoa até o acompanhamento. “Durante os encontros debatemos sobre vários temas, como os tipos de violência, a Lei Maria da Penha, estupro, objetificação da mulher, entre outros. Também trazemos casos reais para que possamos discutir sobre o assunto. São formas de estratégias para que eles reflitam e mudem o comportamento”, comenta. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] “Muitos deles não acham que um empurrão é uma forma de violência, por exemplo, ou que a agressão é só se for a física. É fundamental trabalhar essas questões com os homens porque eles são os vetores da violência. Não podemos colocar essa mudança deles nas costas das mulheres. O homem não é a vítima. É um processo de reflexão para que eles entendam os privilégios e as diferenças”, destaca o psicólogo. Endereços Confira os endereços dos Núcleos de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica: Plano Piloto Endereço: Edifício Fórum Desembargador José Júlio Leal Fagundes – SMAS Trecho 3, lote 4/6, Bloco 1, Térreo, Sala 30 Telefones: (61) 3343-6553 e (61) 99323-6567 E-mail: nafavd.brasilia@gmail.com Brazlândia Endereço: Edifício Fórum de Brazlândia, Área Especial 4, 1º andar, Sala 175 – Setor Tradicional Telefones: (61) 3479-6506 e (61) 99199-7518 E-mail: nafavd.brazlandia@sedes.df.gov.br Gama Endereço: Quadra 1, lotes 860/880, Sala 101 e 103 – Setor Industrial Leste – Edifício da Promotoria de Justiça do Gama Telefones: (61) 3384-7469 e (61) 99120-5114 E-mail: nafavdgama@gmail.com Paranoá Endereço: Quadra 4, Conjunto B, Sala 109/111 – Grande Área – Edifício da Promotoria de Justiça do Paranoá Telefones: (61) 3369-6850 e (61) 99206-6281 E-mail: nafavd.paranoa@gmail.com Planaltina Endereço: Edifício da Promotoria de Justiça de Planaltina – Área Especial 10/A, Térreo, Sala 120/124 – Setor Tradicional Telefones: (61) 3388-1984 e (61) 99199-4674 E-mail: nafavd.planaltina@sedes.df.gov.br Samambaia Endereço: Quadra 302, Conjunto 1, Lote 3, Sala 1.170, 1º andar – Edifício Fórum Desembargador Raimundo Macedo – Samambaia Sul Telefones: (61) 3358-7476 e (61) 99530-9675 E-mail: nafavdsamambaia01@gmail.com Santa Maria Endereço: QR 211, Conjunto A Lote 109 – Edifício da Promotoria Telefones: (61) 3394-3006 e (61) 99516-1772 E-mail: nafavd.stamaria@gmail.com Sobradinho Endereço: Promotoria de Justiça de Sobradinho – Quadra Central, Bloco 7, Térreo – Edifício Sylvia Telefones: (61) 3591-3640 e (61) 99501-6007 E-mail: nafavdsobradinho@gmail.com Taguatinga Endereço: Coordenadorias das Promotorias de Justiça de Taguatinga, Setor C Norte, Área Especial para Clínicas, Lotes 14/15, Sala 221 – Taguatinga Norte Telefones: (61) 3552-2064 e (61) 99527-1962 E-mail: taguatinga.nafavd@gmail.com
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