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Festival de cultura do sistema socioeducativo tem programação variada

A Secretaria de Justiça e Cidadania do DF (Sejus) segue com valorização da arte na atuação com os socioeducandos. Neste ano, a segunda edição do Festival de Cultura e Lazer para os adolescentes e jovens do sistema socioeducativo será realizada nesta quarta (8) e na quinta (9), das 9h às 12h e das 14h às 17h, no Espaço Cultural Renato Russo, localizado na 508 Sul. O tema escolhido deste ano é orgulho negro. O objetivo é incentivar as práticas culturais desenvolvidas por socioeducandos com apoio dos servidores do sistema socioeducativo e fortalecer os aspectos psicológico, emocional e social desses jovens. Na programação, haverá palestras, apresentações musicais, performances artísticas, vídeos e debates voltados à temática. A partir da arte, o festival fortalece os aspectos psicológico, emocional e social desses jovens | Fotos: Divulgação/ Sejus- “A arte tem um papel de transformação social e emocional. Trabalhar esses aspectos é fundamental para o desenvolvimento social do socioeducando, com a proposta de contribuir para a reinserção na sociedade”, destaca a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani. Desde março, foram realizadas atividades pedagógicas nas unidades socioeducativas que tiveram o esporte, a cultura e o lazer como objetivos centrais. As ações focaram na temática escolhida para o festival, e o resultado de alguns desses trabalhos será apresentado durante o evento. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] No decorrer dos meses, servidores da Sejus participaram de todo esse processo com os socieducandos a partir do diálogo e do compartilhamento entre saberes acadêmicos e populares, fomentando a produção de conhecimento. Exposição Os interessados poderão conferir os trabalhos desenvolvidos pelos socioeducandos no Espaço Cultural Renato Russo até o dia 22 deste mês. São 150 itens artísticos que vão desde telas, desenhos, esculturas, entre outros. *Com informações da Sejus

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Cultura é meio de ressocialização em unidade de internação de Santa Maria

É na poesia que o jovem J.H.M.A, 19 anos, consegue se expressar melhor. Em frases ritmadas, com jogos de palavras e figuras de linguagem, ele encontra um espaço livre, educativo e democrático para transmitir pensamentos, desejos e reivindicações. Há um ano na Unidade de Internação de Santa Maria, ele já escreveu mais de 130 letras de música e conquistou, no dia 29 de setembro, o título de melhor composição na 1ª Edição do SlaMais Direitos, realizado pelo Projeto RAP – Ressocialização, Autonomia e Protagonismo, com apoio da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus). “O projeto vem transformando a minha vida. Com a ajuda dos professores, estou aprendendo a me expressar mais. Fora daqui, quero lançar música, virar MC, ajudar minha filha e mostrar que o processo socioeducativo pode, sim, ressocializar. Voltar para cá só se for para me apresentar como artista”, compartilha J.H.M.A. Além dele, outros jovens e adolescentes da Unidade de Internação de Santa Maria participaram da batalha poética, ajudando em composições coletivas ou subindo ao palco para declamar a produção ao público. 1ª Edição do SlaMais Direitos foi realizada pelo Projeto RAP e pela Secretaria de Justiça e Cidadania | Fotos: Tony Oliveira/Agência Brasília O diretor da Unidade de Internação de Santa Maria, Lucian Rocha, afirma que a cultura, o esporte e a educação básica são eixos desenvolvidos entre os internos De acordo com o diretor da unidade, Lucian Rocha, a cultura é um dos eixos desenvolvidos entre os internos, além do esporte e da educação básica, por meio de parcerias. “Para todo tipo de projeto, eles estudam o conteúdo antes e, no caso do slam, foram trabalhados temas como direitos humanos. De certa forma, traz a perspectiva de avaliação da conduta deles dentro e fora da unidade e de como podem melhorar, como uma reflexão”, afirma Rocha. O subsecretário do Sistema Socioeducativo da Sejus, Demontiê Filho, alega que todo o trabalho desenvolvido pelo Governo do Distrito Federal (GDF), no sentido de ressocialização de jovens e adolescentes, visa incentivar o rompimento definitivo com a trajetória no ato infracional. “Sabemos que boa parte desses meninos estão em evasão escolar e, por isso, a escolaridade é baixa. Não tiveram acesso a esporte, cultura e lazer, o que aumenta a vulnerabilidade e pode levar à prática do ato infracional. Então, é de extrema importância, e uma das preocupações da Secretaria de Justiça promover ações e parcerias em todos os eixos previstos na legislação, quais sejam esporte, cultura, lazer, educação, entre tantos outros, que levam os jovens e adolescentes a se entenderem enquanto sujeitos de direito e protagonistas da própria vida em uma perspectiva diferente”, explana o subsecretário. Ferramenta pedagógica Criação da Associação Respeito e Atitude (Area), o Projeto RAP surgiu em 2015 dentro da Unidade de Internação de Santa Maria. Em sete anos de existência, o projeto alcançou mais de mil jovens e soma diversos lançamentos culturais, como curtas-metragens, CDS e livros com composições dos participantes. “Utilizar o rap e a cultura urbana como ferramenta pedagógica foi uma coisa que partiu dos próprios socioeducandos, mostrando, como disse Paulo Freire, que eles não são copos vazios, carregam letramentos com eles e com elas que muitas vezes nós educadores não carregamos”, frisa o professor de história da unidade e um dos criadores do projeto, Francisco Celso. O presidente da Associação Respeito e Atitude, Heitor Valente, diz que o Projeto RAP realiza um trabalho preventivo em unidades de ensino do DF para evitar a internação de novos jovens, bem como um acompanhamento na saída do socioeducando, para prevenir a reincidência O presidente da Associação Respeito e Atitude, rapper, educador e amigo de Celso há mais de 20 anos, Heitor Valente, acrescenta que o projeto realiza um trabalho preventivo em unidades de ensino do DF para evitar a internação de novos jovens, bem como um acompanhamento na saída do socioeducando, para prevenir a reincidência. E o resultado tem sido muito positivo. “[O projeto] tem tomado cada vez mais proporção e trazido muitos jovens para o debate sobre o papel deles na sociedade. O índice de reincidência diminuiu muito. Conversamos com temas relevantes para a sociedade, como gênero, racismo, machismo, etc, e sabemos que é importante que eles tenham esse debate dentro do ambiente pedagógico escolar, onde possam não só falar, como serem escutados também”, salienta Valente. Egressa do sistema socioeducacional, a rapper e slammer Majestoza descobriu o interesse musical a partir do Projeto RAP. Até então, não via perspectiva de futuro e nem enxergava o próprio potencial na arte. Ela foi uma das juradas da 1ª Edição do SlaMais. “Quando a gente entra em uma unidade de internação, queremos desistir de tudo, porque ficamos longe da família, dos amigos, da liberdade. Então, a arte te resgata, ocupa a sua mente, você põe tudo aquilo que sente no papel”, conta. “Hoje me vejo como um exemplo, quero que as meninas e meninos do socioeducativo olhem para mim e pensem ‘se ela conseguiu, eu também consigo’”, diz.

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Talento de jovem é revelado no sistema socioeducativo

O plano de Rael para quando deixar o sistema socioeducativo é fazer um curso de tatuagem: “Quero estudar e dar orgulho para minha família” | Foto: Jefferson Euriques/Sejus-DF O Dia Mundial da Arte é celebrado nesta quinta-feira (15). Na data, criada em referência a Leonardo da Vinci, a homenagem da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus) também é para um pintor: o socioeducando Rael, de 16 anos. Esse é o nome artístico do adolescente que descobriu sua habilidade com a pintura na Unidade de Internação de Santa Maria. [Olho texto=”“Quando entrei na unidade só desenhava, com lápis e caneta. Aqui, eu aprendi que também podia pintar graças às pessoas que cuidam de nós na internação. Eles viram que eu tinha um dom e compraram as coisas para mim”” assinatura=”Rael, socioeducando” esquerda_direita_centro=”direita”] “Quando entrei na unidade só desenhava, com lápis e caneta. Aqui, eu aprendi que também podia pintar graças às pessoas que cuidam de nós na internação. Eles viram que eu tinha um dom e compraram as coisas para mim. No começo não acreditei, mas hoje eu sei que tenho um dom e que eu sou um pintor!”, lembra o adolescente, que usa giz pastel oleoso sobre papel de desenho ou tela branca. Um dos servidores a perceber e incentivar o talento do jovem foi o especialista socioeducativo Walberth Teixeira, que mostrou ao artista como aprimorar sua técnica e a possibilidade de transformar o que era somente um passa tempo em profissão. “Apenas trabalhei um talento que já era dele”, diz. Hoje o servidor reconhece o quanto a arte faz a diferença no processo de ressocialização. “As pinturas têm contribuído para a vazão de sentimentos reprimidos, melhorando a fala e expressividade, ajudando no autocontrole, quesitos importantes no cumprimento da medida socioeducativa. Além disso, têm contribuído para o jovem ressignificar escolhas para o futuro”, completa Walberth. [Olho texto=”“As pinturas têm contribuído para a vazão de sentimentos reprimidos, melhorando a fala e expressividade, ajudando no autocontrole, quesitos importantes no cumprimento da medida socioeducativa”” assinatura=”Walberth Teixeira, especialista socioeducativo” esquerda_direita_centro=”esquerda”] São esses resultados que têm estimulado os demais servidores da unidade a apostarem no talento de Rael. A equipe se uniu para comprar os materiais de que o pintor precisa e chegou a abrir uma Vakinha On-line para levantar mais recursos. Os esforços não param por aí. Após solicitação dos servidores que atendem o adolescente, a Vara de Execução de Medidas Socioeducativas autorizou a abertura de um perfil no Instagram e de uma conta bancária em nome do jovem para que ele possa vender suas obras. “Histórias como essa nos mostram que estamos no caminho certo com os adolescentes do sistema socioeducativo. Temos uma equipe extremamente comprometida em mostrar a esses jovens o quanto eles têm potencial para mudar de vida e fazer novas escolhas”, comemora a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani. De setembro de 2020 até hoje, o adolescente já pintou 50 quadros. Desses, 19 foram vendidos, totalizando R$ 685,00, creditados diretamente na conta de titularidade do socioeducando e administrada por sua mãe. Com isso, Rael está aprendendo a gerenciar suas finanças, os custos de produtividade, e também a divulgar seu trabalho. E mais do que isso:  valorizar suas qualidades e sonhar. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”direita”] Depois de pintar telas, o plano para o futuro é fazer arte na pele. “Estou feliz por essa oportunidade. Quero fazer um curso de tatuagem quando sair daqui. Esse é o meu sonho! Quero estudar e dar orgulho para minha família. Eu vi que o trabalho pode me dar tudo o que eu quero”, revela o socioeducando. *Com informações da Secretaria de Justiça e Cidadania do DF

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