18/3/20 13:41
Atualizado em 18/3/20 às 13:41

Camilla Mendes: “Brasília é o meu café de cada dia”

A barista conta que, no sobe e desce das tesourinhas, escolheu ficar e fazer da capital seu lar e ganha-pão. “A cidade me apresentou um amor que é sempre o mesmo e sempre novo: o café”, conta

35dias para os 60 anos de Brasília

Em homenagem à capital federal, formada por gente de todos os cantos, a Agência Brasília está publicando, diariamente, até 21 de abril, depoimentos de pessoas que declaram seu amor à cidade.

 

Foto: Arquivo pessoal
Camilla Mendes diz que ninguém conhece Brasília como pensa, que todo dia é uma nova descoberta. “Brasília é uma pessoa. My favorite person”, abre o coração. Foto: Arquivo pessoal

 

“Brasília é uma pessoa. De natureza e concreto. Como qualquer relação longa, vivemos altos e baixos. A gente se entende, desentende. Muitas vezes, quis ir embora. Depois, ficar. Nas nossas brigas, prometo que vou mudar e não voltar, que ela é ingrata, que não sabe reconhecer talentos. 

Me esforço tanto! Eu quero fazer mais por você, pelos seus! Mas você fica aí, imóvel, fria. Nem deve saber o nome dos vizinhos!, grito. Ela, calada permanece. Às vezes, por meses. Seca meu gramado, leva minhas flores… Eu reinicio os planos de ir embora.

E, ó, se tem uma coisa que Brasília me ensinou foi a recomeçar. A vida é dinâmica e, como no Eixão, se a gente parar, todo mundo para.

Aí, sem mais nem menos, numa tarde de outubro, ela traz uma chuvinha. Sobe aquele cheiro de terra, de vida que me amolece… Lá vem Brasília me mostrando novos caminhos, novas maneiras de recomeçar. Um pedido silencioso de desculpas. É que a gente ainda tá se entendendo, ela diz.

E, ó, se tem uma coisa que Brasília me ensinou foi a recomeçar. A vida é dinâmica e, como no Eixão, se a gente parar, todo mundo para. Brasília é tímida. Demora a se abrir, mas se você cai nas suas graças, os setembros serão floridos. Ela é generosa. Quando chove, chove, e quando seca, ô…

Nesse sobe e desce das tesourinhas, eu escolhi ficar, fazer daqui meu lar e ganha-pão. Ganha café, no caso. Brasília tem isso na lista de prós. Me apresentou um amor que é sempre o mesmo e sempre novo: o café. E, com ele, construo outra relação. Apresentar aos outros uma nova visão, um novo sabor, uma maneira de se degustar o que se achava conhecer. 

Meu café é como Brasília. Ninguém a conhece como pensa, todo dia é descoberta. Brasília é uma pessoa. My favorite person.

Camilla Mendes, 37 anos, barista, moradora de Águas Claras

Depoimento concedido ao jornalista Freddy Charlson