Gamifica DF transforma equipamento clandestino em minicomputadores
O que antes era usado para a prática criminosa de pirataria de sinal de TV e internet, o popular "gato net", agora é a porta de entrada para a inclusão digital de milhares de jovens do Distrito Federal. Por meio do projeto Gamifica DF, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF), o Governo do Distrito Federal (GDF) reconfigura aparelhos de TV box apreendidos pela Receita Federal e transforma-os em minicomputadores para alunos da rede pública de ensino. O kit entregue aos estudantes é composto pelo aparelho adaptado, teclado e mouse, adquiridos separadamente pelo GDF para garantir o uso como um computador completo. Após o reajuste do modelo, o equipamento passa a ser um miniprocessador, que pode ser levado a qualquer lugar. O subsecretário de Promoção à Ciência e Desenvolvimento Tecnológico da Secti-DF, Milton Mendes, destaca o impacto social e o aumento dos investimentos na iniciativa. "Este ano, o investimento do GDF para o Gamifica foi de R$ 15 milhões. São equipamentos que seriam destruídos, não tinham serventia nenhuma ou seriam usados indevidamente pela população por meio da pirataria. Então, a gente atua fortemente na economia reversa, na transformação digital, na inovação e também na inclusão digital, principalmente aos jovens menos favorecidos", avalia. “Além da capacitação de jovens, e muitos não têm acesso à tecnologia em casa, eles podem participar de cursos de formação nas áreas de criação, design de jogos e IA, gerando profissões e movendo o empreendedorismo”. O kit entregue aos estudantes é composto pelo aparelho adaptado, teclado e mouse, adquiridos separadamente pelo GDF para garantir o uso como um computador completo | Fotos: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília O Gamifica existe desde 2024, e o projeto com os “gatos net” começou no ano passado. A partir do segundo semestre deste ano, terá início a segunda edição com as TV box. Em 2025, cerca de 20 mil alunos receberam o kit da iniciativa. A expectativa em 2026 é atender mais 22 mil estudantes. Parceria em diversas frentes Do ponto de vista ambiental, o projeto resolve um problema de logística e sustentabilidade. Caso não fossem destinados a projetos educacionais, a Receita Federal teria de destruir ou reciclar esses eletrônicos, operações que podem custar até R$ 2.300 por tonelada em contratos onerosos. No Distrito Federal, a Receita apreende, em média, de 300 a 400 aparelhos anualmente, número que chega a mais de 400 mil no contexto nacional. Para a auditora fiscal da Receita Federal e delegada-adjunta na alfândega do Aeroporto de Brasília, Juliana Moreira, a transformação desses equipamentos irregulares em ferramentas de estudo consolida um modelo de cooperação institucional em diversas frentes. "Do ponto de vista social, a iniciativa contribui para retirar de circulação equipamentos que poderiam ser utilizados de forma irregular e representar riscos à segurança digital”, afirma. Além de solucionar um problema de segurança, a iniciativa transforma os dispositivos em uma ponte de oportunidades. “Sob o aspecto tecnológico, o projeto amplia a inclusão digital ao transformar mercadorias apreendidas em microcomputadores destinados a ações educacionais e de capacitação. O Gamifica se consolida, assim, como um exemplo de cooperação institucional voltada à geração de benefícios concretos para a sociedade, unindo segurança, educação, sustentabilidade e transformação social", conclui a auditora. O coordenador do Gamifica, Guilherme Trent, detalha a capacidade do novo equipamento de suprir as necessidades educacionais básicas Processo A conversão tecnológica dos aparelhos é um processo cuidadoso que impede qualquer tipo de engenharia reversa para que o dispositivo volte a ser usado para a pirataria. O método, que antes exigia intervenções diretas na placa-mãe, foi modernizado e hoje leva cerca de 15 minutos, sendo feito por meio da instalação de um sistema operacional via cartão de memória. O coordenador do Gamifica, Guilherme Trent, detalha a capacidade do novo equipamento de suprir as necessidades educacionais básicas. "O que instalamos é o sistema operacional Linux, em uma versão portátil, que não tem todas as funções que o Linux de um computador tem, mas dá para fazer as coisas básicas. Tem navegador, dá para abrir um Libre Office e escrever um texto, fazer planilhas. Eles conseguem conectar o wi-fi e usar a internet tranquilamente", explica. Outro fator fundamental é a segurança do processo. O sistema operacional original, focado em pirataria, é completamente apagado da memória da máquina. "O processo sobrescreve tudo que já tinha antes, então não dá para voltar ao que estava. Transformou, já era", acrescenta Trent, enquanto demonstra a conversão de um dos aparelhos. O Gamifica DF não entrega apenas o equipamento, mas oferece capacitação profissional para os estudantes no contraturno escolar, com aulas de criação de jogos, design, inteligência artificial e tecnologia reversa, para que os alunos também aprendam a configurar os aparelhos de “gato net”. Trent destaca que a meta é democratizar o acesso à tecnologia para o maior número de alunos possível e usar o DF de vitrine. "A gente quer que todas as crianças tenham oportunidade de falar que participaram do Gamifica. Qualquer criança na rua um dia vai falar que conhece o projeto e que já recebeu um kit. Essa é a nossa intenção. Nós queremos ter esse tipo de impacto no Brasil inteiro", projeta o coordenador.
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Brasília é eleita a melhor cidade do mundo para nômades digitais
Capital com a melhor qualidade de vida do país, Brasília acaba de ser eleita, também, a melhor cidade do mundo para nômades digitais — profissionais que trabalham remotamente e, assim, vivem em diferentes locais. Em levantamento da plataforma norte-americana InsureMyTrip — referência na comparação de preços de seguro de viagem —, a capital federal recebeu a maior nota do planeta e deixou para trás cidades como Lisboa, Madri e Buenos Aires. Estrategista digital e gestora de redes sociais, Michelle Macedo nasceu em Brasília, já viveu em mais de 50 cidades e destaca o que a atrai na capital federal: “Primeiro, uma boa internet; segundo, o Aeroporto de Brasília é um hub, tem voos para muitos destinos — além de ficar aberto 24 horas por dia” | Foto: Daleth Mendes “Com isso, Brasília se estabelece não só como capital política, mas como um modelo de cidade inteligente e conectada, pronta para os desafios do futuro digital e globalizado” Alexandre Villain, secretário em exercício de Ciência, Tecnologia e Inovação Na pesquisa, foram avaliados pontos como velocidade da internet, índice de felicidade da população, custo de vida e custo para tirar um visto, horas de sol por dia, quantidade de cartões-postais e nível de segurança. Brasília alcançou uma nota média de 7,26. Budapeste, na Hungria, ficou em segundo lugar, com 7,06. Montevidéu, no Uruguai, fecha o top 3, com 6,87. Tecnologia e cultura “Essa combinação entre enriquecimento cultural, crescimento pessoal e facilidades no dia a dia é uma das formas que nos ajudam a atrair investimento estrangeiro para a nossa capital” Paco Britto, secretário de Relações Internacionais “A inclusão de Brasília no topo do ranking do site InsureMyTrip reflete nosso sucesso em combinar acessibilidade tecnológica, segurança e uma rica vida cultural e recreativa, tornando a cidade um local ideal para nômades digitais e profissionais do digital de todas as partes”, aponta o secretário em exercício de Ciência, Tecnologia e Inovação, Alexandre Villain. O gestor cita projetos da pasta nesse sentido, como o Wi-Fi Social, o Gamifica DF e o Brasili.IA, além da atração de eventos para a cidade, a exemplo da Campus Party, do Innova Summit e da Pixel Show. “Com isso, Brasília se estabelece não só como capital política, mas como um modelo de cidade inteligente e conectada, pronta para os desafios do futuro digital e globalizado”, afirma. O secretário de Relações Internacionais, Paco Britto, comemora a notícia: “Mais uma vez, uma entidade independente escolheu Brasília como melhor lugar para se viver. O nômade digital pode trabalhar em qualquer lugar do mundo, mas, morando em Brasília, ele desfruta da segurança e da qualidade de vida da cidade, fruto da gestão Ibaneis Rocha. Essa combinação entre enriquecimento cultural, crescimento pessoal e facilidades no dia a dia é uma das formas que nos ajudam a atrair investimento estrangeiro para a nossa capital”. Estilo de vida A capital brasileira teve a melhor nota no índice de felicidade da população. No ano passado, Brasília também foi eleita a capital com maior qualidade de vida do país no Índice de Progresso Social Brasil. Na pesquisa do InsureMyTrip, o DF ainda foi bem-avaliado em outros quesitos chamados de “estilo de vida” pela plataforma, como o custo para moradores e a média de horas de sol. Com voos diretos para todas as capitais brasileiras e para nove destinos no exterior, o Aeroporto Internacional de Brasília é frequentemente citado como um dos mais pontuais do mundo | Foto: Inframerica/Divulgação “Brasília é frequentemente recomendada devido ao baixo custo de vida, com uma média de US$ 819 para uma única pessoa, o que é 2,46 vezes menor do que nos Estados Unidos”, reforçou a plataforma, ao eleger a cidade. “Brasília se tornou a capital em 1960 e tem uma localização central, com uma riqueza de atividades de lazer e locais culturais. Tem uma pontuação de felicidade de 6,3, e o clima também é um motivo atraente para viver lá por um curto prazo, com uma média de 6,6 horas de sol por dia para aproveitar enquanto trabalha remotamente.” “Brasília é uma cidade que combina modernidade, qualidade de vida e uma infraestrutura de excelência, o que a torna não apenas a capital com a melhor qualidade de vida do Brasil, mas também um destino ideal para nômades digitais. Esse reconhecimento internacional reforça nosso compromisso em oferecer um ambiente acolhedor, seguro e inspirador, onde inovação e cultura se encontram. Estamos prontos para receber cada vez mais profissionais que buscam aliar produtividade a uma experiência de vida única”, afirma o secretário de Turismo, Cristiano Araújo. Nômade há três anos, a estrategista digital e gestora de redes sociais Michelle Macedo, 36, elencou qualidades da capital federal que, na visão dela, podem ser atrativas para profissionais desse tipo: “Primeiro, uma boa internet; segundo, o Aeroporto de Brasília é um hub, tem voos para muitos destinos — além de ficar aberto 24 horas por dia. Também está perto de um ponto, para quem curte natureza, que é a Chapada dos Veadeiros, que é um dos mais visitados do Brasil”. Nascida em Brasília, Michelle já morou em mais de 50 cidades do Brasil e do mundo e, atualmente, vive em João Pessoa (PB). O Aeroporto de Brasília, de fato, é um destaque da cidade. Com voos diretos para todas as capitais brasileiras e para nove destinos no exterior, o local é frequentemente citado como um dos mais pontuais do mundo e, em 2024, registrou 67 mil embarques e desembarques internacionais, contribuindo para que o DF atingisse a marca de 60 mil turistas estrangeiros no ano passado. Veja, abaixo, a lista das cidades eleitas pelo InsureMyTrip, com as devidas pontuações. ⇒ Brasília (Brasil) – 7,26 ⇒ Budapeste (Hungria) – 7,06 ⇒ Montevidéu (Uruguai) – 6,87 ⇒ Lisboa (Portugal) – 6,75 ⇒ Kuala Lumpur (Malásia) – 6,74 ⇒ Madri (Espanha) – 6,70 ⇒ Nicósia (Chipre) – 6,51 ⇒ Buenos Aires (Argentina) – 6,45 ⇒ Podgorica (Montenegro) – 6,42 ⇒ San José (Costa Rica) – 6,41.
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Brasília recebe evento inédito voltado para o mercado de jogos eletrônicos
Nos dias 6 e 7 de dezembro, o Centro de Convenções recebeu a primeira edição do Artcode Summit. Voltado ao mercado de jogos eletrônicos, o evento ofereceu a oportunidade de conhecer e testar os projetos desenvolvidos pelos estúdios brasilienses. Iniciativa pioneira no país, o encontro reuniu profissionais, estudantes, entusiastas e iniciantes da área para fomentar o networking, promover aprendizado e dar visibilidade a talentos independentes. Iniciativa pioneira no país, o encontro reuniu profissionais, estudantes, entusiastas e iniciantes da área para fomentar o networking, promover aprendizado e dar visibilidade a talentos independentes | Foto: Divulgação/Secti-DF Durante a abertura, o secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação, Alexandre Villain, destacou a importância do setor e a necessidade de formação de novos profissionais. “O mercado de games é um dos segmentos da indústria do entretenimento que mais crescem atualmente. Segundo os dados mais recentes, o Brasil conta, hoje, com cerca de 1.042 estúdios e é o maior mercado latinoamericano. Aqui no DF, temos vários projetos desenvolvidos que receberam reconhecimento nacional e internacional”, afirmou. “Ciente deste cenário e das grandes oportunidades que este setor oferece, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti-DF) lançou o programa Gamifica DF com o objetivo de formar novos talentos nas áreas de desenvolvimento, design e marketing de jogos eletrônicos”, finalizou. Durante os dois dias, a programação incluiu palestras com especialistas renomados tanto nacional quanto internacionalmente, além de workshops sobre desenvolvimento profissional, criação de personagens, publicação de games, dentre outros temas. *Com informações da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal (Secti-DF)
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Gamifica DF chega ao Sol Nascente e Recanto das Emas em agosto
Maior nicho do entretenimento no mundo em termos de receita, o mercado de games tem sido bem explorado no Distrito Federal. Uma das inúmeras iniciativas parte exatamente da administração pública, por meio do projeto Gamifica DF, no qual o Governo do Distrito Federal (GDF) investe R$ 9 milhões para capacitar mais de 6 mil pessoas. Projeto investe no incentivo aos jogos eletrônicos por meio de cursos em três modalidades | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília O projeto passou pela Asa Norte e está em andamento em Águas Claras e no Varjão. Em agosto, as vagas serão abertas no Sol Nascente/Pôr do Sol e no Recanto das Emas. Para quem deseja se matricular no curso, basta acessar o Instagram do projeto ou o site Gamifica. O projeto é destinado a pessoas de 14 a 60 anos com ensino fundamental completo. “Na primeira rodada, tivemos aceitação e demanda maiores do que o esperado, então decidimos fazer mais dois ciclos do Gamifica DF” Leonardo Reisman, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação Fruto de parceria da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do DF (Secti) com a ONG Líderes do Brasil, a iniciativa tem o objetivo de impulsionar o setor de jogos eletrônicos do DF, oferecendo cursos com certificado divididos em três modalidades: Marketing aplicado a jogos eletrônicos, Desenvolvimento de jogos eletrônicos e Designer de jogos eletrônicos. A iniciativa tem dado certo, tanto que a pasta vai aumentar a oferta. “Vamos triplicar o programa”, anuncia o titular da Secti, Leonardo Reisman. “Na primeira rodada, tivemos aceitação e demanda maiores do que o esperado, então decidimos fazer mais dois ciclos do Gamifica DF, com 15 unidades abertas em 15 regiões administrativas”. O secretário comemora os resultados: “Nós temos programas de capacitação em tecnologias gerais, ciência de dados, mas percebemos que o jovem precisa de um estímulo para frequentar esses programas. E esse estímulo através dos games deu muito certo. A indústria está com uma crescente muito grande, e até passa em oferta de emprego as indústrias fonográfica e musical. Aí você junta isso com a atratividade do game e o fato de os jovens se profissionalizarem”. Segundo Reisman, atualmente há 40 estúdios na capital, o que coloca o Distrito Federal no Top 10 do país em número de empresas de desenvolvimento de jogos. “O faturamento no DF passou de R$ 7,7 milhões em 2021 para quase R$ 9 milhões em 2022”, ressalta.
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