GDF institui Dia do Krav Magá no calendário oficial
O Krav Magá, sistema de defesa pessoal criado em Israel e difundido em diversos países, agora terá uma data oficial de celebração no Distrito Federal. A governadora Celina Leão sancionou a Lei nº 7.895, de 27 de maio, que institui o Dia do Krav Magá no Distrito Federal, a ser celebrado anualmente em 18 de janeiro. A data faz referência ao dia da chegada do Krav Magá ao Brasil trazido pelo mestre Kobi Lichtenstein | Foto: Thomaz Cruz/Agência Brasil De autoria do deputado distrital Wellington Luiz, a proposta estabelece que a data faz referência ao dia da chegada do Krav Magá ao Brasil trazido pelo mestre Kobi Lichtenstein, responsável por difundir a modalidade no país. O Projeto de Lei nº 1.022/2024 foi analisado na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) durante sessão realizada em 5 de maio. Com a sanção da nova lei, o Dia do Krav Magá passa a integrar oficialmente o calendário de eventos do DF. A norma entrou em vigor na data de sua publicação.
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Aulão de defesa pessoal reúne mais de 200 mulheres e reforça 21 dias de ativismo
A campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher ganhou força nesta quinta-feira (27) com um grande aulão de defesa pessoal voltado ao público feminino. A atividade, realizada pela Secretaria da Mulher (SMDF) em parceria com a Federação Sul-Americana de Krav Maga Mestre Kobi e com a Embaixada de Israel no Brasil, com apoio da Vice-Governadoria e da Secretaria de Relações Internacionais do DF (Serinter-DF), reuniu mais de 200 mulheres na Torre de TV, em uma manhã de aprendizado, prevenção e fortalecimento da segurança pessoal. O treinamento foi conduzido por instrutores certificados da Federação Sul-Americana de Krav Maga, que apresentaram técnicas de defesa aplicáveis a situações reais, incluindo golpes rápidos, movimentos de fuga, noções de autoproteção e estratégias comportamentais para identificar e evitar riscos, todos elementos centrais do método israelense reconhecido mundialmente. Segundo a vice-governadora Celina Leão, esse ensinamento na prática sobre autodefesa é fundamental para a saúde integral da mulher, abrangendo benefícios físicos, mentais e sociais. “As mulheres aprenderam a utilizar uma ferramenta poderosa para o empoderamento e a autodefesa. Essa atividade faz parte da nossa luta todos os dias pelo fim da violência contra a mulher”. A mobilização dos 21 Dias de Ativismo, que ocorre de 20 de novembro a 10 de dezembro, busca conscientizar sobre a violência de gênero e fortalecer o desenvolvimento de políticas públicas de igualdade. No DF, a campanha se soma às ações permanentes do governo para proteger e empoderar mulheres, como programas de acolhimento, qualificação profissional, ampliação da rede de proteção e fortalecimento dos canais de denúncia, entre eles o Ligue 180, central de atendimento à mulher, e o 190, canal de emergência. O treinamento foi conduzido por instrutores certificados da Federação Sul-Americana de Krav Maga, que apresentaram técnicas de defesa aplicáveis a situações reais | Foto: Samuel Marques/SMDF Para a secretária da Mulher, Giselle Ferreira, iniciativas como o aulão ampliam a rede de acolhimento e prevenção. “Acreditamos que é fundamental que as mulheres conheçam a técnica de autodefesa praticada em Israel. Além de ensiná-las a reagir em situações de risco, o Krav Maga traz benefícios para o corpo e para a mente. Foi um encontro acolhedor e acessível”, destacou. O secretário de Relações Internacionais, Paco Britto, ressaltou a importância das parcerias internacionais no GDF. “Hoje, vemos o resultado do trabalho contínuo da Serinter com as embaixadas para divulgar culturas e compartilhar conhecimento com nossa população”, afirmou. “O Krav Maga pode contribuir muito para a autodefesa das nossas cidadãs e fortalecer a luta contra a violência”, completou. A representante da Embaixada de Israel no Brasil, Rasha Athamni, reforçou que Israel continua enfrentando desafios significativos relacionados à violência de gênero e que iniciativas como o aulão de defesa pessoal têm impacto real na proteção e no fortalecimento das mulheres. “É uma honra, como representante israelense e como mulher, estar com vocês. Israel ainda carrega traumas profundos da violência. Toda pessoa tem o direito de viver sem medo”, contou Rasha. Ao dominar técnicas básicas de proteção, as mulheres ampliam sua capacidade de identificar ameaças, tomar decisões rápidas e buscar rotas seguras de fuga. Esse conhecimento reduz a vulnerabilidade e aumenta a percepção de controle sobre o próprio corpo. Para a moradora de Ceilândia, Andrea da Silva, 43 anos, a prática trouxe segurança e confiança. “Eu não sabia me defender e aprendi hoje as técnicas do Krav Maga. Esse aulão é muito importante para as mulheres! Foi maravilhoso participar e aprender mais sobre defesa pessoal. Agradeço ao GDF e à Embaixada de Israel pela iniciativa”, concluiu. *Com informações da Secretaria da Mulher do Distrito Federal (SMDF)
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Projeto Lago Forte oferece aulas gratuitas de defesa pessoal e jiu-jítsu para a comunidade
“É se sentindo forte que você vai ficando forte.” A frase é do sargento e o instrutor do projeto Lago Forte, Guilherme Castro. O programa oferece aulas gratuitas de jiu-jítsu e defesa pessoal e foi criado pelo 24º Batalhão da Polícia Militar (BPM) há sete anos para atender policiais e a comunidade da região do Lago Norte, Varjão, Taquari e Granja do Torto, em uma iniciativa que combina desenvolvimento físico e mental. “Acho que todas as lutas contribuem para a saúde, e o jiu-jítsu trabalha muito essa parte psicológica. Às vezes a pessoa é tímida e, internamente, se acha fraca. Fazendo os exercícios, os movimentos, desenvolvendo a técnica e interagindo com as outras pessoas, ela vê que dá para se sentir forte; sentindo-se forte, você vai ficando confiante. Os alunos que praticam a arte marcial se sentem capazes de fazer outras coisas ー desde sair, com técnica, de debaixo de uma pessoa mais forte até resolver os problemas pessoais”, observou o professor. O instrutor Guilherme Castro ressalta que os benefícios do jiu-jítsu saem do tatame e chegam à saúde e à vida pessoal dos alunos | Fotos: Matheus H. Souza/Agência Brasília O policial destaca que, além da preocupação com o treinamento dos policiais, na parte técnica e psicológica para o trabalho na rua, o programa cria um elo entre a polícia e a comunidade, levando integração e reconhecimento do trabalho feito no batalhão. Por meio do esporte, os militares buscam construir pontes com a comunidade, promovendo saúde, cidadania e segurança. Superação A aposentada Zilda Guimarães, de 72 anos, soube do projeto por uma amiga e pratica defesa pessoal no batalhão há cerca de três anos. Para ela, vai além de uma forma de manter a saúde física e mental, sendo um meio de preparo para qualquer situação que precise enfrentar. Zilda Guimarães se sente mais forte física e emocionalmente após entrar para o programa Lago Forte “Eu percebi que me dava mais condicionamento físico, e o ambiente é muito divertido. O mestre é excelente, e os colegas também. É também uma forma de ter mais segurança quando caminho na rua e de contar com um bom condicionamento para, se acontecer alguma coisa, estar apta a me desenvolver fisicamente e até emocionalmente, sem aquele impacto de não saber o que fazer”, pontuou. Já para a dona de casa Maria Nensinha, 54, o projeto a ajudou em pontos ainda mais sensíveis, devido a um trauma que ela carregava e que lhe gerava até uma aversão aos policiais. Após começar a frequentar o projeto, o cenário se transformou: hoje, faixa azul no jiu-jítsu pelo Lago Forte, ela ressalta a diferença que o espaço trouxe para a superação. O modo que Maria Nensinha vê os policiais mudou depois do início das aulas: "A luta me salvou" [LEIA_TAMBEM] “Eu via os policiais como inimigos, tinha trauma. Quando cheguei aqui, fui muito bem-acolhida pelos professores e colegas. Hoje vejo eles de outra maneira, completamente diferente. Fiz amigos e me libertei. Na verdade, a luta me salvou. Tive um desenvolvimento geral, vejo as coisas mais tranquila e sou menos agressiva. Aprendo muito aqui, mesmo ainda tendo muito a evoluir. Tem muitas mulheres que também têm medo; convido sempre a vir para cá para perder o medo, que nem eu perdi o meu”, declara. As aulas de jiu-jítsu são mistas, às 14h e às 18h, de segunda a quinta-feira. Na sexta-feira, ocorrem as aulas de defesa pessoal feminina (às 9h), e de jiu-jítsu (às 10h30). As inscrições no projeto podem ser feitas no próprio batalhão da polícia. É preciso ter, pelo menos, 14 anos de idade e preencher um formulário para participar. Atualmente as turmas do 24º BPM contam com 60 alunos.
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Conheça o BSBJJ, projeto social que transforma vidas por meio do jiu-jítsu
No tatame do Centro de Ensino Fundamental (CEF) Dra. Zilda Arns, diversos jovens encontram, por meio da luta, transformação social e desenvolvimento pessoal. Funcionando há oito anos em parceria com a Secretaria de Esporte e Lazer (SEL-DF), o Projeto BSBJJ oferece aulas gratuitas de jiu-jítsu, promovendo a inclusão a partir de treinos que combinam técnicas de defesa pessoal e atividades educativas, reforçando o aprendizado escolar e desenvolvendo habilidades emocionais por meio do esporte. Além do Itapoã, o projeto está presente em mais duas unidades no Distrito Federal, localizadas em Samambaia e no Paranoá, onde a comunidade tem acesso a treinos na administração regional e nos batalhões da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Com um termo de fomento de aproximadamente R$ 300 mil da SEL, o apoio contempla a disponibilização de materiais esportivos, um educador especializado e serviços para o projeto, que já alcança uma média de 200 alunos impactados na comunidade. Projetos como o BSBJJ incentivam valores como respeito, superação e trabalho em equipe | Fotos: Tony Oliveira/Agência Brasília Segundo o secretário de Esporte e Lazer, Renato Junqueira, projetos como o BSBJJ são fundamentais para transformar a realidade de muitos jovens, incentivando não apenas a prática esportiva, mas também valores como respeito, superação e trabalho em equipe. “Apoiar iniciativas assim é essencial e um compromisso com a formação de cidadãos e com o fortalecimento do esporte como um agente de mudança social. Acreditamos no esporte como uma ferramenta poderosa para promover inclusão social, disciplina e novas oportunidades para os jovens do DF”, destaca o gestor. Os alunos matriculados na rede pública de ensino que apresentam boas notas recebem um quimono e faixas personalizadas com as marcas dos apoiadores para usar em competições e treinos. De acordo com o coordenador do projeto, Israel Costa, 23 anos, é feito um acompanhamento com os jovens dentro e fora do tatame, incentivando o bom desempenho na escola em casa. “ [O projeto] Tem mudado a realidade deles. O Itapoã é uma comunidade carente e esse é o papel mais importante do projeto e das artes marciais: pegar aquele que está na rua, trazer para o tatame, dar um quimono e uma oportunidade para transformar não só a vida dele como a da família”, ressalta. Israel Costa: “O Itapoã é uma comunidade carente e esse é o papel mais importante do projeto e das artes marciais: pegar aquele que está na rua, trazer para o tatame, dar um quimono e uma oportunidade para transformar não só a vida dele como a da família” O instrutor frisa a mudança visível nos jovens por meio do retorno de quem os acompanha. “Muitas vezes os pais chegam falando que o comportamento do filho mudou, está ajudando dentro de casa e mais disposto a mudar de vida, procurando uma melhoria para a família. É gratificante ver essa transformação. Na minha vida mesmo faz toda diferença: treino em projetos sociais desde os 8 anos e sempre notei várias iniciativas sem apoio, mas em Brasília tem sido diferente. Com o apoio deste GDF e da SEL, temos conseguido fazer a diferença e ajudar essa meninada a tomar outro rumo”. Menos rua e mais tatame Mestre Gessé Pereira dos Santos descreve o projeto como “uma ponte que mostra que eles são capazes” Indo para o terceiro ano de atuação, a unidade do Itapoã atende cerca de 50 alunos e conta com os ensinamentos do mestre Gessé Pereira dos Santos, 42. Ele descreve o BSBJJ como uma uma boia salva-vidas em meio ao caos. “Conseguimos tirar esses jovens de uma vida ociosa na frente das telas e ser uma ponte que mostra que eles são capazes, transformando-os em verdadeiros campeões não só no tatame, mas na vida. Tudo isso gera o grande lema do projeto, que é: menos rua, mais tatame”. O professor de jiu-jítsu aponta que, fora a ética comportamental que a arte marcial ensina, os alunos se tornam mais otimistas com a vida. “Para treinar uma arte marcial, você precisa respirar, se conhecer e dominar a força. Vejo a mudança na história dessas crianças e jovens. Eles conseguem ir além das diversidades, não desistir fácil, ter resiliência e respeitar o próximo – tudo por meio do que é ensinado na luta”, pontua Gessé. Asafe Ferreira Reis: “Temos amizade no tatame que nos deixam longe de coisas ruins” O jovem de 14 anos Asafe Ferreira Reis integra o projeto há um ano e reforça a importância do acesso ao esporte independente da idade, além da melhora no porte físico e a rede de apoio formada pela rotina de treinos. “Temos amizade no tatame que nos deixam longe de coisas ruins. Antes de começar a treinar, eu tinha facilidade para pegar doenças, ficava gripado com frequência e qualquer coisa vinha muito forte. Hoje em dia não sinto tanto isso e também não canso como antes”. Ana Beatriz Prata Cruz, de 12 anos, também treina há cerca de um ano no Itapoã e já ganhou dois campeonatos de jiu-jítsu no DF. A atleta ressalta que, depois que começou a praticar o esporte, passou de uma adolescente parada e desanimada para uma que ama as atividades. “O tatame me transforma. Não sei como explicar, porque é um sentimento muito grande. Quando entrei, pensei que ia ser muito difícil, mas não é. É um esporte realmente para todos”, declara. Pertencimento A instrutora Nayara Alves dos Santos reforça a importância de o projeto ajudar no empoderamento de meninas Um grande diferencial do projeto é a turma feminina de jiu-jítsu que funciona desde 2023 no Dra Zilda Arns e atende todas as idades. Responsável pelo grupo, a faixa-preta Nayara Alves do Santos, 35, é vista como um exemplo para as meninas que se espelham na luta feminina. A instrutora destaca a importância da autodefesa para as mulheres e explica que sempre viu a necessidade de existir uma turma feminina, ao perceber que muitas se sentiam mais confortáveis com a possibilidade ー ou, ainda, tinham pais ou parceiros que não aceitavam a prática delas na modalidade por não entenderem como funciona o esporte. “Trabalhamos justamente as questões da mulher na sociedade, sobre se proteger de assédios e saber que em várias situações você pode ter uma postura diferenciada. Além de trabalhar a ansiedade e autoestima, essa turma é para empoderar as mulheres e mostrar que elas conseguem sair de qualquer situação. Se defender, se impor e falar que não é não. Elas gostam de estar aqui. Mais que jiu-jítsu, é um ambiente de troca de experiências e transformação de vidas”, acentua a professora. Eduarda Almeida ressalta que, no tatame, consegue pertencimento e acolhimento Entre as alunas de Nayara, está a estudante de 18 anos Eduarda Almeida, que participou de outros projetos sociais e reforça o acolhimento e pertencimento que a turma específica trouxe ao projeto. “Muda o cenário que geralmente é mais composto por homens. É um diferencial porque a gente não vê isso em muitos lugares, então as mulheres se sentem acolhidas e com um lugar para chamar de seu. Eu raramente via uma mulher faixa preta e a Nayara faz um grande diferencial nesse caminho que o jiu-jítsu feminino está trilhando, em que a gente tem mais visibilidade em tudo”. A jovem acentua, ainda, a diferença que as aulas gratuitas fazem na vida dela, de Pessoas Com Deficiência (PCDs) e diversas pessoas da comunidade que participam do BSBJJ: “Normalmente as academias de luta são pagas e não são todos que têm dinheiro. Esse projeto acolhe todo mundo e fico muito grata por ele existir. Quando eu venho para cá, posso esquecer um pouco de tudo que acontece lá fora e só treinar e interagir com os amigos”.
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