Projeto Conexões e Experiências mapeia atrativos de produtos e turismo rurais em todo DF
Esta matéria foi produzida durante o período de defeso eleitoral (de 4 de julho de 2026 a 25 de outubro de 2026) e, em cumprimento à Lei nº 9.504/1997, está sendo publicada depois da vedação expirada. Nesta terça-feira (4/8), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF) promoveu uma visita guiada a dois espaços e uma rodada de apresentação e bate-papo com oito produtores selecionados no projeto Conexões e Experiências: Turismo, Histórias e Produtos do Campo que Encantam. A iniciativa, parceria da Emater-DF com a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF), reúne 40 produtores rurais em sua primeira edição e foi transformada em um catálogo disponível em formato físico e digital. Entre trilhas e retiros ecológicos, iniciativas de educação ambiental, plantações de mirtilo e morango e produção de queijos, vinhos e cachaça, a publicação reúne empreendimentos que oferecem produtos de qualidade e produção sustentável e que, ao mesmo tempo, estão de portas abertas para receber visitantes. De acordo com a Emater-DF, a proposta central do projeto é conceito de “conexão rural”, promovendo a integração entre a agroindústria familiar e o turismo rural, de modo que o visitante não apenas leve um produto para casa, mas conheça a história, o rosto e o processo de trabalho por trás de cada rótulo. O presidente da Emater-DF, Cleison Duval, afirma que o turismo rural ajuda no desenvolvimento econômico do DF | Fotos: Matheus Borges/Agência Brasília Na Villa Giardini, um dos locais contemplados pela primeira edição do catálogo e visitados ao longo do dia e onde foi promovido um chá da tarde elaborado com produtos locais, o presidente da Emater-DF, Cleison Duval, afirmou que pensar o turismo é trabalhar o desenvolvimento econômico de toda região por meio da conexão entre empreendimentos produtores e de hospitalidade. “Hoje, por exemplo, vamos tomar um café da tarde onde eu tenho uma geleia de produtores de qualidade registrada. Aqui [na Vila Giardini], temos um ambiente que pode receber turistas. Desta forma, eu não vou estar valorizando apenas aquela propriedade ou aquele produto. Eu vou estar promovendo o desenvolvimento de toda a região em volta”, comentou. A programação do dia contou também com uma visita à cachaçaria Cavaco, outro dos empreendimentos contemplados pela primeira edição da publicação, e com a divulgação do segundo edital do projeto, disponível para participação de produtores entre 1º de junho e 31 de agosto deste ano. Cachaça 100% do DF A produção de cachaça no DF é feita em várias técnicas, como envelhecida em carvalho ou em jequitibá-rosa Como parte da programação de turismo rural, o dia começou com uma visita à cachaçaria Cavaco, localizada no Núcleo Rural Sobradinho dos Melos, no Paranoá. No local, são feitos o plantio e a colheita da cana-de-açúcar, então moída para extração do caldo, que por sua vez é fermentado, destilado e, posteriormente, armazenado em tonéis de inox ou madeira para envelhecimento e ganho de complexidade. No tour pela cachaçaria, além de acompanhar as diferentes etapas do processo produtivo, é possível degustar os rótulos disponíveis — como a cachaça prata (sem envelhecimento em barril), outras envelhecidas em madeiras como carvalho-americano, carvalho-europeu e também em madeiras brasileiras, como jequitibá-rosa e amburana. Na ocasião, houve também demonstrações da aplicação da bebida em coquetelaria, com releitura de clássicos como o Aperol Spritz e o Rabo de Galo. Produtor rural e um dos proprietários da Cavaco, Igor Cavalcante conta que a Emater-DF foi um importante suporte técnico durante todo o processo, mesmo quando os planos da família ainda não eram o de produção de cachaça. Desde 2003, quando a família adquiriu a propriedade, foram feitas diferentes tentativas de empreender, com plantação de abacateiros, pinheiros e até mesmo criação de gado. “A Emater tem nos ajudado desde sempre. Quando começamos e decidimos trabalhar com cana-de-açúcar, os técnicos vieram aqui e estão sempre disponíveis para nos auxiliar. Levam o produto daqui, fornecem subsídios, fazem verificação de solo, do manejo. Além disso, tÊm nos ajudado com outras questões junto a outros parceiros que produzem cachaça para que a gente possa se juntar em movimentos de valorização da cachaça enquanto produto”, afirmou. O empreendimento funciona em um terreno de 12 hectares e tem capacidade de produção de 20 mil litros de cachaça por ano. Igor conta que o produto tem se consolidado no mercado brasiliense, e demonstra empolgação com o crescimento do interesse do público. “Temos tido um retorno muito bom. As pessoas que compram, gostam muito do produto. Obviamente, existe um terroir específico daqui, que é diferente da Região Sul e do Nordeste. Cada cachaça vai ter uma especificidade e o público tem gostado desse terroir de Brasília, do Cerrado como um todo, então acabam levando para outros estados e até alguns outros países já estão se interessante”, comentou. Catálogo Conexões e Experiências O primeiro catálogo elenca 40 empreendimentos com mapa ilustrado, contato e horários de visitação, entre outras informações Na edição do catálogo Conexões e Experiências, foram selecionados 40 empreendimentos distribuídos em regiões rurais em Brazlândia, Ceilândia, Gama, Jardim, PAD-DF, Paranoá, Planaltina, São Sebastião, Sobradinho e Vargem Bonita. São 98 páginas com mapa ilustrado, fichas dos empreendimentos, informações de contato, horários de visitação, além de QR Codes que dão acesso a vídeos curtos com depoimentos dos produtores. Na publicação é possível encontrar vinícolas e enoturismo, queijarias artesanais, cafés especiais, cachaçarias, cervejaria artesanal, apicultura, fruticultura, agroindústrias de laticínios e embutidos, hotéis-fazenda, ecoparques, espaços de bem-estar, turismo religioso e turismo cultural. O catálogo está disponível em formato físico e digital. Rancho Canabrava Com 29 anos de história no Núcleo Rural Sobradinho I, a cerca de 25 km da Rodoviária do Plano Piloto, o Rancho Canabrava é referência em turismo rural no Distrito Federal. A propriedade é pioneira na criação de cavalos da raça mangalarga marchador no DF, atividade iniciada em 1971, e hoje reúne turismo equestre, gastronomia e lazer para toda a família. "Nós vamos fazer 30 anos de funcionamento. É um restaurante rural com atividades de lazer e temos tentado crescer para outras funções também" Anna Maria de Lucena Rodrigues, proprietária do Rancho Canabrava Entre os destaques do empreendimento, estão passeios a cavalo e de charrete, cavalgadas longas e escola de equitação, restaurante de comida mineira servida no fogão a lenha, trilhas ecológicas, arvorismo, tirolesa e fazendinha e projeto pedagógico para escolas. “O rancho tem uma história longa. Nós vamos fazer 30 anos de funcionamento. É um restaurante rural com atividades de lazer, e temos tentado crescer para outras funções também. Temos um espaço de evento, bem pequenininho e restrito, mas estamos tentando crescer. Temos também um projeto pedagógico, no qual atendemos escolas com uma pegada mais ecológica, a fim de tirar os meninos das telas [de dispositivos eletrônicos]”, relatou a proprietária do espaço, Anna Maria de Lucena Rodrigues. Queijaria Potiguar Agroindústria familiar dedicada a laticínios artesanais, a queijaria Potiguar une tradição de família e conhecimento técnico na produção de queijos. A operação é registrada e segue as boas práticas de fabricação, o que assegura procedência e segurança alimentar ao consumidor. A produção integra o movimento de valorização do queijo artesanal produzido no Distrito Federal. Entre os destaques, estão uma linha de queijos artesanais (frescal, coalho, manteiga e minas padrão), loja própria em São Sebastião e visitação à propriedade com contato direto com o processo produtivo. “A queijaria nasceu por meio da Emater. Os técnicos me incentivaram a legalizar [o processo de produção]. Eles me acompanham desde o início. Se eu preciso de um veterinário, eles estão lá para me ajudar, na agroindústria, na produção, nos cursos de queijos, inclusive para eu conhecer as bactérias, o leite e tal, foi tudo através da Emater”, destacou o produtor rural Antônio Fernandes Barros, de 62 anos, proprietário da queijaria. Cerrado Blue A partir de pesquisa e aperfeiçoamento genético, a produção de mirtilo foi adaptada à realidade do DF Localizada na Rota do Cavalo, a Cerrado Blue é uma das pioneiras no cultivo de mirtilo (blueberry) no Distrito Federal. O mirtilo foi adaptado ao clima do Planalto Central por meio de pesquisa e aperfeiçoamento genético. O cultivo é feito em substrato e vasos, sistema que garante frutos de calibre superior, alto teor de açúcar e acidez equilibrada, com janela de produção estendida de cerca de sete meses. Entre os destaques, estão mirtilo in natura, colha e pague, agroturismo e vivências no campo, além de derivados artesanais como geleias, molhos, sucos e chá de folhas de mirtilo. “As pessoas têm gostado bastante porque é algo que não conhecem [o mirtilo]. As que conhecem ainda não foram a um pomar. Hoje, além dessa experiência no pomar, temos a experiência gastronômica. A gente oferece um café da manhã, que é um brunch com receitas doces e salgadas com mirtilo”, contou a empreendedora rural, Leandra Alvarenga. Coopa-DF A farinha de trigo Buriti é fruto do trabalho da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) Fundada em 1978, a Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) reúne centenas de produtores e é uma das principais referências do agronegócio do Planalto Central. Seu produto símbolo é a farinha de trigo Buriti, resultado da busca dos cooperados, desde os anos 1990, pelo trigo como alternativa de rotação de culturas nas áreas irrigadas. O moinho próprio, inaugurado em 1995, transforma o grão em farinha para panificação, uso doméstico e farelo animal. Entre os destaques, estão a farinha de trigo Buriti e a realização da AgroBrasília, maior feira do agronegócio do Planalto Central e uma das principais do país, sediada no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci. Villa Giardini Ecoparque Referência em sustentabilidade e turismo rural no DF, o Villa Giardini Ecoparque ocupa 36 mil metros quadrados no Setor de Mansões do Lago Norte, com até 65% de vegetação nativa preservada e arquitetura bioclimática. O complexo integra produção agrícola, educação ambiental e eventos, com vista para o Lago Paranoá e o skyline da cidade. Entre os destaques da propriedade, estão a meliponicultura (abelhas sem ferrão), o viveiro de mudas ornamentais e medicinais, o primeiro lavandário em larga escala do Centro-Oeste, com mais de 1,5 mil pés de lavanda e um rótulo próprio de vinho em parceria com a Vinícola Brasília, além das experiências Chá da Villa, Projeto Sementes da Villa e oficinas Brushes & Bloom. Cauê Giardini explica que o Villa Giardini Ecoparque une arte, cultura e preservação ambiental “[O local] nasceu há dez anos com o intuito de ser um parque botânico em Brasília, de ser um espaço que unisse arte, cultura e preservação ambiental. Então, temos várias atividades que são abertas à comunidade e não só privadas. Hoje, somos muito conhecidos em Brasília no setor de eventos e eventos privados, casamentos, festas sociais, mas poucas pessoas sabem que a Villa Giardini está com as portas abertas para comunidade do Distrito Federal como um todo”, contou o diretor de criação do espaço, Cauê Giardini. Oma Sena Vinícola boutique familiar, a Oma Sena — "Vovó Sena", em alemão — é uma homenagem dos netos à matriarca da família e integra o grupo Vinícola Brasília e o Eixo dos Vinhedos. A produção utiliza a técnica da dupla poda, que desloca a colheita do verão chuvoso para o inverno seco, período de maturação plena dos cachos. Entre os destaques, estão os rótulos Primeira Chuva (rosé de syrah), Descalço (sauvignon blanc), Vernáculo Syrah e Dialeto Syrah, premiações nacionais e internacionais, com destaque para o Merano Wine Festival 2025, na Itália, visitas guiadas ao vinhedo com degustação e a experiência imersiva Tinto, Taças e Tintas. Rafael Bonato: "A Emater ajuda muito nessa parte de conectar os produtores e os novos empreendimentos" “A nossa fase atual é de conquistar o mercado e estar realmente mais próximos dos clientes, do consumidor final. A Emater ajuda muito nessa parte de conectar os produtores e os novos empreendimentos. [O catálogo] ajuda muito a termos um caminho realmente aberto com os consumidores e com os clientes”, comentou o sócio-proprietário da Oma Sena, Rafael Bonato. Vinícola Brasília Nascida da união colaborativa de dez famílias e dez vinhedos do Distrito Federal e da Ride, a Vinícola Brasília é um dos projetos mais recentes da vitivinicultura no Planalto Central. Os vinhos finos são produzidos pela técnica da colheita de inverno (dupla poda), com uvas colhidas a uma altitude média de mil metros, em clima seco e de grande amplitude térmica. Pesquisa financiada pela FAPDF comprovou que os syrahs do Cerrado de Altitude apresentam altos níveis de compostos fenólicos, antioxidantes e resveratrol. Rótulos da Vinícola Brasília prestam homenagem à capital federal: Monumental, Alvorada, Croqui, Pilotis e Cobogó Entre os destaques, estão rótulos que homenageiam a arquitetura de Brasília — Monumental, Alvorada, Croqui, Pilotis e Cobogó, mais de 70 premiações nacionais e internacionais —, além de tours guiados, winebar, jantares harmonizados e cursos de vinhos. “A Vinícola Brasília, hoje, é mais conhecida fora do Brasil do que aqui dentro de Brasília. Com apenas dois anos de vida, conquistamos 120 prêmios nacionais e internacionais. Fazemos sempre um apelo às pessoas que vão até a Vinícola Brasília que, quando se sentarem em restaurantes, peçam vinhos de Brasília. A qualidade nós já provamos que temos”, comentou o gerente comercial da vinícola, Darlan Lucca Pissolatti, 57, ao citar que o empreendimento recebe propostas de exportação dos produtos para países como Alemanha, Espanha, Itália, França e Portugal. Espaço Amplitude Refúgio de hospedagem e bem-estar na DF-205 Oeste, o Espaço Amplitude foi inspirado nos princípios da geometria sagrada, com o octógono presente em todos os ambientes, em projeto que mescla o contemporâneo e o rústico. Os chalés têm vista para a montanha e para o horizonte rural. A propriedade mantém atividades agropecuárias genuínas — plantio de milho e criação de bovinos, aves e equinos —, o que reforça a autenticidade da vivência rural. Entre os destaques, o espaço dispõe de hospedagem em chalés; do projeto Entardecer no Amplitude, com contemplação do pôr do sol, petiscos e música; de trilhas, bike e ecoturismo, yoga, meditação e retiros, além de camping e observação do céu. "A vista para as montanhas e a amplitude que nós temos lá é o nosso diferencial" Yara Lucia de Oliveira, do Espaço Atitude “Nós surgimos na época da pandemia, quando todo mundo estava sem saber para onde ir. Construímos uns chalezinhos hoje se transformaram em um refúgio, onde as pessoas procuram um lugar de conexão, de pausa, de acolhimento. Nós oferecemos aquele clima de montanha, ficamos numa área montanhosa do DF, o que é raro nas propriedades. Então, a vista para as montanhas e a amplitude que nós temos lá é o nosso diferencial”, comentou a proprietária, Yara Lucia de Oliveira. Como participar do edital A Emater-DF também fez o lançamento do segundo edital do projeto para a seleção de produtores rurais do Distrito Federal para integrar a segunda edição do catálogo — desta vez, bilíngue — nos formatos digital e físico. As inscrições podem ser feitas exclusivamente pela internet, duraram de 1º de junho a 31 de agosto, sendo abertas a produtores rurais atendidos pela Emater-DF que tÊm produtos agroindustriais com registro nos órgãos competentes, propriedades com atrativo turístico ou parcerias entre as duas modalidades. As inscrições para o segundo catálogo podem ser feitas até 31 de agosto Como contrapartida aos projetos selecionados, a Emater disponibilizou espaço na publicação bilíngue, inclusão na plataforma digital Põe na Cesta e participação em ações de marketing regional e eventos promocionais coordenados pela Emater-DF. Produtores que precisaram de apoio para se inscrever puderam procurar os escritórios locais da Emater-DF da sua região. *Com informações da Emater
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Novas edições de informativo técnico indicam tendências do agronegócio no DF
A Emater-DF publicou, nesta terça-feira (17), mais três edições do AgroEmater — boletim técnico que traz tendências de mercado do agronegócio. Cada informativo analisa com detalhes uma cadeia produtiva, apontando expectativas de custos, preços, demandas e outros índices. O objetivo é levar cada vez mais conhecimento sobre o negócio rural aos extensionistas e produtores rurais, auxiliando na tomada de decisões que podem determinar o sucesso da atividade. O boletim técnico AgroEmater traz tendências de mercado do agronegócio para ajudar os produtores rurais a tomar melhores decisões | Foto: Divulgação/Emater-DF A partir de agora, o boletim passa a ser por cultura. As edições lançadas são sobre mirtilo, milho e flores. De acordo com o extensionista Carlos Goulart, que atua na Gerência de Desenvolvimento Econômico (Gedec) da Emater-DF, o novo formato do AgroEmater busca integrar conhecimento técnico e econômico à prática no campo, permitindo que produtores não sejam apenas agricultores, mas empreendedores rurais capazes de compreender e atuar sobre os movimentos de mercado. O novo modelo do boletim é dividido em três partes principais: → Análise de cenário econômico: Avalia o histórico e projeta preços, custos e Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura no DF. A correlação dessas tendências auxilia na tomada de decisões → Viabilidade econômica: Aponta indicadores financeiros, como margem de contribuição, ponto de equilíbrio e lucro operacional, para medir a lucratividade da atividade. → Análise técnica: Traz a percepção de especialistas da Emater-DF, com base em análises internas e externas das cadeias produtivas e das propriedades rurais. Todo o conteúdo é apresentado de forma clara e objetiva, sendo organizado em um anuário ao final de cada ano. Originário da Europa e da América do Norte, o mirtilo, por exemplo, é a cultura abordada na edição 4/2024 do AgroEmater. Introduzida no Brasil na década de 80, a fruta começa a ganhar espaço no Distrito Federal, oferecendo boas perspectivas de renda para os produtores locais devido à crescente demanda por alimentos funcionais. “Essa iniciativa não apenas fortalece a memória institucional, mas também consolida informações históricas para consultas futuras, ampliando a visão estratégica dos agentes do setor rural”, afirma Carlos Goulart. Os boletins estão disponíveis para consulta neste link. *Com informações da Emater-DF
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Produção de mirtilo impulsiona renda de agricultores do DF
Produzir mirtilo como forma de desenvolver o turismo rural. Foi assim que, há um ano, a produtora rural Leandra Alvarenga e a família dela decidiram iniciar esse cultivo na região da Rota do Cavalo, em Sobradinho. Também conhecida como blueberry, a fruta típica da América do Norte e de regiões frias tem ganhado espaço na gastronomia e nos lares brasilienses. Cultivo da fruta vem ganhando impulso no meio rural do DF, com o devido apoio técnico da Emater | Fotos: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília A ideia, conta Leandra, é unir memória afetiva com um produto com bom retorno financeiro. Foram três anos de estudos até começar o plantio ao lado do marido, Evaldo, e da irmã, Zuilene Soares, que são servidores públicos. Hoje, com o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), são mais de 2 mil mudas plantadas em 2,5 mil metros quadrados. Embora tenham tido alguns percalços no início, eles já estão na segunda safra, que promete já ser bem melhor que a primeira. A Emater-DF tem nove produtores de mirtilo cadastrados, oito dos quais com o plantio em formação. Com isso, existe uma expectativa de produção de cerca de 48 toneladas de mirtilo para serem comercializadas já em 2025. A média de produção por hectare é de 16 toneladas. Fruta saudável Zuilene Soares, produtora: “O mirtilo é a fruta da longevidade” Cada pé de mirtilo, conta Leandra, pode chegar a produzir quatro quilos ao ano. E o retorno financeiro vale a pena. O pacote com 150 gramas sai da propriedade a R$ 12,50. Por enquanto, eles focam a venda direta do produto in natura, mas também começaram a produzir geleias, sucos e doces, além de firmarem parcerias com outros produtores que preparam de cucas a licor de mirtilo. “Nunca fomos produtores; quando chegamos aqui, começamos a pesquisar, escolhemos a planta e buscamos apoio da Emater-DF”, conta Leandra, que deixou o mercado financeiro para uma mudança completa de vida com a família. Zuilene, irmã de Leandra, lembra que o mirtilo foi escolhido também por ser uma fruta de grande potencial para a saúde. “O mirtilo é a fruta da longevidade”, aponta. “Vários estudos mostram que auxilia no combate à depressão, diabetes e problemas cardíacos. Além disso, é uma fruta de valor agregado. Demanda pouca área e é bem valorado”. Assessoria técnica “Apesar de ser uma planta rústica e resistente, o mirtilo é delicado, e a colheita precisa ser feita à mão, com armazenagem em área fria logo depois” Clarissa Campos, extensionista rural da Emater-DF A extensionista rural e agrônoma Clarissa Campos, da Emater-DF, dá o suporte técnico para a produção de Leandra. Ela conta que, por se tratar de uma cultura nova no DF, o mirtilo tem crescido no interesse dos produtores, que veem boas oportunidades no mercado. Isso porque a maior parte dos mirtilos que chega aos consumidores vem do Peru. Embora seja originária do Hemisfério Norte, a fruta tem variedades que se adaptam muito bem ao clima tropical. Duas dessas são as mesmas plantadas por Leandra e sua família: biloxi e emerald. “O plantio precisa de conhecimento técnico”, explica Clarissa. “É preciso ter uma estrutura adequada no solo, e a adubação é feita com água – mas um dos gargalos é a colheita. Apesar de ser uma planta rústica e resistente, o mirtilo é delicado, e a colheita precisa ser feita à mão, com armazenagem em área fria logo depois.” Aí entra o trabalho da Emater-DF, que acompanha da produção ao escoamento, passando pelo manejo e a agroindústria. Os produtores que quiserem contar com esse suporte podem procurar uma das 15 unidades da empresa no DF. Rota da Fruticultura Consultor do programa Rota da Fruticultura, o pesquisador Firmino Nunes de Lima ressalta que o mirtilo é uma fruta que gera alta rentabilidade para o produtor. Por isso, acredita que políticas públicas que englobem a fruta, como a própria Rota da Fruticultura, contribuem para aumentar a produção e, consequentemente, o mercado no DF. Segundo o pesquisador Firmino Nunes de Lima, o solo no DF é favorável ao cultivo: “A grande vantagem é a não competitividade com o mercado internacional, que colhe no frio” A Rota da Fruticultura é uma ação do Ministério do Desenvolvimento Regional em conjunto com órgãos parceiros, associações e entidades locais. O objetivo é elaborar estratégias para aumentar a produção e o fornecimento de frutas para mercados internos e externos, gerar emprego e renda na região, promover o intercâmbio de experiências e tecnologias, diversificar e implantar novas culturas e fomentar e motivar novos agricultores na produção de frutas no DF e Entorno. Um dos desafios é o alto custo de implantação, que ultrapassa R$ 300 mil por hectare. A variedade cultivada no DF, contudo, traz uma enorme vantagem sobre as produzidas nas regiões mais frias do país, pontua Firmino. “Conseguimos frutos o ano todo”, afirma o pesquisador. “A grande vantagem é a não competitividade com o mercado internacional, que colhe no frio”. Isso ocorre por conta das variedades plantadas aqui e em outros locais com uma produção mais tradicional. Em dezembro, durante a AgroBrasília 2023, foi assinado um acordo de cooperação técnica (ACT) com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), formalizando a atuação da Emater-DF e da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF (Seagri) no trabalho realizado junto aos produtores rurais do DF para aumentar a produção de frutas, como açaí e mirtilo.
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Emater-DF: programas elaborados em parceria aprimoram atendimento
“Foi um ano intenso, com muitas ações. O balanço social revelou que, a cada R$ 1 investido na Emater-DF, R$ 7,35 retornam para a sociedade. O Valor Bruto da Produção (VBP) chegou a R$ 5 bilhões. Por meio de parcerias, empresa pôde manter incentivos a programas de atendimento na área de produção rural | Foto: Divulgação/Emater_DF Esses resultados representam o trabalho continuado dos técnicos da Emater-DF, que prestaram 176 mil atendimentos a agricultores e suas organizações nas mais variadas formas, como visitas técnicas, reuniões, cursos e orientações sobre políticas públicas, recuperação ambiental, saneamento e agroindústria. Auxiliamos os produtores rurais com os programas de compras governamentais, como PAA, Pnae e Papa-DF, que destinaram mais de R$ 38 milhões aos agricultores. Aprovamos 142 projetos de crédito rural, totalizando R$ 10 milhões em investimentos que contribuem para o aumento da produção. No saneamento rural, instalamos 55 fossas sépticas e temos outras 254 engatilhadas, que serão destinadas à região de Brazlândia, em convênio com a Caesb. Reformamos 28,8 km de canais de irrigação, iniciativa conjunta com a Seagri. Auxiliamos os produtores na Rota da Fruticultura, com 50 hectares de açaí e os primeiros plantios de mirtilo. No programa de agricultura urbana, entregamos insumos a 28 hortas de instituições socioassistenciais, implantamos e reformamos 103 hortas escolares e adquirimos 43 sistemas de captação de água das chuvas para instalação em 2024, um investimento de R$ 700 mil. Na agroindústria, inauguramos a Unidade Didática de Processamento e a Unidade Intensiva de Produção de Peixes, ambas na sede da empresa, para oferecer cursos e oficinas. Em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social, 970 produtores e trabalhadores rurais foram atendidos nos escritórios locais pelo Cras Volante. Lançamos duas publicações que apresentam plantas-modelo de agroindústrias rurais, que facilitarão a regularização desses estabelecimentos. Essas ações contribuem para o desenvolvimento econômico sustentável do DF, melhorando a qualidade de vida dos produtores e da sociedade.” *Cleison Duval, presidente da Emater-DF
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Fruticultura cresce no DF em área e em quantidade produzida
Nem a crise econômica causada pela pandemia do covid-19 impediu o crescimento do agronegócio e, principalmente, da fruticultura no Distrito Federal. Relatório da equipe de estatística da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF) mostra um aumento de 18% em áreas e 14% na produção de 2021 em relação a 2020. No ano passado, foram cultivados 1.420 hectares e produzidas 34 mil toneladas de frutas no DF. Em 2020, foram registrados 1.202 hectares plantados e 30 mil toneladas produzidas. No ano passado, foram cultivados 1.420 hectares e produzidas 34 mil toneladas de frutas no DF, com apoio de iniciativas da Seagri e da Emater-DF | Fotos: Divulgação/Emater-DF Para que esse crescimento se mantenha, a Secretaria de Agricultura (Seagri), em parceria com a Emater-DF, fornece subsídios para aumentar tanto as produções quanto o número de produtores existentes no DF. “É muito perceptível que o interesse aumentou, mais pessoas têm nos procurado”, conta o secretário-executivo da Agricultura, Luciano Mendes. A Seagri investe em políticas públicas nas mais variadas searas, desde a distribuição de maquinários até a maior facilidade de créditos para os produtores. “Tudo é feito de maneira bem planejada para que todos os produtores rurais sejam acolhidos da melhor maneira possível e não tenham prejuízo evidentemente”, diz Mendes. [Olho texto=”“Tudo é feito de maneira bem planejada para que todos os produtores rurais sejam acolhidos da melhor maneira possível e não tenham prejuízo evidentemente” – Luciano Mendes, secretário executivo da Agricultura” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”direita”] “Por exemplo, eles podem investir usando o Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) da Seagri, que visa promover evolução rural no Distrito Federal, com ações que permitam o aumento da produção e da produtividade, da renda, da segurança alimentar e a permanência do homem no espaço rural. Na modalidade crédito, são financiados projetos de investimentos e custeio agropecuários”, explica o secretário. A respeito da distribuição de máquinas, Luciano Mendes conta que só no ano passado foram enviadas 40 patrulhas agrícolas, de forma gratuita, para os profissionais do setor. Cada patrulha é composta por um trator de 75 cavalos, uma carreta agrícola, um rotoencanteirador hidráulico, uma grade aradora com disco de 26 polegadas e um arado reversível hidráulico de três discos. “O produtor já começa com apoio de maquinário, que vai facilitar a vida dele no que diz respeito ao manejo do solo. Aí chega a Emater e dá auxílio técnico”, conta Mendes. “Além disso, depois que ele começa a produzir, nos comprometemos em comprar parte da produção, em caso de se tratar de um agricultor familiar, o que é mais um incentivo para que ele siga produzindo.” Gustavo Evangelista cultiva mirtilo no Núcleo Rural Boa Esperança II, Lago Norte: “Demanda interna do DF já é alta o bastante para incentivar o produtor a vender localmente”, diz | Foto: Divulgação [Olho texto=” “Todos os setores da economia sofreram com a pandemia, isso é nítido, mas a gente percebe que está tendo uma recuperação, e com o agronegócio não é diferente” – Felipe Camargo, coordenador de Fruticultura da Emater-DF” assinatura=”” esquerda_direita_centro=”direita”] Coordenador de Fruticultura da Emater-DF, Felipe Camargo explica que o papel da empresa é passar aos produtores as novidades de pesquisa, por meio de assistência no dia a dia da propriedade, oficinas, cursos, excursão a centros produtores e polos na produção de frutas. Ou, ainda, por projetos para financiamento da atividade, custos de produção, receitas. Camargo crê que essa é a área do momento que tende a crescer ainda mais. “Todos os setores da economia sofreram com a pandemia, isso é nítido, mas a gente percebe que está tendo uma recuperação, e o agronegócio não é diferente. Há uma grande tendência de o comércio ir abrindo com mais força, então o agro também tem a tendência de estar crescendo”. Mais investimentos Além dos maquinários, do crédito rural, das compras institucionais, do acesso a mudas de frutas e a insumos como adubos, equipamentos para associação ou cooperativas e agricultura familiar, há um investimento para que o produtor não tenha problemas com a escassez de água. “Os canais estão sendo tubulados para evitar desperdício. A ideia é que a mesma quantidade de água que entra na produção chegue até o final. Antigamente, apenas 50% chegavam até o fim”, disse o secretário-executivo da Seagri. Cada uma das 40 patrulhas agrícolas tem o custo de R$ 300 mil. Só no ramo de irrigação, o Governo do Distrito Federal (GDF), na gestão de Ibaneis Rocha, investiu R$ 7 milhões. Nas compras de alimentos de agricultores familiares foram investidos R$ 25 milhões. “Isso mostra o tanto que o Governo do Distrito Federal aposta no agro e se importa com quem entra para esse tipo de produção. Todo o suporte é dado desde a entrada até o momento em que a pessoa estiver trabalhando na área”, pontua Luciano Mendes. Felipe Camargo faz uma previsão em relação ao crescimento da fruticultura no DF: “Está sendo criada a Rota da Fruticultura no DF. Com incentivos de diversos órgãos distritais e federais, acredito que seremos um polo de referência na produção de frutas nos próximos cinco anos”. [Relacionadas esquerda_direita_centro=”esquerda”] O engenheiro agrônomo Gustavo Evangelista, 36 anos, cultiva mirtilo, banana e morango juntamente com um amigo no Núcleo Rural Boa Esperança II, Lago Norte, próximo à Granja do Torto. E diz que o clima local é propício para que o DF cresça ainda mais no setor em que ele atua. “A demanda interna do DF já é alta o bastante para incentivar o produtor a vender localmente. Contando ainda com o posicionamento geográfico central, quando se fala de Brasil, é um ótimo lugar para se produzir frutas pensando também na exportação para outros estados. Outro ponto forte no DF é o clima que permite uma variedade imensa de frutas”, explica o profissional.
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